domingo, 28 de fevereiro de 2010

Parabéns Sport Lisboa e Benfica

O Sport Lisboa e Benfica comemora este domingo, dia 28 de Fevereiro, o seu 106.º aniversário. Os benfiquistas têm motivos para celebrar de forma dupla, já que a equipa de futebol somou no sábado mais uma vitória na Liga, mantendo o primeiro lugar da classificação.

Origens

A 31 de Julho de 1903 foi formada a "Associação do Bem", para congregar ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa. A 28 de Fevereiro de 1904, após uma sessão de treinos, a Associação do Bem reuniu-se, liderada por Cosme Damião, e assim se fundou o Sport Lisboa.
Em 1906, com a fundação do Sporting Clube de Portugal, alguns jogadores de valor deixaram o Sport Lisboa e a crise instalou-se, chegando a haver quem pensasse que o clube tinha chegado ao fim, mas Cosme Damião e Félix Bermudes, investindo dinheiro do seu bolso, evitaram a sua queda.
O Sport Lisboa e Benfica foi criado apenas no dia 13 de Agosto de 1908, com a união entre o Sport Lisboa e o Grupo Sport Benfica. Foi uma boa solução para o tempo difícil que atravessavam os dois clubes.

Uma aproximação à mística

Idolatrar o clube não foi estratégia de alguém. Foi algo espontâneo que aconteceu em 1907, quando o invencível Carcavelos Club ganhava tudo o que havia para ganhar.
Ver os ingleses ganhar continuamente provocou-lhe um enorme apetite pelas vitórias e quando chegou o dia do jogo, o Sport Lisboa ganhou-lhes por 2-1. Em quase uma década, os ingleses sofreram a primeira derrota contra uma equipa formada exclusivamente por portugueses.
Nos próximos três anos, os ingleses do Carcavelos Club voltaram a não perder nenhum dos jogos efectuados, enquanto o Sport Lisboa enfrentava a sua primeira grande crise, com a perda de oito jogadores desafiados a jogar no recém-fundado Sporting Clube de Portugal e no Brasil.
Em 1910, o Sport Lisboa e Benfica, ressuscitado das cinzas e com a nova equipa resultante da união com o Sport Benfica, não resiste à tentação de defrontar de novo os poderosos ingleses do Carcavelos Club. O Benfica voltou a ganhar por 1-0, na presença de 8.000 pessoas que assistiram ao jogo. Porque o Carcavelos não perdia com mais nenhuma equipa, este sucesso valeu-lhe o título de "Glorioso", que jamais deixou cair.

Simbologia

Depois da união dos dois clubes, a designação de Sport Lisboa e Benfica foi adoptada e o emblema manteve a mesma estrutura, tendo a águia de asas abertas na posição de levantar voo, segurando com as garras uma faixa ondulada com as cores nacionais, sobre a qual se exibe o lema "E Pluribus Unum". Sobre a roda raida está o escudo com as cores vermelha e branca, tendo a bola ao centro, sobre a qual, disposta em dagonal, se inclui a faixa azul com as iniciais S.L.B. de Sport Lisboa e Benfica. A forte carga simbólica de cada elemento que compõe o emblema fornece-nos também uma valiosa contribuição para explicar a mística tão forte existente no clube. Nenhum elemento está no seu lugar por acaso.

O elemento central: a águia

A águia, na posição de lançamento de voo sobre o escudo, foi escolhida por se tratar de uma ave altaneira, plena de autoridade, força, vitória e orgulho, símbolo de elevação de propósitos e de espírito de iniciativa.

O fundo do emblema: a roda raiada

Directamente, a roda corresponde à presença do Grupo Sport Lisboa, que estava então mais vocacionado para o ciclismo e atletismo.

O vermelho: no escudo, no equipamento e no hino

O vermelho é o símbolo fundamental do princípio da vida, com a sua força, o seu poder e o seu brilho, a imagem do sangue e da vivificação.
Encarnando o arrebatamento e o ardor da juventude, o vermelho é também, e por excelência, nas tradições irlandesas, a cor guerreira. Vermelhos são os campos de batalha, pelo sangue derramado.
No tempo em que o SLB foi fundado, o vermelho foi a cor escolhida para simbolizar a luta de classes operárias ao reivindicarem os seus direitos, imagem da força e da coragem, assim como do sangue derramado pelos trabalhadores.

