terça-feira, 25 de março de 2008

Carta aberta a Rui Costa

Foi no dia 14 de Maio de 1994. Eu tinha dezanove anos e tu vinte e dois. Eu estava no topo norte, de pé. Tu estavas no banco, sentado. Já nessa altura eras um jogador acarinhado, uma promessa com selo de qualidade. Mas, nessa noite, foi João Pinto quem se destacou e quem carregou o Benfica às costas, durante longos anos. O "menino de ouro", mais tarde o "grande artista", foi sempre o meu jogador preferido durante épocas seguidas.
Entendi a tua partida para Florença como um mal necessário. A saudade ficou. Recordações do teu futebol. Lembranças da tua paixão pelo clube. A minha admiração aumentou na proporção dos teus magníficos passes para Batistuta. O meu respeito cresceu à medida do teu carácter e benfiquismo confesso. Ano, após ano, esperei pelo teu regresso. Foram doze anos em que estiveste longe da vista, mas sempre perto do coração.
Durante cerca de dez anos, João Pinto foi o meu jogador preferido. Ao contrário, tu sempre estiveste num patamar superior. Para mim, eras mais do que um simples profissional de futebol. Eras um colega de bancada, de cachecol ao pescoço. Por isso, gostaria de formular dois pedidos: (i) encerra a tua carreira no final da época 2007/08; (ii) não aceites o lugar de director desportivo para a época 2008/09.
Em relação ao primeiro pedido, ou sugestão, sempre entendi que um profissional de futebol deve retirar-se quando, ainda, reúne condições de passear a sua classe nos relvados. Não que não tenhas capacidade, porque o teu talento irá perseguir-te até ao fim da vida. Porém, não aprecio quem se deixa arrastar pelas circunstâncias e estranho quem tenta lutar contra o tempo. Toma a decisão que tomaste em relação à selecção nacional e todos se lembrarão de ti no auge das tuas faculdades. Deixa uma boa imagem como herança. As lendas nunca se esquecem.
Relativamente ao segundo pedido, encara como um conselho. Foram anos e anos de profissionalismo, sempre ao mais alto nível. Pondera um descanso. Passa mais tempo com a família. Segue o exemplo do Sá Pinto e procura uma especialização num Mestrado Executivo, como Marketing Desportivo. Aprende outras matérias. Aproveita para escrever a tua biografia futebolística.
A sério, tira um ano sabático. Não queiras ser porta estandarte de ciclos empresariais. Deves ser superior a manobras mesquinhas e, neste momento, estás a ser usado por interesses alheios. O clube merece processos de escolha transparentes, tu necessitas de companhias dignas e nós, adeptos, só queremos respeito. Por favor, não sejas o "escudo" de ninguém. Esperámos por ti doze anos. Não é num ano que te vamos esquecer.

sexta-feira, 21 de março de 2008

#7 Prospecção: Thiago Neves

Nome completo
Thiago Neves Augusto
Data de nascimento
27.02.1985 (23 anos)
Nacionalidade
Brasileira
Altura: 1,82m
Peso: 70kg
Posição
Médio ofensivo


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos
Brasileirão 2007 - 29J / 13G
Copa Libertadores 2008 - 3J / 1G
(a decorrer 1.ª fase)

[Dados da carreira] Edição - Clube
2006 Vegalta - Nihon-League 2 (Empr.) 35J / 8G
2005 1.ª divisão - Paraná 26J / 4G

No final da presente época, Rui Costa vai pendurar as botas e a imprensa desportiva não perde tempo a adiantar o seu provável sucessor: Thiago Neves, o Maestro Tricolor. O n.º 10 brasileiro está ao corrente do interesse encarnado, mas os responsáveis do Fluminense contam com o jogador para lutar pela conquista da Taça dos Libertadores, que se prolonga até Junho.
Afinal, que tipo de jogador é Thiago Neves? Estamos perante um médio ofensivo canhoto, capaz de pisar terrenos típicos de um n.º 10 clássico, mas que pode facilmente descair para as faixas. Destaca-se pelo magnífico controlo de bola, precisão de passe e leitura de jogo. Quando surge perto da área, torna-se mais desequilibrador, quer através do passe de ruptura, quer através do remate colocado.
Trata-se, sem dúvida, de um jovem de enorme talento, mas o elevado custo do seu passe - fala-se em 8 milhões de euros - e a concorrência de outros clubes europeus, dificultam a margem negocial do Benfica. Seria, no entanto, uma contratação com o carimbo de qualidade.


