quinta-feira, 31 de julho de 2008

Mercado de transferências europeu

Quando falta exactamente um mês para fechar o mercado de transferências europeu, alguns clubes já têm os plantéis definidos, mas noutros ainda subsistem dúvidas quanto a entradas e saídas. Para a próxima temporada, tem-se observado que os clubes mais poderosos têm pautado a sua política desportiva por alguma cautela. De facto, salvo raras excepções, a movimentação de milhões tem ficado aquém de épocas anteriores, sendo a transferência mais mediática do Verão a de Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona para o AC Milan, por 21 milhões de euros. Falta a grande "bomba" do defeso e essa pode ter a marca de Cristiano Ronaldo. Façamos, então, um exercício de análise às principais ligas europeias, destacando as cinco transferências de maior montante.

Transferências Alemanha 2008/09

Na Alemanha, a prática costuma assentar na qualidade, ou seja, os principais emblemas compram pouco, mas bem. Depois do investimento centrado nas figuras de Franck Ribéry e Luca Toni, o Bayern de Munique tem abusado da discrição e nem sequer existem registos de algum negócio. Ao contrário, Wolfsburgo e Schalke 04 têm estado muito activos no mercado. Os primeiros apostam na defesa e foram buscar Andrea Barzagli e Cristian Zaccardo ao Palermo, envolvendo uma soma total de 21 milhões de euros. Os segundos contrataram Jefferson Farfán e Orlando Engelaar, num total de 16 milhões de euros. Já o Bayer Leverkusen, não hesitou em investir 10 milhões de euros na estrela brasileira Renato Augusto, ex-Flamengo.

Transferências Espanha 2008/09

Em Espanha, o Barcelona tem-se revelado como o grande animador do defeso. Das primeiras cinco posições, o clube catalão está presente em força e, tendo em conta o quadro auxiliar, é aquele que mais investiu: 77,5! milhões de euros, a que se acrescentam 8 milhões de euros por Henrique e 5 milhões de euro por Gerard Piqué. Para compensar o esforço financeiro, as saídas trataram de compensar com 48,5 milhões de euros: Deco (Chelsea, 10); Giovani dos Santos (Tottenham, 6); Gianluca Zambrotta (AC Milan, 8,5); Ronaldinho Gaúcho (AC Milan, 21); e, Oleguer (Ajax, 3).

Transferências França 2008/09

Como seria expectável, quer no relvado, quer no tabuleiro das transferências, em França domina o Olympique de Lyon. Se ainda juntarmos Miralem Pjanic (FC Metz, 7,5), concluímos que Jean-Michel Aulas já autorizou 45,2 milhões de euros em contratações. Quem acaba por usufruir do apetite voraz do campeão francês são clubes mais modestos: Lille, Metz e Nice enchem os cofres e podem tornar a Ligue 1 mais competitiva.

Transferências Inglaterra 2008/09

Chegamos à Premier League. Num passado recente (época 2007/08) era a liga que mais importava e onde se registava um maior investimento em jogadores. Nos dias de hoje, tem-se notado alguma prudência em matéria de política desportiva, mas até 31 de Agosto ainda podem surgir negócios surpreendentes. O Chelsea abrandou o ritmo, apesar dos 30,5 milhões de euros direccionados para a aquisição dos "passes" de Bosingwa e de Deco. Quem parece querer apostar é o Manchester City e o Tottenham. Os primeiros foram tentados pela fantasia de Jô (CSKA Moscovo, 24). Por sua vez, o clube de Londres já avançou com 39 milhões de euros, divididos por Gomes (PSV Eindhoven, 12), Luka Modric (Dínamo Zagreb, 21) e Giovani dos Santos (Barcelona, 6).

Transferências Itália 2008/09

No Calcio, procura-se regressar aos tempos de domínio com os principais clubes a reforçarem-se a preceito. O efeito José Mourinho pode trazer uma nova motivação ao futebol italiano e Massimo Moratti já tratou de oferecer duas "prendas" ao treinador português, num total de 25 milhões de euros. Contudo, o grande beneficiado do mercado tem sido o Palermo, onde pontifica Fabrizio Miccoli. As saídas de Cristian Zaccardo, Leandro Rinaudo, Amauri, Andrea Barzagli e Mariano González renderam a "bonita" soma de 53,3 milhões de euros.

