segunda-feira, 13 de abril de 2009

Como tornar o Benfica campeão?

Em termos pessoais, esta entrada no blogue tem um carácter especial. Para os leitores espero que, ultrapassado o impacto inicial, contribua para pôr a família benfiquista num estado permanente de tertúlia. Faço votos para que o artigo anterior constitua o ponto prévio para uma reflexão séria e um debate elevado. No fundo, é isso que me move: trocar comentários e esperar que os sócios e adeptos encarnados se unam em prol de um Benfica vitorioso.

SL Benfica 0-1 AA Coimbra

Fica difícil saber por onde começar. Poderia escrever a crónica da partida frente à Académica, embora seja mais relevante perspectivar as repercussões que podem advir desta derrota. De qualquer modo, o dia 11 de Abril de 2009 não foi muito diferente dos sentimentos vividos a 11 de Abril de 2008 com o 'bónus' de ambos os resultados poderem ser explicados através da visão de um adepto da Académica. Exactamente um ano depois, a história repete-se e o desfecho actual resulta dramático: o Benfica perde praticamente a hipótese de chegar ao título e o 2.º lugar, de acesso à pré-eliminatória da 'champions league', fica mais distante. Péssimo cenário em termos desportivos. Provável descalabro quanto ao aspecto financeiro.

Eleições em Outubro?

Durante esta semana, os actuais responsáveis encarnados - direcção, director desportivo e treinador - não vão ter tarefa fácil, para lidar com as capas dos jornais e com a pressão dos sócios. Tudo isto é lamentável. Mais uma vez, os adeptos presentes brindaram-nos com a solução mais fácil: mostrar lenços brancos ao treinador. Imagem que se repete, ano após ano. Tal como já escrevi, também acredito que o problema está no topo da pirâmide. Oxalá, a solução fique mais transparente aos olhos de todos nós. Uma coisa é certa: sou favorável à marcação de eleições antecipadas.

Rui Costa

Em qualquer cenário, não abdico de uma pessoa que vive o Benfica de forma tão ou mais (de certeza) apaixonada do que eu e que entrou naquele (no antigo) estádio com menos de 10 anos. Tanto eu, como, não estou enganado, a grande maioria dos benfiquistas não esquece a racionalidade - está sempre presente - mas o coração, duplamente encarnado, identifica-se e segue aqueles que sentem as vitórias e derrotas como todos nós. Resumindo, para mim Rui Costa será figura primordial, qualquer que seja o resultado das eleições, quer a actual direcção se mantenha, quer outra candidatura conquiste o apoio dos sócios.

SL Benfica: sentir, pensar e debater o clube

Volto a afimar: perante a situação presente e o panorama futuro, não é nada fácil sistematizar um histórico encarnado e branco. Até porque, o meu pensamento levar-me-ia a desenvolver rebuscadas teorias sobre os erros cometidos e a imaginar soluções maravilhosas capazes de trazer de volta a mística, as vitórias e os troféus. Haveria tanto para dizer que a informação emitida tem mesmo de sair a conta-gotas. Nestas alturas, as palavras soam sempre a pouco. O momento actual vai no sentido do meu apelo à reflexão e mobilização do maior número de benfiquistas para tertúlias conjuntas que se revelem conclusivas em pontos essenciais.

José Veiga

Chegamos à melhor parte. No Mágico SLB, a certa altura, na caixa de comentários, José Marinho escreveu o seguinte:

"Ontem estive com José Veiga e uma outra pessoa, que solicitou-me a assinatura de Veiga no seu livro 'Como tornar o Benfica campeão'. Perguntei-lhe se queria que o próprio José Veiga o fizesse pessoalmente. Assim foi, o José Veiga aceitou fazê-lo e aceitou conhecer essa pessoa. Porque é uma pessoa simples, porque é uma pessoa que não constrói barreiras na sua relação com os outros. Devo dizer que essa pessoa, um grande benfiquista, mantinha enormes reservas em relação a Veiga - por causa da sua ligação ao FC Porto e por causa da imagem de José Veiga que está construida em Portugal - e quis convencer-se pessoalmente do muito que tenho aqui escrito e defendido sobre o antigo director desportivo do Benfica".

Quem é essa pessoa a que José Marinho faz referência? Pois bem, fui eu que tive o privilégio de estar perante uma personalidade que não deixa ninguém indiferente. Aquando do lançamento do 'Anuário do Futebol Mundial 2008/09', merecidamente destacado neste espaço, José Marinho perguntou-me se queria um autógrafo dado pelo principal protagonista do livro 'Como tornar o Benfica campeão'. Assim foi, com o 'bónus' de estar na presença do próprio José Veiga.

O encontro foi marcado para as 15h00, da passada quinta-feira, e prolongou-se até cerca das 16h30. Foram quase duas horas na companhia de uma figura que reúne uma história de vida para contar, dono de uma experiência ímpar no mundo do futebol. Tal como previa, José Veiga demonstrou um grande carisma e uma enorme força interior: sem dúvida, uma personalidade fortíssima. Curiosamente, não obstante ficarem vincadas, à 'flor da pele', características pessoais associadas à autoridade, disciplina e liderança, mais que não seja pelo discurso certeiro e apurado, o nervosismo inicial foi rapidamente ultrapassado pela abertura e boa disposição reveladas. Muito sinceramente, a primeira impressão foi extremamente positiva: José Veiga dispõe de um trato fácil, colocando o seu interlocutor à-vontade para intervir e dialogar em plano de igualdade.

Como devem calcular, existe um ou outro episódio que merece o rótulo de foro privado. Espero que compreendam. No entanto, ao contrário do que alguns possam pensar, o encontro não se assemelhou a nenhuma reunião secreta, com matérias catalogadas como estritamente confidenciais, quase como se fosse parte de um intrincado plano conspirativo. Longe disso. Então, afinal, perguntam vocês: falámos sobre o quê?

