quinta-feira, 13 de março de 2008

[Uefa Cup 1/8] Getafe 1-0 SL Benfica

Benfica diz adeus à Taça Uefa. Rui Costa despede-se dos relvados europeus. Sentado, no banco encarnado, esteve Eusébio. Ao seu lado, ex-jogadores que marcaram gerações de adeptos: Chalana, Rui Águas e Shéu. Cada um, no seu tempo, proporcionou momentos inolvidáveis, numa corrente de alegria entre todos os benfiquistas. A certa altura, enquanto o coração apertava a ver aquela exibição, desejei que todos eles vestissem a camisola vermelha e saltassem para o relvado. Se para mim foi penoso assistir aquele espectáculo, imagino o que ia na cabeça daquelas velhas glórias. Pena que não seja possível recuar no tempo. O passado deixa saudades, o presente entristece e só o futuro permite sonhar.
Não sei se o Getafe é o Estrela da Amadora de Espanha, como já tenho lido. Aquilo que sei é que a equipa da zona de Madrid faz a sua estreia em competições da Uefa e jogava sem oito ou nove dos habituais titulares. É certo que o Benfica perdeu a eliminatória na derrota do dia 6 de Março, mas esperava-se mais.
Por conseguinte, não é fácil escrever sobre a partida de ontem. Para quê falar de táctica, quando nem sequer existe um modelo de jogo definido? Para quê falar de talento, quando nem sequer se vislumbra atitude, empenho e motivação? Repetir os mesmos argumentos, torna-se fastidioso. Os principais problemas estão identificados, as razões foram apontadas em crónicas anteriores. Ainda assim, fique ciente o seguinte: a paixão não se perde e a esperança num futuro melhor não esmorece. Resta-nos isso, porque o momento actual é de completa descrença.
Ontem, após a eliminação, peguei no livro de José Marinho "Pela Mística Dentro" e devorei página, atrás de página. Foi a minha forma de esquecer a exibição e uma tentativa de ganhar ânimo com a leitura de estórias e episódios de boa memória. Aconselho o livro a todos. Principalmente nesta altura de maior descrédito, de apagamento da chama benfiquista. Ao contrário de Luís Filipe Viera que teima em anunciar novos ciclos que, com todo o respeito, só analfabetos aplaudem, José Marinho mostra-nos o ciclo da história, levando-nos a acreditar que o percurso do passado pode tocar o sucesso do futuro.

terça-feira, 11 de março de 2008

Política desportiva de aposta na formação

Nos meses mais próximos, a direcção da SAD, liderada por Luís Filipe Vieira, terá a derradeira oportunidade de promover a profissionalização da estrutura de futebol. Espera-se que de uma forma mais tranquila e acertada. Para tal, torna-se fundamental definir um organigrama e atribuir responsabilidades dentro de uma hierarquia conhecida por todos.
Para cumprir com o delineado, há que clarificar a figura do director desportivo e definir o perfil do futuro treinador, dentro de parâmetros que respeitem a grandeza da instituição. Assim que o sucessor de Camacho seja apresentado, será possível perspectivar a época 2008/09 em todas as suas vertentes: liderança, comunicação (interna e externa), metodologia de treino, sistema táctico base/alternativo e conceptualização do modelo de jogo.
Outro aspecto, não menos importante, diz respeito à política de contratações. A preferência será dada ao mercado sul-americano, de leste, nacional ou haverá uma maior aposta nos jovens valores que começam a despontar na equipa de juniores? As linhas seguintes são dedicadas ao papel da formação.

No meu entender, qualquer que seja o futuro treinador do Benfica, gostaria de observar uma maior aposta em jogadores vindos da formação. Para mim é ponto de honra. Não significa que o clube encarnado siga a política leonina, porque sou favorável à existência de uma espinha-dorsal constituída por elementos mais experientes. No entanto, sou da opinião que num plantel de, por exemplo, 25 jogadores, o regresso de jovens emprestados e/ou promoção de jogadores oriundos da equipa de juniores. deve corresponder a uma percentagem perto dos 20%. Aqui ficam as minhas razões para uma maior aposta na formação:

