quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A mística perdida do Sport Lisboa e Benfica

Caros leitores: podem considerar que o 'timing' deste artigo não é o mais adequado. Principalmente depois de ultrapassado o descalabro da Trofa, mercê das vitórias frente a Sp. Braga, para a Liga Sagres, Olhanense, para a Carslberg Cup e após a visita de 'Deus' Maradona ao palco da Luz. Provavelmente, têm razão. Acontece que já há uns dias vinha pensando no tema que dá nome ao título. Como é hábito, as minhas apreciações acerca do universo encarnado não se encontram condicionadas por resultados positivos ou negativos, nem pretende ser um espelho diário da imprensa desportiva.

mística s.f.,
estudo das coisas divinas ou espirituais;
vida contemplativa;
por ext. fanatismo doutrinário.

A natureza da palavra

Ao contrário do termo que aparece no dicionário, quando o assunto é futebol a mística assume um carácter intangível, praticamente inexplicável. Então quando esta diz respeito ao Benfica, o tema assume enormes proporções, com debates sem fim à vista. Muitos, afirmam que as vitórias representam um sinónimo perfeito para a mística. Alguns, preferem falar de amor à camisola. Vários sentem-na, mas é díficil encontrar o significado certo para a palavra. Porque esta é geracional e substancialmente diferente entre um grupo alargado de indivíduos. Dirigentes, treinadores, jogadores, inclusive adeptos, podem ser portadores da mística e, ao contrário do bilhete de identidade, ela é pessoal e transmissível.

Juízo pessoal

Para melhor conhecer e compreender como se construíu a mística do Benfica, aconselharia a leitura do livro 'Pela Mística Dentro'. Porém, num acto irreflectido e arriscado, gostaria de transmitir a minha visão sobre o assunto. É mais difícil do que possa parecer, mas não custa tentar.

Em primeiro lugar, é verdade que a mística ganha asas no momento das maiores celebrações. Nada a opor. Contudo, na época 1965/66, o título nacional foi conquistado pelo Sporting. Será que o plantel do Benfica, nessa temporada, não continha em si a tão famosa mística? Sem hesitar, não me parece. Sendo certo que as vitórias alimentam a lenda, falta algo mais que complete a fórmula mágica.

No meu entender (enchendo o peito de ar), mística é compromisso, identidade e lealdade. Compromisso com uma causa, entendida enquanto dedicação ao emblema, privilegiando um espírito de sacríficio que leve às vitórias. Identidade com as raízes do clube, conhecendo a sua história e respeitando os seus protagonistas. Lealdade com um símbolo, defendendo com prazer e orgulho a camisola que dá cor a uma nação.

Actualmente, não será descabido afirmar que a mística encontra-se depositada em Rui Costa. O director desportivo preenche os requisitos enunciados, sendo das poucas vozes da estrutura encarnada que todos fazem questão de escutar. Indubitavelmente, o seu percurso fala por si: inicialmente como atleta dos escalões jovens, apanha-bolas, jogador profissional da primeira equipa, a saída para o estrangeiro, entre lágrimas, o regresso sentimental do filho pródigo e, mais tarde, o pendurar das botas e a missão de fato e gravata. A mística é isto.

1. Exemplo de Estugarda (1988)

E quanto à realidade presente? Que dizer dos jogadores que constituem o plantel às ordens de Quique Flores? Já lá iremos. Por agora, façamos uma viagem, no passado. Em 25 de Maio de 1988, o Benfica atingiu a final da então denominada Taça dos Clubes Campeões Europeus, marcada pelo dramatismo do penalty falhado por Veloso, na altura capitão encarnado. A escolha deste facto tem uma explicação lógica: como não vivi a glória da década de 60 e era muito novo aquando da final da Taça Uefa, frente ao Anderlecht, a caminhada europeia desse ano marcou a minha forma de olhar para o Benfica. Tinha 13 anos e, apesar da tristeza associada à derrota, pude constantar que compromisso, identidade e lealdade não eram palavras vãs. No fundo, a imagem que guardo desses tempos é só uma: mística.

A equipa alinhou da seguinte forma: Silvino, Veloso, Dito, Mozer e Álvaro; Chiquinho, Elzo, Shéu e Pacheco; Mats Magnusson e Rui Águas.

Para não variar, apresento mais um exercício que consiste em identificar, para cada jogador presente na final de 1988, quantas épocas consecutivas levavam de águia ao peito. Exemplo: à data, o guarda-redes Silvino cumpria o segundo ano consecutivo ao serviço do Benfica. No fim, o valor total resume a soma das épocas de todos os jogadores.

Silvino (2.ª época)
Veloso (8.ª)
Dito (2.ª)
Mozer (1.ª)
Álvaro (7.ª)
Chiquinho (2.ª)
Elzo (1.ª)
Shéu (16.ª)
Pacheco (1.ª)
Mats Magnusson (1.ª)
Rui Águas (3.ª)

Total = 44 épocas

Podem os jogadores estrangeiros compreender a mística?

