terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A todos os leitores II:

Repetindo os votos da semana passada, volto a desejar um 2009 com mais razões para sorrir face ao ano que está prestes a terminar. Num misto de paciência e sabedoria, espero que consigam ultrapassar os momentos menos bons, saboreando cada pedaço de alegria que a vida nos proporciona. Partam, definitivamente, para aquele projecto que constantemente têm adiado e persigam os vossos sonhos. Façam de 2009 um ano marcante. Pela positiva.

Como já não faltam muitas horas para dobrar o novo ano, impõe-se um balanço destes últimos 12 meses. A melhor forma encontrada para esse exercício traduziu-se numa criteriosa selecção dos artigos que fui escrevendo, desde que o blogue foi criado. Uma espécie de top 10 Catenaccio.

Não poderia finalizar sem deixar de agradecer todos os incentivos recebidos, contando com as visitas diárias e comentários feitos neste espaço, esperando que 2009 traga mais motivos para nos encontramos neste 'cantinho' virtual. Do mais antigo para o mais recente, recordemos, agora, o melhor de 2008:

1. A demissão de José António Camacho

2. Manifestação "Orgulho Benfiquista"

3. Profile de Quique Sánchez Flores

4. A novela Cristiano Ronaldo

5. Portugal no Euro'2008

6. A consagração espanhola

7. O pensamento futebolístico de Quique Flores: táctica e modelo de jogo

8. Mercado de transferências europeu 2008/09

9. Software aos serviço do futebol

10. Os novos "bebés" de Matosinhos

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A todos os leitores I:

Votos de Boas Festas, com muita Paz, Saúde e Alegria, na companhia de familiares e amigos, não esquecendo (obviamente!) de juntar as iguarias da consoada à tradicional jornada "Boxing Day".

Feliz Natal!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

[Uefa Cup Grupo B] SL Benfica 0-1 Metalist

Em cada português, há um treinador de bancada. Se multiplicarmos pelo número normalmente atribuído aos adeptos e simpatizantes do Benfica, teremos cerca de seis milhões de visões sobre o universo encarnado. Em variadíssimas ocasiões, quando debato o tema com algum amigo, é raro chegarmos a alguma conclusão. Na maior parte das vezes, parece que estamos a conversar sobre clubes diferentes, pois tudo é pretexto para dividir opiniões: presidente, treinador, jogadores, adeptos, entre muitos outros aspectos. As possibilidades são (quase) infinitas, incluindo mais variáveis do que este board game com que ando entretido. Só quando a palavra Benfica surge à baila é que damos conta daquilo que nos liga: a paixão pelo mesmo emblema.

Mais difícil do que encontrar uma alma gémea, é encontrar um benfiquista com uma linha de pensamento idêntica. Não é de espantar. Sigam o raciocínio. Há aqueles que presenciaram a época gloriosa, quando o Benfica venceu duas taças dos clubes campeões europeus e há os outros que nunca viram o clube ganhar um troféu europeu. Há os benfiquistas que não perdem um jogo no Estádio da Luz, os que não perdem um jogo pela televisão e os restantes que só sabem o resultado da partida no dia seguinte de manhã. Existem os sócios e os meros adeptos simpatizantes. Não fica por aqui. Há quem reconheça o trabalho desenvolvido por Luís Filipe Vieira, enquanto outras vozes mantêm o tom crítico. Há quem aponte enorme competência a Quique Flores e quem seja mais modesto nos elogios. Há quem aprecie o jogador “x” e quem admire mais o atleta “y”. Há quem acredite no 4x4x2 clássico e quem julgue ser um disparate continuar a apostar nesse desenho táctico. Estamos quase a terminar. Há, ainda, aqueles que projectam a memória do passado para elevar os níveis de exigência e, em sentido inverso, outros são mais moderados e pacientes. Há quem diga que o Benfica deve apostar mais na formação e quem afirme que tal não é estritamente necessário para alcançar o êxito. Há quem fique chocado com o facto do actual plantel contar com poucos portugueses e quem aceite tal realidade como uma inevitabilidade da globalização. Quando as vitórias são constantes, é muito saboroso observar a 'onda vermelha' agigantar-se. Agora, quando os resultados apontam para um cenário de desilusão...a confusão instala-se.

Qual a moral da estória? Basicamente, nenhuma. Estas palavras servem o único pretexto de nos fazer reflectir. De uma coisa tenho a certeza: no meu entender, a chave do sucesso passa, necessariamente, por perceber a identidade do clube, estudar a sua história e captar a verdadeira mística que o envolve. Será o melhor caminho para atingir o que realmente nos une: a descoberta de um Benfica glorioso.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

4x4x2 clássico em vias de extinção?

Luís Freitas Lobo escreve hoje, no jornal 'A Bola' sobre o posicionamento de Ruben Amorim na lateral direita do meio-campo encarnado. Aqui fica um breve excerto que resume o essencial:

"Nesse caso então este tipo de sistemas (o 4x4x2 clássico) só funciona no processo construtivo com pelo menos um médio-centro de grande categoria, no pulmão, na técnica e na táctica. Ruben Amorim não é, naturalmente, um caso desses na sua máxima expressão, mas, no actual Benfica, não vejo outro jogador capaz de fazer essa missão."

