segunda-feira, 15 de setembro de 2008

UEFA Champions League Fantasy Football‏

Na senda do que foi escrito a semana passada, o meu novo lar encontra-se num estado caótico. No sábado foi a mudança total do recheio e, por estes dias, há imensas tarefas por realizar. Só de olhar para as caixas a pedirem para serem desempacotadas e depois pensar no que há para arrumar, é de ficar com os cabelos em pé. Mas, não há razão para lamentações. Hoje recebo a visita do técnico da TvCabo e a semana europeia obriga a ter a televisão pronta a funcionar.
Por falar em semana europeia, temos mais uma edição da UEFA Champions League Fantasy Football. Como não poderia deixar de ser, também marco presença no futebol fantástico. Nesta época, como se pode ver pela imagem, voltei a apostar nas equipas inglesas, nomeadamente em Ferdinand (Manchester United), Skrtel e Gerrard (Liverpool ) e Theo Walcott e Adebayor (Arsenal). Na defesa Panucci e Demichelis devem garantir alguns golos (e pontos extra), enquanto na frente a dupla Quaresma e Ibrahimovic prometem fazer estragos. Quem quiser participar na liga privada Catenaccio é favor proceder do seguinte modo: no módulo 'Leagues' colocam o código "59837-13159" e automaticamente ficam a fazer parte da liga Catenaccio.
Em resumo:

Liga Record: código 10503113
Jogo d'A Bola: Catenaccio (no campo "procurar LIGA")
UEFA Champions League Fantasy Football‏: código 59837-13159 (no campo "join League")

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Regresso de férias

O regresso das três semanas de férias deu-se no dia do Benfica 1-1 FC Porto (sábado) e o dia 1 de Setembro marcou o retomar das obrigações profissionais. É verdade que demorei a dar sinais de vida, mas tal não se deve a qualquer sintoma de stress pós-férias. Pelo contrário. Faltam poucos dias para a escritura da nova casa e tenho que me debruçar sobre imensas prioridades: choramingar o spread e criar uma folha em excel para somar os impostos. A mudança vai-se realizar em breve e, nestas alturas, é que me dava jeito ter um assessor dedicado. O que vale é que logo a seguir ao caos que se avizinha, ainda me sobra uma semana de férias no sul de Espanha. Como tal, é muito provável que o blog ainda demore uns dias a entrar no chamado ritmo de cruzeiro.

Após este interregno, haveria muito para dizer. A Liga Sagres já vai na 2.ª jornada, o sorteio da Liga dos Campeões e Taça Uefa merecia análise exaustiva e a Selecção Nacional lá vai cumprindo com o que se exige. Para voltar a "apanhar o comboio", teria de puxar pela memória recente e mais vale começar do momento zero. Assim, aguardemos pelos próximos embates - Nápoles e Paços de Ferreira - para um ponto da situação mais detalhado. De qualquer modo, reafirmo o seguinte: a minha confiança na dupla Rui Costa/Quique Flores mantém-se intacta e não tardará muito para que o actual plantel comece a saborear vitórias.

Outra novidade deste defeso prende-se com mais uma edição da Liga Record. Na época anterior fiquei na 938.ª posição e, como seria de esperar, irei participar novamente. A imagem que ilustra este regresso diz respeito a alguns jogadores que se destacaram na última jornada e alguns deles fazem parte dos meus 23 fantásticos. Não posso é adiantar quais, porque o segredo é a alma do negócio. Para os interessados em conviver na Liga Catenaccio, é favor inserir o seguinte código: 10503113. Também o jogo d'A Bola marca presença neste espaço. Para aderirem à liga privada, façam o favor de escrever Catenaccio no campo "procurar LIGA" e associarem as equipas que desejarem. Espero que existam adversários à altura, mas (ironicamente) duvido. Até breve.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Regresso no início de Setembro

Informo que a partir do próximo fim-de-semana vou entrar num merecido período de férias. São cerca de três semanas de intervalo e o regresso está marcado para início de Setembro. De qualquer modo, as maravilhas da portabilidade vão-me permitir responder a comentários e escrever as crónicas dos particulares frente ao Feyenoord e Inter de Milão. Assim que exista disponibilidade, darei sempre uma vista de olhos às novidades. Até lá, aqui ficam os meus votos de boas férias aos restantes sortudos.

