quarta-feira, 4 de junho de 2008

Só um pequeno aparte...

Sabe-se que este espaço dedica mais tempo ao que se passa dentro do relvado, do que fora dele. Mas, é quase impossível fugir ao assunto que marca o dia. Permitam-me um pequeno aparte.
Surpreendentemente, ou talvez não, o treinador Artur Jorge emitiu a seguinte declaração: O treinador Artur Jorge, que levou o FC Porto à conquista da Taça dos Campeões Europeus em 1987, afirmou hoje que não tem "a menor dúvida" de que o castigo aplicado pela UEFA aos dragões se deveu à "pressão de terceiros".
"As pessoas que estiveram por detrás destas coisas todas devem estar agora muito contentes. Este processo é claro, só não vê quem não quiser", adiantou Artur Jorge em declarações à Agência Lusa.
O técnico português admitiu que não esperava este desfecho, mas mostrou-se confiante na reposição da justiça através do recurso apresentado pelo FC Porto.


Mesmo estando já com a cabeça no 4x2x3x1, ou 4x4x2, da selecção nacional e subjacente estratégia para o jogo com a Turquia, não consigo deixar de exprimir o meu desagrado perante tal alarvidade. Na opinião desta espécie de treinador, a noção de gravidade está associada a quem não pactua com actos (provados) de corrupção desportiva e faz eco institucional desse facto. Em nenhuma parte do seu discurso responsabiliza aqueles que fazem parte da direcção azul e branca. É a desculpabilização no seu esplendor.
Vindo do treinador preterido da selecção do Irão, nada me espanta. Este indivíduo, de suposta superioridade moral, limita-se a espalhar veneno por onde passa, não merecendo um pingo de credibilidade. Lamento profundamente que tenha, em tempos, vestido uma certa camisola com uma águia ao peito. Depois do bonito serviço que realizou no Benfica, ao qual Manuel Damásio não escapa incólume, trata-se de persona non grata. Nem José Mourinho, ao melhor estilo italiano, diria melhor.
Para que não fiquem a pensar que é só má vontade pessoal, leiam este livrinho de José Marinho: Pela Mística Dentro. Figuras ímpares como Mozer, ou Toni, tiraram-lhe o retrato perfeito: a de um ressabiado sem escrúpulos. Não fui eu que pintei o quadro. Só me lembrei de colocar a moldura.

Dragões fora da Liga dos Campeões

No site da UEFA, é possível ler a totalidade da notícia. Na imprensa desportiva portuguesa, pode ler-se o seguinte: O FC Porto foi excluído por um ano da Liga dos Campeões pela Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA, que esta manhã se reuniu por vídeo-conferência. A decisão não é vinculativa e, por isso, agora é tempo dos dragões avançarem com o recurso. Pinto da Costa quebra o silêncio mais logo, pelas 20 horas, no "Jornal da Noite" da SIC. Na única vez em que se referiu à intervenção da UEFA, na recepção dos deputados portistas na Assembleia da República, foi taxativo. "Sinceramente, não tenho o mínimo receio dessa situação. Não me tira o sono. Quem diz isso não tem credibilidade, nem conhece os regulamentos", foram as palavras do líder portista a 14 de Maio.