O enquadramento do duplo pivot defensivo leva-nos à seguinte questão: encontra-se o 4x4x2 clássico em vias de extinção? Um bom exemplo será averiguar sobre os sistemas tácticos utilizados pelos dezasseis participantes nos oitavos-de-final da Champions League. Para bom termo de comparação, nada como analisar os predicados dos principais 'tubarões' europeus. Seguem, por ordem alfabética (esquema alternativo entre parêntesis):

Arsenal4x4x2 clássico (4x5x1)
Atlético de Madrid – 4x1x4x1
Barcelona – 4x3x3
Bayern de Munique – 4x4x2 clássico
Chelsea – 4x3x3 (4x1x4x1)
FC Porto – 4x3x3
Inter de Milão – 4x3x3
Juventus4x4x2 clássico (4x4x1x1)
Liverpool – 4x2x3x1 (4x5x1)
Lyon – 4x3x3
Manchester United4x4x2 clássico (4x4x1x1)
Panathinaikos – 4x3x2x1
Real de Madrid – 4x2x3x1
Roma – 4x2x3x1
Sporting – 4x4x2 losango
Villarreal4x4x2 clássico (4x4x1x1)

Como se pode comprovar, o sistema implementado por Quique Flores, no Benfica, tem a companhia de alguns emblemas de elevada dimensão. Ainda assim, dentro dos exemplos descritos, o 4x4x2 clássico, apesar de ser o desenho preferencial, sofre a concorrência de um plano B, consoante as circunstâncias do adversário. O caso mais representativo, daquilo que estamos a tratar, localiza-se em Munique. Com efeito, o 'gigante' alemão podia representar um óptimo modelo, não para Quique Flores imitar, mas para retirar ensinamentos. Vejamos o onze titular que venceu, por 3-2, o Olympique de Lyon no seu próprio reduto:

GR Michael Rensing
DD Massimo Oddo
DC Van Buyten
DC Martin Demichelis
DE Philipp Lahm
MD Schweinsteiger
MC Mark Van Bommel ©
MC Tim Borowski (Zé Roberto)
ME Franck Ribéry
AV Luca Toni
AV Miroslav Klose

A dupla constituída por Van Bommel e Borowski, ou Zé Roberto, preenche os requisitos contemplados por Luís Freitas Lobo: pulmão, técnica (mais o brasileiro) e táctica. Pelo facto do sistema basear-se em três linhas horizontais, exige-se que os homens do centro do terreno acompanhem os movimentos de transição e funcionem como elo de ligação entre os diferentes sectores. Esse vaivém constante é suportado pela enorme capacidade atlética dos seus intépretes: Van Bommel (187cm e 84kg), Borowski (194cm e 84kg) e, em menor expressão, Zé Roberto (172 cm e 71kg).

No Benfica, várias sociedades foram testadas. Entre as mais utilizadas, evidenciam-se: Yebda - Carlos Martins, Katsouranis – Yebda e Bynia – Katsouranis. Enquanto o português brilha pela técnica, o franco-argelino dá nas vistas pelo vigor nas tarefas de pressão e recuperação. Por sua vez, Bynia é aquele que, porventura, apresenta menos recursos futebolísticos e, sem grande contestação, Katsouranis é o mais completo nos vários domínios de jogo. Sobre este tema, chamo a atenção para o brilhante texto publicado no 'Entre Dez'.

Chegados a este ponto, deveria Quique Flores seguir a recomendação de Luís Freitas Lobo e experimentar uma dupla constituída por Katsouranis e Ruben Amorim? Penso que sim, nomeadamente nas partidas em que o Benfica 'manda' no jogo e o adversário privilegia o processo defensivo. Seria interessante observar o futebol da equipa, em termos de dinâmica, posse e circulação de bola, deixando o grego mais posicional, como um típico n.º 6, e o português mais liberto para acções de condução, vestindo a camisola do denominado n.º 8. Contudo, há sempre um mas. Em distintas circunstâncias - condições meteorológicas, qualidade do oponente e desenrolar do marcador - Yebda apresenta argumentos bastante válidos. Quique Flores tem a palavra. De qualquer forma, caso seja possível, não percam a ocasião de seguir uma partida do Bayern de Munique. Depois, descubram as diferenças.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

[Taça de Portugal] Leixões 0-0 SL Benfica (5-4 gp)

A época futebolística vista na perspectiva de um jogador de sueca. A estória conta-se do seguinte modo...

Era uma vez um ex-jogador de futebol, tornado director desportivo por via das circunstâncias. Antigo internacional português, procurava um parceiro para as jogatanas de sueca referentes à nova época. Um jovem treinador espanhol, que tinha dado cartas em Valência, apresentava referências positivas. Ultrapassada a fase de negociação, deu-se início ao planeamento da estratégia passível de guiar esta dupla.

