sábado, 27 de junho de 2009

Javier Saviola no Sport Lisboa e Benfica

Saviola é o novo reforço do Benfica. Os encarnados chegaram "a acordo com o Real Madrid para a transferência, a título definitivo, da totalidade dos direitos desportivos e económicos do atleta Javier Pedro Saviola Fernandez por um valor de 5.000.000 cinco milhões de euros", lê-se no comunicado enviado pelo clube da Luz à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

O Benfica informa que "chegou a um princípio de acordo com o referido atleta para a celebração de um contrato de trabalho desportivo para vigorar nas próximas três épocas desportivas,sendo ainda concedida a faculdade à Sociedade para a prorrogação deste contrato de trabalho por mais uma".

Javier Saviola: «Não resisti à determinação do Benfica em contratar-me»

Anos - Clube - Jogos / Golos

1998/01 - River Plate - 111 / 55
2001/07 - Barcelona - 164 / 70
2004/05 - Mónaco (empréstimo) - 36 / 12
2005/06 - Sevilha (empréstimo) - 43 / 14
2007/09 - Real Madrid - 28 / 5
TOTAIS: 382 jogos, 156 golos; pela Argentina, soma 12 golos em 44 jogos 'AA'

Recebi a notícia com natural satisfação, muito embora tenha cedido à tentação de algum deslumbramento. Não tem tanto a ver com a qualidade intrínseca do jogador, que não contesto, mas antes com a lição derivada da desilusão proporcionada pela época 2008/09. Apesar de estar convicto que a novidade tenha dado um impulso forte para o merchandising do clube e para aumentar o índice de confiança dos adeptos, prefiro manter alguma cautela antes da bola começar a mexer. Os craques ajudam a constituir um plantel ambicioso. Todavia, para além da mais-valia individual de cada elemento, sabe-se que os resultados positivos dependem da interligação de imensos factores.

No entanto, se o futebol de Saviola não deixa margem para dúvidas, já coloco maiores reticências quanto aos meios financeiros envolvidos na contratação. Até em face de dificuldades sentidas noutras situações (vidé caso de Alvaro Pereira e Reyes), continuam a subsistir muitas interrogações: (i) será que existiram investidores estrangeiros envolvidos na operação? Com que contrapartidas?; (ii) será que a Direcção da SAD já acordou a venda de algum activo (Luisão, Cardozo, Di María?) como forma de obter uma quantia significativa?; e, (iii) será que o novo contrato para doze (12?) anos rubricado com a Centralcer, com efeitos na publicidade das camisolas e no naming da bancada Sagres, representou o caminho para atingir o sucesso desta contratação?

Por fim, para provar que a vinda de Saviola despertou-me alguma ilusão e motivação para a época 2009/10, acreditando que um tridente constituído por Aimar, nas costas, e Cardozo, mais fixo, possa funcionar em pleno, disponibilizo um link com diversos vídeos, onde podem ir abrindo o apetite com os inúmeros golos apontados pelo 'conejo' argentino.

sábado, 20 de junho de 2009

Estatutos do Sport Lisboa e Benfica

Adeptos e sócios encarnados, por acaso conhecem os estatutos do Sport Lisboa e Benfica? Para compensar essa possível lacuna, e porque o cenário actual de eleições antecipadas coloca imensas dúvidas sobre assuntos da máxima importância, resolvi fazer o upload do respectivo documento em formato pdf, o qual pode ser acedido clicando no link anterior.

Desde já, até servindo como exemplo, disponibilizo aqui alguns artigos que revelam pontos considerados sensíveis:

ARTIGO 33º

1. Quando os órgãos sociais estejam demissionários, atinjam o final do seu mandato ou este esteja extinto nos termos dos estatutos, os seus membros continuarão a desempenhar os respectivos cargos, até serem substituídos.
2. Do incumprimento do disposto no número anterior resultará a impossibilidade de, durante seis anos, poder desempenhar qualquer cargo nos orgãos sociais, salvo se, para tanto, hajam concorrido razões de força maior, devidamente justificadas.