José António Reyes

Nome completo
José António Reyes Calderón
Data de nascimento
01.09.1983 (24 anos)
Nacionalidade
Espanhola
Altura: 1,78m
Peso: 75kg
Posição
Médio-ala esquerdo/Avançado

[Dados da carreira]
1999/00 Sevilha - 1J / 0G
2000/01 Sevilha - 1J / 1G
2001/02 Sevilha - 29J / 8G
2002/03 Sevilha - 34J / 9G
2003/04 Sevilha - 21J / 5G
Arsenal - 13J / 2G
2004/05 Arsenal - 30J / 9G
2005/06 Arsenal - 26J / 5G
2006/07 Real Madrid - 30J / 6G
2007/08 Atl. Madrid - 26J / 0G

Dados adicionais em: Profile and Statistics

A Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, em cumprimento do disposto no artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários e na alínea i) do artigo 3.º do Regulamento da CMVM n.º 4/2004, informa que chegou a acordo com o Club Atlético de Madrid, SAD para a cedência temporária do atleta José António Reyes Calderón até ao final da presente época desportiva, tendo direito no decurso da mesma ao exercício da opção de compra.

Independentemente do exercício da referida opção de compra, a Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD garantiu, pelo montante de 2.650.000 € (dois milhões e seiscentos e cinquenta mil euros), a titularidade de 25% dos direitos económicos decorrentes de uma futura transferência do jogador.




quinta-feira, 31 de julho de 2008

Mercado de transferências europeu

Quando falta exactamente um mês para fechar o mercado de transferências europeu, alguns clubes já têm os plantéis definidos, mas noutros ainda subsistem dúvidas quanto a entradas e saídas. Para a próxima temporada, tem-se observado que os clubes mais poderosos têm pautado a sua política desportiva por alguma cautela. De facto, salvo raras excepções, a movimentação de milhões tem ficado aquém de épocas anteriores, sendo a transferência mais mediática do Verão a de Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona para o AC Milan, por 21 milhões de euros. Falta a grande "bomba" do defeso e essa pode ter a marca de Cristiano Ronaldo. Façamos, então, um exercício de análise às principais ligas europeias, destacando as cinco transferências de maior montante.

Transferências Alemanha 2008/09

Na Alemanha, a prática costuma assentar na qualidade, ou seja, os principais emblemas compram pouco, mas bem. Depois do investimento centrado nas figuras de Franck Ribéry e Luca Toni, o Bayern de Munique tem abusado da discrição e nem sequer existem registos de algum negócio. Ao contrário, Wolfsburgo e Schalke 04 têm estado muito activos no mercado. Os primeiros apostam na defesa e foram buscar Andrea Barzagli e Cristian Zaccardo ao Palermo, envolvendo uma soma total de 21 milhões de euros. Os segundos contrataram Jefferson Farfán e Orlando Engelaar, num total de 16 milhões de euros. Já o Bayer Leverkusen, não hesitou em investir 10 milhões de euros na estrela brasileira Renato Augusto, ex-Flamengo.

Transferências Espanha 2008/09

Em Espanha, o Barcelona tem-se revelado como o grande animador do defeso. Das primeiras cinco posições, o clube catalão está presente em força e, tendo em conta o quadro auxiliar, é aquele que mais investiu: 77,5! milhões de euros, a que se acrescentam 8 milhões de euros por Henrique e 5 milhões de euro por Gerard Piqué. Para compensar o esforço financeiro, as saídas trataram de compensar com 48,5 milhões de euros: Deco (Chelsea, 10); Giovani dos Santos (Tottenham, 6); Gianluca Zambrotta (AC Milan, 8,5); Ronaldinho Gaúcho (AC Milan, 21); e, Oleguer (Ajax, 3).

