domingo, 11 de maio de 2008

Até sempre Maestro

Devo-te, em grande parte, a minha paixão pelo futebol. A tua carreira é um retrato da mística benfiquista: contigo aprendi o significado e importância de vestir aquela camisola, contigo partilhei algumas tristezas e desencantos, contigo chorei de alegria e presenciei inúmeros golos maravilhosos. Ontem, lá estive para me despedir, desejar-te as maiores felicidades e agradecer-te por tudo. Até sempre Maestro.





sexta-feira, 9 de maio de 2008

A singularidade do guarda-redes

Aviso que o texto é longo. Talvez fosse oportuno imprimir para ler mais tarde, talvez nos tempos livres. Como definir um guarda-redes moderno? Será que o dono da baliza, o jogador solitário, faz parte dos sistemas defensivo e ofensivo? Comecemos com alguma revisão de literatura.
Na sua coluna semanal, Rodrigo Azevedo Leitão oferece pistas interessantes. Na sua opinião, o guarda-redes deixou de ter a função que lhe dera origem (proteger a baliza, defendendo-a com qualquer parte do corpo em sua área de acção) e passou também a desempenhar um importantíssimo papel na organização tática defensiva e ofensiva de uma equipa. Em termos de dinâmica, o autor considera que as equipas que estão sendo pressionadas recorrem, muitas vezes, ao guarda-redes como ponto de apoio, para fazer a bola girar de um lado para o outro do campo, deslocando a marcação adversária.
Também Luís Freitas Lobo debruça a sua atenção ao que denomina o estranho mundo dos guarda-redes. No seu entender, o guarda-redes é um solitário. Não tem companheiros directos de sector mas há muito que a sua importância, em termos de participação e influência no jogo, cresceu para lá das defesas milagrosas. O conhecido analista português define o que se espera de um guarda-redes moderno. Quando a equipa tem a bola, é mais um jogador. Quando a perde, tem de lhe conseguir dar pelo menos 20 metros de risco para estar subida pois, nesse momento, é ele quem lhe protege as costas. Tornou-se um jogador de equipa de corpo inteiro. Quem não tiver um com estas duplas características, fica desde logo muito limitado, não a defender, mas sobretudo a atacar.

Historicamente, em termos de estilo, existem diferenças significativas. Nas palavras de Luís Freitas Lobo podem-se distinguir: a latina, a de Leste, a britânica e a do Norte da Europa, cada uma com o seu estilo, mas todas distantes do exotismo da escola sul-americana. Aproveitemos o contributo de Luís Freitas Lobo, para fotografar algumas delas.

Em primeiro lugar, para citar um bom exemplo, a escola italiana revela excelente posicionamento, agilidade e capacidade de orientar a defesa. Morfologicamente, são de baixa estatura, mas compensam essa suposta inferioridade através de uma agilidade felina.
Por sua vez, a escola de Leste criou o mito do guarda-redes frio, quase glaciar. O ponto fraco dos gigantes de Leste acaba por estar na saída a cruzamentos. Muitas vezes, calculam mal o tempo de saída e as redes ficam desertas.
Em Inglaterra, é inevitável falar de Gordon Banks. Sóbrio, mas com um poder de impulsão invulgar, realizou a mais famosa defesa de todos os tempos, no Mundial'70, ao defender, junto à relva, um forte cabeceamento, de cima para baixo, executado por Pelé.
Pelo contrário, a América do Sul preconiza uma forma diferente de sair da baliza. A partir dos anos 60, todos os guarda-redes europeus saem em queda aos pés do avançado, colocando lateralmente o corpo. Na América do Sul, saem de joelhos com o corpo na vertical. Depois, que dizer de René Higuita, o louco guarda-redes colombiano que assombrou pela forma como tentava o drible e lançava o ataque.
Por fim, breves palavras para a escola africana. No Mundial'82, N'Kono defendia bolas incríveis, para depois deixar escapar outras inofensivas. A sua originalidade estava na forma imóvel como ficava, de braços caídos, quando um avançado lhe aparecia pela frente isolado.

Na generalidade, concordo com a argumentação de Luís Freitas Lobo.
Contudo, a questão que gostaria de colocar é a seguinte: será que um treinador, ou responsável desportivo, quando avança para a contratação de um guarda-redes decide, apenas e só, com base nas suas qualidades individuais? Ou, pelo contrário, projecta a imagem do guarda-redes como um elemento fundamental para a implementação dos princípios de jogo colectivos?

