sexta-feira, 29 de maio de 2009

Movimento 'Benfica, Vencer, Vencer'

O movimento "Benfica, Vencer, Vencer", cujo principal rosto é o médico João Varandas Fernandes, conta com o apoio de diversas figuras ligadas à vida do clube. João Carvalho e Fernando Tavares, ambos antigos vice-presidentes do clube, assim como José Veiga, também estão ao lado deste grupo, que tem mantido diversas reuniões nos últimos meses.

O último desses encontros aconteceu na última segunda-feira e contou com a presença de cerca de 60 benfiquistas. O movimento será oficialmente apresentado às 19h00 do dia 15 de Junho, num hotel de Lisboa, e pretende criar uma lista alternativa à actual direcção para concorrar às eleições do clube, marcadas para o final do mês de Outubro.

Há algum tempo que tenho mantido contacto privilegiado com o dito movimento, tendo marcado presença na reunião da segunda-feira passada.

Entendo a curiosidade de todos e julgo que os benfiquistas, sócios e adeptos, devem ser convenientemente informados sobre o que diz respeito à vida do clube. Contudo, como devem compreender, existem 'timings' a respeitar. Se tantas vezes criticamos as fugas de informação para a comunicação social, temos de aceitar que o anúncio público do programa e nomes envolvidos tem o seu espaço e tempo próprios.

No entanto, tentarei, na medida do possível, levantar um pouco o véu sobre algumas características do movimento.

Em primeiro lugar, não se trata de nenhuma sociedade secreta, ao estilo dos Illuminati do filme Angels & Demons, até como se comprova pela presença, se não estou enganado, de um ex-presidente de uma Casa do Benfica, convidado para ouvir e debater as linhas gerais da proposta. Tive oportunidade de trocar algumas impressões e posso afirmar que se trata de uma pessoa bem intencionada e conhecedora da realidade benfiquista. Como disse, o movimento tem um espírito democrático e aberto à participação. Levei um amigo que tinha algumas reservas, que gosta de pensar por si próprio, sendo céptico e descrente, tendo ficado muito bem impressionado com as pessoas, o discurso e a forma tranquila como se discute a actualidade encarnada.

Em segundo lugar, volto a pedir alguma paciência. Dentro de pouco tempo será criado um site para o efeito, onde todos serão bem-vindos para dar o seu contributo: debater ideias, sugerir opções de diversa ordem e participar, livremente, com o seu espaço de opinião. Nesse local virtual, ficarão a conhecer algumas das personalidades benfiquistas envolvidas no movimento, assim como os traços gerais do mesmo, nomeadamente as linhas mestras desportivas e económico-financeiras. Espera-se que, mais do que citar problemas, sejam apresentadas soluções. Concerteza, não será tempo perdido. Como foi noticiado, no dia 15 de Junho, numa unidade hoteleira de Lisboa, haverá uma conferência de imprensa, onde o acto terá uma importância pública mais mediática.

Posto isto, quero dizer o seguinte: o movimento pretende captar a atenção dos sócios e adeptos, ao mesmo tempo que quer ganhar força e sustento. Para tal, existe uma ficha de inscrição que não representa nenhum compromisso sério, nem tem carácter vinculativo, funcionado quase como uma espécie de votação numa petição online. Nesta altura, compreendo que muitos queiram aguardar por mais desenvolvimentos. Em princípio, o próprio site terá disponível essa ficha de inscrição online, para que o movimento represente a mola impulsionadora para se tornar uma alternativa válida. No entanto, antecipando-me, e para quem tenha interesse, disponibilizo um exemplar da ficha de inscrição.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A tragédia benfiquista

Começo por pedir desculpa a todos os leitores pela menor actividade aqui depositada. Porém, nos últimos tempos, não abunda a disponibilidade para escrever algo mais denso e profundo. Pelo menos, não da forma a que estou habituado, perseguindo critérios mínimos de qualidade. No entanto, não estou completamente afastado: podem sempre encontrar-me no 'twitter', através do consumo rápido (troca de comentários) proporcionado por 140 caracteres.

Posto isto, para variar, vou citar um artigo de opinião escrito por António Gomes Mota, Professor na ISCTE Business School. Trata-se, sem dúvida, de um dos textos mais certeiro, lúcido e rigoroso, que tenho lido sobre a realidade benfiquista actual. Sem pestanejar, subscrevo palavra por palavra. Aconselho a leitura:

A tragédia benfiquista

"Sou sócio há mais de 35 anos do Benfica e a minha mulher e as minhas duas filhas desde o dia em que nasceram.

Há, portanto, neste tema uma carga emocional familiar que dificulta o distanciamento e a objectividade. Ainda assim, enquanto professor de gestão, irei tentar olhar o meu clube como um caso que nos possa ensinar alguma coisa.

Creio que a métrica de valor da indústria do futebol é relativamente simples: as receitas directamente derivadas do espectáculo (bilheteira, televisão), as derivadas da marca ("sponsorização", 'merchandising') e da valorização dos activos (jogadores). Todas elas, em maior ou menor grau dependem da ‘performance' da equipa de futebol e em dois planos: o conjuntural (época em curso), que afecta a bilheteira e a maior ou menor valorização dos activos e o estrutural (conjunto de 'performances' ao longo dos anos) que afecta os restantes items e que no longo prazo cria as condições para o sucesso empresarial. Retenhamos o segundo plano, já que o da conjuntura dispensa adjectivos e apenas suscita dor e tristeza. Desde que a actual gestão tomou conta do clube o panorama é aterrador. Deserto de títulos e apenas pontuais sinais de se lá chegar (no campo dos resultados e não das intenções).