ARTIGO 68º

5. Caso as contas apresentadas pela direcção sejam reprovadas, total ou parcialmente, pela assembleia geral, a direcção tem um prazo de 15 dias para proceder à elaboração de novas contas.
6. A reprovação das novas contas, resultantes da situação prevista no n.º 5 deste artigo por parte da assembleia geral implica a imediata demissão da direcção, procedendo-se a eleições intercalares para este orgão, nos termos do artigo 31º.

Agradecimentos, e menção especial, ao blogue A Besta Vermelha pela informação partilhada sobre um tema tão relevante.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A recusa de José Eduardo Moniz

José Eduardo Moniz, diretor-geral da TVI, não vai entrar na corrida eleitoral do Benfica. O patrão do canal de Queluz resolveu não aceder ao convite endereçado pelo movimento "Benfica, Vencer, Vencer" mas, na sua declaração aos jornalistas, não rejeitou a possibilidade de, no futuro, disputar a presidência do clube da Luz. Aliás, foi ao ponto de afirmar que, com mais tempo, "contaria uma estória diferente".

Confessando a "amargura e tristeza" por ver o clube passar "da glória à banalidade", Moniz garantiu ainda que não busca "objectos de ordem material" e que não precisa do Benfica "para obter projecção ou notoriedade". "Não me interessa ganhar por ganhar, para depois ser obrigado a gerir um projecto de outros, que seria o que aconteceria dados os compromissos entretanto assumidos pela Direcção em gestão", acusou.

[Vídeo] Conferência de imprensa de José Eduardo Moniz

Apesar do 'truque' das eleições antecipadas, desde o início acreditei que surgisse uma lista credível, repleta de benfiquismo e composta por indivíduos de reconhecida capacidade profissional. Inclusive, com grandes hipóteses de vencer já no dia 3 de Julho. O cenário contrário seria deitar como perdido todo o tempo depositado no 'Movimento', desiludindo uma onda vermelha cada vez maior e matando a crença e esperança de muita gente.

Esperava uma figura forte, com verdadeiro impacto e visibilidade junto da nação encarnada. Alguém que mexesse com o coração das pessoas e as fizesse ter fé numa alternativa válida, capaz de olhar pelo futuro do clube. Não sendo assim, os próximos anos serão, muito provavelmente, uma fotocópia das últimas épocas: enorme prejuízo e insucesso desportivo.

Os vieristas ganham, mas é o Benfica que perde. Trata-se, tão só, de uma constatação coerente com aquilo que tenho vindo a escrever há uma série de tempo. Nada que seja novidade, portanto. Assim, da actual estrutura encarnada, Rui Costa é a única personalidade capaz de transmitir ainda alguma motivação para a temporada 2009/10. De qualquer modo, o sentido de voto está decidido: nulo.

O que resulta disto tudo? A experiência gratificante de ter feito contactos com várias pessoas do mundo do futebol, ter conhecido imensos anónimos de blogues e sites e, o mais imporante, ter feito parte de um projecto em que sempre depositei enorme esperança.

Sim, a desilusão é profunda. Pode-se afirmar que ficou plantada a semente para uma colheita futura. Porém, os resultados práticos são pouco mais do que nulos. Desconheço, agora, qual será o percurso e posicionamento de grande parte dessas pessoas. Eu cá estarei, como sempre, a actualizar este cantinho e a sofrer pelo meu Benfica.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Apresentação: Movimento 'Benfica, Vencer, Vencer'

Como era de esperar, estive ontem presente no Hotel Sheraton e segui com atenção a apresentação pública do 'Movimento'. A sala estava muito bem recheada, com benfiquistas a mais e ar condicionado a menos. Porém, o calor que se fez sentir não deixou esmorecer o apoio.