Imaginemos o treinador de um clube habituado a lutar pela conquista de títulos. À partida, na maioria dos jogos, essa equipa gere a posse de bola, controla (domina) os acontecimentos e instala-se no meio-campo adversário. A defesa, ao subir no terreno, aumenta a distância que a separa do guarda-redes e um dos perigos visíveis são os passes em profundidade que colocam a bola nas costas da defesa. Para preencher esse espaço vazio impõe-se o adiantamento do guarda-redes para perto da entrada da área. Tal exige leitura de jogo atenta, velocidade e bom jogo de pés, para chegar primeiro à bola que o avançado, numa zona onde é proibido jogar com as mãos. Fazendo novamente referência a Luís Freitas Lobo, é o que ele chama de guarda-redes líbero.
No caso de uma equipa de menores ambições, a realidade pode ser completamente diferente. Normalmente, é privilegiado um bloco médio-baixo, de linha defensiva recuada e sectores bem unidos, quer com duas linhas de quatro homens, quer deixando um único homem à espreita do contra-ataque. Nesta situação, outros atributos são exigidos ao guarda-redes: familiaridade nas saídas a cruzamentos, comando de área e reposição, da bola em jogo, rápida e precisa. Em suma, tem de transmitir a sensação de encher a baliza. É sobre este último ponto que gostaria de apresentar um exercício de prospecção.

Quando penso nas qualidades individuais de qualquer guarda-redes, há certos atributos - psicológicos (concentração competitiva, determinação, entre outros) e físicos (agilidade, velocidade, força) - que teriam cabimento para um jogador de campo. Porém, se falarmos de característica técnicas, o caso muda de figura. A um guarda-redes exige-se, sobretudo: comando de área, comunicação, jogo de mãos, pontapé longo, reflexos e saídas a cruzamentos. Por sua vez, a envergadura física desempenha factor distintivo. Neste sentido, o meu trabalho de prospecção incide sobre guarda-redes de altura superior a 1,90 metros. Daqueles que, em linguagem popular, são denominados de "polvos gigantes". Aqui ficam 10 personalidades de vários pontos do mundo, por ordem crescente de estatura.

Nome completo
Austin Ejide
Clube
Bastia
Data de nascimento
08.04.1984 (24 anos)
Nacionalidade: Nigéria
Altura: 1,90m
Peso: 98kg

Nome completo
Yohann Pelé
Clube
Le Mans
Data de nascimento
04.11.1982 (25 anos)
Nacionalidade: França
Altura: 1,92m
Peso: 79kg

Nome completo
Stipe Pletikosa
Clube
Spartak Moscovo
Data de nascimento
08.01.1979 (29 anos)
Nacionalidade: Croácia
Altura: 1,93m
Peso: 83kg

Nome completo
Artur Boruc
Clube
Celtic Glasgow
Data de nascimento
20.02.1980 (28 anos)
Nacionalidade: Polónia
Altura: 1,93m
Peso: 88kg

Nome completo
Maarten Stekelenburg
Clube
Ajax
Data de nascimento
22.09.1982 (25 anos)
Nacionalidade: Holanda
Altura: 1,94m
Peso: 84kg

Nome completo
Márton Fulop
Clube
Sunderland
Data de nascimento
03.05.1983 (25 anos)
Nacionalidade: Hungria
Altura: 1,97m
Peso: 92kg

Nome completo
Fabio Coltorti
Clube
Racing Santander
Data de nascimento
03.12.1980 (25 anos)
Nacionalidade: Suiça
Altura: 1,97m
Peso: 96kg

Nome completo
Andreas Isaksson
Clube
Manchester City
Data de nascimento
03.10.1981 (26 anos)
Nacionalidade: Suécia
Altura: 1,97m
Peso: 78kg

Nome completo
Azmir Begovic
Clube
Portsmouth
Data de nascimento
20.06.1987 (20 anos)
Nacionalidade: Canadá
Altura: 1,98m
Peso: 83kg

Nome completo
Zeljko Kalac
Clube
AC Milan
Data de nascimento
16.12.1972 (35 anos)
Nacionalidade: Austrália
Altura: 2,02m
Peso: 95kg

Em termos internacionais, o registo do provável top 3 mostra guarda-redes de elevada estatura física: Iker Casillas (espanhol, Real Madrid, 26 anos e 185cm), Gianluigi Buffon (italiano, Juventus, 30 anos e 188cm) e Petr Cech (checo, Chelsea, 25 anos e 196cm).
Em Portugal, a tradição mostrava guarda-redes com menos centímetros, mas a tendência actual vai no sentido de seguir os padrões europeus. Na presente época, um dos melhores a defender as redes é português: Quim (184cm e 74kg). Já o menos batido da bwin Liga é brasileiro: Helton (189cm e 84kg). Destaque, ainda, para: Rui Patrício (188cm e 84kg), Eduardo (187cm e 84kg), Peter Jehle (187cm e 81kg) e Beto (180cm e 80kg). Em comum o facto de todos apresentarem valores acima dos 180cm.