A justiça tarda, mas não falha.
Sinceramente, pouco me importa que ganhe força a hipótese do Benfica ir disputar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O meu regozijo deriva do facto de observar o mais que provável fim de um clima de impunidade, baseado num discurso arrogante e numa prática virada para o confronto institucional e pessoal.
Façam um slow rewind à memória. Lembram-se, concerteza, de anos e anos povoados de inúmeros casos que foram provocando desconfiança quanto à idoneidade dos senhores vestidos de azul. São mais de duas décadas recheadas de arbitragens vergonhosas. Se, no passado, a incerteza sobre actos de corrupção era palco de conversa de bastidores, e nunca assumida pelos agentes do futebol, o dia 4 de Junho fica assinalado como a decisão que quebra com toda a hipocrisia do passado.
O epílogo da organização europeia só vem comprovar que os nossos olhos viram um filme que não orgulha a verdade desportiva. Não falo da conhecida obra de João Botelho. Falo da longa metragem assente na liderança do senhor Jorge Nuno Pinto da Costa: de Calheiros e agência Cosmos, de viagens ao Brasil e café com leite, de figuras como o guarda Abel e de salada de frutas. Muitos iluminados da nossa praça faziam questão de colocar óculos de tonalidade azulada e as sequelas da vergonha sobrepunham-se umas a seguir às outras. Todos conheciam o título do filme - sistema - mas, a bobine rodava e rodava sem parar. Nunca mais se vislumbrava o fim da história.
A justiça tarda, mas não falha. Aconteça o que acontecer daqui para a frente, respira-se um ar mais puro. Hoje é um dia diferente. É o dia em que os Miguéis Sousas Tavares de Portugal metem as mãos nos bolsos e coram de vergonha enquanto, de cabeça baixa, percorrem um caminho repleto de lodo que eles mesmo fizeram questão de construir.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Cronologia de uma contratação

30 de Abril 2008
Pinto da Costa: «Gostava que viesse o João Moutinho»
Líder elogia capitão do Sporting como jogador "à Porto"


26 de Maio 2008
Soares Franco: «João Moutinho é jogador à Sporting»
Em causa as declarações de Pinto da Costa


1 de Junho 2008
Postiga: «Oportunidade única para relançar carreira»
Avançado é reforço oficial do Sporting


A vinda de Hélder Postiga, do Dragão para Alvalade, não representa facto inédito. Para os mais esquecidos, relembro alguns jogadores que envergaram as duas cores: Inácio, Jaime Pacheco, Sousa, Futre, Morato, entre outros. A imagem seguinte retrata as trocas entre leões e dragões desde a década de 70.

Para além deste apontamento, o meu verdadeiro intuito é o de comunicar um exercício de pura adivinhação. É minha convicção pessoal que as trocas de jersey não vão ficar por aqui, apesar de não dispôr de qualquer informação confidencial (inside trading). Contudo, a possibilidade do FC Porto avançar para a contratação de João Moutinho é um cenário que tem invadido o meu pensamento. Não sei explicar, mas sinto qualquer coisa no ar. Pode ser reflexo das frases que têm vindo a público. Pode ser um feeling, sem grande significado. De qualquer modo, ficaria atento ao provável ressurgimento da chama do dragão...
Já agora, na vossa opinião, quem julgam que retirou mais vantagens do negócio envolvendo Hélder Postiga? O FC Porto? O Sporting? Ambos?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

#15 Prospecção: Javier Cohene

Nome completo
Javier Antonio Cohene Mereles
Data de nascimento
03.05.1987 (21 anos)
Nacionalidade
Paraguaia
Altura: 1,87m
Peso: 84kg
Posição
Defesa central

[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Liga Vitalis - 25J / 1G (2.188)

[Dados da carreira]
2006/07 S. C. Gaúcho
2005/06 Genacal Diaz
2002/03 a 2004/05 S. Pirayú