Fonte: ZeroZero e Fluminense Site Oficial

terça-feira, 18 de março de 2008

Organograma funcional da Benfica Futebol SAD

organograma s.m.
representação gráfica da organização de uma instituição ou serviço, que indica os seus elementos constitutivos e as relações existentes entre eles.

A repartição de funções pelos vários departamentos da Sociedade no quadro do processo de decisão empresarial é baseada no seguinte organograma funcional da Benfica Futebol SAD:

Fonte: Relatório e Contas da SAD relativo ao ano de 2006/2007

(clicar para aumentar)

Peço desculpa pela imagem não estar muito visível, mas irei tentar melhorar esse aspecto. Sugiro que abram uma nova janela para melhor observarem a representação gráfica actual da Benfica Futebol SAD. Adiante.
Se quanto às Áreas de Suporte não há nada a contestar, resulta lógico que o Futebol Profissional e de Formação encontra-se demasiado dependente da visão pessoal de Luís Filipe Vieira. Sendo certo que as decisões mais relevantes, em matéria desportiva, são tomadas no âmbito da direcção da SAD, creio que neste ponto há espaço para a crítica e para uma reformulação no quadro do processo de decisão empresarial. Ao futebol, actividade "core business" dos clubes transformados em Sociedades Anónimas Desportivas, exige-se a criação de uma estrutura profissional, descentralizada por departamentos e hierarquicamente disciplinada.
Então qual o organograma que melhor serve os propósitos de um clube com a dimensão do Sport Lisboa e Benfica? Para já, sem adiantar nomes, a minha concepção encontra-se ilustrada na imagem que se segue:

(clicar para aumentar)

Teoricamente, parece-me que estamos perante uma organização mais consentânea com os pergaminhos do clube. Por aquilo que a imprensa desportiva tem noticiado, o organograma funcional da Benfica Futebol SAD poderá corresponder a este cenário. Na minha opinião, seria um rumo a seguir.
Para que, na prática, a hipótese se concretize, Luís Filipe Viera terá de manifestar a humildade suficiente para atribuir responsabilidade a orgãos mais competentes e a sabedoria certa para gerir todo o processo de reformulação. Não que isso signifique a total ausência nas matérias relacionadas com o futebol, mas faço votos para que o presidente tenha o bom senso de limitar a sua influência nas grandes decisões e imponha as suas virtudes na implementação de novos projectos. O Canal Benfica surge-me como o desafio mais premente.
Face à representação gráfica actual, teríamos três novas áreas ou departamentos funcionais: Administração do "core business", Direcção Desportiva e, para concluir, a Direcção de Prospecção, como orgão de "staff". Enquanto os orgãos de linha são unidades de trabalho com poder de decisão, a Direcção de Prospecção, a cargo de Rui Águas, presta assessoria ou desenvolve actividades específicas para o titular do orgão a que se ligam.
E quanto a nomes? Quais as figuras que preenchem requisitos de excelência? Bem, ainda estamos em fase de reflexão e há que aguardar, pacientemente, por novidades. Tenho as minhas preferências mas, sem querer especular, gostaria de comunicar a minha verdade sobre o que poderá acontecer: na Administração do Futebol, Humberto Coelho; na Direcção Desportiva, tal como tem vindo a ser comentado ao longo dos últimos meses, Rui Costa; na Direcção de Prospecção mantém-se Rui Águas. Três gerações de benfiquistas para transmitir a tão falada mística e dar suporte de confiança e serenidade ao coordenador do futebol encarnado. E quanto ao treinador? Provavelmente a palavra certa até seria manager. Carlos Queiróz poderia muito bem ser a peça que falta para preencher o puzzle 2008/09.

segunda-feira, 17 de março de 2008

#6 Prospecção: Darío Cvitanich

Nome completo
Darío Cvitanich
Data de nascimento
16.05.1984 (23 anos)
Nacionalidade
Argentina
Altura: 1,75m
Peso: 67kg
Posição
Avançado móvel


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Clausura 2008 - 5J / 5G (444)

