quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A/C Rui Moreira: a verdade sobre Calabote

Na terça-feira passada, dia 11 deste mês, no programa Trio d'Ataque, levantou-se enorme ruído em redor da célebre arbitragem do Benfica-Cuf (7-1) da última jornada do campeonato de 1958/59. Graças às palavras de indignação do Sr. António-Pedro Vasconcelos, e apesar de presumir que o tema já tenha sido destacado nalgum espaço virtual, gostaria de prestar o meu modesto contributo para a verdade dos factos. Para tal, publico um breve excerto, o qual deixo à consideração do Sr. Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto. Na feliz circunstância do leitor conhecer o indíviduo em causa, faça-lhe chegar as palavras seguintes:

Caso Inocêncio Calabote
Ou uma mentira muitas vezes repetida...


Desde os anos oitenta, quando se acentuou o domínio do FC Porto sobre a arbitragem nacional, culminado, duas décadas depois, com a tardia «Operação Apito Dourado», passou a ouvir-se falar muito no antigo árbitro Inocêncio Calabote e nos favores que teria feito ao Benfica num célebre jogo com a Cuf na última jornada do Campeonato Nacional de 1958/59 (22 de Março), terminado com o resultado de 7-1 e que teria tido, no dizer de quantos o recordam agora, dez minutos a mais, dados pelo árbitro à espera que o Benfica marcasse mais um golo que lhe daria o título. Nada mais falso.

Quando se chegou à 26.ª e última jornada deste campeonato, marcado por inúmeros casos, FC Porto e Benfica estavam igualados em pontos e na primeira fórmula de desempate, já que haviam empatado os dois jogos entre ambos. O FC Porto tinha então uma vantagem de quatro golos na diferença total entre tentos marcados e sofridos, pelo que tudo se iria decidir na última jornada, nos jogos Torreense-FC Porto e Benfica-Cuf. Apesar de uma e outra destas equipas estarem em perigo de descer de divisão (o Torreense desceu mesmo e a Cuf acabou por ter que disputar o então chamado Torneio de Competência com os melhores classificados da II Divisão), é muito natural que tanto os jogadores da Cuf como os do Torreense tenham tido prémios especiais (e secretos) para dificultarem a vida aos dois candidatos ao título.

Rádios acesos e...
seis minutos de atraso


Sem televisão a transmitir, era através da rádio que, num e noutro campo, os adeptos iam seguindo a marcha dos marcadores. E a grande questão, que dá origem a todos os exageros que hoje se propalam, residiu no facto de o jogo do Benfica ter começado seis minutos mais tarde que as tradicionais 15 horas, então o horário de início de todos os jogos. (...) E foi essa longa espera, superior a dez minutos, que deu origem à lenda-Calabote, que tão aproveitada (e distorcida) tem sido aos longo dos tempos. O Benfica não foi em nada beneficiado com essa arbitragem. E o árbitro até teria tido todas as possibilidades de «dar» o título ao Benfica, já que o nosso clube marcou o seu último golo aos 38 minutos da segunda parte e, quando o jogo de Torres Vedras terminou, o Benfica ainda teve cerca de dez minutos (seis regulamentares e mais três ou quatro de 'descontos') para marcar aquele que lhe daria o título.

O que disseram os jornais

Folheando os três jornais desportivos da época, nada faria supor que, várias décadas depois, o jogo fosse tão falado. (...) Mas vejamos o que disseram os jornais. Alfredo farinha, em "A Bola", foi bem claro: «O recurso sistemático aos pontapés para fora do rectângulo, a demora ostensiva na marcação dos livres e lançamentos de bola lateral, as simulações de lesões, o uso e abuso, enfim, de todos esse vulgarizados meios de 'queimar tempo'.» (...) No "Mundo Desportivo", Guilhermino Rodrigues não comungava da mesma opinião, mas até considerou menor o tempo de desconto e acabou por o justificar: «Exagerado o período de três minutos que concedeu além do tempo regulamentar para contrabalançar os momentos gastos em propositada demora pelos cufistas.» (...) No "Record", em crónica não assinada (um antigo hábito do jornal), uma outra opinião: »Deu quatro minutos (...) pela demora propositada dos jogadores da Cuf - alguns deles foram advertidos - na reposição da bola em jogo. Não compreendemos porque não usou do mesmo critério no final do primeiro tempo, dado que aquelas demoras se começaram a registar desde início.»
Esclarecedor...

O que aqui se escreveu poderá ser facilmente consultado nos jornais da época. Não houve qualquer escândalo com a arbitragem de Inocêncio Calabote nesse Benfica-Cuf. O chamado caso-Calabote é uma grande mentira.

Informa-se que este texto pode ser lido, na íntegra, no documento 'As verdades deturpadas da história do Benfica', o qual serviu de base à elaboração do artigo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Quique Flores: sectores e zonas de pressão

Gosto de pensar numa equipa de futebol como se fosse um organismo vivo. Olhar para os jogadores como diferentes orgãos (partes) de uma inteligência superior (todo). Em linguagem clínica, quando um número considerável dessas partes não funcionam da melhor forma, o todo ressente-se e, em situações críticas, fica doente.