Voltemos à análise de prospecção. Alguns dos nomes referidos, como Artur Boruc, Maarten Stekelenburg e Andreas Isaksson, representariam um investimento elevado, provavelmente só ao alcance dos denominados três grandes.
Quanto aos outros, mais ou menos desconhecidos, exceptuando o experiente Zeljko Kalac, podem ser encarados como uma possível oportunidade de negócio para os chamados clubes de 2.ª linha. Por um lado, porque o esforço financeiro não seria tão avultado. Por outro lado, porque algumas das contratações poderiam funcionar mediante a forma de empréstimos. Neste âmbito, poderia citar mais dois exemplos interessantes, quer pela juventude associada, quer pelo valor do passe: Dmytro Nepogodov (ucraniano, Marselha B, 21 anos e 196cm) e Samir Handanovic (bósnio, Udinese, 23 anos e 192cm).
Informo que não conheço detalhadamente alguns dos nomes que têm vindo a ser referidos. O meu objectivo foi identificar guarda-redes específicos para um modelo de jogo eventualmente mais defensivo e preparado para lances de bola parada. Neste sentido, procurei reunir dados estatísticos e pesquisar informação que completasse a análise. Poderíamos considerar este trabalho como o 1.º passo de prospecção. A fase seguinte já exigiria uma abordagem financeira e observações ao vivo.

terça-feira, 6 de maio de 2008

[Mercado Argentino] Procuram um n.º 10?

A camisola 10 exerce um fascínio especial. No relvado, a quem a veste. Nas bancadas, a quem a segue como esperança de bom futebol. No entanto, quase todas as crianças, nas peladinhas de rua, ou nos actuais laboratórios de formação, querem marcar golos. Vestir a camisola n.º 9 é sinónimo de explosão de alegria na plateia. A camisola n.º 10 é diferente. Existe de todos os tamanhos, mas só serve a um jogador: o melhor da equipa. Apelidado de último romântico, o n.º 10 é aquele que, a cada toque, cada passe, cada remate, liberta fogo de artifício. Em suma, que promove o futebol espectáculo.
Actualmente, cada vez mais o n.º 10 clássico esconde o sorriso e perde o encanto. Para respirar, necessita de espaço. Para viver, precisa da bola. Mercê das encruzilhadas tácticas, o futebol mudou. Antes, procurava-se o jogador de classe que imaginava o passe de ruptura decisivo. Hoje, enaltece-se as qualidades do pivot que realiza o 1.º momento de transição.
Neste aspecto, Rui Costa foi sempre um homem que transportou magia. Domingo, dia 11 de Maio, teremos a oportunidade de nos despedirmos de do atleta e de todo o significado da sua camisola. Resta saber se existe no actual plantel do Benfica quem substitua o maestro.
Um dos n.º 10 mais famosos de todos os tempos foi Diego Armando Maradona. Na Argentina, ainda resiste a tradição deste talento puro, com protagonistas a quererem lutar contra as amarras do futebol moderno. Talvez um desses sobreviventes seja o sucessor de Rui Costa.
No FC Porto, o contingente argentino tem encantado o dragão, mas curiosamente falta quem vista a camisola mítica. Senão, vejamos: o n.º 6 é interpretado por Mário Bolatti; El Comandante Lucho é um n.º 8 típico, Mariano González, colocado nos flancos, poderia vestir o n.º 7 ou o n.º 11; Lisandro idem, apesar de ser o goleador de serviço; por fim, Ernesto Farías é o n.º 9. Na dimensão europeia, sabe-se que Jesualdo Ferreira procura um 4x4x2 mais competitivo. Falta-lhe, porém, um quarto médio de inegável qualidade. Porventura, um n.º 10 de valor inquestionável que aumente a família argentina.
Proponho o seguinte: apresentar alguns dos mais talentosos n.ºs 10, tomando como referência o Torneio Clausura 2008 (até à 13.ª jornada). Como exemplo, deixo o trabalho de análise que se segue, como se fosse um mero exercício de prospecção. Para começar, que tal Juan Román Riquelme?

Nome completo
Juan Román Riquelme
Clube
Boca Juniors
Data de nascimento
24.06.1978 (29 anos)
Altura: 1,82m
Peso: 75kg
Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Clausura 2008 - 8J / 1G (698)

Nome completo
D´Alessandro
Clube
San Lorenzo
Data de nascimento
15.04.1981 (27 anos)
Altura: 1,74m
Peso: 68kg
Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Clausura 2008 - 10J / 3G (572)

Nome completo
Dámian Escudero
Clube
Vélez Sársfield
Data de nascimento
20.04.1987 (21 anos)
Altura: 1,74cm
Peso: 79kg
Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Clausura 2008 - 13J / 1G (950)

Nome completo
Daniel Montenegro
Clube
Independiente
Data de nascimento
28.03.1979 (29 anos)
Altura: 1,72cm
Peso: 76kg
Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Clausura 2008 - 13J / 7G (1.160)

Nome completo
Maximiliano Moralez
Clube
Racing Club
Data de nascimento
27.02.1987 (21 anos)
Altura: 1,60cm
Peso: 54kg
Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Clausura 2008 - 12J / 2G (1.003)

