sexta-feira, 7 de março de 2008

[Uefa Cup 1/8] SL Benfica 1-2 Getafe

Os museus não ganham jogos. Pelo que li aqui, parece que a frase foi proferida por um jogador do Getafe, horas antes da partida. Eu acrescentaria: nem museus, nem camisolas encarnadas, nem o mítico "inferno" da Luz. Como encontrar argumentos capazes de contrariar esta realidade? Talvez se tivéssemos jogado com onze. Ficou a sensação de que com mais um homem, o Benfica poderia sovar o 10.º classificado da liga espanhola.
Houve um período, na década de 90 e no virar do séc. XXI, em que qualquer confronto com equipas italianas era sinónimo de derrotas. Com algumas vitórias morais à mistura. Desde logo, a derrota na final da Liga dos Campeões, na época 1989/90, frente a AC Milan. Depois disso, outros clubes como Juventus, Parma, Inter e Lazio cruzaram-se no destino dos encarnados.
Ultimamente, o sentimento de impotência vem da vizinha Espanha. Celta de Vigo (de má memória), Villarreal – derrota na Luz 0-1, na fase de grupos – Barcelona, Espanyol e, agora, Getafe. Temos de ser realistas. Sabendo que esta equipa, praticamente renovada, em que vários atletas cumprem a primeira presença em competições europeias e sem vários dos habituais (prováveis) titulares – David Luíz, Petit, Maxi Pereira ou Bynia, Nuno Gomes ou Makukula – seria difícil fazer melhor.
Sobre o jogo propriamente dito, este ficou condicionado pela expulsão de Cardozo antes dos dez minutos de jogo. Não comento o lance, até porque no estádio só me apercebi do árbitro mostrar a cartolina roja. Já referi que não escrevo sobre arbitragem, mas se a tarefa já não se afigurava fácil com onze, que esperar dos restantes oitenta minutos a actuar com dez? Por conseguinte, julgo que não faz sentido desenvolver a vertente táctica. Escrever sobre como se comportou o 4x3x2, em detrimento da hipótese 4x4x1 parece-me desnecessário.
Antes desta partida, a minha preocupação prendia-se mais com a perspectiva de sofrer um golo ou da equipa revelar desacerto na finalização. Sinceramente, apesar do bom toque de bola da equipa espanhola, a ideia que ficou é que o Getafe estava ao alcance de um Benfica personalizado. Alías, na temporada passada fui ver aquele triste 0-0 com o Espanyol e o clube de Barcelona deixou-me melhor impressão.
Assim, nas minhas expectativas iniciais, esperava concentração e inspiração. A equipa ofereceu suor e transpiração. Quando assim é, mesmo insatisfeito com o resultado, não posso ficar indiferente à atitude dos jogadores.
A minha réstea de esperança reside nesse facto: desconfio do talento, mas acredito no esforço individual e colectivo. Hoje e durante os próximos dias sei que o sentimento aponta para o pessimismo. Mas, no próximo dia 12 de Março, vou acreditar que a desilusão de ontem possa transformar-se numa jornada gloriosa. À Benfica. Há espaço para sonhar.

Restantes jogos dos oitavos-de-final da Taça UEFA:

Anderlecht (Bélgica)-Bayern (Alemanha), 0-5
(Altintop, 9m; Luca Toni, 45m; Podolsky, 57m; Klose, 67m; Ribery, 86m)

Fiorentina (Itália)-Everton, (Inglaterra), 2-0
(Kuzmanovic, 70m; Montolivo, 81m)

Marselha (França)-Zenit St. Petersburgo (Rússia), 3-1
(Cissé, 36m e 54m; Niang, 47m); (Arshavin, 82m)

Bolton (Inglaterra)-SPORTING (PORTUGAL), 1-1
(McCann, 25m); (Vukcevic, 70m)

Rangers (Escócia)-Werder Bremen (Alemanha), 2-0
(Cousin, 45m; Davis, 48m)

Bayer Leverkusen (Alemanha)-Hamburgo (Alemanha), 1-0
(Gekas, 77m)

Tottenham (Inglaterra)-PSV Eindhoven (Holanda), 0-1
(Farfan, 36m)

terça-feira, 4 de março de 2008

[Sport Business] Será uma questão de Activos?