Transmissão de sangue novo e frescura física ao colectivo, permitindo pensar num processo de renovação gradual;
Criação de laços afectivos com os adeptos, possibilitando o aportuguesamento da equipa de futebol;
Identificação com a história do clube, a famosa mística benfiquista, garantindo o aparecimento do sentimento de "amor à camisola";
Harmonia nas relações de balneário, pois o processo de aprendizagem sugere paciência e humildade, dimunuindo focos de desestabilização;
Controlo da massa salarial, potenciando a contratualização por objectivos e premiando o rendimento efectivo.
Dependendo do treinador, sistema táctico preferencial e modelo de jogo asssociado, alguns dos jovens ligados ao Benfica têm primazia sobre outros e as oportunidades necessitam de ser pensadas pela futura estrutura do futebol profissional.
Ainda assim, supondo que tivesse responsabilidade na(s) escolha(s), adianto a minha visão pessoal sobre algumas individualidades. Começo por Fábio Coentrão. Caso o Benfica mantenha Cristián Rodríguez, ganha força a manutenção do empréstimo do jogador - ao Nacional ou outro clube da bwin Liga - até pelo facto de tanto Di María, como Freddy Adu, pisarem habitualmente o corredor esquerdo. Sobre João Coimbra optaria pela mesma solução. Continuemos. Após uma curta experiência no plantel encarnado, decidia pelo regresso de Miguel Vítor, Ruben Lima e Romeu Ribeiro, enquanto procurava o empréstimo de Yu Dabao a um clube mais competitivo. Esta opção segue os motivos referidos anteriormente. Para cumprir com a percentagem de 20%, atrás evidenciada, ficam a faltar 2 jogadores. Graças ao belíssimo trabalho efectuado por João Alves oferecia a oportunidade a alguns valores, protagonistas de recentes convocatórias de Camacho. O meu destaque vai para:

Nome completo
David Martins Simão
(camisola 6)
Data de nascimento
15.05.1990 (17 anos)
Internacionalizações: 5
Altura:
Peso:
Posição
Médio interior/ofensivo


[Resumo 2007/08] Edição - Jogos / Golos / Minutos (Amarelos - Vermelhos)
2007/08 Juniores - 20J / 1G / 1.534Min. (3A - 1V)
2006/07 Juvenis A - 17J / 11G / 1.388Min. (1A - 0V)

Nome completo
Miguel Alexandre Jesus Rosa
(camisola 10)
Data de nascimento
13.01.1989 (19 anos)
Internacionalizações: 10
Altura: 1,74m
Peso: 67kg
Posição
Médio interior/ofensivo



[Resumo 2007/08] Edição - Jogos / Golos / Minutos (Amarelos - Vermelhos)
2007/08 Juniores - 21J / 12G / 1.845Min. (1A - 1V)
2006/07 Juniores - 16J / 2G / 1.378Min. (0A - 0V)

Nome completo
André Filipe da Silva Carvalhas
(camisola 7)
Data de nascimento
07.03.1989 ( 19 anos)
Internacionalizações: 35
Altura: 1,66m
Peso: 63kg
Posição
Avançado móvel/Médio ofensivo



[Resumo 2007/08] Edição - Jogos / Golos / Minutos (Amarelos - Vermelhos)
2007/08 Juniores - 23J / 17G / 1.915Min. (3A - 0V)
2006/07 Juniores - 23J / 8G / 2.033Min. (1A - 0V)

A conjuntura actual apresenta um clima de incertidão que aconselha prudência e muitas das decisões estão sujeitas a circunstâncias difíceis de apurar. De qualquer modo, não me vou esquivar ao desafio e avanço com um resumo que espelha as minhas convicções:

Miguel Vítor, defesa central
Ruben Lima, defesa/lateral esquerdo
Romeu Ribeiro/David Simão, médio defensivo/interior
Miguel Rosa, médio interior/ofensivo
André Carvalhas, avançado móvel/médio ofensivo

Esta seria a escolha dos meus 5 magníficos, que perfaz o patamar de 20%. Porém, não fica por aqui. Em Dezembro, por altura da reabertura de mercado, lembrando os empréstimos de Miguel Vítor, Ruben Lima, Romeu Ribeiro e Yu Dabao, tomaria decisão idêntica face a Miguel Rosa e André Carvalhas, salvo a ocorrência de um progresso individual inquestionável. O período compreendido entre Agosto e Dezembro seria de enorme utilidade, pela aprendizagem junto do plantel principal e, após o mercado de Inverno, o intuito passaria por garantir rodagem competitiva noutra realidade. Em substituição destes, ou de outros nomes, sempre dependendo da evolução manifestada, apontaria o plantel de juniores como viveiro preferencial: André Magalhães, 19 anos, lateral direito (português); Leandro Pimenta, 17 anos, médio (português); Fellipe Bastos, 18 anos, médio defensivo (brasileiro); Abdoulaye Fall, 19 anos, médio defensivo (senegalês); Orphée Demel, 19 anos, avançado centro (costa-marfinense); e, Wang Gang, 19 anos, avançado móvel (chinês).