Por conseguinte, Quique Flores é como se fosse um médico que trata do seu paciente, leia-se equipa de futebol. Por aquilo que se tem visto, alguns orgãos (jogadores) estão de perfeita saúde, mas outros necessitam de supervisão cuidada. Na verdade, este organismo vivo sente-se saudável quando tem a posse de bola, mas ainda demonstra tendência a constipar-se quando tem de a conquistar. Tal como afirmou o treinador espanhol, este 'corpo' encontra-se em crescimento e tarda a atingir a perfeição.

Quais são, então, os pontos mais vulneráveis do organismo chamado Benfica?

Defesa em linha: subida no terreno ou em bloco médio-baixo?

Se fosse treinador do próximo adversário do clube encarnado (excepção feita a Lito Vidigal, por motivos óbvios), tentaria aproveitar as oportunidades concedidas pela fórmula da defesa em linha. Recentemente, escrevi sobre este assunto, mas vou procurar acrescentar novos tópicos de discussão.
Não sei até que ponto Quique Flores já domina a língua portuguesa, mas alguém lhe devia explicar a máxima «puxam a manta para um lado e destapam do outro». Por outras palavras, explica-se da seguinte forma: (i) quando a linha defensiva situa-se num bloco médio-baixo, ganha em segurança (Luisão domina o espaço aéreo), mas perde na ligação com o meio-campo e/ou consequente recuo da equipa; e, (ii) quando a linha defensiva sobe no terreno, perde no espaço atrás do quarteto mais recuado (Luisão e restantes companheiro não primam pela velocidade), mas ganha na interligação dos sectores e na hipótese da equipa apostar na pressão alta.
Como a imagem exemplifica, existem espaços defensivos mais vitais que outros: da zona perigosa, a vermelho, passando pela intermédia, a laranja, até à de menor risco, a amarelo. O princípio é simples: quanto mais a bola se aproxima do espaço central, e da baliza, mais atenção requer em termos de posicionamento e marcação. Assim, do ponto de vista estratégico, não esquecendo o corredor entre o central e o lateral, será natural que os adversários do Benfica tentem aproveitar a zona de terreno a vermelho, com a inclusão de avançados habilidosos e velozes. No fundo, utilizar a mesma arma que Quique Flores utilizou em Guimarães.

Meio-campo: como impedir a quebra do 4x4x2 em 4x2x4?

Mais uma vez, se hipoteticamente fosse o máximo responsável de um clube da Liga Sagres, teria consciência que o esquema clássico implementado por Quique Flores tem tendência a desmembrar-se, consoante a escolha dos intérpretes que jogam nos flancos. Em tempos, também escrevi sobre este tema, mas irei desenvolver novas ideias para debate.
Sem deixar de elogiar as convicções tácticas de Quique Flores, até porque não vejo razões para travar o crescimento do 4x4x2 clássico, é importante escolher e preparar as melhores unidades que dêem expressão ao modelo de jogo. As desvantagens deste sistema ficam mais visíveis quando coexistem dois médios-ala de características mais ofensivas, como Balboa, Di María, Reyes e Urreta, salientando-se duas circunstâncias: (i) a dupla central de meio-campo, constituída por Katsouranis e Yebda, fica obrigada a enorme desgaste nos movimentos de pressão e nos processos de recuperação; e, (ii) no caso da linha defensiva posicionar-se num bloco médio-baixo, a ligação entre os sectores vai-se perdendo e, invariavelmente, a equipa acaba por desequilibrar-se num 4x2x4 pouco sólido.
A solução não passa, necessariamente, por outro sistema, mas por uma gestão estratégica mais detalhada. Deste modo, o treinador espanhol pode lidar com algumas imperfeições através de uma de duas alternativas. Em primeiro lugar, mesmo conhecendo os riscos, proporcionar o adiantamento da defesa, permitindo maior ligação entre os sectores e potenciando a recuperação de bola em zonas mais perto da área adversária (zona pressionante alta, em bloco). Em segundo lugar, incutir e treinar os homens do meio-campo ofensivo nas questões relacionadas com a transição defensiva, procurando elevar os índices de agressividade, de concentração, de posicionamento e de sentido colectivo.