Hoje vou escrever sobre o Sporting Clube de Portugal. Mais propriamente sobre a relação entre a política de investimento no reforço do plantel e os resultados desportivos.
O caminho delineado pela direcção da SAD suporta duas opções estratégicas: por um lado, rigorosa contenção da massa salarial dos elementos que compõem a equipa de futebol; por outro lado, apurada restrição orçamental no reforço qualitativo do plantel leonino. Em suma, nos últimos anos, a estratégia global passa pelo aproveitamento da formação, tendo a Academica de Alcochete contribuído fortemente para a realização de mais-valias financeiras.
O panorama actual da Sporting SAD demonstra o suporte de enormes dívidas de curto e médio/longo prazo a instituições de crédito, tendo que cumprir religiosamente com parâmetros financeiros associados ao serviço da dívida. Em consequência, comparativamente aos mais directos rivais - SL Benfica e FC Porto - os números provam que o orçamento da Sporting SAD fica aquém dos pergaminhos históricos do clube. Os adeptos são os primeiros a reconhecer estes imperativos, quando a equipa de futebol demora a corresponder à exigência de vitórias e conquista de troféus.
A classificação do Sporting CP na bwin Liga, e respectiva distância pontual para o líder, acaba por retratar o dilema que se coloca à direcção da SAD: como fazer face à obrigatoriedade de controlar o passivo, sem descurar o fortalecimento da equipa de futebol? Vejamos o quadro seguinte respeitante ao valor do plantel - leia-se custos associados à aquisição dos direitos de inscrição desportiva dos jogadores ("passes") - dos três grandes portugueses:

1) Valor reflectido em Imobilizações Incorpóreas, na rubrica Propriedade Industrial e Outros Direitos. Os direitos desportivos relativos à totalidade dos jogadores que fazem parte do plantel profissional de futebol estão valorizados em 14,4 milhões de euros. Este saldo inclui a posição do First Portuguese Football Players Fund no montante de 1,75 milhões de euros, ou seja, uma participação de cerca de 12% no valor patrimonial líquido do plantel.

2) Valor reflectido em Imobilizações Incorpóreas, na rubrica Plantel de Futebol. Inclui os custos de aquisição dos jogadores profissionais de futebol, compreendendo as importâncias dispendidas a favor da entidade transmitente, do jogador e de intermediários.

3) Valor reflectido em Activos não Correntes, na rubrica Valor do Plantel. O saldo inclui os custos associados à aquisição dos direitos de inscrição desportiva dos jogadores, incluindo encargos com serviços de intermediação, bem como os encargos com o prémio de assinatura do contrato pago aos atletas.

No caso do FC Porto, as demonstrações financeiras foram preparadas de modo a reflectir os princípios de mensuração e reconhecimento das Normas Internacionais de Relato Financeiro ("International Financial Reporting Standards - IFRS" - anteriormente designadas "Normas Internacionais de Contabilidade - IAS") emitidas pelo International Accounting Standards Board, em vigor em 1 de Julho de 2006.
No caso do SL Benfica e Sporting CP, as demonstrações financeiras foram preparadas em conformidade com as disposições do Plano Oficial de Contabilidade (POC) e Directrizes Contabilísticas da CNC, sendo que a divulgação de informação com base no normativo IFRS/IAS só será adoptada a partir do exercício de 2007/2008.


Relatório & Contas 2006/07: Sporting CP
Relatório & Contas 2006/07: SL Benfica
Relatório & Contas 2006/07: FC Porto

Apesar de algumas diferenças nas bases de preparação, a exigir uma reclassificação contabilística aquando da introdução das "Normas Internacionais de Contabilidade", pode-se adiantar que, no caso do SL Benfica e Sporting CP, o impacto na rubrica Plantel de Futebol não será materialmente significativo.
Assim, pela análise do quadro apresentado, é perceptível a estratégia de Filipe Soares Franco e seus pares: contratação de jogadores livres e integração no plantel principal dos jogadores da formação. Enquanto o rigor financeiro pode ser alvo dos maiores elogios, a política de consolidação desportiva vai no sentido de asfixiar a equipa de futebol.
Um exemplo claro, respeitante à época 2007/2008: o valor dispendido em contratações pela Sporting SAD, na sua totalidade, foi inferior ao custo do passe de Óscar Cardozo. A verdade é que os golos do paraguaio têm vindo a ser decisivos no percurso europeu e a cabeçada que ditou o empate de Alvalde pode ter definido o 2.º lugar, de acesso directo à champions league.

