segunda-feira, 21 de julho de 2008

Quique Flores: defesa em linha e variantes do 4x4x2

Há dias, ao escrever um artigo sobre a experiência de Quique Flores em Valência, procurei extrapolar as principais ideias de jogo para a realidade do Benfica, versão 2008/09. Foi uma primeira abordagem, devidamente suportada pela análise à disposição táctica da equipa do Valência, tendo por base algumas partidas da liga espanhola, no intuito de oferecer cenários hipotéticos sobre o modelo de jogo encarnado. Sendo do conhecimento público que Quique Flores privilegia os aspectos tácticos, faz todo o sentido voltar a debater princípios ou conceitos ligados ao sistema de jogo.

Defesa em linha

Pelas indicações dadas nos treinos, o treinador espanhol mostra ser adepto da defesa em linha. Numa apreciação meramente teórica, pode parecer uma opção de risco. Contudo, quando bem assimilada pelo quarteto defensivo, pode revelar-se uma estratégia eficaz, nomeadamente quando perante uma linha subida no terreno. Imagine-se, a título exemplificativo, uma defesa constituída por: Nélson, Luisão, David Luiz e Léo.

Para que a defesa em linha funcione eficazmente, são necessários diversos predicados: (i) concentração máxima de todos os intervenientes para respeitar o "timing" em que o avançado é colocado em fora-de-jogo; (ii) posicionamento criterioso dos espaços vitais; (iii) mecanização do tempo de pressão em função da bola e do adversário; e (iv) velocidade de todos os elementos, de forma a reagir a passes colocados nas costas (representado pelas setas a indicar o movimento de recuo).
No meu entender, Quique Flores terá de observar os prós & contras desta opção, pois é reconhecido que jogadores como Luisão e Edcarlos não primam pela velocidade de reacção e sentem-se mais confortáveis num bloco-médio baixo. Por falar em bloco, a principal vantagem da defesa em linha prende-se com uma maior interligação dos diversos sectores, possibilitando uma natural redução de espaços à circulação de bola contrária e potenciando as virtudes associadas à pressão alta.

Variantes do 4x4x2

Ao considerarmos variantes de desenhos tradicionais (4x5x1, 4x4x2, 4x3x3, entre outros), há que respeitar questões de nomenclatura, ou seja, um 3x5x2 representa a existência de 3 defesas, 5 médios e 2 avançados. Todavia, quando consideramos, por exemplo, o 4x1x2x1x2, estamos a desagregar o 4x4x2 losango e a reconhecer espaços do meio-campo caracterizados por funções distintas. A saber: zona de recuperação (pivot defensivo), zona de transição (médios interiores) e zona de construção (organizador ofensivo).
Pelo observado na partida frente ao Estoril, Quique Flores mostra-se partidário do 4x4x2 dito clássico. Ainda pode ser prematuro aceitar este esquema como prioritário, pois faltam chegar 2 reforços e, actualmente, o treinador espanhol trabalha com 37 atletas. De qualquer modo, o próprio já afirmou que vai implementar mais do que um sistema, o que deixa antever variantes à táctica inicial.

O 4x4x1x1

A diferença do 4x4x1x1 em relação ao sistema clássico reside no recuo de um avançado, de características móveis, que parte desde a zona de construção, típica de um n.º 10, com liberdade para cair nas faixas. No Benfica, esse espaço entre linhas parece talhado para a visão de jogo e explosão de Pablo Aimar. Assim, ao invés de 2 avançados de perfil, o 4x4x1x1 baseia-se na colocação de um ponta-de-lança, muitas vezes denominado de "target man", entre os centrais contrários, enquanto o companheiro de sector assume o papel híbrido de um n.º 9.5, funcionando como elo de ligação com a linha de meio-campo. Neste momento, importa conhecer a definição do plantel, pois só Javier Balboa e Di María (nos Jogos Olímpico) parece-me curto para a função de vaivém constante exigida aos médios-ala. É certo que Jorge Ribeiro e/ou Sepsi podem desempenhar o lugar canhoto, mas já Freddy Adu e Nuno Assis apresentam atributos favoráveis a um lugar mais centralizado.