[Dados da carreira] (suplente utilizado)
2006/07 Banfield 19J (6) / 10G
2005/06 Banfield 11J (10) / 5G
2004/05 Banfield 2J (10) / 3G

Procuram um avançado móvel, com sentido de baliza e capaz de oferecer complementaridade a um ponta-de-lança fixo? Darío Cvitanich apresenta condições para constar de uma lista de prospecção dos clubes europeus. A estatística fala por si: no torneio Clausura 2008, leva 5 golos em igual número de jogos.
O argentino aproveita bem os espaços vazios e denota inteligência de movimentos perto da área. Fisicamente ágil, foge bem às marcações e, embora sem poder de choque, sabe cabecear a preceito.
Ainda jovem (23 anos), tem margem de evolução, joga numa equipa mediana (Banfield) e o custo do seu passe não é proibitivo. Assim o descubram antes que a cobiça de River Plate ou Boca Juniors se concretize.
Para melhor conhecerem Darío Cvitanich, digitem o seu nome no campo de pesquisa do YouTube. O resultado são golos. Para já, aqui ficam dois vídeos referentes a partidas disputadas no corrente mês.


Fonte: ZeroZero e Planeta do Futebol

#5 Prospecção: Stefan Lichtsteiner

Nome completo
Stefan Lichtsteiner
Data de nascimento
16.01.1984 (24 anos)
Nacionalidade
Suiça (Internacional A)
Altura: 1,81m
Peso: 78kg
Posição
Defesa direito


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
La Ligue - 26J / 5G (2.222)
Coupe de France - 2J / 1G (230)
Coupe de la Ligue - 1J / 0G (184)

[Dados da carreira]
2006/07 Lille 24J / 0G (1.658)
2005/06 Lille
2004/05 Grasshoppers
2003/04 Grasshoppers
2002/03 Grasshoppers

Dia 15 de Junho, a Suíça, co-anfitriã do Euro 2008™, encerra a participação no Grupo A diante de Portugal, em Basileia, naquele que será o primeiro duelo entre os dois países numa grande competição internacional. Será uma boa oportunidade para observar Stefan Lichtsteiner, dono do corredor direito da equipa francesa do Lille. Internacional A, destacou-se ao serviço do Grasshoppers e esta temporada tem revelado especial apetência pelas redes adversárias. O FC Porto encontra-se à espreita:
O defesa-direito do Lille, Lichtsteiner, é apontado como desejado pelo FC Porto para a próxima temporada. O site Tuttomercato noticiou, ontem, um possível interesse dos dragões no jogador suíço de 24 anos, que tem contrato até ao final da temporada 2008/09.
Muito dificilmente Jesualdo Ferreira contará com José Bosingwa para a época seguinte, graças ao constante assédio por parte de clubes da Premier League. A visibilidade do Euro 2008™ pode significar a concretização do negócio, ficando a SAD do FC Porto com vários milhões para colmatar a perda desportiva. Stefan Lichtsteiner será, concerteza, um dos nomes em cima da mesa.


Fonte: ZeroZero e Lille Site Oficial

sábado, 15 de março de 2008

#1 Ao Raio-X: Vitória de Guimarães

Renascimento da cidade berço


Direcção estável. Equipa técnica competente. Plantel formado por jogadores de qualidade. Massa associativa fiel e apaixonada. Uma cidade que ama, incondicionalmente, o seu clube.


História de prestígio

Na cidade que viu nascer Portugal, o Estádio D. Afonso Henriques liga as memórias da história com o orgulho do presente. Reduto de vimaranenses, afonsinos ou conquistadores, palco do Vitória Sport Clube, também conhecido como Vitória de Guimarães, ali mora o monumento de um futuro que se espera brilhante.
Determinado em prosseguir essa história e acrescentar-lhe novos capítulos de sucesso, o Vitória Sport Clube procura hoje um projecto de renovada ambição, tendo como principal suporte a fidelidade e apoio dos seus muitos associados e adeptos. Conseguirá a cidade de Guimarães voltar a fazer história?

