quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

[Cap. II] Dossier Getafe Club de Fútbol

No primeiro capítulo analisámos a carreira do Getafe em 2007/08. Foi objectivo resumir a performance das várias competições, La Liga, Uefa Cup, Copa del Rey, procurando ilustrar com dados estatísticos, assim como destacar alguns vídeos das partidas mais relevantes. No capítulo que se segue, a atenção irá incidir sobre a vertente táctica associada ao modelo de jogo.
Costuma dizer-se que uma equipa joga à imagem do seu treinador. Segue o seu conceito de futebol, definido em princípios de jogo que melhor sirvam as suas convicções pessoais. O adversário do Benfica não é excepção e o estratega tem nome dinamarquês famoso: Michael Laudrup.
Enquanto jogador, era elegantíssimo com a bola nos pés. Ficou célebre a forma como progredia no espaço central e depois soltava um passe de ruptura açúcarado. Um dos seus movimentos preferidos era meter a bola na esquerda, ou direita, ao mesmo tempo que olhava para o lado contrário. Ronaldinho Gaúcho faz questão de perpetuar a magia.
No final da carreira, Laudrup deixou no ar uma profecia: “Daqui a dez anos, não haverá mais jogadores como eu. Todos irão preferir atletas”. Anos mais tarde, como treinador, nota-se que o nível de exigência transmite-se para o relvado, a que não será alheio o facto do Getafe praticar um futebol positivo, virado para o golo. Como vimos, a escassez de empates da equipa espanhola é um sintoma desse carácter voltado para as vitórias.
Em termos meramente tácticos, o desenho habitual mostra o 4x4x2 em linha, dito clássico. Provavelmente, este será o sistema que a equipa espanhola mostrará ao público presente no Estádio da Luz, no próximo dia 6 de Março. Para ilustrar o esquema base, normalmente utilizado, nada como exemplificar através do último confronto frente ao vizinho Real Madrid:

Começemos pelo sector mais recuado. A dupla de centrais é constituída por Daniel "Cata" Díaz, argentino que veio do Boca Juniors e por David Belenguer, experiente capitão que completou 35 primaveras. No flanco direito, o romeno Cosmin Contra alterna com David Cortés; na faixa oposta, o ala Lucas Licht divide o protagonismo com o francês Signorino, ex-Nantes.
Subindo uns metros, na zona intermediária, várias opções garantem a fluidez do modelo de jogo e Laudrup não tem receio de promover a rotatividade. Ainda assim, há sempre aqueles que mais se destacam: Javier Casquero, preferencialmente ligado a tarefas de marcação e recuperação; Pablo Hernández, dono do corredor direito; De la Red, jovem talento (22 anos) na construção de jogo; Fabio Celestini, internacional suiço, ponto de equilíbrio para o colectivo; Esteban Granero (20 anos), coqueluche do clube e temível no remate.
Na frente, quando Laudrup opta pelo 4x2x3x1, o uruguaio Ángel Albín pisa terrenos típicos de um n.º 10, mas o melhor marcador do campeonato espanhol é o avançado Manuel "Manu" del Moral. Como companheiro de área, enquanto Kepa (1,85m e 83kg) é o possante ponta-de-lança para os momentos difíceis, o nigeriano Uche é o homem de todos os momentos, evidenciando-se nas transições ofensivas.
Prevendo-se que o Benfica mantenha a sua estrutura disposta no 4x2x3x1, é esperado que Laudrup opte pelo tradicional 4x4x2, semelhante, no papel, ao que venceu o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu. De qualquer modo, José António Camacho tem de preparar a eliminatória ao detalhe, pois o Getafe sabe como posicionar-se em 4x1x3x2 – Javier Casquero como pivot defensivo - e 4x2x3x1. Consoante as características do adversário e mediante as circunstâncias do próprio resultado, a equipa espanhola dispõe de maleabilidade táctica que lhe permite alterar o rumo dos acontecimentos. Para não variar, a chave está no meio-campo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

#4 Prospecção: Mickaël Chrétien

Nome completo
Mickael Bassir Chrétien
Data de nascimento
10.07.1984 (23 anos)
Nacionalidade
Marroquina
Altura: 1,79m
Peso: 67kg
Posição
Lateral direito


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
La Ligue - 19J / 0G (1.710)
CAN 2008 - 3J / 0G (270)
Apontamento: cumpriu os 90 minutos em todos os jogos que participou.

