terça-feira, 8 de julho de 2008

[2008/09] SL Benfica: arranque da pré-época

Liga Sagres 2008/09

A partir da época 2008-09 a principal competição profissional em Portugal passa a ser designada como Liga Sagres. O patrocínio é válido por quatro anos. A Sagres, marca da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, é um patrocinador há muitos anos associado ao futebol. O seu nome está ligado à Selecção Nacional desde 1993.

Entretanto, foi sorteado o calendário da Liga Sagres 2008/09. O FC Porto, campeão nacional, recebe o Belenenses na 1ª jornada do Campeonato. O Benfica viajará até Vila do conde onde defrontará o recém promovido Rio Ave, enquanto que o Sporting receberá o Trofense em Alvalade. Confira aqui todo o calendário da Liga Portuguesa.

Clássicos na Liga 2008/09:

2ª jornada (31 de Agosto)
Benfica-F.C. Porto

4ª jornada (28 de Setembro)
Benfica-Sporting

5ª jornada (5 de Outubro)
Sporting-F.C. Porto

17ª jornada (8 de Fevereiro)
F.C. Porto-Benfica

19ª jornada (22 de Fevereiro)
Sporting-Benfica

20ª jornada (1 de Março)
F.C. Porto-Sporting

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A República das Bananas

Não me tem apetecido escrever. O último artigo data de 30 Junho, já lá vai uma semana. Desde que terminou o Euro’2008, as notícias à volta do futebol não me têm dado motivos para sorrir. Entretanto, depois da vitória da selecção espanhola, destaque para algumas novidades: (i) o Benfica contratou Carlos Martins por 3 milhões de euros; (ii) a novela Pablo Aimar tarda em ter um desfecho positivo; e (iii) as consequências do "Apito Final" demoram a ser concluídas.

Sobre Carlos Martins, não tenho razões para alegrias desmesuradas. Não concordo com a contratação porque, a meu ver, não basta ter jeitinho para jogar à bola. A carreira do jogador mostra incertezas quanto à sua postura profissional. Resta-me acreditar na opinião de Rui Costa e confiar que o centrocampista formado em Alvalade possa constituir uma verdadeira mais-valia.

Quanto ao plantel do Benfica, versão 2008/09, creio que ainda é precipitado retirar conclusões. Há que aguardar pelo desenrolar da novela dos reforços, conhecer quem são os dispensados e ter em conta a possibilidade de algumas vendas. Quando Quique Flores decidir acerca dos 26 jogadores, cá estaremos para elaborar uma apreciação detalhada, posição por posição. Até lá, esperemos por notícias conclusivas.

Chegamos à pior parte, aquela que interessa realmente e que me deprime até à profundeza do meu ser. É escusado repetir os acontecimentos da reunião do Conselho de Justiça da Federação. É perder tempo voltar a escrever sobre o resultado da reunião extraordinária da Direcção da Federação Portuguesa de Futebol. Penso que todos estão actualizados com as cenas dos últimos capítulos. Em caso de desconhecimento, sigam os links anteriores.

Sinceramente, faltam palavras para descrever a enorme vergonha em que se transformou o futebol português. Se pensarmos um bocadinho, nem sequer devíamos estar admirados. Há algum assunto sério que se resolva neste país? Quando o tema diz respeito à justiça, a impotência dos cidadãos é maior que a Sagrada Família de Barcelona. A desconfiança sobre as instituições atinge os limites do insuportável. As figurinhas do dirigismo português mantêm a sua rede de influência. A sua intocabilidade só demonstra que o poder político protege a partilha de interesses. A corrupção grassa (também na sociedade) e, lamentavelmente, nada acontece.