Termino com um pedido aos leitores. Penso que este espaço é de leitura obrigatória, para alguns, e tem vindo a ganhar fidelidade, por parte de muitos outros. Contudo, gostaria que existisse mais feed-back entre mim e os leitores, mais motivos de debate, mais troca de opiniões. O tema relacionado com a aposta na formação incide sobre cenários, conjecturas e hipóteses, mas levanta tópicos de discussão, a meu ver, pertinentes. Digam de vossa justiça e partilhem a vossa visão sobre este aspecto da política desportiva. Obrigado.

segunda-feira, 10 de março de 2008

A demissão de José António Camacho

Data: 9 de Março, Domingo. Hora: 18h00, início da partida. Local: Estádio da Luz. Resultado: empate 2-2, o sexto verificado diante dos sócios, a perfazer quinze pontos perdidos em casa. Julgo ser despropositado analisar o jogo frente ao último classificado. Seria repetir as mesmas justificações para uma época muito aquém das expectativas. Importa, isso sim, reflectir sobre a demissão de José António Camacho.
Penso ser cedo para retirar conclusões imediatas. Daqui por meses, talvez anos, teremos o distanciamento certo para compreender o impacto real desta segunda passagem do treinador espanhol. A meu ver, o futuro vai mostrar que Camacho foi mais vítima do que réu. Nada como o tempo para nos dar essa lição. Por conseguinte, qual a imagem que ficará para as gerações vindouras?
Quando um dia os meus filhos me perguntarem quem foi Camacho, terei de distinguir o homem do treinador. As suas qualidades humanas da competência profissional. Se no primeiro caso faltam-me adjectivos que elogiem o homem, na segunda situação surge-me um sentimento de desconfiança face ao treinador.
Desde a primeira passagem pelos encarnados que enalteço a frontalidade do espanhol, o seu discurso directo e sincero. Inclusive, reconhece-se o apreço que nutria pelo Benfica e o respeito que sempre manifestou em relação à instituição. Também, na hora da despedida, teve um comportamento digno e a sua saída abre espaço para que a Direcção da SAD tenha o tempo necessário para preparar a temporada seguinte.
Contudo, sou da opinião que Camacho apresenta limitações na vertente táctica e na metodologia de treino. Considerem esta apreciação como uma constatação de um leigo habituado a observar o fenómeno desportivo, pois não tenho os conhecimentos técnicos para proceder a uma avaliação objectiva. De qualquer modo, no meu entender, o treinador espanhol é o principal responsável pelas dificuldades na operacionalização de um modelo de jogo adaptado à exigência de um grande clube e co-responsável – juntamente com o departamento clínico e restante equipa técnica – na gestão da condição física da equipa. Para bem da sua carreira, aconselharia seguir o exemplo de outros treinadores e procurar munir-se de mais e melhor formação na área da táctica e do treino. A evolução do futebol exige uma actualização de conhecimentos constante.
Volto ao tópico anterior. Camacho foi vítima ou réu? Penso que foi mais vítima do que réu por dois motivos. Primeiro, porque a responsabilidade da construção do plantel tem de ser associada à Direcção da SAD. Desde há meses que tenho vindo a criticar a planificação desportiva e, ao contrário de muitos benfiquistas, penso que a actual equipa está muito longe de ser a melhor dos últimos dez anos. Segundo, no seguimento da falta de qualidade de alguns elementos do plantel, faço minhas as palavras de Rui Costa quando refere que os jogadores devem assumir as suas responsabilidades. Para além de carências técnicas, nota-se falta de estrutura mental para jogar num clube da dimensão do Benfica.
Por conseguinte, vale a pena comparar a performance do Benfica com a excelente campanha protagonizada pelos Vitórias, de Guimarães e de Setúbal. No futebol de alta competição nada acontece por acaso. Teria muito a escrever, quem sabe noutro post, mas merece a pena destacar alguns pontos. Provavelmente, a Direcção destes outsiders é mais capaz e competente, os treinadores são globalmente melhores e até os jogadores são, porventura, melhores profissionais. De facto, não é normal tanto Guimarães, como Setúbal, mostrarem melhores argumentos futebolísticos quando existe um fosso enorme em termos de orçamento. Como não considero - na generalidade - os jogadores do Benfica inferiores em termos técnicos, a diferença só pode ser encontrada no panorama mental e físico. Se calhar, os jogadores comandados por Manuel Cajuda e Carlos Carvalhal são melhores profissionais, conseguem manter os índices motivacionais num plano elevado e fazem jus ao conceito de atletas de alta competição.
Vale a pena pensar neste último parágrafo. Reflectir sobre as palavras de Rui Costa e prestar atenção à pista deixada por Camacho. Caso o Benfica não siga um caminho mais exigente e profissional – começando na Direcção e acabando no elemento mais modesto – o futuro, a curto prazo, será desastroso. A perspectiva de um supermercado de jogadores e cemitério de treinadores deve assustar qualquer adepto encarnado. Ninguém quer o regresso dos tempos de Manuel Damásio, pois não?

