quarta-feira, 28 de maio de 2008

Descubram as diferenças

«O Benfica é o clube do meu coração. Sempre foi e sempre será. Foi lá que me formei como homem e como jogador. Conquistei títulos e tive a oportunidade de dar o salto para o maior campeonato de Mundo. Devo muita coisa ao Benfica e se um dia houver a possibilidade de voltar vou encará-la como uma grande possibilidade», afirmou Ricardo Rocha em entrevista à TSF.

Caneira prefere voltar ao Sporting, clube que o formou, a rumar à Luz para representar o Benfica, onde já esteve na temporada de 2001/02. Esta é, de acordo com o que apurámos, a posição do jogador do Valencia, que está, apesar disso, receptivo a estudar qualquer proposta concreta que lhe apareça durante o defeso.

Caso Luisão abandone mesmo a Luz, ainda restam dúvidas sobre qual o alvo para onde o director desportivo deve apontar baterias? O que pretendemos efectivamente? Jogadores que sintam orgulho e vontade em vestir a camisola encarnada? Ou jogadores que dão prioridade aos leões, colocando o Benfica como segunda escolha? A ser realmente verdade o que vem escrito na imprensa desportiva, a especulação à volta da possível contratação de um central morre logo à nascença. Nesta, como em outras situações, a minha inflexibilidade é registo do qual não prescindo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Quique Sánchez Flores

Os leitores mais fiéis já deviam estranhar não ter escrutinado sobre a novela da escolha do treinador encarnado. Pois bem, depois de no passado sábado o universo benfiquista ter ficado a conhecer Quique Flores, as próximas linhas são dedicadas ao novo treinador do Sport Lisboa e Benfica.
Vamos directos à questão central: fiquei satisfeito com a contratação do treinador espanhol? De certa forma, posso afirmar que concordo com a opção tomada. Acredito que não me ofereça garantias de perspectivar uma época tranquila, mas creio que tem condições para que a ilusão de vitórias ganhe consistência. Comparativamente a outros nomes, primeiras escolhas ou não, gostaria de expressar a seguinte opinião: apesar de considerar que ficaria mais entusiasmado com Laudrup, durmo mais tranquilo com a ambição de Quique, em oposição com o distanciamento manifestado por Eriksson. Os motivos não têm a ver com aspectos ligados à competência. Digamos que é uma razão ligada a convicções pessoais. Chamem-lhe intuição.
Sem querer distanciar-me do propósito do artigo, que fique bem ciente que o treinador é, variadíssimas vezes, um homem solitário. Também sem uma estrutura profissional que suporte o seu trabalho, será difícil pensar em vitórias. A este respeito, sugiro a leitura da crónica organograma funcional da Benfica Futebol SAD. Não pretendo perder mais tempo com esse tema, mas não poderia deixar de contextualizar a acção individual do treinador com a dinâmica colectiva do departamento de futebol. Posto isto, sem questionar (para já) a constituição da restante equipa técnica, centremos a nossa atenção no título do tópico: Quique Sánchez Flores.
Apontamento inicial: não conheço, em detalhe, o conceito de futebol preconizado pelo treinador espanhol. Uma coisa são os dados relativos à carreira, incluindo o percurso profissional e os resultados alcançados. Sobre esse aspecto, a imprensa desportiva já traçou o devido perfil. Torna-se, portanto, escusado repetir o que já foi escrito. No entanto, é sobre o mundo das ideias, do modelo de jogo e da concepção táctica que gostaria de partilhar pensamentos. A esse respeito, chamo à consideração Luís Freitas Lobo. Saltemos de parágrafo.
No entender do conhecido analista português, a contratação de um treinador deve respeitar critérios de competência, de forma a que a explanação de qualidades técnicas vá de encontro à ideia futebolística do clube. Esquecendo a parte financeira, sempre subjacente à escolha da equipa técnica, a minha dúvida reside no seguinte: como medir essa competência individual? Através do mundo dos conceitos e das ideias? Através do futebol praticado no relvado? Através dos resultados? Não deixando de concordar com Luís Freitas Lobo, os atributos qualitativos não podem ser dissociados da prática resultadista. Na minha perspectiva, o primeiro aspecto representa os meios, enquantos os resultados são o espelho dos fins propostos e marca quantitativa na avaliação da competência.
Sobre Quique Flores, para além da sua personalidade e capacidade de liderança, o que importa conhecer? Diria que há atributos mentais e de treino a merecer uma abordagem atenta. Salienta-se:
- Adaptabilidade a uma nova realidade;
- Avaliação da capacidade actual e potencial do jogador;
- Conhecimentos tácticos;
- Determinação e motivação;
- Nível de disciplina;
- Gestão de Recursos Humanos; e
- Trabalho com jovens.
O passado do treinador espanhol dá-nos esperança sobre a forma como idealiza o modelo de jogo, gere o plantel e constrói um onze competitivo para as batalhas no rectângulo verde. Por estarmos a viver um tempo de mudança, com prevísiveis entradas/saídas, os benfiquistas esperam que Quique Flores tenha a sensibilidade técnica suficiente para escolher as peças certas para a máquina do futebol. A experiência anterior, assente na "descoberta" de Gavilán e Raúl Albiol, pode significar um bom ponto de partida.
Quanto à óptica eminentemente táctica, as preferências do novo treinador encarnado são do domínio público: esquemas baseados no 4x4x1x1 (no Getafe) e 4x2x3x1 ou 4x4x2 clássico (no Valência), aliados a uma concepção que privilegia o rigor defensivo, o futebol apoiado e a rapidez nas transições ofensivas. De um modo geral, o retrato está feito.
Fundamental será observar os primeiros meses de trabalho, de maneira a estendermos o conhecimento sobre o modelo de jogo que caracterizará o Benfica do futuro. Refiro-me, nomeadamente, à noção primordial acerca da metodologia de treino e a estratégia respeitante ao tipo de pressão (em largura, em profundidade, zona pressionante baixa, média, alta) e tipo de marcação (homem-a-homem, à zona, mista).
Para terminar, uma curiosidade. Li algures que Quique Flores é adepto de um jogo de simulação estratégica, intitulado PC Fútbol. Diga-se que, nos meus tempos de Faculdade, era um fanático por este belíssimo título da Dinamic Multimedia. Foram imensas horas a vestir a pele de treinador. Anuncio que tenho em meu poder uma versão mais recente, respeitante a 2007. Assim, em jeito de brincadeira, deixo o desafio ao novo "manager" encarnado: Quique, se pretenderes iniciar uma nova competição, prepara-te para sofrer, mas se preferires testar umas variantes tácticas, podes contar com a minha colaboração.