Obviamente, marcaram presença muitas caras conhecidas: Artur Correia, José Augusto, Mozer, Veloso, Manuel Damásio, Vítor Santos, João Carvalho, Fernando Tavares, José Veiga, Carlos Colaço, Telmo Correia, entre muitas outras. Sendo certo que admiro grande parte dessas figuras, mantenho alguns anti-corpos face a uma ou outra personalidade. No entanto, convém não esquecer que o 'Movimento' é aglutinador: pretende ser de inclusão e não de exclusão. Apreciei os discursos e gostei da moldura humana. Fiquei satisfeito por verificar que há imensos benfiquistas, de vários quadrantes, que clamam por uma alternativa melhor e mais virada para o sucesso desportivo.

Quanto ao candidato, já sabia que o nome de José Eduardo Moniz poderia ser uma forte hipótese e ficaria satisfeito se essa possibilidade se tornasse real. O director-geral da TVI tem trabalho para apresentar, é extremamente competente e bom profissional. Revela habilidade para gerir projectos ambiciosos e sabe liderar um conjunto vasto de pessoas. No fundo, tem uma carreira insuspeita, não cabe no rótulo de 'abutre' ou oportunista, tem visibilidade pública assente numa boa imagem e, também, um discurso cuidado e educado. Ainda por cima é benfiquista, sofre pelo clube e gosta de futebol. Espero que dê certo.

[Vídeo] Apresentação do 'Movimento Benfica, Vencer, Vencer'

[Vídeo] Entrevistas ao 'Movimento Benfica, Vencer, Vencer'

Para terminar, faz sentido colocar a questão: qual o percurso profissional do possível candidato às eleições do Sport Lisboa e Benfica? Vamos conhecer melhor José Eduardo Moniz...

Director de televisão, José Eduardo Moniz nasceu em 1952, nos Açores. A sua ligação ao jornalismo começou aos 18 anos em Lisboa, quando estava a frequentar o primeiro ano da universidade e pediu ao irmão para lhe arranjar qualquer coisa para fazer. Acabou por ir para o Diário Popular como jornalista estagiário e ao fim de seis meses entrou para o quadro do jornal.
Em 1973, editou um livro sobre educação, a área onde trabalhava no jornal, intitulado "A Crise Incógnita na Universidade em Portugal".
Aos 25 anos, José Eduardo Moniz já era coordenador da área de educação no Diário Popular e foi nessa altura que se mudou para a RTP. Foi levado para o canal estatal de televisão por Botelho e Silva, o seu chefe de redacção no Diário Popular, que tinha assumido o cargo de director de informação na RTP. O jornalista açoriano foi convidado a exercer o cargo de chefe-adjunto do departamento de Actualidades, sector onde eram tratadas as entrevistas e as grandes reportagens. Na RTP foi ainda editor-chefe, com a responsabilidade dos telejornais e da informação não-diária, e chefe dos serviços de informação dos Açores, tendo assim regressado à sua terra natal.
Depois voltou a Lisboa e passou a apresentar telejornais após ter substituído um colega ausente. Simultaneamente, José Euardo Moniz foi chefe de departamento de noticiários e subdirector de informação.
Em 1983, devido a mudanças no poder político, passou a desempenhar um papel pouco activo na RTP, mas, em compensação, apresentou as emissões da manhã da Rádio Renascença e foi director da revista Telestar.
Em finais de 1985, regressou aos cargos de chefia na RTP, onde passou a ser director de informação, para ficar na estação televisiva até 1994. Nesse ano, saiu e fundou a produtora de televisão MMM, que realizava trabalhos para a RTP.
Quando ingressou na TVI, para onde foi desempenhar o cargo de director-geral, vendeu a sua participação na produtora MMM, de modo a libertar-se de todos os compromissos externos. O ingresso de Moniz na TVI deu-se numa altura em que este canal privado de televisão atravessava uma grande crise, nomeadamente a nível de audiências. Mas, desde o ano 2000, uma série de programas de sucesso, entre os quais se deve destacar o concurso "Big Brother" e as telenovelas de produção portuguesa, levaram a estação a ser a mais vista em Portugal. A mudança de imagem que José Eduardo Moniz operou na TVI deu assim frutos quase de imediato.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Grupo Farmácia Franco

Com as eleições antecipadas ao virar da esquina e numa altura em que se perde mais tempo a discutir nomes e menos a debater sobre ideias, o Grupo Farmácia Franco representa um conjunto de sócios do Sport Lisboa e Benfica interessados em revelar projectos e sugerir soluções.