Notas finais

Em certos momentos, o treinador espanhol pode parecer um ilusionista. Um mestre do disfarce. Dito de outra forma, pode 'mascarar' a equipa, escondendo as suas principais imperfeições. Contudo, não ter optado pela prontidão de uma cirurgia plástica é sinal que merece ser elogiado. Louve-se, portanto, a atitude de Quique Flores, ao escolher percorrer um caminho mais acidentado. Exactamente aquele que exige a ultrapassagem de obstáculos inerentes à criação e crescimento de uma equipa de futebol. Como se este organismo vivo precisasse de ser alimentado com competência e profissionalismo, educado no sentido de corrigir os seus defeitos e abraçado à medida que vence os seus próprios desafios.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

[Uefa Cup Grupo B] SL Benfica 0-2 Galatasaray

O Benfica deu um passo atrás na luta pelo apuramento no Grupo B da Taça UEFA, com os golos na segunda parte de Emre Asik e Umit Karan a valerem ao Galatasaray um triunfo por 2-0 no Estádio da Luz, em partida da segunda jornada. Desta feita, irei dividir a minha análise em quatro sub-tópicos.

As opções de Quique Flores

Relativamente à equipa que tinha dado bom recado em Guimarães, Quique Flores procedeu a duas alterações: saídas de Ruben Amorim e Pablo Aimar, entradas de Di María e Nuno Gomes, respectivamente. Pode-se argumentar que os adversários, e as circunstâncias do próprio desafio, eram diferentes e, sem mudar o modelo, exigiam uma abordagem baseada numa estratégia distinta. Não deixa de ser verdade. Contudo, a realidade mostrou que o meio-campo encarnado não soube manter a posse de bola e, amiúde, a equipa partia-se num 4x2x4 incapaz de corresponder aos momentos de transição. Diga-se que os melhores períodos exibicionais, desta época, raramente estiveram ligados à presença de dois médios-ala puros, a fazer crer que Ruben Amorim, ou Carlos Martins, devem ser figuras de destaque do lado direito. Isto enquanto Reyes continuar como dono e senhor do flanco contrário. Depois, face ao que tinha alertado como pontos fortes do adversário, teria sido preferível a inclusão da dupla constituída por Pablo Aimar e Óscar Cardozo. Não me vou alongar nas razões – daria para outro post – mas podem esgrimir argumentos através da caixa de comentários.

Um projecto chamado Di María

A derrota pode ser explicada sob diversos prismas. Há quem responsabilize o treinador pelas escolhas técnicas. Há quem refira a dinâmica colectiva ou aponte o dedo a alguns jogadores. Há aqueles que referem a superioridade da equipa turca. Há, ainda, outros que temperam o prato principal - rescaldo - com todas as especiarias - análises - disponíveis. Pertenço a este último grupo, mas gostaria de escrever umas linhas sobre Di María. Cada qual tem as suas 'ovelhas negras'. Quando a maioria tem o seu ódio de estimação centrado em Maxi Pereira, eu perco o meu tempo a pensar como é possível o jovem argentino ter lugar na selecção principal do seu país. Sinceramente, ainda não lhe vi uma exibição de encher o olho, revelando uma imaturidade tal que complica os nervos ao mais pacato dos adeptos. Sendo certo que o médio encarnado precisa de 'crescer' – e é nas partidas de maior dificuldade que se retiram ensinamentos – será mais proveitoso Di María aprender o básico (passe, drible e temporização) nos jogos da Taça de Portugal, por exemplo. No meu entender, não passa de um projecto de jogador, com a vantagem de ter uma máquina propagandística a seu favor. Veremos se, no futuro, Maradona vai na conversa.

A ovação após a derrota

As palmas continuadas, no final da partida, foram um momento típico dos relvados ingleses que acompanhei com a máxima convicção. Não é um resultado negativo que apaga os sinais positivos dos últimos tempos, tendo sido uma reacção colectiva que mostra bem a forma esperançosa como os benfiquistas encaram a época. Felizmente, ao contrário de outros que pintam o seu próprio Estádio, ou agridem os jogadores da sua equipa, o Benfica, e os adeptos, mantêm-se com a confiança inatacável esperando tratar-se, somente, de um acidente de percurso.

A conferência de imprensa de Quique Flores

Mal cheguei ao carro, liguei o rádio na TSF e fui até casa a ouvir a conferência de imprensa de Quique Flores. Mesmo na derrota, classifico o seu discurso com uma palavra: delicioso. As palavras do treinador encarnado foram uma lição de táctica, polvilhadas com enorme objectividade e sinceridade nas respostas. Quando Quique Flores adopta uma postura frontal - relativa às limitações da equipa e à menor prestação de alguns elementos – não é caso para ficar preocupado. Grave seria se o treinador espanhol não reconhecesse os erros e não conseguisse identificar o que deve ser mudado. É por estas, e por outras, que tem marcado positivamente o futebol português. Da minha parte, saúdo o seu comportamento e espero que o 'estado de graça' se mantenha por muito tempo. Como meio de recompensar o trabalho desenvolvido e para alegria de todos nós.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

[Uefa Cup] Dossier Galatasaray

O Benfica terá a visita do seu antigo capitão na segunda jornada da Taça Uefa, já que Fernando Meira deverá ser titular na equipa do Galatasaray, orientada por Michael Skibbe, que procura a sua primeira vitória em solo português.