José Veiga começou por perguntar-me como teve início a minha paixão pelo Benfica, qual a minha relação com o futebol e o que fazia em termos profissionais. Referi-lhe este 'cantinho' chamado Catenaccio e aproveitei a oportunidade para colocar questões relacionadas com a minha Dissertação de Mestrado sobre as SAD's, a qual mereceu especial atenção, talvez pelo facto de ter sido empresário de jogadores. Conversámos sobre a questão da gestão de activos, leia-se direitos de inscrição desportiva sobre jogadores profissionais, calcorreámos aspectos ligados à prospecção de jovens talentos, inclusive sobre ferramentas de análise vocacionadas para o 'scouting' e debatemos a relação da formação com a política económico-financeira.

Depois, sem querer desrespeitar o teor particular da conversa, diria que o Benfica preencheu grande parte da tertúlia, nomeadamente alguns momentos vividos pelo próprio enquanto director desportivo passando, obrigatoriamente, pela época do último título: a experiência de Trapattoni, a blindagem de balneário, a qualidade do plantel, a importância dos sócios (adeptos) e a grandiosidade do clube. Em termos gerais, diria que o diálogo mantido foi um reavivar das memórias incluídas no livro. Com a diferença em que parte dos espisódios foi contada pela voz do próprio. Como é óbvio, tem outro impacto.

Em suma: agradeço a amabilidade de José Marinho em ter-me proporcionado uma rara oportunidade de estar na presença de uma personagem ligada à história recente do Benfica. Um momento único. Porém, é escusado questionarem-me sobre uma suposta candidatura, porque pura e simplesmente... não há candidato! Ainda por cima, creio que o Benfica não deveria estar dependente da boa vontade de um indivíduo, de forma isolada, sem considerar a constituição de uma equipa de trabalho e pôr em cima mesa a definição de uma estratégia global, orientada desde - direccção da SAD, director desportivo, treinador/equipa técnica, escolha do plantel, política de formação, modalidades, gestão económico/financeira, entre outras. Dizer mais do que isto, seria passar a fronteira do razoável para entrar no universo dos boatos e suposições.

Volto a repetir: foram, praticamente, duas horas muito bem passadas, sendo um privilégio ter gozado desta ocasião. Agora, como costumo dizer: a confiança não se ganha num olhar; conquista-se com a convivência, através da 'leitura' de actos e comportamentos. O encontro superou as expectativas? Sim, indubitavelmente. A primeira impressão foi positiva? Sem dúvida. Por vezes, na blogosfera, temos o hábito (do qual também me penitencio) de tecer considerações sem conhecer directamente as pessoas. Na maioria das vezes, a nossa opinião também está condicionada pela nossa ignorância, isto é, influenciada por desconhecimentos práticos ou por preconceitos dos quais até perdemos a origem. Humildemente, esta crónica está muito longe de identificar e resolver os problemas do Benfica. Espero, porém, ter levemente contribuído para que os benfiquistas reflictam e debatam seriamente sobre as soluções.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A reflexão interna da família benfiquista

Penitencio-me pela menor disponibilidade em escrever algo mais do que meia dúzia de linhas, apesar do interesse pelo dia-a-dia encarnado não ter diminuído. Antes pelo contrário. Em primeiro lugar, tenho andado mais activo aqui: http://www.twitter.com/catenacc10. Em segundo lugar, nos últimos dias (semanas) tenho dialogado, presencialmente, com várias figuras ligadas ao universo benfiquista.

Tal como se tem repetido nos anos mais recentes, o clube volta a atravessar um período atribulado onde o nível exibicional da equipa cria um sentimento de desconfiança nos sócios e adeptos encarnados. É verdade que os jogadores tardam a produzir um futebol que tranquilize as bancadas e até Quique Flores já perdeu o seu estado de graça. Todavia, o momento actual de descrença encontra eco num ponto fundamental: o FC Porto caminha, a passos largos, para 4.º título consecutivo e a hegemonia nacional do Benfica encontra-se seriamente ameaçada. Já há quem comece a contar os anos que restam para que o FC Porto ultrapasse o Benfica no número de campeonatos conquistados (dados retirados do jornal «A Bola»). Ao contrário da selecção, não é preciso máquina de calcular:

FC Porto (23)

I Liga: 1934/35 (1)
I Divisão: 1938/39; 1939/40; 1955/56; 1958/59; 1977/78; 1978/79; 1984/85; 1985/86; 1987/88; 1989/90; 1991/92; 1992/93; 1994/95; 1995/96; 1996/97; 1997/98 e 1998/99 (17)
Superliga: 2002/03 e 2003/04 (2)
Liga: 2005/06; 2006/07 e 2007/08 (3)

SL Benfica (31)

I Liga: 1935/36; 1936/37 e 1937/38 (3)
I Divisão: 1941/42; 1942/43; 1944/45; 1949/50; 1954/55; 1956/57; 1959/60; 1960/61; 1962/63; 1963/64; 1964/65; 1966/67; 1967/68; 1968/69; 1970/71; 1971/72; 1972/73; 1974/75; 1975/76; 1976/77; 1980/81; 1982/83; 1983/84; 1986/87; 1988/89; 1990/91 e 1993/94 (27)
Superliga: 2004/05 (1)

Os 14 títulos conquistados desde a época 1987/88 mostram a sequência avassaladora do FC Porto nos últimos vinte anos. A manter este ritmo, com ou sem benefícios do 'sistema', não tardará a que vejamos muitos homens adultos a chorar, sentados ao colo da mãe. Força de expressão, mas não deixa de ser dramático.