O branco

O branco é a cor da pureza, ou inocência, muito relacionada com a infância. É branca a bandeira levantada para a rendição do guerreiro, como brancas são as pombas que simbolizam a paz.
Provavelmente, o branco do emblema, como cor neutra do Benfica ao lado do vermelho, poderá significar o desportivismo, o tudo em aberto, quando no princípio do jogo se admite que tudo possa acontecer - o tudo ou o nada; perder ou ganhar.

A faixa com as iniciais S.L.B.

Sendo que o azul é a cor do céu, num plano superior e separado pela bola, está um SLB, que se eleva constantemente, numa dimensão onde o Divino é invocado nas preces de atletas e dirigentes, não importando para o efeito, qual a sua matriz ou vínculo religioso.

O lema: E Pluribus Unum

O lema inscrito na faixa vermelha e verde, as cores nacionais, suspensa nas garras da águia, colocada sobre todos os outros elementos, foi idealizado por Félix Bermudes e representa a forte ideia de continuar a união e o espírito de família que caracterizou a criação do clube e permanece tão viva como no primeiro dia.
O critério republicano, que serviu de base para a escolha do vermelho, fundava-se na circunstância de ser uma cor combativa, viril por excelência - a cor da conquista e do riso, cor cantante, ardente, alegre, que lembra o sangue e incita à vitória. O verde foi escolhido por ser a cor da esperança e por estar ligado à revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891.
Há quem defenda a ideia de que o verde representava as florestas de Portugal e que o vermelho representava o sangue dos que tinham morrido pela independência da Nação.

Fonte: Todos os excertos de textos foram retirados do livro "O Benfica como Religião", anteriormente aqui citado como sugestão (obrigatória) de leitura. Mais do que transcrever partes importantes desta obra, acção rara neste espaço que faço questão de manter, foi minha intenção felicitar o Sport Lisboa e Benfica e homenagear o excelente trabalho de investigação do autor, José Jacinto Pereira, capaz de nos conduzir através da ideia de mística, mas também dos mais fortes símbolos da instituição.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

[Europa League] SL Benfica 4-0 Hertha Berlim

Tal como a equipa do Benfica, estou fresco que nem uma alface. Portanto, vale a pena colocar as seguintes questões: fadiga física, quebra de forma, vulgo.. cansaço? What? De vitórias e goleadas? O jogo frente aos alemães provou o contrário: nem sempre é possível aliar o resultado à exibição, mas desta vez os jogadores tiveram nota artística elevada. Mais uma etapa cumprida, numa missão chamada Hamburgo.

Por falar em marcar muitos golos na baliza da equipa adversária, esta foi a 11.ª goleada contando, unicamente, com jogos oficiais. Considerando o limiar numérico nos 4 golos, vejamos:

Taça de Portugal
Monsanto 0-6 SL Benfica (3.ª eliminatória)

Taça da Liga
Sporting CP 1-4 SL Benfica (1/2 finais)

Liga Europa
SL Benfica 4-0 Vorskla Poltava (play-offs)
SL Benfica 5-0 Everton (grupo I)
SL Benfica 4-0 Hertha Berlim (1/16 final)

Liga Sagres
SL Benfica 8-1 Vitória de Setúbal (3.ª jornada)
Belenenses 0-4 SL Benfica (4.ª jornada)
SL Benfica 5-0 Leixões (6.ª jornada)
SL Benfica 6-1 Nacional (8.ª jornada)
SL Benfica 4-0 Académica (12.ª jornada)
Marítimo 0-5 SL Benfica (16.ª jornada)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Benfica como Religião

Sugestão de leitura: O Benfica como Religião, de José Jacinto Pereira. Oferta do meu primo, comecei a 'devorar' o livro no passado dia 15 deste mês e supera as expectativas. O trabalho de investigação do autor toca uma vertente muito interessante - a mística - para além de elucidar o leitor sobre as origens do clube, seus principais fundamentos e protagonistas históricos. Por exemplo: o nome Félix Bermudes diz-vos alguma coisa? Conhecem o significado profundo de cada elemento que faz parte do emblema? Tudo isso, e muito mais, encontra-se retratado neste livro de excelente qualidade e utilidade. Aconselho...