Transferências França 2008/09

Como seria expectável, quer no relvado, quer no tabuleiro das transferências, em França domina o Olympique de Lyon. Se ainda juntarmos Miralem Pjanic (FC Metz, 7,5), concluímos que Jean-Michel Aulas já autorizou 45,2 milhões de euros em contratações. Quem acaba por usufruir do apetite voraz do campeão francês são clubes mais modestos: Lille, Metz e Nice enchem os cofres e podem tornar a Ligue 1 mais competitiva.

Transferências Inglaterra 2008/09

Chegamos à Premier League. Num passado recente (época 2007/08) era a liga que mais importava e onde se registava um maior investimento em jogadores. Nos dias de hoje, tem-se notado alguma prudência em matéria de política desportiva, mas até 31 de Agosto ainda podem surgir negócios surpreendentes. O Chelsea abrandou o ritmo, apesar dos 30,5 milhões de euros direccionados para a aquisição dos "passes" de Bosingwa e de Deco. Quem parece querer apostar é o Manchester City e o Tottenham. Os primeiros foram tentados pela fantasia de Jô (CSKA Moscovo, 24). Por sua vez, o clube de Londres já avançou com 39 milhões de euros, divididos por Gomes (PSV Eindhoven, 12), Luka Modric (Dínamo Zagreb, 21) e Giovani dos Santos (Barcelona, 6).

Transferências Itália 2008/09

No Calcio, procura-se regressar aos tempos de domínio com os principais clubes a reforçarem-se a preceito. O efeito José Mourinho pode trazer uma nova motivação ao futebol italiano e Massimo Moratti já tratou de oferecer duas "prendas" ao treinador português, num total de 25 milhões de euros. Contudo, o grande beneficiado do mercado tem sido o Palermo, onde pontifica Fabrizio Miccoli. As saídas de Cristian Zaccardo, Leandro Rinaudo, Amauri, Andrea Barzagli e Mariano González renderam a "bonita" soma de 53,3 milhões de euros.

Transferências Portugal 2008/09

Por fim, no plano nacional mantém-se uma luta acérrima entre FC Porto e SL Benfica, não sendo de menosprezar os 9,65 milhões de euros investidos pelo Sporting CP. A saber: Marat Izmailov (Lokomotiv Moscovo, 4,5); Hélder Postiga (FC Porto, 50%, 2,5); Leandro Grimi (AC Milan, 65%, 2,5); e, Ricardo Baptista (Fulham, 150 mil euros). Porém, o Benfica tem dominado a atenção do mercado, com um investimento que iguala os 20,76 milhões de euros, distribuídos por Carlos Martins (Huelva, 3), Javier Balboa (Real Madrid, 4), Urreta (Atletico River Plate Montevideu, 1,26), Ruben Amorim (Belenenses, 1), Pablo Aimar (Saragoça, 6,5) e Sidnei (Internacional PA, 50%, 5).

Fonte: Futebol Finance

terça-feira, 29 de julho de 2008

Quique Flores: limpeza de balneário?

Para começar, proponho um regresso ao passado. Depois do Benfica ter-se sagrado campeão na época 1993/94, marcada pelos 3-6 de Alvalade, Artur Jorge assume o comando na temporada seguinte. Na altura, entraram 16! jogadores e 14! abandonaram a Luz (Rui Costa, Hernâni, Schwarz, Kulkov, Yuran, entre outros). Na época 1995/96, outras referências deixaram o clube: Neno, Mozer, Vítor Paneira, Isaías e César Brito. A história da revolução protagonizada pela dupla Artur Jorge e Manuel Damásio é conhecida por (quase) todos.

Voltemos ao presente. As circunstâncias são diferentes, pois o Benfica vem de um 4.º lugar na Liga, após uma temporada decepcionante. Até ao momento, existem demasiadas incertezas quanto a saídas, mas já se contam 9! caras novas. A saber: Sidnei, Miguel Vítor (regresso), Ruben Amorim, Hassan Yebda, Jorge Ribeiro, Carlos Martins, Javier Balboa, Pablo Aimar e Urretavizcaya.