Informo que esta temática faz parte da minha dissertação de Mestrado em Contabilidade, direccionada para a relação entre a vertente técnica das "Normas Internacionais de Contabilidade" e as Sociedades Anónimas Desportivas, incidindo na análise dos Activos Intangíveis dos principais clubes europeus. Não hesitem em colocar qualquer dúvida que, na medida do possível, tentarei prestar o devido esclarecimento.

segunda-feira, 3 de março de 2008

[bwin Liga 21.ª jornada] Sporting CP 1-1 SL Benfica

Antes de analisar as incidências do derby, uma certeza: neste espaço não é suposto comentar os lances polémicos e as decisões de arbitragem. Deixo essa perspectiva para programas do tipo O Dia Seguinte.
Como lhe competia, o Sporting entrou com vontade de ganhar o jogo. Os primeiros quinze a vinte minutos fizeram lembrar a visita do Dragão e, mais uma vez, Vukcevic mostrou porque é considerada a melhor contratação dos leões. Tal como frente ao FC Porto, o golo surgiu cedo, o ânimo apoderou-se das bancadas, mas desta feita a toada inicial foi perdendo fulgor. Para o melhor período leonino muito contribuíu a dinâmica do flanco esquerdo: Grimi dava profundidade, Izmailov descaía para a faixa e, também, Vukcevic encostava ao lado canhoto. Dava ideia que o relvado estava inclinado, mas o Benfica – principalmente Nélson – sentiram muitas dificuldades para tapar aquele corredor. José António Camacho pressentiu o perigo e trocou, posicionalmente, Cristián Rodríguez com o apagado Di María, passando o uruguaio a travar duelos individuais com Grimi, enquanto Maxi Pereira basculava no auxílio a Nélson. Curiosamente, no final da 1.ª parte a estatística revelava bons indicadores para o lado visitante: o Benfica teve maior percentagem de posse de bola (52%), desenvolveu mais ataques e dispôs de mais remates à baliza. O resultado justificava-se.
No segundo período, comprovou-se o habitual nestas situações: a equipa da casa a procurar obter vantagem o mais rapidamente possível; o adversário a suster o ímpeto inicial, espreitando contra-ataques venenosos. Sendo verdade que o Sporting criou algumas oportunidades para se colocar em vantagem, por um motivo ou por outro, os minutos foram passando e o golo nunca apareceu. Nesse aspecto, Quim revelou-se obstáculo intransponível e, com o passar do tempo, o Benfica soube equilibrar as operações a meio-campo e ameaçar o último reduto leonino. Após a expulsão de Nélson, o domínio de jogo voltou a acentuar-se a favor dos da casa, mas nem as alterações de Paulo Bento tiveram o condão de despertar a equipa para o forcing final. O discernimento já não era muito e a confiança foi-se apagando. Se houvesse um vencedor, teria que ser o Sporting, mas o resultado aceita-se porque o Benfica não se limitou a estacionar o autocarro e o pragmatismo também é uma virtude.
Relativamente à disputa pelo acesso à champions league, vejamos o ponto de situação actual e quais as partidas de carácter mais decisivo:

J.ª 22 Vit. Guimarães - Sporting
J.ª 26 Vit. Setúbal - FC Porto
J.ª 27 FC Porto - Benfica
J.ª 28 Vit. Guimarães - FC Porto
J.ª 30 Benfica - Vit. Setúbal

Taça: o sorteio

Sporting-Benfica e V. Setúbal-F.C. Porto são os jogos das meias-finais da Taça de Portugal, segundo ditou o sorteio realizado esta segunda-feira em Lisboa.