A mística, a adesão plena e inconsciente, o sentimento de identidade que se gera na alma, a paixão… Enfim, o título diz tudo: O Benfica como Religião!

Rui Costa, o Maestro, não hesita ao dizer que se pratica no Benfica uma forma de culto religioso.

Neste livro, a pesquisa realizada pelo autor mostra-nos que muitas das opções que marcam a vida dos adeptos do Sport Lisboa e Benfica no vocabulário, nos símbolos, nas atitudes e na postura, são, de forma indelével, opções de cariz religioso. Pela mão do autor e através da ideia de mística somos levados a perceber por que razão o Benfica deixou de ser um simples clube: é um culto para milhões de pessoas em todo o mundo!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

11 minutos de mística

Ontem, dia 11 de Fevereiro, por volta das 19h30, na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, teve lugar a apresentação de um documentário fabuloso. Por Silva Brandão, "BENFICA É CAMPEÃO dá a ver os preparativos, treinos, preparação física, dieta dos jogadores, num interessante flashback ao mundo do futebol dos anos 1960. O filme regista ainda o jogo entre o Benfica e o Leixões, realizado no Norte, até onde o Benfica viajou de barco e que venceu por um golo marcado por José Augusto, bem como o último desafio desse campeonato, entre o Benfica e o Belenenses, no estádio da Luz".

Como não poderia deixar de ser, o João Gonçalves, do blogue Red Pass, assistiu ao documentário e transmitiu, na perfeição, a emoção por ele vivida durante breves minutos. Como diz o título, 11 minutos de mística. De vários benfiquistas que conheço, este nosso colega de blogosfera é uma das pessoas que mais sente o clube - de forma autêntica, genuína e verdadeira. Com a certeza de que um espólio deste género deve ter lugar de relevo no futuro museu do clube, não deixem de ler o seu delicioso texto. Tal como deliciosa é a história do nosso glorioso clube.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

[Taça da Liga] Sporting CP 1-4 SL Benfica

Só agora tive oportunidade para escrever umas linhas. Desfecho: poker na casa do rival. Porque é que não fiquei admirado? O 'fosso' qualitativo é tão notório, entre as equipas lisboetas, que Jorge Jesus deu-se ao luxo de prescindir de cinco jogadores habitualmente titulares: Quim, Maxi Pereira, Aimar, Saviola e Cardozo deram lugar a Júlio César, Ruben Amorim, Carlos Martins, Éder Luís e Kardec, respectivamente. Ainda assim, como provam os resultados desta época, o nível futebolístico atinge patamares muito distintos e a diferença no resultado não foi mais acentuada porque o Benfica nem sequer fez uma exibição de elevada intensidade competitiva.

Realmente, a superioridade encarnada foi tão esclarecedora que, aliada à menor disponibilidade por estes dias, chegam-me a faltar palavras para tecer elaboradas considerações. Deste modo, faço minhas as palavras do João Gonçalves, do blogue Red Pass, pelo que abstenho-me de justificar o injustificável. O resultado fala por sim. De qualquer modo, espaço para dois breves apontamentos.

Em relação ao Sporting, desconheço qual o 'suporte à dor' dos adeptos e simpatizantes leoninos para que seja efectivada uma revolução sob o signo do Leão. Apesar de ter uma ideia geral sobre o tema desportivo, claro que não me compete meter a 'foice em seara alheia' mas, através de conversas com amigos sportinguistas, existe a firme convicção de que algo terá de ser reformulado em matéria desportiva: (i) reestruturar a direcção da SAD?; (ii) descobrir um novo 'homem forte' para director do futebol?; (iii) pensar num treinador moderno (Villas-Boas) para o curto-prazo ou para a época 2010/11?; e, (iv) delinear o plano financeiro para o tão necessário reforço qualitativo do plantel. Os fracassos sucedem-se a um ritmo que chega a roçar o rídiculo. Comentários são bem-vindos.