Neste momento, pouco me importa se o Benfica vai contratar o Pablo Aimar, o Saviola ou o Zé Tremoço. Com este futebolzinho de mentira, nem o Manchester United seria campeão. Temo que, mais uma vez, tudo seja esquecido, arrumado numa qualquer gaveta e os senhores da bola continuem a fazer gala da sua arrogância, fumando charutos nos camarotes presidenciais. Nada que espante, caros amigos. Afinal, o "Ballet Rose" teve alguma consequência? O caso "Casa Pia" deu nalguma coisa? O caso "Maddie" chegou a alguma conclusão? Este deve ser o país onde existem mais carimbos por metro quadrado, onde se pode ler: arquivado. É o que temos. A República das Bananas chamada Portugal.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

[Euro'2008] Final: Espanha 1-0 Alemanha

Depois de uma espera de 44 anos, a Espanha voltou a conquistar o Campeonato da Europa, ao bater na final do UEFA EURO 2008™ a Alemanha, por 1-0, no Ernst-Happel-Stadion. Fernando Torres foi o herói dos espanhóis, ao apontar, ainda na primeira parte, o golo solitário da partida.

Onze titular

No início da prova, Luis Aragonés tinha desenhado um 4x4x2 que apostava no seguinte: (i) versatilidade de movimentos de dois avançados (diferente do conceito puro de ponta-de-lança), (ii) dinamismo de três homens de segunda linha, com e sem bola; (iii) critério posicional transmitido pelo melhor pivot do torneio, e (iv) capacidade de antecipação de um quarteto defensivo, comandado pelo enorme Iker Casillas.
Após a lesão de David Villa, a equipa espanhola estendeu-se num 4x1x4x1, mas os princípios de jogo mantiveram-se intactos e a ideia principal – leia-se filosofia colectiva – nunca foi posta em causa. Inclusive, a entrada de Cesc Fabregas revelou-se crucial no prolongamento da identidade espanhola. Venceu, sem margem para dúvidas, a prática do bom futebol.

Razões para uma Espanha triunfante

Os principais motivos são publicamente conhecidos: concentração competitiva, rigor nos movimentos de transição, qualidade na posse e na circulação de bola. Em suma, poderia enumerar aspectos ligados à condição física, enaltecer a força mental e elogiar os atributos técnicos. Prefiro, no entanto, centrar-me na questão táctica.

Na sua coluna semanal, Rodrigo Azevedo Leitão escreve o seguinte: "Verticalmente, ao analisarmos o campo de jogo notaremos que quanto menor o número de linhas que orientam a lógica de uma equipe, maior o espaço vertical descoberto presente no campo. Por outro lado, ao analisarmos a distribuição horizontal, notaremos que o número menor de linhas faz com que elas possam ficar mais longas, o que em largura pode promover uma melhor ocupação do espaço do jogo"..."Por fim, o mais importante é que haja entendimento da complexidade, variáveis e nuances que a plataforma de jogo e o número de linhas podem trazer para o cumprimento efetivo de um modelo de jogo".

Esta abordagem sobre o número de linhas, com influência directa no tipo de pressão (vertical vs horizontal), abre espaço para uma análise gráfica bem curiosa.

Cenário 1: Fase de Grupos (D) e ¼ de Final

N.º linhas = 4 (4 defesas, 1 pivot defensivo – Marcos Senna – um trio criativo e 2 avançados)
N.º golos marcados = 4+2+2 = 8
N.º golos sofridos = 0+1+1 = 2
O jogo frente à Itália não é considerado, pois foi resolvido no desempate por pontapés de grande penalidade.
Pressão em profundidade, meio-campo em 1x3x(2 avançados)

Cenário 2: ½ de Final (após saída de Villa) e Final

N.º linhas = 4 (4 defesas, 1 pivot defensivo – Marcos Senna – um quarteto criativo e 1 avançado)
N.º golos marcados = 3+1 = 4
N.º golos sofridos = 0+0 = 0
Pressão em largura, meio-campo em 1x4x(1 avançado)

Este tema poderia levar a um debate de várias horas. Porém, uma coisa é certa: depois da vitória da Espanha servir de referência, em termos futuros, será previsível que, cada vez mais, o 4x4x2 e o 4x3x3 se transformem em 4x5x1. Quais as principais consequências?
No 4x3x3, será improvável a coexistência de dois extremos puros e, porventura, tentar-se-á privilegiar a utilização de médios-ala que saibam recuar e ocupar espaços defensivos.
No 4x4x2, o avançado móvel (dito n.º 9.5) poderá ser substituído por um jogador com características de n.º 10, que pense como médio e tenha o rigor táctico para ser o 5.º elemento do meio-campo.
Obviamente, uma suposta preponderância do 4x5x1 não passa de uma discussão teórica e cada caso (clube, realidade nacional) deve ser estudado separadamente.

