quinta-feira, 18 de março de 2010

[Europa League] Marselha 1-2 SL Benfica

Numa palavra: épico! O regresso das grandes jornadas europeias. A virtude da raça, querer e ambição. Uma noite à Benfica, numa exibição de classe, com consequente apuramento para os quartos-de-final da UEFA Europa League.

No início desta caminhada, ainda pré-fase de grupos, alertei alguns amigos que tínhamos reais aspirações a pensar na final de Hamburgo. Claro que era um desejo prematuro, uma ideia quase tresloucada, mas desde há muito tempo que algo interior me diz que esta época aguarda grandes feitos. Eu acredito. Tal como acreditava que seria possível ultrapassar este difícil obstáculo francês, após o empate 1-1 no jogo da Luz. Agora, até os responsáveis do Marselha já acreditam. Tudo é possível...

O Benfica entrou muito bem no sempre complicado ambiente do Velódrome e, desde cedo, a equipa revelou enorme personalidade ao não se deixar atemorizar, quer pelos adeptos, quer pela qualidade futebolística do adversário. Muita energia na recuperação e suficiente tranquilidade na gestão de posse de bola, foram os traços dominantes. Em largos períodos desta eliminatória, o clube português soube sempre colocar-se mais perto da grande área contrária. Nos segundos 45 minutos, esta realidade foi superiormente visível através do típico 'carrossel mágico' de passe e desmarcação. A certa altura, parecia que era o Benfica que jogava em casa, arriscando tudo em busca da qualificação.

O golo de Niang representou um duro revés, mas foi a actuação do árbitro Damir Skomina que mais me enfureceu. Cheguei a pensar que, para o digníssimo (cof cof) líder da UEFA, o irritante Michel Platini, Lyon e Bordéus nos quartos-de-final da Champions Leaugue não seria suficiente. Não... era perfeitamente perceptível que faltava a 'cereja em cima do bolo'. Infelizmente, para o lado deles, existe um certo rapaz uruguaio que não aprecia 'cerejas', preferindo a pujança revigorante de um chá mate acompanhado de remates de meia-distância. O que dizer da exibição de Maxi Pereira? É certo que o lateral direito encarnado não é um tecnicista, um virtuoso, ou um jogador que venda milhares de camisolas, mas o que podemos opinar quanto à sua atitude, entrega e profissonalismo? É, sem dúvida, um jogador à Benfica. Depois, sim: veio a 'cereja em cima do bolo', mas para as nossas cores. Afortunadamente, Jorge Jesus decide dar uma hipótese a Alan Kardec e, passados poucos minutos, o avançado brasileiro marca o 100.º golo do Benfica em jogos oficiais na época 2009/10. Foi a loucura! Vamos ver o vídeo na Benfica TV?

Posso afirma que, ainda, estou em delírio. Queria muitooooooo despachar estes franceses, sendo que a exibição e o resultado final vêm corroborar o meu legítimo desejo a novos e renovados feitos gloriosos. Eu acredito. O sonho ainda não terminou...

Foto retirado desta thread do SerBenfiquista.

terça-feira, 16 de março de 2010

[Viagem à Madeira] Nacional 0-1 SL Benfica

Não. Com muita pena, mas ainda não consigo escrever a foto-reportagem que, aos poucos, já se vai desenhando na minha cabeça. Durante a semana é difícil encontrar a disponibilidade necessária para elaborar uma crónica tão diferente e exigente, do ponto de vista emocional. O fim-de-semana foi especial: não é todos os dias que temos o prazer de viajar, em voo charter de ida e volta, com os jogadores que tanto admiramos, acompanhando o clube da nossa paixão numa deslocação que ameaçava ser muito complicada. A iniciativa desta maravilhosa aventura partiu da minha mulher que, nas suas palavras, não trocava este programa por nenhum outro. No Funchal, tive sempre a óptima companhia de outros gloriosos benfiquistas, nomeadamente o amigo João Gonçalves e restantes convivas adeptos do 'Funnil'. Aconteceram vários momentos engraçados, num clima de enorme boa disposição. Em resumo, há imensos episódios que merecem ser cuidadosamente relatados e diversas fotografias que fazem todo o sentido serem partilhadas. No total, a colecção apresente cerca de setenta: umas de âmbito mais pessoal e outras de carácter mais geral que ilustram a força desta incrível 'onda' vermelha. Durante o fim-de-semana, com mais tempo, voltarei a este assunto dividido em duas parte: (i) a véspera do jogo (sábado), com viagem de ida às 10h00; e, (ii) o dia da partida (domingo), com viagem de regresso às 22h00. Por agora, para terminar, relembro que o Benfica venceu e conquistou os três pontos. Que mais poderia pedir? Inesquecível.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Vamos apoiar o Benfica ao Funchal no dia 14 de Março?