Na semana passada, aquando do lançamento do 'Anuário do Futebol Mundial 2008/09', escrito por Rui Malheiro, tive o prazer de debater este assunto (entre outros) com o conhecido José Marinho. A propósito, a sua crónica semanal já está publicada no sítio do costume.
Num ponto concordamos: não é possível o Benfica continuar com a mesma política desportiva, com as prioridades centradas na (in)justiça dos tribunais quando, em última instância, as vitórias e os campeonatos decidem-se (queremos acreditar) no relvado. O actual discurso da actual Direcção, com o presidente ocupado a inaugurar casas do clube por esse país fora e demasiado preocupado com a promoção da intangível marca Benfica, deve ser rejeitado, sob pena dos verdadeiros activos (jogadores) fracassarem na espinhosa missão de acrescentar companhia aos troféus gloriosamente conquistados por gerações anteriores.
Noutra questão divergimos ou, por outras palavras, temos diferenças de entendimento quanto à solução praticável: na opinião de José Marinho, uma figura bem conhecida dos benfiquistas, também de nome José, mas apelido Veiga, seria a pessoa melhor preparada para combater (o termo é mesmo este) o domínio azul e branco. Não desfazendo do seu profícuo trabalho enquanto director desportivo, os anticorpos do passado, com epicentro numa longíqua casa do Luxemburgo, não estão totalmente curados e compreendidos pela nação encarnada. Embora várias qualidades profissionais de José Veiga mereçam ser tidas em conta, o seu temperamento e modo de acção sugere uma rixa dentro do 'sistema'. Correndo o risco de alguma ingenuidade, prefiro um Benfica situado numa supra-dimensão, ou seja, jamais pretendo que o meu clube combata o 'sistema' com as mesmas armas, mas antes o derrube, não nos tribunais, mas em campo, com classe e mística à Benfica.

O texto já vai longo, mas não poderia deixar de escrever umas linhas finais sobre o meu encontro de ontem à tarde com um notável benfiquista, bem conhecido do público em geral. Tudo começou através de troca acesa de razões sobre a competência, ou falta dela, de Quique Flores. O debate virtual sublinhou distintos pontos de vista – essencialmente sobre o papel de Rui Costa e o modelo de jogo do treinador – mas, ao mesmo tempo, a esgrima de argumentos foi acompanhada por uma admiração crescente quanto ao tom e nível de conversação utilizado. Sem espantar, passados alguns emails de cá para lá, foi marcada uma breve tertúlia para discutir a actualidade do Benfica. A conversa durou praticamente uma hora e correspondeu plenamente às expectativas criadas, pese as naturais diferenças e visões que temos sobre aquilo que é (pode ser) melhor para o clube do qual partilhamos o cartão de sócio. Foi um final de tarde bem passado, em tom descontraído, esperando que a ocasião se repita amiúde, noutros locais e em outras circunstâncias. Em traços gerais, não ferindo questões do foro privado, diria que chegámos a idêntica conclusão: desportivamente, porém com prováveis consequências económicas, torna-se insustentável persistir num rumo contrário ao do sucesso, sendo crucial apontar baterias para o regresso das vitórias – o panorama presente exige que nós, benfiquistas, honremos a história deixada pelos mais antigos e façamos uma reflexão séria sobre os principais assuntos que dizem respeito à nação encarnada. Caso contrário, pode muito bem acontecer que daqui por dez anos estejamos a pensar como foi possível o FC Porto ter alcançado a marca do 32.º título nacional.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Anuário Futebol Mundial 2008/09 - parte II

Um sucesso! É o melhor adjectivo para caracterizar o lançamento do 'Anuário do Futebol Mundial 2008/09', escrito por Rui Malheiro, com supervisão de Paulo Sousa. Tal como escrevi no dia 24 de Março, o local escolhido foi a Livraria Bertrand, no Centro Comercial Picoas Plaza.

Cheguei por volta das 17h45, comprei o livro (aconselho) e fui tomar um cafézinho. Por volta das 18h30, a apresentação teve início. Nessa altura, a sala estava bem composta com várias personalidades conhecidas do mundo do futebol. Destaque para: João Malheiro; Eusébio (sim, é verdade); Carlos Manuel, António Veloso, Rui Costa (ele mesmo, em carne e osso), Joaquim Evangelista e os jornalistas António Tadeia e José Marinho. Porventura mais figuras conhecidas do público marcaram presença, mas detive-me à conversa com o Paulo Santos, do Apenas Futebol, o Nuno Francisco, director da revista 'Futebolista' e, mais tarde, o João Gonçalves, do Encarnado e Branco.

Umas palavras sobre o 'Anuário'. Assim como o Barcelona é mais do que um clube, este exemplar saído da 'pena' de Rui Malheiro é mais do que um livro: é uma enciclopédia futebolística para termos sempre por perto, tal o manancial de informação incluído em mais de oitocentas páginas. Imperdível. Fico satisfeito pelo facto de ter presenciado a concretização de um projecto ímpar, um sonho em forma de bola de futebol. Mais uma vez, os meus parabéns ao Rui Malheiro e obrigado pela dedicatória.

Poderia dar-me satisfeito pelo facto de, por fim, conhecer alguns colegas da blogosfera com os quais já comunicava há imenso tempo nestas lides virtuais. Contudo, o melhor estava para vir. Ainda a apresentação decorria quando me aproximei de José Marinho, autor do livro 'José Veiga - Como tornar o Benfica campeão'. No passado, chegámos a trocar, neste espaço, comentários sobre assuntos relativos ao universo encarnado e o contacto reacendeu-se com o seu regresso à blogosfera, através da crónica no Mágico SLB. Não quero arriscar, mas estivémos à conversa cerca de meia hora. Bem, não foi propriamente um diálogo - limitei-me a colocar meia dúzia de questões e a expressar uma ou outra opinião, embora seja compreensível que, no canal de comunicação, eu tivesse assumido o papel de destinatário. E quanto à mensagem? Isso daria, concerteza, para algumas dezenas de crónicas aqui no Catenaccio. De forma resumida, digamos que houve tempo para assimilar alguns episódios curiosos, quase como se estivéssemos sentados numa plateia a ouvir um 'opinion maker'. Não que tenha alterado, substancialmente, o meu pensamento central sobre os mais variados (e principais) assuntos da vida do Benfica. Todavia, o diálogo estabelecido vale por muitas horas dedicadas a consumir a imprensa desportiva, desde televisão, passando por jornais, até desembocarmos na imensidão da blogosfera. Nesse aspecto, cumpriu o objectivo: fazer-nos pensar. Assim que a oportunidade surja, no tempo certo, cá estaremos para aprofundar matérias pintadas a encarnado e branco.