O documento, na sua versão 1.1 e intitulado como o projecto do Grupo Farmácia Franco merece leitura atenta. Imperdível.

Convocatória: Movimento 'Benfica, Vencer, Vencer'

No seguimento do anúncio da marcação de eleições no Sport Lisboa e Benfica para 03 de Julho, o 'Movimento Benfica, Vencer, Vencer' torna pública a sua apresentação oficial já na próxima 3ª feira, dia 16, pelas 19h30, no Hotel Sheraton, em Lisboa.

Conscientes dos constrangimentos que a decisão de antecipar o acto eleitoral provoca, os responsáveis deste Movimento não podem deixar de alertar todos os associados, adeptos e simpatizantes para uma decisão que contraria a democraticidade da vida do Sport Lisboa e Benfica e corre ao arrepio das mais elementares regras do respeito para com o Clube e os seus.
Este Movimento saberá reagir e dar a mais adequada e firme resposta contra o ataque institucional e emocional que os actuais dirigentes do nosso Clube perpetraram
.

Para todos aqueles que sentem-se manobrados por políticas mesquinhas e projectos de ambição pessoal na defesa dos seus interesses, e não do clube que representam, é fundamental partir para a mobilização geral.

Quem apoia o 'Movimento' ou, pura e simplesmente, não se revê neste Benfica, quer seja neutro, esteja indeciso, ou tão só queira manifestar-se, tem a oportunidade de o fazer. Julgo que é importante mostrar a força do descontentamento e, no próximo dia 16, às portas do Hotel Sheraton, proporcionar uma moldura humana muito considerável.

O Benfica atravessa um momento decisivo: chegou a hora de tentar fazer algo, mais que não seja ir para as ruas defender a história do clube e procurar contribuir para uma alternativa credível e vitoriosa.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Movimento 'Benfica, Vencer, Vencer'

O movimento "Benfica, Vencer, Vencer", cujo principal rosto é o médico João Varandas Fernandes, conta com o apoio de diversas figuras ligadas à vida do clube. João Carvalho e Fernando Tavares, ambos antigos vice-presidentes do clube, assim como José Veiga, também estão ao lado deste grupo, que tem mantido diversas reuniões nos últimos meses.

O último desses encontros aconteceu na última segunda-feira e contou com a presença de cerca de 60 benfiquistas. O movimento será oficialmente apresentado às 19h00 do dia 15 de Junho, num hotel de Lisboa, e pretende criar uma lista alternativa à actual direcção para concorrar às eleições do clube, marcadas para o final do mês de Outubro.

Há algum tempo que tenho mantido contacto privilegiado com o dito movimento, tendo marcado presença na reunião da segunda-feira passada.

Entendo a curiosidade de todos e julgo que os benfiquistas, sócios e adeptos, devem ser convenientemente informados sobre o que diz respeito à vida do clube. Contudo, como devem compreender, existem 'timings' a respeitar. Se tantas vezes criticamos as fugas de informação para a comunicação social, temos de aceitar que o anúncio público do programa e nomes envolvidos tem o seu espaço e tempo próprios.

No entanto, tentarei, na medida do possível, levantar um pouco o véu sobre algumas características do movimento.