História

O Galatasaray foi fundado em 1905 por Ali Sami Yen, que dá nome ao estádio sediado em Istambul. Conhecidos pela alcunha de 'Os Leões', o clube turco conquistou o seu primeiro título em 1961/62, ganhando também o campeonato seguinte, assim como a Taça da Turquia. Na década de 70, o Galatasaray tornou-se o primeiro clube da Turquia a vencer por três vezes consecutivas o campeonato, o que aconteceu entre 1971 e 1973. Entre 1996/1997 e 1999/2000, o adversário do Benfica ganhou quatro campeonatos consecutivos, sendo treinado por Fatih Terim, que tinha representado a equipa como jogador entre 1970 e 1983. Todavia, como veremos, o melhor estaria para acontecer na viragem para o século XXI.

Títulos

(Turkiye 1) Campeonato Turco: 1961-62, 1962-63, 1968-69, 1970-71, 1971-72, 1972-73, 1986-87, 1987-88, 1992-93, 1993-94, 1996-97, 1997-98, 1998-99, 1999-00, 2001-02, 2005-06 e 2007-08 (17 troféus)
(Turkish Cup) Taça da Turquia: 1963, 1964, 1965, 1966, 1973, 1976, 1982, 1985, 1991, 1993, 1996, 1999, 2000, 2005 (14 troféus)
(Turkish Super Cup) President Cup: 1966, 1969, 1972, 1982, 1987, 1988, 1991, 1993, 1996, 1997, 2008 (11 troféus)

Títulos nas competições europeias

Taça Uefa: 1999/00
SuperTaça europeia: 2000

Firsts and Mosts

The only International brand name in Turkey

Turkiye 2008/09

Com 17 pontos à 9.ª jornada, o próximo adversário do Benfica encontra-se na 5.ª posição, lugar um pouco aquém das ambições e expectativas de início de época. De qualquer modo, o líder Trabzonspor tem somente 20 pontos e os maiores clubes de Istambul – Besiktas e Fenerbahçe – acumulam 18 e 13 pontos, respectivamente. Os melhores marcadores da equipa são: Milan Baros (5 golos); Harry Kewell e Lincoln (4 golos); Arda Turan (3 golos); e, Shabani Nonda (2 golos).

Sistema Táctico

A imagem, acima representada, ilustra o onze titular que recebeu, e venceu, o Olympiakos, graças a um golo marcado pelo australiano Harry Kewell. Confirmadas as baixas de Mehmet Topal, Emre Gungor, Aydin Yilmaz, Shabani Nonda, e do já citado Harry Kewell, a equipa que subir ao relvado da Luz não andará muito longe deste figurino, excepção feita ao lado esquerdo do meio-campo. Em termos posicionais, Michael Skibbe, treinador alemão que chegou esta temporada vindo do Bayer Leverkusen, tem o hábito de manter-se fiel ao 4x2x3x1, alterando o desenho para o 4x4x2 em alturas de maior risco. À partida, não parece ser esse o cenário que o clube turco vai encontrar amanhã, prevendo-se uma dinâmica de jogo orientada para: (i) maior cautela defensiva, principalmente no espaço atrás do quarteto mais recuado; (ii) preenchimento da zona intermediária, equilibrando as transições; e, (iii) aposta nas saídas rápidas para o ataque.

Estrelas

Como seria de prever, o plantel do Galatasaray reúne diversas individualidades capazes de decidir uma partida. Se tivesse que escolher um nome, mesmo reconhecendo jogadores com outra notoriedade, a minha opção chamar-se-ia, sem dúvida, Arda Turan.
Recuemos, agora, uns metros, até começarmos a falar italiano. O dono da baliza é o experiente guardião Morgan de Sanctis, vindo do Sevilha e com carreira passada na Udinese. A acompanhá-lo, vários defesas habituados a vestir a camisola do seu país, como por exemplo Sabri Sarioglu, Servet Cetin e Hakan Balta. Em suma, não será por falta de experiência que o próximo adversário do Benfica cairá por terra.
Contudo, é quando chegamos ao meio-campo que a artilharia turca começa a demonstrar todo o seu potencial. Na zona de recuperação, o nome de Fernando Meira dispensa apresentações. Mais à frente, o brasileiro Lincoln é o típico n.º 10, capaz de conduzir a bola, soltar um passe de ruptura ou, até mesmo, finalizar a jogada a preceito. Vindo do Schalke 04, na época 2006/07, mantém-se como um elemento preponderante na manobra ofensiva exigindo, da parte de Katsouranis e/ou Yebda, a máxima atenção. Depois, falemos novamente de Arda Turan. Tão só com 21 anos, é a coqueluche dos adeptos e uma das maiores promessas do futebol turco, seguido atentamente por alguns tubarões europeus. Notabiliza-se pela sua grande técnica individual e por movimentos interiores capazes de destroçar qualquer defesa. Esperemos que o Benfica não recorde o seu nome pelos piores motivos.
Por fim, torna-se inevitável mencionar o avançado Milan Baros. Quem não conhece a principal ameaça apontada à baliza de Quim, com passagens por Liverpool e Olympique de Lyon, sem esquecer a selecção do seu país. Devido à sua técnica e velocidade, a defesa encarnada terá que estar bem concentrada para contrariar a capacidade de explosão do homem mais avançado do Galatasaray.