terça-feira, 24 de março de 2009

Anuário Futebol Mundial 2008/09 - parte I

Muito em breve, quando for a apresentação oficial do livro, terei finalmente a oportunidade de conhecer pessoalmente o autor desta magnífica Obra. Quando o Catenaccio começou a dar os primeiros passos nas lides virtuais, já o Terceiro Anel assumia-se como um projecto ímpar, visitado e comentado por uma legião de leitores. Tive a sorte de ainda colaborar no dito site, juntamente com o João Gonçalves, do Encarnado e Branco e o Pedro Varela, do Pontapé na Lógica, só para citar alguns. O Rui Malheiro foi o grande mentor desse espaço e os seus escritos futebolísticos deixaram marca de qualidade. Mais recentemente, voltámos a conversar activamente via 'twitter' - estivémos até quase às 3h00, juntamente com o Paulo Santos, do Apenas Futebol, a debater tácticas e a fazer futuros exercícios de prospecção, sempre num clima de boa disposição. Ter a sorte de trocar impressões com esta 'enciclopédia humana' é uma oportunidade única de aprendizagem: nessas alturas damos conta da limitação dos nossos conhecimentos, mas o Rui Malheiro revela a simplicidade certa para dialogar connosco, quase como se estivéssemos colocados frente a frente, com um café ou cerveja por companhia. Da minha parte, endereço os meus parabéns pelo concretizar de um sonho à volta de uma bola de futebol.

Informações adicionais

O futebol português visto à lupa: Liga Sagres, Liga Vitalis, II Divisão, Taça de Portugal, Taça da Liga, Liga Intercalar e Supertaça. A actividade das Selecções nacionais: dos sub-15 aos AA. Os campeonatos de mais de 100 países. Tudo sobre o futebol inglês, italiano, espanhol, francês, alemão, brasileiro e argentino. As provas internacionais de clubes e selecções. O perfil de cerca de 1000 jogadores de todo o Mundo ao longo de 816 páginas.

"Estou feliz por ver um sonho realizado e contente por uma obra tão rica aparecer em Portugal. É um documento fantástico, de enorme valor, que resulta de uma pesquisa exaustiva e que demonstra a dedicação ao futebol por parte do autor. Trata-se de uma obra que tem um largo campo de interesse. Para mim, como treinador, é uma ferramenta de consulta extremamente útil, como também não tenho dúvidas de que o será para os diversos agentes desportivos - clubes, treinadores, jogadores, jornalistas e adeptos -, que passam a ter em mãos um vasto documento com informação organizada sobre os intervenientes dos principais campeonatos".

Paulo Sousa

"À estatística, comum aos dois almanaques internacionais mais conhecidos, decidimos juntar a táctica, a análise e a prospecção de jogadores, com o objectivo de enriquecer a obra, conferindo-lhe um carácter único".

Rui Malheiro

O lançamento oficial do Anuário Futebol Mundial 2008/09, onde gostaria imenso de contar com a vossa presença, ocorrerá no próximo dia 31 de Março, na Livraria Bertrand, no Centro Comercial Picoas Plaza, em Lisboa, às 18 horas, com apresentação a cargo de Paulo Sousa.

Visitar: Anuário Futebol Mundial 2008/09

segunda-feira, 23 de março de 2009

[Taça da Liga] SL Benfica 1-1 Sporting CP (3-2 g.p.)

Um jogo de futebol são 22 jogadores, onze de cada lado, a disputarem uma bola durante noventa minutos. A diferença entre o futebol e o chamado 'futebol português' é que em Portugal a bola não é redonda, não são apenas 11 de cada lado e a modalidade não se joga num campo aberto, mas nas catacumbas de interesses dissimulados.

Por muito que os responsáveis queiram passar uma mensagem positiva, a versão 2008/09 da Taça da Liga esteve aquém do patamar de sucesso tão apregoado: o formato dos regulamentos prejudica os emblemas mais modestos e alguns (sobretudo o FC Porto) aproveitam para rodar jogadores, desprestigiando a competição; a calendarização desrespeita a realidade actual do futebol, sendo necessário encontrar o equilíbrio entre a necessidade de amelhar receitas e a vontade do público.

Lamentavelmente, os acontecimentos da final da Taça Carlsberg foram a 'cereja em cima de um bolo' mal cozinhado e pouco saboroso. Estou em crer que a competição tem direito ao seu lugar no futebol português, mas a 'receita do bolo' tem de ser melhor preparada, com 'ingredientes' de qualidade inquestionável. Gostaria imenso de destacar o papel de treinadores e jogadores, mas tal não é possível quando a decisão do troféu foi assombrada por um erro grosseiro do árbitro. Por momentos, até julguei que o meu clube jogava de camisolas azuis.

Obviamente, o Benfica não culpa da má interpretação de Lucílio Baptista. A lotaria dos penalties não repôs a justiça do marcador porque os deuses – ou teria sido Quim com três magníficas defesas – não queriam nada com o Sporting. De qualquer modo, não me deixa de causar estranheza como foi possível Derlei ter ficado em campo durante os 90 minutos, tal a forma como batia em tudo o que mexia. Também não posso pactuar com a atitude de Pedro Silva, apesar do natural sentimento de indignação do jogador – porém, se bem me lembro, Yebda não teve o mesmo comportamento quando o 'farsante' Lisandro caiu na área, naquele filme habitual do Estádio do Dragão. Deve ser a tal diferença que os sportinguistas tanto se orgulham de ostentar. Diferença, aliás, bem visível quando Filipe Soares Franco se digna a sentar ao lado de um presidente suspenso por 2 anos, em consequência das penalizações do Apito Final. No futebol português, não há santos, nem demónios, mas há uns mais anjinhos do que outros.

Bem, onde entram aqui as camisolas azuis? Muito simples: o Benfica foi beneficiado de uma má decisão do árbitro, resultando o golo do empate de um penalty 'à FC Porto'. Por outro lado, o Sporting sofreu na pele o que muitos adeptos encarnados se andam a queixar há umas boas dezenas de anos. Não posso aceitar que todo o mediatismo à volta de um penalty branquei situações bem mais graves. Na data em que estou a escrever, a maioria das pessoas só se lembra do último jogo, mas a história não é esquecida, nem as escutas apagadas.