Em primeiro lugar, não se trata de nenhuma sociedade secreta, ao estilo dos Illuminati do filme Angels & Demons, até como se comprova pela presença, se não estou enganado, de um ex-presidente de uma Casa do Benfica, convidado para ouvir e debater as linhas gerais da proposta. Tive oportunidade de trocar algumas impressões e posso afirmar que se trata de uma pessoa bem intencionada e conhecedora da realidade benfiquista. Como disse, o movimento tem um espírito democrático e aberto à participação. Levei um amigo que tinha algumas reservas, que gosta de pensar por si próprio, sendo céptico e descrente, tendo ficado muito bem impressionado com as pessoas, o discurso e a forma tranquila como se discute a actualidade encarnada.

Em segundo lugar, volto a pedir alguma paciência. Dentro de pouco tempo será criado um site para o efeito, onde todos serão bem-vindos para dar o seu contributo: debater ideias, sugerir opções de diversa ordem e participar, livremente, com o seu espaço de opinião. Nesse local virtual, ficarão a conhecer algumas das personalidades benfiquistas envolvidas no movimento, assim como os traços gerais do mesmo, nomeadamente as linhas mestras desportivas e económico-financeiras. Espera-se que, mais do que citar problemas, sejam apresentadas soluções. Concerteza, não será tempo perdido. Como foi noticiado, no dia 15 de Junho, numa unidade hoteleira de Lisboa, haverá uma conferência de imprensa, onde o acto terá uma importância pública mais mediática.

Posto isto, quero dizer o seguinte: o movimento pretende captar a atenção dos sócios e adeptos, ao mesmo tempo que quer ganhar força e sustento. Para tal, existe uma ficha de inscrição que não representa nenhum compromisso sério, nem tem carácter vinculativo, funcionado quase como uma espécie de votação numa petição online. Nesta altura, compreendo que muitos queiram aguardar por mais desenvolvimentos. Em princípio, o próprio site terá disponível essa ficha de inscrição online, para que o movimento represente a mola impulsionadora para se tornar uma alternativa válida. No entanto, antecipando-me, e para quem tenha interesse, disponibilizo um exemplar da ficha de inscrição.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A tragédia benfiquista

Começo por pedir desculpa a todos os leitores pela menor actividade aqui depositada. Porém, nos últimos tempos, não abunda a disponibilidade para escrever algo mais denso e profundo. Pelo menos, não da forma a que estou habituado, perseguindo critérios mínimos de qualidade. No entanto, não estou completamente afastado: podem sempre encontrar-me no 'twitter', através do consumo rápido (troca de comentários) proporcionado por 140 caracteres.

Posto isto, para variar, vou citar um artigo de opinião escrito por António Gomes Mota, Professor na ISCTE Business School. Trata-se, sem dúvida, de um dos textos mais certeiro, lúcido e rigoroso, que tenho lido sobre a realidade benfiquista actual. Sem pestanejar, subscrevo palavra por palavra. Aconselho a leitura:

A tragédia benfiquista

"Sou sócio há mais de 35 anos do Benfica e a minha mulher e as minhas duas filhas desde o dia em que nasceram.

Há, portanto, neste tema uma carga emocional familiar que dificulta o distanciamento e a objectividade. Ainda assim, enquanto professor de gestão, irei tentar olhar o meu clube como um caso que nos possa ensinar alguma coisa.

Creio que a métrica de valor da indústria do futebol é relativamente simples: as receitas directamente derivadas do espectáculo (bilheteira, televisão), as derivadas da marca ("sponsorização", 'merchandising') e da valorização dos activos (jogadores). Todas elas, em maior ou menor grau dependem da ‘performance' da equipa de futebol e em dois planos: o conjuntural (época em curso), que afecta a bilheteira e a maior ou menor valorização dos activos e o estrutural (conjunto de 'performances' ao longo dos anos) que afecta os restantes items e que no longo prazo cria as condições para o sucesso empresarial. Retenhamos o segundo plano, já que o da conjuntura dispensa adjectivos e apenas suscita dor e tristeza. Desde que a actual gestão tomou conta do clube o panorama é aterrador. Deserto de títulos e apenas pontuais sinais de se lá chegar (no campo dos resultados e não das intenções).