Quanto à equipa do Benfica, reforço o que escrevi anteriormente: mesmo vencendo por números expressivos, desperdiçou uma bela oportunidade para escrever história. No meu entender, a exibição ficou aquém de outras noites, na medida em que houve imensos passes falhados, inúmeras perdidas de bola infantis e algum défice de agressividade na disputa de lances individuais. Chamem-lhe preciosismo ou excesso de exigência, mas abateu-se uma ligeira pontinha de frustração e ficou uma leve sensação de que o resultado podia ter sido mais desnivelado. Porém, não me interpretem mal: fiquei extremamente satisfeito com a vitória e o golo obtido por Cardozo deixou-me em delírio. Um poker em casa do adversário, ainda por cima sem meia-equipa titular, é sempre um momento bonito de ser vivido. E recordado. Porque também devemos enaltecer quando é merecido, as minhas felicitações ao treinador Jorge Jesus - pelas opções tomadas - e aos jogadores, por mais uma alegria que proporcionaram a milhões de benfiquistas.

Para terminar em beleza, aqui ficam uns vídeos simpáticos para memória futura. Recostem-se na cadeira e liguem o subwoofer...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Liga Sagres? Tenho dúvidas...

Por onde hei-de começar? O Benfica acabou de empatar no Bonfim, com o Vitória de Setúbal, marcado por um autogolo de David Luiz (mais uma asneirada?) e um penalty desperdiçado pelo melhor marcador desta competição. A partida já terminou há uma hora, mas arrisco dizer que ainda estou a 'quente'...

Contudo, a desilusão pela perda de dois pontos, fortemente associada ao momento em que Cardozo acerta estrondosamente na barra, não deve toldar o raciocínio de um benfiquista convicto no trabalho que se está a desenvolver. Estou a tentar relativizar. Falando com os 'meus botões', convencer-me de que este jogo não terá consequências nefastas para a missão final. Rumo ao título...

A verdade é que poderia estar aqui a 'bradar aos céus', numa óptica de autoflagelação. Exemplos não faltariam: (i) revoltar-me com a infelicidade de David Luiz (mais uma?); (ii) indignar-me com o penalty falhado por Cardozo (mais um?); (iii) rebelar-me com a opção por algumas das substituições efectuadas; ou, (iv) insurgir-me com uma exibição menos conseguida. Não me parece lógico. Não me parece razoável. Não me parece justo. Não creio ser a altura, nem o momento, para a tomada de posições críticas. Posso estar a 'quente', mas não estou com espírito destrutivo...

Quem me conhece, sabe que não tenho muita paciência para lamentações. Nos anos mais recentes, quando as vitórias escasseavam e a 'verdade desportiva' cobria as primeiras páginas dos jornais, procurava desviar-me do conceito de inevitabilidade lamurienta, como se as derrotas e o insucesso fossem 'fantoches' nas mãos de algo superiormente poderoso. Sempre afirmei que a resposta teria de ser dada no relvado. Mesmo que tivéssemos que jogar o dobro. Nessa altura, houve quem entendesse as minhas palavras como excessivamente críticas. Pelo contrário, apenas fiz questão de relembrar a cultura de exigência que foi sempre apanágio deste clube. O futebol desta época veio-me dar razão.

Muito sinceramente, acredito na argumentação e no sentido crítico. Estou é farto e cansado de choraminguices pegadas. Querem saber?

FC Porto? Verbos conhecidos: lacrimejar, lamuriar, carpir mágoas. Choram porque o Benfica vai à frente com uma vantagem (à condição) de 10 pontos. Choram pela divulgação das escutas. Choram pelas imagens no túnel da Luz. Choram pela transferência abortada do avançado brasileiro Kléber. Choram pela demissão do administrador da SAD Fernando Gomes. Porra... até o Tomás Costa chora, mais que não seja pelas bofetadas dadas pelo capitão Bruno Alves.