sábado, 24 de maio de 2008

Catenaccio no "Jogo Jogado"

Jogo Jogado
Aos Sábados, às 11h10.






Todas as semanas, a TSF junta três dos mais destacados comentadores de futebol em Portugal. João Querido Manha, João Rosado e Luís Freitas Lobo vão ao fundo das tácticas, analisam as exibições das equipas portuguesas nas provas nacionais e nas competições da UEFA e comentam as opções dos treinadores.

Acordar todos os sábados, às 11h00, tem sido um hábito desde há uns meses largos. Ouvir o programa "Jogo Jogado" é um prazer, quer pela forma como os assuntos do futebol são colocados, quer pela inquestionável qualidade evidenciada pelos comentadores. Nas últimas semanas, tenho contribuído com o envio de diversos emails, essencialmente baseados em textos escritos neste espaço. Hoje, por fim, o programa começou com um artigo que elaborei no dia 10 de Abril, intitulado O regresso do futebol inglês. Para ouvirem as incidências do "Jogo Jogado", façam o favor de clicarem no link que se segue:

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=920568

sábado, 17 de maio de 2008

E depois de Bosingwa? Defesa ou Lateral direito?

José Bosingwa é o mais recente reforço do Chelsea, tendo rubricado um acordo válido pelas próximas três temporadas. Recorde-se que os valores da transferência rondam os 20,5 milhões de euros. Depois de ter escrito sobre a singularidade do guarda-redes, gostaria de propor alternativas face à saída do internacional português.
Em primeiro lugar, há que fazer a distinção entre defesa e lateral. Neste âmbito, quando perante um 4x3x3, Luís Freitas Lobo costuma explicar bem as diferenças: um defesa é aquele que raramente se envolve em combinações ofensivas e funciona, variadíssimas vezes, como terceiro central; um lateral mostra-se mais interventivo nas transições ofensivas e oferece maior profundidade à equipa. No FC Porto de Jesualdo Ferreira, dois jogadores pisavam o mesmo espaço. Porém, o seu raio de acção era diametralmente oposto. Fucile é defesa direito. Bosingwa é lateral do mesmo lado. Ao vê-los jogar, descobrem-se as diferenças.
Para a versão 2008/09, o actual campeão nacional tem de pensar nas implicações que a saída de Bonsingwa representa para o modelo de jogo. Duas hipóteses podem-se colocar:
1 - Se a aposta recaír em Fucile para a posição de defesa direito, será proveitoso pensar em contratar um lateral esquerdo. Porquê? Porque mantendo o princípio de que um dos defesas fecha ao meio, enquanto o outro tem liberdade para subir pelo corredor, seria o jogador uruguaio a posicionar-se mais atrás;
2 - Se a aposta recaír em Fucile (ou outro) para defesa esquerdo, então depreende-se que será necessário encontrar um "clone" de Bosingwa, pois a saída (dinâmica) para o ataque não mudará de flanco.
Pretendo aprofundar, apenas, o segundo cenário.