A gestão do clube, quando iniciou funções, tinha pela frente a mais desafiante das situações empresariais: concretizar um 'turnaround' a uma "empresa" quase falida, mas com capacidade de ter sucesso na sua indústria. E trabalhou bem: ofereceu credibilidade aos credores e demais 'stakeholders', negociou passivos, animou e desenvolveu novas canais de receitas, racionalizou custos, profissionalizou mais o negócio. Até foi capaz de construir um novo palco. Isto é, fez tudo que era possível fazer independentemente da melhoria da sua posição competitiva na indústria. Mas para que o 'turnaround' tenha sucesso, há essa segunda fase, a da 'performance' no seu negócio, ou seja, ganhar mais vezes. E aí a gestão falhou redondamente. Não houve competência para responder a esta segunda parte do desafio. E quando assim é, nas empresas acontece uma de duas coisas: a gestão dignamente reconhece e dá lugar a outra ou, menos dignamente, apenas os accionistas o reconhece e substituem-na em conformidade. Infelizmente, no Benfica não parece ir acontecer nem uma coisa nem outra. Mas temos uma consolação: está prestes a iniciar-se o campeonato em que já alcançámos o penta, o campeonato de verão: durante 3 meses vamos vencer o número de primeiras páginas, com os inúmeros treinadores e jogadores que estão para vir e que já não vêm. Pena é que essas páginas não sejam a principal fonte de valorização do negócio: se assim fosse já nem precisaríamos de entrar em campo em Agosto".

http://economico.sapo.pt/noticias/a-tragedia-benfiquista_10945.html

sábado, 9 de maio de 2009

O código genético do Sport Lisboa e Benfica

No dia 28 de Fevereiro de 1904, na Farmácia Franco, situada na Rua de Belém, foi fundado o Grupo Sport Lisboa (primeira designação), por iniciativa de jovens do bairro de Belém e de ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa. A reunião foi relativamente rápida e, após a formalidade, o grupo foi treinar-se. Encontraram-se 24 entusiastas: Cosme Damião e mais 23. José Rosa Rodrigues, o primeiro presidente, fez parte da equipa de futebol que realizou o primeiro jogo em 1 de Janeiro de 1905 contra o Campo de Ourique no Campo das Salésias.

Caríssimos leitores: são conhecidos os benefícios para a saúde de uma alimentação cuidada, da prática regular de desporto e de um permanente contacto com a natureza. Vida regrada, vida prolongada. Porém, o código genético acaba sempre por falar mais alto. Agora, façam rewind no texto e reparem bem no seguinte detalhe: o Benfica nasceu na Farmácia Franco. Numa farmácia?! Bem, imagino a quantidade de anfetaminas ingeridas por Cosme Damião, de modo a ficar acordado até à manhã seguinte e dar por concluída a acta da primeira reunião. Até apostaria que a celebração do acordo teria sido comemorada com a produção de um cocktail de alucinogénios. Só assim se explica que o Benfica não seja um projecto, antes uma visão. Mas, não deixa de ser estranho: que clube é fundado numa farmácia? Só se for o Bayer Leverkusen...

Acompanhem o meu racíocinio: esse acontecimento longíquo representa o 'tijolo' principal do ADN do clube, onde está contida toda a informação genética. Daí se possa afirmar que o ADN contém um código passível de ser decifrado em mensagens. No meu entender, a herança transmitida acaba por ser nítida. A formalização da ideia visionária manifestou-se numa espécie de after-hours da época o que explica o facto do Benfica ser, ao mesmo tempo e na sua essência primordial, um clube: apaixonante e odiado; anárquico, confuso e desorganizado, mas imponente e monumental; abnegado e exaltado; desvairado e tresloucado, sem deixar de ser altruísta, desprendido e popular. O Benfica é um clube cuja feição assemelha-se a uma fórmula científica: difícil de entender, gerir e sentir.

Já os principais rivais apresentam uma configuração genética diametralmente oposta. Em primeiro lugar, o vizinho Sporting. Nascido em berço de Visconde, mescla de Lord Inglês com fighting spirit, a alta nobreza do seu futebol podia ter sido criada, por exemplo, numa qualquer região britânica. O Sporting é um clube altivo, orgulhoso, pedante, pretensioso, soberbo e vaidoso. O seu ADN tem pouco de português e muito mais daquela postura fleumática. Em segundo lugar, o FC Porto. No meu ponto de vista, podia perfeitamente ser um clube basco: autónomo, batalhador, guerreiro, independente, lutador, ríspido, truculento e violento. Embora não rejeite traços portugueses do seu código genético, podia perfeitamente ser identificado com outro povo, outra nação.

O Benfica é diferente. O Benfica é tipicamente português. Porquê? Porque mais do que nenhum outro é o clube que reúne o maior número de qualidades e defeitos atribuídos ao povo português. Tal como na época dos Descobrimentos, o Benfica é produto da imaginação, sonho e visão de homens brilhantes. Contudo, não nasceu em berço de ouro e a figura que lhe deu glória teve origem humilde e modesta em terras de Moçambique. O Benfica é um clube que teve de crescer na adversidade, com especial destaque no ano de 1954, quando a construção do grandioso Estádio da Luz contou com o apoio financeiro de milhares de associados e adeptos. É um clube que faz das fraquezas, forças. Da desgraça e fatalidade uma oportunidade de apego, fraternidade e união, como ficou bem demonstrado na tragédia da morte de Féher. No fundo, o Benfica é como cada um de nós: cheio de virtudes e pleno de imperfeições.