A resposta à questão é afirmativa. No entanto, ressalve-se que essa assimilação depende de vários factores: por um lado, a própria personalidade do jogador influencia a absorção de ensinamentos ligados à identidade do clube; por outro lado, a estrutura do departamento de futebol tem enorme responsabilidade em assegurar a transmissão de informação histórica e os colegas de equipa com mais anos de casa devem assumir-se como veículos condutores da velha mística. No caso concreto da equipa titular na final de Estugarda, o brasileiro Mozer e o sueco Magnusson apresentam episódios curiosos. Proponho a leitura dos links disponíveis, comprovando a certeza da resposta dada.

2. Exemplo de Viena (1990)

Dois anos mais tarde, a 23 de Maio de 1990, o Benfica volta a viver a emoção de disputar uma final europeia, desta feita contra o fantástico AC Milan de Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco Van Basten. Lamentavelmente, o resultado (derrota por 1-0) voltou a ser desfavorável à equipa portuguesa. Todavia, a campanha desse ano ficou positivamente marcada pela meia-final diante do Marselha. Ainda hoje, passados quase vinte anos passados, todos se recordam da mão de Vata, num Estádio da Luz a fervilhar de emoção. Um vulcão de mística.

A equipa alinhou da seguinte forma: Silvino, José Carlos, Aldair, Ricardo Gomes e Samuel; Hernâni, Vítor Paneira, Jonas Thern, Valdo e Pacheco; Mats Magnusson.

Silvino (4.ª época)
José Carlos (1.ª)
Aldair (1.ª)
Ricardo Gomes (2.ª)
Samuel (7.ª)
Hernâni (2.ª)
Vítor Paneira (2.ª)
Jonas Thern (1.ª)
Valdo (3.ª)
Pacheco (3.ª)
Mats Magnusson (3.ª)

Total = 29 épocas

A mística enquanto factor X

O que realmente importa e pretendo provar é que a mística daquele tempo não encontra paralelo na conjuntura actual, muito por culpa das constantes entradas e saídas a que os plantéis são sujeitos. Tornou-se prática afirmar: não basta ter jogadores de qualidade para ter uma boa equipa. Eu iria mais longe: uma boa equipa pode basear-se num conjunto de jogadores acima da média, mas sem esquecer todos aqueles que amam a camisola que envergam. E, na minha opinião, quanto mais anos um jogador estiver no clube, mais facilmente compreenderá o verdadeiro significado do que a mística representa. Na maioria das vezes, acaba por representar a diferença ténue entre o êxito e o fracasso. O tal factor X. Embora, nos dias de hoje, seja comum falar-se em atitude.

Cenário presente

De regresso ao momento actual, procurei seleccionar um onze tipo ideal e, tal como feito anteriormente, desenvolver o mesmo tipo de exercício com os parâmetros previamente definidos.

Moreira (9.ª época)
Maxi Pereira (2.ª)
Luisão (6.ª)
Miguel Vítor (1.ª)
David Luiz (3.ª)
Ruben Amorim (1.ª)
Katsouranis (3.ª)
Hassan Yebda (1.ª)
José Antonio Reyes (1.ª)
Pablo Aimar (1.ª)
David Suazo (1.ª)

Total = 29 épocas

Comparativamente com a saudosa equipa da final de Viena, resulta interessante verificar a igualdade no número total de épocas. A diferença está no seguinte: no onze titular da década anterior destaca-se uma maior homogeneidade entre os seus elementos e preponderância de jogadores portugueses; no plantel actual seis jogadores cumprem a sua primeira época e só Moreira e Luisão perfazem, em conjunto, quinze temporadas ao serviço do clube.

Termino com um desafio: e para si, caro leitor, o que é a mística?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

[Taça da Liga] V. Guimarães 0-2 SL Benfica

Quanto à partida, não me vou alongar demasiado. Foi perceptível a diferença na atitude dos jogadores, para melhor, conjugada com elevados índices de concentração e solidariedade defensiva. É verdade que ajudou o facto do golo ter aparecido cedo. Porém, a equipa teve um comportamento táctico digno de registo e transmitiu, quase sempre, tranquilidade a quem seguia o jogo. Em resumo: a performance colectiva esteve longe de ser brilhante, até porque na 2.ª parte a equipa chegou, praticamente, a abdicar do ataque, mas há que realçar o acerto posicional e a agressividade imposta nas transições defensivas. Ficou patente que, por vezes, mais vale evitar o uso excessivo do futebol directo e, ao invés, privilegiar uma posse de bola segura que permita um maior controlo dos acontecimentos.

