Sporting – Benfica: de 2000/01 a 2007/08
Aproveitemos para revisitar a história recente, a partir do século em que nos encontramos.
2000/01: Sporting 3-0 Benfica (Acosta, Pedro Barbosa, Beto)
2001/02: Sporting 1-1 Benfica (Jardel; Jankauskas)
2002/03: Sporting 0-2 Benfica (Zahovic, Tiago)
2003/04: Sporting 0-1 Benfica (Geovanni)
2004/05: Sporting 2-1 Benfica (Liedson 2; Nuno Gomes)
2005/06: Sporting 2-1 Benfica (Luís Loureiro, Liedson; Simão)
2006/07: Sporting 0-2 Benfica (Ricardo Rocha, Simão)
2007/08: Sporting 1-1 Benfica (Vukcevic, Cardozo)
Numa análise simplista, facilmente se conclui que o equilíbrio é a nota dominante - nos derbys do século XXI, dois empates a uma bola intrometem-se no conjunto de três vitórias para cada lado. Se alguém quiser arriscar um prognóstico, tentem adivinhar a sequência seguinte: V-E-D-D-V-V-D-E-?
Chave do derby
Desfeitas algumas indecisões, nas escolhas técnicas dos melhores intépretes, a chave do derby está...na imaginação individual dos jogadores mais talentosos. Um dia, Cruijff teve um expressão curiosa, ao afimar que "a Itália nunca venceria a Holanda, mas a Holanda poderia perfeitamente perder com a Itália". Neste caso, para ambos os clubes envolvidos na contenda, poderia apostar na lógica seguinte: (i) para não perder bastará seguir à risca o plano táctico traçado, acrescentando-lhe doses elevadas de motivação e concentração; (ii) para vencer será necessário libertar a imaginação dos homens capazes de desequilibrar - a fantasia de Reyes, os remates de Izmailov, os passes de Aimar, a técnica de Vukcevic, a velocidade de Suazo, a mobilidade de Liedson. O colectivo pauta o equilíbrio. O indivíduo decide o derby.
O "telefone vermelho"
Tal como feito aquando da visita ao dragão, as linhas que se seguem poderiam representar a abertura de um canal de comunicação com Quique Flores. Uma espécie de "telefone vermelho". Nada a ver com a transmissão entre a Casa Branca e o Kremlin, excepção feita ao precioso objecto que serve de inspiração a esta loucura literária.
"Alô!? Quique? Daqui Catenaccio. Estou bem, obrigado. Epá, se não te importas, podes desligar a PS3? Já agora, o som de flamenco também está um bocado alto. Desculpa lá, mas o que tenho para falar contigo é importante. O Paco está por aí? Óptimo. Ele que traga o papel cavalinho e comece por desenhar um losango. Então, escuta com atenção..."
Um olhar sobre o rugido do leão
Muito bem. Comecemos pelo intervenientes que movimentam o losango. Pega nestes nomes e coloca-os nos sítios apropriados: Tiago, Abel, Carriço, Polga, Caneira, Miguel Veloso, Izmailov, Vukcevic, João Moutinho, Liedson e Hélder Postiga. À primeira vista, pode parecer um daqueles puzzles do Papagaio Sem Penas, mas vais ver que até uma criança de 4 anos sabe encaixar as peças correctamente. Já está? Claro, não era difícil. Faz o seguinte: desmonta tudo e imprime a imagem que fiz questão de digitalizar. Sabes, é que o Paulo Bento gosta de inovar algumas "nuances" geométricas – o 4x4x2 losango híbrido.
Em primeiro lugar, creio que o meio-campo será fortalecido com um elemento mais preparado para a transição defensiva. Embora o Escribá te possa dizer o contrário, o Paulo Bento sabe que vamos alinhar com uma linha de quatro jogadores no meio-campo. Quique, repara no seguinte: com Miguel Veloso, Izmailov, Vukcevic e João Moutinho, o 4x4x2 losango acaba por assemelhar-se, em posse de bola, a um 4x1x3x2. Face à qualidade técnica dos nossos jogadores ofensivos, é previsível a inclusão de Vukcevic numa zona próxima de Liedson.
Em segundo lugar, o jogador montenegrino encontra-se numa forma excelente e seria contraproducente utilizá-lo em tarefas defensivas. Por conseguinte, a colocação do ex-proscrito de Paulo Bento em terrenos mais avançados, permite que a liberdade concedida se transforme em ocasiões de golo. Desta forma, com Izmailov na meia-esquerda, mais qualificado para suportar as eventuais de Maxi Pereira, a dupla de leste pode apoveitar a lentidão de Luisão e o espaço deixado nas costas da nossa defesa.
Só mais uma dica relacionada com os cruzamentos - cautela na forma como a equipa faz a basculação em largura, porque os cruzamentos vindos da direita, perto da grande área, costumam apontar para a entrada de um elemento ao segundo poste; ao invés, no flanco contrário, há a tendência para tentar chegar à linha de fundo, através de acção individual, solicitando depois, com um passe atrasado, a chegada de um companheiro nas imediações da grande área.
Quique, claro que haveria muito mais aspectos estratégicos para debater. Se pretenderes aprofundar alguns temas, fica sabendo que estou disponível para jantar no "La Paparrucha". Obviamente, a logística e todos os gastos suplementares ficam por tua conta.