Já em 1962, o saudoso Fernado Vaz, no seu livro "Noções Práticas do Futebol", afirmava que o lugar de lateral exige jogadores decididos, de personalidade forte, que possuam em elevado grau as qualidades seguintes:
- Sentido de marcação e antecipação;
- Poder de elevação e jogo de cabeça;
- Sentido de obstrução, do desarme, da carga e do ataque;
- Decisão, valentia, velocidade e rapidez de execução; e
- Espírito do comando do jogo.

Bosingwa reúne parte considerável destas qualidades, assente em predicados como a capacidade de desarme e antecipação, eficácia nos cruzamentos, posicionamento, resistência (nas transições) e velocidade. Neste sentido, pondo de parte impedimentos de ordem financeira, aconselharia os seguintes nomes a Jesualdo Ferreira:

Nome completo
Aleksandr Anyukov
Clube
Zenit St. Petersburg
Data de nascimento
28.09.1982 (25 anos)
Nacionalidade: Rússia
Altura: 1,75m
Peso: 66kg

Nome completo
Bernard Mendy
Clube
Paris SG
Data de nascimento
20.08.1981 (26 anos)
Nacionalidade: França
Altura: 1,80m
Peso: 77kg

Nome completo
Branko Ilic
Clube
Bétis Sevilha
Data de nascimento
06.02.1983 (25 anos)
Nacionalidade: Eslovénia
Altura: 1,88m
Peso: 80kg

Nome completo
Darijo Srna
Clube
Shakhtar Donetsk
Data de nascimento
01.05.1982 (26 anos)
Nacionalidade: Croácia
Altura: 1,82m
Peso: 78kg

Nome completo
Gianni Zuiverloon
Clube
Heerenveen
Data de nascimento
30.12.1986 (21 anos)
Nacionalidade: Holanda
Altura: 1,81m
Peso: 70kg

Em Portugal, não é fácil encontrar um "clone" de Bosingwa. Ainda assim, o cabo-verdiano Janício (183cm e 78kg), do Vitória de Setúbal, é o jogador que porventura mais se assemelha com o internacional português. Em termos nacionais, pelo desempenho das últimas épocas, seria uma alternativa a ter em conta.
Para terminar, faço referência a dois laterais que pontificam no Calcio e que se destacam pela capacidade de aceleração e velocidade, com e sem bola: Aimo Diana (Torino, 30 anos) e Cristian Zenoni (Sampdória, 31). Pena que as respectivas idades, assim como prováveis valores dos passes, sejam factores que desaconselhariam pensar numa futura contratação. De qualquer forma, ambos ilustram o tipo de competências exigíveis para a posição de lateral direito.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Léo renova por dois anos

Na primeira aparição oficial como director desportivo do clube da Luz, Rui Costa confirmou que Léo renovou com o Benfica por mais dois anos, naquele que foi o seu primeiro acto de gestão. Sem dúvida, uma óptima notícia. Para já, não me vou alongar quanto ao teor dos discursos de Luís Filipe Vieira e Rui Costa. Prefiro aguardar por desenvolvimentos no que diz respeito ao tema do futuro treinador e esperar por mais novidades em matéria de renovações e reforços.
Voltemos ao assunto do tópico. A renovação do "Maradoninha" brasileiro, para além de ser inteiramente justa para o jogador, representa uma decisão importante do ponto de vista desportivo, pois é favorável aos interesses do Benfica. Neste momento, apetece-me dizer que o passo dado tem um significado extra: é uma mensagem para todos os jogadores que vestem a camisola do Benfica ou que ambicionem envergá-la um dia.
Ao longo das últimas épocas, Léo teve um rendimento desportivo bem acima da média. Conquistou o lugar de defesa esquerdo e foi sempre dos jogadores mais utilizados. Renovar com o brasileiro é dar um sinal de que a Direcção da SAD valoriza o mérito e premeia o esforço. Tomar uma decisão em sentido contrário, seria o mesmo que dizer que a avaliação de um jogador era realizada com base em factores extra-futebol e não tendo em conta critérios de competência. Felizmente, este é um acto de gestão que recompensa quem merece e que serve os interesses desportivos do clube. Seria bom que outros jogadores captassem a mensagem, para perceberem que para vestir a camisola do Benfica exige-se muito mais do que talento.