Transferências Portugal 2008/09

Por fim, no plano nacional mantém-se uma luta acérrima entre FC Porto e SL Benfica, não sendo de menosprezar os 9,65 milhões de euros investidos pelo Sporting CP. A saber: Marat Izmailov (Lokomotiv Moscovo, 4,5); Hélder Postiga (FC Porto, 50%, 2,5); Leandro Grimi (AC Milan, 65%, 2,5); e, Ricardo Baptista (Fulham, 150 mil euros). Porém, o Benfica tem dominado a atenção do mercado, com um investimento que iguala os 20,76 milhões de euros, distribuídos por Carlos Martins (Huelva, 3), Javier Balboa (Real Madrid, 4), Urreta (Atletico River Plate Montevideu, 1,26), Ruben Amorim (Belenenses, 1), Pablo Aimar (Saragoça, 6,5) e Sidnei (Internacional PA, 50%, 5).

Fonte: Futebol Finance

terça-feira, 29 de julho de 2008

Quique Flores: limpeza de balneário?

Para começar, proponho um regresso ao passado. Depois do Benfica ter-se sagrado campeão na época 1993/94, marcada pelos 3-6 de Alvalade, Artur Jorge assume o comando na temporada seguinte. Na altura, entraram 16! jogadores e 14! abandonaram a Luz (Rui Costa, Hernâni, Schwarz, Kulkov, Yuran, entre outros). Na época 1995/96, outras referências deixaram o clube: Neno, Mozer, Vítor Paneira, Isaías e César Brito. A história da revolução protagonizada pela dupla Artur Jorge e Manuel Damásio é conhecida por (quase) todos.

Voltemos ao presente. As circunstâncias são diferentes, pois o Benfica vem de um 4.º lugar na Liga, após uma temporada decepcionante. Até ao momento, existem demasiadas incertezas quanto a saídas, mas já se contam 9! caras novas. A saber: Sidnei, Miguel Vítor (regresso), Ruben Amorim, Hassan Yebda, Jorge Ribeiro, Carlos Martins, Javier Balboa, Pablo Aimar e Urretavizcaya.

Pelo que já tinha escrito aqui, perspectiva-se mais uma revolução, de contornos ainda indefinidos. Suponho que será cedo para conhecer o verdadeiro alcance da política desportiva centrada na figura de Rui Costa, mas a mais recente surpresa à volta do nome de Petit deixa antever mundanças profundas no plantel encarnado. É caso para dizer: o que Artur Jorge "limpou" de vassoura...Quique Flores irá "limpar" de aspirador topo de gama!

Antes de opinar sobre o assunto propriamente dito, vejamos qual o anterior comportamento de Quique Flores, aquando das suas passagens por Getafe e Valência:

[Getafe] 2003/04

Entradas (9): Sergio (emp), Uranga (emp), Pachón (emp), Calleja (emp), Amaya, Belenguer, Bernaus, Mario, Míchel
Saídas (1): Edgar

[Getafe] 2004/05

Entradas (10): Gabi, Gallardo (emp), Sánchez Broto, Pernía, Raúl Albiol (emp), Daniel Kome, Yordi, Riki, Sergio Aragoneses (emp), Pulido
Saídas (4): Amaya, Baraja, Míchel, Uranga

[Valência] 2005/06

Entradas (15!): João Moreira, Edu, Regueiro, Mora, David Villa, Patrick Kluivert, Miguel, Hugo Viana (emp), Parri, De los Santos, Jorge López, Raúl Albiol, Butelle, Pedro López, Ruz
Saídas (20!): Ruz (emp), Palop, Xisco, Fabián Estoyanoff (emp), Sissoko, Fiore (emp), Salva, Canobbio, Redondo, Gavilán (emp), Corradi (emp), David Silva (emp), João Moreira (emp), Pedro López, Garrido, Di Vaio, Caneira (emp), Parri, Juanlu, José Enrique (emp)