[Dados da carreira]
2006/07 Nancy 35J / 3G
2005/06 Nancy 1J / 1G

Ala direito do Nancy, titularíssimo na selecção marroquina, durante a recente edição da CAN, as suas subidas pelo flanco causaram impressão positiva. No entanto, duas derrotas com a Guiné-Conacri (2-3) e o Gana (0-2), colocaram os marroquinos no penúltimo lugar do Grupo A e levaram à sua eliminação. Nada que retire a boa imagem deixada por Mickaël Chrétien.
Se na selecção a performance colectiva ficou aquém das expetactivas, já na equipa francesa a sua regularidade exibicional tem sido fundamental para a 3.ª posição que o Nancy ocupa. No clube desde 2002/03, a presente temporada é sinónimo de registo interessante: presença em 19 partidas, cumprindo 90 minutos em todos os jogos.
Esta época, ainda, não acertou nas redes adversárias, mas o seu contributo faz-se notar no número de assistências para os seus companheiros. Caracteriza-se por ser um lateral veloz, de técnica acima da média e de pendor ofensivo. Uma das imagens de marca são as suas incursões pela ala direita, tabelando com um colega mais próximo, ou terminando com cruzamentos tensos, sabendo também movimentar-se por zonas interiores.
Sabendo que Bosingwa pode estar de partida do Dragão, Mickaël Chrétien poderia representar uma alternativa válida. Pensando no FC Porto, versão 2008/09, seria curioso juntar ao seu colega de selecção, Tarik Sektioui, numa nova faixa direita "made in" Marrocos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

[Cap. I] Dossier Getafe Club de Fútbol

Depois de Barcelona, na temporada 2005/06, Espanyol, na época 2006/07, o seguinte adversário – espanhol - do Benfica, na Europa, dá pelo nome de Getafe Club de Fútbol. Nos próximos dias, iremos conhecer melhor o actual 10.º classificado de La Liga delimitando a análise por três capítulos: no primeiro, será apresentado um resumo da carreira em 2007/08 através de dados estatísticos e vídeos mais relevantes; no segundo, a atenção irá incidir sobre a vertente táctica associada ao modelo de jogo; por fim, no terceiro, o objecto de estudo vai contemplar as principais individualidades (jogadores-chave) da equipa liderada por Michael Laudrup.

Época 2007/08





Maior vitória em casa: Getafe 2-0 Athletic, Barcelona e Real Múrcia
Maior vitória fora: Recreativo 1-3 Getafe

Maior derrota fora: Sevilha 4-1 Getafe
Maior derrota em casa: Getafe 0-3 Valladolid

Resultados Relevantes [vídeos]

24/02/2008 Real Madrid 0-1 Getafe
27/01/2008 Recreativo 1-3 Getafe
19/01/2008 Getafe 3-2 Sevilha
13/01/2008 Real Bétis 3-2 Getafe
16/12/2007 Getafe 1-3 Villarreal
10/11/2007 Getafe 2-0 Barcelona
07/10/2007 Mallorca 4-2 Getafe
25/08/2007 Sevilha 4-1 Getafe

Da leitura dos dados resulta, desde logo, uma conclusão interessante: em vinte e cinco jornadas do campeonato espanhol, o empate a zero só se verificou em duas ocasiões, ambas no Coliseum Alfonso Pérez, casa do Getafe. Os visitantes foram o Deportivo (J.ª 4) e Valência (J.ª 24).
Ainda no que a golos diz respeito, refira-se que a equipa espanhola ficou em branco por nove vezes e manteve as suas redes invioláveis em oito partidas. Se acrescentarmos o facto de só se terem registado cinco empates, pode-se afirmar, com alguma segurança, que o Getafe joga no intuito da vitória. Por vezes a aposta corre bem, noutras ocasiões nem tanto.
Muito provavelmente, poderá ser reflexo das ideias do treinador Michael Laudrup. Enquanto jogador sempre privilegiou a beleza de movimentos, assente na qualidade de passe, em detrimento de preocupações tácticas excessivamente rígidas. Mesmo sentado no banco, vestindo a camisola da liderança, julgo que o dinamarquês não perdeu a noção de bom futebol.