O 4x2x3x1

Quando se vislumbra um 4x2x3x1, todos diríamos que estamos perante uma variante do 4x3x3, com a particularidade do triângulo central ilustrar a existência de um duplo pivot defensivo. Curiosamente, se o 4x4x2 pode dividir-se no 4x4x1x1, também este último esquema pode desagregar-se no 4x2x3x1, desde que os médios-ala transmitam maior profundidade no último terço de terreno. Não há dúvida do seguinte: a inércia ou rigidez de posições no papel pode ganhar diferentes contornos, moldando-se à dinâmica individual e colectiva. Por conseguinte, neste exemplo que a imagem ilustra, a tarefa de desequilíbrio não cai tanto sob os ombros do pivot ofensivo, mas antes encontra-se direccionada para jogadas de 1x1 nos corredores laterais. Em relação ao 4x4x1x1, nesta situação pedir-se-ia a Pablo Aimar que fosse mais um n.º 10 do que um avançado solto.

Resumo

Pela análise das duas imagens (compostas por setas que ilustram movimentos de transição) pode-se entender o alcance da mensagem de Quique Flores. De facto, treinar o 4x4x2 clássico não significa que mediante as circunstâncias do próprio jogo, do adversário e do local onde se encontra a bola (zonas de pressão), a face táctica da equipa não possa tranfigurar-se para um 4x4x1x1 ou para um 4x2x3x1. Espero ter contribuído para relembrar alguns pormenores e promover a discussão destes aspectos vocacionados para uma vertente mais táctica. Agora, tudo depende da matéria-prima disponível.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Pablo "El Mago" Aimar

Nome completo
Pablo César Aimar
Data de nascimento
03.11.1979 (28 anos)
Nacionalidade
Argentina
Altura: 1,70m
Peso: 63kg
Posição
Médio ofensivo/N.º 10

Clubes:
River Plate (1996-2000); Valência (2000-06) e Saragoça (2006-08)

Currículo:
Selecção (51 jogos): campeão mundial de sub-20; duas vezes campeão sul-americano de sub-20; duas presenças em fases finais de Mundiais (2002 e 2006)
Com o River Plate: 2 títulos Apertura e 1 Clausura; 1 Supertaça sul-americana
Com o Valência: 2 Ligas de Espanha; 1 Taça UEFA; 1 Supertaça Europeia

http://www.pabloaimar.com.ar/

Há que louvar a capacidade negocial de Rui Costa e a forma como a Benfica SAD consegue a contratação de um jogador de qualidade inquestionável. "El Payaso" ou "El Mago" reúne inúmeros atributos técnicos susceptíveis de levar mais adeptos ao estádio, contribuir para o aumento de receitas de merchandising e criar redobrada ilusão pelas vitórias. Palavras como criatividade, certeza no passe e visão de jogo vão começar a fazer parte do vocabulários dos benfiquistas. A "novela" terminou com final feliz. Contornos do negócio:

A Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, em cumprimento do Artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários e da alínea i) do artigo 3.º do Regulamento da CMVM n.º 4/2004, informa que adquiriu 100% dos direitos desportivos do jogador Pablo César Aimar ao Real Zaragoza, SAD pelo montante de 6,5 milhões de euros, tendo chegado a um acordo de princípio com o atleta para a celebração de um contrato por 4 épocas desportivas, o qual inclui uma cláusula de rescisão no valor de 20 milhões de euros.

Paradoxalmente, há muito e nada a escrever sobre o jogador. Pablo Aimar é mundialmente conhecido e admirado por todos aqueles que adoram futebol. Fiquem-se com estas linhas: Estreando-se na primeira categoria do River Plate em 1996, ainda antes de completar 17 anos, Aimar estreou-se a marcar com a camisola dos «gallinas» em Fevereiro de 1998. Mas nessa altura já tinha no currículo um título mundial e um sul-americano de sub-20. Jogando como médio ofensivo (o clássico «mediapunta» de que tanto gostam os argentinos) ou segundo avançado, deu nas vistas pela técnica refinada e pela elegância, por contraste com uma planta física pouco imponente.

Em resumo, termino com uma pequena amostra do que levou Diego Maradona a dizer, em tempos, que Aimar era «dos poucos jogadores que me fariam pagar o bilhete para um jogo»:




Fonte: MaisFutebol

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Quique Flores: 4x2x3x1 ou 4x4x2?