A primeira decisão foi comprar um baralho novinho, na expectativa de saírem em sorte cartas valiosas. De seguida, dirigiram-se ao clube onde se disputavam as provas nacionais e internacionais. Os adversários eram provenientes dos mais diversos lugares, prevendo-se uma maratona a exigir a máxima concentração. A partida teve início, com trunfo copas. Bom prenúncio, terá pensado o director desportivo, pois trata-se de uma naipe vermelho, associado à paixão. Do lado do jovem treinador espanhol, as cartas mostravam um 4x4x2, com apenas dois trunfos. Todavia, a ausência de um naipe iria permitir contrariar a dinâmica adversária e alguns Ases, e Manilhas, compunham a mão. Quanto ao companheiro de equipa, a distribuição era mais homogénea, mas predominavam as cartas de copas e ouros. À partida, o apoio estava garantido, desde que privilegiando o respeito pela jogada do parceiro. Finalmente, as primeiras cartas começaram a ser deitadas sob a mesa.

Posteriormente à tremideira inicial, derivado de algum desconforto face ao novo baralho, surgiu a conquista da primeira vaza e logo contra um rival directo. A sala vibrou com aplausos. Na jogada seguinte, desta feita contra uma equipa italiana, uma excelente combinação consentiu a captura de preciosos pontos. A confiança estava em alta. Entretanto, uns jogadores turcos e gregos também davam nas vistas. O emparelhamento do sorteio ditou que seriam os próximos opositores. A tensão aumentava e o treinador espanhol decidiu-se pelo lançamento de um Ás de espadas. Infelizmente, ambos os contendores estavam de corte a esse naipe e a dupla maravilha acabou por sofrer a primeira decepção. Por sua vez, no palco nacional, o equilíbrio era a nota dominante. Caprichosamente, um novo sorteio juntou a dupla vestida de encarnado com uns surpreendentes rapazes pescadores vindos do norte do país. De forma algo desafortunada, o jogador nascido em Madrid avança com uma Manilha prontamente tomada pelo último interveniente na rodada. Após a competição internacional, perdeu-se a hipótese de vencer um troféu interno.

Presentemente, é visível o ambiente de consternação. Alguns apoiantes decidiram abandonar a sala, insatisfeitos com o rumo dos acontecimentos. Não é o meu caso. Tive oportunidade de observar todas as jogadas e mantenho a fé nesta dupla prometedora. Contudo, ensinamentos têm de ser retirados. Ao contrário do póquer, onde uma boa mão pode ser apimentada por um bluff oportuno, na sueca tem de se ir a jogo obrigatoriamente. Em abono da verdade, um bom baralho pode significar um óptimo ponto de partida. Em seguida, requere-se um toque quase científico na forma como se baralha e ajuda, em muito, ter cartas poderosas. Mas, por vezes, tal não é suficiente. Em certas vazas, exige-se outro tipo de abordagem. Sim, o jogo da época ainda não terminou. No entanto, daqui para a frente, torna-se crucial entender melhor o 'timing' de algumas escolhas, nomeadamente saber ler as jogadas do adversário. Depois, na hora certa, é uma questão de apostar nos trunfos que restam.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

[Mercado d' Inverno] Versão nacional

Aproxima-se o Natal e, com o período festivo, o momento das equipas portuguesas planearem o retoque dos seus plantéis. O universo de escolha diz respeito à versão nacional, na perspectiva dos três 'grandes' da Liga Sagres. Assim, sem deixar de basear as escolhas em preferências pessoais, procurei respeitar o seguinte princípio: jogadores, maioritariamente jovens e com clara margem de progressão, de todas as equipas a actuar no principal escalão do futebol português, exceptuando os já citados Benfica, Sporting e FC Porto. Todas as posições são enaltecidas, desde o solitário guarda-redes até ao temível ponta-de-lança. O resultado final personaliza 14 valiosos nomes a registar no Moleskine do Mercado de Inverno. Minhas senhoras e meus senhores, bem-vindos ao lote Catenaccio de estrelas emergentes:

Guarda-redes
Beto (Leixões, 26 anos - 181cm / 80kg)
Parte do sucesso da equipa liderada por José Mota começa na baliza. Formado nos 'leões', Beto reúne inúmeras qualidades para acalentar projectos de maior dimensão. Agilidade, reflexos e comando de área são alguns dos seus pontos fortes.

Líbero
João Guilherme (Marítimo, 22 anos - 184cm / 74kg)
Beneficiando de uma defesa a três – com Fernando Cardozo e Van der Linden na marcação – o defesa brasileiro sabe tratar bem a bola, saindo a jogar com segurança. Totalista nas onze partidas já disputadas da Liga Sagres, a surpresa inicial vai-se transformando em certeza.

Defesa direito
Miguel Lopes (Rio Ave, 21 anos - 182cm / 72kg)
Referenciado por Benfica e FC Porto, tem demonstrado potencial para dar o salto. Inserido numa equipa que luta pela permanência, Miguel Lopes destaca-se pela excelência nas transições ofensivas, graças à forma como alia a técnica à velocidade. Mais do que um defesa, estamos perante um lateral para todo o corredor.

