Creio que no país vizinho la noche de Reyes celebra-se no dia 6 de Janeiro. Pelo contrário, em Portugal, tem vindo a ser festejado a 27 de Setembro e 2 de Outubro. Contudo, seria injusto destacar a exibição do n.º 6 encarnado sem elogiar todo o conjunto. É verdade que o actual plantel tem jogadores de qualidade técnica inquestionável, mas a grande novidade é o desempenho colectivo da equipa. Não se trata, apenas, de uma transmissão de sensações positivas para a plateia. De todo. É fácil observar que há melhorias evidentes e resultados que traduzem o óptimo trabalho que tem vindo a ser efectuado.Quando no início da época escrevi que depositava enormes esperanças na equipa técnica, baseie-me no que fui lendo e pesquisando sobre Quique Flores. É verdade que nutro admiração profissional pelo treinador espanhol e, a par de Rui Costa, trata-se da melhor contratação para a presente época. O Benfica precisava (e precisa) de um líder forte, com personalidade, mas competente na sua área de jurisdição. As indicações que têm sido dadas, mesmo por altura dos empates, vinham dando sinais de que na Luz respira-se uma nova dinâmica, um novo ambiente.
Uma das principais virtudes prende-se com a gestão de recursos humanos. Num plantel de mais de vinte jogadores, quase não existem lugares cativos. Facilmente se compreende que todos tenham oportunidade de experimentar o onze titular e aceita-se, sem grande contestação, a vantagem da rotatividade. Voltando à partida de ontem, relembro que ainda faltavam nomes como David Luiz, Léo, Pablo Aimar, David Suazo e Cardozo. Ou seja, para além de bons jogadores, e alternativas sérias, o treinador tem sabido transmitir confiança e retirar o melhor rendimento dos jogadores disponíveis. Posso vibrar com o facto de contar com um atleta do nível de Reyes, mas são estas particularidades que me deixam realmente satisfeito e confiante.
Cautelosamente, espero que todo este sentimento positivo não se transforme em descompressão. Não acredito mas, de qualquer modo, devemos estar preparados para quando surgir a eventualidade de um empate ou, na pior das hipóteses, de uma derrota. Quando esse momento menos bom chegar, julgo que todos devemos aceitar como uma inevitabilidade. Por outras palavras, entendo toda esta alegria e clima de disposição, mas a palavra euforia só deve ser pronunciada quando chegarmos ao fim do caminho. Há imensos obstáculos por ultrapassar e gostaria de continuar a ver a tão famosa onda vermelha imune a factores de desestabilização e pessimismos do momento.
Desta feita, deixo a análise táctica para outra ocasião porque hoje respira-se Benfica em toda a sua plenitude e estou a falar de adeptos, jogadores, treinadores, dirigentes. Tal como afirmei, sem embandeirar em arco, não me recordo de uma semana premiada com um duplo sucesso: vitória no derby e vitória, com consequente apuramento, frente a uma equipa italiana. Agora digam-me lá, não seria bom que o jogo com o Leixões fosse já hoje? É que sente-se prazer a ver o Benfica jogar, quer esteja em campo o Miguel Vítor ou o Luisão, o Jorge Ribeiro ou o Léo. Tomara que a maré se mantenha, pois mais alegrias podem estar ao virar da esquina.