Valência] 2006/07

Entradas (7): Morientes, Del Horno, Francesco Tavano, Joaquín, Gavilán, David Silva, Pallardó
Saídas (11): Fábio Aurélio, Fabián Estoyanoff (emp), Corradi, Mista, Pablo Aimar, Caneira (emp), Patrick Kluivert, Fiore (emp), Rufete, De los Santos, Francesco Tavano (emp)

A primeira temporada no Valência é reveladora do carácter reformista de Quique Flores. Ao contrário do que aconteceu no Getafe, clube de menor dimensão e com recursos financeiros mais limitados, a época 2005/06 foi marcada por uma autêntica revolução no que a entradas/saídas diz respeito. No Benfica, mediante a disponibilidade orçamental para transferências, o caminho parece ser idêntico.

As melhores contratações deste ano dão pelo nome de Rui Costa, (director desportivo), Quique Flores (treinador) e restante equipa técnica. Quanto a isso, não tenho a mínima dúvida. No aspecto da competência, posso dormir tranquilo. Reconheço, no entanto, que esta instabilidade acerca de possíveis reforços, aliada ao desconhecimento quanto às dispensas, causam alguma resistência e preocupação. De qualquer modo, confio que a avaliação futebolística seja feita com base em critérios de qualidade e há que apoiar as decisões tomadas. Os resultados encarregar-se-ão de comprovar esta teoria. Entretanto, os benfiquistas que não se deixem levar pelas notícias da imprensa desportiva.

Chegamos à situação de Petit. Em primeiro lugar, posso entender as motivações (€) do jogador. Em segundo lugar, acredito que neste processo o Benfica tenha tido um comportamento correcto. Contudo, desportivamente, não podia estar mais em desacordo. A última época menos conseguida de Petit não apaga, de maneira nenhuma, as outras cinco anteriores. Mesmo com a sua idade, poderia perfeitamente realizar mais duas ou três épocas de bom nível. Já para não falar de outros predicados do internacional português: experiência, carisma, entrega, profissionalismo.
Se me perguntassem qual o meu jogador preferido do Benfica, não hesitaria na resposta: Petit. Pelas razões apresentadas e porque sempre admirei a forma como defendeu a camisola do Benfica, dentro e fora do campo. Para mim, era um exemplo. Uma referência. A sua saída deixa-me triste. Ainda para mais, porque vejo que outros grandes clubes europeus prezam os seus "símbolo". Exemplos? AC Milan: Nesta, Maldini, Pirlo, Gattuso. Liverpool: Carragher, Gerrard. Barcelona: Puyol, Xavi, Iniesta. Real Madrid: Casillas, Gutti, Raúl. Juventus: Buffon, Nedved, Del Piero. Manchester Unied: Ferdinand, Scholes, Giggs. Gostava que o meu clube respeitasse mais as referências (algumas delas), porque não é fácil encontrar um jogador com mais de cinco anos de casa. E, quer queiram, quer não, ainda acho que dois ou três elementos dessa estirpe fazem falta.

Ainda assim, dou o benefício da dúvida a Rui Costa e a Quique Flores. Continuo a confiar na planificação que estão a desenvolver e aguardo, pacientemente, pelo desenrolar da época para tecer mais considerações. A todos os benfiquistas, quero deixar passar uma mensagem de tranquilidade e confiança. Todavia, percebo agora o que muitos valencianos escreveram no jornal a "Marca" online sobre o treinador espanhol...