Após a primeira semana de trabalho no Seixal, mantém-se a expectativa em relação a novos reforços e aumenta a incerteza quanto a possíveis dispensados. Alguns exemplos: a "novela" Aimar tarda em chegar ao último capítulo; Codina encontra-se em stand-bye; Fábio Coentrão é emprestado ao Feyenoord, com a opção de compra avaliada em 5 milhões de euros; e, o Mónaco sonda a possibilidade de contar com Freddy Adu. Para além destes casos, o uruguaio Urretavizcaya e o argelino Hadj Aïssa tentam evidenciar-se e diversos jovens, vindos da formação, procuram conquistar o seu espaço. Por fim, acrescente-se o facto de só mais tarde os internacionais juntarem-se ao grupo. Neste momento, apenas uma certeza: Quique Flores pretende um plantel constituído por 25 jogadores. O resto é um mero exercício de especulação.

Quique Flores: 4x2x3x1 ou 4x4x2?

Se quanto às caras, que vão compor a fotografia, as dúvidas persistem, quanto ao sistema táctico já se vislumbram algumas novidades. O treinador espanhol tem procurado treinar o 4-4-2 com a utilização de médios-ala. Espera-se, portanto, que o desenho se aproxime do modelo clássico, existindo a alternativa de um 4x2x3x1 mais defensivo e conservador. Em termos de princípios de jogo, também é visível que Quique Flores pretende utilizar a defesa em linha, explorando a técnica do fora-de-jogo. A pergunta que se coloca é: será este o esquema principal? Haverá espaço para o 4x3x3 ou para o 4x4x2 losango?

A experiência em Valência

Para responder a estas questões, nada como recuar até à época 2005/06. Vindo do Getafe, o actual treinador do Benfica chega a Valência com a missão de substituir Claudio Ranieri. Apesar das naturais diferenças quanto à realidade específica que rodeia ambos os clubes, resulta interessante conhecer qual a abordagem inicial protagonizada por Quique Flores. Mesmo que as circunstâncias sejam distintas e a história não se repita, uma coisa é certa: as ideias e convicções do homem forte encarnado não devem ser muito díspares. Vamos, então, analisar os seus primeiros passos, como forma de extrapolar o seu pensamento táctico para o futuro benfiquista.

Revolução - parte II?

Em primeiro lugar, o início de temporada foi marcado por uma autêntica revolução: cerca de duas dezenas de saídas e perto de quinze entradas. Só para citar alguns exemplos, saliente-se os empréstimos de Caneira, ao Sporting, e David Silva, ao Celta de Vigo, assim como as contratações de David Villa (Zaragoza), Patrick Kluivert (Newcastle) e Raúl Albiol (Getafe). Tal corropio de jogadores não impediu a implementação de um modelo de jogo consistente, baseado num grupo sólido. A prova disso mesmo é que o Valência alcançou o 3.º lugar na liga espanhola, atrás de Barcelona (campeão) e a um ponto do Real Madrid. Pelas indicações dos últimos dias, o futebol do Benfica será marcado, concerteza, sob o signo de uma revolução, mais ou menos, acentuada.

Valência 1-0 Real Bétis

27 de Agosto de 2005. Primeira jornada da liga espanhola. O Valência recebe o Real Bétis no Mestalla e vence pela margem mínima. Golo marcado por...Pablo Aimar, aos 53’ minutos. O primeiro onze titular segue os preceitos do 4x2x3x1: Cañizares (GR), R. Albiol (DD), Ayala (DC), Moretti (DC), F. Aurélio (DE), Albelda (MC), Baraja (MC), Rufete (MD/MOD), Vicente (ME/MOE), P. Aimar (MO) e Mista (PL). Curiosamente, vale a pena analisar as substituições realizadas por Quique Flores: (i) aos 62’ minutos (pouco depois do golo que garantiu a vitória), Mista dá o lugar a Patrick Kluivert; (ii) aos 81’ minutos, Marchena substitui Rufete; e (iii) aos 87’ minutos, P. Aimar troca com D. Villa. Conclusões? Talvez por ter sido o jogo inaugural, houve o cuidado de refrescar o ataque, num primeiro momento, e preencher a zona defensiva com a entrada de Marchena, aquando da segunda substituição.