Penso que esta é a grande lição do passado. O Benfica é como Portugal e os portugueses: caótico, como o país; desenrascado, como o povo, admirável, portentoso e sublime, como a história. O Benfica (sobre)vive nessa constante instabilidade, entre o abismo e a glória, entre a decadência e o triunfo. Actualmente, tornou-se costume enaltecer as estruturas profissionais organizadas, o planeamento e rigor económico-financeiro, os treinadores metódicos e racionais e, por fim, os jogadores geniais e talentosos. O Benfica é muito mais do que tudo isso. É uma força invisível que nos transcende ou nunca teríamos sido campeões nacionais depois daquele Verão 'quente' de 1993. Daí o sentimento tão poderoso e resistente que nos une, quando o estádio da Luz transfigura-se num castelo ou fortaleza pronto a ser defendido pela energia e vontade do espírito benfiquista. Esse é o sentimento de identificação com uma causa. Essa é a mística.

Chegou a altura dos adeptos compreenderem que de nada serve contrariar o código genético do clube: não vale a pena 'imitar' a organização do FC Porto, 'copiar' a formação da Academia de Alcochete, 'reproduzir' os métodos do treinador que reside em Milão ou 'plagiar' a concepção de jogo implementada pelo Barcelona. O Benfica só tem de voltar a descobrir o que sempre foi: o Benfica da Farmácia Franco.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O candidato Bruno Carvalho

Quando surgiu a candidatura de Bruno Carvalho, pensei que se tratava de uma simples brincadeira como forma de preencher páginas dos jornais e entreter os benfiquistas mais incautos. Pese embora a novidade tenha sido sinónimo de afronta à inteligência, a primeira impressão, de estupefacção, passou rápido como um foguete. Cada vez mais, começam a ser poucas as situações passíveis de causar admiração. Mas, afinal, quem é Bruno Carvalho? Não sei. Quer dizer, sei que é director-geral do Porto Canal, empresário, blogger no Novo Benfica e pouco mais. Jamais o identifiquei como indivíduo interessado pelo dia-a-dia do Benfica, desconheço os nomes dos seus colaboradores mais próximos e, para além da excessiva 'colagem' ao ideal instalado no FC Porto, custa-me alcançar a verdadeira dimensão das linhas gerais do projecto pensado para o clube.

Todavia, o melhor estava para vir. Hoje, foi noticiado que os Estatutos podiam bloquear a candidatura de dita personagem: Fonte do clube da Luz garante que Bruno Carvalho não preenche os requisitos para ser eleito, tendo sido, aliás, emitido parecer nesse sentido. O empresário é sócio correspondente do Benfica desde 2002 e só no ano passado é que passou a efetivo. Magnífico. Era mesmo disto que o Benfica precisava. Vejam bem a comparação: o 'pára-quedista' tem menos anos de sócio do que o meu estado civil a dizer casado. Por conseguinte, se nestes quase quatro anos ainda não aprendi a preparar uma garoupa no forno, qual será a real ligação deste artista com o Glorioso? Ultrapassada esta analogia, o homem com cara de quem levava estaladas no recreio pode, ou não, ir a votos? Observemos os Estatutos, a que o jornal 'Record' faz menção:

De acordo com o ponto 2 do artigo 12.º dos estatutos, "só os sócios efetivos com mais de cinco anos consecutivos de filiação associativa gozam do direito consignado na alínea d)" do ponto 1. Nessa alínea, pode ler-se: "Ser eleito para os órgãos sociais." O artigo 23.º, por sua vez, refere que "os cargos de órgãos sociais são desempenhados por sócios efetivos que, à data da eleição, perfaçam pelo menos cinco anos de filiação associativa ininterrupta nessa categoria". E, para os encarnados, estes pontos não remetem para qualquer outro. O empresário tem outro ponto de vista, socorrendo-se do ponto 3 do também artigo 12.º: "Ao sócio auxiliar que passe a efetivo são concedidos todos os direitos inerentes a esta categoria, desde que naquela qualidade preencha as condições previstas no número anterior."

Podem questionar porque estou a dar tanta importância à suposta candidatura de Bruno Carvalho. Por uma razão muito simples: aparentemente, o cenário ganhou contornos de maior complexidade a partir do momento em que Petit será, ao que tudo indica, o mandatário do empresário na corrida à presidência do Benfica e, provavelmente, será contratada a empresa de marketing que em 2000 ajudou Florentino Pérez a ganhar as eleições no Real Madrid. Caros leitores, esta notícia faz toda a diferença. Não porque Bruno Carvalho mereça crédito acrescido, mas porque fica provado que 'tem as costas quentes', protegido por alguém que joga nos bastidores. Aqui há tempos, na Tertúlia Benfiquista, foi escrito que António Figueiredo e Bruno Carvalho foram vistos no Hotel Marriot. Será o aparecimento dos Neo-Damasianos? Duvido...

Não pensem que este artigo, de completo desprezo por uma candidatura a roçar o rídiculo, represente a pretensão, contrária, de defender a actual Direcção do clube encarnado. A minha insanidade mental, ainda, não chegou a tanto: aproxima-se, a passos largos, o momento de 'trocar de pneus'. Agora, estou em crer que Bruno Carvalho é uma espécie de 'testa de ferro', mas desconheço quem escreve o argumento desta estória sem fim à vista. A figura que ilustra esta crónica pode representar vários papéis: o de 'burro' que puxa a carroça do dono; o de 'cavalo' que puxa o coche do senhor feudal; ou, por fim, o de 'carapau de corrida' que serpenteia entre alguns predadores, até dar entrada um 'peixe' de maiores dimensões. Sabem como é: it is always a big fish.

Para finalizar, resta-me aguardar, serena e pacientemente, pelo aparecimento de uma candidatura personalizada, baseada em predicados de competência, determinação e organização, com um programa e uma equipa de colaboradores susceptíveis de transmitir, à nação benfiquista, um sentimento de esperança numa mudança sustentada. Não acredito que Bruno Carvalho seja a figura capaz de operar essa renovação. Seria preciso muito mais do que uma empresa de marketing, a começar, talvez, por uma empresa de imagem. É que, muito sinceramente, não o queria nem para administrador de condomínio do prédio onde vivo...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Como tornar o Benfica campeão?