Estou quase a terminar. Se querem saber, não é a conquista da Taça da Liga que salva a época do meu clube. Sinceramente, se me fosse dado a escolher, trocava o erro de Lucílio Baptista por todas as vezes que o Benfica foi prejudicado (e o FC Porto beneficiado) na Liga Sagres. Muito provavelmente, estaríamos na frente da classificação. Daqui para a frente, nas 8 jornadas que restam, preocupa-me imenso a 'lei da compensação' – não duvidem que, em caso de dúvida, o Benfica será estorvado e o Sporting sairá favorecido na corrida ao lugar de acesso à 'Champions League'. Infelizmente, essa tem sido prática corrente no futebol português, sendo quase impossível, como salientou Rui Santos, no 'Tempo Extra', existirem comportamentos altruístas. A realidade nacional há muito deixou de ser cinzenta, para passar a ser negra. Só nos resta esperar pelo próximo jogo.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Resposta de António-Pedro Vasconcelos

Como resultado do meu contacto para o programa 'Trio D'Ataque', o conhecido cineasta, produtor, argumentista, colunista, professor, entre o desempenho de outras actividades de cariz cultural, respondeu à minha interpelação de terça-feira à noite. Sinceramente, nunca esperei que a minha reflexão escrita produzisse efeitos palpáveis. Todavia, hoje de manhã, ao chegar ao emprego, fiquei deveras surpreendido quando abri o endereço de correio electrónico.
Exige o meu bom senso que afirme o seguinte: apesar do artigo anterior deixar implícito um tom mais crítico, nada me move contra António-Pedro Vasconcelos. Trata-se de uma pessoa respeitável, com gostos que partilho (livros e vinhos, por exemplo) e com uma postura humana e social que não me atrevo sequer a contestar. Provavelmente pelo facto de dar manifesta importância aos aspectos positivos da sua personalidade é que me sinto 'ferido' pela prática da crítica constante e exacerbada, não dando o benefício da dúvida ao projecto encetado por Rui Costa. Já quanto ao desempenho do presidente, parece-me que estamos em clara sintonia.
Sendo assim, espero que o visado no título desta entrada não se importe que disponibilize publicamente a sua resposta. Penso que não cumpre requisitos de confidencialidade e só vem corroborar a opinião transmitida diversas vezes no programa 'Trio D'Ataque'. Contudo, caso o solicite, não hesitarei em retirar o texto que se segue:

"Caro amigo e consócio.
Também concordo consigo sobre a necessidade de estabilidade no Benfica, mas isso não pode ser pretexto para perpetuar a asneira e o desperdício. Ao dispensar Fernando Santos, à primeira jornada, ele que tinha feito uma época extraordinária para os jogadores de que dispunha, a quem foram tirados trunfos essenciais (Simão, Miccoli, Karagounis, Manuel Fernandes) em plena preparação, que pôs o Benfica, finalmente, a jogar num modelo de jogo ganhador; e ao portar-se de maneira indigna com Veiga, que revelou ser um director desportivo com espírito ganhador e um grande benfiquista, ao contrário do Presidente que nunca na vida foi benfiquista, foi Vieira quem criou instabilidade: O Benfica, com Veiga e Trapatoni e sem equipa, tinha ganho um campeonato, com Veiga e Koeman (um péssimo treinador, que desprezou o campeonato para se concentrar na Champions, que lhe dava maior visibilidade), fomos aos quartos de final da Champions, com Veiga e Santos e sem jogadores, disputámos o campeonato até à última jornada e fomos aos quartos de final da UEFA, sem Luisão e sem Simão. Daí em diante tem sido o descalabro. O que vamos fazer? Em nome da estabilidade deixar que se delapide financeiramente o clube e que o Glorioso se afunde num pântano de derrotas humilhantes e num ciclo de decadência irreparável? Não. É preciso dispensar o Quique com justa causa, exigir eleições antecipadas para que a nova época, para quem ganhar em Outubro, não esteja comprometida por esta direcção, esperar que apareçam benfiquistas sérios, competentes e que não se sirvam do clube para se promover. Se for o Vieira, que os benfiqusitas não lhe deêm um novo cheque em branco, obrigando-o desta vez a fazer as escolhas certas para o clube e para a SAD, para o futebol e para as outras modalidades.
Saudações benfiquistas,
A-PV"

quarta-feira, 18 de março de 2009

Aos benfiquistas...

Escassez de tempo. Não confundir com ausência de motivação, após a derrota caseira frente ao Vitória. Ao menos, o distanciamento destes últimos dias serviu para acompanhar o crescimento do tom crítico e para que os habituais 'profetas' da desgraça viessem vociferar a sua razão. Assumo, desde já, a minha discordância face aos argumentos utilizados por vários 'notáveis'. Exemplo claro passou-se no Trio D’Ataque quando a moderação teve a amabilidade de ler um email, por mim enviado, o qual resume a minha opinião e que faço questão de transcrever:

Exmos. Senhores,

Chamo-me Ricardo Gil Cunha, tenho trinta e quatro anos e escrevo desde Lisboa. Aproveito para cumprimentar o painel habitual e felicitar a moderação pela qualidade do programa.

Sou o sócio n.º 25.998 do Sport Lisboa e Benfica e discordo do tom crítico do meu consócio António-Pedro Vasconcelos, apesar de respeitar a opinião de alguém com tantos anos de mística. Relativamente à situação actual do nosso emblema, especialmente quanto ao desempenho de Quique Flores, é certo que a estabilidade e prudência não devem obstar a um sentimento de ambição e exigência. Também não me conformo com a falta de títulos! Todavia, sou avesso a constantes revoluções e um ciclo de dois anos deve ser a regra para se avaliar um projecto sustentado à volta de um director desportivo, treinador e respectiva equipa de futebol.

Antecipadamente grato pela atenção, despeço-me com os melhores cumprimentos.