Os jogos das meias-finais estão marcados para 16 de Abril, uma quarta-feira.

sábado, 1 de março de 2008

[Antevisão] Ao Raio-X: Vitória de Guimarães

Desde Novembro de 2006 que tenho vindo a colaborar, de forma mais ou menos periódica, com a revista Futebolista, nomeadamente na elaboração da rubrica Onze do Mês e na secção Táctica. Do lado direito do blogue, junto à imagem da revista, podem consultar todas as crónicas até agora publicadas.
Recentemente, surgiu o convite para participar numa nova secção intitulada Ao Raio-X, tendo liberdade para escolher o clube a analisar. Por diversas razões, a minha opção recaíu sobre o Vitória de Guimarães e informo que a edição referente ao mês de Março já se encontra à venda. Para aguçar o apetite, aqui fica um breve excerto daquilo que podem ler:

História de prestígio

"Na cidade que viu nascer Portugal, o Estádio D. Afonso Henriques liga as memórias da história com o orgulho do presente. Reduto de vimaranenses, afonsinos ou conquistadores, palco do Vitória Sport Clube, também conhecido como Vitória de Guimarães, ali mora o monumento de um futuro que se espera brilhante.
Determinado em prosseguir essa história e acrescentar-lhe novos capítulos de sucesso, o Vitória Sport Clube procura hoje um projecto de renovada ambição, tendo como principal suporte a fidelidade e apoio dos seus muitos associados e adeptos. Conseguirá a cidade de Guimarães voltar a fazer história"?

Capítulos seguintes:

O conquistador do séc. XXI
Artistas do futebol espectáculo
O pentágono reforçado por dois quadrados (ilustrado com imagens que retratam o modelo de jogo)
Consolidação como 4.º grande

Para finalizar, comunico mais motivos de interesse:

A tripla dúvida - Ronaldo entre Madrid, Barcelona e Manchester
Cardozo & Makukula: As novas torres da Luz
Raul Meireles - Entrevista Exclusiva
Galácticos - Casillas, o guardião do templo
Diego e Ribéry: Os ‘kaisers’ da Bundesliga

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

[Cap. III] Dossier Getafe Club de Fútbol

Ontem, o Getafe recebeu o Racing Santander, em partida a contar para as meias-finais da Copa del Rey, tendo vencido por 3-1 [vídeo]. Os golos foram apontados por De la Red, Javier Casquero e Manu del Moral e o resultado alcançado deixa boas perspectivas para que o adversário do Benfica atinja a final, pela segunda vez consecutiva.
Depois de termos visto, nos capítulos anteriores, o resumo da carreira em 2007/08 e a vertente táctica associada ao modelo de jogo, iremos contemplar as principais individualidades (jogadores-chave) da equipa liderada por Michael Laudrup:

Nome completo
Roberto Carlos Abbondanzieri, Pato
Posição: Guarda-redes
Camisola: 13
Informação
Nasceu em Bouquet (Santa Fé). Ágil, dotado de enormes reflexos e excelente colocação na baliza.
[Vídeo]



Nome completo
David Belenguer Reverte
Posição: Defesa central
Camisola: 4
Informação
Nasceu em Villasar (Barcelona). Defesa sóbrio, de posicionamento irreprensível e experiência importante. Sobressai pela elegância na hora de disputar e conduzir a bola.


Nome completo
Lucas Matías Licht
Posição: Defesa/Ala esquerdo
Camisola: 12
Informação
Nasceu em Brissa (Buenos Aires). Lateral de passada larga, de chegada à área contrária e com atributos de finalização. Um autêntico "carrilero" da banda esquerda.


Nome completo
Francisco Javier Casquero Paredes
Posição: Pivot defensivo
Camisola: 22
Informação
Nasceu em Talavera (Toledo). Centrocampista de grande visão de jogo, organiza o futebol do Getafe e é detentor de forte remate.
[Vídeo]


Nome completo
Rubén De la Red Gutiérrez
Posição: Médio centro/N.º 10
Camisola: 10
Informação
Nasceu em Arroyomolinos (Madrid). Médio criativo, de pendor ofensivo, dispõe de atributos técnicos que fazem a diferença.
[Vídeo]


Nome completo
Juan Ángel Albín Leites
Posição: Médio ofensivo/N.º 10
Camisola: 16
Informação
Nasceu em Salto (Uruguai). Jogador polivalente, foi internacional em todas as categorias e apresenta margem de progressão elevada. É o homem encarregue dos lances de bola parada.
[Vídeo]

Nome completo
Manuel del Moral Fernández
Posição: Ponta-de-lança
Camisola: 14
Informação
Nasceu em Jaén. Sem ser excessivamente dotado do ponto de vista técnico, compensa com muita rapidez e alguma habilidade. Tem sempre os olhos postos na baliza.
[Vídeo]