Também Luís Freitas Lobo, através do seu artigo de opinião no jornal "Expresso", tece considerações pertinentes: "Por fim, o futebol espanhol cria um estilo para a sua selecção. Desenha-o a partir do meio-campo, onde os jogos se fazem por merecer, e tem, depois, também quem o decida já mais perto da área, com Villa e Torres. O Euro 2008 não inovou em termos tácticos, nem isso parece mais possível, mas fica para a história como o torneio-berço de um novo estilo para o futebol espanhol".

A grande vantagem de Espanha foi conhecer-se a si mesmo, sabendo adaptar-se às circunstâncias de cada desafio. Quer inicialmente em 4x4x2, quer mais tarde em 4x5x1, os campeões europeus mostraram argumentos na vertente táctica e criatividade suficiente para explanar as qualidades técnicas individuais.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

#16 Prospecção: Javier "Rocky" Balboa

Nome completo
Javier Angel Balboa Osa
Data de nascimento
13.05.1985 (23 anos)
Nacionalidade
Guiné Equatorial
Altura: 1,82m
Peso: 74kg
Posição
Médio-ala direito/esquerdo

[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
La Liga - 5J / 0G (73)
Copa del Rey - 3J / 1G (131)
Uefa Champions League - 2J / 1G (22)

[Dados da carreira]
Real Madrid youth system (1999-2006)
Racing Santander (2006/07)
Real Madrid (2007/08)
[Estreia] La Liga: 26 de Outubro de 2005
Partida: Deportivo 3-1 Real Madrid
Internacional pela Guiné Equatorial

Terceiro reforço confirmado, depois das contratações de Rúben Amorim (ex-Belenenses) e do francês Hassan Yebda (ex-Le Mans), o Benfica comunicou à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários (CMVM) a contratação de Javier Angel Balboa, ex-jogador do Real Madrid. Informação do negócio:

A Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, em cumprimento do Artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários e do Regulamento da CMVM n.º 24/2000, informa que adquiriu 100% dos direitos desportivos do jogador Javier Angel Balboa Osa ao Real Madrid F.C. pelo montante de 4 milhões de euros, tendo celebrado com o referido jogador um contrato com término a 30 de Junho de 2012, o qual inclui uma cláusula de rescisão no valor de 20 milhões de euros.

No meu entender, estamos perante uma boa contratação. Em primeiro lugar, o lado direito do meio-campo encarnado exigia um jogador capaz de oferecer profundidade ao jogo colectivo. Em segundo lugar, e não menos importante, tem o aval do treinador. Acredito que tenha sido feita uma avaliação cirúrgica, pensada de modo a preencher visíveis desequilíbrios do plantel.
Sobre os pontos fortes do jogador, diga-se que Javier Balboa é o típico médio-ala (extremo) pela forma vertical como desenvolve o seu futebol. Pelas palavras que proferiu, aquando da apresentação, sente-se confortável encostado a qualquer um dos flancos e, desde a linha de fundo, adora efectuar cruzamentos para a área e assistir os seus companheiros.
Para terminar, a sua passagem pela formação do Real Madrid (tem "escola") garante selo de qualidade: quer na aprendizagem e consolidação de aspectos técnico/tácticos; quer na preparação mental para aguentar a pressão de jogar num clube histórico. O seu discurso, ambicioso, revela vontade em relançar a carreira e, aos 23 anos, tem larga margem de progressão. Aprovado.




