segunda-feira, 16 de junho de 2008

[Euro'2008] Grupo A: Portugal 0-2 Suiça

Revolução lusitana

Com tudo já decidido, os dois seleccionadores optaram por fazer várias alterações nos respectivos conjuntos relativamente aos embates da segunda jornada. Jakob Kuhn, que se despedia do comando técnico dos helvéticos, trocou o guarda-redes Diego Benaglio por Pascal Zuberbühler e ainda Tranquillo Barnetta por Johan Vonlanthen. Já Luiz Felipe Scolari foi mais radical, tendo apenas mantido Ricardo, Pepe e Paulo Ferreira entre os titulares. Assim, Miguel, Bruno Alves, Miguel Veloso, Raul Meireles, Fernando Meira, Nani, Ricardo Quaresma e Hélder Postiga foram titulares pela primeira vez na prova, sendo que Miguel, Bruno Alves, Miguel Veloso e Hélder Postiga cumpriram os seus primeiros minutos na competição.


Bis de Yakin
Inler ainda fez a bola beijar o poste direito da baliza de Ricardo e, numa altura em que a Suíça dominava, Scolari lançou João Moutinho em campo, por forma a tentar controlar o meio-campo, mas, na jogada seguinte, os suíços conseguiram, finalmente, o golo, com uma tabela de Eren Derdiyok a deixar Yakin isolado perante Ricardo e a rematar por entre as pernas do guardião luso. Entretanto, a entrada de Hugo Almeida nada trouxe de novo à selecção portuguesa, que viria a sofrer novo golo, aos 83 minutos, de novo da autoria de Yakin, desta vez de grande penalidade, a punir falta do capitão Meira sobre Barnetta. Para a Suíça e o seu seleccionador, foi a melhor despedida possível.


Pontuação (de 1 a 10 ) e análise Catenaccio:

Ricardo (7)
Não teve um dia fácil. Foi chamado a intervir em diversas ocasiões e, provavelmente, terá sido a sua melhor exibição em território suiço. No entanto, continua a falhar invariavelmente quando o adversário opta por cruzamentos aéreos. Não teve culpa nos golos sofridos.
Miguel (4)
Assim de repente, lembro-me de um passe longo a solicitar Quaresma e de uma ou outra arrancada na primeira parte. Encontra-se, claramente, longe da sua melhor forma. Noite muito apagada.
Pepe (7,5) (melhor em campo)
O guarda-redes português teve momento de grande inspiração, mas o melhor de Portugal foi mesmo o atleta nascido no Brasil. Praticamente não cometeu erros e, variadíssimas vezes, tentou empurrar a equipa para a frente. Era o que menos merecia a derrota.
Bruno Alves (6)
Foi surpreendido, no primeiro golo, pela diagonal de Yakin. De qualquer modo, sem atingir patamares de brilhantismo, teve um desempenho muito semelhante ao que costuma mostrar no seu clube. Actuação positiva.
Paulo Ferreira (5)
Qualquer que seja o adversário, ou as circunstâncias da partida, joga sempre da mesma forma: concentrado e empenhado. Nunca dá um lance por perdido e procurou, sempre, levar o jogo a sério. Todavia, o amarelo condicionou a sua actuação, tendo saído prematuramente.
Fernando Meira (5)
Tal como Paulo Ferreira, esteve igual a si própio: muito esforçado e sempre com o pensamento centrado no auxílio à equipa. Porém, a verdade é que a partida não lhe correu de feição. Esteve, na maioria das vezes, encostado aos centrais e revelou-se menos participativo na luta intermediária.
Miguel Veloso (4,5)
Talvez por ter sido colocado no vértice esquerdo, como interior, tenha limitado o seu campo de manobra. É certo que procurou pressionar os adversários e desenvolver um jogo apoiado. Tentou, ainda, as virtudes do seu passe longo. Contudo, raramente conseguiu meter fluidez na circulação de bola e pareceu sempre perdido na teia suiça. Não convenceu.
Raul Meireles (5,5)
O que se disse sobre Miguel Veloso, poderia ser aplicado para Raul Meireles. De qualquer forma, o portista esteve uns furos acima do seu colega de equipa. Pela entrega, pela capacidade de recuperação, pela intensidade e, mais importante ainda, pelo atitude competitiva. Inserido em companhia mais dinâmica, é natural que o seu rendimento cresça.
Quaresma (4,5)
Até começou bem: aquele centro de trivela, para a cabeça de Hélder Postiga, prometia exibição colorida. Infelizmente, para si e para a selecção nacional, os primeiros minutos não tiveram seguimento e Quaresma desligou o botão da magia. Até no último passe mostrou-se desastrado. Uma noite que não deixa saudades.
Nani (6,5)
Provavelmente, o mais dinâmico na frente de ataque. Sofreu imensas faltas, mas não deixou aparecer à esquerda, à direita, ao meio, tentando furar a muralha contrária. O maior elogio que se lhe pode fazer é que tem condições para aparecer na equipa principal. Pena que a bola no poste tenha mostrado uma evidência cruel: a noite de ontem não iria ficar marcada pelas tão famosas cambalhotas mortais.
Hélder Postiga (6)
A sua maior virtude esteve na movimentação. Nunca se escondeu do jogo e chamou a bola até si, procurando descobrir o espaço necessário para alvejar as redes contrárias. Esteve perto do golo mas, por uma razão ou por outra, os dotes de finalização não estiveram demasiado apurados. Não foi dos piores e fez por merecer outra oportunidade.
Jorge Ribeiro (5)
Correu quilómetros. Nem sempre bem, mas quase sempre na melhor intenção de empurrar a equipa para o ataque. Esteve concentrado e determinado, mas o meio-campo de Portugal não ajudou a que a sua estreia fosse recordada pelos melhores motivos.
João Moutinho (5)
A entrada do capitão leonino tinha dois objectivos: transmitir maior "nervo" à zona do meio-campo e dotar a equipa de maior velocidade nas transições. João Moutinho conseguiu, a espaços, atingir o que se pedia, mas a sua vivacidade de processos exigia mais tempo em campo.
Hugo Almeida (4)
A chamada da "girafa" portuguesa revelou-se infrutífera. o avançado do Werder Bremen foi pouco (ou mal) solicitado e a sua performance ressentiu-se da menor qualidade evidenciada pelo colectivo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