Em termos pessoais, esta entrada no blogue tem um carácter especial. Para os leitores espero que, ultrapassado o impacto inicial, contribua para pôr a família benfiquista num estado permanente de tertúlia. Faço votos para que o artigo anterior constitua o ponto prévio para uma reflexão séria e um debate elevado. No fundo, é isso que me move: trocar comentários e esperar que os sócios e adeptos encarnados se unam em prol de um Benfica vitorioso.

SL Benfica 0-1 AA Coimbra

Fica difícil saber por onde começar. Poderia escrever a crónica da partida frente à Académica, embora seja mais relevante perspectivar as repercussões que podem advir desta derrota. De qualquer modo, o dia 11 de Abril de 2009 não foi muito diferente dos sentimentos vividos a 11 de Abril de 2008 com o 'bónus' de ambos os resultados poderem ser explicados através da visão de um adepto da Académica. Exactamente um ano depois, a história repete-se e o desfecho actual resulta dramático: o Benfica perde praticamente a hipótese de chegar ao título e o 2.º lugar, de acesso à pré-eliminatória da 'champions league', fica mais distante. Péssimo cenário em termos desportivos. Provável descalabro quanto ao aspecto financeiro.

Eleições em Outubro?

Durante esta semana, os actuais responsáveis encarnados - direcção, director desportivo e treinador - não vão ter tarefa fácil, para lidar com as capas dos jornais e com a pressão dos sócios. Tudo isto é lamentável. Mais uma vez, os adeptos presentes brindaram-nos com a solução mais fácil: mostrar lenços brancos ao treinador. Imagem que se repete, ano após ano. Tal como já escrevi, também acredito que o problema está no topo da pirâmide. Oxalá, a solução fique mais transparente aos olhos de todos nós. Uma coisa é certa: sou favorável à marcação de eleições antecipadas.

Rui Costa

Em qualquer cenário, não abdico de uma pessoa que vive o Benfica de forma tão ou mais (de certeza) apaixonada do que eu e que entrou naquele (no antigo) estádio com menos de 10 anos. Tanto eu, como, não estou enganado, a grande maioria dos benfiquistas não esquece a racionalidade - está sempre presente - mas o coração, duplamente encarnado, identifica-se e segue aqueles que sentem as vitórias e derrotas como todos nós. Resumindo, para mim Rui Costa será figura primordial, qualquer que seja o resultado das eleições, quer a actual direcção se mantenha, quer outra candidatura conquiste o apoio dos sócios.

SL Benfica: sentir, pensar e debater o clube

Volto a afimar: perante a situação presente e o panorama futuro, não é nada fácil sistematizar um histórico encarnado e branco. Até porque, o meu pensamento levar-me-ia a desenvolver rebuscadas teorias sobre os erros cometidos e a imaginar soluções maravilhosas capazes de trazer de volta a mística, as vitórias e os troféus. Haveria tanto para dizer que a informação emitida tem mesmo de sair a conta-gotas. Nestas alturas, as palavras soam sempre a pouco. O momento actual vai no sentido do meu apelo à reflexão e mobilização do maior número de benfiquistas para tertúlias conjuntas que se revelem conclusivas em pontos essenciais.

José Veiga

Chegamos à melhor parte. No Mágico SLB, a certa altura, na caixa de comentários, José Marinho escreveu o seguinte:

"Ontem estive com José Veiga e uma outra pessoa, que solicitou-me a assinatura de Veiga no seu livro 'Como tornar o Benfica campeão'. Perguntei-lhe se queria que o próprio José Veiga o fizesse pessoalmente. Assim foi, o José Veiga aceitou fazê-lo e aceitou conhecer essa pessoa. Porque é uma pessoa simples, porque é uma pessoa que não constrói barreiras na sua relação com os outros. Devo dizer que essa pessoa, um grande benfiquista, mantinha enormes reservas em relação a Veiga - por causa da sua ligação ao FC Porto e por causa da imagem de José Veiga que está construida em Portugal - e quis convencer-se pessoalmente do muito que tenho aqui escrito e defendido sobre o antigo director desportivo do Benfica".

Quem é essa pessoa a que José Marinho faz referência? Pois bem, fui eu que tive o privilégio de estar perante uma personalidade que não deixa ninguém indiferente. Aquando do lançamento do 'Anuário do Futebol Mundial 2008/09', merecidamente destacado neste espaço, José Marinho perguntou-me se queria um autógrafo dado pelo principal protagonista do livro 'Como tornar o Benfica campeão'. Assim foi, com o 'bónus' de estar na presença do próprio José Veiga.

O encontro foi marcado para as 15h00, da passada quinta-feira, e prolongou-se até cerca das 16h30. Foram quase duas horas na companhia de uma figura que reúne uma história de vida para contar, dono de uma experiência ímpar no mundo do futebol. Tal como previa, José Veiga demonstrou um grande carisma e uma enorme força interior: sem dúvida, uma personalidade fortíssima. Curiosamente, não obstante ficarem vincadas, à 'flor da pele', características pessoais associadas à autoridade, disciplina e liderança, mais que não seja pelo discurso certeiro e apurado, o nervosismo inicial foi rapidamente ultrapassado pela abertura e boa disposição reveladas. Muito sinceramente, a primeira impressão foi extremamente positiva: José Veiga dispõe de um trato fácil, colocando o seu interlocutor à-vontade para intervir e dialogar em plano de igualdade.

Como devem calcular, existe um ou outro episódio que merece o rótulo de foro privado. Espero que compreendam. No entanto, ao contrário do que alguns possam pensar, o encontro não se assemelhou a nenhuma reunião secreta, com matérias catalogadas como estritamente confidenciais, quase como se fosse parte de um intrincado plano conspirativo. Longe disso. Então, afinal, perguntam vocês: falámos sobre o quê?