VAMOS!
É verdade: 'perdi a cabeça' e resolvi mimar-me com uma deslocação à 'mítica' Choupana. A reserva da viagem foi efectuada na quarta-feira, antes da partida com o Marselha, pelo que o apoio no dia 14 de Março será fundamental para que o clube consiga atingir a prioridade n.º 1: o 32.º título nacional.
Há algum tempo que andava a pensar numa 'aventura' deste género mas, por este ou aquele motivo, sempre tinha sido adiada. Desta vez, foi uma decisão quase espontânea e será uma experiência extremamente interessante. Por um lado, nunca estive na Madeira, pelo que será uma boa oportunidade para ficar a conhecer um bocadinho do Funchal. Por outro lado, e mais emocionante do que nunca, o pacote da viagem inclui, para além da estadia de 1 noite e respectivos transfers, deslocação de ida/volta em voo charter com a equipa, sendo uma rara ocasião para privar de perto com alguns protagonistas da equipa de futebol.
A 'aventura' começa amanhã bem cedo, quando o avião partir às 10h00 e termina pós-jogo, com regresso marcado para as 22h00. Sei que vou adorar aquelas musiquinhas típicas da Choupana, mas quero mesmo é os 3 pontos. Depois, quando tiver algum tempo disponível, não me esquecerei de elaborar uma foto-reportagem toda catita. Força Benfica!

domingo, 7 de março de 2010

Olympique Marselha: 11 e 18 de Março de 2010

Depois de uma retrospectiva à meia-final da Taça dos Campeões em 1990, chegou a altura de esmiúçar a equipa francesa no presente.

Plantel

No conjunto dos jogadores, há uns que se destacam dos demais: Gabriel Heinze, defesa central (lesionado durante 3 semanas); Souleymane Diawara, defesa central; Benoit Cheyrou, médio centro; Lucho González, médio centro; Hatem Ben Arfa, médio-ala/extremo; Mamadou Niang, ponta-de-lança. Sem menosprezar os restantes elementos do plantel estes são os jogadores mais experientes ou consagrados, aqueles que acrescentam um toque de qualidade extra ao futebol do Marselha. A espinha-dorsal. Para observarem a equipa, em maior detalhe, é favor clicar no próximo link.

Estatísticas

Os números não explicam tudo. Ainda assim, fornecem informação susceptível de ser analisada e rapidamente assimilada. Sendo certo que podia adicionar uma série de dados, fico-me por aqueles que mostram a capacidade ofensiva da equipa francesa: golos e assistências por minutos:

Jogador - Minutos jogados - Golos - Assistências - Média (minutos)
Mamadou Niang - 1.723 - 14 - 3 - 101.4
Bakari Kone - 749 - 2 - 4 - 124.8
Lucho Gonzalez - 1275 - 4 - 4 - 159.4
Brandao - 1606 - 6 - 2 - 200.8
Benoit Cheyrou - 1946 - 5 - 3 - 243.3
Hatem Ben Arfa - 990 - 1 - 3 - 247.5
Fabrice Abriel - 1534 - 1 - 5 - 255.7
Mathieu Valbuena - 877 - 2 - 0 - 438.5
Souleymane Diawara - 2160 - 3 - 1 - 540.0
Charles Kabore - 656 - 0 - 1 - 656.0

Sistema preferencial

Confesso que não conheço muitas das particularidades inerentes ao modelo de jogo do Marselha. Para começar esta secção, sugiro a leitura de um artigo de Luís Freitas Lobo, intitulado 'tempo dos renascimentos'. O treinador, Didier Deschamps, utiliza o 4x3x3 como sistema preferencial, aliás bem vincado na eliminatória frente ao Copenhaga.