Nome completo
Ikechukwu Uche
Posição: Avançado solto
Camisola: 18
Informação
Nasceu em Aba (Nigéria). Avançado muito rápido e habilidoso, é perigosíssimo no contra-ataque e sabe aproveitar as oportunidades.
[Vídeo]


Fonte: ZeroZero e Getafe Site Oficial

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

[Cap. II] Dossier Getafe Club de Fútbol

No primeiro capítulo analisámos a carreira do Getafe em 2007/08. Foi objectivo resumir a performance das várias competições, La Liga, Uefa Cup, Copa del Rey, procurando ilustrar com dados estatísticos, assim como destacar alguns vídeos das partidas mais relevantes. No capítulo que se segue, a atenção irá incidir sobre a vertente táctica associada ao modelo de jogo.
Costuma dizer-se que uma equipa joga à imagem do seu treinador. Segue o seu conceito de futebol, definido em princípios de jogo que melhor sirvam as suas convicções pessoais. O adversário do Benfica não é excepção e o estratega tem nome dinamarquês famoso: Michael Laudrup.
Enquanto jogador, era elegantíssimo com a bola nos pés. Ficou célebre a forma como progredia no espaço central e depois soltava um passe de ruptura açúcarado. Um dos seus movimentos preferidos era meter a bola na esquerda, ou direita, ao mesmo tempo que olhava para o lado contrário. Ronaldinho Gaúcho faz questão de perpetuar a magia.
No final da carreira, Laudrup deixou no ar uma profecia: “Daqui a dez anos, não haverá mais jogadores como eu. Todos irão preferir atletas”. Anos mais tarde, como treinador, nota-se que o nível de exigência transmite-se para o relvado, a que não será alheio o facto do Getafe praticar um futebol positivo, virado para o golo. Como vimos, a escassez de empates da equipa espanhola é um sintoma desse carácter voltado para as vitórias.
Em termos meramente tácticos, o desenho habitual mostra o 4x4x2 em linha, dito clássico. Provavelmente, este será o sistema que a equipa espanhola mostrará ao público presente no Estádio da Luz, no próximo dia 6 de Março. Para ilustrar o esquema base, normalmente utilizado, nada como exemplificar através do último confronto frente ao vizinho Real Madrid:

Começemos pelo sector mais recuado. A dupla de centrais é constituída por Daniel "Cata" Díaz, argentino que veio do Boca Juniors e por David Belenguer, experiente capitão que completou 35 primaveras. No flanco direito, o romeno Cosmin Contra alterna com David Cortés; na faixa oposta, o ala Lucas Licht divide o protagonismo com o francês Signorino, ex-Nantes.
Subindo uns metros, na zona intermediária, várias opções garantem a fluidez do modelo de jogo e Laudrup não tem receio de promover a rotatividade. Ainda assim, há sempre aqueles que mais se destacam: Javier Casquero, preferencialmente ligado a tarefas de marcação e recuperação; Pablo Hernández, dono do corredor direito; De la Red, jovem talento (22 anos) na construção de jogo; Fabio Celestini, internacional suiço, ponto de equilíbrio para o colectivo; Esteban Granero (20 anos), coqueluche do clube e temível no remate.
Na frente, quando Laudrup opta pelo 4x2x3x1, o uruguaio Ángel Albín pisa terrenos típicos de um n.º 10, mas o melhor marcador do campeonato espanhol é o avançado Manuel "Manu" del Moral. Como companheiro de área, enquanto Kepa (1,85m e 83kg) é o possante ponta-de-lança para os momentos difíceis, o nigeriano Uche é o homem de todos os momentos, evidenciando-se nas transições ofensivas.
Prevendo-se que o Benfica mantenha a sua estrutura disposta no 4x2x3x1, é esperado que Laudrup opte pelo tradicional 4x4x2, semelhante, no papel, ao que venceu o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu. De qualquer modo, José António Camacho tem de preparar a eliminatória ao detalhe, pois o Getafe sabe como posicionar-se em 4x1x3x2 – Javier Casquero como pivot defensivo - e 4x2x3x1. Consoante as características do adversário e mediante as circunstâncias do próprio resultado, a equipa espanhola dispõe de maleabilidade táctica que lhe permite alterar o rumo dos acontecimentos. Para não variar, a chave está no meio-campo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

#4 Prospecção: Mickaël Chrétien

Nome completo
Mickael Bassir Chrétien
Data de nascimento
10.07.1984 (23 anos)
Nacionalidade
Marroquina
Altura: 1,79m
Peso: 67kg
Posição
Lateral direito


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
La Ligue - 19J / 0G (1.710)
CAN 2008 - 3J / 0G (270)
Apontamento: cumpriu os 90 minutos em todos os jogos que participou.