O conquistador do séc. XXI

Para escrever o currículo desportivo de Manuel Cajuda seriam precisas páginas e páginas de papel A4. São 25 anos de carreira e 430 jogos na divisão principal do futebol português, feito que engrandece o percurso de um homem que ousa disputar os lugares de inspiração olímpica.
Por trás de uma máscara exibicionista, esconde-se um treinador competente capaz de aliar teorias do futebol moderno a uma vivência prática de muitos anos. De postura algo polémica e discurso desafiante, o seu modelo de jogo assenta num 4x2x3x1, mas em determinadas circunstâncias existe a sabedoria táctica para procurar esquemas alternativos.
Depois de uma passagem elogiada em Braga, rival minhoto do V. Guimarães, o desafio actual será elevar a fasquia de um clube que deseja intrometer-se na zona das medalhas. A tarefa não se afigura fácil, mas a esperança vive no espírito de conquista de Manuel Cajuda, como se levasse nas mãos a espada do rei fundador.

Artistas do futebol espectáculo

Se o Estádio D. Afonso Henriques fosse uma sala de cinema, o relvado representaria um ecrã panorâmico 16x9 e aos jogadores estaria destinado o protagonismo de um belo filme de futebol.
Aliás, mais importante do que a táctica, vista de forma estática, merece destaque a qualidade técnica de algumas individualidades. Manuel Cajuda soube conciliar a ordem com a mobilidade e improviso dos maiores talentos, respeitando a imagem de um clube habituado à prática de bom futebol.
Como seria de esperar, o "sucesso de bilheteira" tem mais hipóteses de ser atingido quando na presença de óptimos executantes. No sector mais recuado, Geromel distingue-se pela forma como pisa o tapete verde e passeia a sua classe com a bola nos pés. Adivinha-se uma carreira promissora.
Na zona intermediária, graças à liderança de Flávio Meireles, outros talentos encontram espaço para soltar o seu futebol: João Alves, Desmarets e Fajardo, jogador dinâmico e talhado para desequilibrar em qualquer metro quadrado de terreno.
No ataque, o melhor marcador dá pelo nome de Miljan Mrdakovic. Em seu auxílio, referência positiva para Alan e menção honrosa para o argelino Ghilas, vindo do Cannes, uma das supresas da bwin Liga.

O pentágono reforçado por dois quadrados

Quando Manuel Cajuda afirma que o V. Guimarães não tem modelo de jogo, poder-se-ia pensar que o menor enfoque nas questões tácticas revela algum tipo de desconhecimento ou preconceito. Todo o contrário. O diagnóstico desse discurso humorístico aponta para uma forma irónica de gerir "mind games", como se houvesse um especial prazer em provocar momentos de ilusão.
A verdade é que o treinador algarvio aprecia jogos de estratégia e manuseia habilmente diversos conceitos de geometria. A sua forma de jogar assenta, preferencialmente, no 4x2x3x1 como esquema habitual:

A disposição dos jogadores segue predicados posicionais, obedecendo a uma ideia de esqueleto central como forma de garantir equilíbrio entre os vários sectores. Porém, na prática, são as diferentes dinâmicas individuais e colectivas que dão colorido e movimento ao modelo.
No V. Guimarães, é normalmente o trio da zona de construção que oferece essa imprevisibilidade. A imagem seguinte representa o exemplo dessa metamorfose:

Precisamente uma das razões do sucesso deste V. Guimarães prende-se com a facilidade dos jogadores dominarem grande parte dos princípios de jogo associados ao sistema principal, abrindo a possibilidade da equipa aceitar "nuances" estratégicas ou enraizar novas variantes tácticas.
O esquema seguinte ilustra um claro exemplo dessa maleabilidade táctica, pois a polivalência e versatilidade dos centrocampistas permite construir a figura geométrica do losango:

Consolidação como 4.º grande

Para além dos normais candidatos ao título, apenas Belenenses, em 1945/46 e Boavista, na época 2000/01, conseguiram alcançar o troféu mais apetecido. Juntamente com Académica, Sp. Braga e V. Setúbal, por exemplo, o V. Guimarães faz parte daqueles clubes que entusiasmaram gerações de adeptos e marcaram um período de maior fulgor na história.
Na presente temporada, o Vitória Sport Clube tem dado passos certos no caminho da visibilidade, mas as derrotas recentes na bwin Liga, frente a Benfica e Nacional, vieram quebrar o sonho da champions league. Para suplantar o degrau da maturidade, falta controlar melhor a ansiedade e saber lidar com a pressão. Só assim será possível transformar o sonho de crescimento em realidade.