Zaragoza 2-2 Valência

11 de Setembro de 2005. Segunda jornada da liga espanhola. O Valência desloca-se ao terreno do Zaragoza e empata a duas bolas. Golos marcados por Angulo e D. Villa. Primeira alteração a merecer destaque: Quique Flores passa do 4x2x3x1 para o 4x4x2 clássico. Onze titular da altura: Cañizares (GR), R. Albiol (DD), Ayala (DC), Moretti (DC), F. Aurélio (DE), Albelda (MC), Baraja (MC), Rufete (MD), Angulo (ME), Di Vaio (PL) e Mista (PL). Na segunda parte, a perder por 2-1, o treinador espanhol regressa ao 4x2x3x1: Vicente, mais incisivo, substitui Angulo e P. Aimar, entre linhas, troca com Di Vaio. Na frente, Mista coloca-se em cunha entre os centrais contrários. Aos 80’ minutos, nova jogada de risco: sai Baraja (MC) e entra D. Villa (PL). O Valência desenha um losango a toda a largura do relvado e o golo do empate surge um minuto depois, por intermédio de...D. Villa.

Barcelona 2-2 Valência

Depois de na 3.ª jornada registar-se novo empate a duas bolas, na recepção frente ao Deportivo, a 21 de Setembro dá-se o primeiro grande teste: visita a Camp Nou, para defrontar o Barcelona. Mais uma vez, 2-2 foi o resultado final. Quique Flores explanou a equipa titular em 4x2x3x1: Cañizares (GR), Caneira (DD), Ayala (DC), Marchena (DC), Moretti (DE), Albelda (MC), F. aurélio (MC), Rufete (MD/MAD), Vicente (ME/MAE), P. Aimar (MO) e D. Villa (PL). Aos 54’ minutos, o Valência vencia por 2-1, com golos da nova coqueluche: o espanhol D. Villa. Ao contrário do que se faria supor, o novo treinado encarnado não defendeu a margem mínima, pois Hugo Viana entrou para o lugar de F. Aurélio (na zona do meio-campo) e P. Aimar deu a sua vez ao ponta-de-lança Mista. Já agora, o golo do empate foi obtido por Deco aos 80’ minutos.

[Valência] Sistema(s) táctico(s): resumo

Ao longo de toda a prova caseira, o 4x2x3x1 foi o esquema mais utilizado, alternando, ocasionalmente, com o 4x4x2 clássico. Da análise efectuada, sublinhe-se ainda duas particularidades que ajudam a conhecer o pensamento táctico/estratégico de Quique Flores: (i) quando em desvantagem no marcador, a aposta recaía na saída de um médio centro (MC), pela respectiva entrada de um ponta-de-lança (PL), desenhando-se assim um 4x4x2 losango com alas e suportado por um único pivot defensivo; e (ii) quando em vantagem, era comum observar-se a entrada de mais um defesa central (DC), como forma de proteger a zona mais recuada, transformando o esquema táctico em algo parecido com o 5x4x1, assente num bloco médio-baixo.

[SL Benfica] Sistema(s) táctico(s): suposições

Depois deste breve exercício, estamos em melhores condições para prever a forma como Quique Flores irá moldar o novo Benfica. À partida, até pelas características dos jogadores, é passível que o 4x2x3x1 seja o sistema táctico mais natural. A grande dúvida reside no posicionamento e interligação entre os homens do meio-campo. Por exemplo, não existem certezas quanto à coexistência de médios-ala (extremos) como Di María e Javier Balboa, porque Sepsi ou Jorge Ribeiro, na esquerda, podem actuar com funções mais defensivas e Maxi Pereira pode desempenhar o mesmo papel do lado contrário.
Também não é a mesma coisa jogar com duplo pivot defensivo, ou com um médio centro mais recuado (Petit?) e outro mais de transição (Carlos Martins?). Neste caso, vamos dar nomes às palavras. Cenário 1: imaginem um meio-campo com Petit e Katsouranis (ou Fellipe Bastos) e Pablo Aimar na posição de n.º 10. Estaríamos perante um triângulo suportado por dois n.º 6, de características vincadas na marcação e recuperação. Cenário 2: imaginem, agora, um meio-campo composto por Petit (ou outro) e Ruben Amorim (ou Hassan Yebda), com Pablo Aimar (ou Carlos Martins e Freddy Adu) uns metros à frente. O triângulo ganha inclinação com a entrada de um n.º8, jogador mais participativo nas transições.