sábado, 8 de março de 2008

Economia e finanças do futebol

Actualidade
Resultados Desportivos - Será uma questão de activos?
Analisando a relação entre a política de investimento do Sporting Clube de Portugal no reforço do plantel e os resultados desportivos, verifica-se que, o caminho delineado pela direcção da SAD suporta duas opções estratégicas: por um lado, rigorosa contenção da massa salarial dos elementos que compõem a equipa de futebol; por outro lado, apurada restrição orçamental no reforço qualitativo do plantel leonino. {Ler mais»}

Há dias, analisando os relatórios & contas dos três grandes portugueses, escrevi sobre a relação que se coloca entre a política de investimento no reforço do plantel e os resultados desportivos.
O tema citado acaba por destacar tópicos com cabimento no conceito do site "Futebol Finance", tendo ficado combinado o compromisso de uma participação que se pretende regular e periódica. Julgo tratar-se do estreitar de uma colaboração, com início neste espaço, mas que vem no seguimento do meu especial interesse por assuntos do "Sport Business", visto a minha dissertação de mestrado incidir no estudo dos Activos Intangíveis das Sociedades Anónimas Desportivas.
Para terminar, é minha intenção despertar o interesse pela economia e finanças do futebol, contribuindo para uma maior visibilidade, quer dos meus textos, como do site "Futebol Finance", o qual sugiro visita atenta.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Quando a classe mistura-se com atitude

"Joga cada jogo como se estivesses a defender o título de campeão". A frase é atribuída a Angelos Charisteas. Podia ser aplicada aos ídolos da imagem: Paolo Maldini e Rui Costa. Outra, de Patrick Vieira, faz-nos pensar nalguns jogadores que dão tudo pela equipa: "apenas quando transpiras verdadeiramente a camisola é que a mesma se tornará parte de ti". Contudo, a minha preferida é de Lionel Messi: "joga pelo nome na frente da camisola e lembrar-se-ão sempre do nome nas costas".
Em certas alturas, fico a pensar se existe uma razão (racional?) pela qual os adeptos admiram determinados jogadores. Em sentido contrário, porque é que não admitem falhas, de qualquer espécie, em relação a outros? Porque é que Quaresma é, tantas vezes, alvo de assobios, enquanto Lisandro López é merecedor dos maiores elogios? Será pelos golos que o argentino marca? E quando os ídolos da massa associativa são jogadores que pisam terrenos longe da baliza ou até primam pela discrição? O factor de diferenciação encontra eco numa palavra: atitude.
Ontem, ao presenciar a partida do meu clube frente ao Getafe, pude testemunhar esta relação de amor-ódio. Nem sempre os chamados goleadores, ou aqueles jogadores de maior valia técnica, denominados de "artistas", são os mais queridos pelos adeptos. Óbvio que Rui Costa reúne um consenso quase generalizado, mas que dizer de um jogador tipo Bynia, largamente elogiado pela nação benfiquista? O camaronês não se destaca pelo número de golos. Tampouco pela relação com a bola, pois não denota virtuosismo no drible, nem desenvolve jogadas de encantar a plateia. A resposta está, mais uma vez, na atitude. Nas frases de Patrick Vieira e Lionel Messi. Os adeptos de um clube esperam vitórias. Não perdoam é falta de empenho.
No meu entender, um jogador de futebol pode ser definido sob três dimensões: técnica, física e psicológica/mental.
No primeiro caso, os atributos técnicos manifestam-se na recepção, no passe, no cabeceamento, no remate e na qualidade para executar lances de bola parada.
Na segunda situação, valoriza-se a agilidade, a força, a impulsão, a resistência, a velocidade, para citar alguns exemplos.
Para a última dimensão, aquela que mais me interessa de momento, destaco as seguintes características: agressividade, concentração, determinação, inteligência, influência e índice de trabalho. De preferência, misturadas numa "caixinha mágica" a que dou o nome de decisão táctica: saber quando passar a bola; saber como gerir o ritmo; saber como se posicionar, em função dos colegas e dos adversários, da bola e dos espaços; saber como dominar os movimentos de transição. Saber, no fundo, tomar a decisão correcta, no momento certo. Sempre em prol da equipa.
Rui Costa consegue isso tudo com classe. Bynia, por seu lado, cativa pelo empenho. Cada qual, ao seu estilo, joga cada jogo como se estivesse a defender o título de campeão.