Defesa central
Maicon (Nacional, 20 anos - 190cm / 74kg)
Descoberto na Associação Desportiva Cabofriense, tem sido um dos esteios da equipa treinada por Manuel Machado. Tal como João Guilherme, 'vizinho' dos Barreiros, ainda não perdeu qualquer minuto na Liga Sagres e, aos 20 anos, denota enorme margem de evolução. Tem nome de craque (Maicon, do Inter de Milão) e, quem sabe, futebol para outros relvados.

Defesa central
Diego Ângelo (Naval, 22 anos - 192cm / 89kg)
Despercebido pelos holofotes da fama, é daqueles jogadores que dificilmente fará capa de jornal. Todavia, discrição é sinónimo de eficiência e juntamente com Paulão constitui uma das duplas de centrais mais sólidas do nosso campeonato. Em suma, quem observar Diego Ângelo saberá reconhecer os 3 C’s: combatividade, concentração e consistência.

Defesa esquerdo
Evaldo (Sp. Braga, 26 anos - 183cm / 80kg)
Depois de três anos na Madeira, ao serviço do Marítimo, Evaldo pegou de estaca na equipa comandada por Jorge Jesus. Regularidade exibicional é o seu melhor cartão de visita, como provam os 1.890 minutos de utilização em 21 aparições como titular. Relativamente jovem, mas já com experiência assinalável, é dos melhores valores da Liga Sagres.

Médio defensivo
Nuno Piloto (Académica, 26 anos - 178cm / 73kg)
Com um passado de lutas estudantis, Coimbra sempre foi palco de um futebol atractivo. Nuno Piloto, pelos seus atributos técnicos e inteligência ao serviço das transições, é dos que transporta a mística da 'Briosa' e melhor compreende uma história feita de passes curtos e desmarcações constantes.

Interior direito
Roberto Sousa (Leixões, 23 anos - 177cm / 75kg)
Herói na partida de Alvalade, repito o que escrevi na altura: de origem brasileira, com passagem pelo Celta de Vigo, tem óptima leitura de jogo e qualidade técnica individual digna de registo. Presentemente, é elemento fundamental para os equilíbrios da zona intermediária.

Interior esquerdo
Luís Alberto (Nacional, 25 anos - 181cm / 67 kg)
Sabe-se como o presidente Rui Alves tem uma especial predilecção pelo mercado brasileiro. Respeitando a imagem deixada pelos seus antecessores, Luís Alberto denota bom toque de bola para vingar em solo europeu. Vindo do Cruzeiro, tem correspondido às exigências e, passada a adaptação, a expectativa vai no sentido de contínua evolução.

Médio-ala/extremo direito
Djalma (Marítimo, 21 anos - 174cm / 76kg)
Filho de Abel Campos, antigo jogador do Benfica nas épocas 1988/89 e 1989/90, apresenta características muito semelhantes ao seu progenitor: aceleração, agilidade e velocidade são os seus trunfos. Na presente temporada, os genes do futebol começam a mostrar-se com brilhantismo acrescido. Sugiro a leitura do respectivo artigo de prospecção.

Médio-ala/extremo esquerdo
Marinho (Naval, 25 anos - 166cm / 62kg)
Marinho faz lembrar o típico extremo à moda antiga: baixinho, habilidoso e rapidíssimo. Porém, o jogador da Naval tem mais futebol do que a sua baixa estatura deixa transparecer. Em primeiro lugar, costuma ser o homem a quem os companheiros de equipa confiam no momento de executar a transição ofensiva. Em segundo, mercê de um carácter aguerrido e determinado, tem a capacidade para entregar o esférico a preceito ou finalizar, ele próprio, a jogada atacante.

Médio ofensivo
Luís Aguiar (Sp. Braga, 23 anos - 183cm / 81kg)
Sem espaço no FC Porto, o 'mago' uruguaio tem vindo a conquistar o apreço e admiração de todos os amantes do bom futebol, espalhando classe nos relvados nacionais e europeus. Jorge Jesus não hesitou na hora de lhe entregar a 'batuta' do meio-campo arsenalista e em boa hora o fez. Luís Aguiar é daqueles que não engana. Apenas subsiste a dúvida quanto ao seu sucesso num clube com outras ambições.

Avançado
William (P. Ferreira, 26 anos - 185cm / 80kg)
Mais um jogador descoberto pelo ‘olho clínico’ de José Mota, corria a época 2007/08. Curiosamente, é no humilde Paços de Ferreira, 14.º classificado da Liga Sagres, que mora o melhor marcador. Pode parecer um contrasenso, mas os 8 golos marcados por William provam os seus dotes de goleador. A continuar assim, a Mata Real será demasiado pequena para tanto talento.

Avançado
Nenê (Nacional, 25 anos - 183cm / 78kg)
Há uns anos, o conjunto alvinegro dispunha no seu plantel de um ponta-de-lança brasileiro com 'faro' pelo golo. Seu nome? Adriano, actualmente esquecido no Olival. Nenê mantém viva a tradição. Mantendo uma óptima relação com a baliza, o curriculum mostra que a bola já beijou as redes em 7 ocasiões. Se a esse facto juntarmos boas exibições, torna-se óbvio que estamos perante um avançado a não perder de vista.