Javier Cohene é um jovem paraguaio que chegou a Olhão, no Verão de 2007, para cumprir um período experimental, mas que rapidamente conquistou o treinador Álvaro Magalhães, mantendo o estatuto de titular com Diamantino Miranda ao leme do clube algarvio. O central, que recentemente completou 21 anos, actuou em 25 dos 30 jogos na Liga Vitalis e está em final de contrato, embora o Olhanense tenha uma cláusula de opção.
Pelo que tem vindo a ser veiculado na imprensa desportiva, o representante do jogador confirma que há três clubes portugueses, e um da América Central, interessados no valioso defesa central. Esteve referenciado por Jorge Jesus, quase fez parte do plantel desta época, mas a opção acabou por recair em Hugo Alcântara. Também a Académica oferece concorrência, pois a transferência de Kaká para o Hertha de Berlim e a saída de Irineu, que estava emprestado até ao final da época, obrigam Domingos Paciência a ir ao mercado.
Sobre as qualidades do jogador, sublinha-se os elogios de Álvaro Magalhães: "É rápido, fisicamente possante, tecnicamente evoluído, tem um pontapé forte e é fantástico no jogo aéreo, o que o torna perigoso nos cantos"..."Pode jogar já na Liga e dou-lhe 2 anos para estar num grande e ser dos melhores em Portugal". Quem sabe o nome do Benfica não surja no horizonte, agora que Diamantino Miranda integra a equipa técnica liderada pelo espanhol Quique Flores.


Fonte: Olhanense Site Oficial

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Uma (má) notícia nunca vem só...

A pressão do Inter de Milão sobre Ricardo Quaresma promete ser intensa, mas o FC Porto não dá o Mustang por perdido. A SAD acredita ter condições para manter o jogador em 2008/09 e possui trunfos para colocar na mesa, garantindo a sua permanência em boas condições psicológicas se o novo clube de Mourinho não bater os 40 milhões da cláusula de rescisão.

Desde a época 2004/05, o "Harry Potter" português já viu partir imensos companheiros de equipa: Costinha, Maniche, Diego, Luís Fabiano, Hugo Almeida, McCarthy, Pepe, Anderson e, mais recentemente, Bosingwa. Não estando em causa a conquista de troféus, estes exemplos servem para demonstrar que muitos atletas têm prosseguindo a sua carreira no estrangeiro, com maior ou menor sucesso, nomeadamente em ligas mais competitivas e mediante melhores condições financeiras. Depois de 4 temporadas de dragão ao peito, Quaresma não deverá querer desperdiçar a oportunidade de tentar novamente a sua sorte (após passagem por Barcelona), pressionando a SAD do FC Porto a libertá-lo para grandes emblemas do futebol europeu.

"A FC Porto - Futebol, SAD foi hoje notificada, pelo órgão de Controlo e Disciplina da UEFA, da abertura de um procedimento disciplinar tendente à verificação das condições de admissão da FC Porto - Futebol, SAD na edição de 2008/2009 da UEFA Champions League", precisou o FC Porto.

Aconteça o que acontecer, de uma coisa o actual campeão nacional não se livra: do seu nome ser noticiado pelos piores motivos e ficar manchado por actos de corrupção. Pouco importa se os mesmos foram realizados de forma tentada ou consumada. Mesmo que a UEFA não castigue o FC Porto, será difícil passar uma borracha pela decisão desportiva do Conselho Disciplinar da Liga. A agravar a situação, o facto do FC Porto não ter recorrido da sentença só vem prejudicar a honra e bom nome do clube. Em termos de imagem (negativa), as manchetes da imprensa desportiva europeia fazem o resto.

"O jogador Paulo Assunção informou a Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD que põe termo, sem justa causa, ao contrato de trabalho desportivo que o liga a esta sociedade. Esta medida tem efeitos já no final da época em curso.

A comunicação de Paulo Assunção foi efectuada nos termos do Artigo 17º das «Regulations on the status and transfer of player», aprovadas pelo Comité Executivo da FIFA."

Quais as particularidades do Caso Webster?