Estes são alguns dos notáveis que carregam a responsabilidade da camisola que envergam. Na maioria das ocasiões, deles depende o poder de decidir partidas e manter acesa a paixão dos adeptos. No entanto, poderia citar outros jogadores: Dámian Díaz (22 anos, Rosário Central); Nicolás Gianni (25 anos, Argentinos Juniors); Pedro Gálvan (22 anos, San Martín); Martín Morel (25 anos, Tigre); e, por fim, Latauro Acosta (20 anos, Lanús).
E se estivéssemos perante o cenário de encontrar o substituto de Rui Costa? Obviamente, tal decisão dependeria sempre do treinador e modelo de jogo implícito às suas convicções.
De qualquer modo, confesso que me agradaria imenso a ideia de ver Riquelme de águia ao peito. Julgo que encaixaria bem no 4x4x2 losango, na posição de vértice mais avançado. As suas exibições no Villarreal não estão esquecidas.
Para um tipo de futebol menos pausado e apoiado, a solução poderia passar por D´Alessandro. Trata-se de um n.º 10 que também organiza e assiste os seus companheiros, mas que se destaca por ser mais explosivo nas suas acções, não deixando de finalizar a preceito.
Outro jogador que tem dado nas vistas no Torneio Clausura dá pelo nome de Dámian Escudero. Ainda bastante jovem, tem correspondido bem e já desperta o interesse de vários emblemas europeus. Adapta-se bem ao 4x4x2 losango, quer na interior esquerda, quer como vértice ofensivo.
Quem não se cansa de marcar e ser decisivo é Daniel Montenegro. Com 7 golos em 13 jogos, é o 2.º melhor marcador do Independiente, logo atrás de Germán Denis que leva 8 tiros certeiros. A título de curiosidade, refira-se que Montenegro chegou a fazer dupla com Lucho González: no Huracán, em 2001/02 e no River Plate, na temporada seguinte.
Contudo, no meio de todos estes nomes, se tivesse que escolher um n.º 10 para o Benfica, olhando para critérios de idade - qualidade (potencial) - valor do passe, a minha escolha recaíria sobre Maxi Moralez. Em 2007, no Mundial Sub-20 disputado no Canadá, o seu desempenho foi muito apreciado: 4 golos em 7 jogos. Refira-se que foi titular na final frente à Rep. Checa (Dí Maria não saíu do banco), tendo a vitória sorrido à Argentina por 2-1, com golos de Mauro Zárate e Sergio Aguero. Posteriormente, acabou por ser o FC Moscovo a ganhar a corrida: o jogador assinou um contrato de 5 anos e o Racing Club recebeu 5 milhões de euros. A sua carreira conhece agora um impasse, pois esta temporada voltou - por empréstimo - ao local de origem.
Não deixaria de ser interessante ter a oportunidade de seguir um destes nomes nos relvados portugueses. Quem sabe, já na época 2008/09. Da minha parte, o destaque está dado.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Carta aberta a Luisão

Luisão: «Estou farto de me esforçar e sair a ouvir vaias»
Central desiludido com a reacção dos adeptos equaciona deixar a Luz

"Fico chateado pois estou farto de me esforçar e sair a ouvir vaias. Agora, só estou concentrado em ganhar o último jogo mas, no final da temporada, vou ver as opções com a direcção... Se houver uma boa solução para as duas partes vamos analisá-la", refere o brasileiro.