A lista representada é passível de ser actualizada ou extendida com outras (jovens) promessas com potencial para envergar emblemas de maior nomeada: Assim, não poderia deixar de citar: Júlio César (Belenenses, 22 anos - 190cm / 85kg); Lionn (Vit. Guimarães, 19 anos - 177cm / 67kg); Nuno André Coelho (Est. Amadora, por empréstimo do FC Porto, 22 anos - 192cm / 83kg); Miguel Ângelo (Trofense, 24 anos - 185cm / 76kg); Cissokho (Vit. Setúbal, 21 anos - 181cm / 75kg); Baradji (Naval, 24 anos - 185cm / 77kg); Mano (Belenenses, 21 anos - 168cm / 60kg); Cristiano (P. Ferreira, 25 anos - 174cm / 69kg); David Caiado (Trofense, 21 anos - 184cm / 78kg); Chumbinho (Leixões, 22 anos - 174cm / 69kg); e, Baba Diawara (Marítimo, 20 anos - 185cm / 79kg).

De todos estes nomes, quais gostariam de ver nos vossos clubes? Fica o desafio.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Quique, Quim e a (Q)ontestação

O quê? Contestação ao projecto de futebol preconizado por Quique Flores. Quando? Ontem, dia 2 de Dezembro. Onde? No programa Trio D'Ataque.

António-Pedro Vasconcelos, cineasta, produtor, argumentista, colunista, professor, entre o desempenho de outras actividades de cariz cultural, é presença regular na televisão como comentador desportivo. Na qualidade de sócio do Benfica, a sua conduta pauta-se por elevada correcção na defesa intransigente dos interesses do clube. Tenho o hábito de ouvir as suas opiniões, com o máximo de atenção, até porque os seus 69 anos de idade chegariam para o dito senhor me relatar estórias e episódios que fizeram a história do nosso clube. No entanto, por vezes, o conhecido comentador tem o estranho hábito de enveredar por delírios futebolísticos francamente questionáveis. Ontem, foi um desses casos.

O objectivo deste post vai para além da simples pretensão pessoal na esgrima de argumentos. Manifestamente, não me cabe a mim interpretar o papel de contraditório. A minha estupefacção prende-se com o 'timing' e o tom demasiado assertivo com que António-Pedro Vasconcelos teceu uma série de considerações críticas, direccionadas para a figura do treinador espanhol. Neste aspecto, louve-se a coerência que sempre manifestou desde o início de época. Porém, do 'sumo' retirado do vasto discurso, não posso deixar de sublinhar que a maioria das palavras soam precipitadas e, porventura, injustas. Relativamente às inúmeras ligas nacionais, recordo que o Benfica mantém-se como a única equipa europeia invicta. Lembro, também, que FC Porto e Sporting já perderam com o Leixões, diante dos seus adeptos, e nem por isso se colocou em causa todo o projecto do futebol. Assim, espanta-me que o representante de quase seis milhões de adeptos opte por desenvolver apreciações tácticas facilmente susceptíveis de serem contrariadas e, semana após semana, mantenha a insistência em alterar avaliações individuais em função da performance exibicional de determinado jogador. Para piorar, prosseguir na crença chamada Fernando Santos já me parece indecoroso e recuso-me a perder tempo a escrever sobre alguém que colecciona segundas posições. Em termos comparativos, este triste protagonista só pode resultar de um 'casting' infeliz.

Gostaria de terminar com uma questão dirigida a António-Pedro Vasconcelos, a qual os leitores podem (e devem) opinar: no seu entender, a opção por Quique Flores revelou-se um erro crasso e Rui Costa deve repensar a planificação desportiva, quiçá substituindo o treinador na fase do 'mercado' de Inverno? Sabendo que, num passado não muito distante, foi apologista de uma solução 'Chalana', quase que apostaria que estaria disposto a considerar essa hipótese. Nada mais errado. Espero que não seja um simples empate caseiro a hipotecar a construção dos alicerces de um Benfica de futuro. Sou contra qualquer tentativa, ainda que ténue, de retrocesso do caminho traçado até ao momento presente. Bem sei que a tarefa não se afigura fácil. Para o Benfica, no relvado. Para António-Pedro Vasconcelos, ao ser acompanhado por milhares de telespectadores. É essa a sua enorme responsabilidade: representar o clube e, ao mesmo tempo, 'falar' para cada um dos adeptos que o escutam. Congratulo-me com os níveis de coerência, lucidez e rectidão de comportamento, mas definitivamente peço-lhe menor ligeireza e precipitação na assumpção da crítica destrutiva. Para 'fogueiras', bastam aquelas que a imprensa desportiva adora acender.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

[Uefa Cup Grupo B] Olympiacos 5-1 SL Benfica

O Benfica sofreu uma pesada derrota no terreno do Olympiacos CFP, por 5-1, na terceira jornada da fase de grupos da Taça Uefa, complicando seriamente as contas do apuramento.