Fontes/Links

ZeroZero
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

#18 Prospecção: Alan Dzagoev

Nome completo
Alan Elizbarovich Dzagoev
Data de nascimento
17.06.1990 (18 anos)
Nacionalidade
Russa
Altura: 1,79m
Peso: 70kg
Posição
Playmaker

[Resumo 2008] Competição - Jogos / Assistências / Golos
Premier Division - 16J / 8A / 8G
Russian Cup - 3J / 0A / 2(1)G
Uefa Cup - 3J / 0A / 2G
International - 2J / 0A / 0G

[Dados da carreira] Zenit St. Petersburg
Na 13.º partida da "Russian Premier League 2008", efectuou 3 assistências na vitória por 5-1 sobre o Spartak de Moscovo.
A 11 de Outubro de 2008 estreou-se pela selecção principal, frente à Alemanha, em partida a contar para a qualificação do Campeonato do Mundo de 2010, cotando-se como o mais jovem jogador de campo a envergar as cores do seu país.

Os fiéis seguidores do fenómeno futebolístico, porventura, já conheciam Alan Dzagoev. Os menos atentos, ficaram actualizados com o nome desta 'estrela' russa, após a vitória do CSKA Moscovo frente ao Deportivo, em jogo a contar para a Taça Uefa, tendo o protagonista deste artigo marcado dois golos.
Alan Dzagoev é constantemente elogiado pela sua modéstia, demonstrando um carácter trabalhador e uma personalidade discreta. No relvado, exprime toda a sua mobilidade e qualidade técnica, posicionando-se, normalmente, nas costas do ponta-de-lança de referência. Muito entusiástico, contagia os seus companheiros e, apesar da sua juventude, mostra um espírito competitivo bem acentuado.
Em criança, os seus jogadores favoritos eram Evgeni Aldonin e Frank Lampard. Também admira(va) Valery Gazzaev, seu actual treinador no CSKA de Moscovo. Fora da Rússia, o Chelsea é o seu clube preferido.


Fonte: ZeroZero e Wikipedia

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A liderança de Paulo Bento

Raramente (para não dizer quase nunca) escrevo sobre o Sporting e, por conseguinte, sobre o treinador Paulo Bento e respectivo plantel. Em jeito de brincadeira, posso afirmar que este espaço não pretende ser veículo de informação de um clube qualquer. Para esse efeito, já temos o programa a "Liga dos Últimos". Bem, deixando a piada de parte, gostaria de emitir uma opinião o mais imparcial e objectiva possível, em face do meu distanciamento emocional ao assunto em questão.

Pretendo tocar no aspecto relativo à liderança protagonizada por Paulo Bento, até porque já tenho discutido o tema com diversos amigos sportinguistas. Numa frase, a minha opinião resume-se ao seguinte: nos vários episódios registados com alguns jogadores leoninos (Vukcevic, Yannick e Miguel Veloso, por exemplo) estou do lado de Paulo Bento e, na generalidade, dou razão aos seus argumentos. Em conclusão, se a situação em causa estivesse relacionada com o clube da minha preferência, estaria de acordo com o treinador. Passo a explicar.

Em casos de (in)disciplina, salvo raras excepções, dou razão a quem dirige o grupo de trabalho. Por norma, o jogador age de acordo com os seus interesses, muitas vezes influenciado pelo seu empresário, enquanto o treinador procura seguir o interesse colectivo. No caso concreto de Miguel Veloso - alvo da minha apreciação - penso que não há motivos para duvidar da certeza deste argumento. Não sendo a favor de uma disciplina militarizada, acusação feita à liderança de Paulo Bento, julgo que algumas individualidades levam ao extremo o conceito de 'olhar para o seu umbigo'.

Posso ser suspeito, porque não tenho a melhor impressão de muitos (não) profissionais que habitam os nossos relvados. Por regra, sou a favor dos códigos de conduta interna e acredito que o treinador tem de ser inflexível face ao que comummente se designa por amuos, birras e teimosias. A meu ver, o treinador não pode ser brando, frouxo e vacilante. Penso que deixei passar a ideia principal. Palmas, por isso, a Paulo Bento.

Para finalizar, causa-me estranheza que um jogador como Miguel Veloso, filho de António Veloso, excelente profissional com uma carreira digna de registo, não tenha seguido os ensinamentos e o exemplo do seu progenitor. Porventura, o 'menino' Miguel terá saído à Mãe. Aliás, a imagem também não deixa margem para dúvidas.

sábado, 25 de outubro de 2008

Qual o 'ADN' de um 'grande'?