A hipótese do 4x4x2 losango

Mesmo sabendo que o Benfica dispõe de alguns atletas que podem desequilibrar junto às faixas, a vinda (ou não) de Pablo Aimar quase que exigia um 4x4x2 losango. Até pelas diversas alternativas disponíveis no plantel, que se pretende homogéneo. Para finalizar, atente-se nas diversas variantes possíveis: vértice recuado, Petit (Fellipe Bastos/Ruben Amorim); vértice direito, Katsouranis (Rubem Amorim/Hassan Yebda); vértice esquerdo, Carlos Martins (Jorge Ribeiro); e, vértice ofensivo, Pablo Aimar (Carlos Martins/Freddy Adu). Escolhas para todos os gostos.

Apesar de extenso, espero que este artigo tenha ajudado a perceber algumas das ideias tácticas de Quique Flores e principais vicissitudes do modelo de jogo, consoante o sistema utilizado.

terça-feira, 8 de julho de 2008

[2008/09] SL Benfica: arranque da pré-época

Liga Sagres 2008/09

A partir da época 2008-09 a principal competição profissional em Portugal passa a ser designada como Liga Sagres. O patrocínio é válido por quatro anos. A Sagres, marca da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, é um patrocinador há muitos anos associado ao futebol. O seu nome está ligado à Selecção Nacional desde 1993.

Entretanto, foi sorteado o calendário da Liga Sagres 2008/09. O FC Porto, campeão nacional, recebe o Belenenses na 1ª jornada do Campeonato. O Benfica viajará até Vila do conde onde defrontará o recém promovido Rio Ave, enquanto que o Sporting receberá o Trofense em Alvalade. Confira aqui todo o calendário da Liga Portuguesa.

Clássicos na Liga 2008/09:

2ª jornada (31 de Agosto)
Benfica-F.C. Porto

4ª jornada (28 de Setembro)
Benfica-Sporting

5ª jornada (5 de Outubro)
Sporting-F.C. Porto

17ª jornada (8 de Fevereiro)
F.C. Porto-Benfica

19ª jornada (22 de Fevereiro)
Sporting-Benfica

20ª jornada (1 de Março)
F.C. Porto-Sporting

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A República das Bananas

Não me tem apetecido escrever. O último artigo data de 30 Junho, já lá vai uma semana. Desde que terminou o Euro’2008, as notícias à volta do futebol não me têm dado motivos para sorrir. Entretanto, depois da vitória da selecção espanhola, destaque para algumas novidades: (i) o Benfica contratou Carlos Martins por 3 milhões de euros; (ii) a novela Pablo Aimar tarda em ter um desfecho positivo; e (iii) as consequências do "Apito Final" demoram a ser concluídas.

Sobre Carlos Martins, não tenho razões para alegrias desmesuradas. Não concordo com a contratação porque, a meu ver, não basta ter jeitinho para jogar à bola. A carreira do jogador mostra incertezas quanto à sua postura profissional. Resta-me acreditar na opinião de Rui Costa e confiar que o centrocampista formado em Alvalade possa constituir uma verdadeira mais-valia.

Quanto ao plantel do Benfica, versão 2008/09, creio que ainda é precipitado retirar conclusões. Há que aguardar pelo desenrolar da novela dos reforços, conhecer quem são os dispensados e ter em conta a possibilidade de algumas vendas. Quando Quique Flores decidir acerca dos 26 jogadores, cá estaremos para elaborar uma apreciação detalhada, posição por posição. Até lá, esperemos por notícias conclusivas.

Chegamos à pior parte, aquela que interessa realmente e que me deprime até à profundeza do meu ser. É escusado repetir os acontecimentos da reunião do Conselho de Justiça da Federação. É perder tempo voltar a escrever sobre o resultado da reunião extraordinária da Direcção da Federação Portuguesa de Futebol. Penso que todos estão actualizados com as cenas dos últimos capítulos. Em caso de desconhecimento, sigam os links anteriores.

Sinceramente, faltam palavras para descrever a enorme vergonha em que se transformou o futebol português. Se pensarmos um bocadinho, nem sequer devíamos estar admirados. Há algum assunto sério que se resolva neste país? Quando o tema diz respeito à justiça, a impotência dos cidadãos é maior que a Sagrada Família de Barcelona. A desconfiança sobre as instituições atinge os limites do insuportável. As figurinhas do dirigismo português mantêm a sua rede de influência. A sua intocabilidade só demonstra que o poder político protege a partilha de interesses. A corrupção grassa (também na sociedade) e, lamentavelmente, nada acontece.

