
Ponto prévio: não conheço, de forma pessoal, qualquer dos visados no título do
post. Este afastamento presencial das figuras citadas implica que a minha opinião será imparcial e o mais objectiva possível. Obviamente, não disponho de todos os dados e os
inputs são adquiridos através da generalidade da imprensa desportiva. Neste sentido, tentarei ser justo nas minhas apreciações, mas tudo o que for escrito a seguir depende, tão só, da visão de um sócio do Benfica há dezassete anos.
Há dias, nas minhas deambulações pela blogosfera, deparei-me com alguns textos de José Marinho, no
Eterno Benfica. O ex-jornalista da Sport TV, co-autor do livro de José Veiga "Como tornar o Benfica campeão", surpreende pela sua aparição na internet, mas são as suas crónicas que levantam discussão. Até ao momento, destacam-se as seguintes:
O Ciclo Preparatório,
Salir a jogar e
A fuga de Miccoli. É precisamento este último registo, com cerca de cinquenta comentários, que merece uma reflexão mais profunda.
Os leitores mais fiéis, visitantes do antigo endereço, reconhecem a minha postura crítica e tornar-se-ia fastidioso enunciar todos os episódios ocorridos entre duas figuras que marcaram o passado recente do Benfica. De qualquer modo, não querendo que o texto fique demasiado exaustivo, gostaria de me posicionar face ao antagonismo latente entre Luís Filipe Vieira e José Veiga.
Sobre o actual presidente, resumiria da seguinte forma: por um lado, devolveu à Instituição um ambiente de credibilidade e rigor, fruto de um trabalho empenhado de saneamento financeiro; por outro lado, o seu discurso populista revela dificuldades de comunicação e uma inaptidão para lidar com a política desportiva do clube.
Quanto ao ex-dirigente encarnado, formulo o seguinte ponto de vista: por um lado, foi elemento crucial na temporada 2004/05, pois o seu profissionalismo e blindagem do balneário foram factores decisivos para a conquista do título nacional, onze depois; por outro lado, em certos negócios relativos a entradas/saídas de jogadores, nunca foi clara a sua posição enquanto ex-empresário, aliado a uma desconfiança que pairava sobre as suas ligações anteriores ao FC Porto.
Voltemos a José Marinho. Concordo, na generalidade, com o teor das palavras escolhidas. Estranho a escolha do veículo utilizado para fazer passar a mensagem. Já vão perceber.
Há tempos, interpelei um conhecido analista de futebol e questionei o facto de ele não fomentar a troca acesa de opiniões. Como penso que o seu
know-how traria uma outra forma de encarar o futebol, seria interessante promover o debate e criar laços entre quem escreve e quem lê. A resposta foi contrária às minhas pretensões, pois no seu entender a blogosfera é um espaço crescente para o insulto gratuito e a maioria sofre de clubite aguda.
Este episódio faz-me pensar no propósito de José Marinho, jornalista de um orgão de informação e autor de várias publicações, vir expor-se para a blogosfera em nome da liberdade individual de opinião. Retorquir a comentários anónimos ainda me causa mais impressão. Valerá a pena esta
descida aos
meandros da internet, onde em cada benfiquista há uma sentença? Qual a finalidade desta
auscultação junto das
massas? Fica a questão.
O tema resvala para algo que se começa a desenhar: probabilidade de um cenário repartido para as eleições de 2009. Há muitos sinais que o indicam. Por aquilo que me é dado a observar, quer através da imprensa desportiva, quer com base em diversos estados de espírito visíveis na blogosfera, o universo benfiquista ameaça dividir-se entre aqueles que apoiam Luís Filipe Vieira e aqueles que esperam uma alternativa credível. Num dos cenários, à espreita, pode estar José Veiga. Será que a campanha já teve início?
Não duvido da bondade de intenções de José Marinho. Tal como afirmei, partilho da sua visão. A argumentação é plausível e o conteúdo, pelo menos no que diz respeito à identificação dos problemas, tem fundamento. Discordo, porém, da
excessiva colagem ao ex-director desportivo. A mudança só faz sentido quando não existem falsas intenções. A prioridade são benfiquistas de créditos firmados nas mais variadas áreas de jurisdição de um clube de futebol, acima de quaisquer suspeitas.
Por conseguinte, duvido que José Veiga encaixe nesta categoria. Julgo-o um homem
perigoso no sentido em que o seu percurso deixa um rasto de dúvidas. Ninguém sabe o que lhe vai na cabeça. Será a ânsia de poder? A busca de notoriedade? A procura de influência, no mundo do futebol, que facilite a execução de negócios? Será a verdadeira paixão benfiquista? O que move este homem? Como estabelecer um traço de confiança?
Para terminar, conclui-se que a liderança do Sport Lisboa e Benfica assemelha-se a um duelo típico de um western. De um lado, Luís Filipe Vieira e
sus muchachos. Do outro lado, o
cowboy José Veiga, sozinho ou acompanhado.
Qual o papel efectivo de José Marinho, no meio disto tudo? É ele que carrega os revólveres e faz a contagem dos passos? Quem ficará para limpar o sangue? Da minha parte, fiquem a saber que não me incluo em nenhum lado da barricada. Westers nunca foi mesmo o meu género preferido...