[Dados da carreira 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
bwin Liga - 27J / 0G (2.321)
Champions League - 8J / 0G (720)
Uefa Cup - 4J / 0G (360)

[Dados da carreira 2006/07] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
bwin Liga - 27J / 1G (2.347)
Champions League - 6J / 1G (540)
Uefa Cup - 4J / 0G (n/a)

[Dados da carreira 2005/06] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
bwin Liga - 26J / 0G (2.247)
Champions League - 9J / 0G (n/a)

Palavras de Léo:

«Nada melhor que ficar num ambiente em que nos sentimos muito felizes. Aqui estou em casa. Nunca quis sair e tenho orgulho em vestir esta camisola».
«Estou muito motivado. Vou trabalhar, juntamente com os meus companheiros, para alcançar algo que consegui nos Santos mas que me falta aqui: ser campeão».

quarta-feira, 14 de maio de 2008

#13 Prospecção: Hassan Yebda

Nome completo
Hassan Yebda
Data de nascimento
14.05.1984 (24 anos)
Nacionalidade
Francesa
Altura: 1,87m
Peso: 77kg
Posição
Médio defensivo

[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Ligue 1 Orange - 23J / 3G (1.591)
League Cup - 3J / 1G (242)
French Cup - 2J / 0G (141)

[Dados da carreira]
2006/07 Le Mans - 1J / 0G (22)
2006/07 Auxerre - 0J / 0G (-)
2005/06 Laval (League 2) - 14J / 1G (1.202)
2005/06 Auxerre - 0J / 0G (-)
2004/05 Auxerre - 0J / 0G (-)

O médio francês Hassan Yebda, em final de contrato no Le Mans, está bem referenciado pelo Benfica e nos planos de Rui Costa para a próxima época, que procura reforçar a equipa com qualidade mas com custos controlados.
O Benfica, ainda assim, não está sozinho na corrida ao médio defensivo. Nos últimos dias Lazio, Roma e também clubes alemães e ingleses foram colocados como estando na pista do médio que se sagrou campeão do Mundo sub-17 pela França em 2000.

Pelas informações que têm vindo a ser veiculadas, o Benfica prepara-se para emprestar Binya (1,76m e 75kg), pode ceder Katsouranis (1,87m e 81kg) mediante boa proposta, pelo que encontra-se no mercado à procura de alternativas. Por falar no grego, diga-se que Hassan Yebda partilha semelhanças físicas, nomeadamente estatura e peso, para além de existir coincidência em termos de posicionamento no relvado.

Apesar de não reunir mais informação sobre Hassan Yebda, desde já aplaudo o trabalho de observação do gabinete de prospecção encarnado. Escusado será dizer que tanto a Ligue 1, como a Ligue 2, representam um mercado apetecível, quer do ponto de vista financeiro, quer pela vertente competitiva e técnica de vários jogadores. O exemplo de Desmarets, descoberto no Les Lilas, da 3.ª divisão e de Ghilas, vindo do Cannes, da 2.ª divisão, representam casos de afirmação desportiva em Portugal.
Por outro lado, em França actuam imensos jogadores de origem africana, com enorme talento e margem de progressão. Sem esquecer vários nomes franceses, a verdade é que o filão africano encontra tempo e espaço para desenvolver fantásticas qualidades futebolísticas. Basta recordar como surgiram atletas como Didier Drogba e Michael Essien, só para citar exemplos de maior sucesso.

Neste sentido, gostaria de terminar com o seguinte: procedi à elaboração de uma base de dados, respeitante a jogadores africanos que actuam na 2.ª divisão francesa, mercado mais apetecível do ponto de vista financeiro e com jovens valores de enorme potencial; a referida base de dados encontra-se delimitada por: nacionalidade, nome, clube, posição, idade, altura, peso e presenças/golos/minutos de utilização/disciplina.