Premonições

Recordam-se quando Eusébio esteve internado devido a 'lesões significativas nas artérias carótidas internas'? Na altura, a intervenção cirúrgica foi melindrosa e não isenta de riscos. Dias antes, eu próprio tive de deslocar-me ao hospital, mas por outros motivos: alojada num dos rins, uma pedra minúscula ofereceu-me a experiência de sentir uma agonia semelhante à dor de parto.
Ora, a que propósito vem esta conversa? Esta semana apanhei uma daquelas viroses malvadas capazes de deitar o Daniel Craig abaixo. Na terça-feira estive cheio de febre, na quarta não fui trabalhar e o nível debilitado do organismo impediu-me de escrever o habitual «dossier» sobre o adversário do Benfica. Coincidência, ou não, deve existir um qualquer canal telepático entre o meu estado de saúde e alguns dos momentos mais infelizes do universo encarnado.

O fantasma de Vigo

Quando no ano passado fiz um périplo pela Galiza, fiz questão de visitar o Estádio Balaídos e tirar umas fotografias. Há fantasmas que devem ser vencidos e quis aproveitar a ocasião para, pessoalmente, resolver o assunto. Ontem, o maroto voltou a assombrar-me. Temi o pior e nem com Benuron passava. Se uma simples derrota pode ser considerada como uma inevitabilidade pontual, uma goleada europeia fere o ânimo e abala o prestígio.

Razões para a derrocada

Após ler, na imprensa desportiva, algumas teorias sobre a tragédia grega continuo a pensar que o grupo – equipa técnica e respectivos jogadores – reúne outras condições para dar uma resposta mais avalizada. Nestas situações, vale a pena sublinhar que vários escribas e comentadores sentem um gozo especial em soltar os seus demónios. É verdade que o resultado só pode ser catalogado de vergonhoso, mas a planificação e construção da época 2008/09 não deve ser colocada em causa. Também me parece de mau tom particularizar a crítica num ou noutro jogador.
No meu entender, diversas circunstâncias levaram à derrocada. Em primeiro lugar, a colocação de Sidnei na posição de central direito foi discutível, pois o defesa brasileiro tem vindo a realizar boas exibições numa zona próxima de Jorge Ribeiro. Em segundo lugar, a opção pela sociedade Bynia e Yebda ofendeu o princípio de jogo ligado à posse e circulação de bola, dificultando a marcação (ritmos) do compasso. Até em face dos indisponíveis, para quando o desvio de Ruben Amorim para o centro do meio-campo? Por fim, a ausência conjunta de Luisão e Katsouranis fez tremer o edifício encarnado. Tratam-se de jogadores internacionais, com experiência e mentalidade competitiva bem acima de grande parte dos restantes companheiros. Sem a 'espinha dorsal' principal, o 'esqueleto' da equipa perdeu a sua solidez e, consequentemente, a defesa transformou-se num 'molusco' facilmente penetrável.

O processo de crescimento

Quique Flores costuma afirmar que necessita de tempo para construir um Benfica forte. Nas suas palavras, a equipa encontra-se num processo (acelerado) de crescimento. Como será nas outras equipas? Atentemos nas seguintes analogias...
Quando penso na presente carreira do FC Porto imagino um daqueles jovens recém-licenciados, acabadinhos de entrar no mercado de trabalho. Depois de duas épocas de grande nível, com o devido acompanhamento do Professor Jesualdo Ferreira, a agressividade do chamado mundo real tem dificultado a vida ao jovem tripeiro. A consistência da formação, fundamentada nos conhecimentos adquiridos, é sintomático da presença de raízes sólidas. Todavia, para lidar com outra dimensão profissional, falta atingir o patamar de emancipação total.
O caso do Sporting é substancialmente distinto. Desde logo porque, ao contrário da personalidade formadora de Jesualdo Ferreira, Paulo Bento impõe-se pelo carácter disciplinador. Os casos que têm vindo a público acabam por comprovar a passagem por uma fase acentuada de rebeldia. Não é difícil adivinhar que o jovem Sporting atravessa o complicado período da adolescência. As partidas frente ao Real de Madrid e Barcelona são paradigmáticas: a obtenção de dois golos pode ser encarada como um sinal de inconsciência típico de quem se acha 'dono do seu nariz', mas os cinco golos encaixados são reveladores de uma certa dose de ingenuidade.
Então, e quanto ao Benfica? Bem, o Benfica é como aqueles miúdos a quem se augura um futuro risonho. Com uma infância feliz, acarinhada por imensos familiares e amigos, este rapazinho é alvo dos maiores elogios, sendo muitos a apontar-lhe elevado potencial. Porém, quando o miúdo vai para a escola primária (leia-se competições europeias), amedronta-se com o ambiente e, sem a companhia de um irmão mais velho (Luisão e/ou Katsouranis) choraminga diante dos mais velhos.
Curiosamente, no entanto, até têm sido os bebés de Matosinhos a registarem mais elogios...