[Dados da carreira]
2006/07 Nancy 35J / 3G
2005/06 Nancy 1J / 1G

Ala direito do Nancy, titularíssimo na selecção marroquina, durante a recente edição da CAN, as suas subidas pelo flanco causaram impressão positiva. No entanto, duas derrotas com a Guiné-Conacri (2-3) e o Gana (0-2), colocaram os marroquinos no penúltimo lugar do Grupo A e levaram à sua eliminação. Nada que retire a boa imagem deixada por Mickaël Chrétien.
Se na selecção a performance colectiva ficou aquém das expetactivas, já na equipa francesa a sua regularidade exibicional tem sido fundamental para a 3.ª posição que o Nancy ocupa. No clube desde 2002/03, a presente temporada é sinónimo de registo interessante: presença em 19 partidas, cumprindo 90 minutos em todos os jogos.
Esta época, ainda, não acertou nas redes adversárias, mas o seu contributo faz-se notar no número de assistências para os seus companheiros. Caracteriza-se por ser um lateral veloz, de técnica acima da média e de pendor ofensivo. Uma das imagens de marca são as suas incursões pela ala direita, tabelando com um colega mais próximo, ou terminando com cruzamentos tensos, sabendo também movimentar-se por zonas interiores.
Sabendo que Bosingwa pode estar de partida do Dragão, Mickaël Chrétien poderia representar uma alternativa válida. Pensando no FC Porto, versão 2008/09, seria curioso juntar ao seu colega de selecção, Tarik Sektioui, numa nova faixa direita "made in" Marrocos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

[Cap. I] Dossier Getafe Club de Fútbol

Depois de Barcelona, na temporada 2005/06, Espanyol, na época 2006/07, o seguinte adversário – espanhol - do Benfica, na Europa, dá pelo nome de Getafe Club de Fútbol. Nos próximos dias, iremos conhecer melhor o actual 10.º classificado de La Liga delimitando a análise por três capítulos: no primeiro, será apresentado um resumo da carreira em 2007/08 através de dados estatísticos e vídeos mais relevantes; no segundo, a atenção irá incidir sobre a vertente táctica associada ao modelo de jogo; por fim, no terceiro, o objecto de estudo vai contemplar as principais individualidades (jogadores-chave) da equipa liderada por Michael Laudrup.

Época 2007/08





Maior vitória em casa: Getafe 2-0 Athletic, Barcelona e Real Múrcia
Maior vitória fora: Recreativo 1-3 Getafe

Maior derrota fora: Sevilha 4-1 Getafe
Maior derrota em casa: Getafe 0-3 Valladolid

Resultados Relevantes [vídeos]

24/02/2008 Real Madrid 0-1 Getafe
27/01/2008 Recreativo 1-3 Getafe
19/01/2008 Getafe 3-2 Sevilha
13/01/2008 Real Bétis 3-2 Getafe
16/12/2007 Getafe 1-3 Villarreal
10/11/2007 Getafe 2-0 Barcelona
07/10/2007 Mallorca 4-2 Getafe
25/08/2007 Sevilha 4-1 Getafe

Da leitura dos dados resulta, desde logo, uma conclusão interessante: em vinte e cinco jornadas do campeonato espanhol, o empate a zero só se verificou em duas ocasiões, ambas no Coliseum Alfonso Pérez, casa do Getafe. Os visitantes foram o Deportivo (J.ª 4) e Valência (J.ª 24).
Ainda no que a golos diz respeito, refira-se que a equipa espanhola ficou em branco por nove vezes e manteve as suas redes invioláveis em oito partidas. Se acrescentarmos o facto de só se terem registado cinco empates, pode-se afirmar, com alguma segurança, que o Getafe joga no intuito da vitória. Por vezes a aposta corre bem, noutras ocasiões nem tanto.
Muito provavelmente, poderá ser reflexo das ideias do treinador Michael Laudrup. Enquanto jogador sempre privilegiou a beleza de movimentos, assente na qualidade de passe, em detrimento de preocupações tácticas excessivamente rígidas. Mesmo sentado no banco, vestindo a camisola da liderança, julgo que o dinamarquês não perdeu a noção de bom futebol.