Ao Petit, resta-me agradecer e desejar boa sorte!
(imagem retirada de http://www.slbenfica.pt/)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

#17 Prospecção: Sidnei

Nome completo
Sidnei Rechel da Silva Junior
Data de nascimento
23.08.1989 (19 anos)
Nacionalidade
Brasileira
Altura: 1,85m
Peso: 80kg
Posição
Defesa central

[Dados da carreira]
2007 Brasileirão - 20J / 0G
2008 Brasileirão - 4J / 1G

Estatística no GloboEsporte

A Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, em cumprimento do Artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários e na alínea i) do artigo 3.º do Regulamento da CMVM n.º 24/2000, informa que, concluídos os exames médicos, adquiriu 50% dos direitos desportivos do jogador Sidnei Rechel da Silva Junior ao Sport Club Internacional pelo montante de 5 milhões de euros, tendo celebrado com o referido atleta um contrato por 5 épocas desportivas, o qual inclui uma cláusula de rescisão no valor de 25 milhões de euros.

Caros leitores: 5 milhões de euros por 50% do passe? Em termos financeiros (e desportivos) estamos perante uma aposta arriscada ou um negócio de futuro? O tempo o dirá...quando puder, acrescentarei mais dados sobre o jogador.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Quique Flores: defesa em linha e variantes do 4x4x2

Há dias, ao escrever um artigo sobre a experiência de Quique Flores em Valência, procurei extrapolar as principais ideias de jogo para a realidade do Benfica, versão 2008/09. Foi uma primeira abordagem, devidamente suportada pela análise à disposição táctica da equipa do Valência, tendo por base algumas partidas da liga espanhola, no intuito de oferecer cenários hipotéticos sobre o modelo de jogo encarnado. Sendo do conhecimento público que Quique Flores privilegia os aspectos tácticos, faz todo o sentido voltar a debater princípios ou conceitos ligados ao sistema de jogo.

Defesa em linha

Pelas indicações dadas nos treinos, o treinador espanhol mostra ser adepto da defesa em linha. Numa apreciação meramente teórica, pode parecer uma opção de risco. Contudo, quando bem assimilada pelo quarteto defensivo, pode revelar-se uma estratégia eficaz, nomeadamente quando perante uma linha subida no terreno. Imagine-se, a título exemplificativo, uma defesa constituída por: Nélson, Luisão, David Luiz e Léo.

Para que a defesa em linha funcione eficazmente, são necessários diversos predicados: (i) concentração máxima de todos os intervenientes para respeitar o "timing" em que o avançado é colocado em fora-de-jogo; (ii) posicionamento criterioso dos espaços vitais; (iii) mecanização do tempo de pressão em função da bola e do adversário; e (iv) velocidade de todos os elementos, de forma a reagir a passes colocados nas costas (representado pelas setas a indicar o movimento de recuo).
No meu entender, Quique Flores terá de observar os prós & contras desta opção, pois é reconhecido que jogadores como Luisão e Edcarlos não primam pela velocidade de reacção e sentem-se mais confortáveis num bloco-médio baixo. Por falar em bloco, a principal vantagem da defesa em linha prende-se com uma maior interligação dos diversos sectores, possibilitando uma natural redução de espaços à circulação de bola contrária e potenciando as virtudes associadas à pressão alta.

Variantes do 4x4x2

Ao considerarmos variantes de desenhos tradicionais (4x5x1, 4x4x2, 4x3x3, entre outros), há que respeitar questões de nomenclatura, ou seja, um 3x5x2 representa a existência de 3 defesas, 5 médios e 2 avançados. Todavia, quando consideramos, por exemplo, o 4x1x2x1x2, estamos a desagregar o 4x4x2 losango e a reconhecer espaços do meio-campo caracterizados por funções distintas. A saber: zona de recuperação (pivot defensivo), zona de transição (médios interiores) e zona de construção (organizador ofensivo).
Pelo observado na partida frente ao Estoril, Quique Flores mostra-se partidário do 4x4x2 dito clássico. Ainda pode ser prematuro aceitar este esquema como prioritário, pois faltam chegar 2 reforços e, actualmente, o treinador espanhol trabalha com 37 atletas. De qualquer modo, o próprio já afirmou que vai implementar mais do que um sistema, o que deixa antever variantes à táctica inicial.