Fonte: ZeroZero e Real Madrid Site Oficial

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A montanha russa

Quando o árbitro apita para o início do jogo, o comboio russo arranca de forma lenta. Em frente ao painel de instrumentos, Guus Hiddink é uma figura habituada a conduzir qualquer máquina futebolística. Os primeiros minutos são feitos em velocidade de cruzeiro, como que escondendo o que vem a seguir. Entretanto, assim que a bola chega a Semak vislumbra-se a primeira curva mais pronunciada. Sem perder aderência, surge uma recta a perder de vista. É quando a velocidade aumenta e Zhirkov arranca pelo lado esquerdo. Neste momento, a máquina acelera e trava consecutivamente, fazendo com que os ocupantes sintam um nó no estômago. O comboio balança, à medida que a bola passa pelos pés de Semak, Zyryanov, Semshov e Saenko. Sente-se que a verdadeira viagem vai agora começar. Quase numa fracção de segundos, Arshavin recebe a bola, roda o corpo e desata a correr, em ziguezague, ultrapassando adversários em série. Os amantes de emoções fortes não ficam defraudados. Nada como um looping ao virar da esquina, quando menos se espera. Mas, não há tempo para respirar. Depois de mais uma descida vertiginosa, Pavlyuchenko movimenta-se freneticamente e o comboio inclina-se perigosamente. O ritmo é estonteante e todos os ocupantes sentem as costas coladas ao banco. Quase a terminar a viagem, a bola ainda recua uns metros e, no preciso momento em que Arshavin se desmarca e recebe o passe de um colega, mais um looping surge no horizonte. Finalmente, a máquina abranda e termina o seu caminho. Ao longe, Guus Hiddink espelha um semblante orgulhoso. No calor da aventura, todos os participantes demoram a recompor-se. Mas, todos sem excepção desejam repetir a experiência. Nada que me surpreenda. No parque de diversões do Euro’2008, não há dúvida que a montanha russa é a que desperta mais emoções.

Fonte: Imagem retirada da "Marca" online.

S. L. e Benfica: notícias curtas, comentários breves

Simão não quis meter-se nesta guerra
O extremo do Atl. de Madrid, apesar do salário proibitivo, esteve no ponto de mira do FC Porto, numa operação sugerida pelos colchoneros, e que envolveria Quaresma, entretanto apontado em definitivo ao Inter.
O extremo terá ponderado em que posição ficaria num combate sem quartel, mostrando-se decidido nessa questão: sendo embora profissional, jamais se deixaria envolver, com o nome que construiu e a relação que tem com o universo Benfica, numa querela desta dimensão e complexidade.


A confirmar-se a veracidade da notícia, fica provado que nem todos se comportam como mercenários. Fica uma pergunta: para quando o regresso?

Pongolle escolhe At. Madrid
De acordo com o diário Marca, Sinama Pongolle, avançado francês que estava na mira do Benfica, viajou esta manhã para a capital espanhola para acertar os pormenores do contrato com o Atlético de Madrid.


Ora aqui está uma óptima notícia. Pode ser que o negócio com Carlos Martins também vá por água abaixo e se direccionem os 10 milhões de euros para alvos mais apetecíveis. Quem? Javier Balboa, Pablo Aimar, Miccolli...

FC Porto: Irmão de Rodríguez em declarações ao CM
"Cristian teme benfiquistas"
'Ele está preocupado com a reacção dos adeptos do Benfica, porque sabe que têm muito carinho por ele. Mas o clube não o quis comprar e teve de ir para onde o queriam', revelou ao Correio da Manhã Adrian Rodríguez, irmão mais novo do futebolista, de 22 anos.


Podes sempre regressar ao Penãrol...ou comprar um cão!

A quem de direito
...pergunto a quem direito o que é que foi feito pelos responsáveis do Benfica para reaver as duas Taças dos Campeões Europeu, a primeira Taça de Portugal que o nosso Clube conquistou, a última Taça de Portugal que conquistámos, a Taça Latina e uma das botas de ouro do Eusébio que estão há quase um mês retidas na alfândega do aeroporto de Luanda, em Angola?


A ser verdade, é mais um atestado de incompetência da Direcção liderada por L. F. Vieira. Como é possível esquecer-se a história do clube num qualquer vão de escada? Não estamos a falar de simples objectos! Depois disto, até perdi o interesse pela novela respeitante aos futuros reforços. Numa palavra: inacreditável. Exigem-se medidas URGENTES.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A cebola, a prostituta, o palhaço e o maestro

Pausa no Euro'2008.
Pode uma cebola, uma prostituta, um palhaço e um maestro fazerem parte do mesmo filme? A resposta é afirmativa. O Sport Lisboa e Benfica representa o elo comum entre as personagens, como se fosse o fio condutor de várias estórias que se cruzam. Estava aqui um bom tema para Quentin Tarantino. Vamos, então, conhecer os protagonistas desta épico futebolístico.