Ricardo Gil Cunha


Em primeiro lugar, convém afirmar que nem sempre concordo com as opções de Quique Flores e, por diversas vezes, critiquei a forma como o treinador espanhol efectua a abordagem estratégica de determinadas partidas. No entanto, ao contrário daqueles que exasperaram com a substituição de Cardozo por Nuno Gomes rejeito os assobios associados à escolha.
Embora uma franja considerável de adeptos suspire pela coexistência de dois avançados, tal não representa condição essencial para a prática de bom futebol e consequente marcação de golos. O quarteto mais recuado do Vitória estava a actuar num bloco baixo, com o ponta-de-lança paraguaio 'enjaulado' entre os centrais, sendo imperioso alterar a dinâmica de movimentos e descobrir outros canais de penetração, de forma a brindar o adversário com novos desafios posicionais. Com a manutenção do duplo pivot, no centro do terreno, a equipa podia: (i) adiantar a linha defensiva; (ii) soltar os laterais para acções atacantes; (iii) recuperar a bola mais facilmente, aguentando a sua posse; e, (iv) potenciar a mobilidade e capacidade de improviso dos homens da frente.
Nem sempre maior presença física na área contrária é sinónimo de mais e melhores oportunidades de golo. De que servem dois avançados, quando a linha defensiva demonstra incapacidade para ultrapassar a linha de meio-campo e lentidão para recuperar, ao mesmo tempo que a equipa revela dificuldades acrescidas para contornar a superioridade numérica do oponente na zona nevrálgica do terreno?
Há exemplos que explicam esta posição: lembro que Ibrahimovic é uma 'ilha' no meio de defesas italianos, o Liverpool tem o hábito de jogar em 4x5x1, com Torres sozinho na frente e também Ferguson já experimentou a mesma fórmula, isolando Berbatov e deixando Rooney no banco. Sem deixar o tema de lado, a propósito da final da Taça Carlsberg, António-Pedro Vasconcelos avançou com o seguinte onze: Quim, Maxi, Luisão, Sidnei, David Luiz (Jorge Ribeiro?), Katsouranis, Reyes (esquerda), Aimar (centro), Suazo (direita), Nuno Gomes e Cardozo. Agradeço que alguém me explique onde está o equilíbrio de uma equipa quando cinco jogadores apresentam, claramente, características ofensivas? Lamento dizer isto, mas grande parte do 3.º anel não prima pelo acerto táctico. A forma de ver futebol ficou parada na década de 60. Infelizmente, para todos nós, Eusébio já não pisa os relvados nacionais.

Quanto ao debate sobre a continuidade de Quique Flores, gostaria de tecer algumas considerações. Vou tentar ser breve, para não repetir-me e maçar os leitores. A derrota frente ao Vitória não alterou, substancialmente, a minha apreciação sobre a competência técnica do treinador encarnado. Para os mais desconhecedores, sugiro a leitura de vários artigos que fui escrevendo ao longo da época. Podem ser encontrados na barra lateral direita.
Por razões anteriomente discutidas, fui bastante crítico da política desportiva seguida por Filipe Vieira, mas retenho confiança infinita na aptidão e orientação de Rui Costa. Do passado recente, podemos retirar importantes ensinamentos: o jejum de títulos não se resolve com tomadas de posição precipitadas. Por outras palavras, insistir num ciclo de 'revoluções' baseadas na rotatividade anual de uma equipa técnica, com as consequentes entradas e saídas de jogadores, não parece ser uma solução que traga resultados.
Assim, esperemos pelo final da época para retirarmos as devidas ilações. Salvo situações especiais, de natureza pessoal e profissional, ou perante um evidente insucesso face aos objectivos iniciais, dou clara preferência à continuidade de Quique Flores. Conto com a máxima ponderação, por parte da Direcção da SAD. Por muito que custe a António-Pedro Vasconcelos, não creio que Fernando Santos mereça uma segunda oportunidade. Lamento que deixe de ir à Luz ver o seu (nosso) Benfica, colocando em causa, inclusive, a interrupção do pagamento de cinco quotas. Infelizmente, seguindo o mesmo discurso lamurioso, também me posso queixar da 'pseudo' representação do clube nos principais programas televisivos sobre futebol.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Aos sportinguistas...

O meu Avô era um sportinguista fervoroso. Há não muito tempo dediquei-lhe umas linhas, quando escrevi sobre a inaguração do Estádio Nacional. Tenho o bilhete desse dia memorável, oferecido pelo meu Avô, o qual guardo com enorme carinho. Lembro-me, ainda miúdo, vê-lo sair de casa, depois do almoço domingueiro, para ir ver o seu Sporting, clube do qual foi sócio durante muitos anos. Um dia, estava num restaurante com os meus pais e avós, ali na zona de Alvalade, quando entra uma figura desconhecida aos meus olhos: José Travassos. O meu Avô conhecia-o bem, tendo trocado cumprimentos efusivos. Perguntei quem era e, logo ali, fui brindado com uma lição sobre a reputação de antigos jogadores leoninos. Infelizmente, para o meu Avô, a minha preferência clubística voltou-se para uma cor mais sanguínea, mas sempre vi o Sporting como o grande rival do meu clube.

Os tempos passaram e hoje, depois da pior eliminatória da história europeia do futebol português, dei comigo a pensar no que o meu Avô sentiria, caso tivesse presenciado a vergonha de ontem à noite. Também não pude deixar de pensar num amigo que foi para Munique, mais para divertir-se do que propriamente para cantar por uma reviravolta impossível. Chegámos a trocar duas ou três sms’s e, numa delas, li o seguinte: "...sonhei que ganhávamos 7-1. Estive, de manhã, no Allianz Arena. É esmagador". Ora aqui está um adjectivo de cariz profético. Ainda não voltei a falar com ele, mas imagino, não sem com alguma dificuldade, os sentimentos por que passou. Como recuperar a honra, quando esta ficou perdida na noite de Munique?