Na Dinamarca, resultado de 1-3, a equipa jogou com o seguinte onze titular: Mandanda (GR), Bonnart (DD), Mbia (DC), Diawara (DC) e Taiwo (DE); Cissé (n.º 6), Cheyrou (ME) e Lucho (MD); na frente, Valbuena (AD), Koné (AE) e Niang (PL). Graficamente, o desenho táctico pode ser visto aqui.

Em França, igualmente desfecho de 3-1, o Marselha mudou algumas 'pedras', sem alterar a estrutura táctica base: Mandanda (GR), Bonnart (DD), Hilton (DC), Diawara (DC) e Taiwo (DE); Cheyrou (n.º 6), Kaboré (ME) e Abriel (MD); no ataque, Koné (AD), Ben Arfa (AE) e Morientes (PL). Comparativamente à 1.ª mão mantiveram-se, apenas, 6 jogadores. Mais uma vez, o esquema táctico pode ser identificado aqui.

Alternativa táctica

Curiosamente, julgo que no próximo dia 11 de Março, data do jogo no Estádio da Luz, a equipa francesa irá posicionar-se num sistema semelhante ao 4x4x2 losango, com a particularidade de poder ser facilmente transformado em 4x3x3. Passo a explicar: em determinadas partidas, consoante o advesário e o grau de dificuldade que apresenta, o treinador molda a equipa num esquema de 4x4x2, onde Lucho é o vértice ofensivo, correndo em tarefas de recuperação e sendo o primeiro a pressionar alto. Não creio que Deschamps venha a Lisboa jogar só com 3 homens no meio-campo, sabendo como as questões de superioridade numérica podem ser decisivas nessa zona do terreno. Basta pensar que, por exemplo, Cissé pode 'cair' em cima de Aimar, enquanto 'El Comandante' pode pressionar a saída de bola feita por Javi García. Em losango, o futebol do Marselha pode 'encaixar' nas peças encarnadas, de forma a manietar a posse e circulação de bola do Benfica. Nesta situação, dar-se-ão imensos duelos individuais e a inspiração e qualidade técnica de cada jogador poderá fazer a diferença. Quanto à particularidade que referi anteriormente, ela prende-se com um nome: Mathieu Valbuena. O médio francês actua preferencialmente numa ala, em 4x3x3, mas também pode ser o homem que tapa o lado direito, enquanto Cheyrou, no flanco esquerdo, fecha terrenos mais interiores. Um pouco à semelhança do que acontece com Di María, que oferece maior profundidade, e Ramires, que presta maior apoio à zona central. Assim, com Ben Arfa, ou Koné, e Niang, junto aos centrais contrários, o francês Valbuena pode ser a chave para alguma maleabilidade táctica entre o 4x3x3 e o 4x4x2 losango.

Antevisão

Face à indisponibilidade física do argentino Heinze (boa notícia para o nosso lado), e pelo que escrevi anteriormente, penso que equipa que subirá ao relvado da Luz não andará muito longe do seguinte: na baliza, o inevitável Mandanda; no quarteto defensivo, Bonnart, à direita, Taiwo, à esquerda, Diawara e Mbia ou Hilton, ao centro; no meio-campo, Cissé será o pivot defensivo, Lucho actuará uns metros à frente, como vértice avançado, Cheyrou apoiará a construção do lado esquerdo e, finalmente, Valbuena será o 'camaleão' táctico, na tal alternância de sistema que referi; por fim, na frente, Koné ou Ben Arfa terão a companhia do goleador Niang.