José Veiga começou por perguntar-me como teve início a minha paixão pelo Benfica, qual a minha relação com o futebol e o que fazia em termos profissionais. Referi-lhe este 'cantinho' chamado Catenaccio e aproveitei a oportunidade para colocar questões relacionadas com a minha Dissertação de Mestrado sobre as SAD's, a qual mereceu especial atenção, talvez pelo facto de ter sido empresário de jogadores. Conversámos sobre a questão da gestão de activos, leia-se direitos de inscrição desportiva sobre jogadores profissionais, calcorreámos aspectos ligados à prospecção de jovens talentos, inclusive sobre ferramentas de análise vocacionadas para o 'scouting' e debatemos a relação da formação com a política económico-financeira.

Depois, sem querer desrespeitar o teor particular da conversa, diria que o Benfica preencheu grande parte da tertúlia, nomeadamente alguns momentos vividos pelo próprio enquanto director desportivo passando, obrigatoriamente, pela época do último título: a experiência de Trapattoni, a blindagem de balneário, a qualidade do plantel, a importância dos sócios (adeptos) e a grandiosidade do clube. Em termos gerais, diria que o diálogo mantido foi um reavivar das memórias incluídas no livro. Com a diferença em que parte dos espisódios foi contada pela voz do próprio. Como é óbvio, tem outro impacto.

Em suma: agradeço a amabilidade de José Marinho em ter-me proporcionado uma rara oportunidade de estar na presença de uma personagem ligada à história recente do Benfica. Um momento único. Porém, é escusado questionarem-me sobre uma suposta candidatura, porque pura e simplesmente... não há candidato! Ainda por cima, creio que o Benfica não deveria estar dependente da boa vontade de um indivíduo, de forma isolada, sem considerar a constituição de uma equipa de trabalho e pôr em cima mesa a definição de uma estratégia global, orientada desde - direccção da SAD, director desportivo, treinador/equipa técnica, escolha do plantel, política de formação, modalidades, gestão económico/financeira, entre outras. Dizer mais do que isto, seria passar a fronteira do razoável para entrar no universo dos boatos e suposições.

Volto a repetir: foram, praticamente, duas horas muito bem passadas, sendo um privilégio ter gozado desta ocasião. Agora, como costumo dizer: a confiança não se ganha num olhar; conquista-se com a convivência, através da 'leitura' de actos e comportamentos. O encontro superou as expectativas? Sim, indubitavelmente. A primeira impressão foi positiva? Sem dúvida. Por vezes, na blogosfera, temos o hábito (do qual também me penitencio) de tecer considerações sem conhecer directamente as pessoas. Na maioria das vezes, a nossa opinião também está condicionada pela nossa ignorância, isto é, influenciada por desconhecimentos práticos ou por preconceitos dos quais até perdemos a origem. Humildemente, esta crónica está muito longe de identificar e resolver os problemas do Benfica. Espero, porém, ter levemente contribuído para que os benfiquistas reflictam e debatam seriamente sobre as soluções.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A reflexão interna da família benfiquista

Penitencio-me pela menor disponibilidade em escrever algo mais do que meia dúzia de linhas, apesar do interesse pelo dia-a-dia encarnado não ter diminuído. Antes pelo contrário. Em primeiro lugar, tenho andado mais activo aqui: http://www.twitter.com/catenacc10. Em segundo lugar, nos últimos dias (semanas) tenho dialogado, presencialmente, com várias figuras ligadas ao universo benfiquista.

Tal como se tem repetido nos anos mais recentes, o clube volta a atravessar um período atribulado onde o nível exibicional da equipa cria um sentimento de desconfiança nos sócios e adeptos encarnados. É verdade que os jogadores tardam a produzir um futebol que tranquilize as bancadas e até Quique Flores já perdeu o seu estado de graça. Todavia, o momento actual de descrença encontra eco num ponto fundamental: o FC Porto caminha, a passos largos, para 4.º título consecutivo e a hegemonia nacional do Benfica encontra-se seriamente ameaçada. Já há quem comece a contar os anos que restam para que o FC Porto ultrapasse o Benfica no número de campeonatos conquistados (dados retirados do jornal «A Bola»). Ao contrário da selecção, não é preciso máquina de calcular:

FC Porto (23)

I Liga: 1934/35 (1)
I Divisão: 1938/39; 1939/40; 1955/56; 1958/59; 1977/78; 1978/79; 1984/85; 1985/86; 1987/88; 1989/90; 1991/92; 1992/93; 1994/95; 1995/96; 1996/97; 1997/98 e 1998/99 (17)
Superliga: 2002/03 e 2003/04 (2)
Liga: 2005/06; 2006/07 e 2007/08 (3)

SL Benfica (31)

I Liga: 1935/36; 1936/37 e 1937/38 (3)
I Divisão: 1941/42; 1942/43; 1944/45; 1949/50; 1954/55; 1956/57; 1959/60; 1960/61; 1962/63; 1963/64; 1964/65; 1966/67; 1967/68; 1968/69; 1970/71; 1971/72; 1972/73; 1974/75; 1975/76; 1976/77; 1980/81; 1982/83; 1983/84; 1986/87; 1988/89; 1990/91 e 1993/94 (27)
Superliga: 2004/05 (1)

Os 14 títulos conquistados desde a época 1987/88 mostram a sequência avassaladora do FC Porto nos últimos vinte anos. A manter este ritmo, com ou sem benefícios do 'sistema', não tardará a que vejamos muitos homens adultos a chorar, sentados ao colo da mãe. Força de expressão, mas não deixa de ser dramático.

