
Para começar, proponho um regresso ao passado. Depois do Benfica ter-se sagrado campeão na época 1993/94, marcada pelos 3-6 de Alvalade, Artur Jorge assume o comando na temporada seguinte. Na altura, entraram 16! jogadores e 14! abandonaram a Luz (Rui Costa, Hernâni, Schwarz, Kulkov, Yuran, entre outros). Na época 1995/96, outras referências deixaram o clube: Neno, Mozer, Vítor Paneira, Isaías e César Brito. A história da revolução protagonizada pela dupla Artur Jorge e Manuel Damásio é conhecida por (quase) todos.
Voltemos ao presente. As circunstâncias são diferentes, pois o Benfica vem de um 4.º lugar na Liga, após uma temporada decepcionante. Até ao momento, existem demasiadas incertezas quanto a saídas, mas já se contam 9! caras novas. A saber: Sidnei, Miguel Vítor (regresso), Ruben Amorim, Hassan Yebda, Jorge Ribeiro, Carlos Martins, Javier Balboa, Pablo Aimar e Urretavizcaya.
Pelo que já tinha escrito
aqui, perspectiva-se mais uma revolução, de contornos ainda indefinidos. Suponho que será cedo para conhecer o verdadeiro alcance da política desportiva centrada na figura de Rui Costa, mas a mais recente surpresa à volta do nome de
Petit deixa antever mundanças profundas no plantel encarnado. É caso para dizer: o que Artur Jorge "limpou" de vassoura...Quique Flores irá "limpar" de aspirador topo de gama!
Antes de opinar sobre o assunto propriamente dito, vejamos qual o anterior comportamento de Quique Flores, aquando das suas passagens por Getafe e Valência:
[Getafe] 2003/04Entradas (9): Sergio (emp), Uranga (emp), Pachón (emp), Calleja (emp), Amaya, Belenguer, Bernaus, Mario, Míchel
Saídas (1): Edgar
[Getafe] 2004/05Entradas (10): Gabi, Gallardo (emp), Sánchez Broto, Pernía, Raúl Albiol (emp), Daniel Kome, Yordi, Riki, Sergio Aragoneses (emp), Pulido
Saídas (4): Amaya, Baraja, Míchel, Uranga
[Valência] 2005/06Entradas (15!): João Moreira, Edu, Regueiro, Mora, David Villa, Patrick Kluivert, Miguel, Hugo Viana (emp), Parri, De los Santos, Jorge López, Raúl Albiol, Butelle, Pedro López, Ruz
Saídas (20!): Ruz (emp), Palop, Xisco, Fabián Estoyanoff (emp), Sissoko, Fiore (emp), Salva, Canobbio, Redondo, Gavilán (emp), Corradi (emp), David Silva (emp), João Moreira (emp), Pedro López, Garrido, Di Vaio, Caneira (emp), Parri, Juanlu, José Enrique (emp)
Valência] 2006/07Entradas (7): Morientes, Del Horno, Francesco Tavano, Joaquín, Gavilán, David Silva, Pallardó
Saídas (11): Fábio Aurélio, Fabián Estoyanoff (emp), Corradi, Mista, Pablo Aimar, Caneira (emp), Patrick Kluivert, Fiore (emp), Rufete, De los Santos, Francesco Tavano (emp)
A primeira temporada no Valência é reveladora do carácter reformista de Quique Flores. Ao contrário do que aconteceu no Getafe, clube de menor dimensão e com recursos financeiros mais limitados, a época 2005/06 foi marcada por uma autêntica revolução no que a entradas/saídas diz respeito. No Benfica, mediante a disponibilidade orçamental para transferências, o caminho parece ser idêntico.
As melhores contratações deste ano dão pelo nome de Rui Costa, (director desportivo), Quique Flores (treinador) e restante equipa técnica. Quanto a isso, não tenho a mínima dúvida. No aspecto da competência, posso dormir tranquilo. Reconheço, no entanto, que esta instabilidade acerca de possíveis reforços, aliada ao desconhecimento quanto às dispensas, causam alguma resistência e preocupação. De qualquer modo, confio que a avaliação futebolística seja feita com base em critérios de qualidade e há que apoiar as decisões tomadas. Os resultados encarregar-se-ão de comprovar esta teoria. Entretanto, os benfiquistas que não se deixem levar pelas notícias da imprensa desportiva.
Chegamos à situação de Petit. Em primeiro lugar, posso entender as motivações (€) do jogador. Em segundo lugar, acredito que neste processo o Benfica tenha tido um comportamento correcto. Contudo, desportivamente, não podia estar mais em desacordo. A última época menos conseguida de Petit não apaga, de maneira nenhuma, as outras cinco anteriores. Mesmo com a sua idade, poderia perfeitamente realizar mais duas ou três épocas de bom nível. Já para não falar de outros predicados do internacional português: experiência, carisma, entrega, profissionalismo.
Se me perguntassem qual o meu jogador preferido do Benfica, não hesitaria na resposta: Petit. Pelas razões apresentadas e porque sempre admirei a forma como defendeu a camisola do Benfica, dentro e fora do campo. Para mim, era um exemplo. Uma referência. A sua saída deixa-me triste. Ainda para mais, porque vejo que outros grandes clubes europeus prezam os seus "símbolo". Exemplos? AC Milan: Nesta, Maldini, Pirlo, Gattuso. Liverpool: Carragher, Gerrard. Barcelona: Puyol, Xavi, Iniesta. Real Madrid: Casillas, Gutti, Raúl. Juventus: Buffon, Nedved, Del Piero. Manchester Unied: Ferdinand, Scholes, Giggs. Gostava que o meu clube respeitasse mais as referências (algumas delas), porque não é fácil encontrar um jogador com mais de cinco anos de casa. E, quer queiram, quer não, ainda acho que dois ou três elementos dessa estirpe fazem falta.
Ainda assim, dou o benefício da dúvida a Rui Costa e a Quique Flores. Continuo a confiar na planificação que estão a desenvolver e aguardo, pacientemente, pelo desenrolar da época para tecer mais considerações. A todos os benfiquistas, quero deixar passar uma mensagem de tranquilidade e confiança. Todavia, percebo agora o que muitos valencianos escreveram no jornal a
"Marca" online sobre o treinador espanhol...
Ao Petit, resta-me agradecer e desejar boa sorte!
(imagem retirada de
http://www.slbenfica.pt/)