É sobre o Sporting que quero falar. Sem hipocrisia. Sem ironia ou ponta de sarcasmo. Gostava que muitos sportinguistas lessem as minhas palavras como as de alguém que observa o 'fenómeno' de forma distante e objectiva. Recuemos uns anos. Até meados da década de noventa, a minha adolescência foi acompanhada pela rivalidade entre os dois 'grandes' de Lisboa. Nos anos sessenta, Eusébio desequilibrou os pratos da balança, mas o Sporting nunca deixou de conquistar troféus, mantendo-se na 'sombra' do vizinho de Benfica. Até que o FC Porto desatou a conquistar títulos, uns a seguir aos outros, como se estivesse a sprintar numa prova de 100 metros. Quando as borbulhas desapareceram, dando lugar aos bancos da Faculdade, a hegemonia do futebol português já ia percorrendo a A1, no sentido norte. Em grande velocidade: ao mesmo tempo que o Sporting esteve durante longos dezoito anos sem conquistar o campeonato nacional, o FC Porto foi coleccionando Ligas, Taças de Portugal, Supertaças. A um ritmo avassalador. A separação de poderes ganhou sotaque tripeiro, o Benfica ganhou um rival que apresentava desafios de outra estirpe e o Sporting viu-se relegado para terceiro lugar. Sim, leram bem. Contem só a totalidade dos títulos nacionais, para verificarem que há muito o FC Porto superou o Sporting. Nesse momento, a 'batalha' pela liderança do futebol português mudou de cores. Apesar de muitos sportinguistas continuarem a olhar para o rival encarnado, deviam pensar que a primeira tarefa cinge-se a apagar a 'chama do dragão'. De forma muito frontal: o vosso rival não mora na Luz; antes está sentado ao lado do vosso presidente.

Nos meus tempos de juventude, passados em imensas tertúlias com amigos dos mais variados quadrantes futebolísticos, surgiu um novo conceito nacional: o denominado 'projecto' de José Roquette. Os adeptos leoninos passaram a falar menos das incidências do relvado e introduziram, nos debates, a figura dos relatórios & contas. Orgulhosamente ‘diferentes’, a estabilidade financeira e a aposta na formação passaram a ser bandeiras de um novo discurso. O campeonato ganho por Augusto Inácio matou a 'fome' de títulos e, mais tarde, a dobradinha de Lazlo Boloni foi o culminar de um 'projecto' orientado para a sustentabilidade. Todavia, a tónica nos predicados financeiros fez desviar as atenções do objectivo principal – sucesso desportivo. O rigor e transparência das contas foi ganhando relevo, ao mesmo tempo que a impaciência dos adeptos foi subindo de tom: a tão chamada 'crise de militância'. Presentemente, dos três 'grandes', o Sporting é claramente o clube mais preparado para o futuro de curto e médio/longo prazo, quer em termos económico-financeiros, quer na vertente dedicada à formação. No entanto, qual o preço a pagar? Relembro que a conquista do último campeonato vem da longíqua época 2001/02...

Ontem, como sempre, estive atento ao programa "Trio D’Ataque". Confesso que me causa estranheza ouvir o Rui Oliveira e Costa afirmar a sua preferência por dois segundos lugares, ao invés de um primeiro e outro terceiro. Na razão das suas palavras, encontram-se, tão só, argumentos económicos motivados pela presença na milionária 'champions league'. O meu Avô nunca proferiria tal barbaridade. Não deixo de valorizar as preocupações financeiras, mas os adeptos apaixonados só pensam numa coisa: vitórias. Creio ser possível manter o interesse por essas matérias, respeitando os condicionalismos que se impõem à maioria dos clubes nacionais, embora nunca deixando de perseguir os êxitos desportivos. Se o Sporting respeita o seu passado, baseado numa história de esforço, dedicação, devoção e glória, não pode permitir que a alegria de um resultado líquido positivo se supere à emoção de um título. Após uma derrota que mancha o nome do clube na Europa e quando se vive um processo pré-eleitoral, seria boa ideia pensarem no rumo que pretendem. Amigos sportinguistas, digam o que desejam. Sinceramente. Uma liderança alicerçada num modelo de gestão vocacionado para as demonstrações financeiras? Ou, pelo contrário, uma estrutura que, sem deixar de ser pragmática e realista, defenda o símbolo do clube? Querem um candidato 'ajoelhado' às vicissitudes das garantias bancárias e dependente da vontade dos investidores? Ou anseiam por uma candidatura forte, que faça o Sporting regressar ao topo do futebol nacional? Eu sei bem o que o meu Avô desejaria. Sei, também, aquilo que muitos de vocês ambicionam: voltarem a sentarem-se, ao meu lado, na cadeira do poder, contemplando a eterna rivalidade pintada a verde e vermelho.

terça-feira, 3 de março de 2009

Os debates televisivos sobre futebol

O futebol é, sem sombra de dúvida, um fenómeno que arrasta multidões e movimenta milhões. A dimensão económica e social da competição, como espectáculo desportivo à escala nacional ou internacional, produz elevado interesse mediático. Não é de estranhar, portanto, o enorme acompanhamento por parte da televisão, traduzido na proliferação de vários programas de debate. Em resumo:

Segunda-feira
SIC Notícias: "O Dia Seguinte", com Dias Ferreira, Guilherme Aguiar e Silvio Cervan
TVI 24: "Prolongamento", com Eduardo Barroso, Pôncio Monteiro e Fernando Seara

Terça-feira
RTPn: "Trio D'Ataque", com Rui Oliveira e Costa, Rui Moreira e António-Pedro Vasconcelos

Quinta-feira
RTPn: "Pontapé de Saída", com Camilo Lourenço, Luís Freitas Lobo, João Pinto e convidado especial

Domingo
SIC Notícias: "Tempo Extra", com Rui Santos

Por motivos óbvios, a programação da Sport TV não foi considerada visto tratar-se de um canal temático. De qualquer forma, sempre que a oportunidade valha a pena, o tópico poderá ser actualizado.