Fonte: ZeroZero e French Football League

FC Porto pode ter Champions League em risco

A participação do FC Porto nas competições da UEFA da próxima época pode estar comprometida. Esta é a opinião do advogado Cunha Leal, antigo director-executivo da Liga de Clubes, que se baseia no regulamento da Liga dos Campeões para chegar a esta conclusão.

O FC Porto, condenado na perda de seis pontos na presente época, por decisão da Comissão Disciplinar da Liga, por tentativa de corrupção no âmbito do processo Apito Final, decidiu não recorrer da sanção aplicada, tendo o prazo de recurso terminado ontem. Assim, perante o trânsito em julgado da sentença da Liga, os dragões, diz Cunha Leal, «podem caber na alínea D do ponto 1.04 do Regulamento da Liga dos Campeões».

Acho piada quando ouço dizer que o futebol português não consegue atingir o estado de autoregulação. Sinceramente, qual é o espanto? Se nem o próprio país o consegue fazer. Basta ver a forma como as imposições de Bruxelas afectam Portugal, quer se trate de exigências em matéria de rigor orçamental, quer seja direccionado para os pedidos de explicações acerca de obras públicas, como o novo aeroporto de Lisboa.
Já no séc. III A.C. um general romano teve a seguinte tirada: "Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho...não se governa, nem deixa governar". Sem estar a colocar em causa o teor da frase, posso afirmar que tenho orgulho em vários períodos da História de Portugal mas, sinto-me muito mais descansado por dormir em espaço europeu.
Vejamos, então, o que diz a alínea D do ponto 1.04 do Regulamento Disciplinar da UEFA:

Para quem tiver interesse em ler o documento na sua totalidade, pode aceder aqui: Regulations of UEFA Champions League. Até ver, resta-nos aguardar que os clubes directamente interessados procurem clarificação sobre esta matéria junto da Federação Portuguesa de Futebol, que deverá de seguida, de acordo com os regulamentos, pedir um parecer à UEFA. Até lá, simplesmente gozemos o momento.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Lista de convocados para o Euro’2008

Sem grandes surpresas, Luiz Felipe Scolari revelou a lista dos 23 eleitos que vão estar na Suíça e Áustria a representar Portugal no Euro’2008.

Lista de convocados para o Euro’2008

Guarda-redes

Ricardo (Betis)
Quim (Benfica)
Rui Patrício (Sporting)

Defesas

Bosingwa (FC Porto/Chelsea)
Paulo Ferreira (Chelsea)
Miguel (Valencia)
Ricardo Carvalho (Chelsea)
Pepe (Real Madrid)
Bruno Alves (FC Porto)
Fernando Meira (Estugarda)
Jorge Ribeiro (Boavista/Benfica)

Médios

Deco (Barcelona)
Petit (Benfica)
Raul Meireles (FC Porto)
Miguel Veloso (Sporting)
João Moutinho (Sporting)

Avançados

Nuno Gomes (Benfica)
Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Simão (Atlético Madrid)
Nani (Manchester United)
Hélder Postiga (Panathinaikos)
Hugo Almeida (Werder Bremen)
Quaresma (FC Porto)

Os maiores destaques vão para as ausências de Maniche, Makukula e Caneira e para as chamadas de Rui Patrício e Jorge Ribeiro. Salvo questão de um ou outro nome, a lista de convocados não oferece grandes supresas. Sabe-se como o selecionador nem sempre privilegia o conceito de desempenho desportivo, assente em predicados de forma física (táctica) e de rendimento efectivo. Os critérios de Luiz Felipe Scolari apontam para uma ideia de grupo, em que a performance individual fica subjacente ao espírito de união e de identificação com os desígnios colectivos. Os critérios de escolha são passíveis de serem questionados mas, até ao momento, os resultados do passado têm-lhe dado razão. Deste modo, e porque tornar-se-ia fastidioso discutir motivos individuais, ligados a cada convocatória, prefiro responder através da evidência do quadro que se segue:

Da elaboração deste trabalho, podem-se retirar breves ilações.