O Benfica terá que ter atenção redobrada com a velocidade e virtuosismo da dupla da frente, quer seja Koné/Niang ou Ben Arfa/Niang, assim como cautelas acrescidas nos apoios que possam surgir de Valbuena, Lucho e Taiwo, lateral muito ofensivo. Na verdade, o Marselha consegue criar oportunidades de golo com alguma facilidade, graças à multiplicidade de combinações atacantes entre as várias opções ofensivas disponíveis.

Em sentido contrário, o Benfica também poderá aproveitar alguns pontos fracos do adversário, nomeadamente: (i) a fragilidade patenteada por Bonnart nos duelos 1v1; (ii) a inoperância demonstrada por Diawara, quando pressionado na saída de bola; (iii) o espaço que fica nas costas de Taiwo, quando se envolve demasiado nas jogadas ofensivas; e, (iv) a indisponibilidade física de Heinze que enfraquece o sector mais recuado, em termos de experiência e eficácia nos lances de bola parada.

Em suma, creio que o Benfica terá muitas hipóteses de tornar ocasiões de golo em remates com sucesso, aproveitando erros ou deslizes adversários. Contudo, do outro lado, estará uma equipa capaz de provocar embaraços à defesa encarnada, pelo que os 90 minutos vão exigir a máxima concentração e inspiração. Um resultado final de 2-0 já me deixaria muito satisfeito, mas um simples 1-0 também não me travaria a convicção e esperança em seguir para os quartos-de-final.

terça-feira, 2 de março de 2010

Olympique Marselha: 4 e 18 de Abril de 1990

No ano de 1990, o Benfica viveu das suas mais bonitas jornadas europeias: a mão que fez explodir a Luz e arrasou corações franceses. Já lá vão quase 20 anos e ninguém se esquece daquele momento. O angolano Vata, que havia entrado aos 53 minutos para o lugar do brasileiro Lima, fez com a mão o golo que colocou o Benfica na sétima e última final da principal prova da UEFA.
Cerca de duas semanas antes, no dia 4 de Abril, o Benfica tinha visitado o Velódrome sofrendo um dos maiores 'sufocos' futebolísticos da história, mas a noite mágica que todos recordam com saudade teve lugar a 18 de Abril desse ano. O 'Inferno da Luz' gritou tão alto que os Deuses ouviram a esperança pintada em tons de vermelho. Escreveu-se história. Viveu-se... Benfica!

Marselha 2-1 SL Benfica
Estádio Velódrome, 4 de Abril de 1990


SL Benfica, em 4x4x2: Silvino, José Carlos, Aldair, Ricardo Gomes, Veloso, Hernâni, Vítor Paneira, Jonas Thern, Lima, Valdo e Magnusson.

Momentos do jogo:

10 min – golo (Lima)
12 min – golo (Sauzée)
44 min – golo (Papin)
61 min – substituição: entrou Pacheco, para o lugar de Lima
70 min – substituição: entrou Diamantino, para o lugar de Hernâni

Comentário:

Foi em 1990 que recebi, dos meus pais, uma das prendas de Natal que jamais esquecerei: o cartão de sócio do Sport Lisboa e Benfica. Tinha 15 anos. Já passaram uns anos valentes, mas esta partida ficou-me na memória até hoje. Não é que recorde todas as incidências da partida, mas há dois apontamentos impossíveis de esquecer: (i) o golo do brasileiro Lima, avançado de penteado sui generis; e, (ii) o autêntico massacre sofrido nos segundos 45 minutos do jogo. Sim... massacre, sufoco, avalanche de futebol ofensivo da equipa francesa, onde pontificavam nome como o inglês Chris Waddle, o uruguaio Enzo Francescoli e o francês Jean-Pierre Papin. Estes eram os mais temíveis, mas haviam outros nomes de respeito: o lateral direito Amoros, o lateral esquerdo Di Meco, o central Mozer - que tinha saído do Benfica no ano anterior - e os médios Philippe Vercruysse, Franck Sauzée, entre outros. Mas, o trio da frente é que nos fazia olhar para a televisão em desespero: na altura, apanhar pela frente os extremos Waddle e Francescoli era como, nos dias de hoje, defrontar uma equipa com Messi e Cristiano Ronaldo. A questão que se coloca é: como foi possível SÓ termos perdido por 2-1? Podiam ter sido quatro. Podiam ter sido cinco. Perdoem-me a analogia, mas podia ter sido Vigo. Vai um resumo da 1.ª mão disputada em Marselha? Então, deliciem-se com o vídeo.