Carreira Europeia [vídeos]

1/16 final Getafe 3-0 AEK Atenas
1/16 final AEK Atenas 1-1 Getafe
Grupo G Getafe 2-1 Anderlecht
Grupo G Aalborg 1-2 Getafe
Grupo G Getafe 1-2 H. Tel-Aviv
Grupo G Tottenham 1-2 Getafe
Round 1 Twente 3-2 Getafe
Round 1 Getafe 1-0 Twente

O maior destaque vai direitinho para a campanha da equipa espanhola no Grupo G: três vitórias em quarto partidas, sendo que o único precalço ocorreu no Coliseum Alfonso Pérez, diante da equipa israelita.
Mesmo assim, o Getafe garantiu brilhantemente a primeira posição muito por culpa do desempenho conseguido em território inglês, frente ao poderoso Tottenham, recente vencedor da Liga Inglesa. Que sirva de aviso ao que o Benfica pode esperar: um grupo de jogadores que não se esconde nos grandes palcos. Curiosamente, 2-1 foi o único desfecho conhecido.
Do confronto com o clube de Atenas, mantém-se a virtude do golo conseguido fora de portas. Por sua vez, no encontro da 2.ª mão, o Getafe soube resolver a eliminatória a seu favor, raramente estando em causa a passagem aos 1/8 final.



Todos Jogos [vídeos]

1/4 final Mallorca 1-0 Getafe
1/4 final Getafe 1-0 Mallorca
1/8 final Levante 0-1 Getafe
1/8 final Getafe 3-0 Levante
Round 4 Getafe 4-1 Burgos
Round 4 Burgos 0-1 Getafe

Mais uma vez, fica demonstrado que esta equipa não tem uma predisposição natural para o empate. Depois de na época anterior ter alcançado a final (vitória do Sevilha), o Getafe parece caminhar, a passos largos, para repetir a proeza. O próximo obstáculo chama-se Racing de Santander, enquanto na outra meia-final o Barcelona defronta o Valência de Ronald Koeman.
Por esta altura, pode-se já concluir que o Getafe apresenta um futebol positivo. Quer na qualidade de jogo patenteada, quer na busca constante do golo que permita a vitória. À partida, o papel do treinador Michael Laudrup é sinónimo dessa ambição.
Por conseguinte, não é por acaso que o Getafe conseguiu alguns resultados que podem ser apelidados de surpreendentes: Real Madrid 0-1, Sevilha 3-2, Barcelona 2-0, Aalborg 1-2 e Tottenham 1-2. Fica provado que o adversário do Benfica pode vencer qualquer equipa, em qualquer campo. A questão está em saber que Getafe marcará presença na Luz, no próximo dia 6 de Março.

Fonte: ZeroZero

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A visão de um adepto da Académica