Um livre directo de Olexandr Aliyev ainda na primeira parte deu ao FC Dynamo Kyiv um triunfo por 1-0 no Estádio do Dragão e complicou as contas do apuramento para o FC Porto, que dominou por completo a partida da terceira jornada do Grupo G da UEFA Champions League.
O Sporting deu um passo importante no apuramento para os oitavos-de-final, ao derrotar o FC Shakhtar Donetsk, por 1-0, em partida da terceira jornada do Grupo C da UEFA Champions League, realizada esta quarta-feira na Ucrânia.
O Benfica iniciou a participação no Grupo B da Taça UEFA com empate a um golo no terreno do Hertha BSC Berlin, em partida da primeira jornada da fase de grupos da prova, disputada no Olympiastadion.
Golos da autoria de Luis Aguiar, Renteria e Alan permitiram ao Sporting de Braga bater em casa o Portsmouth, por 3-0, com a equipa "arsenalista" a protagonizar um arranque perfeito no Grupo E da Taça UEFA.

A pergunta: o que têm a ver os jogos das competições europeias com a imagem de Moreira, aquando da marcação de penalties na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, frente ao Penafiel? Resposta: aparentemente, nada. Contudo, a razão por trás da questão inicial é a seguinte: o que faz realmente uma equipa ser 'grande'? Como se constrói um 'grande'?

Fiquei a pensar neste assunto, ao observar a performance do Benfica na Taça de Portugal e ao analisar o desempenho das equipas portuguesas nas provas da UEFA. Como explicar que o FC Porto tenha ganho o estranho hábito de coleccionar desilusões? Como traduzir os resultados do Sporting de Braga em face da realidade do futebol português?

Obviamente que um, dois ou três resultados, mais ou menos favoráveis, não alteram a concepção que o público tem de um 'grande'. Até porque o sentimento que temos de uma determinada equipa é influenciada por uma disciplina ligada ao deporto-rei: a estatística histórica. Não são as derrotas mais recentes do FC Porto que apagam o passado ou fazem temer o futuro. Na maioria dos casos, ser considerado um 'grande' é como pagar impostos ou morrer. É uma certeza. Que ultrapassa décadas e conhece gerações.

Em termos nacionais, pode-se aceitar esta versão como verdadeira. Basta pensar que um clube como o Benfica já nasceu com a identidade de um 'grande'. Mas, e em termos internacionais? Nesse caso, as dúvidas aumentam, pois o cenário é mais volátil. A exibição dos encarnados em Berlim, comfirma esta teoria.
Mesmo sabendo-se que foi feito um enorme esforço financeiro na construção do plantel benfiquista, aliado à aposta nas virtudes de novas competências técnicas, a verdade é que a actual equipa desconfia da sua condição. Como adepto, acredito que os jogadores acreditem no treinador, assim como Quique Flores acredita no profissionalismo do director desportivo e este, por sua vez, acredita no rigor das pessoas da direcção. Como se fosse um círculo de vitórias.
Porém, acreditar não é suficiente. Torna-se fundamental passar do mundo das emoções (do sonho) para o universo das certezas (da realidade). O Benfica quer voltar a ser um 'grande' europeu. Mas, falta-lhe ainda confiança e segurança no seu futebol para assegurar essa condição.

Continuemos o raciocínio. O jogo de Berlim foi idêntico ao de Matosinhos. O mesmo desenrolar no marcador e o mesmo resultado final. Ora, a lógica aconselha que, no campo de batalha, o mais preparado não regatei esforços em utilizar as suas armas. Daí, seja difícil de conceber que um 'grande' não faça jus à sua superioridade. Não deve temer o confronto directo e não deve recuar perante as adversidades. Quando tal acontece, não é tanto pelo facto de amedrontar-se com os skills do oponente, mas antes por desconfiar das suas próprias capacidades. Antes do Benfica vencer a equipa adversária, tem de ultrapassar os seus próprios medos, conhecer as suas forças e fraquezas. Porque um 'grande' alimenta-se de vitórias.

Para terminar, no âmbito da UEFA Champions League, gostaria de citar o nome de três equipas que têm tido um comportamento muito acima do esperado: CFR Cluj, Anorthosis e BATE Borisov. Em primeiro lugar, os romenos, deram seguimento à surpreendente vitória no terreno da AS Roma com um empate, em casa, ante o Chelsea FC. Somam 4 pontos conquistados e encontram-se no 2.º lugar. Em segundo lugar, o Anorthosis Famagusta, clube cipriota, entrou na competição com um surpreendente empate no terreno do Werder Bremen, no primeiro jogo do Grupo B, tendo posteriormente vencido o Panathinaikos perante os seus adeptos. A derrota seguinte pela margem mínima, com o Inter de Milão, não impede que o Anorthosis siga na 2.ª posição. Por fim, o praticamente desconhecido BATE Borisov, da Bielorússia, já conseguiu subtrair pontos aos favoritos, mercê dos empates alcançados com a Juventus e o Zenit.