Carreira Europeia [vídeos]

1/16 final Getafe 3-0 AEK Atenas
1/16 final AEK Atenas 1-1 Getafe
Grupo G Getafe 2-1 Anderlecht
Grupo G Aalborg 1-2 Getafe
Grupo G Getafe 1-2 H. Tel-Aviv
Grupo G Tottenham 1-2 Getafe
Round 1 Twente 3-2 Getafe
Round 1 Getafe 1-0 Twente

O maior destaque vai direitinho para a campanha da equipa espanhola no Grupo G: três vitórias em quarto partidas, sendo que o único precalço ocorreu no Coliseum Alfonso Pérez, diante da equipa israelita.
Mesmo assim, o Getafe garantiu brilhantemente a primeira posição muito por culpa do desempenho conseguido em território inglês, frente ao poderoso Tottenham, recente vencedor da Liga Inglesa. Que sirva de aviso ao que o Benfica pode esperar: um grupo de jogadores que não se esconde nos grandes palcos. Curiosamente, 2-1 foi o único desfecho conhecido.
Do confronto com o clube de Atenas, mantém-se a virtude do golo conseguido fora de portas. Por sua vez, no encontro da 2.ª mão, o Getafe soube resolver a eliminatória a seu favor, raramente estando em causa a passagem aos 1/8 final.



Todos Jogos [vídeos]

1/4 final Mallorca 1-0 Getafe
1/4 final Getafe 1-0 Mallorca
1/8 final Levante 0-1 Getafe
1/8 final Getafe 3-0 Levante
Round 4 Getafe 4-1 Burgos
Round 4 Burgos 0-1 Getafe

Mais uma vez, fica demonstrado que esta equipa não tem uma predisposição natural para o empate. Depois de na época anterior ter alcançado a final (vitória do Sevilha), o Getafe parece caminhar, a passos largos, para repetir a proeza. O próximo obstáculo chama-se Racing de Santander, enquanto na outra meia-final o Barcelona defronta o Valência de Ronald Koeman.
Por esta altura, pode-se já concluir que o Getafe apresenta um futebol positivo. Quer na qualidade de jogo patenteada, quer na busca constante do golo que permita a vitória. À partida, o papel do treinador Michael Laudrup é sinónimo dessa ambição.
Por conseguinte, não é por acaso que o Getafe conseguiu alguns resultados que podem ser apelidados de surpreendentes: Real Madrid 0-1, Sevilha 3-2, Barcelona 2-0, Aalborg 1-2 e Tottenham 1-2. Fica provado que o adversário do Benfica pode vencer qualquer equipa, em qualquer campo. A questão está em saber que Getafe marcará presença na Luz, no próximo dia 6 de Março.

Fonte: ZeroZero

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A visão de um adepto da Académica