A respeito do post anterior, relato um episódio curioso. No final do jogo liguei ao meu Pai, procurando saber qual a sua justificação para mais uma exibição apagada. Ele seguiu a partida através da televisão e, sendo adepto da Académica, tem uma visão imparcial sobre a actualidade do futebol benfiquista. Então, a certa altura, diz-me ele: “O Benfica é um grupo de jogadores vulgares”. No caminho para casa fui a pensar naquelas palavras.
Em pouco mais de cinco minutos, procurei explicar que as más exibições eram o reflexo de: uma péssima planificação desportiva; um clima de instabilidade constante; uma excessiva exposição pública. Para piorar, as opções técnico-tácticas de José António Camacho são muito discutíveis. Inclusive, na altura, tentei encontrar razões para o injustificável e a forma encontrada para rebater a frase foi através daquele (gasto) argumento que diz que os jogadores encarnados, na sua maioria, são internacionais pelos seus países.
Depois de reflectir um bocado, tenho de dar razão ao meu Pai, mesmo sabendo que o nível de exigência a que está habituado remonta às décadas de 60 e 70. Ele teve a oportunidade de viver a melhor fase do Benfica, aprendendo a respeitar a sua história. Quem foi contemporâneo de Coluna, Eusébio e, mais tarde, Humberto Coelho e seus pares, só pode catalogar esta equipa como uma anedota. Percebo o teor das suas palavras, quando o referencial de qualidade encontra-se a anos-luz da actualidade.
Como tenho 33 anos, só posso ver as jogadas de Coluna e os golos de Eusébio através da televisão ou do You Tube. Também era muito miúdo na altura de Humberto Coelho, Pietra, João Alves, Chalana, Diamantino, entre outros e as lembranças são vagas. Assim, a minha referência comparativa resume-se à grande equipa de finais da década de 80, início de 90, onde pontificavam valores como Mozer, Ricardo Gomes, Valdo, Jonas Thern, Rui Costa, Isaías, só para citar alguns. Mais recentemente, o grupo constituído à volta de Simão dava boas perspectivas, pois o esqueleto base reunia diversos internacionais portugueses de qualidade já apreciável.
Sim, esta equipa tem jogadores vulgares. Claro que há excepções: Rui Costa mantém-se como expoente máximo, Katsouranis é titular da, ainda, selecção campeã europeia, Luisão é habitualmente convocável pelo Brasil e mais quatro ou cinco jogadores têm um passado ou um potencial que não deixam dúvidas. Agora, não sejamos ingénuos. Jogadores como Nélson, Luís Filipe e Nuno Assis não são escolhidos por Scolari. Outros como Léo, Petit e Nuno Gomes ultrapassaram os trinta e as lesões começam a ser habituais. As selecções do Uruguai e Paraguai estão longe de serem colossos mundiais. Sepsi é só titular dos sub21 da Roménia. Freddy Adu vem de um país sem tradição no futebol e o mesmo ponto de vista pode ser utilizado para Zoro e Bynia. Para uma equipa como a do Benfica, é muito pouco. Os pergaminhos do clube assim o exigem.

[bwin Liga 20.ª jornada] SL Benfica 1-1 Sp. Braga

Ontem marquei presença na Luz. Esta época tem sido situação rara. Não pela qualidade exibicional e distância pontual para o FC Porto, mas porque nem sempre a disponibilidade me permite acompanhar a equipa. A elaboração da Dissertação de Mestrado exige dedicação quase diária e os meus fins-de-semana são passados entre relatórios & contas de diversas SAD´s. De qualquer modo, o futebol preenche parte considerável das minhas 24 horas diárias e o Benfica merece redobrada atenção. Bem, mas vamos ao que interessa.
Ironicamente, o desenrolar do marcador acabou por ser idêntico à da última visita. Foi a 28 de Novembro de 2007, na recepção frente ao AC Milan e o desfecho teve o mesmo sabor amargo. Por sua vez, a estatística da bwin Liga, respeitante aos jogos em casa, apresenta cinco empates e uma derrota. São treze pontos perdidos na Luz. O FC Porto leva doze de avanço. Há que perceber o porquê de tão fraco pecúlio. Será que a única justificação está nas bolas que (não) entram?
No entender do treinador espanhol, os constantes empates são explicados pela falta de pontaria. O Benfica não vence porque não marca golos. Penso que até um rapaz de 5 anos consegue chegar a essa conclusão. Contudo, José António Camacho tem responsabilidades acrescidas e, não querendo fazer do treinador o bode expiatório da triste época 2007/08, a verdade é que insistir no 4x2x3x1, com Rui Costa na posição de n.º 10, não tem ajudado. Quantos mais empates vão ser precisos para perceber isto?
Porém, o sistema táctico não explica tudo. Como escrevi há dias, o Benfica não demonstra princípios de jogo que levem a uma ideia (próxima) de bom futebol. A prática do charuto para a frente aborrece qualquer um e chega a ser exasperante observar a não qualidade de movimentos tão básicos como recepção, passe e desmarcação, tendo por base um conceito de jogo colectivo que orgulhe a história do clube.
Para finalizar, já tenho o bilhete para a partida frente ao Getafe. Esperemos que a história da eliminatória não seja semelhante à da época anterior, quando o adversário dava pelo nome de Espanyol. Curiosamente, ambos vivem à sombra de vizinhos mais poderosos. Quando cheguei a casa, ainda fui a tempo de verificar o resultado entre Real Madrid e Getafe. E não é que 10.º classificado venceu 1-0 no Santiago Bernabéu? Não se iludam: na hora das vitórias, cada vez mais o bom futebol prevalece sobre as camisolas. Em breve, irei apresentar a análise detalhada ao jogar da equipa comandada por Michael Laudrup.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