Sp. Braga? Verbos conhecidos: lacrimejar, lamuriar, carpir mágoas. Choram porque o Benfica antecipou a jornada com a U. Leiria, obedecendo a regras impostas pela UEFA. Choram pelo facto do Plenário da Liga ter-se realizado apenas no dia 29 de Janeiro e ter tido lugar em Lisboa e não no Porto como é habitual. Choram porque Vandinho e Mossoró foram punidos com três meses e três jogos de suspensão, respetivamente. Choram porque recusaram propostas pelo Vandinho, mesmo demonstrando agilidade negocial para ir contratar o jogador Olberdam no último dia de inscrições, antes de conhecerem a decisão final. Choram porque sim. Porra... até o Domingos tem cara de chorão.

Sporting? Verbos conhecidos: lacrimejar, lamuriar, carpir mágoas. Meu Deus! Aqui ao 'lado', a choraminguice é total. Choram porque o Benfica vai à frente com uma vantagem (à condição) de 19 pontos. Choram porque o Benfica tem mais 31 golos marcados. Choram porque o Benfica apresenta melhor futebol. Choram porque têm Carlos Carvalhal, quando poderiam contar com André Villas-Boas. Choram porque o presidente toca maracas ou vai de férias para o Brasil. Choram porque são o Sporting e porque nós somos o Benfica. Porra... até o Liedson chora, depois de levar dois murros do Sá Pinto.

Que tal? Foi muito repetitivo? De facto, esta choraminguice lamurienta cansa, verdade? Aliás, estou a pensar escrever uma carta dirigida a Hermínio Loureiro, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, no sentido de alterar a designação da competição para a temporada 2010/11. Desde já, aproveito para disponibilizar os meus préstimos na árdua tarefa de criação do logotipo da próxima Liga Chicco. Ou, talvez não! Prefiro ficar com a cerveja e deixar as chuchas para quem delas precisa. Liga Sagres??? Tenho dúvidas...

domingo, 31 de janeiro de 2010

1º Sport Lisboa e Benfica Fans Twitter Meeting

Muitas vezes, a internet é acusada de travar a socialização 'in loco', ao fomentar a individualidade do ser humano, sentado confortavelmente por detrás de um monitor de computador. No entanto, quando o assunto intitula-se Benfica, a internet, ou a rede social twitter, neste caso, tem o condão de aproximar pessoas que nunca antes se tinham cruzado: descobrem-se benfiquistas vizinhos que partilham o mesmo código postal, potenciam-se reencontros de antigos colegas de escola e travam-se novas amizades, sempre com o vermelho como pano de fundo.

Desde há vários meses que o twitter é palco de conversas diárias sobre o mais glorioso clube de Portugal. Ao longo do tempo, à medida que cresce a familiaridade à volta de 140 caracteres, vão-se cimentando amizades virtuais e identificando pontos comuns de interesse. Assim nasceu o 1.º Sport Lisboa e Benfica Fans Twitter Meeting.

Data do acontecimento: sábado, 30 de Janeiro de 2010. Hora marcada: 11h30, junto à estátua de Eusébio. Local de almoço: 3.º Anel, com o lema 'mamar o polvo à lagareiro e depois saltar para primeiro'. Numa tarde muito bem passada, em plena cavaqueira benfiquista, estiveram presentes cerca de 20 convivas twitteiros. O meu abraço a todos eles: @andreafonso, @chateaufiesta, @Dores, @jbizarro, @pedromrsl, @ROMZ72, @zemarinho, @JG1904, @ZorGabor, @PedroEGSeabra, @joaohartley, @Miguel1975, @vistoalupa, eu próprio @catenacc10 e, também, o @NROM75, o @Paulosantosoo1, do blogue ApenasFutebol e o Pedro, do blogue Mágico SLB que apareceram um pouco mais tarde, ainda a tempo de umas cervejas antes da partida com o Guimarães (fiquei a dever uma rodada, para uma próxima ocasião). Espaço, agora, para algumas fotografias tiradas pelo 'repórter' @ZorGabor:







Para terminar, faço minhas as palavras do @joaohartley, do blogue Pardais ao Ninho "Depois do 1º encontro TwitterBenfica, realizado ontem na Catedral da Luz, apenas uma conclusão (desejo) fica":

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Qual o vosso jogador 'encarnado' favorito?