Comecemos pela cebola. Depois de uma passagem por França, no Paris SG, relança a carreira no universo da águia. Como boa cebola que se preze, fazia chorar os adversários: com as suas arrancadas, dribles e remates para golo. Os habitantes do reino vermelho satisfaziam a gula de vitórias com um belo cozinhado.
Todavia, a cebola queria ser parte activa do prato principal. Não lhe bastava representar o papel principal do refogado. O cozinheiro do reino ainda tentou combinar os ingredientes da melhor forma, mas sabe-se como o excesso de cebola pode prejudicar o paladar final.

Assim, como que por magia, a cebola decide encontrar um prato que sirva as suas pretensões pessoais. No reino do dragão, os seguidores do chefe supremo encontram-se famintos por novas iguarias que satisfaçam o apetite. Depois de meses em lume brando, a cebola ia finalmente sentir o calor de um belo tacho. Infelizmente, quando o prato está conspurcado, não bastam bons ingredientes para fazer uma boa refeição. Depois de renunciar o passado que lhe deu brilho, a cebola assume hábitos burgueses e a prostituição é o caminho escolhido para manter o nível à medida da sua ambição.

Então, onde entra o palhaço? Depois do desaparecimento da cebola, os habitantes do reino vermelho ficaram sem alimentar-se dias seguidos. Em situações mais graves, registaram-se casos de anemia. O contexto assumia proporções sérias e o representante da águia, chef conceituado, sabia que tinha de tomar medidas. Do alto da sua sabedoria, a melhor forma de preencher o vazio do estômago seria através de sorrisos ténues que dariam lugar a gargalhadas contagiantes. Nada como um palhaço para alegrar as hostes e fazer abrir o apetite para um bom naco de carne argentina. De preferência mal passada, pois o sangue alimenta o espírito dos mais inconformados.

Inteligentemente, o representante máximo sabia que os habitantes do reino apreciavam música. Em tempos, não muito remotos, o actual chef de cozinha tinha sido maestro e o palácio vermelho era palco das mais fantásticas actuações. O recital chegava a entusiasmar toda a população. Ao tomar conhecimento que o palhaço dominava pautas musicais, rapidamente foi pedido que assumisse a batuta da orquestra.
Por fim, depois da tempestade, a bonança. Os habitantes, vestidos de vermelho, juntavam-se para o repasto, em alegre cavaqueira e convívio. A comida, mesmo sem cebola, era melhor que nunca. A águia reinava majestosa. A estátua do Deus Eusébio quase dançava ao ritmo do novo maestro.

Posto isto, quero terminar com as seguintes palavras. Sabendo que as convicções fazem parte da personalidade, posso aceitar que um indíviduo vote em diferentes partidos políticos. Mesmo estando em causa contornos de coerência. Também não critico quem muda de emprego, em busca de uma melhor qualidade de vida e compreendo que, depois de um divórcio, seja perfeitamente possível voltar a amar. Em termos gerais, lido bem com a diferença. Respeito opiniões contrárias (desde que bem fundamentadas) e sou tolerante a certos hábitos, gostos e maneira de pensar distintas.

Porém, se há coisa que não suporto são os denominados “vira-casacas”, indivíduos capazes de sair de um clube para, imediatamente a seguir, mudaram-se de armas e bagagens para um rival directo. Quando soube da notícia, fiquei irritado durante uns (longos) trinta segundos. É o tempo que me leva a mudar de opinião, quando verifico a forma como uma pessoa decide tranformar-se em terminal multibanco. Sinto o mais profundo desprezo por tal criatura. Julgo inconcebível o seu comportamento. Não devo ser o único a pensar assim. O pai do Rui Costa deve achar o mesmo.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

[Euro'2008] 1/4: Portugal 2-3 Alemanha

Ponto prévio: desta vez, não irei classificar o desempenho individual dos jogadores de Portugal. Segui o jogo numa marisqueira, à conversa entre amigos, no meio de caracóis, saladinhas de polvo e outras iguarias, bem acompanhadas por cerveja fresquinha. Depois, a própria emotividade da partida desaconselha apreciações quantitativas e prefiro centrar a minha atenção em questões colectivas ou de âmbito mais alargado. Posto isto, olhemos para o onze titular de Portugal:

Como jogou Portugal?