Para finalizar, gostaria de dedicar este parágrafo a Miguel Vítor. Curiosamente, o jovem formado nas escolas do Benfica foi o único jogador português a constar da lista inicial do onze titular. Até Carlos Carvalhal, que comentava as incidências da partida, referiu-se à sua actuação (personalizada) em tom elogioso. Não podia estar mais de acordo. Apesar de um ou outro erro, sem consequências de maior, que bela exibição fez o 'míudo': muito concentrado e determinado, raramente perdeu lances divididos e revelou enorme disponibilidade para "varrer" a sua área de jurisdição. Congratulo-me por verificar que um jogador formado na Luz vai conquistando o seu espaço, ganhando a confiança de colegas, o respeito de adversários e a admiração do mundo do futebol. Embora haja quem pense o contrário, sou da opinião que a construção da mística passa muito pela aposta e crescimento de jogadores umbilicamente ligados ao clube que representam. Para os mais puristas, em questão de números, vale a pena observar a sua estatística pessoal, referente à época em curso.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

[Liga Sagres 13.ª J] Trofense 2-0 SL Benfica

Quatro dias após a passagem de ano, a primeira desilusão de 2009 teve origem num pequeno município situado no extremo norte do distrito do Porto. Como seria de esperar, a derrota frente ao Trofense fez (e continua a fazer) correr muita tinta. Infelizmente, não tenho o poder de explicar este último desaire, nem a fórmula mágica capaz de apontar soluções para os problemas mais prementes. Ainda assim, de modo a evitar a repetição ad eternum dos mesmos argumentos, sugiro a leitura de alguns posts que traduzem a minha visão do mundo encarnado. Sem querer ser pretencioso, nas entrelinhas podem-se encontrar ligeiros "gritos de alerta": a política desportiva de aposta na formação, a limpeza de balneário, o sistema táctico e os princípios de jogo de Quique Flores e, também, o ADN de um clube histórico.

Agora, oportunidade para um exercício de memória interessante: comparar a actual equipa com aquela que conquistou o título nacional em 2004/05. Para além das naturais diferenças na estrutura de futebol, equipa técnica incluída, importa distinguir certas particularidades em termos de plantel:

- Época 2004/05
Dezassete jogadores portugueses (50% do plantel)
Nove nacionalidades distintas
Numa equipa liderada pela "raposa" Trapattoni, espremida ao máximo, o onze normalmente titular contemplava oito atletas portugueses: Quim, Miguel, Ricardo Rocha, Petit, Manuel Fernandes, Nuno Assis, Simão e Nuno Gomes.

- Época 2008/09
Oito jogadores portugueses (29,6% do plantel)
Treze nacionalidades diferentes
Numa equipa comandada por Quique Flores, o onze que costuma entrar em campo raramente contempla mais do que quatro portugueses e, para a maioria, trata-se do primeiro ano a jogar na Luz.

Se pretendesse ser mais pormenorizado, poderia acrescentar mais dados à discussão. Todavia, bastam algumas linhas para provar o que pretendo.
Na temporada 2004/05 a equipa ostentava a conquista da Taça de Portugal, na época imediatamente anterior, com um núcleo duro de jogadores que vinham a ser moldados há dois ou três anos. Tratava-se de um plantel em fase de maturação competitiva que, sem cativar em termos exibicionais, mostrava-se no ponto crítico de estabilidade para finalmente vencer a principal competição nacional. Apesar das críticas, era uma equipa segura e talhada para vencer. Na altura, Simão assumia um protagonismo e brilhantismo imcomparável com os dias de hoje.
Na presente temporada, numa equipa praticamente renovada de alto a baixo, poucos podem orgulhar-se de terem sido campeões de águia ao peito. Não existe dinâmica de vitória porque, pura e simplesmente, estes jogadores não têm o hábito de vencer. Trata-se, assim, de um plantel em fase quase embrionária, a necessitar de crescimento rápido, com bons valores individuais, mas que denota imensas dificuldades colectivas em perceber a pressão dos adeptos e lidar com o "ruído" que sempre aparece do exterior. Essencialmente, para muitos deles, falta personalidade que encaixe na grandiosidade do clube, notando-se claramente a carência de mística.

Bem, chegados a este ponto, importa colocar uma questão. Deverá Rui Costa, em conjunto com a Direcção da SAD, optar pela destituição do treinador espanhol, proceder a novas entradas e saídas no mercado de Inverno e, inclusive, efectuar a milionésima revolução do futebol encarnado? Sem hesitações, respondo: Não! De todo! Mesmo que, logo à noite, António-Pedro Vasconcelos diga o contrário.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A todos os leitores II:

Repetindo os votos da semana passada, volto a desejar um 2009 com mais razões para sorrir face ao ano que está prestes a terminar. Num misto de paciência e sabedoria, espero que consigam ultrapassar os momentos menos bons, saboreando cada pedaço de alegria que a vida nos proporciona. Partam, definitivamente, para aquele projecto que constantemente têm adiado e persigam os vossos sonhos. Façam de 2009 um ano marcante. Pela positiva.