É comum falar-se no melhor jogador da liga portuguesa, ou no melhor futebolista do clube 'a', 'b', ou 'c'. Tal avaliação depende de um conjunto alargado de factores: número de golos marcados, número de assistências, relevância no seio da equipa, entre vários outros aspectos. A apreciação é, muitas vezes, subjectiva. No entanto, o intuito desta entrada não vai no sentido de ser feito um diagnóstico sobre qual o melhor jogador a pisar os relvados portugueses. Pelo contrário, é meu objectivo argumentar os motivos que me levam a preferir o jogador 'x' em detrimento do futebolista 'y'. Até porque, in my opinion, o meu jogador favorito pode nem ser o melhor atleta no seu ramo de actividade...

Indo directo ao assunto, centremos a nossa atenção única e exclusivamente no universo encarnado. No meu entender, Pablo Aimar é o melhor jogador do Benfica. Ponto. Contudo, não se trata necessariamente do meu futebolista preferido. Porquê? Porque o 'mago' argentino tem uma qualidade técnica claramente acima da média, aliada a uma forma de pensar e pautar o jogo que o faz destacar no meio de uma floresta de chutões e empurrões. Aimar é um jogador (médio) completo - na recepção, no passe, na inteligência de processos. Uma verdadeira 'estrela' do futebol mundial, ao qual só devemos agradecer por nos proporcionar momentos de rara beleza num campo de futebol. Mas (há sempre um mas), esta constatação carece de um sentimento de identificação com algumas características do jogador em questão. Falta uma espécie de click futebolístico. Passo a explicar...

Por exemplo, por razões distintas, aprecio muito a personalidade de atletas como Luisão e David Luiz. Sem esquecer as suas mais-valias enquanto atletas, agrada-me, sobremaneira o seguinte: (i) a força mental e capacidade de liderança do sub-capitão encarnado, assente na classe, tranquilidade e num registo profissional impecável (esqueçamos o 'caso' passado com o grego Katsouranis); (ii) a determinação e empatia com os adeptos benfiquistas do jovem central brasileiro, apesar de algumas asneiradas mercê da, por vezes, excessiva impetuosidade demonstrada nalguns lances. Em suma, ambos são jogadores 'à Benfica' que muito admiro. Da mesma forma, aprecio imenso a garra de Maxi Pereira, o voluntarismo de Javi García, a consistência de Ramires, o atrevimento de Fábio Coentrão ou a eficácia de 'Tacuara' Cardozo. No fundo, ao 'amar' o Benfica, aprende-se a gostar dos jogadores.

Chegamos ao homem que a imagem retrata. Propositadamente, deixei Saviola para a parte final deste texto. Em primeiro lugar, não querendo desfazer a qualidade dos restantes membros do conjunto encarnado, o argentino é dos melhores jogadores que constituem o plantel. Com tudo o que essa opinião possa ter de subjectivo, porque nem sempre resulta lógico estar a comparar futebolistas que actuam em posições diferentes no terreno de jogo, Saviola é (mesmo) dos melhores jogadores do Benfica actual, como se pode comprovar pelos seus números da presente temporada. Em segundo lugar, o avançado argentino é, sem grande margem para dúvidas, meu jogador favorito do Benfica. Porquê?