O Artigo 17 de Regulamento de Transferências da FIFA determina que um jogador possa rescindir livremente com o clube que o emprega, se tiverem passados três anos desde que assinou contrato, para representar por uma equipa estrangeira. Ou apenas dois, se tiver mais de 28 anos. O documento está em vigor desde 2001 e o defesa escocês Andy Webster foi o primeiro a invocar o artigo, cinco anos depois, saindo do Hearts para o Wigan. Da Escócia para Inglaterra. ler mais (+)

Depois de termos assistido à revolução protagonizada pela Lei Bosman, ainda não tive oportunidade para me debruçar sobre as reais consequências do Caso Webster. Já li os passos do processo, mas gostaria de conhecer com mais detalhe os cenários que podem ser colocados. No entanto, pelos comentários que tenho lido sobre a possibilidade do jogador poder envergar a camisola de outro clube português, é necessário desfazer a confusão. Assim, que fique bem claro o seguinte:
Paulo Assunção não vai poder iniciar a próxima época num clube português. Isto porque o Caso Webter invoca o Artigo 17º do Regulamentos de Transferências da FIFA. Ora o Regulamento de Transferências da FIFA só se aplica em transferências internacionais, em transferências de um jogador de um país para o outro. Caso ficasse em Portugal, tratar-se-ia de uma transferência nacional e o jogador já não poderia invocar o Regulamento de Transferências da FIFA. O brasileiro tem por isso que cumprir pelo menos metade da próxima época no estrangeiro. Só podendo voltar a Portugal em Janeiro de 2009. Que foi o que aconteceu precisamente a Andy Webster, o defesa escocês que despoletou o Caso Webster.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

#14 Prospecção: Marko Marin

Nome completo
Marko Marin
Data de nascimento
13.03.1989 (19 anos)
Nacionalidade
Alemã
Altura: 1,68m
Peso: 62kg
Posição
Médio-ala direito

[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Bundesliga 2 - 31J / 4G (11 assistências)

Salvo as devidas comparações, Marko Marin, extremo do Borussia de Mönchengladbach, é apelidado de "Cristiano Ronaldo" alemão. No dia 16 deste mês, Joachim Low incluiu o jovem de 19 anos na pré-convocatória da Alemanha para o Euro'2008. Para alguns foi uma supresa, até pelo facto de actuar na II Divisão, mas o enorme talento de Marko Marin mereceu o voto de confiança. No entanto, a notícia do dia prende-se com o facto do seleccionador alemão ter prescindido do jogador, não constando da lista final de 23 convocados para o Euro'2008.

Trajectória

Marko Marin é natural da Bósnia-Herzegovina, mas naturalizou-se após viver no país que o acolheu. Começou a dar os primeiros pontapés no SG Hoechst, esteve nas categorias do Eintracht Frankfurt e transferiu-se para o Borussia de Mönchengladbach a 1 de Julho de 2005. Tem contrato profissional até Julho de 2010.
Na presente temporada, o seu futebol explodiu definitivamente. Participou em 31 partidas, marcou 4 golos e, pelas informações de que disponho, contou com 11 assistências. Graças a bons desempenhos de Marko Marin, o histórico clube alemão regressa à Bundesliga, depois de conquistar o título na divisão inferior.
E quanto às suas características principais? Pela pesquisa que realizei, a nova aposta germânica para os próximos anos (juntamente com Toni Kroos), destaca-se pela habilidade, drible fácil e capacidade técnica acima da média. Mesmo sendo destro, sente-se confortável quando actua pelo flanco esquerdo. Depois, através da sua velocidade e finta rápida, vai deixando adversários pelo caminho, entusiasmando a plateia que agradece a sua arte. Para terminar, não é o Benfica que precisa de um médio-ala direito?


Fonte: Bundesliga 2

Descubram as diferenças

«O Benfica é o clube do meu coração. Sempre foi e sempre será. Foi lá que me formei como homem e como jogador. Conquistei títulos e tive a oportunidade de dar o salto para o maior campeonato de Mundo. Devo muita coisa ao Benfica e se um dia houver a possibilidade de voltar vou encará-la como uma grande possibilidade», afirmou Ricardo Rocha em entrevista à TSF.

Caneira prefere voltar ao Sporting, clube que o formou, a rumar à Luz para representar o Benfica, onde já esteve na temporada de 2001/02. Esta é, de acordo com o que apurámos, a posição do jogador do Valencia, que está, apesar disso, receptivo a estudar qualquer proposta concreta que lhe apareça durante o defeso.