O 4x4x1x1

A diferença do 4x4x1x1 em relação ao sistema clássico reside no recuo de um avançado, de características móveis, que parte desde a zona de construção, típica de um n.º 10, com liberdade para cair nas faixas. No Benfica, esse espaço entre linhas parece talhado para a visão de jogo e explosão de Pablo Aimar. Assim, ao invés de 2 avançados de perfil, o 4x4x1x1 baseia-se na colocação de um ponta-de-lança, muitas vezes denominado de "target man", entre os centrais contrários, enquanto o companheiro de sector assume o papel híbrido de um n.º 9.5, funcionando como elo de ligação com a linha de meio-campo. Neste momento, importa conhecer a definição do plantel, pois só Javier Balboa e Di María (nos Jogos Olímpico) parece-me curto para a função de vaivém constante exigida aos médios-ala. É certo que Jorge Ribeiro e/ou Sepsi podem desempenhar o lugar canhoto, mas já Freddy Adu e Nuno Assis apresentam atributos favoráveis a um lugar mais centralizado.

O 4x2x3x1

Quando se vislumbra um 4x2x3x1, todos diríamos que estamos perante uma variante do 4x3x3, com a particularidade do triângulo central ilustrar a existência de um duplo pivot defensivo. Curiosamente, se o 4x4x2 pode dividir-se no 4x4x1x1, também este último esquema pode desagregar-se no 4x2x3x1, desde que os médios-ala transmitam maior profundidade no último terço de terreno. Não há dúvida do seguinte: a inércia ou rigidez de posições no papel pode ganhar diferentes contornos, moldando-se à dinâmica individual e colectiva. Por conseguinte, neste exemplo que a imagem ilustra, a tarefa de desequilíbrio não cai tanto sob os ombros do pivot ofensivo, mas antes encontra-se direccionada para jogadas de 1x1 nos corredores laterais. Em relação ao 4x4x1x1, nesta situação pedir-se-ia a Pablo Aimar que fosse mais um n.º 10 do que um avançado solto.

Resumo

Pela análise das duas imagens (compostas por setas que ilustram movimentos de transição) pode-se entender o alcance da mensagem de Quique Flores. De facto, treinar o 4x4x2 clássico não significa que mediante as circunstâncias do próprio jogo, do adversário e do local onde se encontra a bola (zonas de pressão), a face táctica da equipa não possa tranfigurar-se para um 4x4x1x1 ou para um 4x2x3x1. Espero ter contribuído para relembrar alguns pormenores e promover a discussão destes aspectos vocacionados para uma vertente mais táctica. Agora, tudo depende da matéria-prima disponível.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Pablo "El Mago" Aimar

Nome completo
Pablo César Aimar
Data de nascimento
03.11.1979 (28 anos)
Nacionalidade
Argentina
Altura: 1,70m
Peso: 63kg
Posição
Médio ofensivo/N.º 10

Clubes:
River Plate (1996-2000); Valência (2000-06) e Saragoça (2006-08)

Currículo:
Selecção (51 jogos): campeão mundial de sub-20; duas vezes campeão sul-americano de sub-20; duas presenças em fases finais de Mundiais (2002 e 2006)
Com o River Plate: 2 títulos Apertura e 1 Clausura; 1 Supertaça sul-americana
Com o Valência: 2 Ligas de Espanha; 1 Taça UEFA; 1 Supertaça Europeia

http://www.pabloaimar.com.ar/

Há que louvar a capacidade negocial de Rui Costa e a forma como a Benfica SAD consegue a contratação de um jogador de qualidade inquestionável. "El Payaso" ou "El Mago" reúne inúmeros atributos técnicos susceptíveis de levar mais adeptos ao estádio, contribuir para o aumento de receitas de merchandising e criar redobrada ilusão pelas vitórias. Palavras como criatividade, certeza no passe e visão de jogo vão começar a fazer parte do vocabulários dos benfiquistas. A "novela" terminou com final feliz. Contornos do negócio:

A Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, em cumprimento do Artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários e da alínea i) do artigo 3.º do Regulamento da CMVM n.º 4/2004, informa que adquiriu 100% dos direitos desportivos do jogador Pablo César Aimar ao Real Zaragoza, SAD pelo montante de 6,5 milhões de euros, tendo chegado a um acordo de princípio com o atleta para a celebração de um contrato por 4 épocas desportivas, o qual inclui uma cláusula de rescisão no valor de 20 milhões de euros.