Em primeiro lugar, porque existe o tal factor de identificação com o futebol de 'el conejo'. Em miúdo, quando jogava à bola na rua, era (ou tentava ser) uma espécie de Saviola: gostava de ter a bola, de fintar os adversários, de passar despercebido entre os defesas, à espera da melhor oportunidade para rematar a bola por entre duas pedras a servir de baliza. Para além disso, partilhamos a mesma estatura (1,69m) e somos, em certa medida, fisionomicamente parecidos. Alguns amigos mais próximos chegam mesmo a chamar de Saviolita. Um orgulho. Em segundo lugar, o jogador encarnado tem tudo aquilo que admiro num avançado, quer esteja com ou sem bola: (i) quando em posse, é soberbo a decidir entre esconder o esférico, prosseguir em drible, ou optar por um passe certeiro para um colega melhor colocado, impressionando pela leveza na recepção (orientada), qualidade técnica no passe (muitas vezes, ao primeiro toque) e posterior desmarcação para o espaço vazio; (ii) sem bola, é igualmente decisivo, quer na forma como sub-repticiamente se 'esconde' das marcações junto ao 2.º poste, quer na utilização que faz da sua inteligência de movimentos, permitindo que a equipa, no geral, encontre canais de penetração em direcção à baliza adversária e que Cardozo, em particular, seja um dos goleadores mais felizes do mundo por ter a companhia de um enorme talento de 1,69m. Sim, Javier Saviola é mesmo um jogador fantástico!

E para si, caro leitor, qual a camisola que gostaria de 'vestir'?

sábado, 23 de janeiro de 2010

O adversário do Sport Lisboa e Benfica

Para Luís Freitas Lobo, "mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta". Trata-se de uma frase que resume bem a paixão do conhecido analista desportivo. Sem contrariar o sentido emocional da mesma, apenas acrescentaria o seguinte excerto: "(...)" onde emergem as mais variadas rivalidades clubísticas. O futebol não teria a magia e o impacto (positivo) junto da sociedade, sem o 'picante', correctamente doseado, de uma saudável competição. Será possível ficar indiferente à emoção dos sentidos perante um Boca Juniors vs River Plate? Um Celtic vs Glasgow Rangers? Um Barcelona vs Real Madrid? Um Everton vs Liverpool? Ou, ainda, um Lazio vs Roma? E, em Portugal?

Se perguntarem a um adepto do FC Porto qual o seu principal adversário, a resposta será óbvia. Se colocarem a mesma interrogação a um simpatizante do Sporting, a resposta será idêntica. Em relação à primeira questão, concordo. Basta levantar a cabeça para observar o rival que está imediatamente acima em número de campeonatos conquistados. Em relação à segunda inquisição, discordo. Por razões normais, seria preciso subir 13 degraus na escada da principal competição portuguesa para atingir o mesmo patamar curricular. Agora, para além da natural atenção 'carinhosa' dos rivais azuis e verdes, qual será, então, o principal adversário do Sport Lisboa e Benfica?

Em conversa com alguns amigos 'encarnados', as opiniões dividem-se. Por um lado, há quem olhe para a rivalidade clubística com uma visão tradicional de proximidade geográfica, respeitando uma espécie de passagem de testemunho dos mais velhos. Trata-se da rivalidade estrutural entre o Benfica e o Sporting. Por outro lado, há quem veja a rivalidade clubística com uma visão mais moderna de conflito regional, atendendo aos desafios impostos pelas últimas décadas. Como está bom de ver, refiro-me, em tom guerreiro, à rivalidade conjuntural entre o Benfica e o FC Porto. Como a nossa existência não gira à volta de sentimentos de cólera, ódio, rancor ou puro sarcasmo, há que optar por um alvo específico que garanta o 'reunir de tropas'.

Compreendo o peso da tradição e o carácter particular de um derby, mas desde há algum tempo que o clássico tem vindo a capitalizar maior importância: o Sporting não deixará de representar o papel de opositor histórico, mas o principal contendor actual dá pelo nome de FC Porto. Como em muitos outros aspectos, sou bastante pragmático. Na verdade, gosto de analisar os números, estudar os factos e, após discussão e reflexão, revelar um sentido prático sobre conceitos e situações. A verdade é só esta: o Sporting apresenta 18 títulos nacionais conquistados; o FC Porto alcançou a marca de 24 troféus 'capturados'. Claro que destes, 2/3 foram obtidos através de meios ílicitos que a justiça portuguesa fez o favor de ignorar, mas o fantástico tripulha fez questão de deixar para memória futura. Em resumo?