Na semana passada, aquando do lançamento do 'Anuário do Futebol Mundial 2008/09', escrito por Rui Malheiro, tive o prazer de debater este assunto (entre outros) com o conhecido José Marinho. A propósito, a sua crónica semanal já está publicada no sítio do costume.
Num ponto concordamos: não é possível o Benfica continuar com a mesma política desportiva, com as prioridades centradas na (in)justiça dos tribunais quando, em última instância, as vitórias e os campeonatos decidem-se (queremos acreditar) no relvado. O actual discurso da actual Direcção, com o presidente ocupado a inaugurar casas do clube por esse país fora e demasiado preocupado com a promoção da intangível marca Benfica, deve ser rejeitado, sob pena dos verdadeiros activos (jogadores) fracassarem na espinhosa missão de acrescentar companhia aos troféus gloriosamente conquistados por gerações anteriores.
Noutra questão divergimos ou, por outras palavras, temos diferenças de entendimento quanto à solução praticável: na opinião de José Marinho, uma figura bem conhecida dos benfiquistas, também de nome José, mas apelido Veiga, seria a pessoa melhor preparada para combater (o termo é mesmo este) o domínio azul e branco. Não desfazendo do seu profícuo trabalho enquanto director desportivo, os anticorpos do passado, com epicentro numa longíqua casa do Luxemburgo, não estão totalmente curados e compreendidos pela nação encarnada. Embora várias qualidades profissionais de José Veiga mereçam ser tidas em conta, o seu temperamento e modo de acção sugere uma rixa dentro do 'sistema'. Correndo o risco de alguma ingenuidade, prefiro um Benfica situado numa supra-dimensão, ou seja, jamais pretendo que o meu clube combata o 'sistema' com as mesmas armas, mas antes o derrube, não nos tribunais, mas em campo, com classe e mística à Benfica.

O texto já vai longo, mas não poderia deixar de escrever umas linhas finais sobre o meu encontro de ontem à tarde com um notável benfiquista, bem conhecido do público em geral. Tudo começou através de troca acesa de razões sobre a competência, ou falta dela, de Quique Flores. O debate virtual sublinhou distintos pontos de vista – essencialmente sobre o papel de Rui Costa e o modelo de jogo do treinador – mas, ao mesmo tempo, a esgrima de argumentos foi acompanhada por uma admiração crescente quanto ao tom e nível de conversação utilizado. Sem espantar, passados alguns emails de cá para lá, foi marcada uma breve tertúlia para discutir a actualidade do Benfica. A conversa durou praticamente uma hora e correspondeu plenamente às expectativas criadas, pese as naturais diferenças e visões que temos sobre aquilo que é (pode ser) melhor para o clube do qual partilhamos o cartão de sócio. Foi um final de tarde bem passado, em tom descontraído, esperando que a ocasião se repita amiúde, noutros locais e em outras circunstâncias. Em traços gerais, não ferindo questões do foro privado, diria que chegámos a idêntica conclusão: desportivamente, porém com prováveis consequências económicas, torna-se insustentável persistir num rumo contrário ao do sucesso, sendo crucial apontar baterias para o regresso das vitórias – o panorama presente exige que nós, benfiquistas, honremos a história deixada pelos mais antigos e façamos uma reflexão séria sobre os principais assuntos que dizem respeito à nação encarnada. Caso contrário, pode muito bem acontecer que daqui por dez anos estejamos a pensar como foi possível o FC Porto ter alcançado a marca do 32.º título nacional.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Anuário Futebol Mundial 2008/09 - parte II

Um sucesso! É o melhor adjectivo para caracterizar o lançamento do 'Anuário do Futebol Mundial 2008/09', escrito por Rui Malheiro, com supervisão de Paulo Sousa. Tal como escrevi no dia 24 de Março, o local escolhido foi a Livraria Bertrand, no Centro Comercial Picoas Plaza.

Cheguei por volta das 17h45, comprei o livro (aconselho) e fui tomar um cafézinho. Por volta das 18h30, a apresentação teve início. Nessa altura, a sala estava bem composta com várias personalidades conhecidas do mundo do futebol. Destaque para: João Malheiro; Eusébio (sim, é verdade); Carlos Manuel, António Veloso, Rui Costa (ele mesmo, em carne e osso), Joaquim Evangelista e os jornalistas António Tadeia e José Marinho. Porventura mais figuras conhecidas do público marcaram presença, mas detive-me à conversa com o Paulo Santos, do Apenas Futebol, o Nuno Francisco, director da revista 'Futebolista' e, mais tarde, o João Gonçalves, do Encarnado e Branco.

Umas palavras sobre o 'Anuário'. Assim como o Barcelona é mais do que um clube, este exemplar saído da 'pena' de Rui Malheiro é mais do que um livro: é uma enciclopédia futebolística para termos sempre por perto, tal o manancial de informação incluído em mais de oitocentas páginas. Imperdível. Fico satisfeito pelo facto de ter presenciado a concretização de um projecto ímpar, um sonho em forma de bola de futebol. Mais uma vez, os meus parabéns ao Rui Malheiro e obrigado pela dedicatória.