Pelo que já tinha escrito aqui, perspectiva-se mais uma revolução, de contornos ainda indefinidos. Suponho que será cedo para conhecer o verdadeiro alcance da política desportiva centrada na figura de Rui Costa, mas a mais recente surpresa à volta do nome de Petit deixa antever mundanças profundas no plantel encarnado. É caso para dizer: o que Artur Jorge "limpou" de vassoura...Quique Flores irá "limpar" de aspirador topo de gama!

Antes de opinar sobre o assunto propriamente dito, vejamos qual o anterior comportamento de Quique Flores, aquando das suas passagens por Getafe e Valência:

[Getafe] 2003/04

Entradas (9): Sergio (emp), Uranga (emp), Pachón (emp), Calleja (emp), Amaya, Belenguer, Bernaus, Mario, Míchel
Saídas (1): Edgar

[Getafe] 2004/05

Entradas (10): Gabi, Gallardo (emp), Sánchez Broto, Pernía, Raúl Albiol (emp), Daniel Kome, Yordi, Riki, Sergio Aragoneses (emp), Pulido
Saídas (4): Amaya, Baraja, Míchel, Uranga

[Valência] 2005/06

Entradas (15!): João Moreira, Edu, Regueiro, Mora, David Villa, Patrick Kluivert, Miguel, Hugo Viana (emp), Parri, De los Santos, Jorge López, Raúl Albiol, Butelle, Pedro López, Ruz
Saídas (20!): Ruz (emp), Palop, Xisco, Fabián Estoyanoff (emp), Sissoko, Fiore (emp), Salva, Canobbio, Redondo, Gavilán (emp), Corradi (emp), David Silva (emp), João Moreira (emp), Pedro López, Garrido, Di Vaio, Caneira (emp), Parri, Juanlu, José Enrique (emp)

Valência] 2006/07

Entradas (7): Morientes, Del Horno, Francesco Tavano, Joaquín, Gavilán, David Silva, Pallardó
Saídas (11): Fábio Aurélio, Fabián Estoyanoff (emp), Corradi, Mista, Pablo Aimar, Caneira (emp), Patrick Kluivert, Fiore (emp), Rufete, De los Santos, Francesco Tavano (emp)

A primeira temporada no Valência é reveladora do carácter reformista de Quique Flores. Ao contrário do que aconteceu no Getafe, clube de menor dimensão e com recursos financeiros mais limitados, a época 2005/06 foi marcada por uma autêntica revolução no que a entradas/saídas diz respeito. No Benfica, mediante a disponibilidade orçamental para transferências, o caminho parece ser idêntico.

As melhores contratações deste ano dão pelo nome de Rui Costa, (director desportivo), Quique Flores (treinador) e restante equipa técnica. Quanto a isso, não tenho a mínima dúvida. No aspecto da competência, posso dormir tranquilo. Reconheço, no entanto, que esta instabilidade acerca de possíveis reforços, aliada ao desconhecimento quanto às dispensas, causam alguma resistência e preocupação. De qualquer modo, confio que a avaliação futebolística seja feita com base em critérios de qualidade e há que apoiar as decisões tomadas. Os resultados encarregar-se-ão de comprovar esta teoria. Entretanto, os benfiquistas que não se deixem levar pelas notícias da imprensa desportiva.

Chegamos à situação de Petit. Em primeiro lugar, posso entender as motivações (€) do jogador. Em segundo lugar, acredito que neste processo o Benfica tenha tido um comportamento correcto. Contudo, desportivamente, não podia estar mais em desacordo. A última época menos conseguida de Petit não apaga, de maneira nenhuma, as outras cinco anteriores. Mesmo com a sua idade, poderia perfeitamente realizar mais duas ou três épocas de bom nível. Já para não falar de outros predicados do internacional português: experiência, carisma, entrega, profissionalismo.
Se me perguntassem qual o meu jogador preferido do Benfica, não hesitaria na resposta: Petit. Pelas razões apresentadas e porque sempre admirei a forma como defendeu a camisola do Benfica, dentro e fora do campo. Para mim, era um exemplo. Uma referência. A sua saída deixa-me triste. Ainda para mais, porque vejo que outros grandes clubes europeus prezam os seus "símbolo". Exemplos? AC Milan: Nesta, Maldini, Pirlo, Gattuso. Liverpool: Carragher, Gerrard. Barcelona: Puyol, Xavi, Iniesta. Real Madrid: Casillas, Gutti, Raúl. Juventus: Buffon, Nedved, Del Piero. Manchester Unied: Ferdinand, Scholes, Giggs. Gostava que o meu clube respeitasse mais as referências (algumas delas), porque não é fácil encontrar um jogador com mais de cinco anos de casa. E, quer queiram, quer não, ainda acho que dois ou três elementos dessa estirpe fazem falta.