Como já não faltam muitas horas para dobrar o novo ano, impõe-se um balanço destes últimos 12 meses. A melhor forma encontrada para esse exercício traduziu-se numa criteriosa selecção dos artigos que fui escrevendo, desde que o blogue foi criado. Uma espécie de top 10 Catenaccio.

Não poderia finalizar sem deixar de agradecer todos os incentivos recebidos, contando com as visitas diárias e comentários feitos neste espaço, esperando que 2009 traga mais motivos para nos encontramos neste 'cantinho' virtual. Do mais antigo para o mais recente, recordemos, agora, o melhor de 2008:

1. A demissão de José António Camacho

2. Manifestação "Orgulho Benfiquista"

3. Profile de Quique Sánchez Flores

4. A novela Cristiano Ronaldo

5. Portugal no Euro'2008

6. A consagração espanhola

7. O pensamento futebolístico de Quique Flores: táctica e modelo de jogo

8. Mercado de transferências europeu 2008/09

9. Software aos serviço do futebol

10. Os novos "bebés" de Matosinhos

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A todos os leitores I:

Votos de Boas Festas, com muita Paz, Saúde e Alegria, na companhia de familiares e amigos, não esquecendo (obviamente!) de juntar as iguarias da consoada à tradicional jornada "Boxing Day".

Feliz Natal!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

[Uefa Cup Grupo B] SL Benfica 0-1 Metalist

Em cada português, há um treinador de bancada. Se multiplicarmos pelo número normalmente atribuído aos adeptos e simpatizantes do Benfica, teremos cerca de seis milhões de visões sobre o universo encarnado. Em variadíssimas ocasiões, quando debato o tema com algum amigo, é raro chegarmos a alguma conclusão. Na maior parte das vezes, parece que estamos a conversar sobre clubes diferentes, pois tudo é pretexto para dividir opiniões: presidente, treinador, jogadores, adeptos, entre muitos outros aspectos. As possibilidades são (quase) infinitas, incluindo mais variáveis do que este board game com que ando entretido. Só quando a palavra Benfica surge à baila é que damos conta daquilo que nos liga: a paixão pelo mesmo emblema.

Mais difícil do que encontrar uma alma gémea, é encontrar um benfiquista com uma linha de pensamento idêntica. Não é de espantar. Sigam o raciocínio. Há aqueles que presenciaram a época gloriosa, quando o Benfica venceu duas taças dos clubes campeões europeus e há os outros que nunca viram o clube ganhar um troféu europeu. Há os benfiquistas que não perdem um jogo no Estádio da Luz, os que não perdem um jogo pela televisão e os restantes que só sabem o resultado da partida no dia seguinte de manhã. Existem os sócios e os meros adeptos simpatizantes. Não fica por aqui. Há quem reconheça o trabalho desenvolvido por Luís Filipe Vieira, enquanto outras vozes mantêm o tom crítico. Há quem aponte enorme competência a Quique Flores e quem seja mais modesto nos elogios. Há quem aprecie o jogador “x” e quem admire mais o atleta “y”. Há quem acredite no 4x4x2 clássico e quem julgue ser um disparate continuar a apostar nesse desenho táctico. Estamos quase a terminar. Há, ainda, aqueles que projectam a memória do passado para elevar os níveis de exigência e, em sentido inverso, outros são mais moderados e pacientes. Há quem diga que o Benfica deve apostar mais na formação e quem afirme que tal não é estritamente necessário para alcançar o êxito. Há quem fique chocado com o facto do actual plantel contar com poucos portugueses e quem aceite tal realidade como uma inevitabilidade da globalização. Quando as vitórias são constantes, é muito saboroso observar a 'onda vermelha' agigantar-se. Agora, quando os resultados apontam para um cenário de desilusão...a confusão instala-se.

Qual a moral da estória? Basicamente, nenhuma. Estas palavras servem o único pretexto de nos fazer reflectir. De uma coisa tenho a certeza: no meu entender, a chave do sucesso passa, necessariamente, por perceber a identidade do clube, estudar a sua história e captar a verdadeira mística que o envolve. Será o melhor caminho para atingir o que realmente nos une: a descoberta de um Benfica glorioso.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

4x4x2 clássico em vias de extinção?

Luís Freitas Lobo escreve hoje, no jornal 'A Bola' sobre o posicionamento de Ruben Amorim na lateral direita do meio-campo encarnado. Aqui fica um breve excerto que resume o essencial:

"Nesse caso então este tipo de sistemas (o 4x4x2 clássico) só funciona no processo construtivo com pelo menos um médio-centro de grande categoria, no pulmão, na técnica e na táctica. Ruben Amorim não é, naturalmente, um caso desses na sua máxima expressão, mas, no actual Benfica, não vejo outro jogador capaz de fazer essa missão."