L.F.Vieira, J.Marinho e J.Veiga

Ponto prévio: não conheço, de forma pessoal, qualquer dos visados no título do post. Este afastamento presencial das figuras citadas implica que a minha opinião será imparcial e o mais objectiva possível. Obviamente, não disponho de todos os dados e os inputs são adquiridos através da generalidade da imprensa desportiva. Neste sentido, tentarei ser justo nas minhas apreciações, mas tudo o que for escrito a seguir depende, tão só, da visão de um sócio do Benfica há dezassete anos.
Há dias, nas minhas deambulações pela blogosfera, deparei-me com alguns textos de José Marinho, no Eterno Benfica. O ex-jornalista da Sport TV, co-autor do livro de José Veiga "Como tornar o Benfica campeão", surpreende pela sua aparição na internet, mas são as suas crónicas que levantam discussão. Até ao momento, destacam-se as seguintes: O Ciclo Preparatório, Salir a jogar e A fuga de Miccoli. É precisamento este último registo, com cerca de cinquenta comentários, que merece uma reflexão mais profunda.
Os leitores mais fiéis, visitantes do antigo endereço, reconhecem a minha postura crítica e tornar-se-ia fastidioso enunciar todos os episódios ocorridos entre duas figuras que marcaram o passado recente do Benfica. De qualquer modo, não querendo que o texto fique demasiado exaustivo, gostaria de me posicionar face ao antagonismo latente entre Luís Filipe Vieira e José Veiga.
Sobre o actual presidente, resumiria da seguinte forma: por um lado, devolveu à Instituição um ambiente de credibilidade e rigor, fruto de um trabalho empenhado de saneamento financeiro; por outro lado, o seu discurso populista revela dificuldades de comunicação e uma inaptidão para lidar com a política desportiva do clube.
Quanto ao ex-dirigente encarnado, formulo o seguinte ponto de vista: por um lado, foi elemento crucial na temporada 2004/05, pois o seu profissionalismo e blindagem do balneário foram factores decisivos para a conquista do título nacional, onze depois; por outro lado, em certos negócios relativos a entradas/saídas de jogadores, nunca foi clara a sua posição enquanto ex-empresário, aliado a uma desconfiança que pairava sobre as suas ligações anteriores ao FC Porto.
Voltemos a José Marinho. Concordo, na generalidade, com o teor das palavras escolhidas. Estranho a escolha do veículo utilizado para fazer passar a mensagem. Já vão perceber.
Há tempos, interpelei um conhecido analista de futebol e questionei o facto de ele não fomentar a troca acesa de opiniões. Como penso que o seu know-how traria uma outra forma de encarar o futebol, seria interessante promover o debate e criar laços entre quem escreve e quem lê. A resposta foi contrária às minhas pretensões, pois no seu entender a blogosfera é um espaço crescente para o insulto gratuito e a maioria sofre de clubite aguda.
Este episódio faz-me pensar no propósito de José Marinho, jornalista de um orgão de informação e autor de várias publicações, vir expor-se para a blogosfera em nome da liberdade individual de opinião. Retorquir a comentários anónimos ainda me causa mais impressão. Valerá a pena esta descida aos meandros da internet, onde em cada benfiquista há uma sentença? Qual a finalidade desta auscultação junto das massas? Fica a questão.
O tema resvala para algo que se começa a desenhar: probabilidade de um cenário repartido para as eleições de 2009. Há muitos sinais que o indicam. Por aquilo que me é dado a observar, quer através da imprensa desportiva, quer com base em diversos estados de espírito visíveis na blogosfera, o universo benfiquista ameaça dividir-se entre aqueles que apoiam Luís Filipe Vieira e aqueles que esperam uma alternativa credível. Num dos cenários, à espreita, pode estar José Veiga. Será que a campanha já teve início?
Não duvido da bondade de intenções de José Marinho. Tal como afirmei, partilho da sua visão. A argumentação é plausível e o conteúdo, pelo menos no que diz respeito à identificação dos problemas, tem fundamento. Discordo, porém, da excessiva colagem ao ex-director desportivo. A mudança só faz sentido quando não existem falsas intenções. A prioridade são benfiquistas de créditos firmados nas mais variadas áreas de jurisdição de um clube de futebol, acima de quaisquer suspeitas.
Por conseguinte, duvido que José Veiga encaixe nesta categoria. Julgo-o um homem perigoso no sentido em que o seu percurso deixa um rasto de dúvidas. Ninguém sabe o que lhe vai na cabeça. Será a ânsia de poder? A busca de notoriedade? A procura de influência, no mundo do futebol, que facilite a execução de negócios? Será a verdadeira paixão benfiquista? O que move este homem? Como estabelecer um traço de confiança?
Para terminar, conclui-se que a liderança do Sport Lisboa e Benfica assemelha-se a um duelo típico de um western. De um lado, Luís Filipe Vieira e sus muchachos. Do outro lado, o cowboy José Veiga, sozinho ou acompanhado.
Qual o papel efectivo de José Marinho, no meio disto tudo? É ele que carrega os revólveres e faz a contagem dos passos? Quem ficará para limpar o sangue? Da minha parte, fiquem a saber que não me incluo em nenhum lado da barricada. Westers nunca foi mesmo o meu género preferido...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