A respeito do post anterior, relato um episódio curioso. No final do jogo liguei ao meu Pai, procurando saber qual a sua justificação para mais uma exibição apagada. Ele seguiu a partida através da televisão e, sendo adepto da Académica, tem uma visão imparcial sobre a actualidade do futebol benfiquista. Então, a certa altura, diz-me ele: “O Benfica é um grupo de jogadores vulgares”. No caminho para casa fui a pensar naquelas palavras.
Em pouco mais de cinco minutos, procurei explicar que as más exibições eram o reflexo de: uma péssima planificação desportiva; um clima de instabilidade constante; uma excessiva exposição pública. Para piorar, as opções técnico-tácticas de José António Camacho são muito discutíveis. Inclusive, na altura, tentei encontrar razões para o injustificável e a forma encontrada para rebater a frase foi através daquele (gasto) argumento que diz que os jogadores encarnados, na sua maioria, são internacionais pelos seus países.
Depois de reflectir um bocado, tenho de dar razão ao meu Pai, mesmo sabendo que o nível de exigência a que está habituado remonta às décadas de 60 e 70. Ele teve a oportunidade de viver a melhor fase do Benfica, aprendendo a respeitar a sua história. Quem foi contemporâneo de Coluna, Eusébio e, mais tarde, Humberto Coelho e seus pares, só pode catalogar esta equipa como uma anedota. Percebo o teor das suas palavras, quando o referencial de qualidade encontra-se a anos-luz da actualidade.
Como tenho 33 anos, só posso ver as jogadas de Coluna e os golos de Eusébio através da televisão ou do You Tube. Também era muito miúdo na altura de Humberto Coelho, Pietra, João Alves, Chalana, Diamantino, entre outros e as lembranças são vagas. Assim, a minha referência comparativa resume-se à grande equipa de finais da década de 80, início de 90, onde pontificavam valores como Mozer, Ricardo Gomes, Valdo, Jonas Thern, Rui Costa, Isaías, só para citar alguns. Mais recentemente, o grupo constituído à volta de Simão dava boas perspectivas, pois o esqueleto base reunia diversos internacionais portugueses de qualidade já apreciável.
Sim, esta equipa tem jogadores vulgares. Claro que há excepções: Rui Costa mantém-se como expoente máximo, Katsouranis é titular da, ainda, selecção campeã europeia, Luisão é habitualmente convocável pelo Brasil e mais quatro ou cinco jogadores têm um passado ou um potencial que não deixam dúvidas. Agora, não sejamos ingénuos. Jogadores como Nélson, Luís Filipe e Nuno Assis não são escolhidos por Scolari. Outros como Léo, Petit e Nuno Gomes ultrapassaram os trinta e as lesões começam a ser habituais. As selecções do Uruguai e Paraguai estão longe de serem colossos mundiais. Sepsi é só titular dos sub21 da Roménia. Freddy Adu vem de um país sem tradição no futebol e o mesmo ponto de vista pode ser utilizado para Zoro e Bynia. Para uma equipa como a do Benfica, é muito pouco. Os pergaminhos do clube assim o exigem.

[bwin Liga 20.ª jornada] SL Benfica 1-1 Sp. Braga

Ontem marquei presença na Luz. Esta época tem sido situação rara. Não pela qualidade exibicional e distância pontual para o FC Porto, mas porque nem sempre a disponibilidade me permite acompanhar a equipa. A elaboração da Dissertação de Mestrado exige dedicação quase diária e os meus fins-de-semana são passados entre relatórios & contas de diversas SAD´s. De qualquer modo, o futebol preenche parte considerável das minhas 24 horas diárias e o Benfica merece redobrada atenção. Bem, mas vamos ao que interessa.
Ironicamente, o desenrolar do marcador acabou por ser idêntico à da última visita. Foi a 28 de Novembro de 2007, na recepção frente ao AC Milan e o desfecho teve o mesmo sabor amargo. Por sua vez, a estatística da bwin Liga, respeitante aos jogos em casa, apresenta cinco empates e uma derrota. São treze pontos perdidos na Luz. O FC Porto leva doze de avanço. Há que perceber o porquê de tão fraco pecúlio. Será que a única justificação está nas bolas que (não) entram?
No entender do treinador espanhol, os constantes empates são explicados pela falta de pontaria. O Benfica não vence porque não marca golos. Penso que até um rapaz de 5 anos consegue chegar a essa conclusão. Contudo, José António Camacho tem responsabilidades acrescidas e, não querendo fazer do treinador o bode expiatório da triste época 2007/08, a verdade é que insistir no 4x2x3x1, com Rui Costa na posição de n.º 10, não tem ajudado. Quantos mais empates vão ser precisos para perceber isto?
Porém, o sistema táctico não explica tudo. Como escrevi há dias, o Benfica não demonstra princípios de jogo que levem a uma ideia (próxima) de bom futebol. A prática do charuto para a frente aborrece qualquer um e chega a ser exasperante observar a não qualidade de movimentos tão básicos como recepção, passe e desmarcação, tendo por base um conceito de jogo colectivo que orgulhe a história do clube.
Para finalizar, já tenho o bilhete para a partida frente ao Getafe. Esperemos que a história da eliminatória não seja semelhante à da época anterior, quando o adversário dava pelo nome de Espanyol. Curiosamente, ambos vivem à sombra de vizinhos mais poderosos. Quando cheguei a casa, ainda fui a tempo de verificar o resultado entre Real Madrid e Getafe. E não é que 10.º classificado venceu 1-0 no Santiago Bernabéu? Não se iludam: na hora das vitórias, cada vez mais o bom futebol prevalece sobre as camisolas. Em breve, irei apresentar a análise detalhada ao jogar da equipa comandada por Michael Laudrup.