O enquadramento do duplo pivot defensivo leva-nos à seguinte questão: encontra-se o 4x4x2 clássico em vias de extinção? Um bom exemplo será averiguar sobre os sistemas tácticos utilizados pelos dezasseis participantes nos oitavos-de-final da Champions League. Para bom termo de comparação, nada como analisar os predicados dos principais 'tubarões' europeus. Seguem, por ordem alfabética (esquema alternativo entre parêntesis):

Arsenal4x4x2 clássico (4x5x1)
Atlético de Madrid – 4x1x4x1
Barcelona – 4x3x3
Bayern de Munique – 4x4x2 clássico
Chelsea – 4x3x3 (4x1x4x1)
FC Porto – 4x3x3
Inter de Milão – 4x3x3
Juventus4x4x2 clássico (4x4x1x1)
Liverpool – 4x2x3x1 (4x5x1)
Lyon – 4x3x3
Manchester United4x4x2 clássico (4x4x1x1)
Panathinaikos – 4x3x2x1
Real de Madrid – 4x2x3x1
Roma – 4x2x3x1
Sporting – 4x4x2 losango
Villarreal4x4x2 clássico (4x4x1x1)

Como se pode comprovar, o sistema implementado por Quique Flores, no Benfica, tem a companhia de alguns emblemas de elevada dimensão. Ainda assim, dentro dos exemplos descritos, o 4x4x2 clássico, apesar de ser o desenho preferencial, sofre a concorrência de um plano B, consoante as circunstâncias do adversário. O caso mais representativo, daquilo que estamos a tratar, localiza-se em Munique. Com efeito, o 'gigante' alemão podia representar um óptimo modelo, não para Quique Flores imitar, mas para retirar ensinamentos. Vejamos o onze titular que venceu, por 3-2, o Olympique de Lyon no seu próprio reduto:

GR Michael Rensing
DD Massimo Oddo
DC Van Buyten
DC Martin Demichelis
DE Philipp Lahm
MD Schweinsteiger
MC Mark Van Bommel ©
MC Tim Borowski (Zé Roberto)
ME Franck Ribéry
AV Luca Toni
AV Miroslav Klose

A dupla constituída por Van Bommel e Borowski, ou Zé Roberto, preenche os requisitos contemplados por Luís Freitas Lobo: pulmão, técnica (mais o brasileiro) e táctica. Pelo facto do sistema basear-se em três linhas horizontais, exige-se que os homens do centro do terreno acompanhem os movimentos de transição e funcionem como elo de ligação entre os diferentes sectores. Esse vaivém constante é suportado pela enorme capacidade atlética dos seus intépretes: Van Bommel (187cm e 84kg), Borowski (194cm e 84kg) e, em menor expressão, Zé Roberto (172 cm e 71kg).

No Benfica, várias sociedades foram testadas. Entre as mais utilizadas, evidenciam-se: Yebda - Carlos Martins, Katsouranis – Yebda e Bynia – Katsouranis. Enquanto o português brilha pela técnica, o franco-argelino dá nas vistas pelo vigor nas tarefas de pressão e recuperação. Por sua vez, Bynia é aquele que, porventura, apresenta menos recursos futebolísticos e, sem grande contestação, Katsouranis é o mais completo nos vários domínios de jogo. Sobre este tema, chamo a atenção para o brilhante texto publicado no 'Entre Dez'.

Chegados a este ponto, deveria Quique Flores seguir a recomendação de Luís Freitas Lobo e experimentar uma dupla constituída por Katsouranis e Ruben Amorim? Penso que sim, nomeadamente nas partidas em que o Benfica 'manda' no jogo e o adversário privilegia o processo defensivo. Seria interessante observar o futebol da equipa, em termos de dinâmica, posse e circulação de bola, deixando o grego mais posicional, como um típico n.º 6, e o português mais liberto para acções de condução, vestindo a camisola do denominado n.º 8. Contudo, há sempre um mas. Em distintas circunstâncias - condições meteorológicas, qualidade do oponente e desenrolar do marcador - Yebda apresenta argumentos bastante válidos. Quique Flores tem a palavra. De qualquer forma, caso seja possível, não percam a ocasião de seguir uma partida do Bayern de Munique. Depois, descubram as diferenças.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

[Taça de Portugal] Leixões 0-0 SL Benfica (5-4 gp)

A época futebolística vista na perspectiva de um jogador de sueca. A estória conta-se do seguinte modo...

Era uma vez um ex-jogador de futebol, tornado director desportivo por via das circunstâncias. Antigo internacional português, procurava um parceiro para as jogatanas de sueca referentes à nova época. Um jovem treinador espanhol, que tinha dado cartas em Valência, apresentava referências positivas. Ultrapassada a fase de negociação, deu-se início ao planeamento da estratégia passível de guiar esta dupla.