[Uefa Cup 1/8] SL Benfica 1-2 Getafe

Os museus não ganham jogos. Pelo que li aqui, parece que a frase foi proferida por um jogador do Getafe, horas antes da partida. Eu acrescentaria: nem museus, nem camisolas encarnadas, nem o mítico "inferno" da Luz. Como encontrar argumentos capazes de contrariar esta realidade? Talvez se tivéssemos jogado com onze. Ficou a sensação de que com mais um homem, o Benfica poderia sovar o 10.º classificado da liga espanhola.
Houve um período, na década de 90 e no virar do séc. XXI, em que qualquer confronto com equipas italianas era sinónimo de derrotas. Com algumas vitórias morais à mistura. Desde logo, a derrota na final da Liga dos Campeões, na época 1989/90, frente a AC Milan. Depois disso, outros clubes como Juventus, Parma, Inter e Lazio cruzaram-se no destino dos encarnados.
Ultimamente, o sentimento de impotência vem da vizinha Espanha. Celta de Vigo (de má memória), Villarreal – derrota na Luz 0-1, na fase de grupos – Barcelona, Espanyol e, agora, Getafe. Temos de ser realistas. Sabendo que esta equipa, praticamente renovada, em que vários atletas cumprem a primeira presença em competições europeias e sem vários dos habituais (prováveis) titulares – David Luíz, Petit, Maxi Pereira ou Bynia, Nuno Gomes ou Makukula – seria difícil fazer melhor.
Sobre o jogo propriamente dito, este ficou condicionado pela expulsão de Cardozo antes dos dez minutos de jogo. Não comento o lance, até porque no estádio só me apercebi do árbitro mostrar a cartolina roja. Já referi que não escrevo sobre arbitragem, mas se a tarefa já não se afigurava fácil com onze, que esperar dos restantes oitenta minutos a actuar com dez? Por conseguinte, julgo que não faz sentido desenvolver a vertente táctica. Escrever sobre como se comportou o 4x3x2, em detrimento da hipótese 4x4x1 parece-me desnecessário.
Antes desta partida, a minha preocupação prendia-se mais com a perspectiva de sofrer um golo ou da equipa revelar desacerto na finalização. Sinceramente, apesar do bom toque de bola da equipa espanhola, a ideia que ficou é que o Getafe estava ao alcance de um Benfica personalizado. Alías, na temporada passada fui ver aquele triste 0-0 com o Espanyol e o clube de Barcelona deixou-me melhor impressão.
Assim, nas minhas expectativas iniciais, esperava concentração e inspiração. A equipa ofereceu suor e transpiração. Quando assim é, mesmo insatisfeito com o resultado, não posso ficar indiferente à atitude dos jogadores.
A minha réstea de esperança reside nesse facto: desconfio do talento, mas acredito no esforço individual e colectivo. Hoje e durante os próximos dias sei que o sentimento aponta para o pessimismo. Mas, no próximo dia 12 de Março, vou acreditar que a desilusão de ontem possa transformar-se numa jornada gloriosa. À Benfica. Há espaço para sonhar.

Restantes jogos dos oitavos-de-final da Taça UEFA:

Anderlecht (Bélgica)-Bayern (Alemanha), 0-5
(Altintop, 9m; Luca Toni, 45m; Podolsky, 57m; Klose, 67m; Ribery, 86m)

Fiorentina (Itália)-Everton, (Inglaterra), 2-0
(Kuzmanovic, 70m; Montolivo, 81m)

Marselha (França)-Zenit St. Petersburgo (Rússia), 3-1
(Cissé, 36m e 54m; Niang, 47m); (Arshavin, 82m)

Bolton (Inglaterra)-SPORTING (PORTUGAL), 1-1
(McCann, 25m); (Vukcevic, 70m)

Rangers (Escócia)-Werder Bremen (Alemanha), 2-0
(Cousin, 45m; Davis, 48m)

Bayer Leverkusen (Alemanha)-Hamburgo (Alemanha), 1-0
(Gekas, 77m)

Tottenham (Inglaterra)-PSV Eindhoven (Holanda), 0-1
(Farfan, 36m)

terça-feira, 4 de março de 2008

[Sport Business] Será uma questão de Activos?