SL Benfica 1-0 Marselha
Estádio da Luz, 18 de Abril de 1990


SL Benfica, em 4x4x2: Silvino, José Carlos, Aldair, Samuel, Veloso, Hernâni, Vítor Paneira, Jonas Thern, Lima, Valdo e Magnusson.

Momentos do jogo:

52 min – substituição: entrou Pacheco, para o lugar de Jonas Thern
52 min – substituição: entrou Vata, para o lugar de Lima
83 min – golo (Vata)

Comentário:

Como escrevi, na altura apenas contava com 15 anos (só em 1992, quando tinha 17 anos, é que comecei a frequentar mais assiduamente as bancadas da antiga Luz, curiosamente quando nasceu um conhecido grupo de sócios benfiquistas) pelo que, infelizmente, não marquei presença naquela fantástica noite europeia. Resumindo: não tinha a companhia de um irmão mais velho, o meu pai é adepto da Briosa e o meu grupo de amigos ainda não estava totalmente formado. Uma pena. Também já não me recordo se vi o jogo na televisão ou se segui as incidências da partida na rádio. Sim, porque antigamente não existia Benfica TV, Sport TV, internet, streams e demais derivados. Os jogos na televisão escasseavam e era através da rádio que sofríamos intensamente. Naquela noite, foram 83 minutos de sofrimento à espera do milagre que acabou por aparecer. Inesquecível. Mesmo não tendo vivido o vulcão encarnado in loco, fui contemporâneo de um episódio emocionante da história do clube. Em 18 de Abril de 1990 não foi possível marcar presença no inferno da Luz mas, passados perto de 20 anos, no próximo dia 11 de Março de 2010, direi presente. Chega de conversa: vamos relembrar a célebre mão de Vata?

Fonte: O bilhete relativo ao jogo decisivo foi descoberto através de um motor de pesquisa conhecido que dispensa apresentações. Os resumos das partidas, com os momentos mais importantes, foram encontrados via o magnífico blogue Memória Gloriosa. Termino com um desafio: a todos os leitores que presenciaram o êxtase vivido ao minuto 83, no velhinho Estádio da Luz, queiram partilhar a experiência de momento tão especial.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Parabéns Sport Lisboa e Benfica

O Sport Lisboa e Benfica comemora este domingo, dia 28 de Fevereiro, o seu 106.º aniversário. Os benfiquistas têm motivos para celebrar de forma dupla, já que a equipa de futebol somou no sábado mais uma vitória na Liga, mantendo o primeiro lugar da classificação.

Origens

A 31 de Julho de 1903 foi formada a "Associação do Bem", para congregar ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa. A 28 de Fevereiro de 1904, após uma sessão de treinos, a Associação do Bem reuniu-se, liderada por Cosme Damião, e assim se fundou o Sport Lisboa.
Em 1906, com a fundação do Sporting Clube de Portugal, alguns jogadores de valor deixaram o Sport Lisboa e a crise instalou-se, chegando a haver quem pensasse que o clube tinha chegado ao fim, mas Cosme Damião e Félix Bermudes, investindo dinheiro do seu bolso, evitaram a sua queda.
O Sport Lisboa e Benfica foi criado apenas no dia 13 de Agosto de 1908, com a união entre o Sport Lisboa e o Grupo Sport Benfica. Foi uma boa solução para o tempo difícil que atravessavam os dois clubes.