Neste momento, pouco me importa se o Benfica vai contratar o Pablo Aimar, o Saviola ou o Zé Tremoço. Com este futebolzinho de mentira, nem o Manchester United seria campeão. Temo que, mais uma vez, tudo seja esquecido, arrumado numa qualquer gaveta e os senhores da bola continuem a fazer gala da sua arrogância, fumando charutos nos camarotes presidenciais. Nada que espante, caros amigos. Afinal, o "Ballet Rose" teve alguma consequência? O caso "Casa Pia" deu nalguma coisa? O caso "Maddie" chegou a alguma conclusão? Este deve ser o país onde existem mais carimbos por metro quadrado, onde se pode ler: arquivado. É o que temos. A República das Bananas chamada Portugal.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

[Euro'2008] Final: Espanha 1-0 Alemanha

Depois de uma espera de 44 anos, a Espanha voltou a conquistar o Campeonato da Europa, ao bater na final do UEFA EURO 2008™ a Alemanha, por 1-0, no Ernst-Happel-Stadion. Fernando Torres foi o herói dos espanhóis, ao apontar, ainda na primeira parte, o golo solitário da partida.

Onze titular

No início da prova, Luis Aragonés tinha desenhado um 4x4x2 que apostava no seguinte: (i) versatilidade de movimentos de dois avançados (diferente do conceito puro de ponta-de-lança), (ii) dinamismo de três homens de segunda linha, com e sem bola; (iii) critério posicional transmitido pelo melhor pivot do torneio, e (iv) capacidade de antecipação de um quarteto defensivo, comandado pelo enorme Iker Casillas.
Após a lesão de David Villa, a equipa espanhola estendeu-se num 4x1x4x1, mas os princípios de jogo mantiveram-se intactos e a ideia principal – leia-se filosofia colectiva – nunca foi posta em causa. Inclusive, a entrada de Cesc Fabregas revelou-se crucial no prolongamento da identidade espanhola. Venceu, sem margem para dúvidas, a prática do bom futebol.

Razões para uma Espanha triunfante

Os principais motivos são publicamente conhecidos: concentração competitiva, rigor nos movimentos de transição, qualidade na posse e na circulação de bola. Em suma, poderia enumerar aspectos ligados à condição física, enaltecer a força mental e elogiar os atributos técnicos. Prefiro, no entanto, centrar-me na questão táctica.

Na sua coluna semanal, Rodrigo Azevedo Leitão escreve o seguinte: "Verticalmente, ao analisarmos o campo de jogo notaremos que quanto menor o número de linhas que orientam a lógica de uma equipe, maior o espaço vertical descoberto presente no campo. Por outro lado, ao analisarmos a distribuição horizontal, notaremos que o número menor de linhas faz com que elas possam ficar mais longas, o que em largura pode promover uma melhor ocupação do espaço do jogo"..."Por fim, o mais importante é que haja entendimento da complexidade, variáveis e nuances que a plataforma de jogo e o número de linhas podem trazer para o cumprimento efetivo de um modelo de jogo".

Esta abordagem sobre o número de linhas, com influência directa no tipo de pressão (vertical vs horizontal), abre espaço para uma análise gráfica bem curiosa.

Cenário 1: Fase de Grupos (D) e ¼ de Final

N.º linhas = 4 (4 defesas, 1 pivot defensivo – Marcos Senna – um trio criativo e 2 avançados)
N.º golos marcados = 4+2+2 = 8
N.º golos sofridos = 0+1+1 = 2
O jogo frente à Itália não é considerado, pois foi resolvido no desempate por pontapés de grande penalidade.
Pressão em profundidade, meio-campo em 1x3x(2 avançados)

Cenário 2: ½ de Final (após saída de Villa) e Final

N.º linhas = 4 (4 defesas, 1 pivot defensivo – Marcos Senna – um quarteto criativo e 1 avançado)
N.º golos marcados = 3+1 = 4
N.º golos sofridos = 0+0 = 0
Pressão em largura, meio-campo em 1x4x(1 avançado)