"Tempo Extra"
Estamos perante o típico programa One Man Show. O comentador desportivo Rui Santos faz de tudo um pouco - questiona, reflecte, responde a preceito e apresenta sugestões futuras! Caso para enunciar a velha máxima: 'faz a festa, atira os foguetes e apanha as canas'. O mundo do espectáculo assenta-lhe bem. A combinação entre as gravatas de pura seda e a luz dos holofotes, resulta numa mistura explosiva. Porém, a sua missão não se esgota no poder da imagem. A 'cruzada' pela verdade desportiva, leia-se aplicação de meios tecnológicos no futebol, é um ponto a seu favor. Fora essa virtude, o protagonista perde-se em delírios intelectuais. Os seus elaborados desenhos tácticos e a frase "ai ai ai ai ai ai mas que raio de Democracia é esta?" já fazem parte dos manuais escolares. Extra-curricular: serviu como modelo de inspiração na criação de sketches. Está tudo dito.

"Pontapé de Saída"
Na televisão, é o melhor espaço de informação sobre futebol. Aqui, a palavra certa é mesmo essa: futebol! A qualidade do painel residente é acima de qualquer suspeita e o convidado especial é sempre algum treinador ou ex-jogador que acrescenta um toque particular de experiência. Único aspecto negativo: o programa começa às 23h00 e só tem uma 1 hora de emissão. Merecia muito mais tempo de antena. Faça chuva ou faça sol, quintas à noite estou sintonizado na RTPn.

"Trio D’ Ataque"
Não atinge a excelência do "Pontapé de Saída", mas entre o conjunto de debates televisivos, onde estão incluídos os representantes dos três 'grandes' é, claramente, o superior. Costuma oscilar entre o muito bom e o razoável. O nível diminui consideravelmente quando o tema da arbitragem prevalece sobre os demais. Nessas alturas, o argumento 'Calabote' transforma Rui Moreira num ser insuportável e, da parte do representante encarnado, nota-se ligeiro desconforto em rebater o que denomino de 'verdades deturpadas' da história do Benfica. Contudo, fora esse tom mais acalorado, a discussão segue o bom ritmo imposto pela moderação. Depois, as diferentes rubricas oferecem um 'colorido' descontraído e a postura dos intervenientes deve ser elogiada. Na globalidade, tem nota extremamente positiva.

"O Dia Seguinte"
Uma autêntica aula de direito desportivo. Os conhecimentos de Guilherme Aguiar impressionam, nomeadamente quando refere, de cor e salteado, o Art. 28.º, n.º 2, alínea f) do Regulamento Geral da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Um Tratado. Pela voz destes homens, a doutrina futebolística, entendida enquanto o conjunto de princípios básicos, fundamentais, de um sistema, alcança a estratosfera da sabedoria. Pena que o aborrecimento provocado atinja a velocidade warp. Para acompanhar a dissertação de tanta legislação, aconselho terem sempre por perto um caderninho de apontamentos. Um Moleskine é o ideal. Para piorar, qualquer lance da jornada, de carácter mais duvidoso, é discutido até à exaustão, funcionando o programa como um dos melhores soporíferos à venda no mercado. Em suma, não recomendado a mentes mais sensíveis, mas cientificamente aconselhado a quem sofre de insónias.

"Prolongamento"
Guardei esta 'pérola' para o final. Ponto prévio: estreou ontem, mas podia acabar amanhã. A maioria nem dava pelo súbito desaparecimento. A expectativa era enorme, principalmente após a contratação do 'fenómeno' Fernando Seara à concorrência. Bem, tive o desprazer de acompanhar o programa durante breves 10 minutos e duas ilações foram retiradas. Em primeiro lugar, o moderador Sousa Martins parece um daqueles professores simpáticos, embora completamente perdido naquele recreio folião. Um local sem lei nem ordem. Em segundo lugar, o tom jocoso, quase no limiar da galhofa, faz esquecer que aquele cenário diz respeito a um estúdio da televisão: Pôncio Monteiro parece mais um comediante, talvez a procurar atenção para uma carreira de stand-up; Fernando Seara, por seu lado, só não bate palmas, mas solta gargalhadas como se estivesse num jantar, entre amigos, a contar anedotas. Termino com um pedido, encarecido, à FIFA - se o jogo terminar empatado no final do tempo regulamentar, que tal deixar o "prolongamento" de lado e proceder-se, imediatamente, à marcação de pontapés da marca de grande penalidade? O público agradece!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mas, afinal o que é o 'Twitter'?

'Twitter'? Já tinha ouvido falar e li qualquer coisa sobre o assunto. A primeira impressão foi de indiferença e não prestei demasiada atenção. Até ao dia em que a curiosidade foi mais forte, acedi ao 'Twitter'.com e criei um novo registo. Mas, afinal o que é o Twitter?

O 'Twitter' pode ser definido como sendo uma rede social de microblogging que permite aos seus utilizadores enviar actualizações pessoais, contendo apenas texto num máximo de 140 caracteres através do site oficial, SMS, email, mensagens instantâneas ou através de um aplicativo independente para o Sistema Operativo. O 'Twitter' pode ser utilizado para partilha de acções com todos os utilizadores que o tenham nos seus contactos e sigam (follow) as suas actividades. Em termos gerais, é isto.

Um dos primeiros 'Twitters' em que cliquei follow deve ter sido o de António Boronha, homem do futebol, com um passado recheado de estórias e conhecido blogger, com uma presença muito activa. A lista relativa aos utilizadores following já era extensa e uma coisa leva à outra: comecei a adicionar um, dois, três e, neste momento, sigo trinta e dois 'Twitters'. A tal rede social.

Quem faz parte, então, da lista de contactos do Catenaccio? Alguns colegas de blogosfera, jornalistas e outras figuras conhecidas da maioria do público.
No primeiro lote, posso destacar o Pedro Varela, do blogue Pontapé na Lógica, o João Gonçalves, do Encarnado e Branco e o Paulo Santos, autor do Apenas Futebol. Há mais uns quantos, a juntar à lista.
Jornalistas? Vários e, alguns, bem participativos. A provar que o 'Twitter' é uma das novas modas da internet. Incluídos na minha rede, enuncio: António Tadeia, José Carlos Soares e Nuno Luz.
Também Hermínio Loureiro rendeu-se às novas tecnologias e, por fim, há malta ligada às Produções Fícticias, Bruno Nogueira, José de Pina e Nuno Markl, assim como uma imensidão de orgãos de comunicação social. E o leitor, quando começa a 'twittar'?