Caro Luisão,

O senhor está farto de ouvir vaias e nós, adeptos, estamos fartos da vossa incompetência. Tem consciência que frente aos primeiros da bwin Liga - refiro-me a FC Porto, Sporting e Vitórias - apenas venceram uma partida, por sinal em Guimarães? Sabem há quanto tempo não vencem um clássico? Foi no dia 1 de Dezembro de 2006: vitória em Alvalade, por 2-0. E sabe quando foi a última alegria caseira? Foi no dia 26 de Fevereiro: vitória 1-0, frente ao FC Porto, com golo de Laurent Robert. Portanto, read my lips: há mais de 2 anos que não conseguem vencer os principais rivais no Estádio da Luz.
Falemos da presente temporada. Temos razões para sorrir? Fomos eliminados, prematuramente, na Carlsberg Cup e na Taça de Portugal o desfecho foi humilhante. Também a Uefa Cup não apresenta motivos para nos orgulharmos e o actual 4.º lugar só vem confirmar o desastre desta época. Volto a repetir: se o senhor está farto de ouvir vaias, nós estamos fartos do vosso rendimento e, pior, da vossa atitude.
Quero-lhe dizer o seguinte: não sou ingrato, senhor Luisão. Não esqueço o desempenho que teve noutras épocas e irei sempre agradecer-lhe aquela cabeçada decisiva que nos garantiu o título, onze anos depois. Obviamente que a conquista em 2004/05 não passou só por si, mas o seu papel revelou-se fundamental.
Agora, claro que o meu azedume é notório. No entanto, não pretendo acusá-lo de todos os problemas do Sport Lisboa e Benfica. O descalabro tem rosto próprio, bigode e não me estou a referir a Chalana. O que o senhor Luisão tem de compreender é que não está acima da equipa. As vaias não foram exclusivas para si, mas antes orientadas para o colectivo, percebeu? Ainda assim...e se fossem? Quando se trata de apontar o dedo a um colega de equipa - Katsouranis - não lhe vimos qualquer tipo de remorso. Teve azar, porque o grego não baixou a cabeça e reagiu ao seu mau temperamento. É muito mais confortável refilar e criticar, certo? Contudo, quando se dá o efeito boomerang, o senhor já não gosta, faz birra e ameaça ir-se embora.
Em meu entender, o senhor é um defesa central acima da média, mas longe de ser brilhante. Sabe porquê? Porque as suas qualidades esgotam-se no carácter de liderança e no à-vontade em actuar num bloco médio-baixo, graças à facilidade do seu bom jogo aéreo. Porém, quando toca a jogar com a linha defensiva subida, o senhor mostra dificuldades em acompanhar os contra-ataques adversários. Velocidade não é o seu forte. Sair a jogar também não, porque abusa constantemente do passe longo, prejudicando os movimentos de transição. Na marcação, deixa a desejar: é pouco ágil e facilmente ultrapassável. Weldon, do Belenenses, que o diga. E, não é caso isolado. Em suma, o senhor não é um central de topo e duvido que consiga melhor que o 8.º classificado da Premier League.
Olhe, sabe o que lhe digo? O seu tempo no Glorioso está a chegar ao fim. Agradecemos tudo o que nos ofereceu, mas já estamos cansados de ouvir os seus queixumes, semana após semana. Já não há paciência para esta direcção e este plantel. O senhor não é excepção. Por isso, de uma vez por todas, faça um favor a si mesmo: vá beber o seu (mau) vinho para outro lado.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

#12 Prospecção: Pavel Pogrebnyak

Nome completo
Pavel Pogrebnyak
Data de nascimento
08.11.1983 (24 anos)
Nacionalidade
Russa
Altura: 1,88m
Peso: 91kg
Posição
Avançado centro


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Premier Division - 6J / 1G (513)
Russian Supercup - 1J / 1G (90)
Uefa Cup - 15J / 11G (1.275)

[Dados da carreira] Zenit St. Petersburg
2007 Premier Division - 24J / 11G (1.709)
2006/07 Russian Cup - 4J / 2G (201)
Em 50 jogos oficiais pelo Zenit St. Petersbutg, a marca de 26 golos corresponde a uma média de 0.52 por partida.

Nada como aproveitar a embalagem proporcionada pela surpreendente vitória do Zenit St. Petersburg, para conhecer mais detalhadamente o seu goleador: Pavel Pogrebnyak, actual melhor marcador da Taça Uefa, com 11 golos.
Nascido em Moscovo, aos 6 anos deu entrada na formação do Spartak. Em 2001 fez a sua estreia na equipa de reservas, tendo sido escolhido para o plantel principal no ano posterior . Nos anos seguintes, passou pelo FC Baltika Kaliningrad, FC Spartak Moscow (na temporada 2004) e FC Khimki. Por fim, em 2006, já como internacional russo, assinou pelo Zenit St. Petersburg, tendo contrato até 31 de Dezembro de 2009.
No entanto, foi preciso esperar até 2008 para o nome Pavel Pogrebnyak começar a encher as primeiras páginas dos jornais e ser falado entre os amantes do futebol. Não é de estranhar que, para a sua maior visibilidade pessoal, muito tem contribuído a carreira europeia do clube russo. Prevê-se que, nos próximos tempos, alguns emblemas mais consagrados anotem o seu curriculum numa base de dados de prospecção.
Futebolisticamente, este avançado revela atributos muito interessantes. Em primeiro lugar, apresenta uma envergadura física impressionante (1,88m e 91kg), mas nem por isso é um jogador lento ou demasiado fixo na frente. Aliás, é comum vê-lo recuar uns metros, na tentativa de conquistar a posse de bola, soltando-se bem em desmarcações curtas dentro da área adversária, não deixando de procurar espaços vazios. Em segundo lugar, não sendo um avançado explosivo, compensa com velocidade suficiente em progressão, através de passada larga. A recepção é feita, quase sempre, com qualidade elevada, quer seja com os pés, quer com o peito ou a cabeça, quando pressionado pelos defesas contrários. Por fim, a característica que faz de Pavel Pogrebnyak um avançado realmente interessante: o repentismo e facilidade de remate na hora de alvejar as redes contrárias.
Apenas com 24 primaveras completas, vale a pena ficar atento à carreira deste n.º 9 promissor que joga com o 8 nas costas. Uma forma de acompanhar a sua evolução será observá-lo no Euro 2008, onde promete continuar a fazer o que tão bem sabe: golos.