Dá que pensar. Para já, todos sofrem do handicap de não terem nascido em berço de ouro. Carecem do chamado 'peso' da história, de um registo passado que represente uma imagem de marca vitoriosa. No entanto, será que algum dia estes clubes podem vir a ser considerados como 'grandes'? Num futuro próximo ou longíquo? Até onde podem chegar os 'outsiders'? São as questões que ficam, à disposição da opinião dos leitores.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

UEFA Cup Fantasy Football

O passatempo Futebol Fantástico da Taça UEFA 2008/09, levado até si pela Carlsberg, vai decorrer desde o início da fase de grupos da prova até à final de Istambul, agendada para 20 de Maio. Este emocionante jogo confere aos amantes do futebol e a todos os que gostam de um bom desafio, a oportunidade de gerirem uma equipa e vencerem fabulosos prémios.

Quando a edição da UEFA Champions League Fantasy Football‏ já se encaminha para a 3.ª jornada, o futebol fantástico está de regresso. Agora, na Taça UEFA.
Pelo facto destes joguinhos virtuais representarem uma boa fonte de divertimento, irei marcar presença com duas equipas. Não querendo desvendar a totalidade das minhas escolhas, aqui ficam alguns jogadores de maior nomeada: Equipa 1 - Neuer (Schalke 04), Fernando Navarro (Sevilha), Yebda (Benfica), Kaká (AC Milan), David Villa (Valência); Equipa 2 - Akinfeev (CSKA Moscovo), Kaladze (AC Milan), Reyes (Benfica), Ashley Young (Aston Villa), Pato (AC Milan). Entre muitos outros.
Quem quiser participar na liga privada Catenaccio é favor proceder do seguinte modo: no módulo 'Leagues' colocam o código "6107-857" e automaticamente ficam a fazer parte da liga Catenaccio.
Não percam tempo. Inscrevam-se...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A missão de Carlos Queirós

Facto: Portugal não foi além do nulo, esta quarta-feira, na recepção à Albânia. A equipa das quinas jogou quase cinquenta minutos em superioridade numérica, mas mesmo assim não conseguiu garantir os três pontos. Com este resultado, a selecção nacional continua em quarto lugar, com os mesmos cinco pontos que Suécia e Albânia, e atrás de Dinamarca e Hungria, que partilham a liderança com sete pontos.

Como de costume, a imprensa portuguesa aprecia a polémica de uma análise comparativa, não renegando esforços no sentido de desenterrar o "fantasma" de Scolari, de forma a que Carlos Queirós (ou será Queiroz?) fique catalogado com o rótulo de incompetente. Não sou advogado de defesa do professor, mas as páginas dos diários desportivos prestaram um péssimo serviço ao jornalismo. Em primeiro lugar, mesmo compreendendo alguns argumentos por trás das críticas, contesto o ataque cerrado à figura do seleccionador nacional. Em segundo lugar, lamento a forma como a imprensa escrita gere os conteúdos, abusando de uma linguagem depreciativa e ofensiva.

Recordo, com saudade, os tempos do jornal «A Bola», na sua versão XXL. Dos restantes, a minha opinião não é a melhor. Talvez porque a redacção, ou os orgãos responsáveis, lideram um diário desportivo como se fosse uma revista cor-de-rosa. Na blogosfera, até aceito que os textos sejam inoportunos e mais corrosivos. Ao contrário, daqueles que têm carteira profissional espero imparcialidade, isenção e objectividade. Cada vez mais, prefiro ler certos autores de blogues do que muitos artigos escritos na imprensa. A verdade é que a comunicação social tem o enorme poder de influenciar a opinião pública e muitos blogues encarnados foram atrás da "onda", suspirando de alívio pelo facto de Carlos Queirós não ser o actual treinador do Benfica. Caros amigos, depois de Fernando Santos é difícil encontrar pior. Portanto, a imprensa desportiva que continue com os ódiozinhos de estimação, mas eu tenho o discernimento necessário para escolher as minhas próprias "fogueiras".

Como máximo responsável da equipa das quinas, Carlos Queirós terá a sua quota-parte de culpa no fraco pecúlio acumulado. Todavia, creio que a razão principal para o pessimismo em que o país voltou a cair está longe de ter uma explicação meramente táctica. Ou de escolha técnica. Ou, ainda, relacionado com o timing das substituições. A vertente, onde o seleccionado nacional terá com que se preocupar, encontra-se intimamente ligada ao profissionalismo dos seus jogadores. Será essa a sua principal missão.

Se não é fácil educar uma criança, imaginem o esforço que terá de ser feito para educar homens com mais de vinte anos. Onde quero chegar? À questão da liderança. O principal problema reside na falta de comprometimento colectivo, da parte de vários jogadores, manifestando-se numa atitude competitiva aquém das naturais expectativas da nação do futebol. Assim, Carlos Queirós terá de instruir Cristiano Ronaldo para não aborrecer-se com o público, terá de ensinar a Nani quando deve soltar a bola, terá de amestrar Ricardo Quaresma sobre as desvantagens de querer driblar toda a equipa adversária e, de uma vez por todas, explicar que o relvado não é uma passerelle.