[Euro'2008] Grupo A: Portugal 3-1 Rep. Checa

Golo madrugador

Fiel à máxima de que em equipa que ganha não se mexe, Luiz Felipe Scolari apresentou os mesmos 11 titulares que iniciaram a partida frente aos turcos, enquanto Karel Brückner preferiu a velocidade e mobilidade de Milan Baroš aos 2,02 metros de altura de Jan Koller. Portugal começou bem o encontro e chegou ao golo logo aos oito minutos. Cristiano Ronaldo arrancou na direcção da baliza, combinou com Nuno Gomes, e recebeu a bola já dentro da área, mas esta sobrou para Deco que, depois de alguma confusão e defesas de Petr Čech, conseguiu mesmo introduzir o esférico no fundo das redes.


Ronaldo decisivo
Com Deco em excelente plano no meio-campo, Ronaldo bateu finalmente o guardião checo logo a seguir, num pontapé rasteiro já dentro da área após assistência do camisola 20. Vlcek e o gigante Koller entraram em campo na tentativa de inverter o maior ascende português, enquanto João Moutinho cedeu o lugar logo depois a Fernando Meira, conferindo maior poderio aéreo no meio-campo e área lusitana. Na parte final de pressão checa, já com Václav Sverkoš, autor do golo da vitória na primeira ronda, Ricardo desviou para canto um remate de cabeça de Sionko no lance mais perigoso, mas em contra-ataque Ronaldo surgiu sozinho perante Cech e não foi egoísta, oferecendo a Ricardo Quaresma o terceiro nos descontos.


Pontuação (de 1 a 10 ) e análise Catenaccio:

Ricardo (6)
Teve uma defesa fabulosa, quando o marcador ainda apresentava a margem mínima. Entre os postes, não houve mais oportunidades para brilhar, mas nos cruzamento continua a demonstrar enorme instabilidade de decisão.
Bosingwa (7)
O maior reparo que se lhe pode apontar é o de não ter sido o Bosingwa à la FC Porto, ou seja, aventureiro a percorrer o corredor dreito e incansável na recuperação do seu posto. Conseguiu, a espaços, atingir esse nível e, sem ter estado fantástico, não cometeu erros dignos de registo.
Pepe (7,5)
Milan Baros deu-lhe bastante trabalho, a exigir atenção redobrada. Contudo, Pepe esteve bem na marcação, muito rápido e decidido nos duelos individuais. Não deixou de ser visível alguma tremideira, mas amplamente compensada pelo bom uso dos seus atributos de cabeceamento e impulsão. Na hora da verdade, lá estava o central luso-brasileiro a limpar a sua zona de jurisdição.
Ricardo Carvalho (7)
Parece-me que a velocidade de reacção não é a mesma de outros anos. Foi notória alguma precipitação na abordagem de certos lances, a juntar a algumas faltas escusadas. As razões talvez se prendam com o facto do entendimento com o colega de sector ainda não ser perfeito. Porém, na parte final do jogo elevou o patamar exibicional ao comandar o posicionamento do sector defensivo.
Paulo Ferreira (7)
O extremo Sionko causou-lhe alguns problemas e o lateral do Chelsea teve que fazer uso das suas qualidades: concentração competitiva e rigor táctico. Curiosamente, na primeira parte, até procurou passar a linha de meio-campo, combinando com o homem que caía nesse flanco. Sem deslumbrar, é daqueles que não sabe jogar mal.
Petit (7,5)
Pisou cada cantinho de terreno, sempre solícito a pressionar o homem que conduzia a bola. É certo que os seus cortes oportunos não merecem o flash das câmeras fotográficas. Tampouco as suas correrias constantes fazem por aparecer nos resumos. No entanto, este é o Petit dos velhos tempos.
João Moutinho (7)
Não esteve tão exuberante como frente à Turquia, pois viu-se amiúde emparedado entre o muro checo. A sua tarefa nas transições era hercúlea, mas a combatividade do capitão leonino aliou-se ao enorme saber táctico que deposita em cada intervenção.
Deco (9) (melhor em campo)
No meu entender, foi o melhor em campo. Não tem o mediatismo de Cristiano Ronaldo, mas tem a inteligência dos grandes estrategas. Para além de participação directa nos lances capitais, manteve, durante os noventa minutos, alto rendimento. Agora que foi tornada pública a sua ida para Stamford Bridge, os adeptos ingleses vão conhecer o verdadeiro significado da trilogia recepção, passe e desmarcação.
Simão (7)
Assim de repente, lembro-me de um remate à figura do guarda-redes do Chelsea. Não teve rasgos individuais dignos de realce, mas tem sido dos que mais luta para o interesse do grupo. Tanto aparece no espaço vazio, como extremo, como recua para ajudar o lateral do seu lado. Tem mostrado ser, sem dúvida, um elemento fundamental para o equilíbrio colectivo.
Cristiano Ronaldo (8,5)
Demasiado individualista, ao longo da partida, não realizou uma exibição ao nível daquelas que já o vimos fazer pelo Manchester United, mas esteve no melhor de Portugal: envolvido na triângulação de que resulta o golo de Deco; na obtenção do segundo, a passe do luso-brasileiro; e na assistência para o terceiro, a cargo de Quaresma.
Nuno Gomes (6,5)
A defesa checa não lhe deu muito espaço e revelou-se menos participativo do que frente à Turquia. De qualquer modo, no lance do primeiro golo foi, uma vez mais, decisivo na movimentação e inteligente no passe. Registe-se uma acção individual, na única hipótese que teve para desfeitear Petr Cech.
Fernando Meira (7)
Jogou, apenas, 15 minutos. Todavia, foi de uma utilidade extrema, quer na marcação ao gigante checo Jan Koller, quer no auxílio ao eixo central. Actuação bem positiva.
Hugo Almeida (5)
Percebeu-se a sua entrada como forma de Portugal ganhar centímetros nos lances aéreos. Procurou ser a referência atacante, mas praticamente não dispôs de oportunidade para tocar na bola.
Ricardo Quaresma (6)
Não teve tempo para abrilhantar Genève com as trivelas habituais, mas conseguiu ganhar segundos com a tão preciosa retenção de bola. Tal como Raul Meireles, na partida inaugural, teve a felicidade de entrar e fechar a contagem.

domingo, 8 de junho de 2008

[Euro'2008] Grupo A: Portugal 2-0 Turquia

Posse de bola determinante
Portugal dominou o jogo, o que é visível pela percentagem de posse de bola. Ao intervalo tinha 63 por cento e até marcar o primeiro golo o jogo foi praticamente de sentido único. A equipa de Luiz Filpe Scolari também foi mais disciplinada, cometendo apenas dez faltas, quatro delas depois do golo inaugural, contra 23 da Turquia - um indicador da qualidade, bem como da quantidade da sua posse de bola.