Paradoxalmente, há muito e nada a escrever sobre o jogador. Pablo Aimar é mundialmente conhecido e admirado por todos aqueles que adoram futebol. Fiquem-se com estas linhas: Estreando-se na primeira categoria do River Plate em 1996, ainda antes de completar 17 anos, Aimar estreou-se a marcar com a camisola dos «gallinas» em Fevereiro de 1998. Mas nessa altura já tinha no currículo um título mundial e um sul-americano de sub-20. Jogando como médio ofensivo (o clássico «mediapunta» de que tanto gostam os argentinos) ou segundo avançado, deu nas vistas pela técnica refinada e pela elegância, por contraste com uma planta física pouco imponente.

Em resumo, termino com uma pequena amostra do que levou Diego Maradona a dizer, em tempos, que Aimar era «dos poucos jogadores que me fariam pagar o bilhete para um jogo»:




Fonte: MaisFutebol

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Quique Flores: 4x2x3x1 ou 4x4x2?

Após a primeira semana de trabalho no Seixal, mantém-se a expectativa em relação a novos reforços e aumenta a incerteza quanto a possíveis dispensados. Alguns exemplos: a "novela" Aimar tarda em chegar ao último capítulo; Codina encontra-se em stand-bye; Fábio Coentrão é emprestado ao Feyenoord, com a opção de compra avaliada em 5 milhões de euros; e, o Mónaco sonda a possibilidade de contar com Freddy Adu. Para além destes casos, o uruguaio Urretavizcaya e o argelino Hadj Aïssa tentam evidenciar-se e diversos jovens, vindos da formação, procuram conquistar o seu espaço. Por fim, acrescente-se o facto de só mais tarde os internacionais juntarem-se ao grupo. Neste momento, apenas uma certeza: Quique Flores pretende um plantel constituído por 25 jogadores. O resto é um mero exercício de especulação.

Quique Flores: 4x2x3x1 ou 4x4x2?

Se quanto às caras, que vão compor a fotografia, as dúvidas persistem, quanto ao sistema táctico já se vislumbram algumas novidades. O treinador espanhol tem procurado treinar o 4-4-2 com a utilização de médios-ala. Espera-se, portanto, que o desenho se aproxime do modelo clássico, existindo a alternativa de um 4x2x3x1 mais defensivo e conservador. Em termos de princípios de jogo, também é visível que Quique Flores pretende utilizar a defesa em linha, explorando a técnica do fora-de-jogo. A pergunta que se coloca é: será este o esquema principal? Haverá espaço para o 4x3x3 ou para o 4x4x2 losango?

A experiência em Valência

Para responder a estas questões, nada como recuar até à época 2005/06. Vindo do Getafe, o actual treinador do Benfica chega a Valência com a missão de substituir Claudio Ranieri. Apesar das naturais diferenças quanto à realidade específica que rodeia ambos os clubes, resulta interessante conhecer qual a abordagem inicial protagonizada por Quique Flores. Mesmo que as circunstâncias sejam distintas e a história não se repita, uma coisa é certa: as ideias e convicções do homem forte encarnado não devem ser muito díspares. Vamos, então, analisar os seus primeiros passos, como forma de extrapolar o seu pensamento táctico para o futuro benfiquista.

Revolução - parte II?

Em primeiro lugar, o início de temporada foi marcado por uma autêntica revolução: cerca de duas dezenas de saídas e perto de quinze entradas. Só para citar alguns exemplos, saliente-se os empréstimos de Caneira, ao Sporting, e David Silva, ao Celta de Vigo, assim como as contratações de David Villa (Zaragoza), Patrick Kluivert (Newcastle) e Raúl Albiol (Getafe). Tal corropio de jogadores não impediu a implementação de um modelo de jogo consistente, baseado num grupo sólido. A prova disso mesmo é que o Valência alcançou o 3.º lugar na liga espanhola, atrás de Barcelona (campeão) e a um ponto do Real Madrid. Pelas indicações dos últimos dias, o futebol do Benfica será marcado, concerteza, sob o signo de uma revolução, mais ou menos, acentuada.