Poderia dar-me satisfeito pelo facto de, por fim, conhecer alguns colegas da blogosfera com os quais já comunicava há imenso tempo nestas lides virtuais. Contudo, o melhor estava para vir. Ainda a apresentação decorria quando me aproximei de José Marinho, autor do livro 'José Veiga - Como tornar o Benfica campeão'. No passado, chegámos a trocar, neste espaço, comentários sobre assuntos relativos ao universo encarnado e o contacto reacendeu-se com o seu regresso à blogosfera, através da crónica no Mágico SLB. Não quero arriscar, mas estivémos à conversa cerca de meia hora. Bem, não foi propriamente um diálogo - limitei-me a colocar meia dúzia de questões e a expressar uma ou outra opinião, embora seja compreensível que, no canal de comunicação, eu tivesse assumido o papel de destinatário. E quanto à mensagem? Isso daria, concerteza, para algumas dezenas de crónicas aqui no Catenaccio. De forma resumida, digamos que houve tempo para assimilar alguns episódios curiosos, quase como se estivéssemos sentados numa plateia a ouvir um 'opinion maker'. Não que tenha alterado, substancialmente, o meu pensamento central sobre os mais variados (e principais) assuntos da vida do Benfica. Todavia, o diálogo estabelecido vale por muitas horas dedicadas a consumir a imprensa desportiva, desde televisão, passando por jornais, até desembocarmos na imensidão da blogosfera. Nesse aspecto, cumpriu o objectivo: fazer-nos pensar. Assim que a oportunidade surja, no tempo certo, cá estaremos para aprofundar matérias pintadas a encarnado e branco.

terça-feira, 24 de março de 2009

Anuário Futebol Mundial 2008/09 - parte I

Muito em breve, quando for a apresentação oficial do livro, terei finalmente a oportunidade de conhecer pessoalmente o autor desta magnífica Obra. Quando o Catenaccio começou a dar os primeiros passos nas lides virtuais, já o Terceiro Anel assumia-se como um projecto ímpar, visitado e comentado por uma legião de leitores. Tive a sorte de ainda colaborar no dito site, juntamente com o João Gonçalves, do Encarnado e Branco e o Pedro Varela, do Pontapé na Lógica, só para citar alguns. O Rui Malheiro foi o grande mentor desse espaço e os seus escritos futebolísticos deixaram marca de qualidade. Mais recentemente, voltámos a conversar activamente via 'twitter' - estivémos até quase às 3h00, juntamente com o Paulo Santos, do Apenas Futebol, a debater tácticas e a fazer futuros exercícios de prospecção, sempre num clima de boa disposição. Ter a sorte de trocar impressões com esta 'enciclopédia humana' é uma oportunidade única de aprendizagem: nessas alturas damos conta da limitação dos nossos conhecimentos, mas o Rui Malheiro revela a simplicidade certa para dialogar connosco, quase como se estivéssemos colocados frente a frente, com um café ou cerveja por companhia. Da minha parte, endereço os meus parabéns pelo concretizar de um sonho à volta de uma bola de futebol.

Informações adicionais

O futebol português visto à lupa: Liga Sagres, Liga Vitalis, II Divisão, Taça de Portugal, Taça da Liga, Liga Intercalar e Supertaça. A actividade das Selecções nacionais: dos sub-15 aos AA. Os campeonatos de mais de 100 países. Tudo sobre o futebol inglês, italiano, espanhol, francês, alemão, brasileiro e argentino. As provas internacionais de clubes e selecções. O perfil de cerca de 1000 jogadores de todo o Mundo ao longo de 816 páginas.

"Estou feliz por ver um sonho realizado e contente por uma obra tão rica aparecer em Portugal. É um documento fantástico, de enorme valor, que resulta de uma pesquisa exaustiva e que demonstra a dedicação ao futebol por parte do autor. Trata-se de uma obra que tem um largo campo de interesse. Para mim, como treinador, é uma ferramenta de consulta extremamente útil, como também não tenho dúvidas de que o será para os diversos agentes desportivos - clubes, treinadores, jogadores, jornalistas e adeptos -, que passam a ter em mãos um vasto documento com informação organizada sobre os intervenientes dos principais campeonatos".

Paulo Sousa

"À estatística, comum aos dois almanaques internacionais mais conhecidos, decidimos juntar a táctica, a análise e a prospecção de jogadores, com o objectivo de enriquecer a obra, conferindo-lhe um carácter único".

Rui Malheiro

O lançamento oficial do Anuário Futebol Mundial 2008/09, onde gostaria imenso de contar com a vossa presença, ocorrerá no próximo dia 31 de Março, na Livraria Bertrand, no Centro Comercial Picoas Plaza, em Lisboa, às 18 horas, com apresentação a cargo de Paulo Sousa.

Visitar: Anuário Futebol Mundial 2008/09

segunda-feira, 23 de março de 2009

[Taça da Liga] SL Benfica 1-1 Sporting CP (3-2 g.p.)

Um jogo de futebol são 22 jogadores, onze de cada lado, a disputarem uma bola durante noventa minutos. A diferença entre o futebol e o chamado 'futebol português' é que em Portugal a bola não é redonda, não são apenas 11 de cada lado e a modalidade não se joga num campo aberto, mas nas catacumbas de interesses dissimulados.

Por muito que os responsáveis queiram passar uma mensagem positiva, a versão 2008/09 da Taça da Liga esteve aquém do patamar de sucesso tão apregoado: o formato dos regulamentos prejudica os emblemas mais modestos e alguns (sobretudo o FC Porto) aproveitam para rodar jogadores, desprestigiando a competição; a calendarização desrespeita a realidade actual do futebol, sendo necessário encontrar o equilíbrio entre a necessidade de amelhar receitas e a vontade do público.

Lamentavelmente, os acontecimentos da final da Taça Carlsberg foram a 'cereja em cima de um bolo' mal cozinhado e pouco saboroso. Estou em crer que a competição tem direito ao seu lugar no futebol português, mas a 'receita do bolo' tem de ser melhor preparada, com 'ingredientes' de qualidade inquestionável. Gostaria imenso de destacar o papel de treinadores e jogadores, mas tal não é possível quando a decisão do troféu foi assombrada por um erro grosseiro do árbitro. Por momentos, até julguei que o meu clube jogava de camisolas azuis.