Ocasiões de golo
Ambos os golos surgiram de jogadores inesperados, que nunca tinham marcado por Portugal. E ambos foram resultado de uma forma de jogar mais aberta e ofensiva, em vez da contenção. A Turquia não criou uma única oportunidade de golo flagrante e só ameaçou a baliza lusa ocasionalmente, através de cruzamentos e pontapés de canto. Em oposição, Portugal fez oito remates à baliza, dois dos quais ao poste - por intermédio de Cristiano Ronaldo e Nuno Gomes - e um outro que embateu na barra da baliza, da autoria do capitão português (Nuno Gomes), num remate de cabeça.


Pontuação (de 1 a 10 ) e análise Catenaccio:

Ricardo (6,5)
Não teve muito trabalho, mas esteve concentrado e atento aos cruzamentos. Exige-se maior cuidado a jogar com os pés.
Bosingwa (7,5)
Procurou envolver-se ofensivamente, mas sem descurar o espaço de jurisdição. Raramente foi ultrapassado em duelos individuais.
Pepe (9) (melhor em campo)
Excelente exibição. Atrás, não deu qualquer hipótese aos seus adversários directos e, à frente, na marcação de pontapés de canto, esteve em foco. Mereceu o golo que marcou.
Ricardo Carvalho (7)
Esteve mais discreto que o colega de sector, mas soube comandar a defesa com acerto. Revelou atenção nas dobras.
Paulo Ferreira (7)
Sabia-se que não iria usufruir de muita liberdade para subir no terreno, mas teve a virtude de não complicar. Vale pelo posicionamento e rigor táctico.
Petit (7,5)
A desconfiança sobre a sua condição física foi plenamente esquecida. Sem ter sido brilhante, foi importante na manutenção de equilíbrios colectivos.
João Moutinho (8,5)
O maior elogio que se lhe pode fazer é que encheu o campo, quer no auxílio transmitido na transição defensiva, quer na condução de bola e na criação de linhas de apoio e de passe. Uma formiguinha de trabalho.
Deco (8)
Fez jus às suas qualidades, nomeadamente ao pautar o ritmo de jogo e coordenar os lances ofensivos. Muito bem no passe longo, a solicitar a entrada dos extremos.
Simão (7)
Não teve jogadas de génio a que já nos habituou, mas esteve perto de marcar na marcação de um livre directo. Não se escondeu e soube jogar para o interesse da equipa.
Cristiano Ronaldo (7)
Do "puto maravilha" espera-se sempre algo grandioso. Não realizou uma exibição de encher o olho, até porque esteve sempre muito rodeado por vários adversários. Ainda assim, graças à sua presença condicionou, de que maneira, a artilharia turca.
Nuno Gomes (7,5)
Podem acusá-lo de, mais uma vez, ter demonstrado insuficiências na finalização. De qualquer modo, esteve muito interventivo e pode queixar-se de falta de sorte naqueles remates que embaterem no poste e na barra. Delicioso o pormenor da tabelinha com Pepe.
Nani (6)
Procurou mostrar serviço mas, por uma razão ou por outra, não esteve feliz no último passe.
Raul Meireles (6,5)
Entrou para dar segurar a bola e oferecer maior vivacidade e frescura ao meio-campo. Conseguiu desempenhar esse papel e, ainda, teve tempo para confirmar a vitória.
Fernando Meira (-)
Entrou já na parte final, como forma de assegurar a magra vantagem. Mal teve tempo para tocar na bola mas, logo a seguir, Portugal fechou a contagem.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Futuro de C. Ronaldo: Qual a melhor opção?