Em primeiro lugar, os números provam que as ausências de Maniche, Makukula e Caneira só podem ter origem em questões de ordem técnica. Não creio que Luiz Felipe Scolari tenha prescindido dos atletas pelo simples facto de terem realizado uma época aquém das expectativas. Se assim fosse, que diríamos acerca da confiança depositada em jogadores como Miguel, Petit, Deco, Nuno Gomes e Hélder Postiga, que tiveram desempenhos discretos ao longo da temporada?
Em segundo lugar, os minutos de utilização provam uma elevada heterogeneidade entre os vinte e três seleccionáveis. Por outras palavras, para além do natural trabalho de índole táctico, o estágio vai exigir redobrada atenção na harmonização de aspectos como a condição física e o ritmo de jogo. Enquanto para alguns atletas a época 2008/09 foi desgastante a todos os níveis -físico e, também, mental - para muitos outros, esta foi marcada por lesões, mais ou menos demoradas, ou pela perda da condição de titular no respectivo clube. No primeiro lote incluem-se jogadores como Bruno Alves, Miguel Veloso, João Moutinho, Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma (acima dos 3.000 minutos de utilização, exceptuando o guarda-redes Quim). No segundo grupo, podem-se incluir os nomes de Paulo Ferreira, Pepe e Simão, com prestações mais irregulares, para além daqueles que referi como tendo uma temporada abaixo do que seria de esperar.

Por sua vez, coloco um exercício sempre interessante e polémico: tentar "adivinhar" qual será o onze escolhido por Luiz Felipe Scolari.

Tendo em conta que o 4x2x3x1 continuará a ser a plataforma táctica utilizada e sabendo que o seleccionador já alertou para uma menor experiência deste conjunto de jogadores, acredito que na partida inaugural, frente à Turquia, o onze titular não andará longe de: Ricardo, Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira; Petit, Raul Meireles e Deco; Simão, Cristiano Ronaldo e Nuno Gomes.
Finalmente, apresento alguns cenários para reflexão e discussão.
Sabendo que Pepe e Ricardo Carvalho actuam na posição de central direito, e prevendo que sejam os escolhidos para o eixo defensivo, qual deles deverá jogar como destro? Como se perspectiva a colocação de Bosingwa à direita, e Paulo Ferreira à esquerda, tentaria aproveitar vantagens posicionais através das conhecidas "sociedades": Bosingwa e Pepe (FC Porto 2006/07); Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira (Chelsea).
No caso de Petit e Deco apresentarem uma menor rotação no ritmo de intensidade competitiva, a dupla leonina composta por Miguel Veloso e João Moutinho terá de estar preparada para suprir essa eventual indisponibilidade física. Contudo, não é de descartar uma provável nuance estratégica, anteriormente testada: a colocação de Fernando Meira como pivot defensivo de um sistema desenhado em 4x3x3.
Sendo Cristiano Ronaldo intocável, é de prever que, ao longo da competição e dependendo de factores exibicionais ou circunstâncias especiais, os lugares de Simão e Nuno Gomes sejam ocupados, respectivamente, por Nani, Ricardo Quaresma e Hugo Almeida.
Comentários?

domingo, 11 de maio de 2008

Até sempre Maestro

Devo-te, em grande parte, a minha paixão pelo futebol. A tua carreira é um retrato da mística benfiquista: contigo aprendi o significado e importância de vestir aquela camisola, contigo partilhei algumas tristezas e desencantos, contigo chorei de alegria e presenciei inúmeros golos maravilhosos. Ontem, lá estive para me despedir, desejar-te as maiores felicidades e agradecer-te por tudo. Até sempre Maestro.





sexta-feira, 9 de maio de 2008

A singularidade do guarda-redes

Aviso que o texto é longo. Talvez fosse oportuno imprimir para ler mais tarde, talvez nos tempos livres. Como definir um guarda-redes moderno? Será que o dono da baliza, o jogador solitário, faz parte dos sistemas defensivo e ofensivo? Comecemos com alguma revisão de literatura.
Na sua coluna semanal, Rodrigo Azevedo Leitão oferece pistas interessantes. Na sua opinião, o guarda-redes deixou de ter a função que lhe dera origem (proteger a baliza, defendendo-a com qualquer parte do corpo em sua área de acção) e passou também a desempenhar um importantíssimo papel na organização tática defensiva e ofensiva de uma equipa. Em termos de dinâmica, o autor considera que as equipas que estão sendo pressionadas recorrem, muitas vezes, ao guarda-redes como ponto de apoio, para fazer a bola girar de um lado para o outro do campo, deslocando a marcação adversária.
Também Luís Freitas Lobo debruça a sua atenção ao que denomina o estranho mundo dos guarda-redes. No seu entender, o guarda-redes é um solitário. Não tem companheiros directos de sector mas há muito que a sua importância, em termos de participação e influência no jogo, cresceu para lá das defesas milagrosas. O conhecido analista português define o que se espera de um guarda-redes moderno. Quando a equipa tem a bola, é mais um jogador. Quando a perde, tem de lhe conseguir dar pelo menos 20 metros de risco para estar subida pois, nesse momento, é ele quem lhe protege as costas. Tornou-se um jogador de equipa de corpo inteiro. Quem não tiver um com estas duplas características, fica desde logo muito limitado, não a defender, mas sobretudo a atacar.