Hoje vou escrever sobre o Sporting Clube de Portugal. Mais propriamente sobre a relação entre a política de investimento no reforço do plantel e os resultados desportivos.
O caminho delineado pela direcção da SAD suporta duas opções estratégicas: por um lado, rigorosa contenção da massa salarial dos elementos que compõem a equipa de futebol; por outro lado, apurada restrição orçamental no reforço qualitativo do plantel leonino. Em suma, nos últimos anos, a estratégia global passa pelo aproveitamento da formação, tendo a Academica de Alcochete contribuído fortemente para a realização de mais-valias financeiras.
O panorama actual da Sporting SAD demonstra o suporte de enormes dívidas de curto e médio/longo prazo a instituições de crédito, tendo que cumprir religiosamente com parâmetros financeiros associados ao serviço da dívida. Em consequência, comparativamente aos mais directos rivais - SL Benfica e FC Porto - os números provam que o orçamento da Sporting SAD fica aquém dos pergaminhos históricos do clube. Os adeptos são os primeiros a reconhecer estes imperativos, quando a equipa de futebol demora a corresponder à exigência de vitórias e conquista de troféus.
A classificação do Sporting CP na bwin Liga, e respectiva distância pontual para o líder, acaba por retratar o dilema que se coloca à direcção da SAD: como fazer face à obrigatoriedade de controlar o passivo, sem descurar o fortalecimento da equipa de futebol? Vejamos o quadro seguinte respeitante ao valor do plantel - leia-se custos associados à aquisição dos direitos de inscrição desportiva dos jogadores ("passes") - dos três grandes portugueses:

1) Valor reflectido em Imobilizações Incorpóreas, na rubrica Propriedade Industrial e Outros Direitos. Os direitos desportivos relativos à totalidade dos jogadores que fazem parte do plantel profissional de futebol estão valorizados em 14,4 milhões de euros. Este saldo inclui a posição do First Portuguese Football Players Fund no montante de 1,75 milhões de euros, ou seja, uma participação de cerca de 12% no valor patrimonial líquido do plantel.

2) Valor reflectido em Imobilizações Incorpóreas, na rubrica Plantel de Futebol. Inclui os custos de aquisição dos jogadores profissionais de futebol, compreendendo as importâncias dispendidas a favor da entidade transmitente, do jogador e de intermediários.

3) Valor reflectido em Activos não Correntes, na rubrica Valor do Plantel. O saldo inclui os custos associados à aquisição dos direitos de inscrição desportiva dos jogadores, incluindo encargos com serviços de intermediação, bem como os encargos com o prémio de assinatura do contrato pago aos atletas.

No caso do FC Porto, as demonstrações financeiras foram preparadas de modo a reflectir os princípios de mensuração e reconhecimento das Normas Internacionais de Relato Financeiro ("International Financial Reporting Standards - IFRS" - anteriormente designadas "Normas Internacionais de Contabilidade - IAS") emitidas pelo International Accounting Standards Board, em vigor em 1 de Julho de 2006.
No caso do SL Benfica e Sporting CP, as demonstrações financeiras foram preparadas em conformidade com as disposições do Plano Oficial de Contabilidade (POC) e Directrizes Contabilísticas da CNC, sendo que a divulgação de informação com base no normativo IFRS/IAS só será adoptada a partir do exercício de 2007/2008.


Relatório & Contas 2006/07: Sporting CP
Relatório & Contas 2006/07: SL Benfica
Relatório & Contas 2006/07: FC Porto

Apesar de algumas diferenças nas bases de preparação, a exigir uma reclassificação contabilística aquando da introdução das "Normas Internacionais de Contabilidade", pode-se adiantar que, no caso do SL Benfica e Sporting CP, o impacto na rubrica Plantel de Futebol não será materialmente significativo.
Assim, pela análise do quadro apresentado, é perceptível a estratégia de Filipe Soares Franco e seus pares: contratação de jogadores livres e integração no plantel principal dos jogadores da formação. Enquanto o rigor financeiro pode ser alvo dos maiores elogios, a política de consolidação desportiva vai no sentido de asfixiar a equipa de futebol.
Um exemplo claro, respeitante à época 2007/2008: o valor dispendido em contratações pela Sporting SAD, na sua totalidade, foi inferior ao custo do passe de Óscar Cardozo. A verdade é que os golos do paraguaio têm vindo a ser decisivos no percurso europeu e a cabeçada que ditou o empate de Alvalde pode ter definido o 2.º lugar, de acesso directo à champions league.