Fonte: ZeroZero e Zenit FC Site Oficial

[Uefa Cup 1/2] Zenit St. Petersburg 4-0 Bayern Munique

A equipa russa escreveu esta quinta-feira uma página dourada da sua história, já que deixou pelo caminho o poderoso Bayern de Munique de Ribéry, Klose, Podolsky, Toni e C.ª. Antes de comentar as incidências da partida, proponho um breve apontamento sobre o duelo inglês de Stamford Bridge. Não tive oportunidade de seguir a outra meia-final, entre Glasgow Rangers e Fiorentina.
Quanto ao Chelsea-Liverpool, sou levado a concordar com a opinião da generalidade da imprensa: o equilíbrio foi nota dominante, mas desta feita a fortuna sorriu à equipa londrina depois de, num passado recente, ter sido prejudicada pelo polémico golo fantasma, ainda Mourinho liderava os destinos dos Blues. Por falar no "Special One", esta vitória também lhe pertence. Foi o treinador português que escolheu estes jogadores e criou esta equipa. O Chelsea não ganhava o título nacional há 50 anos e era como que o Belenenses lá do sítio. Foi José Mourinho que deu expressão ao futebol dos Blues e permitiu que, agora, Avram Grant recolha os louros.
De resto, a eliminatória valeu pelos 30 minutos do prolongamento, quando as equipas se libertaram de amarras tácticas e encararam o desafio de peito aberto. Os golos foram aparecendo e o espectáculo ganhou intensidade. Provou-se que o Chelsea está em melhor forma e demonstrou maior eficácia nos momentos decisivos. Posto isto, voltemos ao assunto da crónica.
Penso que ninguém esperava uma vitória da equipa russa por números tão expressivos, mas desde os dezasseis-avos-de-final, quando ultrapassaram o Villarreal, que fiquei de olho neste Zenit St. Petersburg. Depois da equipa espanhola, seguiram-se Marselha e Bayer Leverkusen. A meu ver, o favoritismo do Bayern de Munique esfumou-se no jogo da 1.ª mão - empate a uma bola - apesar de estar bem viva a forma como a equipa alemã ultrapassou o obstáculo chamado Getafe. A goleada provou que um misto de eficácia e concentração foi mais do que suficiente para contrariar qualquer tentativa de reacção.
No início da campanha europeia, o nome mais sonante do conjunto russo seria concerteza Dick Advocaat. O treinador holândes já tinha passado por PSV Eindhoven e Glasgow Rangers, curiosamente o adversário da final. Para além dessas experiências mais relevantes, em termos de clubes, chegou a ser seleccionador do seu país (de 1993-1995 e 2002-2004), tendo liderado os destinos de Emiratos Árabes Unidos e Coreia do Sul, antes de partir para a aventura russa. Por conseguinte, há alguns meses, a estrela mais cintilante nem pisava o rectângulo de jogo.
Depois desta caminhada fantástica, as estrelas surgem, agora, no relvado. Um dos jogadores que mais se tem destacado é Andrei Arshavin. Trata-se de um n.º 10 talentoso, eleito melhor jogador russo em 2006, tendo falhado o jogo da 2.ª mão devido a castigo. De qualquer modo, a qualidade começa na baliza. Malafeev é um digno representante da escola soviética e séria opção para defender as redes da selecção russa no Euro 2008. No quarteto defensivo, à direita, Anyukov deu nas vistas pela forma como domina as transições pelo seu corredor. Daí para a frente, Fayzulin, Denisov e o argentino Dominguez, ex-River Plate, são jogadores de grande qualidade e bem referenciados junto dos grandes emblemas europeus. Para finalizar, o surpreendente Pogrebnyak, actual melhor marcador da Taça UEFA, com 11 golos.
O futebol russo encontra-se em bom momento, graças à união de dois vectores: por um lado, a crescente capacidade de investimento que engorda os orçamentos dos principais clubes; por outro lado, a formação continua a marcar pontos, mantendo-se fiel a predicados científicos de uma escola muito valorizada no passado. O Zenit St. Petersburg já supreendeu o mundo do futebol e, daqui para a frente, devemos estar ainda mais atentos ao fenómeno, incluindo a possibilidade de encarar oportunidades na prospecção.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