Um sintoma preocupante

Pondo as analogias de parte, finalizemos com algo mais sério. As recentes derrotas da selecção nacional (Brasil 6-2 Portugal), Sporting (2-5 com Barcelona) e Benfica (5-1 com Olympiacos) são resultados que merecem reflexão atenta. Neste sentido, mais do que desconfiar acerca da suposta pontualidade destes desastres, há que pensar seriamente na competitividade do futebol português. Nada acontece por acaso e alguns sintomas são preocupantes.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Leixões SC: os novos "bebés" de Matosinhos

Quem não conhece a história dos "bebés" de Matosinhos? Nos finais dos anos 60, quando o Estádio do Mar era um viveiro de grandes jogadores. Foi um período brilhante aquele em que os "meninos" de Matosinhos, com a sua classe futebolística, atormentaram os mais diversos adversários.

História

O Leixões Sport Club, fundado a 28 de Novembro de 1907, pisa solo firme em Matosinhos, mas espreita a imensidão do mar através dos olhos das suas gentes. Apesar de ser um clube com diversas modalidades, existem três que se destacam: a natação, o voleibol e, claro, o futebol. Como veremos mais adiante, o Leixões possui, no seu panorama futebolístico, alguns êxitos de nomeada, dos quais se destacam uma vitória na Taça de Portugal, frente ao FC Porto, várias presenças na Taça Uefa e uma presença na Taça das Taças, indo até aos quartos-de-final desta mesma competição. Por fim, o clube é conhecido pelo seu grande número de adeptos, intensamente fervorosos e apaixonados.

Painel de espectadores referente à Liga Sagres

Palmarés futebolístico

55 Presenças na Taça de Portugal:
- Vencedor em 1960/61 – Leixões 2-0 FC Porto
- Finalista vencido em 2001/02 – Leixões 0-1 Sporting
22 Presenças na I Liga/I Divisão
6 Presenças na II Liga/Liga de Honra (Campeão em 2006/07)
40 Presenças na II Divisão B (Campeão em 2002/03)
1 Presença na antiga I Liga
3 Presenças na antiga II Liga (Campeão em 1937/38)
6 Presenças no Campeonato de Portugal
1 Presença na Taça das Taças (Quartos-de-final em 1961/62)
3 Presenças na Taça Uefa

Resultados históricos

Defesa

Começemos pela baliza. O guarda-redes Beto tem sido, sem dúvida, um dos baluartes da equipa. A última exibição em Alvalade, frente ao clube que o formou, só vem reforçar uma futura chamada à selecção principal. Do lado direito, o jovem Vasco Fernandes (180cm), presença assídua nos Sub-21, tem comprovado o seu enorme potencial. Ao centro, face à indisponibilidade, por lesão, de Nuno Silva, Joel (187cm) constitui uma dupla tranquila com o seu colega de sector, o brasileiro Elvis (185cm). Por fim, do lado esquerdo, Laranjeiro (184cm), ex-capitão da União de Leiria, garante experiência e solidez ao quarteto mais recuado. O facto dos principais intervenientes disporem de considerável estampa atlética permite a adopção de um bloco médio-baixo, sem perigo do confronto aéreo, contribuindo para uma proveitosa organização defensiva.

Meio-campo

Na sua 9.ª época consecutiva a sentir a brisa de Matosinhos, Bruno China, 26 anos, é um exemplo de fidelidade ao mar. Completamente familiarizado com o ambiente que o rodeia, funciona como esteio do colectivo, dentro e fora do campo. A braçadeira de capitão assenta-lhe bem. Descaído na meia-direita, o novo herói do Leixões dá pelo nome de Roberto Sousa. De origem brasileira, com passagem pelo Celta de Vigo, tem óptima leitura de jogo e qualidade técnica individual digna de registo. Presentemente, é elemento fundamental para os equilíbrios da zona intermediária. Do lado contrário, descaído na meia-esquerda, Hugo Morais tem uma dupla virtude: por um lado, no processo de recuperação, interpreta eficazmente os processos de basculação; por outro lado, quando na posse de bola, reconhece os terrenos que pisa e cruza a preceito.

Ataque

Como treze golos marcados à 8.ª jornda da Liga Sagres, o Leixões nunca deixou de alvejar as redes adversárias. Mesmo após a saída de Jorge Gonçalves, para o Racing de Santander, mantém-se a validade de diferentes opções. Vejamos alguns exemplos mais representativos. Na vitória caseira frente ao Sp. Braga (2-0), alinharam de início Zé Manuel, Roberto e Marques. Na partida do dragão (2-3), José Mota escolheu Diogo Valente, Braga e o mesmo Marques. Para finalizar, no jogo contra o Sporting (0-1), a dupla avançada foi constituída por Diogo Valente e Braga. Em suma, a qualidade dos vários intérpretes, baseada num futebol positivo, resulta numa performance ofensiva elogiada pela imprensa desportiva. Contudo, a evidência dessa vantagem competitiva fundamenta-se numa simbiose (quase perfeita) entre o acerto das contratações e a construção táctica da equipa.

Estrela

De forma natural, aceita-se que em qualquer plantel há sempre quem mais se destaque. No onze titular dos "bebés" de Matosinhos, o expoente máximo tem sotaque brasileiro e chama-se Wesley. Ao contrário do que se possa pensar, não foi por mero esquecimento que deixei o most valuable player para o fim da crónica. Com efeito, aos 28 anos, este médio-avançado não pára de surpreender, sendo, até ao momento, o melhor marcador da equipa com cinco golos. Pena que os milhões do Dubai ou da Arábia Saudita abram a perspectiva do jogador sair em Janeiro. Não será só o Estádio do Mar a perder um dos seus ídolos. É o futebol português que fica mais pobre.