A primeira decisão foi comprar um baralho novinho, na expectativa de saírem em sorte cartas valiosas. De seguida, dirigiram-se ao clube onde se disputavam as provas nacionais e internacionais. Os adversários eram provenientes dos mais diversos lugares, prevendo-se uma maratona a exigir a máxima concentração. A partida teve início, com trunfo copas. Bom prenúncio, terá pensado o director desportivo, pois trata-se de uma naipe vermelho, associado à paixão. Do lado do jovem treinador espanhol, as cartas mostravam um 4x4x2, com apenas dois trunfos. Todavia, a ausência de um naipe iria permitir contrariar a dinâmica adversária e alguns Ases, e Manilhas, compunham a mão. Quanto ao companheiro de equipa, a distribuição era mais homogénea, mas predominavam as cartas de copas e ouros. À partida, o apoio estava garantido, desde que privilegiando o respeito pela jogada do parceiro. Finalmente, as primeiras cartas começaram a ser deitadas sob a mesa.

Posteriormente à tremideira inicial, derivado de algum desconforto face ao novo baralho, surgiu a conquista da primeira vaza e logo contra um rival directo. A sala vibrou com aplausos. Na jogada seguinte, desta feita contra uma equipa italiana, uma excelente combinação consentiu a captura de preciosos pontos. A confiança estava em alta. Entretanto, uns jogadores turcos e gregos também davam nas vistas. O emparelhamento do sorteio ditou que seriam os próximos opositores. A tensão aumentava e o treinador espanhol decidiu-se pelo lançamento de um Ás de espadas. Infelizmente, ambos os contendores estavam de corte a esse naipe e a dupla maravilha acabou por sofrer a primeira decepção. Por sua vez, no palco nacional, o equilíbrio era a nota dominante. Caprichosamente, um novo sorteio juntou a dupla vestida de encarnado com uns surpreendentes rapazes pescadores vindos do norte do país. De forma algo desafortunada, o jogador nascido em Madrid avança com uma Manilha prontamente tomada pelo último interveniente na rodada. Após a competição internacional, perdeu-se a hipótese de vencer um troféu interno.

Presentemente, é visível o ambiente de consternação. Alguns apoiantes decidiram abandonar a sala, insatisfeitos com o rumo dos acontecimentos. Não é o meu caso. Tive oportunidade de observar todas as jogadas e mantenho a fé nesta dupla prometedora. Contudo, ensinamentos têm de ser retirados. Ao contrário do póquer, onde uma boa mão pode ser apimentada por um bluff oportuno, na sueca tem de se ir a jogo obrigatoriamente. Em abono da verdade, um bom baralho pode significar um óptimo ponto de partida. Em seguida, requere-se um toque quase científico na forma como se baralha e ajuda, em muito, ter cartas poderosas. Mas, por vezes, tal não é suficiente. Em certas vazas, exige-se outro tipo de abordagem. Sim, o jogo da época ainda não terminou. No entanto, daqui para a frente, torna-se crucial entender melhor o 'timing' de algumas escolhas, nomeadamente saber ler as jogadas do adversário. Depois, na hora certa, é uma questão de apostar nos trunfos que restam.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

[Mercado d' Inverno] Versão nacional

Aproxima-se o Natal e, com o período festivo, o momento das equipas portuguesas planearem o retoque dos seus plantéis. O universo de escolha diz respeito à versão nacional, na perspectiva dos três 'grandes' da Liga Sagres. Assim, sem deixar de basear as escolhas em preferências pessoais, procurei respeitar o seguinte princípio: jogadores, maioritariamente jovens e com clara margem de progressão, de todas as equipas a actuar no principal escalão do futebol português, exceptuando os já citados Benfica, Sporting e FC Porto. Todas as posições são enaltecidas, desde o solitário guarda-redes até ao temível ponta-de-lança. O resultado final personaliza 14 valiosos nomes a registar no Moleskine do Mercado de Inverno. Minhas senhoras e meus senhores, bem-vindos ao lote Catenaccio de estrelas emergentes:

Guarda-redes
Beto (Leixões, 26 anos - 181cm / 80kg)
Parte do sucesso da equipa liderada por José Mota começa na baliza. Formado nos 'leões', Beto reúne inúmeras qualidades para acalentar projectos de maior dimensão. Agilidade, reflexos e comando de área são alguns dos seus pontos fortes.

Líbero
João Guilherme (Marítimo, 22 anos - 184cm / 74kg)
Beneficiando de uma defesa a três – com Fernando Cardozo e Van der Linden na marcação – o defesa brasileiro sabe tratar bem a bola, saindo a jogar com segurança. Totalista nas onze partidas já disputadas da Liga Sagres, a surpresa inicial vai-se transformando em certeza.

Defesa direito
Miguel Lopes (Rio Ave, 21 anos - 182cm / 72kg)
Referenciado por Benfica e FC Porto, tem demonstrado potencial para dar o salto. Inserido numa equipa que luta pela permanência, Miguel Lopes destaca-se pela excelência nas transições ofensivas, graças à forma como alia a técnica à velocidade. Mais do que um defesa, estamos perante um lateral para todo o corredor.