Uma aproximação à mística

Idolatrar o clube não foi estratégia de alguém. Foi algo espontâneo que aconteceu em 1907, quando o invencível Carcavelos Club ganhava tudo o que havia para ganhar.
Ver os ingleses ganhar continuamente provocou-lhe um enorme apetite pelas vitórias e quando chegou o dia do jogo, o Sport Lisboa ganhou-lhes por 2-1. Em quase uma década, os ingleses sofreram a primeira derrota contra uma equipa formada exclusivamente por portugueses.
Nos próximos três anos, os ingleses do Carcavelos Club voltaram a não perder nenhum dos jogos efectuados, enquanto o Sport Lisboa enfrentava a sua primeira grande crise, com a perda de oito jogadores desafiados a jogar no recém-fundado Sporting Clube de Portugal e no Brasil.
Em 1910, o Sport Lisboa e Benfica, ressuscitado das cinzas e com a nova equipa resultante da união com o Sport Benfica, não resiste à tentação de defrontar de novo os poderosos ingleses do Carcavelos Club. O Benfica voltou a ganhar por 1-0, na presença de 8.000 pessoas que assistiram ao jogo. Porque o Carcavelos não perdia com mais nenhuma equipa, este sucesso valeu-lhe o título de "Glorioso", que jamais deixou cair.

Simbologia

Depois da união dos dois clubes, a designação de Sport Lisboa e Benfica foi adoptada e o emblema manteve a mesma estrutura, tendo a águia de asas abertas na posição de levantar voo, segurando com as garras uma faixa ondulada com as cores nacionais, sobre a qual se exibe o lema "E Pluribus Unum". Sobre a roda raida está o escudo com as cores vermelha e branca, tendo a bola ao centro, sobre a qual, disposta em dagonal, se inclui a faixa azul com as iniciais S.L.B. de Sport Lisboa e Benfica. A forte carga simbólica de cada elemento que compõe o emblema fornece-nos também uma valiosa contribuição para explicar a mística tão forte existente no clube. Nenhum elemento está no seu lugar por acaso.

O elemento central: a águia

A águia, na posição de lançamento de voo sobre o escudo, foi escolhida por se tratar de uma ave altaneira, plena de autoridade, força, vitória e orgulho, símbolo de elevação de propósitos e de espírito de iniciativa.

O fundo do emblema: a roda raiada

Directamente, a roda corresponde à presença do Grupo Sport Lisboa, que estava então mais vocacionado para o ciclismo e atletismo.

O vermelho: no escudo, no equipamento e no hino

O vermelho é o símbolo fundamental do princípio da vida, com a sua força, o seu poder e o seu brilho, a imagem do sangue e da vivificação.
Encarnando o arrebatamento e o ardor da juventude, o vermelho é também, e por excelência, nas tradições irlandesas, a cor guerreira. Vermelhos são os campos de batalha, pelo sangue derramado.
No tempo em que o SLB foi fundado, o vermelho foi a cor escolhida para simbolizar a luta de classes operárias ao reivindicarem os seus direitos, imagem da força e da coragem, assim como do sangue derramado pelos trabalhadores.

O branco

O branco é a cor da pureza, ou inocência, muito relacionada com a infância. É branca a bandeira levantada para a rendição do guerreiro, como brancas são as pombas que simbolizam a paz.
Provavelmente, o branco do emblema, como cor neutra do Benfica ao lado do vermelho, poderá significar o desportivismo, o tudo em aberto, quando no princípio do jogo se admite que tudo possa acontecer - o tudo ou o nada; perder ou ganhar.

A faixa com as iniciais S.L.B.

Sendo que o azul é a cor do céu, num plano superior e separado pela bola, está um SLB, que se eleva constantemente, numa dimensão onde o Divino é invocado nas preces de atletas e dirigentes, não importando para o efeito, qual a sua matriz ou vínculo religioso.

O lema: E Pluribus Unum

O lema inscrito na faixa vermelha e verde, as cores nacionais, suspensa nas garras da águia, colocada sobre todos os outros elementos, foi idealizado por Félix Bermudes e representa a forte ideia de continuar a união e o espírito de família que caracterizou a criação do clube e permanece tão viva como no primeiro dia.
O critério republicano, que serviu de base para a escolha do vermelho, fundava-se na circunstância de ser uma cor combativa, viril por excelência - a cor da conquista e do riso, cor cantante, ardente, alegre, que lembra o sangue e incita à vitória. O verde foi escolhido por ser a cor da esperança e por estar ligado à revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891.
Há quem defenda a ideia de que o verde representava as florestas de Portugal e que o vermelho representava o sangue dos que tinham morrido pela independência da Nação.