Ainda assim, dou o benefício da dúvida a Rui Costa e a Quique Flores. Continuo a confiar na planificação que estão a desenvolver e aguardo, pacientemente, pelo desenrolar da época para tecer mais considerações. A todos os benfiquistas, quero deixar passar uma mensagem de tranquilidade e confiança. Todavia, percebo agora o que muitos valencianos escreveram no jornal a "Marca" online sobre o treinador espanhol...

Ao Petit, resta-me agradecer e desejar boa sorte!
(imagem retirada de http://www.slbenfica.pt/)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

#17 Prospecção: Sidnei

Nome completo
Sidnei Rechel da Silva Junior
Data de nascimento
23.08.1989 (19 anos)
Nacionalidade
Brasileira
Altura: 1,85m
Peso: 80kg
Posição
Defesa central

[Dados da carreira]
2007 Brasileirão - 20J / 0G
2008 Brasileirão - 4J / 1G

Estatística no GloboEsporte

A Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, em cumprimento do Artigo 248.º do Código dos Valores Mobiliários e na alínea i) do artigo 3.º do Regulamento da CMVM n.º 24/2000, informa que, concluídos os exames médicos, adquiriu 50% dos direitos desportivos do jogador Sidnei Rechel da Silva Junior ao Sport Club Internacional pelo montante de 5 milhões de euros, tendo celebrado com o referido atleta um contrato por 5 épocas desportivas, o qual inclui uma cláusula de rescisão no valor de 25 milhões de euros.

Caros leitores: 5 milhões de euros por 50% do passe? Em termos financeiros (e desportivos) estamos perante uma aposta arriscada ou um negócio de futuro? O tempo o dirá...quando puder, acrescentarei mais dados sobre o jogador.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Quique Flores: defesa em linha e variantes do 4x4x2

Há dias, ao escrever um artigo sobre a experiência de Quique Flores em Valência, procurei extrapolar as principais ideias de jogo para a realidade do Benfica, versão 2008/09. Foi uma primeira abordagem, devidamente suportada pela análise à disposição táctica da equipa do Valência, tendo por base algumas partidas da liga espanhola, no intuito de oferecer cenários hipotéticos sobre o modelo de jogo encarnado. Sendo do conhecimento público que Quique Flores privilegia os aspectos tácticos, faz todo o sentido voltar a debater princípios ou conceitos ligados ao sistema de jogo.

Defesa em linha

Pelas indicações dadas nos treinos, o treinador espanhol mostra ser adepto da defesa em linha. Numa apreciação meramente teórica, pode parecer uma opção de risco. Contudo, quando bem assimilada pelo quarteto defensivo, pode revelar-se uma estratégia eficaz, nomeadamente quando perante uma linha subida no terreno. Imagine-se, a título exemplificativo, uma defesa constituída por: Nélson, Luisão, David Luiz e Léo.

Para que a defesa em linha funcione eficazmente, são necessários diversos predicados: (i) concentração máxima de todos os intervenientes para respeitar o "timing" em que o avançado é colocado em fora-de-jogo; (ii) posicionamento criterioso dos espaços vitais; (iii) mecanização do tempo de pressão em função da bola e do adversário; e (iv) velocidade de todos os elementos, de forma a reagir a passes colocados nas costas (representado pelas setas a indicar o movimento de recuo).
No meu entender, Quique Flores terá de observar os prós & contras desta opção, pois é reconhecido que jogadores como Luisão e Edcarlos não primam pela velocidade de reacção e sentem-se mais confortáveis num bloco-médio baixo. Por falar em bloco, a principal vantagem da defesa em linha prende-se com uma maior interligação dos diversos sectores, possibilitando uma natural redução de espaços à circulação de bola contrária e potenciando as virtudes associadas à pressão alta.