Nos últimos dias não se tem falado de outra coisa: qual será o futuro do (provável) melhor jogador de futebol do mundo? A notícia do jornal "A Bola" indica que o "menino-prodígio" chegou a acordo com o Real Madrid, numa ligação que é válida por cinco temporadas e que vai valer cerca de 9,5 milhões de euros por época. No entanto, a Mãe de Cristiano Ronaldo tinha comunicado que o filho iria permanecer em Inglaterra. A questão é: qual a melhor opção para a estrela portuguesa? Manter-se em Manchester? Mudar-se para Madrid?
De jogadores a treinadores, passando por adeptos e dirigentes, todos já lançaram pelo menos um "bitaite" sobre o tema. Por um lado, David Beckham é da opinião que Cristiano Ronaldo não deve mudar de camisola, por ser mais protegido em Old Trafford. Já Luís Figo, aconselha o "puto maravilha" a experimentar os ares da capital espanhola. Para além da natural influência externa, e qualquer que seja o desejo da família, o actual n.º 7 da selecção nacional deve colocar no topo de prioridades o seu grande objectivo profissional: ficar na história do futebol. No meu entender, a melhor forma de alcançar esse desígnio é...continuar mais uns anos a encantar o "Teatro dos Sonhos". De seguida, apresento os meus motivos.
O que é preciso para que o jovem talento português ganhe direito a figurar entre o top 10 mundial? Se nos lembrarmos de figuras como Pelé, Eusébio, Beckenbauer, Cruyff, Maradona, para citar alguns, existe algo que os une: uma carreira que os identifica com o emblema de um clube ou com a conquista de troféus pelas cores nacionais. Johan Cruyff, por exemplo, venceu a Liga dos Campeões da UEFA por três vezes (1971, 1972 e 1973, com o Ajax). Michel Platini, por seu lado, marcou uma época na Juventus, que entre a sua estada de 1982 a 1987, viveu conquistas e momentos fantásticos. Diego Armando Maradona colocou o Nápoles no mapa do futebol e "La Mano de Dios" levou o povo argentino a tocar o céu. Ao trazer o nome de algumas "velhas glórias" para a discussão, pretendo demonstrar o seguinte: as lendas nascem de um sentimento de fidelidade a uma camisola e perduram através da memória do seu povo. Na minha humilde opinião não é no meio de empresários, a negociar contratos, que o "wonderkid" encontrará o caminho da história. As lendas surgem dos relvados. Não dos gabinetes.
Termino o meu ponto de vista com outro argumento válido. Em Manchester, tal como afirmou David Beckham, Cristiano Ronaldo é protegido e acarinhado por todos: treinadores, colegas de equipa e adeptos. Em Madrid, o ambiente "galáctico" pode não ser (necessariamente) tão fresco. Há que não pôr outro factor de parte: em Inglaterra, o prodígio português é admirado pelas fintas mirabolantes e pelos golos fantástico; em Espanha, pode ser aclamado pelo público, mas a sua performance é, muitas vezes, medida pelo número de camisolas vendidas. Mesmo que Cristiano Ronaldo seja considerado o jogador do ano, o seu maior desafio será o de manter-se no topo, de preferência por longos anos.
Qual o caminho para ficar na história? Qual a forma de ser recordado como uma lenda? Permanecer em Manchester ou, em contrapartida, tentar a aventura chamada Madrid? Para mim, a diferença é óbvia: na primeira situação é olhado genuinamente como um fabuloso jogador de futebol; no segundo cenário é encarado como um produto de merchandising.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Só um pequeno aparte...

Sabe-se que este espaço dedica mais tempo ao que se passa dentro do relvado, do que fora dele. Mas, é quase impossível fugir ao assunto que marca o dia. Permitam-me um pequeno aparte.
Surpreendentemente, ou talvez não, o treinador Artur Jorge emitiu a seguinte declaração: O treinador Artur Jorge, que levou o FC Porto à conquista da Taça dos Campeões Europeus em 1987, afirmou hoje que não tem "a menor dúvida" de que o castigo aplicado pela UEFA aos dragões se deveu à "pressão de terceiros".
"As pessoas que estiveram por detrás destas coisas todas devem estar agora muito contentes. Este processo é claro, só não vê quem não quiser", adiantou Artur Jorge em declarações à Agência Lusa.
O técnico português admitiu que não esperava este desfecho, mas mostrou-se confiante na reposição da justiça através do recurso apresentado pelo FC Porto.


Mesmo estando já com a cabeça no 4x2x3x1, ou 4x4x2, da selecção nacional e subjacente estratégia para o jogo com a Turquia, não consigo deixar de exprimir o meu desagrado perante tal alarvidade. Na opinião desta espécie de treinador, a noção de gravidade está associada a quem não pactua com actos (provados) de corrupção desportiva e faz eco institucional desse facto. Em nenhuma parte do seu discurso responsabiliza aqueles que fazem parte da direcção azul e branca. É a desculpabilização no seu esplendor.
Vindo do treinador preterido da selecção do Irão, nada me espanta. Este indivíduo, de suposta superioridade moral, limita-se a espalhar veneno por onde passa, não merecendo um pingo de credibilidade. Lamento profundamente que tenha, em tempos, vestido uma certa camisola com uma águia ao peito. Depois do bonito serviço que realizou no Benfica, ao qual Manuel Damásio não escapa incólume, trata-se de persona non grata. Nem José Mourinho, ao melhor estilo italiano, diria melhor.
Para que não fiquem a pensar que é só má vontade pessoal, leiam este livrinho de José Marinho: Pela Mística Dentro. Figuras ímpares como Mozer, ou Toni, tiraram-lhe o retrato perfeito: a de um ressabiado sem escrúpulos. Não fui eu que pintei o quadro. Só me lembrei de colocar a moldura.