Valência 1-0 Real Bétis

27 de Agosto de 2005. Primeira jornada da liga espanhola. O Valência recebe o Real Bétis no Mestalla e vence pela margem mínima. Golo marcado por...Pablo Aimar, aos 53’ minutos. O primeiro onze titular segue os preceitos do 4x2x3x1: Cañizares (GR), R. Albiol (DD), Ayala (DC), Moretti (DC), F. Aurélio (DE), Albelda (MC), Baraja (MC), Rufete (MD/MOD), Vicente (ME/MOE), P. Aimar (MO) e Mista (PL). Curiosamente, vale a pena analisar as substituições realizadas por Quique Flores: (i) aos 62’ minutos (pouco depois do golo que garantiu a vitória), Mista dá o lugar a Patrick Kluivert; (ii) aos 81’ minutos, Marchena substitui Rufete; e (iii) aos 87’ minutos, P. Aimar troca com D. Villa. Conclusões? Talvez por ter sido o jogo inaugural, houve o cuidado de refrescar o ataque, num primeiro momento, e preencher a zona defensiva com a entrada de Marchena, aquando da segunda substituição.

Zaragoza 2-2 Valência

11 de Setembro de 2005. Segunda jornada da liga espanhola. O Valência desloca-se ao terreno do Zaragoza e empata a duas bolas. Golos marcados por Angulo e D. Villa. Primeira alteração a merecer destaque: Quique Flores passa do 4x2x3x1 para o 4x4x2 clássico. Onze titular da altura: Cañizares (GR), R. Albiol (DD), Ayala (DC), Moretti (DC), F. Aurélio (DE), Albelda (MC), Baraja (MC), Rufete (MD), Angulo (ME), Di Vaio (PL) e Mista (PL). Na segunda parte, a perder por 2-1, o treinador espanhol regressa ao 4x2x3x1: Vicente, mais incisivo, substitui Angulo e P. Aimar, entre linhas, troca com Di Vaio. Na frente, Mista coloca-se em cunha entre os centrais contrários. Aos 80’ minutos, nova jogada de risco: sai Baraja (MC) e entra D. Villa (PL). O Valência desenha um losango a toda a largura do relvado e o golo do empate surge um minuto depois, por intermédio de...D. Villa.

Barcelona 2-2 Valência

Depois de na 3.ª jornada registar-se novo empate a duas bolas, na recepção frente ao Deportivo, a 21 de Setembro dá-se o primeiro grande teste: visita a Camp Nou, para defrontar o Barcelona. Mais uma vez, 2-2 foi o resultado final. Quique Flores explanou a equipa titular em 4x2x3x1: Cañizares (GR), Caneira (DD), Ayala (DC), Marchena (DC), Moretti (DE), Albelda (MC), F. aurélio (MC), Rufete (MD/MAD), Vicente (ME/MAE), P. Aimar (MO) e D. Villa (PL). Aos 54’ minutos, o Valência vencia por 2-1, com golos da nova coqueluche: o espanhol D. Villa. Ao contrário do que se faria supor, o novo treinado encarnado não defendeu a margem mínima, pois Hugo Viana entrou para o lugar de F. Aurélio (na zona do meio-campo) e P. Aimar deu a sua vez ao ponta-de-lança Mista. Já agora, o golo do empate foi obtido por Deco aos 80’ minutos.

[Valência] Sistema(s) táctico(s): resumo

Ao longo de toda a prova caseira, o 4x2x3x1 foi o esquema mais utilizado, alternando, ocasionalmente, com o 4x4x2 clássico. Da análise efectuada, sublinhe-se ainda duas particularidades que ajudam a conhecer o pensamento táctico/estratégico de Quique Flores: (i) quando em desvantagem no marcador, a aposta recaía na saída de um médio centro (MC), pela respectiva entrada de um ponta-de-lança (PL), desenhando-se assim um 4x4x2 losango com alas e suportado por um único pivot defensivo; e (ii) quando em vantagem, era comum observar-se a entrada de mais um defesa central (DC), como forma de proteger a zona mais recuada, transformando o esquema táctico em algo parecido com o 5x4x1, assente num bloco médio-baixo.