Fonte: Todos os excertos de textos foram retirados do livro "O Benfica como Religião", anteriormente aqui citado como sugestão (obrigatória) de leitura. Mais do que transcrever partes importantes desta obra, acção rara neste espaço que faço questão de manter, foi minha intenção felicitar o Sport Lisboa e Benfica e homenagear o excelente trabalho de investigação do autor, José Jacinto Pereira, capaz de nos conduzir através da ideia de mística, mas também dos mais fortes símbolos da instituição.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

[Europa League] SL Benfica 4-0 Hertha Berlim

Tal como a equipa do Benfica, estou fresco que nem uma alface. Portanto, vale a pena colocar as seguintes questões: fadiga física, quebra de forma, vulgo.. cansaço? What? De vitórias e goleadas? O jogo frente aos alemães provou o contrário: nem sempre é possível aliar o resultado à exibição, mas desta vez os jogadores tiveram nota artística elevada. Mais uma etapa cumprida, numa missão chamada Hamburgo.

Por falar em marcar muitos golos na baliza da equipa adversária, esta foi a 11.ª goleada contando, unicamente, com jogos oficiais. Considerando o limiar numérico nos 4 golos, vejamos:

Taça de Portugal
Monsanto 0-6 SL Benfica (3.ª eliminatória)

Taça da Liga
Sporting CP 1-4 SL Benfica (1/2 finais)

Liga Europa
SL Benfica 4-0 Vorskla Poltava (play-offs)
SL Benfica 5-0 Everton (grupo I)
SL Benfica 4-0 Hertha Berlim (1/16 final)

Liga Sagres
SL Benfica 8-1 Vitória de Setúbal (3.ª jornada)
Belenenses 0-4 SL Benfica (4.ª jornada)
SL Benfica 5-0 Leixões (6.ª jornada)
SL Benfica 6-1 Nacional (8.ª jornada)
SL Benfica 4-0 Académica (12.ª jornada)
Marítimo 0-5 SL Benfica (16.ª jornada)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Benfica como Religião

Sugestão de leitura: O Benfica como Religião, de José Jacinto Pereira. Oferta do meu primo, comecei a 'devorar' o livro no passado dia 15 deste mês e supera as expectativas. O trabalho de investigação do autor toca uma vertente muito interessante - a mística - para além de elucidar o leitor sobre as origens do clube, seus principais fundamentos e protagonistas históricos. Por exemplo: o nome Félix Bermudes diz-vos alguma coisa? Conhecem o significado profundo de cada elemento que faz parte do emblema? Tudo isso, e muito mais, encontra-se retratado neste livro de excelente qualidade e utilidade. Aconselho...

A mística, a adesão plena e inconsciente, o sentimento de identidade que se gera na alma, a paixão… Enfim, o título diz tudo: O Benfica como Religião!

Rui Costa, o Maestro, não hesita ao dizer que se pratica no Benfica uma forma de culto religioso.

Neste livro, a pesquisa realizada pelo autor mostra-nos que muitas das opções que marcam a vida dos adeptos do Sport Lisboa e Benfica no vocabulário, nos símbolos, nas atitudes e na postura, são, de forma indelével, opções de cariz religioso. Pela mão do autor e através da ideia de mística somos levados a perceber por que razão o Benfica deixou de ser um simples clube: é um culto para milhões de pessoas em todo o mundo!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

11 minutos de mística

Ontem, dia 11 de Fevereiro, por volta das 19h30, na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, teve lugar a apresentação de um documentário fabuloso. Por Silva Brandão, "BENFICA É CAMPEÃO dá a ver os preparativos, treinos, preparação física, dieta dos jogadores, num interessante flashback ao mundo do futebol dos anos 1960. O filme regista ainda o jogo entre o Benfica e o Leixões, realizado no Norte, até onde o Benfica viajou de barco e que venceu por um golo marcado por José Augusto, bem como o último desafio desse campeonato, entre o Benfica e o Belenenses, no estádio da Luz".