Este tema poderia levar a um debate de várias horas. Porém, uma coisa é certa: depois da vitória da Espanha servir de referência, em termos futuros, será previsível que, cada vez mais, o 4x4x2 e o 4x3x3 se transformem em 4x5x1. Quais as principais consequências?
No 4x3x3, será improvável a coexistência de dois extremos puros e, porventura, tentar-se-á privilegiar a utilização de médios-ala que saibam recuar e ocupar espaços defensivos.
No 4x4x2, o avançado móvel (dito n.º 9.5) poderá ser substituído por um jogador com características de n.º 10, que pense como médio e tenha o rigor táctico para ser o 5.º elemento do meio-campo.
Obviamente, uma suposta preponderância do 4x5x1 não passa de uma discussão teórica e cada caso (clube, realidade nacional) deve ser estudado separadamente.

Também Luís Freitas Lobo, através do seu artigo de opinião no jornal "Expresso", tece considerações pertinentes: "Por fim, o futebol espanhol cria um estilo para a sua selecção. Desenha-o a partir do meio-campo, onde os jogos se fazem por merecer, e tem, depois, também quem o decida já mais perto da área, com Villa e Torres. O Euro 2008 não inovou em termos tácticos, nem isso parece mais possível, mas fica para a história como o torneio-berço de um novo estilo para o futebol espanhol".

A grande vantagem de Espanha foi conhecer-se a si mesmo, sabendo adaptar-se às circunstâncias de cada desafio. Quer inicialmente em 4x4x2, quer mais tarde em 4x5x1, os campeões europeus mostraram argumentos na vertente táctica e criatividade suficiente para explanar as qualidades técnicas individuais.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

#16 Prospecção: Javier "Rocky" Balboa

Nome completo
Javier Angel Balboa Osa
Data de nascimento
13.05.1985 (23 anos)
Nacionalidade
Guiné Equatorial
Altura: 1,82m
Peso: 74kg
Posição
Médio-ala direito/esquerdo

[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
La Liga - 5J / 0G (73)
Copa del Rey - 3J / 1G (131)
Uefa Champions League - 2J / 1G (22)

[Dados da carreira]
Real Madrid youth system (1999-2006)
Racing Santander (2006/07)
Real Madrid (2007/08)
[Estreia] La Liga: 26 de Outubro de 2005
Partida: Deportivo 3-1 Real Madrid
Internacional pela Guiné Equatorial

Terceiro reforço confirmado, depois das contratações de Rúben Amorim (ex-Belenenses) e do francês Hassan Yebda (ex-Le Mans), o Benfica comunicou à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários (CMVM) a contratação de Javier Angel Balboa, ex-jogador do Real Madrid. Informação do negócio:

A Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, em cumprimento do Artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários e do Regulamento da CMVM n.º 24/2000, informa que adquiriu 100% dos direitos desportivos do jogador Javier Angel Balboa Osa ao Real Madrid F.C. pelo montante de 4 milhões de euros, tendo celebrado com o referido jogador um contrato com término a 30 de Junho de 2012, o qual inclui uma cláusula de rescisão no valor de 20 milhões de euros.

No meu entender, estamos perante uma boa contratação. Em primeiro lugar, o lado direito do meio-campo encarnado exigia um jogador capaz de oferecer profundidade ao jogo colectivo. Em segundo lugar, e não menos importante, tem o aval do treinador. Acredito que tenha sido feita uma avaliação cirúrgica, pensada de modo a preencher visíveis desequilíbrios do plantel.
Sobre os pontos fortes do jogador, diga-se que Javier Balboa é o típico médio-ala (extremo) pela forma vertical como desenvolve o seu futebol. Pelas palavras que proferiu, aquando da apresentação, sente-se confortável encostado a qualquer um dos flancos e, desde a linha de fundo, adora efectuar cruzamentos para a área e assistir os seus companheiros.
Para terminar, a sua passagem pela formação do Real Madrid (tem "escola") garante selo de qualidade: quer na aprendizagem e consolidação de aspectos técnico/tácticos; quer na preparação mental para aguentar a pressão de jogar num clube histórico. O seu discurso, ambicioso, revela vontade em relançar a carreira e, aos 23 anos, tem larga margem de progressão. Aprovado.