Depois de, no passado, Carlos Queirós ter promovido uma revolução de mentalidades, o momento actual apresenta um desafio não menos complicado: descobrir a fórmula em que o todo (equipa), seja mais forte do que a soma das partes (individualidades). Trata-se de uma tarefa que exige o seu tempo de observação e experimentação, logo teremos de dar o benefício da dúvida e esperar que a missão do professor se concretize.

Moral da história: se a geração de ouro soube perder o receio de defrontar adversários de categoria mundial, chegou a altura da nova fornada conseguir ultrapassar os seus próprios defeitos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Inauguração do Estádio Nacional

O Estádio Nacional foi inaugurado a 10 de Junho de 1944. Prometido por Salazar desde 1933, o estádio tinha capacidade para albergar 48.000 espectadores. A sua construção foi iniciada em 1938 e a inauguração foi de pompa e circunstância, com milhares de espectadores a irem ao Vale do Jamor.

Façamos um breve intervalo. Diga-se que o conteúdo desta crónica distancia-se ligeiramente do âmbito deste espaço. Por um lado, porque centra-se numa perspectiva histórica, procurando descrever a importância do acontecimento no seio da sociedade portuguesa da época. Por outro lado, porque este episódio encerra a faculdade de me proporcionar elevado valor sentimental. Como, aliás, podem comprovar no final do texto.

O Estádio Nacional é construído durante a guerra, com algumas restrições de materiais de construção, como cimento e ferro, mas que não atrasaram significativamente a obra. O local escolhido foi a Cruz Quebrada, muito perto do rio Tejo, numa ampla área, com mais de 200 hectares, que ainda hoje é o maior complexo desportivo de Lisboa. O Arqt.º Jacobetty Rosa e o Eng.º Almeida e Brito pensaram na altura num complexo desportivo que tivesse uma relação privilegiada com a frente ribeirinha.
O dia 10 de Junho é já o prenúncio, embora desta vez preparado pelo regime, das enormes massas que este desporto iria atrair na segunda metade do século XX. «A inauguração revestiu-se da esperada solenidade em acontecimento de tal vulto», diz o República. O desfile, com que se inicia o programa, abre com 3.600 filiados das classes de ginástica da MP, seguindo-se a exibição da classe de ginástica feminina da FNAT. O festival fecha com o desafio entre o Benfica e o Sporting para a Taça Império.

E quanto ao jogo propriamente dito?
O encontro inaugural do Estádio Nacional é ainda hoje apontado como uma espécie de «sessão experimental» da Supertaça Cândido de Oliveira. Perante a maior assistência até então registada num recinto desportivo, defrontaram-se o campeão em título, Sporting, e o detentor da Taça de Portugal, Benfica.
Numa tarde amena, marcada por vento forte, as equipas alinharam:
SPORTING: Azevedo; Carlos e Manuel Marques; Canário, Barrosa e Eliseu; Mourão, João da Cruz,Peyroteo, António Marques e Albano.
BENFICA: Martins; César e Carvalho; Jacinto, Albino e Francisco Ferreira; Espírito Santo, Arsénio, Júlio, Teixeira e Rogério.
Peyroteo marcou o golo inaugural da partida, aquele que ficaria nos registos do Estádio Nacional como o primeiro da sua história. No recomeço, as águias equilibraram a contenda e, aproveitando a hesitação da defensiva contrária, chegaram à igualdade, por intermédio de Espírito Santo.
Seguiram-se mais 30 minutos de futebol, nos quais o Sporting obteve mais dois golos. Peyroteo fez o segundo da sua conta pessoal e Eliseu fechou a contagem para os leões. Júlio ainda reduziu para 3-2. Um desfecho que não impressionou Salazar Carreira, enviado da Stadium ao evento. «A grandeza do Estádio Nacional merecia outra espécie de futebol», destacando a estupenda exibição dos dois guarda-redes.

Estamos praticamente no fim da crónica. Chegou o momento de levantar o véu sobre as razões associadas à minha ligação pessoal com o dia 10 de Junho de 1944. O motivo prende-se com o seguinte: eu tenho em minha posse o bilhete da inauguração do Estádio Nacional.

O bilhete da partida foi oferecido pelo meu Avô, já falecido. Presentemente, encontra-se carinhosamente resguardado numa moldura com vidro, num cantinho especial da sala de estar. As razões são óbvias: em primeiro lugar, pelo significado de autenticidade de um acontecimento marcante do futebol português; em segundo lugar, porque a oferta do meu Avô renova continuamente a saudade e o sentimento dos bons momentos passados. Por tudo isso, para mim é muito mais do que um simples pedaço de papel. É o bilhete da inaguração do Estádio Nacional.

Fonte: Os dados históricos foram retirados da colecção «Os anos de Salazar», volume n.º 6, 1946/48 - As oportunidades perdidas da Oposição.