Obviamente, o Benfica não culpa da má interpretação de Lucílio Baptista. A lotaria dos penalties não repôs a justiça do marcador porque os deuses – ou teria sido Quim com três magníficas defesas – não queriam nada com o Sporting. De qualquer modo, não me deixa de causar estranheza como foi possível Derlei ter ficado em campo durante os 90 minutos, tal a forma como batia em tudo o que mexia. Também não posso pactuar com a atitude de Pedro Silva, apesar do natural sentimento de indignação do jogador – porém, se bem me lembro, Yebda não teve o mesmo comportamento quando o 'farsante' Lisandro caiu na área, naquele filme habitual do Estádio do Dragão. Deve ser a tal diferença que os sportinguistas tanto se orgulham de ostentar. Diferença, aliás, bem visível quando Filipe Soares Franco se digna a sentar ao lado de um presidente suspenso por 2 anos, em consequência das penalizações do Apito Final. No futebol português, não há santos, nem demónios, mas há uns mais anjinhos do que outros.

Bem, onde entram aqui as camisolas azuis? Muito simples: o Benfica foi beneficiado de uma má decisão do árbitro, resultando o golo do empate de um penalty 'à FC Porto'. Por outro lado, o Sporting sofreu na pele o que muitos adeptos encarnados se andam a queixar há umas boas dezenas de anos. Não posso aceitar que todo o mediatismo à volta de um penalty branquei situações bem mais graves. Na data em que estou a escrever, a maioria das pessoas só se lembra do último jogo, mas a história não é esquecida, nem as escutas apagadas.

Estou quase a terminar. Se querem saber, não é a conquista da Taça da Liga que salva a época do meu clube. Sinceramente, se me fosse dado a escolher, trocava o erro de Lucílio Baptista por todas as vezes que o Benfica foi prejudicado (e o FC Porto beneficiado) na Liga Sagres. Muito provavelmente, estaríamos na frente da classificação. Daqui para a frente, nas 8 jornadas que restam, preocupa-me imenso a 'lei da compensação' – não duvidem que, em caso de dúvida, o Benfica será estorvado e o Sporting sairá favorecido na corrida ao lugar de acesso à 'Champions League'. Infelizmente, essa tem sido prática corrente no futebol português, sendo quase impossível, como salientou Rui Santos, no 'Tempo Extra', existirem comportamentos altruístas. A realidade nacional há muito deixou de ser cinzenta, para passar a ser negra. Só nos resta esperar pelo próximo jogo.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Resposta de António-Pedro Vasconcelos

Como resultado do meu contacto para o programa 'Trio D'Ataque', o conhecido cineasta, produtor, argumentista, colunista, professor, entre o desempenho de outras actividades de cariz cultural, respondeu à minha interpelação de terça-feira à noite. Sinceramente, nunca esperei que a minha reflexão escrita produzisse efeitos palpáveis. Todavia, hoje de manhã, ao chegar ao emprego, fiquei deveras surpreendido quando abri o endereço de correio electrónico.
Exige o meu bom senso que afirme o seguinte: apesar do artigo anterior deixar implícito um tom mais crítico, nada me move contra António-Pedro Vasconcelos. Trata-se de uma pessoa respeitável, com gostos que partilho (livros e vinhos, por exemplo) e com uma postura humana e social que não me atrevo sequer a contestar. Provavelmente pelo facto de dar manifesta importância aos aspectos positivos da sua personalidade é que me sinto 'ferido' pela prática da crítica constante e exacerbada, não dando o benefício da dúvida ao projecto encetado por Rui Costa. Já quanto ao desempenho do presidente, parece-me que estamos em clara sintonia.
Sendo assim, espero que o visado no título desta entrada não se importe que disponibilize publicamente a sua resposta. Penso que não cumpre requisitos de confidencialidade e só vem corroborar a opinião transmitida diversas vezes no programa 'Trio D'Ataque'. Contudo, caso o solicite, não hesitarei em retirar o texto que se segue:

"Caro amigo e consócio.
Também concordo consigo sobre a necessidade de estabilidade no Benfica, mas isso não pode ser pretexto para perpetuar a asneira e o desperdício. Ao dispensar Fernando Santos, à primeira jornada, ele que tinha feito uma época extraordinária para os jogadores de que dispunha, a quem foram tirados trunfos essenciais (Simão, Miccoli, Karagounis, Manuel Fernandes) em plena preparação, que pôs o Benfica, finalmente, a jogar num modelo de jogo ganhador; e ao portar-se de maneira indigna com Veiga, que revelou ser um director desportivo com espírito ganhador e um grande benfiquista, ao contrário do Presidente que nunca na vida foi benfiquista, foi Vieira quem criou instabilidade: O Benfica, com Veiga e Trapatoni e sem equipa, tinha ganho um campeonato, com Veiga e Koeman (um péssimo treinador, que desprezou o campeonato para se concentrar na Champions, que lhe dava maior visibilidade), fomos aos quartos de final da Champions, com Veiga e Santos e sem jogadores, disputámos o campeonato até à última jornada e fomos aos quartos de final da UEFA, sem Luisão e sem Simão. Daí em diante tem sido o descalabro. O que vamos fazer? Em nome da estabilidade deixar que se delapide financeiramente o clube e que o Glorioso se afunde num pântano de derrotas humilhantes e num ciclo de decadência irreparável? Não. É preciso dispensar o Quique com justa causa, exigir eleições antecipadas para que a nova época, para quem ganhar em Outubro, não esteja comprometida por esta direcção, esperar que apareçam benfiquistas sérios, competentes e que não se sirvam do clube para se promover. Se for o Vieira, que os benfiqusitas não lhe deêm um novo cheque em branco, obrigando-o desta vez a fazer as escolhas certas para o clube e para a SAD, para o futebol e para as outras modalidades.
Saudações benfiquistas,
A-PV"