Fonte: ZeroZero e Real Madrid Site Oficial

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A montanha russa

Quando o árbitro apita para o início do jogo, o comboio russo arranca de forma lenta. Em frente ao painel de instrumentos, Guus Hiddink é uma figura habituada a conduzir qualquer máquina futebolística. Os primeiros minutos são feitos em velocidade de cruzeiro, como que escondendo o que vem a seguir. Entretanto, assim que a bola chega a Semak vislumbra-se a primeira curva mais pronunciada. Sem perder aderência, surge uma recta a perder de vista. É quando a velocidade aumenta e Zhirkov arranca pelo lado esquerdo. Neste momento, a máquina acelera e trava consecutivamente, fazendo com que os ocupantes sintam um nó no estômago. O comboio balança, à medida que a bola passa pelos pés de Semak, Zyryanov, Semshov e Saenko. Sente-se que a verdadeira viagem vai agora começar. Quase numa fracção de segundos, Arshavin recebe a bola, roda o corpo e desata a correr, em ziguezague, ultrapassando adversários em série. Os amantes de emoções fortes não ficam defraudados. Nada como um looping ao virar da esquina, quando menos se espera. Mas, não há tempo para respirar. Depois de mais uma descida vertiginosa, Pavlyuchenko movimenta-se freneticamente e o comboio inclina-se perigosamente. O ritmo é estonteante e todos os ocupantes sentem as costas coladas ao banco. Quase a terminar a viagem, a bola ainda recua uns metros e, no preciso momento em que Arshavin se desmarca e recebe o passe de um colega, mais um looping surge no horizonte. Finalmente, a máquina abranda e termina o seu caminho. Ao longe, Guus Hiddink espelha um semblante orgulhoso. No calor da aventura, todos os participantes demoram a recompor-se. Mas, todos sem excepção desejam repetir a experiência. Nada que me surpreenda. No parque de diversões do Euro’2008, não há dúvida que a montanha russa é a que desperta mais emoções.

Fonte: Imagem retirada da "Marca" online.

S. L. e Benfica: notícias curtas, comentários breves

Simão não quis meter-se nesta guerra
O extremo do Atl. de Madrid, apesar do salário proibitivo, esteve no ponto de mira do FC Porto, numa operação sugerida pelos colchoneros, e que envolveria Quaresma, entretanto apontado em definitivo ao Inter.
O extremo terá ponderado em que posição ficaria num combate sem quartel, mostrando-se decidido nessa questão: sendo embora profissional, jamais se deixaria envolver, com o nome que construiu e a relação que tem com o universo Benfica, numa querela desta dimensão e complexidade.


A confirmar-se a veracidade da notícia, fica provado que nem todos se comportam como mercenários. Fica uma pergunta: para quando o regresso?

Pongolle escolhe At. Madrid
De acordo com o diário Marca, Sinama Pongolle, avançado francês que estava na mira do Benfica, viajou esta manhã para a capital espanhola para acertar os pormenores do contrato com o Atlético de Madrid.


Ora aqui está uma óptima notícia. Pode ser que o negócio com Carlos Martins também vá por água abaixo e se direccionem os 10 milhões de euros para alvos mais apetecíveis. Quem? Javier Balboa, Pablo Aimar, Miccolli...

FC Porto: Irmão de Rodríguez em declarações ao CM
"Cristian teme benfiquistas"
'Ele está preocupado com a reacção dos adeptos do Benfica, porque sabe que têm muito carinho por ele. Mas o clube não o quis comprar e teve de ir para onde o queriam', revelou ao Correio da Manhã Adrian Rodríguez, irmão mais novo do futebolista, de 22 anos.


Podes sempre regressar ao Penãrol...ou comprar um cão!

A quem de direito
...pergunto a quem direito o que é que foi feito pelos responsáveis do Benfica para reaver as duas Taças dos Campeões Europeu, a primeira Taça de Portugal que o nosso Clube conquistou, a última Taça de Portugal que conquistámos, a Taça Latina e uma das botas de ouro do Eusébio que estão há quase um mês retidas na alfândega do aeroporto de Luanda, em Angola?


A ser verdade, é mais um atestado de incompetência da Direcção liderada por L. F. Vieira. Como é possível esquecer-se a história do clube num qualquer vão de escada? Não estamos a falar de simples objectos! Depois disto, até perdi o interesse pela novela respeitante aos futuros reforços. Numa palavra: inacreditável. Exigem-se medidas URGENTES.