Defesa central
Maicon (Nacional, 20 anos - 190cm / 74kg)
Descoberto na Associação Desportiva Cabofriense, tem sido um dos esteios da equipa treinada por Manuel Machado. Tal como João Guilherme, 'vizinho' dos Barreiros, ainda não perdeu qualquer minuto na Liga Sagres e, aos 20 anos, denota enorme margem de evolução. Tem nome de craque (Maicon, do Inter de Milão) e, quem sabe, futebol para outros relvados.

Defesa central
Diego Ângelo (Naval, 22 anos - 192cm / 89kg)
Despercebido pelos holofotes da fama, é daqueles jogadores que dificilmente fará capa de jornal. Todavia, discrição é sinónimo de eficiência e juntamente com Paulão constitui uma das duplas de centrais mais sólidas do nosso campeonato. Em suma, quem observar Diego Ângelo saberá reconhecer os 3 C’s: combatividade, concentração e consistência.

Defesa esquerdo
Evaldo (Sp. Braga, 26 anos - 183cm / 80kg)
Depois de três anos na Madeira, ao serviço do Marítimo, Evaldo pegou de estaca na equipa comandada por Jorge Jesus. Regularidade exibicional é o seu melhor cartão de visita, como provam os 1.890 minutos de utilização em 21 aparições como titular. Relativamente jovem, mas já com experiência assinalável, é dos melhores valores da Liga Sagres.

Médio defensivo
Nuno Piloto (Académica, 26 anos - 178cm / 73kg)
Com um passado de lutas estudantis, Coimbra sempre foi palco de um futebol atractivo. Nuno Piloto, pelos seus atributos técnicos e inteligência ao serviço das transições, é dos que transporta a mística da 'Briosa' e melhor compreende uma história feita de passes curtos e desmarcações constantes.

Interior direito
Roberto Sousa (Leixões, 23 anos - 177cm / 75kg)
Herói na partida de Alvalade, repito o que escrevi na altura: de origem brasileira, com passagem pelo Celta de Vigo, tem óptima leitura de jogo e qualidade técnica individual digna de registo. Presentemente, é elemento fundamental para os equilíbrios da zona intermediária.

Interior esquerdo
Luís Alberto (Nacional, 25 anos - 181cm / 67 kg)
Sabe-se como o presidente Rui Alves tem uma especial predilecção pelo mercado brasileiro. Respeitando a imagem deixada pelos seus antecessores, Luís Alberto denota bom toque de bola para vingar em solo europeu. Vindo do Cruzeiro, tem correspondido às exigências e, passada a adaptação, a expectativa vai no sentido de contínua evolução.

Médio-ala/extremo direito
Djalma (Marítimo, 21 anos - 174cm / 76kg)
Filho de Abel Campos, antigo jogador do Benfica nas épocas 1988/89 e 1989/90, apresenta características muito semelhantes ao seu progenitor: aceleração, agilidade e velocidade são os seus trunfos. Na presente temporada, os genes do futebol começam a mostrar-se com brilhantismo acrescido. Sugiro a leitura do respectivo artigo de prospecção.

Médio-ala/extremo esquerdo
Marinho (Naval, 25 anos - 166cm / 62kg)
Marinho faz lembrar o típico extremo à moda antiga: baixinho, habilidoso e rapidíssimo. Porém, o jogador da Naval tem mais futebol do que a sua baixa estatura deixa transparecer. Em primeiro lugar, costuma ser o homem a quem os companheiros de equipa confiam no momento de executar a transição ofensiva. Em segundo, mercê de um carácter aguerrido e determinado, tem a capacidade para entregar o esférico a preceito ou finalizar, ele próprio, a jogada atacante.

Médio ofensivo
Luís Aguiar (Sp. Braga, 23 anos - 183cm / 81kg)
Sem espaço no FC Porto, o 'mago' uruguaio tem vindo a conquistar o apreço e admiração de todos os amantes do bom futebol, espalhando classe nos relvados nacionais e europeus. Jorge Jesus não hesitou na hora de lhe entregar a 'batuta' do meio-campo arsenalista e em boa hora o fez. Luís Aguiar é daqueles que não engana. Apenas subsiste a dúvida quanto ao seu sucesso num clube com outras ambições.

Avançado
William (P. Ferreira, 26 anos - 185cm / 80kg)
Mais um jogador descoberto pelo ‘olho clínico’ de José Mota, corria a época 2007/08. Curiosamente, é no humilde Paços de Ferreira, 14.º classificado da Liga Sagres, que mora o melhor marcador. Pode parecer um contrasenso, mas os 8 golos marcados por William provam os seus dotes de goleador. A continuar assim, a Mata Real será demasiado pequena para tanto talento.

Avançado
Nenê (Nacional, 25 anos - 183cm / 78kg)
Há uns anos, o conjunto alvinegro dispunha no seu plantel de um ponta-de-lança brasileiro com 'faro' pelo golo. Seu nome? Adriano, actualmente esquecido no Olival. Nenê mantém viva a tradição. Mantendo uma óptima relação com a baliza, o curriculum mostra que a bola já beijou as redes em 7 ocasiões. Se a esse facto juntarmos boas exibições, torna-se óbvio que estamos perante um avançado a não perder de vista.