Historicamente, em termos de estilo, existem diferenças significativas. Nas palavras de Luís Freitas Lobo podem-se distinguir: a latina, a de Leste, a britânica e a do Norte da Europa, cada uma com o seu estilo, mas todas distantes do exotismo da escola sul-americana. Aproveitemos o contributo de Luís Freitas Lobo, para fotografar algumas delas.

Em primeiro lugar, para citar um bom exemplo, a escola italiana revela excelente posicionamento, agilidade e capacidade de orientar a defesa. Morfologicamente, são de baixa estatura, mas compensam essa suposta inferioridade através de uma agilidade felina.
Por sua vez, a escola de Leste criou o mito do guarda-redes frio, quase glaciar. O ponto fraco dos gigantes de Leste acaba por estar na saída a cruzamentos. Muitas vezes, calculam mal o tempo de saída e as redes ficam desertas.
Em Inglaterra, é inevitável falar de Gordon Banks. Sóbrio, mas com um poder de impulsão invulgar, realizou a mais famosa defesa de todos os tempos, no Mundial'70, ao defender, junto à relva, um forte cabeceamento, de cima para baixo, executado por Pelé.
Pelo contrário, a América do Sul preconiza uma forma diferente de sair da baliza. A partir dos anos 60, todos os guarda-redes europeus saem em queda aos pés do avançado, colocando lateralmente o corpo. Na América do Sul, saem de joelhos com o corpo na vertical. Depois, que dizer de René Higuita, o louco guarda-redes colombiano que assombrou pela forma como tentava o drible e lançava o ataque.
Por fim, breves palavras para a escola africana. No Mundial'82, N'Kono defendia bolas incríveis, para depois deixar escapar outras inofensivas. A sua originalidade estava na forma imóvel como ficava, de braços caídos, quando um avançado lhe aparecia pela frente isolado.

Na generalidade, concordo com a argumentação de Luís Freitas Lobo.
Contudo, a questão que gostaria de colocar é a seguinte: será que um treinador, ou responsável desportivo, quando avança para a contratação de um guarda-redes decide, apenas e só, com base nas suas qualidades individuais? Ou, pelo contrário, projecta a imagem do guarda-redes como um elemento fundamental para a implementação dos princípios de jogo colectivos?

Imaginemos o treinador de um clube habituado a lutar pela conquista de títulos. À partida, na maioria dos jogos, essa equipa gere a posse de bola, controla (domina) os acontecimentos e instala-se no meio-campo adversário. A defesa, ao subir no terreno, aumenta a distância que a separa do guarda-redes e um dos perigos visíveis são os passes em profundidade que colocam a bola nas costas da defesa. Para preencher esse espaço vazio impõe-se o adiantamento do guarda-redes para perto da entrada da área. Tal exige leitura de jogo atenta, velocidade e bom jogo de pés, para chegar primeiro à bola que o avançado, numa zona onde é proibido jogar com as mãos. Fazendo novamente referência a Luís Freitas Lobo, é o que ele chama de guarda-redes líbero.
No caso de uma equipa de menores ambições, a realidade pode ser completamente diferente. Normalmente, é privilegiado um bloco médio-baixo, de linha defensiva recuada e sectores bem unidos, quer com duas linhas de quatro homens, quer deixando um único homem à espreita do contra-ataque. Nesta situação, outros atributos são exigidos ao guarda-redes: familiaridade nas saídas a cruzamentos, comando de área e reposição, da bola em jogo, rápida e precisa. Em suma, tem de transmitir a sensação de encher a baliza. É sobre este último ponto que gostaria de apresentar um exercício de prospecção.

Quando penso nas qualidades individuais de qualquer guarda-redes, há certos atributos - psicológicos (concentração competitiva, determinação, entre outros) e físicos (agilidade, velocidade, força) - que teriam cabimento para um jogador de campo. Porém, se falarmos de característica técnicas, o caso muda de figura. A um guarda-redes exige-se, sobretudo: comando de área, comunicação, jogo de mãos, pontapé longo, reflexos e saídas a cruzamentos. Por sua vez, a envergadura física desempenha factor distintivo. Neste sentido, o meu trabalho de prospecção incide sobre guarda-redes de altura superior a 1,90 metros. Daqueles que, em linguagem popular, são denominados de "polvos gigantes". Aqui ficam 10 personalidades de vários pontos do mundo, por ordem crescente de estatura.