A gestão do clube, quando iniciou funções, tinha pela frente a mais desafiante das situações empresariais: concretizar um 'turnaround' a uma "empresa" quase falida, mas com capacidade de ter sucesso na sua indústria. E trabalhou bem: ofereceu credibilidade aos credores e demais 'stakeholders', negociou passivos, animou e desenvolveu novas canais de receitas, racionalizou custos, profissionalizou mais o negócio. Até foi capaz de construir um novo palco. Isto é, fez tudo que era possível fazer independentemente da melhoria da sua posição competitiva na indústria. Mas para que o 'turnaround' tenha sucesso, há essa segunda fase, a da 'performance' no seu negócio, ou seja, ganhar mais vezes. E aí a gestão falhou redondamente. Não houve competência para responder a esta segunda parte do desafio. E quando assim é, nas empresas acontece uma de duas coisas: a gestão dignamente reconhece e dá lugar a outra ou, menos dignamente, apenas os accionistas o reconhece e substituem-na em conformidade. Infelizmente, no Benfica não parece ir acontecer nem uma coisa nem outra. Mas temos uma consolação: está prestes a iniciar-se o campeonato em que já alcançámos o penta, o campeonato de verão: durante 3 meses vamos vencer o número de primeiras páginas, com os inúmeros treinadores e jogadores que estão para vir e que já não vêm. Pena é que essas páginas não sejam a principal fonte de valorização do negócio: se assim fosse já nem precisaríamos de entrar em campo em Agosto".

http://economico.sapo.pt/noticias/a-tragedia-benfiquista_10945.html

sábado, 9 de maio de 2009

O código genético do Sport Lisboa e Benfica

No dia 28 de Fevereiro de 1904, na Farmácia Franco, situada na Rua de Belém, foi fundado o Grupo Sport Lisboa (primeira designação), por iniciativa de jovens do bairro de Belém e de ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa. A reunião foi relativamente rápida e, após a formalidade, o grupo foi treinar-se. Encontraram-se 24 entusiastas: Cosme Damião e mais 23. José Rosa Rodrigues, o primeiro presidente, fez parte da equipa de futebol que realizou o primeiro jogo em 1 de Janeiro de 1905 contra o Campo de Ourique no Campo das Salésias.

Caríssimos leitores: são conhecidos os benefícios para a saúde de uma alimentação cuidada, da prática regular de desporto e de um permanente contacto com a natureza. Vida regrada, vida prolongada. Porém, o código genético acaba sempre por falar mais alto. Agora, façam rewind no texto e reparem bem no seguinte detalhe: o Benfica nasceu na Farmácia Franco. Numa farmácia?! Bem, imagino a quantidade de anfetaminas ingeridas por Cosme Damião, de modo a ficar acordado até à manhã seguinte e dar por concluída a acta da primeira reunião. Até apostaria que a celebração do acordo teria sido comemorada com a produção de um cocktail de alucinogénios. Só assim se explica que o Benfica não seja um projecto, antes uma visão. Mas, não deixa de ser estranho: que clube é fundado numa farmácia? Só se for o Bayer Leverkusen...

Acompanhem o meu racíocinio: esse acontecimento longíquo representa o 'tijolo' principal do ADN do clube, onde está contida toda a informação genética. Daí se possa afirmar que o ADN contém um código passível de ser decifrado em mensagens. No meu entender, a herança transmitida acaba por ser nítida. A formalização da ideia visionária manifestou-se numa espécie de after-hours da época o que explica o facto do Benfica ser, ao mesmo tempo e na sua essência primordial, um clube: apaixonante e odiado; anárquico, confuso e desorganizado, mas imponente e monumental; abnegado e exaltado; desvairado e tresloucado, sem deixar de ser altruísta, desprendido e popular. O Benfica é um clube cuja feição assemelha-se a uma fórmula científica: difícil de entender, gerir e sentir.