[Champions League 1/2] Man Utd 1-0 Barcelona

Mais do que o confronto entre o futebol inglês e espanhol, a expectativa residia sob o desafio entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Qual deles seria mais brilhante, ao ponto de alcançar a tão ambicionada final? O português caminha, a passos largos, para a consagração como o melhor do mundo, mas foi um inglês a resolver a contenda: Paul Scholes, 33 anos, nacionalidade inglesa, 16.ª época ao serviço do Manchester United. O golo foi absolutamente fantástico e...decisivo.
Curiosamente, o remate certeiro do experiente médio cenoura representa o único elo de ligação com o típico futebol protagonizado por Manchester United. O momento da noite, ao minuto 13, foi 100% inglês: no remate de meia-distância, na naturalidade do autor, nos festejos dos adeptos. De resto...bem, qualquer semelhança com o futebol inglês é pura coincidência. É a italianização do futebol.
Quem observou a forma como o Manchester se comportou neste duplo confronto com o Barcelona, não pode ter deixado de reparar no tacticismo revelado por Alex Ferguson. Desenganem-se aqueles que esperavam um tipo de futebol vistoso e espectacular, feito de posse e constante pressão alta, orientado para um ataque sem tréguas. Nada disso. O Manchester, na figura do seu treindor, entendeu que para fazer parte da história é mais importante dominar os equilíbrios colectivos do que propriamente dominar o jogo. Recordam-se da forma cínica como a equipa inglesa jogou no Olímpico de Roma?
Bem sei que a final, a disputar em Moscovo, será entre dois clubes ingleses. Mas, será suficiente para afirmar que o futebol britânico domina a Europa? Sim e não. Obviamente, que são os clubes ingleses que merecem os mais rasgados elogios, mas convém não esquecer que o melhor jogador do United é português, o treinador do Liverpool é espanhol e os plantéis incluem línguas e culturas dos mais variados pontos do globo. Até o futebol é diferente. Mais continental, como é costume afirmar. Por outras palavras, o futebol inglês, para evoluir e lutar por troféus, teve de renegar parte da sua identidade e tornar-se mais latino. O tema merece reflexão e daria um bom motivo de conversa.
Para finalizar, mais um dado estatístico: nas eliminatórias frente a Roma e Barcelona, o Manchester não sofreu qualquer golo. Foram 4 partidas com as redes invioláveis. Será que o receio de perder sobrepõe-se à vontade de vencer?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

#11 Prospecção: Guillaume Hoarau

Nome completo
Guillaume Hoarau
Data de nascimento
05.03.1984 (24 anos)
Nacionalidade
Francesa
Altura: 1,91m
Peso: 76kg
Posição
Avançado centro


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Ligue 2 Orange - 34J / 27G (7 penalty) (3.059)
League Cup - 2J / 1G (95)
French Cup - 3J / 2G (285)

[Dados da carreira] League 2
2006/07 Gueugnon - 21J / 8G (1.763)
2006/07 Le Havre - 5J / 0G (145)
2005/06 Le Havre - 28J / 4G (724)
2004/05 Le Havre - 9J / 1G (151)
2003/04 Le Havre - 1J / 0G (16)

Os números impressionam: com 27 golos apontados em 34 jornadas, Guillaume Hoarau é o melhor marcador da presente edição da Ligue 2, em França. Nascido na distante ilha da Reunião, o ponta-de-lança tem nacionalidade francesa e pontifica nos quadros do Le Havre, actual líder da tabela quando faltam 4 jogos para o seu término. Após uma passagem no Gueugnon (por empréstimo), tem sido a principal revelação do segundo escalão francês, despertando já o interesse de clubes de maior gabarito. Exemplos? Lens e AS Roma.
Que dizer quanto às principais qualidades futebolísticas de Guillaume Hoarau? Para começar, sobressai pela enorme estatura (1.91m) mas, pelas informações que disponho, trata-se de um avançado equilibrado: demonstra inteligência para fugir às marcações e capacidade em recuar para procurar a bola. É destro e, sem ser explosivo, possui atributos técnicos acima da média, assim como intuição na cara do golo. Como o Le Havre joga habitualmente em 4x4x2, costuma ter o montenegrino Nicola Nikezic como colega de sector.
Para finalizar, diga-se que Guillaume Hoarau tem vindo a apresentar evolução extremamente positiva, tornando-se num ponta-de-lança bastante interessante para constar nos cadernos de prospecção de clubes de maior dimensão. Para clubes portugueses, com alguma capacidade financeira, seria uma séria opção a ter em conta. Sem dúvida, um nome a reter.


Fonte: ZeroZero e French Football League

terça-feira, 22 de abril de 2008

#10 Prospecção: Dieumerci Mbokani

Nome completo
Dieumerci Mbokani Bezua
Data de nascimento
22.11.1985 (22 anos)
Nacionalidade
Rep. Dem. do Congo
Altura: 1,85m
Peso: 75kg
Posição
Avançado centro


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Amarelos/Vermelhos)
Championnat - 24J / 9G (2/-)
Coupe de Belgique - 4J / 2G (1/-)
Uefa Cup - 2J / 1G (-/-)

[Dados da carreira]
Na época 2006/07 teve 8 aparições na equipa principal do Anderlecht e marcou 5 golos. É descrito, pela imprensa belga, como o próximo Didier Drogba.