Como não poderia deixar de ser, o João Gonçalves, do blogue Red Pass, assistiu ao documentário e transmitiu, na perfeição, a emoção por ele vivida durante breves minutos. Como diz o título, 11 minutos de mística. De vários benfiquistas que conheço, este nosso colega de blogosfera é uma das pessoas que mais sente o clube - de forma autêntica, genuína e verdadeira. Com a certeza de que um espólio deste género deve ter lugar de relevo no futuro museu do clube, não deixem de ler o seu delicioso texto. Tal como deliciosa é a história do nosso glorioso clube.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

[Taça da Liga] Sporting CP 1-4 SL Benfica

Só agora tive oportunidade para escrever umas linhas. Desfecho: poker na casa do rival. Porque é que não fiquei admirado? O 'fosso' qualitativo é tão notório, entre as equipas lisboetas, que Jorge Jesus deu-se ao luxo de prescindir de cinco jogadores habitualmente titulares: Quim, Maxi Pereira, Aimar, Saviola e Cardozo deram lugar a Júlio César, Ruben Amorim, Carlos Martins, Éder Luís e Kardec, respectivamente. Ainda assim, como provam os resultados desta época, o nível futebolístico atinge patamares muito distintos e a diferença no resultado não foi mais acentuada porque o Benfica nem sequer fez uma exibição de elevada intensidade competitiva.

Realmente, a superioridade encarnada foi tão esclarecedora que, aliada à menor disponibilidade por estes dias, chegam-me a faltar palavras para tecer elaboradas considerações. Deste modo, faço minhas as palavras do João Gonçalves, do blogue Red Pass, pelo que abstenho-me de justificar o injustificável. O resultado fala por sim. De qualquer modo, espaço para dois breves apontamentos.

Em relação ao Sporting, desconheço qual o 'suporte à dor' dos adeptos e simpatizantes leoninos para que seja efectivada uma revolução sob o signo do Leão. Apesar de ter uma ideia geral sobre o tema desportivo, claro que não me compete meter a 'foice em seara alheia' mas, através de conversas com amigos sportinguistas, existe a firme convicção de que algo terá de ser reformulado em matéria desportiva: (i) reestruturar a direcção da SAD?; (ii) descobrir um novo 'homem forte' para director do futebol?; (iii) pensar num treinador moderno (Villas-Boas) para o curto-prazo ou para a época 2010/11?; e, (iv) delinear o plano financeiro para o tão necessário reforço qualitativo do plantel. Os fracassos sucedem-se a um ritmo que chega a roçar o rídiculo. Comentários são bem-vindos.

Quanto à equipa do Benfica, reforço o que escrevi anteriormente: mesmo vencendo por números expressivos, desperdiçou uma bela oportunidade para escrever história. No meu entender, a exibição ficou aquém de outras noites, na medida em que houve imensos passes falhados, inúmeras perdidas de bola infantis e algum défice de agressividade na disputa de lances individuais. Chamem-lhe preciosismo ou excesso de exigência, mas abateu-se uma ligeira pontinha de frustração e ficou uma leve sensação de que o resultado podia ter sido mais desnivelado. Porém, não me interpretem mal: fiquei extremamente satisfeito com a vitória e o golo obtido por Cardozo deixou-me em delírio. Um poker em casa do adversário, ainda por cima sem meia-equipa titular, é sempre um momento bonito de ser vivido. E recordado. Porque também devemos enaltecer quando é merecido, as minhas felicitações ao treinador Jorge Jesus - pelas opções tomadas - e aos jogadores, por mais uma alegria que proporcionaram a milhões de benfiquistas.

Para terminar em beleza, aqui ficam uns vídeos simpáticos para memória futura. Recostem-se na cadeira e liguem o subwoofer...