Já os principais rivais apresentam uma configuração genética diametralmente oposta. Em primeiro lugar, o vizinho Sporting. Nascido em berço de Visconde, mescla de Lord Inglês com fighting spirit, a alta nobreza do seu futebol podia ter sido criada, por exemplo, numa qualquer região britânica. O Sporting é um clube altivo, orgulhoso, pedante, pretensioso, soberbo e vaidoso. O seu ADN tem pouco de português e muito mais daquela postura fleumática. Em segundo lugar, o FC Porto. No meu ponto de vista, podia perfeitamente ser um clube basco: autónomo, batalhador, guerreiro, independente, lutador, ríspido, truculento e violento. Embora não rejeite traços portugueses do seu código genético, podia perfeitamente ser identificado com outro povo, outra nação.

O Benfica é diferente. O Benfica é tipicamente português. Porquê? Porque mais do que nenhum outro é o clube que reúne o maior número de qualidades e defeitos atribuídos ao povo português. Tal como na época dos Descobrimentos, o Benfica é produto da imaginação, sonho e visão de homens brilhantes. Contudo, não nasceu em berço de ouro e a figura que lhe deu glória teve origem humilde e modesta em terras de Moçambique. O Benfica é um clube que teve de crescer na adversidade, com especial destaque no ano de 1954, quando a construção do grandioso Estádio da Luz contou com o apoio financeiro de milhares de associados e adeptos. É um clube que faz das fraquezas, forças. Da desgraça e fatalidade uma oportunidade de apego, fraternidade e união, como ficou bem demonstrado na tragédia da morte de Féher. No fundo, o Benfica é como cada um de nós: cheio de virtudes e pleno de imperfeições.

Penso que esta é a grande lição do passado. O Benfica é como Portugal e os portugueses: caótico, como o país; desenrascado, como o povo, admirável, portentoso e sublime, como a história. O Benfica (sobre)vive nessa constante instabilidade, entre o abismo e a glória, entre a decadência e o triunfo. Actualmente, tornou-se costume enaltecer as estruturas profissionais organizadas, o planeamento e rigor económico-financeiro, os treinadores metódicos e racionais e, por fim, os jogadores geniais e talentosos. O Benfica é muito mais do que tudo isso. É uma força invisível que nos transcende ou nunca teríamos sido campeões nacionais depois daquele Verão 'quente' de 1993. Daí o sentimento tão poderoso e resistente que nos une, quando o estádio da Luz transfigura-se num castelo ou fortaleza pronto a ser defendido pela energia e vontade do espírito benfiquista. Esse é o sentimento de identificação com uma causa. Essa é a mística.

Chegou a altura dos adeptos compreenderem que de nada serve contrariar o código genético do clube: não vale a pena 'imitar' a organização do FC Porto, 'copiar' a formação da Academia de Alcochete, 'reproduzir' os métodos do treinador que reside em Milão ou 'plagiar' a concepção de jogo implementada pelo Barcelona. O Benfica só tem de voltar a descobrir o que sempre foi: o Benfica da Farmácia Franco.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O candidato Bruno Carvalho

Quando surgiu a candidatura de Bruno Carvalho, pensei que se tratava de uma simples brincadeira como forma de preencher páginas dos jornais e entreter os benfiquistas mais incautos. Pese embora a novidade tenha sido sinónimo de afronta à inteligência, a primeira impressão, de estupefacção, passou rápido como um foguete. Cada vez mais, começam a ser poucas as situações passíveis de causar admiração. Mas, afinal, quem é Bruno Carvalho? Não sei. Quer dizer, sei que é director-geral do Porto Canal, empresário, blogger no Novo Benfica e pouco mais. Jamais o identifiquei como indivíduo interessado pelo dia-a-dia do Benfica, desconheço os nomes dos seus colaboradores mais próximos e, para além da excessiva 'colagem' ao ideal instalado no FC Porto, custa-me alcançar a verdadeira dimensão das linhas gerais do projecto pensado para o clube.