Nome completo
Austin Ejide
Clube
Bastia
Data de nascimento
08.04.1984 (24 anos)
Nacionalidade: Nigéria
Altura: 1,90m
Peso: 98kg

Nome completo
Yohann Pelé
Clube
Le Mans
Data de nascimento
04.11.1982 (25 anos)
Nacionalidade: França
Altura: 1,92m
Peso: 79kg

Nome completo
Stipe Pletikosa
Clube
Spartak Moscovo
Data de nascimento
08.01.1979 (29 anos)
Nacionalidade: Croácia
Altura: 1,93m
Peso: 83kg

Nome completo
Artur Boruc
Clube
Celtic Glasgow
Data de nascimento
20.02.1980 (28 anos)
Nacionalidade: Polónia
Altura: 1,93m
Peso: 88kg

Nome completo
Maarten Stekelenburg
Clube
Ajax
Data de nascimento
22.09.1982 (25 anos)
Nacionalidade: Holanda
Altura: 1,94m
Peso: 84kg

Nome completo
Márton Fulop
Clube
Sunderland
Data de nascimento
03.05.1983 (25 anos)
Nacionalidade: Hungria
Altura: 1,97m
Peso: 92kg

Nome completo
Fabio Coltorti
Clube
Racing Santander
Data de nascimento
03.12.1980 (25 anos)
Nacionalidade: Suiça
Altura: 1,97m
Peso: 96kg

Nome completo
Andreas Isaksson
Clube
Manchester City
Data de nascimento
03.10.1981 (26 anos)
Nacionalidade: Suécia
Altura: 1,97m
Peso: 78kg

Nome completo
Azmir Begovic
Clube
Portsmouth
Data de nascimento
20.06.1987 (20 anos)
Nacionalidade: Canadá
Altura: 1,98m
Peso: 83kg

Nome completo
Zeljko Kalac
Clube
AC Milan
Data de nascimento
16.12.1972 (35 anos)
Nacionalidade: Austrália
Altura: 2,02m
Peso: 95kg

Em termos internacionais, o registo do provável top 3 mostra guarda-redes de elevada estatura física: Iker Casillas (espanhol, Real Madrid, 26 anos e 185cm), Gianluigi Buffon (italiano, Juventus, 30 anos e 188cm) e Petr Cech (checo, Chelsea, 25 anos e 196cm).
Em Portugal, a tradição mostrava guarda-redes com menos centímetros, mas a tendência actual vai no sentido de seguir os padrões europeus. Na presente época, um dos melhores a defender as redes é português: Quim (184cm e 74kg). Já o menos batido da bwin Liga é brasileiro: Helton (189cm e 84kg). Destaque, ainda, para: Rui Patrício (188cm e 84kg), Eduardo (187cm e 84kg), Peter Jehle (187cm e 81kg) e Beto (180cm e 80kg). Em comum o facto de todos apresentarem valores acima dos 180cm.

Voltemos à análise de prospecção. Alguns dos nomes referidos, como Artur Boruc, Maarten Stekelenburg e Andreas Isaksson, representariam um investimento elevado, provavelmente só ao alcance dos denominados três grandes.
Quanto aos outros, mais ou menos desconhecidos, exceptuando o experiente Zeljko Kalac, podem ser encarados como uma possível oportunidade de negócio para os chamados clubes de 2.ª linha. Por um lado, porque o esforço financeiro não seria tão avultado. Por outro lado, porque algumas das contratações poderiam funcionar mediante a forma de empréstimos. Neste âmbito, poderia citar mais dois exemplos interessantes, quer pela juventude associada, quer pelo valor do passe: Dmytro Nepogodov (ucraniano, Marselha B, 21 anos e 196cm) e Samir Handanovic (bósnio, Udinese, 23 anos e 192cm).
Informo que não conheço detalhadamente alguns dos nomes que têm vindo a ser referidos. O meu objectivo foi identificar guarda-redes específicos para um modelo de jogo eventualmente mais defensivo e preparado para lances de bola parada. Neste sentido, procurei reunir dados estatísticos e pesquisar informação que completasse a análise. Poderíamos considerar este trabalho como o 1.º passo de prospecção. A fase seguinte já exigiria uma abordagem financeira e observações ao vivo.