Dragões fora da Liga dos Campeões

No site da UEFA, é possível ler a totalidade da notícia. Na imprensa desportiva portuguesa, pode ler-se o seguinte: O FC Porto foi excluído por um ano da Liga dos Campeões pela Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA, que esta manhã se reuniu por vídeo-conferência. A decisão não é vinculativa e, por isso, agora é tempo dos dragões avançarem com o recurso. Pinto da Costa quebra o silêncio mais logo, pelas 20 horas, no "Jornal da Noite" da SIC. Na única vez em que se referiu à intervenção da UEFA, na recepção dos deputados portistas na Assembleia da República, foi taxativo. "Sinceramente, não tenho o mínimo receio dessa situação. Não me tira o sono. Quem diz isso não tem credibilidade, nem conhece os regulamentos", foram as palavras do líder portista a 14 de Maio.

A justiça tarda, mas não falha.
Sinceramente, pouco me importa que ganhe força a hipótese do Benfica ir disputar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O meu regozijo deriva do facto de observar o mais que provável fim de um clima de impunidade, baseado num discurso arrogante e numa prática virada para o confronto institucional e pessoal.
Façam um slow rewind à memória. Lembram-se, concerteza, de anos e anos povoados de inúmeros casos que foram provocando desconfiança quanto à idoneidade dos senhores vestidos de azul. São mais de duas décadas recheadas de arbitragens vergonhosas. Se, no passado, a incerteza sobre actos de corrupção era palco de conversa de bastidores, e nunca assumida pelos agentes do futebol, o dia 4 de Junho fica assinalado como a decisão que quebra com toda a hipocrisia do passado.
O epílogo da organização europeia só vem comprovar que os nossos olhos viram um filme que não orgulha a verdade desportiva. Não falo da conhecida obra de João Botelho. Falo da longa metragem assente na liderança do senhor Jorge Nuno Pinto da Costa: de Calheiros e agência Cosmos, de viagens ao Brasil e café com leite, de figuras como o guarda Abel e de salada de frutas. Muitos iluminados da nossa praça faziam questão de colocar óculos de tonalidade azulada e as sequelas da vergonha sobrepunham-se umas a seguir às outras. Todos conheciam o título do filme - sistema - mas, a bobine rodava e rodava sem parar. Nunca mais se vislumbrava o fim da história.
A justiça tarda, mas não falha. Aconteça o que acontecer daqui para a frente, respira-se um ar mais puro. Hoje é um dia diferente. É o dia em que os Miguéis Sousas Tavares de Portugal metem as mãos nos bolsos e coram de vergonha enquanto, de cabeça baixa, percorrem um caminho repleto de lodo que eles mesmo fizeram questão de construir.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Cronologia de uma contratação

30 de Abril 2008
Pinto da Costa: «Gostava que viesse o João Moutinho»
Líder elogia capitão do Sporting como jogador "à Porto"


26 de Maio 2008
Soares Franco: «João Moutinho é jogador à Sporting»
Em causa as declarações de Pinto da Costa


1 de Junho 2008
Postiga: «Oportunidade única para relançar carreira»
Avançado é reforço oficial do Sporting


A vinda de Hélder Postiga, do Dragão para Alvalade, não representa facto inédito. Para os mais esquecidos, relembro alguns jogadores que envergaram as duas cores: Inácio, Jaime Pacheco, Sousa, Futre, Morato, entre outros. A imagem seguinte retrata as trocas entre leões e dragões desde a década de 70.

