
Nos meses mais próximos, a direcção da SAD, liderada por Luís Filipe Vieira, terá a derradeira oportunidade de promover a profissionalização da estrutura de futebol. Espera-se que de uma forma mais tranquila e acertada. Para tal, torna-se fundamental definir um organigrama e atribuir responsabilidades dentro de uma hierarquia conhecida por todos.
Para cumprir com o delineado, há que clarificar a figura do director desportivo e definir o perfil do futuro treinador, dentro de parâmetros que respeitem a grandeza da instituição. Assim que o sucessor de Camacho seja apresentado, será possível perspectivar a época 2008/09 em todas as suas vertentes: liderança, comunicação (interna e externa), metodologia de treino, sistema táctico base/alternativo e conceptualização do modelo de jogo.
Outro aspecto, não menos importante, diz respeito à política de contratações. A preferência será dada ao mercado sul-americano, de leste, nacional ou haverá uma maior aposta nos jovens valores que começam a despontar na equipa de juniores? As linhas seguintes são dedicadas ao papel da formação.
No meu entender, qualquer que seja o futuro treinador do Benfica, gostaria de observar uma maior aposta em jogadores vindos da formação. Para mim é ponto de honra. Não significa que o clube encarnado siga a política leonina, porque sou favorável à existência de uma espinha-dorsal constituída por elementos mais experientes. No entanto, sou da opinião que num plantel de, por exemplo, 25 jogadores, o regresso de jovens emprestados e/ou promoção de jogadores oriundos da equipa de juniores. deve corresponder a uma percentagem perto dos 20%. Aqui ficam as minhas razões para uma maior aposta na formação:
Transmissão de sangue novo e frescura física ao colectivo, permitindo pensar num processo de renovação gradual;
Criação de laços afectivos com os adeptos, possibilitando o aportuguesamento da equipa de futebol;
Identificação com a história do clube, a famosa mística benfiquista, garantindo o aparecimento do sentimento de "amor à camisola";
Harmonia nas relações de balneário, pois o processo de aprendizagem sugere paciência e humildade, dimunuindo focos de desestabilização;
Controlo da massa salarial, potenciando a contratualização por objectivos e premiando o rendimento efectivo.
Dependendo do treinador, sistema táctico preferencial e modelo de jogo asssociado, alguns dos jovens ligados ao Benfica têm primazia sobre outros e as oportunidades necessitam de ser pensadas pela futura estrutura do futebol profissional.
Ainda assim, supondo que tivesse responsabilidade na(s) escolha(s), adianto a minha visão pessoal sobre algumas individualidades. Começo por Fábio Coentrão. Caso o Benfica mantenha Cristián Rodríguez, ganha força a manutenção do empréstimo do jogador - ao Nacional ou outro clube da bwin Liga - até pelo facto de tanto Di María, como Freddy Adu, pisarem habitualmente o corredor esquerdo. Sobre João Coimbra optaria pela mesma solução. Continuemos. Após uma curta experiência no plantel encarnado, decidia pelo regresso de Miguel Vítor, Ruben Lima e Romeu Ribeiro, enquanto procurava o empréstimo de Yu Dabao a um clube mais competitivo. Esta opção segue os motivos referidos anteriormente. Para cumprir com a percentagem de 20%, atrás evidenciada, ficam a faltar 2 jogadores. Graças ao belíssimo trabalho efectuado por João Alves oferecia a oportunidade a alguns valores, protagonistas de recentes convocatórias de Camacho. O meu destaque vai para:
Nome completoDavid Martins Simão(camisola
6)
Data de nascimento15.05.1990 (17 anos)
Internacionalizações: 5
Altura:Peso:PosiçãoMédio interior/ofensivo
[Resumo 2007/08] Edição - Jogos / Golos / Minutos (Amarelos - Vermelhos)2007/08 Juniores - 20J / 1G / 1.534Min. (3A - 1V)
2006/07 Juvenis A - 17J / 11G / 1.388Min. (1A - 0V)
Nome completoMiguel Alexandre Jesus Rosa(camisola
10)
Data de nascimento13.01.1989 (19 anos)
Internacionalizações: 10
Altura: 1,74m
Peso: 67kg
PosiçãoMédio interior/ofensivo
[Resumo 2007/08] Edição - Jogos / Golos / Minutos (Amarelos - Vermelhos)2007/08 Juniores - 21J / 12G / 1.845Min. (1A - 1V)
2006/07 Juniores - 16J / 2G / 1.378Min. (0A - 0V)
Nome completoAndré Filipe da Silva Carvalhas(camisola
7)
Data de nascimento07.03.1989 ( 19 anos)
Internacionalizações: 35
Altura: 1,66m
Peso: 63kg
PosiçãoAvançado móvel/Médio ofensivo
[Resumo 2007/08] Edição - Jogos / Golos / Minutos (Amarelos - Vermelhos)2007/08 Juniores - 23J / 17G / 1.915Min. (3A - 0V)
2006/07 Juniores - 23J / 8G / 2.033Min. (1A - 0V)
A conjuntura actual apresenta um clima de incertidão que aconselha prudência e muitas das decisões estão sujeitas a circunstâncias difíceis de apurar. De qualquer modo, não me vou esquivar ao desafio e avanço com um resumo que espelha as minhas convicções:
Miguel Vítor, defesa central
Ruben Lima, defesa/lateral esquerdo
Romeu Ribeiro/
David Simão, médio defensivo/interior
Miguel Rosa, médio interior/ofensivo
André Carvalhas, avançado móvel/médio ofensivo
Esta seria a escolha dos meus 5 magníficos, que perfaz o patamar de 20%. Porém, não fica por aqui. Em Dezembro, por altura da reabertura de mercado, lembrando os empréstimos de Miguel Vítor, Ruben Lima, Romeu Ribeiro e Yu Dabao, tomaria decisão idêntica face a Miguel Rosa e André Carvalhas, salvo a ocorrência de um progresso individual inquestionável. O período compreendido entre Agosto e Dezembro seria de enorme utilidade, pela aprendizagem junto do plantel principal e, após o mercado de Inverno, o intuito passaria por garantir
rodagem competitiva noutra realidade. Em substituição destes, ou de outros nomes, sempre dependendo da evolução manifestada, apontaria o plantel de juniores como
viveiro preferencial:
André Magalhães, 19 anos, lateral direito (português);
Leandro Pimenta, 17 anos, médio (português);
Fellipe Bastos, 18 anos, médio defensivo (brasileiro);
Abdoulaye Fall, 19 anos, médio defensivo (senegalês);
Orphée Demel, 19 anos, avançado centro (costa-marfinense); e,
Wang Gang, 19 anos, avançado móvel (chinês).
Termino com um pedido aos leitores. Penso que este espaço é de leitura obrigatória, para alguns, e tem vindo a ganhar fidelidade, por parte de muitos outros. Contudo, gostaria que existisse mais
feed-back entre mim e os leitores, mais motivos de debate, mais troca de opiniões. O tema relacionado com a aposta na formação incide sobre cenários, conjecturas e hipóteses, mas levanta tópicos de discussão, a meu ver, pertinentes. Digam de vossa justiça e partilhem a vossa visão sobre este aspecto da política desportiva. Obrigado.