O Sporting mantém o seu rumo aristocrático de auto-flagelação - vidé os recentes acontecimentos verificados entre o seu director de futebol, Sá Pinto, e o seu principal goleador, Liedson. O FC Porto insiste no clima de guerrilha, estendendo os 'tentáculos do polvo' a várias esferas nacionais, quer se trate de influências nos sectores de justiça, passando por intimidações junto de orgãos de comunicação social, até culminar nos meios que justifica(ra)m os fins, ou seja, nos envolvimentos entre a mais antiga profissão do mundo e os agentes do futebol. Destas, e outras, actividades, mais ou menos respeitosas, a fronteira é cada vez mais ténue. As diferenças estreitam-se. Para terminar...

O Sporting não aborrece. O Sporting não ameaça. O Sporting provoca, apenas, duas vezes durante o ano, hora e meia de transtorno emocional, ainda que muito semelhantes ao nervoso miudinho sentido quando defrontamos o Belenenses. Cada vez mais. O Sporting não é rival directo na hegemonia do futebol português. Pelo contrário, por todas as razões e mais algumas, o FC Porto é o verdadeiro 'alvo a abater'. No entanto, enormes diferenças separam estes dois competidores directos. O FC Porto, na pessoa do seu dirigente máximo, agride, engana, ilude, insulta, ludibria e prevarica.

Em sentido contrário, a instituição Sport Lisboa e Benfica não afronta, não investe, não ofende e não provoca. Não abusa de cânticos insultuosos. Não faz da ira e da raiva uma forma única de existência. A filosofia de vida encarnada não busca o confronto externo, antes exalta o carácter positivo daquilo que a equipa de futebol é capaz de transmitir no relvado, em perfeita comunhão com a união de uma onda vermelha centrada na admiração por um símbolo vivo. Por muito que tentem influenciar a opinião pública, de modo a camuflar a realidade, haverá sempre um tripulha qualquer disposto a repor a verdade.

domingo, 17 de janeiro de 2010

O notável anti-Benfica

Afinal, não é só o Barcelona que é 'mais do que um clube'. O notável (cof cof) anti-Benfica é, também, mais do que um clube, uma entidade com, ou sem, substância física que extravassa classes sociais e faixas etárias, atravessando as mais diversas localidades de Portugal. Não sendo glorioso, como o seu mais directo rival, o anti-Benfica é grandioso na sua prosápia linguística, dando essência a um estado de alma pontuado pela tacanhez de espírito. De facto, esta moldura ideológica, regada por sentimentos de ódio e inveja, assume as mais variadas cores, formas e sotaques.

Mais do que um clube, o anti-Benfica é uma instituição nacional. A única que consegue competir, de igual para igual, com o glorioso Benfica. Em primeiro lugar, na comparação que se pode fazer em número de adeptos e simpatizantes, traduzida na quantidade de espectadores presentes nos jogos proporcionados pelo anti-Benfica. Em segundo lugar, de cariz extremamente concorrencial, no carácter mediático existente nos orgãos de comunicação social, onde pululam comentadores, jornalistas e outras tristes figuras ávidas em realizar ataques incontrolados e desenfreados. Tal como o parasitismo, o anti-Benfica não vive por si só: antes alimenta-se da realidade alheia, sugando os fracassos e insucessos de outrém para sobreviver na sua triste existência.

Mais do que um clube, o anti-Benfica é uma entidade com as mais variadas cores, formas e sotaques. Em certas ocasiões, veste o azul carregado dos mares tenebrosos; noutras circunstâncias, aparece trajado com um verde cetim típico dos salões nobres. Com ou sem óculos 3D, também a aparência física não conhece impossíveis, pois o desgosto pelo bem alheio encontra-se corporizado em crianças e idosos, de sul a norte do país, no continente e nas ilhas, gordos e magros, altos e baixos, com ou sem palito na boca. Não são precisos óculos especiais, nem um ouvido apurado, para os identificar à primeira imagem ou conhecer ao primeiro queixume. Lamentavelmente, para todos eles, é quando o rival respira saúde desportiva que mais aparecem e mais se fazem ouvir: barafustam, esbracejam, esperneiam e contorcem-se diante da evidente superioridade contrária. A sua existência só faz sentido à medida dos êxitos e sucessos do glorioso Benfica.

Caros consórcios benfiquistas, até Maio ainda teremos muito que sofrer...