Para além deste apontamento, o meu verdadeiro intuito é o de comunicar um exercício de pura adivinhação. É minha convicção pessoal que as trocas de jersey não vão ficar por aqui, apesar de não dispôr de qualquer informação confidencial (inside trading). Contudo, a possibilidade do FC Porto avançar para a contratação de João Moutinho é um cenário que tem invadido o meu pensamento. Não sei explicar, mas sinto qualquer coisa no ar. Pode ser reflexo das frases que têm vindo a público. Pode ser um feeling, sem grande significado. De qualquer modo, ficaria atento ao provável ressurgimento da chama do dragão...
Já agora, na vossa opinião, quem julgam que retirou mais vantagens do negócio envolvendo Hélder Postiga? O FC Porto? O Sporting? Ambos?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

#15 Prospecção: Javier Cohene

Nome completo
Javier Antonio Cohene Mereles
Data de nascimento
03.05.1987 (21 anos)
Nacionalidade
Paraguaia
Altura: 1,87m
Peso: 84kg
Posição
Defesa central

[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Liga Vitalis - 25J / 1G (2.188)

[Dados da carreira]
2006/07 S. C. Gaúcho
2005/06 Genacal Diaz
2002/03 a 2004/05 S. Pirayú

Javier Cohene é um jovem paraguaio que chegou a Olhão, no Verão de 2007, para cumprir um período experimental, mas que rapidamente conquistou o treinador Álvaro Magalhães, mantendo o estatuto de titular com Diamantino Miranda ao leme do clube algarvio. O central, que recentemente completou 21 anos, actuou em 25 dos 30 jogos na Liga Vitalis e está em final de contrato, embora o Olhanense tenha uma cláusula de opção.
Pelo que tem vindo a ser veiculado na imprensa desportiva, o representante do jogador confirma que há três clubes portugueses, e um da América Central, interessados no valioso defesa central. Esteve referenciado por Jorge Jesus, quase fez parte do plantel desta época, mas a opção acabou por recair em Hugo Alcântara. Também a Académica oferece concorrência, pois a transferência de Kaká para o Hertha de Berlim e a saída de Irineu, que estava emprestado até ao final da época, obrigam Domingos Paciência a ir ao mercado.
Sobre as qualidades do jogador, sublinha-se os elogios de Álvaro Magalhães: "É rápido, fisicamente possante, tecnicamente evoluído, tem um pontapé forte e é fantástico no jogo aéreo, o que o torna perigoso nos cantos"..."Pode jogar já na Liga e dou-lhe 2 anos para estar num grande e ser dos melhores em Portugal". Quem sabe o nome do Benfica não surja no horizonte, agora que Diamantino Miranda integra a equipa técnica liderada pelo espanhol Quique Flores.


Fonte: Olhanense Site Oficial

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Uma (má) notícia nunca vem só...

A pressão do Inter de Milão sobre Ricardo Quaresma promete ser intensa, mas o FC Porto não dá o Mustang por perdido. A SAD acredita ter condições para manter o jogador em 2008/09 e possui trunfos para colocar na mesa, garantindo a sua permanência em boas condições psicológicas se o novo clube de Mourinho não bater os 40 milhões da cláusula de rescisão.

Desde a época 2004/05, o "Harry Potter" português já viu partir imensos companheiros de equipa: Costinha, Maniche, Diego, Luís Fabiano, Hugo Almeida, McCarthy, Pepe, Anderson e, mais recentemente, Bosingwa. Não estando em causa a conquista de troféus, estes exemplos servem para demonstrar que muitos atletas têm prosseguindo a sua carreira no estrangeiro, com maior ou menor sucesso, nomeadamente em ligas mais competitivas e mediante melhores condições financeiras. Depois de 4 temporadas de dragão ao peito, Quaresma não deverá querer desperdiçar a oportunidade de tentar novamente a sua sorte (após passagem por Barcelona), pressionando a SAD do FC Porto a libertá-lo para grandes emblemas do futebol europeu.

"A FC Porto - Futebol, SAD foi hoje notificada, pelo órgão de Controlo e Disciplina da UEFA, da abertura de um procedimento disciplinar tendente à verificação das condições de admissão da FC Porto - Futebol, SAD na edição de 2008/2009 da UEFA Champions League", precisou o FC Porto.

Aconteça o que acontecer, de uma coisa o actual campeão nacional não se livra: do seu nome ser noticiado pelos piores motivos e ficar manchado por actos de corrupção. Pouco importa se os mesmos foram realizados de forma tentada ou consumada. Mesmo que a UEFA não castigue o FC Porto, será difícil passar uma borracha pela decisão desportiva do Conselho Disciplinar da Liga. A agravar a situação, o facto do FC Porto não ter recorrido da sentença só vem prejudicar a honra e bom nome do clube. Em termos de imagem (negativa), as manchetes da imprensa desportiva europeia fazem o resto.