Informo que esta temática faz parte da minha dissertação de Mestrado em Contabilidade, direccionada para a relação entre a vertente técnica das "Normas Internacionais de Contabilidade" e as Sociedades Anónimas Desportivas, incidindo na análise dos Activos Intangíveis dos principais clubes europeus. Não hesitem em colocar qualquer dúvida que, na medida do possível, tentarei prestar o devido esclarecimento.

segunda-feira, 3 de março de 2008

[bwin Liga 21.ª jornada] Sporting CP 1-1 SL Benfica

Antes de analisar as incidências do derby, uma certeza: neste espaço não é suposto comentar os lances polémicos e as decisões de arbitragem. Deixo essa perspectiva para programas do tipo O Dia Seguinte.
Como lhe competia, o Sporting entrou com vontade de ganhar o jogo. Os primeiros quinze a vinte minutos fizeram lembrar a visita do Dragão e, mais uma vez, Vukcevic mostrou porque é considerada a melhor contratação dos leões. Tal como frente ao FC Porto, o golo surgiu cedo, o ânimo apoderou-se das bancadas, mas desta feita a toada inicial foi perdendo fulgor. Para o melhor período leonino muito contribuíu a dinâmica do flanco esquerdo: Grimi dava profundidade, Izmailov descaía para a faixa e, também, Vukcevic encostava ao lado canhoto. Dava ideia que o relvado estava inclinado, mas o Benfica – principalmente Nélson – sentiram muitas dificuldades para tapar aquele corredor. José António Camacho pressentiu o perigo e trocou, posicionalmente, Cristián Rodríguez com o apagado Di María, passando o uruguaio a travar duelos individuais com Grimi, enquanto Maxi Pereira basculava no auxílio a Nélson. Curiosamente, no final da 1.ª parte a estatística revelava bons indicadores para o lado visitante: o Benfica teve maior percentagem de posse de bola (52%), desenvolveu mais ataques e dispôs de mais remates à baliza. O resultado justificava-se.
No segundo período, comprovou-se o habitual nestas situações: a equipa da casa a procurar obter vantagem o mais rapidamente possível; o adversário a suster o ímpeto inicial, espreitando contra-ataques venenosos. Sendo verdade que o Sporting criou algumas oportunidades para se colocar em vantagem, por um motivo ou por outro, os minutos foram passando e o golo nunca apareceu. Nesse aspecto, Quim revelou-se obstáculo intransponível e, com o passar do tempo, o Benfica soube equilibrar as operações a meio-campo e ameaçar o último reduto leonino. Após a expulsão de Nélson, o domínio de jogo voltou a acentuar-se a favor dos da casa, mas nem as alterações de Paulo Bento tiveram o condão de despertar a equipa para o forcing final. O discernimento já não era muito e a confiança foi-se apagando. Se houvesse um vencedor, teria que ser o Sporting, mas o resultado aceita-se porque o Benfica não se limitou a estacionar o autocarro e o pragmatismo também é uma virtude.
Relativamente à disputa pelo acesso à champions league, vejamos o ponto de situação actual e quais as partidas de carácter mais decisivo:

J.ª 22 Vit. Guimarães - Sporting
J.ª 26 Vit. Setúbal - FC Porto
J.ª 27 FC Porto - Benfica
J.ª 28 Vit. Guimarães - FC Porto
J.ª 30 Benfica - Vit. Setúbal

Taça: o sorteio

Sporting-Benfica e V. Setúbal-F.C. Porto são os jogos das meias-finais da Taça de Portugal, segundo ditou o sorteio realizado esta segunda-feira em Lisboa.