Caso Luisão abandone mesmo a Luz, ainda restam dúvidas sobre qual o alvo para onde o director desportivo deve apontar baterias? O que pretendemos efectivamente? Jogadores que sintam orgulho e vontade em vestir a camisola encarnada? Ou jogadores que dão prioridade aos leões, colocando o Benfica como segunda escolha? A ser realmente verdade o que vem escrito na imprensa desportiva, a especulação à volta da possível contratação de um central morre logo à nascença. Nesta, como em outras situações, a minha inflexibilidade é registo do qual não prescindo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Quique Sánchez Flores

Os leitores mais fiéis já deviam estranhar não ter escrutinado sobre a novela da escolha do treinador encarnado. Pois bem, depois de no passado sábado o universo benfiquista ter ficado a conhecer Quique Flores, as próximas linhas são dedicadas ao novo treinador do Sport Lisboa e Benfica.
Vamos directos à questão central: fiquei satisfeito com a contratação do treinador espanhol? De certa forma, posso afirmar que concordo com a opção tomada. Acredito que não me ofereça garantias de perspectivar uma época tranquila, mas creio que tem condições para que a ilusão de vitórias ganhe consistência. Comparativamente a outros nomes, primeiras escolhas ou não, gostaria de expressar a seguinte opinião: apesar de considerar que ficaria mais entusiasmado com Laudrup, durmo mais tranquilo com a ambição de Quique, em oposição com o distanciamento manifestado por Eriksson. Os motivos não têm a ver com aspectos ligados à competência. Digamos que é uma razão ligada a convicções pessoais. Chamem-lhe intuição.
Sem querer distanciar-me do propósito do artigo, que fique bem ciente que o treinador é, variadíssimas vezes, um homem solitário. Também sem uma estrutura profissional que suporte o seu trabalho, será difícil pensar em vitórias. A este respeito, sugiro a leitura da crónica organograma funcional da Benfica Futebol SAD. Não pretendo perder mais tempo com esse tema, mas não poderia deixar de contextualizar a acção individual do treinador com a dinâmica colectiva do departamento de futebol. Posto isto, sem questionar (para já) a constituição da restante equipa técnica, centremos a nossa atenção no título do tópico: Quique Sánchez Flores.
Apontamento inicial: não conheço, em detalhe, o conceito de futebol preconizado pelo treinador espanhol. Uma coisa são os dados relativos à carreira, incluindo o percurso profissional e os resultados alcançados. Sobre esse aspecto, a imprensa desportiva já traçou o devido perfil. Torna-se, portanto, escusado repetir o que já foi escrito. No entanto, é sobre o mundo das ideias, do modelo de jogo e da concepção táctica que gostaria de partilhar pensamentos. A esse respeito, chamo à consideração Luís Freitas Lobo. Saltemos de parágrafo.