"O jogador Paulo Assunção informou a Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD que põe termo, sem justa causa, ao contrato de trabalho desportivo que o liga a esta sociedade. Esta medida tem efeitos já no final da época em curso.

A comunicação de Paulo Assunção foi efectuada nos termos do Artigo 17º das «Regulations on the status and transfer of player», aprovadas pelo Comité Executivo da FIFA."

Quais as particularidades do Caso Webster?

O Artigo 17 de Regulamento de Transferências da FIFA determina que um jogador possa rescindir livremente com o clube que o emprega, se tiverem passados três anos desde que assinou contrato, para representar por uma equipa estrangeira. Ou apenas dois, se tiver mais de 28 anos. O documento está em vigor desde 2001 e o defesa escocês Andy Webster foi o primeiro a invocar o artigo, cinco anos depois, saindo do Hearts para o Wigan. Da Escócia para Inglaterra. ler mais (+)

Depois de termos assistido à revolução protagonizada pela Lei Bosman, ainda não tive oportunidade para me debruçar sobre as reais consequências do Caso Webster. Já li os passos do processo, mas gostaria de conhecer com mais detalhe os cenários que podem ser colocados. No entanto, pelos comentários que tenho lido sobre a possibilidade do jogador poder envergar a camisola de outro clube português, é necessário desfazer a confusão. Assim, que fique bem claro o seguinte:
Paulo Assunção não vai poder iniciar a próxima época num clube português. Isto porque o Caso Webter invoca o Artigo 17º do Regulamentos de Transferências da FIFA. Ora o Regulamento de Transferências da FIFA só se aplica em transferências internacionais, em transferências de um jogador de um país para o outro. Caso ficasse em Portugal, tratar-se-ia de uma transferência nacional e o jogador já não poderia invocar o Regulamento de Transferências da FIFA. O brasileiro tem por isso que cumprir pelo menos metade da próxima época no estrangeiro. Só podendo voltar a Portugal em Janeiro de 2009. Que foi o que aconteceu precisamente a Andy Webster, o defesa escocês que despoletou o Caso Webster.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

#14 Prospecção: Marko Marin

Nome completo
Marko Marin
Data de nascimento
13.03.1989 (19 anos)
Nacionalidade
Alemã
Altura: 1,68m
Peso: 62kg
Posição
Médio-ala direito

[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Bundesliga 2 - 31J / 4G (11 assistências)

Salvo as devidas comparações, Marko Marin, extremo do Borussia de Mönchengladbach, é apelidado de "Cristiano Ronaldo" alemão. No dia 16 deste mês, Joachim Low incluiu o jovem de 19 anos na pré-convocatória da Alemanha para o Euro'2008. Para alguns foi uma supresa, até pelo facto de actuar na II Divisão, mas o enorme talento de Marko Marin mereceu o voto de confiança. No entanto, a notícia do dia prende-se com o facto do seleccionador alemão ter prescindido do jogador, não constando da lista final de 23 convocados para o Euro'2008.

Trajectória

Marko Marin é natural da Bósnia-Herzegovina, mas naturalizou-se após viver no país que o acolheu. Começou a dar os primeiros pontapés no SG Hoechst, esteve nas categorias do Eintracht Frankfurt e transferiu-se para o Borussia de Mönchengladbach a 1 de Julho de 2005. Tem contrato profissional até Julho de 2010.
Na presente temporada, o seu futebol explodiu definitivamente. Participou em 31 partidas, marcou 4 golos e, pelas informações de que disponho, contou com 11 assistências. Graças a bons desempenhos de Marko Marin, o histórico clube alemão regressa à Bundesliga, depois de conquistar o título na divisão inferior.
E quanto às suas características principais? Pela pesquisa que realizei, a nova aposta germânica para os próximos anos (juntamente com Toni Kroos), destaca-se pela habilidade, drible fácil e capacidade técnica acima da média. Mesmo sendo destro, sente-se confortável quando actua pelo flanco esquerdo. Depois, através da sua velocidade e finta rápida, vai deixando adversários pelo caminho, entusiasmando a plateia que agradece a sua arte. Para terminar, não é o Benfica que precisa de um médio-ala direito?


Fonte: Bundesliga 2