Fontes/Links

Site Oficial

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A/C Rui Moreira: a verdade sobre Calabote

Na terça-feira passada, dia 11 deste mês, no programa Trio d'Ataque, levantou-se enorme ruído em redor da célebre arbitragem do Benfica-Cuf (7-1) da última jornada do campeonato de 1958/59. Graças às palavras de indignação do Sr. António-Pedro Vasconcelos, e apesar de presumir que o tema já tenha sido destacado nalgum espaço virtual, gostaria de prestar o meu modesto contributo para a verdade dos factos. Para tal, publico um breve excerto, o qual deixo à consideração do Sr. Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto. Na feliz circunstância do leitor conhecer o indíviduo em causa, faça-lhe chegar as palavras seguintes:

Caso Inocêncio Calabote
Ou uma mentira muitas vezes repetida...


Desde os anos oitenta, quando se acentuou o domínio do FC Porto sobre a arbitragem nacional, culminado, duas décadas depois, com a tardia «Operação Apito Dourado», passou a ouvir-se falar muito no antigo árbitro Inocêncio Calabote e nos favores que teria feito ao Benfica num célebre jogo com a Cuf na última jornada do Campeonato Nacional de 1958/59 (22 de Março), terminado com o resultado de 7-1 e que teria tido, no dizer de quantos o recordam agora, dez minutos a mais, dados pelo árbitro à espera que o Benfica marcasse mais um golo que lhe daria o título. Nada mais falso.

Quando se chegou à 26.ª e última jornada deste campeonato, marcado por inúmeros casos, FC Porto e Benfica estavam igualados em pontos e na primeira fórmula de desempate, já que haviam empatado os dois jogos entre ambos. O FC Porto tinha então uma vantagem de quatro golos na diferença total entre tentos marcados e sofridos, pelo que tudo se iria decidir na última jornada, nos jogos Torreense-FC Porto e Benfica-Cuf. Apesar de uma e outra destas equipas estarem em perigo de descer de divisão (o Torreense desceu mesmo e a Cuf acabou por ter que disputar o então chamado Torneio de Competência com os melhores classificados da II Divisão), é muito natural que tanto os jogadores da Cuf como os do Torreense tenham tido prémios especiais (e secretos) para dificultarem a vida aos dois candidatos ao título.

Rádios acesos e...
seis minutos de atraso


Sem televisão a transmitir, era através da rádio que, num e noutro campo, os adeptos iam seguindo a marcha dos marcadores. E a grande questão, que dá origem a todos os exageros que hoje se propalam, residiu no facto de o jogo do Benfica ter começado seis minutos mais tarde que as tradicionais 15 horas, então o horário de início de todos os jogos. (...) E foi essa longa espera, superior a dez minutos, que deu origem à lenda-Calabote, que tão aproveitada (e distorcida) tem sido aos longo dos tempos. O Benfica não foi em nada beneficiado com essa arbitragem. E o árbitro até teria tido todas as possibilidades de «dar» o título ao Benfica, já que o nosso clube marcou o seu último golo aos 38 minutos da segunda parte e, quando o jogo de Torres Vedras terminou, o Benfica ainda teve cerca de dez minutos (seis regulamentares e mais três ou quatro de 'descontos') para marcar aquele que lhe daria o título.

O que disseram os jornais

Folheando os três jornais desportivos da época, nada faria supor que, várias décadas depois, o jogo fosse tão falado. (...) Mas vejamos o que disseram os jornais. Alfredo farinha, em "A Bola", foi bem claro: «O recurso sistemático aos pontapés para fora do rectângulo, a demora ostensiva na marcação dos livres e lançamentos de bola lateral, as simulações de lesões, o uso e abuso, enfim, de todos esse vulgarizados meios de 'queimar tempo'.» (...) No "Mundo Desportivo", Guilhermino Rodrigues não comungava da mesma opinião, mas até considerou menor o tempo de desconto e acabou por o justificar: «Exagerado o período de três minutos que concedeu além do tempo regulamentar para contrabalançar os momentos gastos em propositada demora pelos cufistas.» (...) No "Record", em crónica não assinada (um antigo hábito do jornal), uma outra opinião: »Deu quatro minutos (...) pela demora propositada dos jogadores da Cuf - alguns deles foram advertidos - na reposição da bola em jogo. Não compreendemos porque não usou do mesmo critério no final do primeiro tempo, dado que aquelas demoras se começaram a registar desde início.»
Esclarecedor...

O que aqui se escreveu poderá ser facilmente consultado nos jornais da época. Não houve qualquer escândalo com a arbitragem de Inocêncio Calabote nesse Benfica-Cuf. O chamado caso-Calabote é uma grande mentira.

Informa-se que este texto pode ser lido, na íntegra, no documento 'As verdades deturpadas da história do Benfica', o qual serviu de base à elaboração do artigo.