No entender do conhecido analista português, a contratação de um treinador deve respeitar critérios de competência, de forma a que a explanação de qualidades técnicas vá de encontro à ideia futebolística do clube. Esquecendo a parte financeira, sempre subjacente à escolha da equipa técnica, a minha dúvida reside no seguinte: como medir essa competência individual? Através do mundo dos conceitos e das ideias? Através do futebol praticado no relvado? Através dos resultados? Não deixando de concordar com Luís Freitas Lobo, os atributos qualitativos não podem ser dissociados da prática resultadista. Na minha perspectiva, o primeiro aspecto representa os meios, enquantos os resultados são o espelho dos fins propostos e marca quantitativa na avaliação da competência.
Sobre Quique Flores, para além da sua personalidade e capacidade de liderança, o que importa conhecer? Diria que há atributos mentais e de treino a merecer uma abordagem atenta. Salienta-se:
- Adaptabilidade a uma nova realidade;
- Avaliação da capacidade actual e potencial do jogador;
- Conhecimentos tácticos;
- Determinação e motivação;
- Nível de disciplina;
- Gestão de Recursos Humanos; e
- Trabalho com jovens.
O passado do treinador espanhol dá-nos esperança sobre a forma como idealiza o modelo de jogo, gere o plantel e constrói um onze competitivo para as batalhas no rectângulo verde. Por estarmos a viver um tempo de mudança, com prevísiveis entradas/saídas, os benfiquistas esperam que Quique Flores tenha a sensibilidade técnica suficiente para escolher as peças certas para a máquina do futebol. A experiência anterior, assente na "descoberta" de Gavilán e Raúl Albiol, pode significar um bom ponto de partida.
Quanto à óptica eminentemente táctica, as preferências do novo treinador encarnado são do domínio público: esquemas baseados no 4x4x1x1 (no Getafe) e 4x2x3x1 ou 4x4x2 clássico (no Valência), aliados a uma concepção que privilegia o rigor defensivo, o futebol apoiado e a rapidez nas transições ofensivas. De um modo geral, o retrato está feito.
Fundamental será observar os primeiros meses de trabalho, de maneira a estendermos o conhecimento sobre o modelo de jogo que caracterizará o Benfica do futuro. Refiro-me, nomeadamente, à noção primordial acerca da metodologia de treino e a estratégia respeitante ao tipo de pressão (em largura, em profundidade, zona pressionante baixa, média, alta) e tipo de marcação (homem-a-homem, à zona, mista).
Para terminar, uma curiosidade. Li algures que Quique Flores é adepto de um jogo de simulação estratégica, intitulado PC Fútbol. Diga-se que, nos meus tempos de Faculdade, era um fanático por este belíssimo título da Dinamic Multimedia. Foram imensas horas a vestir a pele de treinador. Anuncio que tenho em meu poder uma versão mais recente, respeitante a 2007. Assim, em jeito de brincadeira, deixo o desafio ao novo "manager" encarnado: Quique, se pretenderes iniciar uma nova competição, prepara-te para sofrer, mas se preferires testar umas variantes tácticas, podes contar com a minha colaboração.

