A equipa russa escreveu esta quinta-feira uma página dourada da sua história, já que deixou pelo caminho o poderoso Bayern de Munique de Ribéry, Klose, Podolsky, Toni e C.ª. Antes de comentar as incidências da partida, proponho um breve apontamento sobre o duelo inglês de Stamford Bridge. Não tive oportunidade de seguir a outra meia-final, entre Glasgow Rangers e Fiorentina.Quanto ao Chelsea-Liverpool, sou levado a concordar com a opinião da generalidade da imprensa: o equilíbrio foi nota dominante, mas desta feita a fortuna sorriu à equipa londrina depois de, num passado recente, ter sido prejudicada pelo polémico golo fantasma, ainda Mourinho liderava os destinos dos Blues. Por falar no "Special One", esta vitória também lhe pertence. Foi o treinador português que escolheu estes jogadores e criou esta equipa. O Chelsea não ganhava o título nacional há 50 anos e era como que o Belenenses lá do sítio. Foi José Mourinho que deu expressão ao futebol dos Blues e permitiu que, agora, Avram Grant recolha os louros.
De resto, a eliminatória valeu pelos 30 minutos do prolongamento, quando as equipas se libertaram de amarras tácticas e encararam o desafio de peito aberto. Os golos foram aparecendo e o espectáculo ganhou intensidade. Provou-se que o Chelsea está em melhor forma e demonstrou maior eficácia nos momentos decisivos. Posto isto, voltemos ao assunto da crónica.
Penso que ninguém esperava uma vitória da equipa russa por números tão expressivos, mas desde os dezasseis-avos-de-final, quando ultrapassaram o Villarreal, que fiquei de olho neste Zenit St. Petersburg. Depois da equipa espanhola, seguiram-se Marselha e Bayer Leverkusen. A meu ver, o favoritismo do Bayern de Munique esfumou-se no jogo da 1.ª mão - empate a uma bola - apesar de estar bem viva a forma como a equipa alemã ultrapassou o obstáculo chamado Getafe. A goleada provou que um misto de eficácia e concentração foi mais do que suficiente para contrariar qualquer tentativa de reacção.
No início da campanha europeia, o nome mais sonante do conjunto russo seria concerteza Dick Advocaat. O treinador holândes já tinha passado por PSV Eindhoven e Glasgow Rangers, curiosamente o adversário da final. Para além dessas experiências mais relevantes, em termos de clubes, chegou a ser seleccionador do seu país (de 1993-1995 e 2002-2004), tendo liderado os destinos de Emiratos Árabes Unidos e Coreia do Sul, antes de partir para a aventura russa. Por conseguinte, há alguns meses, a estrela mais cintilante nem pisava o rectângulo de jogo.
Depois desta caminhada fantástica, as estrelas surgem, agora, no relvado. Um dos jogadores que mais se tem destacado é Andrei Arshavin. Trata-se de um n.º 10 talentoso, eleito melhor jogador russo em 2006, tendo falhado o jogo da 2.ª mão devido a castigo. De qualquer modo, a qualidade começa na baliza. Malafeev é um digno representante da escola soviética e séria opção para defender as redes da selecção russa no Euro 2008. No quarteto defensivo, à direita, Anyukov deu nas vistas pela forma como domina as transições pelo seu corredor. Daí para a frente, Fayzulin, Denisov e o argentino Dominguez, ex-River Plate, são jogadores de grande qualidade e bem referenciados junto dos grandes emblemas europeus. Para finalizar, o surpreendente Pogrebnyak, actual melhor marcador da Taça UEFA, com 11 golos.
O futebol russo encontra-se em bom momento, graças à união de dois vectores: por um lado, a crescente capacidade de investimento que engorda os orçamentos dos principais clubes; por outro lado, a formação continua a marcar pontos, mantendo-se fiel a predicados científicos de uma escola muito valorizada no passado. O Zenit St. Petersburg já supreendeu o mundo do futebol e, daqui para a frente, devemos estar ainda mais atentos ao fenómeno, incluindo a possibilidade de encarar oportunidades na prospecção.