Variantes do 4x4x2

Ao considerarmos variantes de desenhos tradicionais (4x5x1, 4x4x2, 4x3x3, entre outros), há que respeitar questões de nomenclatura, ou seja, um 3x5x2 representa a existência de 3 defesas, 5 médios e 2 avançados. Todavia, quando consideramos, por exemplo, o 4x1x2x1x2, estamos a desagregar o 4x4x2 losango e a reconhecer espaços do meio-campo caracterizados por funções distintas. A saber: zona de recuperação (pivot defensivo), zona de transição (médios interiores) e zona de construção (organizador ofensivo).
Pelo observado na partida frente ao Estoril, Quique Flores mostra-se partidário do 4x4x2 dito clássico. Ainda pode ser prematuro aceitar este esquema como prioritário, pois faltam chegar 2 reforços e, actualmente, o treinador espanhol trabalha com 37 atletas. De qualquer modo, o próprio já afirmou que vai implementar mais do que um sistema, o que deixa antever variantes à táctica inicial.

O 4x4x1x1

A diferença do 4x4x1x1 em relação ao sistema clássico reside no recuo de um avançado, de características móveis, que parte desde a zona de construção, típica de um n.º 10, com liberdade para cair nas faixas. No Benfica, esse espaço entre linhas parece talhado para a visão de jogo e explosão de Pablo Aimar. Assim, ao invés de 2 avançados de perfil, o 4x4x1x1 baseia-se na colocação de um ponta-de-lança, muitas vezes denominado de "target man", entre os centrais contrários, enquanto o companheiro de sector assume o papel híbrido de um n.º 9.5, funcionando como elo de ligação com a linha de meio-campo. Neste momento, importa conhecer a definição do plantel, pois só Javier Balboa e Di María (nos Jogos Olímpico) parece-me curto para a função de vaivém constante exigida aos médios-ala. É certo que Jorge Ribeiro e/ou Sepsi podem desempenhar o lugar canhoto, mas já Freddy Adu e Nuno Assis apresentam atributos favoráveis a um lugar mais centralizado.

O 4x2x3x1

Quando se vislumbra um 4x2x3x1, todos diríamos que estamos perante uma variante do 4x3x3, com a particularidade do triângulo central ilustrar a existência de um duplo pivot defensivo. Curiosamente, se o 4x4x2 pode dividir-se no 4x4x1x1, também este último esquema pode desagregar-se no 4x2x3x1, desde que os médios-ala transmitam maior profundidade no último terço de terreno. Não há dúvida do seguinte: a inércia ou rigidez de posições no papel pode ganhar diferentes contornos, moldando-se à dinâmica individual e colectiva. Por conseguinte, neste exemplo que a imagem ilustra, a tarefa de desequilíbrio não cai tanto sob os ombros do pivot ofensivo, mas antes encontra-se direccionada para jogadas de 1x1 nos corredores laterais. Em relação ao 4x4x1x1, nesta situação pedir-se-ia a Pablo Aimar que fosse mais um n.º 10 do que um avançado solto.

Resumo

Pela análise das duas imagens (compostas por setas que ilustram movimentos de transição) pode-se entender o alcance da mensagem de Quique Flores. De facto, treinar o 4x4x2 clássico não significa que mediante as circunstâncias do próprio jogo, do adversário e do local onde se encontra a bola (zonas de pressão), a face táctica da equipa não possa tranfigurar-se para um 4x4x1x1 ou para um 4x2x3x1. Espero ter contribuído para relembrar alguns pormenores e promover a discussão destes aspectos vocacionados para uma vertente mais táctica. Agora, tudo depende da matéria-prima disponível.