[SL Benfica] Sistema(s) táctico(s): suposições

Depois deste breve exercício, estamos em melhores condições para prever a forma como Quique Flores irá moldar o novo Benfica. À partida, até pelas características dos jogadores, é passível que o 4x2x3x1 seja o sistema táctico mais natural. A grande dúvida reside no posicionamento e interligação entre os homens do meio-campo. Por exemplo, não existem certezas quanto à coexistência de médios-ala (extremos) como Di María e Javier Balboa, porque Sepsi ou Jorge Ribeiro, na esquerda, podem actuar com funções mais defensivas e Maxi Pereira pode desempenhar o mesmo papel do lado contrário.
Também não é a mesma coisa jogar com duplo pivot defensivo, ou com um médio centro mais recuado (Petit?) e outro mais de transição (Carlos Martins?). Neste caso, vamos dar nomes às palavras. Cenário 1: imaginem um meio-campo com Petit e Katsouranis (ou Fellipe Bastos) e Pablo Aimar na posição de n.º 10. Estaríamos perante um triângulo suportado por dois n.º 6, de características vincadas na marcação e recuperação. Cenário 2: imaginem, agora, um meio-campo composto por Petit (ou outro) e Ruben Amorim (ou Hassan Yebda), com Pablo Aimar (ou Carlos Martins e Freddy Adu) uns metros à frente. O triângulo ganha inclinação com a entrada de um n.º8, jogador mais participativo nas transições.

A hipótese do 4x4x2 losango

Mesmo sabendo que o Benfica dispõe de alguns atletas que podem desequilibrar junto às faixas, a vinda (ou não) de Pablo Aimar quase que exigia um 4x4x2 losango. Até pelas diversas alternativas disponíveis no plantel, que se pretende homogéneo. Para finalizar, atente-se nas diversas variantes possíveis: vértice recuado, Petit (Fellipe Bastos/Ruben Amorim); vértice direito, Katsouranis (Rubem Amorim/Hassan Yebda); vértice esquerdo, Carlos Martins (Jorge Ribeiro); e, vértice ofensivo, Pablo Aimar (Carlos Martins/Freddy Adu). Escolhas para todos os gostos.

Apesar de extenso, espero que este artigo tenha ajudado a perceber algumas das ideias tácticas de Quique Flores e principais vicissitudes do modelo de jogo, consoante o sistema utilizado.

terça-feira, 8 de julho de 2008

[2008/09] SL Benfica: arranque da pré-época

Liga Sagres 2008/09

A partir da época 2008-09 a principal competição profissional em Portugal passa a ser designada como Liga Sagres. O patrocínio é válido por quatro anos. A Sagres, marca da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, é um patrocinador há muitos anos associado ao futebol. O seu nome está ligado à Selecção Nacional desde 1993.

Entretanto, foi sorteado o calendário da Liga Sagres 2008/09. O FC Porto, campeão nacional, recebe o Belenenses na 1ª jornada do Campeonato. O Benfica viajará até Vila do conde onde defrontará o recém promovido Rio Ave, enquanto que o Sporting receberá o Trofense em Alvalade. Confira aqui todo o calendário da Liga Portuguesa.

Clássicos na Liga 2008/09:

2ª jornada (31 de Agosto)
Benfica-F.C. Porto

4ª jornada (28 de Setembro)
Benfica-Sporting

5ª jornada (5 de Outubro)
Sporting-F.C. Porto

17ª jornada (8 de Fevereiro)
F.C. Porto-Benfica

19ª jornada (22 de Fevereiro)
Sporting-Benfica

20ª jornada (1 de Março)
F.C. Porto-Sporting