Já ouviram falar de um ponta-de-lança fisicamente possante, nascido em Kinshasa, na República Democrática do Congo? Não, não me refiro a Ariza Makukula. Trata-se de Dieumerci Mbokani, avançado que, recentemente, sagrou-se campeão pelo Standard de Liège, equipa treinada pelo nosso bem conhecido Michel Preud´homme. Na partida do passado fim-de-semana contribuiu, decisivamente, para a vitória frente ao rival Anderlecht, com a obtenção de 2 golos.
Estamos, sem dúvida, perante mais uma pérola africana, com imensa margem de progressão. Inclusive, a imprensa belga aponta o jovem congolês como o futuro Didier Drogba. Desde logo, assemelha-se ao avançado do Chelsea pelos fantásticos atributos físicos e, nesta temporada, tem revelado razoável acerto na hora de finalizar, com um registo de 12 golos em 30 presenças na equipa principal (20 como titular).
Para terminar, diga-se que está ligado contratualmente ao Standard de Liège até 2012, mas estaria aqui uma oportunidade de negócio muito interessante para alguns clubes portugueses. No meu entender, creio que estamos perante um n.º 9 de enorme futuro.


Fonte: ZeroZero e Standard de Liège Site Oficial

segunda-feira, 21 de abril de 2008

E se fosse Michel Preud´homme...

...o novo treinador do Sport Lisboa e Benfica? Como forma de esquecer uma semana negra, que me dizem analisarmos a carreira de um homem que tão boas recordações deixou na nação benfiquista?
A imprensa desportiva, fazendo jus à sua genética especuladora, já avançou imensos nomes para futuros treinadores do clube encarnado. Assim de repente, podendo me esquecer de algum, recordo-me de: Jorge Jesus, Manuel Cajuda, Humberto Coelho, Carlos Queiróz, Alberto Malesani, Marcelo Lippi, Roberto Donadoni, Luiz Felipe Scolari, Michael Laudrup.
Voltemos a Michel Preud´homme. Atentem na notícia:

Preud´homme conduz Standard Liège ao título de campeão

O Standard Liège sagrou-se este domingo campeão belga, algo que já não acontecia desde 1983. O antigo guarda-redes do Benfica Michel Preud´homme é o grande responsável pelo feito do clube.
O Standard Liège conquistou o nono título do seu palmarés depois de vencer o rival Anderlecht por 2-0, beneficiando também do empate (0-0) do Club Brugge no reduto do Gent.


[Dados da carreira] Depois dos relvados

2006/07 Standard Liège - Treinador (A partir de 30 de Agosto de 2006)
2005/06 Standard Liège - Director Desportivo
2004/05 Standard Liège - Director Desportivo
2003/04 Standard Liège - Director Desportivo
2002/03 Standard Liège - Director Desportivo
2001/02 Standard Liège - Treinador
2000/01 Standard Liège - Treinador
1999/00 S.L.Benfica - Director De Relações Internacionais

Já sabemos que não existem treinadores perfeitos. Estes, caso existam, encontram-se em Manchester, Liverpool, Milão ou, nos últimos meses, Setúbal. Por outras palavras, os treinadores de top estão fora das possibilidades financeiras permitidas pela SAD encarnada, existindo até a dúvida de, neste momento conturbado, o clube poder apresentar um projecto estável e ambicioso.
Deste modo, trata-se de um ponto a favor do belga: a sua contratação poderia cumprir desígnios ligados a plataformas orçamentais e, aos olhos dos benfiquistas, é um treinador que pode atingir a marca da perfeição. Na baliza, deixou um registo de qualidade superior. Se for tão bom a treinar, como era a defender...
A circunstância de Michel Preud´homme ser um nome admirado e respeitado pela nação encarnada joga, sem dúvida, a seu favor. À partida, seria muito bem recebido e os focos de insatisfação - nem José Mourinho reuniria unanimidade - seriam pouco visíveis e sem expressão. Para além disso, o treinador belga defendeu as redes do clube desde a época 1994/95 até 1998/98 (5 temporadas) levando-o a interiorizar a tão famosa mística. Em suma, o seu conhecimento do futebol português, das suas idiossicracias e funcionamento muito próprio, apontariam para uma adaptação feita à velocidade da luz.
Para finalizar, nem tudo se resume a um amontoado de afectividades e lembranças. Há curriculum para apresentar e trabalho prático para ser valorizado. O título conquistado este fim-de-semana é sinal de que estamos perante um treinador ambicioso e competente. Ainda por cima, é adepto do 4x4x2 clássico, sistema táctico mais do agrado de sócios e adeptos encarnados.
Estes foram alguns dos pontos fortes que me levaram a colocar a hipótese de Michel Preud´homme poder vir a ser treinador do Benfica para 2008/09. E os leitores? Querem contrariar, enumerando prováveis desvantagens desta opção? Qual a vossa opinião?