[Uefa Cup 1/16] Nuremberga 2-2 SL Benfica

Desespero. Para não variar, mais uma exibição (colectiva) a roçar o medíocre. A melhor equipa dos últimos 10 anos - na opinião de um iluminado - ofereceu 90 minutos de ansiedade e sofrimento. Salvou-se o resultado, ao cair do pano. A carreira europeia prossegue, mas até quando? Esperemos que Getafe não faça lembrar...Espanyol.
Sobre o jogo propriamente dito, começo por destacar o evidente: é verdade que existem erros individuais clamorosos e as opções, técnicas e tácticas, do treinador também não ajudam. Porém, será que explica tudo?
Sobre o primeiro tema, como comentar o desempenho de Luís Filipe? Quem foi o responsável pela sua contratação? É que contemplar a política desportiva da SAD é um exercício de masoquismo. Para os menos atentos, relembro que o ex-bracarense envolveu um investimento de 500 mil euros...quando João Pereira, mesmo não sendo um lateral do outro mundo, tem sido o melhor de Braga. Bem, se até Fernando Santos dispensou o jogador, aquando da passagem pelos vizinhos de Alvalade...
Obviamente, não fica por aqui. Por acaso Maxi Pereira é melhor do que Bruno Aguiar, jovem das escolas encarnadas? Então se referir o brasileiro Geovanni, estraga logo qualquer tentativa de comparação. Conclusão: nem sequer estou a ser exigente, mas a delapidação do plantel nas últimas épocas acarreta as suas consequências.
Sobre o tema Camacho, muito poderia ser escrito. Chega a ser incompreensível a forma como o treinador prepara a equipa: salir a ganar ou salir a jugar? Mais do que o sistema táctico, não existe uma clara ideia sobre o modelo. Como se diz, em linguagem popular, o Benfica não tem fio de jogo.
Sendo possível dar dinâmica ao 4x2x3x1, torna-se necessário definir tarefas certas entre os pivots defensivos e mecanizar movimentos que dêem identidade ao colectivo. Lamentavelmente, o onze do Benfica não sabe como e quando deve efectuar a pressão, apresenta dificuldades de posicionamente nos momentos de transição e, para piorar, alguns jogadores encontram-se nos lugares errados. Um dos exemplos, já debatido, diz respeito à posição do maestro.
Outra situação problemática prende-se com o fornecimento de bolas para Makukula. A opção por dois pivots defensivos, a presença de alas como Maxi Pereira e Nuno Assis, incapazes de dar profundidade, e Rui Costa numa zona que não favorece as suas características actuais, acaba por apagar qualquer n.º 9. Aliás, estar ali Makukula ou Ibrahimovic seria (quase, quase) igual.
Bem, mas será que o ónus da culpa vai inteiramente para Camacho? Não creio. Com Fernando Santos era igual ou pior. Até com Trapattoni existia contestação à qualidade exibicional. A opinião pública gosta de encontrar bodes expiatórios. Por vezes, entre jogadores. Quase sempre, entre treinadores. Só o máximo responsável pelo clube fica afastado do tom crítico. Eu prefiro analisar a conjuntura actual de uma forma mais global. A minha esperança é só uma: eleições em 2009.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Como jogou o FC Porto em Gelsenkirchen