Todavia, o melhor estava para vir. Hoje, foi noticiado que os Estatutos podiam bloquear a candidatura de dita personagem: Fonte do clube da Luz garante que Bruno Carvalho não preenche os requisitos para ser eleito, tendo sido, aliás, emitido parecer nesse sentido. O empresário é sócio correspondente do Benfica desde 2002 e só no ano passado é que passou a efetivo. Magnífico. Era mesmo disto que o Benfica precisava. Vejam bem a comparação: o 'pára-quedista' tem menos anos de sócio do que o meu estado civil a dizer casado. Por conseguinte, se nestes quase quatro anos ainda não aprendi a preparar uma garoupa no forno, qual será a real ligação deste artista com o Glorioso? Ultrapassada esta analogia, o homem com cara de quem levava estaladas no recreio pode, ou não, ir a votos? Observemos os Estatutos, a que o jornal 'Record' faz menção:

De acordo com o ponto 2 do artigo 12.º dos estatutos, "só os sócios efetivos com mais de cinco anos consecutivos de filiação associativa gozam do direito consignado na alínea d)" do ponto 1. Nessa alínea, pode ler-se: "Ser eleito para os órgãos sociais." O artigo 23.º, por sua vez, refere que "os cargos de órgãos sociais são desempenhados por sócios efetivos que, à data da eleição, perfaçam pelo menos cinco anos de filiação associativa ininterrupta nessa categoria". E, para os encarnados, estes pontos não remetem para qualquer outro. O empresário tem outro ponto de vista, socorrendo-se do ponto 3 do também artigo 12.º: "Ao sócio auxiliar que passe a efetivo são concedidos todos os direitos inerentes a esta categoria, desde que naquela qualidade preencha as condições previstas no número anterior."

Podem questionar porque estou a dar tanta importância à suposta candidatura de Bruno Carvalho. Por uma razão muito simples: aparentemente, o cenário ganhou contornos de maior complexidade a partir do momento em que Petit será, ao que tudo indica, o mandatário do empresário na corrida à presidência do Benfica e, provavelmente, será contratada a empresa de marketing que em 2000 ajudou Florentino Pérez a ganhar as eleições no Real Madrid. Caros leitores, esta notícia faz toda a diferença. Não porque Bruno Carvalho mereça crédito acrescido, mas porque fica provado que 'tem as costas quentes', protegido por alguém que joga nos bastidores. Aqui há tempos, na Tertúlia Benfiquista, foi escrito que António Figueiredo e Bruno Carvalho foram vistos no Hotel Marriot. Será o aparecimento dos Neo-Damasianos? Duvido...

Não pensem que este artigo, de completo desprezo por uma candidatura a roçar o rídiculo, represente a pretensão, contrária, de defender a actual Direcção do clube encarnado. A minha insanidade mental, ainda, não chegou a tanto: aproxima-se, a passos largos, o momento de 'trocar de pneus'. Agora, estou em crer que Bruno Carvalho é uma espécie de 'testa de ferro', mas desconheço quem escreve o argumento desta estória sem fim à vista. A figura que ilustra esta crónica pode representar vários papéis: o de 'burro' que puxa a carroça do dono; o de 'cavalo' que puxa o coche do senhor feudal; ou, por fim, o de 'carapau de corrida' que serpenteia entre alguns predadores, até dar entrada um 'peixe' de maiores dimensões. Sabem como é: it is always a big fish.

Para finalizar, resta-me aguardar, serena e pacientemente, pelo aparecimento de uma candidatura personalizada, baseada em predicados de competência, determinação e organização, com um programa e uma equipa de colaboradores susceptíveis de transmitir, à nação benfiquista, um sentimento de esperança numa mudança sustentada. Não acredito que Bruno Carvalho seja a figura capaz de operar essa renovação. Seria preciso muito mais do que uma empresa de marketing, a começar, talvez, por uma empresa de imagem. É que, muito sinceramente, não o queria nem para administrador de condomínio do prédio onde vivo...