Depois dos acontecimentos do passado fim-de-semana, pouco tenho a adiantar sobre o jogo que já não tenha sido aflorado pela blogosfera ou pela imprensa especializada. Porém, desejo escrever algumas frases para memória futura.Quando um emblema médio português, seja o Boavista, num passado recente, o Belenenses, o Vitória de Guimarães, o Sporting de Braga, ou outro qualquer, ao fim de algum tempo, projecta as bases para uma subida de patamar, assente num plano ambicioso de maior destaque no futebol nacional, os traços gerais dessa aproximação aos ditos 'grandes' tornam-se evidentes. Trata-se de uma mera circunstância pontual, influenciada por uma série de exibições e resultados prometedores? Ou, em sentido inverso, vislumbram-se sinais de crescimento consolidados e sustentados por uma direcção estável, um treinador competente e um elenco de executantes acima da média? Quando um desses clubes começa a demonstrar tiques de 'grande', será algo meramente conjuntural ou, porventura, um sintoma associado a um projecto sólido e bem construído, orientado para um futuro, de médio e longo prazo, com garantia de sucesso desportivo?
Até ao passado sábado, estava perfeitamente convencido que a estrutura futebolística do Sporting de Braga encontrava-se naquela parte decisiva do trajecto onde poderia, finalmente, intrometer-se na famosa luta entre os três 'grandes'. Estava enganado. Este Sporting de Braga nunca será 'grande', porque não respeita um rumo consistente, assente em predicados de crescimento gradual, sustentado e com uma imagem que o distinga dos demais. Este Sporting de Braga tem, apenas, tiques de 'grande'. Ainda por cima, demasiado vistos por outras bandas. A liderança não se afirma por uma lógica de virtudes, antes copia exemplos próximos que pouco dignificam o dirigismo nacional. A concepção de um modelo de jogo que privilegie o bom futebol esbate-se em atitudes provocatórias e comportamentos típicos de um clube de aldeia que disputa o seu derby regional. A meu ver, ficou evidente que este Sporting de Braga está longe de ser um 'grande'. A começar no seu presidente, em sentido literal, passeando pelas bancadas e continuando dentro do campo, nas imediações do túnel, onde os jogadores confundem agressão com sentido de afirmação.
Onde é que já vi isto? Em anos muito recentes, numas estranhas camisolas axadrezadas. Não deixa de ser curioso que esse projecto ambicioso e megalómano se tenha esvaído para divisões secundárias. Não é 'grande' quem quer. É 'grande' quem pode e quem faz por merecer. Suponho que, para algumas pessoas, ainda demore algum tempo a assimilar essa constatação. Da nossa parte, cá vos esperamos na 2.ª volta para recordar esse facto.