Facto: o FC Porto perdeu pela margem mínima. Apontamento prático: a eliminatória não está perdida, mas o resultado forasteiro dificulta a tarefa para o Dragão. Conclusão: ao contrário do registo interno (esqueçamos a derrota com o Nacional), a competição europeia prova que o FC Porto não é invencível. Razões para a derrota? Na minha opinião, um dos principais motivos prende-se com a abordagem ao jogo por parte de Jesualdo Ferreira. A saber:
1 - Não estando em causa o desempenho individual de João Paulo, soa estranho entregar a titularidade a um jogador sem ritmo de jogo. A liga intercalar não é justificação. Ainda por cima, o ex-leiriense tem rotina como central e jogou adaptado à direita, primeiro, e à esquerda, depois. Juntamente com Fucile, mais defesa do que lateral, o FC Porto raramente teve profundidade pelas faixas;
2 - A troca posicional entre Lucho González e Raúl Meireles não trouxe benefícios ao equilíbrio do colectivo. Sabe-se que o português costuma actuar na meia-esquerda, enquanto El Comandante pisa terrenos típicos de um interior direito. Por conseguinte, basta observar a imagem para perceber que o lado direito estava mais protegido com as presenças de Lisandro López, Raúl Meireles e João Paulo. Já do lado esquerdo, corredor por onde surgiu o golo e os principais lances de perigo, quem defendia?
3 - A escolha de Ernesto Farías em detrimento do marroquino Tarik? Como previa, o trio da frente revelou menor mobilidade, até porque El Tecla fixa-se mais na área ficando à mercê da marcação dos centrais contrários. Em consequência directa, Lisandro López foi obrigado a desgaste redobrado por outras zonas do campo e o lado direito esteve sempre demasiado desamparado.

Palavras finais. Já não é a primeira vez que Jesualdo Ferreira procede a alterações face a adversários mais poderosos. Em certas ocasiões, passa da estrutura habitual do 4x3x3 (Quaresma, Lisandro e Tarik) para um esquema híbrido (Quaresma, Farías e Lisandro), piorando quando a decisão vai no sentido do 4x4x2 losango. Ontem, não foi tanto pelo sistema táctico, mas sim pelas escolhas técnicas que acabaram por influenciar diversas dinâmicas posicionais.
Percebe-se agora a resistência de vários adeptos tripeiros em relação ao seu treinador. Jesualdo Ferreira amedronta-se perante grandes palcos e equipas de outro gabarito. Típico de outros tempos, a fazer lembrar hábitos dos anos 80, o Professor mexe no modelo de jogo em função do adversário.
Cumpridos quase dois anos ao serviço do Dragão, adivinha-se o fim de um ciclo. A verdade é que o salto para a dimensão internacional só parece ao alcance de um homem como José Mourinho. Jesualdo Ferreira tem 90 minutos para provar o contrário.

Como deve jogar o FC Porto em Gelsenkirchen?