A lista representada é passível de ser actualizada ou extendida com outras (jovens) promessas com potencial para envergar emblemas de maior nomeada: Assim, não poderia deixar de citar: Júlio César (Belenenses, 22 anos - 190cm / 85kg); Lionn (Vit. Guimarães, 19 anos - 177cm / 67kg); Nuno André Coelho (Est. Amadora, por empréstimo do FC Porto, 22 anos - 192cm / 83kg); Miguel Ângelo (Trofense, 24 anos - 185cm / 76kg); Cissokho (Vit. Setúbal, 21 anos - 181cm / 75kg); Baradji (Naval, 24 anos - 185cm / 77kg); Mano (Belenenses, 21 anos - 168cm / 60kg); Cristiano (P. Ferreira, 25 anos - 174cm / 69kg); David Caiado (Trofense, 21 anos - 184cm / 78kg); Chumbinho (Leixões, 22 anos - 174cm / 69kg); e, Baba Diawara (Marítimo, 20 anos - 185cm / 79kg).

De todos estes nomes, quais gostariam de ver nos vossos clubes? Fica o desafio.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Quique, Quim e a (Q)ontestação

O quê? Contestação ao projecto de futebol preconizado por Quique Flores. Quando? Ontem, dia 2 de Dezembro. Onde? No programa Trio D'Ataque.

António-Pedro Vasconcelos, cineasta, produtor, argumentista, colunista, professor, entre o desempenho de outras actividades de cariz cultural, é presença regular na televisão como comentador desportivo. Na qualidade de sócio do Benfica, a sua conduta pauta-se por elevada correcção na defesa intransigente dos interesses do clube. Tenho o hábito de ouvir as suas opiniões, com o máximo de atenção, até porque os seus 69 anos de idade chegariam para o dito senhor me relatar estórias e episódios que fizeram a história do nosso clube. No entanto, por vezes, o conhecido comentador tem o estranho hábito de enveredar por delírios futebolísticos francamente questionáveis. Ontem, foi um desses casos.

O objectivo deste post vai para além da simples pretensão pessoal na esgrima de argumentos. Manifestamente, não me cabe a mim interpretar o papel de contraditório. A minha estupefacção prende-se com o 'timing' e o tom demasiado assertivo com que António-Pedro Vasconcelos teceu uma série de considerações críticas, direccionadas para a figura do treinador espanhol. Neste aspecto, louve-se a coerência que sempre manifestou desde o início de época. Porém, do 'sumo' retirado do vasto discurso, não posso deixar de sublinhar que a maioria das palavras soam precipitadas e, porventura, injustas. Relativamente às inúmeras ligas nacionais, recordo que o Benfica mantém-se como a única equipa europeia invicta. Lembro, também, que FC Porto e Sporting já perderam com o Leixões, diante dos seus adeptos, e nem por isso se colocou em causa todo o projecto do futebol. Assim, espanta-me que o representante de quase seis milhões de adeptos opte por desenvolver apreciações tácticas facilmente susceptíveis de serem contrariadas e, semana após semana, mantenha a insistência em alterar avaliações individuais em função da performance exibicional de determinado jogador. Para piorar, prosseguir na crença chamada Fernando Santos já me parece indecoroso e recuso-me a perder tempo a escrever sobre alguém que colecciona segundas posições. Em termos comparativos, este triste protagonista só pode resultar de um 'casting' infeliz.

Gostaria de terminar com uma questão dirigida a António-Pedro Vasconcelos, a qual os leitores podem (e devem) opinar: no seu entender, a opção por Quique Flores revelou-se um erro crasso e Rui Costa deve repensar a planificação desportiva, quiçá substituindo o treinador na fase do 'mercado' de Inverno? Sabendo que, num passado não muito distante, foi apologista de uma solução 'Chalana', quase que apostaria que estaria disposto a considerar essa hipótese. Nada mais errado. Espero que não seja um simples empate caseiro a hipotecar a construção dos alicerces de um Benfica de futuro. Sou contra qualquer tentativa, ainda que ténue, de retrocesso do caminho traçado até ao momento presente. Bem sei que a tarefa não se afigura fácil. Para o Benfica, no relvado. Para António-Pedro Vasconcelos, ao ser acompanhado por milhares de telespectadores. É essa a sua enorme responsabilidade: representar o clube e, ao mesmo tempo, 'falar' para cada um dos adeptos que o escutam. Congratulo-me com os níveis de coerência, lucidez e rectidão de comportamento, mas definitivamente peço-lhe menor ligeireza e precipitação na assumpção da crítica destrutiva. Para 'fogueiras', bastam aquelas que a imprensa desportiva adora acender.