
É comum falar-se no melhor jogador da liga portuguesa, ou no melhor futebolista do clube 'a', 'b', ou 'c'. Tal avaliação depende de um conjunto alargado de factores: número de golos marcados, número de assistências, relevância no seio da equipa, entre vários outros aspectos. A apreciação é, muitas vezes, subjectiva. No entanto, o intuito desta entrada não vai no sentido de ser feito um diagnóstico sobre qual o melhor jogador a pisar os relvados portugueses. Pelo contrário, é meu objectivo argumentar os motivos que me levam a preferir o jogador 'x' em detrimento do futebolista 'y'. Até porque,
in my opinion, o meu jogador favorito pode nem ser o melhor atleta no seu ramo de actividade...
Indo directo ao assunto, centremos a nossa atenção única e exclusivamente no universo encarnado. No meu entender, Pablo Aimar é o melhor jogador do Benfica. Ponto. Contudo, não se trata necessariamente do meu futebolista preferido. Porquê? Porque o 'mago' argentino tem uma qualidade técnica claramente acima da média, aliada a uma forma de pensar e pautar o jogo que o faz destacar no meio de uma floresta de chutões e empurrões. Aimar é um jogador (médio) completo - na recepção, no passe, na inteligência de processos. Uma verdadeira 'estrela' do futebol mundial, ao qual só devemos agradecer por nos proporcionar momentos de rara beleza num campo de futebol. Mas (há sempre um mas), esta constatação carece de um sentimento de identificação com algumas características do jogador em questão. Falta uma espécie de click futebolístico. Passo a explicar...
Por exemplo, por razões distintas, aprecio muito a personalidade de atletas como Luisão e David Luiz. Sem esquecer as suas mais-valias enquanto atletas, agrada-me, sobremaneira o seguinte: (i) a força mental e capacidade de liderança do sub-capitão encarnado, assente na classe, tranquilidade e num registo profissional impecável (esqueçamos o 'caso' passado com o grego Katsouranis); (ii) a determinação e empatia com os adeptos benfiquistas do jovem central brasileiro, apesar de algumas asneiradas mercê da, por vezes, excessiva impetuosidade demonstrada nalguns lances. Em suma, ambos são jogadores 'à Benfica' que muito admiro. Da mesma forma, aprecio imenso a garra de Maxi Pereira, o voluntarismo de Javi García, a consistência de Ramires, o atrevimento de Fábio Coentrão ou a eficácia de 'Tacuara' Cardozo. No fundo, ao 'amar' o Benfica, aprende-se a gostar dos jogadores.
Chegamos ao homem que a imagem retrata. Propositadamente, deixei Saviola para a parte final deste texto. Em primeiro lugar, não querendo desfazer a qualidade dos restantes membros do conjunto encarnado, o argentino é dos melhores jogadores que constituem o plantel. Com tudo o que essa opinião possa ter de subjectivo, porque nem sempre resulta lógico estar a comparar futebolistas que actuam em posições diferentes no terreno de jogo, Saviola é (mesmo) dos melhores jogadores do Benfica actual, como se pode comprovar pelos seus
números da presente temporada. Em segundo lugar, o avançado argentino é, sem grande margem para dúvidas, meu jogador favorito do Benfica. Porquê?
Em primeiro lugar, porque existe o tal factor de identificação com o futebol de 'el conejo'. Em miúdo, quando jogava à bola na rua, era (ou tentava ser) uma espécie de Saviola: gostava de ter a bola, de fintar os adversários, de passar despercebido entre os defesas, à espera da melhor oportunidade para rematar a bola por entre duas pedras a servir de baliza. Para além disso, partilhamos a mesma estatura (1,69m) e somos, em certa medida, fisionomicamente parecidos. Alguns amigos mais próximos chegam mesmo a chamar de Saviolita. Um orgulho. Em segundo lugar, o jogador encarnado tem tudo aquilo que admiro num avançado, quer esteja com ou sem bola: (i) quando em posse, é soberbo a decidir entre esconder o esférico, prosseguir em drible, ou optar por um passe certeiro para um colega melhor colocado, impressionando pela leveza na recepção (orientada), qualidade técnica no passe (muitas vezes, ao primeiro toque) e posterior desmarcação para o espaço vazio; (ii) sem bola, é igualmente decisivo, quer na forma como sub-repticiamente se 'esconde' das marcações junto ao 2.º poste, quer na utilização que faz da sua inteligência de movimentos, permitindo que a equipa, no geral, encontre canais de penetração em direcção à baliza adversária e que Cardozo, em particular, seja um dos goleadores mais felizes do mundo por ter a companhia de um enorme talento de 1,69m. Sim, Javier Saviola é mesmo um jogador fantástico!
E para si, caro leitor, qual a camisola que gostaria de 'vestir'?