A esta hora, Jesualdo Ferreira já deve estar munido de todas as informações acerca do Schalke 04. Alex e Ricardo Costa, do Wolfsburgo, Diego e Hugo Almeida, do Werder Bremen, deram uma ajuda preciosa ao identificar alguns dos pontos fortes da equipa alemã: rapidez nas transições ofensivas, automatismos nas acções atacantes, dupla de avançados de enorme qualidade e um público incansável no apoio.
No papel, Mirko Slomka, treinador do Schalke 04, costuma desenhar um 4x4x2 não orientado para o "kick and rush", mas ainda assim com um figurino ligeiramente britânico na abordagem física do jogo. Contudo, por altura da fase de grupos, nas partidas caseiras frente a adversários mais poderosos como Chelsea e Valência, os "Azuis Reais" mudaram a estrutura para um 4x2x3x1 mais consistente a nível do meio-campo. Como deve, então, jogar o FC Porto?
Na minha opinião, qualquer tentativa de aproximação ao 4x4x2 losango será um erro. Uma das razões prende-se com a inexistência de um quarto médio de valia inquestionável. O outro motivo vai de encontro a um princípio bem conhecido: uma equipa não deve adaptar-se ao esquema adversário, em detrimento dos mecanismos de jogo treinados ao longo de uma época. Deste modo, ao FC Porto será mais favorável manter o 4x3x3, tal como a imagem ilustra.
Sabendo que as principais forças da equipa alemã encontram-se identificadas na capacidade ofensiva de Rafinha, na solidez e simplicidade de processos da zona intermediária e na ameça que constituem as movimentações de Asamoah e Kurany, a única dúvida de Jesualdo Ferreira poderia estar na escolha entre Farías e Tarik.
A meu ver, penso que o marroquino parte em vantagem, pois juntamente com Quaresma, à esquerda e Lisandro, ao centro, a equipa ganha outra agressividade e mobilidade no último terço de terreno. O argentino Farías oferece-se mais à marcação dos centrais e, por outro lado, transforma o 4x3x3 num sistema híbrido, em virtude das constantes diagonais, de fora para dentro, protagonizadas por Lisandro.
Depois, como logo à noite Bosingwa não vai marcar presença no palco de Gelsenkirchen e Lucho não pode estar em todo o lado, a faixa direita ficaria mais deserta no panorama ofensivo e mais exposta às iniciativas contrárias no momento da transição defensiva.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

#3 Prospecção: João Ribeiro

Nome completo
João da Rocha Ribeiro
Data de nascimento
13.08.1987 (20 anos)
Nacionalidade
Portuguesa
Altura: 1,76m
Peso: 75kg
Posição
Médio-ala direito/esquerdo


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
bwin Liga - 17J / 2G (1.323)
Carlsberg Cup - 1J / 0G (56)

[Dados da carreira]
2006/07 Naval 12J / 0G
2005/06 FC Porto B
2004/05 FC Porto B / Juniores A

Num passado, mais ou menos, recente craques como Figo, Simão, Ricardo Quaresma e Cristiano Ronaldo tiveram o selo da afamada escola leonina. Ultimamente, a criação de talentos que nascem nos flancos começa a ser imagem de marca da formação do FC Porto: Hélder Barbosa, Ivanildo, Vieirinha e...João Ribeiro.
Na Figueira da Foz, o jovem extremo tem dado nas vistas. Sendo destro por natureza, o pé esquerdo acompanha bem no drible e estamos perante um médio-ala com capacidade para ir à linha cruzar em qualquer das faixas. É certo que, fruto da sua juventude, tem de limar a transição defensiva e definir melhor o último passe. De qualquer modo, notam-se sinais claros de qualidade.
O carimbo da formação do FC Porto é, por conseguinte, visível no seu futebol: a forma inteligente de procurar espaços vazios, a técnica na recepção de bola e a maneira como depois, não receiando os duelos individuais, progride para cima do adversário.
Ainda em fase de aprendizagem, a adquirir maturidade competitiva, não deixem de observá-lo numa próxima partida da Naval. Por vezes, quando a finta improvisada sai certinha, esquecemo-nos da camisola que leva vestida. Como se o futebol de João Ribeiro tivesse tiques a lembrar Ricardo Quaresma.