Tal como tinha escrito, na antevisão da eliminatória, não se registaram surpresas nas opções de Scolari. No papel, João Moutinho (depois Raul Meireles) juntava-se a Petit, deixando a responsabilidade de construção para Deco. No entanto, a maior chamada de atenção vai para a colocação de Simão na direita, em detrimento de Cristiano Ronaldo. Tal como previa, a selecção nacional mostrou algum receio face às investidas de Philipp Lahm e à preponderância ofensiva do flanco esquerdo alemão. Olhemos, agora, para a "Mannschaft":

Como jogou a Alemanha?

Também a Alemanha demonstrou o devido respeito pela selecção portuguesa. Face à indisponibilidade de Torsten Frings, Joaquim Low teve a sagacidade táctica de preencher o meio-campo defensivo com as entradas de Simon Rolfes (Bayer Leverkusen) e Thomas Hitzlsperger (Estugarda), libertando Michael Ballack para terrenos mais ofensivos. Deste modo, quer em 4x1x4x1, quer no esquema 4x2x3x1, a selecção germânica jogou com os sectores mais unidos, impedindo que Portugal aproveitasse espaço entre-linhas. Inteligentemente, descontando o frenesim dos últimos minutos, a Alemanha soube dominar as transições e colocar muitas dificuldades ao futebol mais técnico dos nossos jogadores.

Quais os motivos da derrota?

Em grande medida, uma das razões já foi apresentada: a Alemanha ocupou melhor os espaços, montou um meio-campo solidário atento à perda de bola e soube retirar vantagem de uma maior agressividade nos duelos individuais. A selecção germânica estudou os pontos fracos do adversário e conseguiu explorar dificuldades evidenciadas por Portugal na organização defensiva.
Contudo, não há como fugir do factor mais decisivo: os lances de bola parada. Nestas situações específicas, a opção tem recaído sobre uma marcação individualizada, quando o ideal seria defender à zona ou, porventura, de forma mista. Relembro que o golo sofrido com a Rep. Checa nasceu da marcação de um pontapé de canto e a derrota na final do Euro’2004, frente à Grécia, resulta de lance semelhante. Para agravar, o guarda-redes Ricardo pouco (ou nada) tem evoluído, quando se exige maior destreza nas saídas a cruzamentos. Lamentavelmente, não aprendemos com os erros do passado.

Scolari: seleccionador, treinador ou psicólogo?

Como não poderia deixar de ser, o "sargentão" tem de ser responsabilizado pelas escolhas técnicas, opções tácticas e consequente afastamento da selecção portuguesa. O desempenho global ficou aquém das expectativas, até pelo que tínhamos conseguido em edições anteriores. Pessoalmente, a eliminação não me decepciona porque não tinha grande ilusão em relação à vitória final. Ao contrário do folclore proporcionado pela comunicação social, sempre mantive alguma prudência sobre a real valia desta equipa.
Sobre Scolari, digo o seguinte: é meio treinador. Muito capacitado na construção de um espírito colectivo, baseado em valores de união e solidariedade. Aliás, para o bem e para o mal, as suas opções técnicas acabam por reflectir este predicado. Na função de seleccionador, o futuro treinador do Chelsea nem sempre escolhe os que estão em melhor forma (física, técnica), mas aqueles que lhe oferecem maior confiança e predisposição para "viver" em grupo. A juntar a isto, sabe retirar o melhor partido da parte psicológica, gerindo muito bem a vertente mental e motivacional dos seus atletas.
Porém, tal como afirmei, Scolari é meio treinador. No seu discurso, abdica dos aspectos estratégicos e não privilegia o lado táctico do jogo. Como tem sido constatado, ao longo destes anos, raramente trabalha um plano B alternativo e demonstra fraca maleabilidade estratégica para lidar com a adversidade. No meu entender, a razão subjuga-se à emoção. Em demasia. É certo que uma equipa pode ser um estado de ânimo. Mas, ainda acredito que o futebol é um jogo e, como tal, deve ser estudado ao detalhe. É isso que faz a diferença.