sábado, 24 de maio de 2008

Catenaccio no "Jogo Jogado"

Jogo Jogado
Aos Sábados, às 11h10.






Todas as semanas, a TSF junta três dos mais destacados comentadores de futebol em Portugal. João Querido Manha, João Rosado e Luís Freitas Lobo vão ao fundo das tácticas, analisam as exibições das equipas portuguesas nas provas nacionais e nas competições da UEFA e comentam as opções dos treinadores.

Acordar todos os sábados, às 11h00, tem sido um hábito desde há uns meses largos. Ouvir o programa "Jogo Jogado" é um prazer, quer pela forma como os assuntos do futebol são colocados, quer pela inquestionável qualidade evidenciada pelos comentadores. Nas últimas semanas, tenho contribuído com o envio de diversos emails, essencialmente baseados em textos escritos neste espaço. Hoje, por fim, o programa começou com um artigo que elaborei no dia 10 de Abril, intitulado O regresso do futebol inglês. Para ouvirem as incidências do "Jogo Jogado", façam o favor de clicarem no link que se segue:

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=920568

sábado, 17 de maio de 2008

E depois de Bosingwa? Defesa ou Lateral direito?

José Bosingwa é o mais recente reforço do Chelsea, tendo rubricado um acordo válido pelas próximas três temporadas. Recorde-se que os valores da transferência rondam os 20,5 milhões de euros. Depois de ter escrito sobre a singularidade do guarda-redes, gostaria de propor alternativas face à saída do internacional português.
Em primeiro lugar, há que fazer a distinção entre defesa e lateral. Neste âmbito, quando perante um 4x3x3, Luís Freitas Lobo costuma explicar bem as diferenças: um defesa é aquele que raramente se envolve em combinações ofensivas e funciona, variadíssimas vezes, como terceiro central; um lateral mostra-se mais interventivo nas transições ofensivas e oferece maior profundidade à equipa. No FC Porto de Jesualdo Ferreira, dois jogadores pisavam o mesmo espaço. Porém, o seu raio de acção era diametralmente oposto. Fucile é defesa direito. Bosingwa é lateral do mesmo lado. Ao vê-los jogar, descobrem-se as diferenças.
Para a versão 2008/09, o actual campeão nacional tem de pensar nas implicações que a saída de Bonsingwa representa para o modelo de jogo. Duas hipóteses podem-se colocar:
1 - Se a aposta recaír em Fucile para a posição de defesa direito, será proveitoso pensar em contratar um lateral esquerdo. Porquê? Porque mantendo o princípio de que um dos defesas fecha ao meio, enquanto o outro tem liberdade para subir pelo corredor, seria o jogador uruguaio a posicionar-se mais atrás;
2 - Se a aposta recaír em Fucile (ou outro) para defesa esquerdo, então depreende-se que será necessário encontrar um "clone" de Bosingwa, pois a saída (dinâmica) para o ataque não mudará de flanco.
Pretendo aprofundar, apenas, o segundo cenário.

Já em 1962, o saudoso Fernado Vaz, no seu livro "Noções Práticas do Futebol", afirmava que o lugar de lateral exige jogadores decididos, de personalidade forte, que possuam em elevado grau as qualidades seguintes:
- Sentido de marcação e antecipação;
- Poder de elevação e jogo de cabeça;
- Sentido de obstrução, do desarme, da carga e do ataque;
- Decisão, valentia, velocidade e rapidez de execução; e
- Espírito do comando do jogo.

Bosingwa reúne parte considerável destas qualidades, assente em predicados como a capacidade de desarme e antecipação, eficácia nos cruzamentos, posicionamento, resistência (nas transições) e velocidade. Neste sentido, pondo de parte impedimentos de ordem financeira, aconselharia os seguintes nomes a Jesualdo Ferreira:

Nome completo
Aleksandr Anyukov
Clube
Zenit St. Petersburg
Data de nascimento
28.09.1982 (25 anos)
Nacionalidade: Rússia
Altura: 1,75m
Peso: 66kg

Nome completo
Bernard Mendy
Clube
Paris SG
Data de nascimento
20.08.1981 (26 anos)
Nacionalidade: França
Altura: 1,80m
Peso: 77kg

Nome completo
Branko Ilic
Clube
Bétis Sevilha
Data de nascimento
06.02.1983 (25 anos)
Nacionalidade: Eslovénia
Altura: 1,88m
Peso: 80kg

Nome completo
Darijo Srna
Clube
Shakhtar Donetsk
Data de nascimento
01.05.1982 (26 anos)
Nacionalidade: Croácia
Altura: 1,82m
Peso: 78kg

Nome completo
Gianni Zuiverloon
Clube
Heerenveen
Data de nascimento
30.12.1986 (21 anos)
Nacionalidade: Holanda
Altura: 1,81m
Peso: 70kg

Em Portugal, não é fácil encontrar um "clone" de Bosingwa. Ainda assim, o cabo-verdiano Janício (183cm e 78kg), do Vitória de Setúbal, é o jogador que porventura mais se assemelha com o internacional português. Em termos nacionais, pelo desempenho das últimas épocas, seria uma alternativa a ter em conta.
Para terminar, faço referência a dois laterais que pontificam no Calcio e que se destacam pela capacidade de aceleração e velocidade, com e sem bola: Aimo Diana (Torino, 30 anos) e Cristian Zenoni (Sampdória, 31). Pena que as respectivas idades, assim como prováveis valores dos passes, sejam factores que desaconselhariam pensar numa futura contratação. De qualquer forma, ambos ilustram o tipo de competências exigíveis para a posição de lateral direito.