Os jogos das meias-finais estão marcados para 16 de Abril, uma quarta-feira.

sábado, 1 de março de 2008

[Antevisão] Ao Raio-X: Vitória de Guimarães

Desde Novembro de 2006 que tenho vindo a colaborar, de forma mais ou menos periódica, com a revista Futebolista, nomeadamente na elaboração da rubrica Onze do Mês e na secção Táctica. Do lado direito do blogue, junto à imagem da revista, podem consultar todas as crónicas até agora publicadas.
Recentemente, surgiu o convite para participar numa nova secção intitulada Ao Raio-X, tendo liberdade para escolher o clube a analisar. Por diversas razões, a minha opção recaíu sobre o Vitória de Guimarães e informo que a edição referente ao mês de Março já se encontra à venda. Para aguçar o apetite, aqui fica um breve excerto daquilo que podem ler:

História de prestígio

"Na cidade que viu nascer Portugal, o Estádio D. Afonso Henriques liga as memórias da história com o orgulho do presente. Reduto de vimaranenses, afonsinos ou conquistadores, palco do Vitória Sport Clube, também conhecido como Vitória de Guimarães, ali mora o monumento de um futuro que se espera brilhante.
Determinado em prosseguir essa história e acrescentar-lhe novos capítulos de sucesso, o Vitória Sport Clube procura hoje um projecto de renovada ambição, tendo como principal suporte a fidelidade e apoio dos seus muitos associados e adeptos. Conseguirá a cidade de Guimarães voltar a fazer história"?

Capítulos seguintes:

O conquistador do séc. XXI
Artistas do futebol espectáculo
O pentágono reforçado por dois quadrados (ilustrado com imagens que retratam o modelo de jogo)
Consolidação como 4.º grande

Para finalizar, comunico mais motivos de interesse:

A tripla dúvida - Ronaldo entre Madrid, Barcelona e Manchester
Cardozo & Makukula: As novas torres da Luz
Raul Meireles - Entrevista Exclusiva
Galácticos - Casillas, o guardião do templo
Diego e Ribéry: Os ‘kaisers’ da Bundesliga

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

[Cap. III] Dossier Getafe Club de Fútbol

Ontem, o Getafe recebeu o Racing Santander, em partida a contar para as meias-finais da Copa del Rey, tendo vencido por 3-1 [vídeo]. Os golos foram apontados por De la Red, Javier Casquero e Manu del Moral e o resultado alcançado deixa boas perspectivas para que o adversário do Benfica atinja a final, pela segunda vez consecutiva.
Depois de termos visto, nos capítulos anteriores, o resumo da carreira em 2007/08 e a vertente táctica associada ao modelo de jogo, iremos contemplar as principais individualidades (jogadores-chave) da equipa liderada por Michael Laudrup:

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Roberto Carlos Abbondanzieri, Pato
Posição: Guarda-redes
Camisola: 13
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Nasceu em Bouquet (Santa Fé). Ágil, dotado de enormes reflexos e excelente colocação na baliza.
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David Belenguer Reverte
Posição: Defesa central
Camisola: 4
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Nasceu em Villasar (Barcelona). Defesa sóbrio, de posicionamento irreprensível e experiência importante. Sobressai pela elegância na hora de disputar e conduzir a bola.


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Lucas Matías Licht
Posição: Defesa/Ala esquerdo
Camisola: 12
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Nasceu em Brissa (Buenos Aires). Lateral de passada larga, de chegada à área contrária e com atributos de finalização. Um autêntico "carrilero" da banda esquerda.


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Francisco Javier Casquero Paredes
Posição: Pivot defensivo
Camisola: 22
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Nasceu em Talavera (Toledo). Centrocampista de grande visão de jogo, organiza o futebol do Getafe e é detentor de forte remate.
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Rubén De la Red Gutiérrez
Posição: Médio centro/N.º 10
Camisola: 10
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Nasceu em Arroyomolinos (Madrid). Médio criativo, de pendor ofensivo, dispõe de atributos técnicos que fazem a diferença.
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Juan Ángel Albín Leites
Posição: Médio ofensivo/N.º 10
Camisola: 16
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Nasceu em Salto (Uruguai). Jogador polivalente, foi internacional em todas as categorias e apresenta margem de progressão elevada. É o homem encarregue dos lances de bola parada.
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Manuel del Moral Fernández
Posição: Ponta-de-lança
Camisola: 14
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Nasceu em Jaén. Sem ser excessivamente dotado do ponto de vista técnico, compensa com muita rapidez e alguma habilidade. Tem sempre os olhos postos na baliza.
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Ikechukwu Uche
Posição: Avançado solto
Camisola: 18
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Nasceu em Aba (Nigéria). Avançado muito rápido e habilidoso, é perigosíssimo no contra-ataque e sabe aproveitar as oportunidades.
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Fonte: ZeroZero e Getafe Site Oficial