Fonte: Imagens retiradas da "Marca" online.

terça-feira, 17 de junho de 2008

[Euro'2008] Antevisão 1/4: Portugal - Alemanha

Tal como se esperava, Portugal e Alemanha vão medir forças nos quartos-de-final do Europeu, na quinta-feira, em Basileia (19.45 h). Um confronto antecipado, porque inicialmente previsto para as meias-finais, não fosse a derrota germânica frente à Croácia, na segunda jornada do Grupo B.

Como vai jogar Portugal?

À partida, Scolari não deve apresentar nenhuma surpresa e será esta a equipa titular. Existe sempre a possibilidade de Fernando Meira ser chamado e não deixa de ser verdade o facto de Nani ter deixado boas indicações. De qualquer forma, não creio que o seleccionador altere a confiança nos atletas que iniciaram o Euro’2008. A questão principal está centrada numa "nuance" estratégica. O que será preferível? Colocar Cristiano Ronaldo à esquerda, de forma a Simão proteger as subidas de Lahm? Encostar o prodígio português ao flanco direito, de maneira a aproveitar a menor vocação defensiva dos germânicos nesse espaço?

Como vai jogar a Alemanha?

A imagem retrata o onze escolhido por Joaquim Low, isto após um triunfo por 1-0 sobre a Áustria ter assegurado à "Mannschaft" o segundo lugar do Grupo B, atrás da Croácia. Confesso que tenho imensa curiosidade sobre qual a opção do selecionador alemão. Será que vai manter esta equipa, mantendo a confiança em Mario Gómez e arriscando com a colocação de Lukas Podolski à esquerda? Ou, pelo contrário, abdica das suas convicções e, numa decisão de respeito para com a selecção portuguesa, opta por fazer regressar Bastian Schweinsteiger à equipa titular?

O que Portugal mais deve temer?

Luís Freitas Lobo costuma afirmar que uma boa equipa não existe sem um meio-campo forte, quer em terrenos de recuperação, quer em zonas de construção. Não há como deixar de concordar. Todavia, sem colocar de parte a ideia colectiva do modelo de jogo, e para além dos duelos individuais no centro do campo (Petit vs Michael Ballack; Deco vs Torsten Frings), a "chave" do jogo pode estar nas faixas laterais.
A imagem acima representada ilustra um dos movimentos que requer mais atenção por parte da selecção nacional: Lukas Podolski flecte para zonas interiores, abrindo espaço à subida de Philipp Lahm, enquanto Michael Ballack queima linhas e Miroslav Klose (ou Mario Gómez) cai na faixa. Com a defesa contrária desposicionada, Lukas Podolski aparece em zona de finalização, fazendo uso certeiro do seu óptimo pé esquerdo.
Este cenário só faz sentido no caso de Joaquim Low manter a estrutura habitual. Muito provavelmente, será Bastian Schweinsteiger a fazer o papel de médio ala, substituindo o melhor marcador alemão no corredor esquerdo e em detrimento da menor inspiração chamada Mario Gómez.
Também é prevísivel que Cristiano Ronaldo e Simão, no decorrer da partida, troquem de flancos. No entanto, os primeiros minutos vão mostrar o verdadeiro Portugal. Se Simão aparecer na direita, cobrindo as subidas de Lahm, será um sinal de claro respeito pela selecção alemã. Se, pelo contrário, for Cristiano Ronaldo a pisar o lado destro, será uma aposta com o intuito de aproveitar o maior balanceamento ofensivo do lateral alemão.
Estou convicto que os desequilíbrios vão-se tornar mais visíveis quando a bola chegar perto de ambos os flancos. Portugal pode explorar a velocidade de Bosingwa. A Alemanha pode potenciar o dinamismo de Philipp Lahm. Portugal tem um ala mais rigoroso do ponto de vista táctico, Simão. A Alemanha conta com a disponibilidade de Clemens Fritz. Portugal tem Cristiano Ronaldo do seu lado. A Alemanha dispõe, como se viu, da mobilidade de Lukas Podolski. Quem vencer esta batalha (estratégica), ganhará o jogo. Amanhã, ficaremos a saber.

Fonte: Imagens retiradas da "Marca" online.