A silly-season entra no seu período auréo, com a imprensa desportiva a especular sobre a habitual dança de entradas e saídas de jogadores. É sobre este tema que me irei centrar nas próximas linhas: a construção do plantel encarnado para 2011/12. Este exercício teórico não reflecte a minha opinião pessoal, antes pretende aproximar-se de um cenário realista. Obviamente, as incertezas são mais que muitas. Até mais novidades, digam de vossa justiça.

Guarda-Redes
À partida, as decisões estão tomadas: Artur será o novo dono da baliza encarnada, Roberto irá para Espanha (empréstimo como opção mais viável), Júlio César terá oportunidade de evoluir num clube da 1.ª liga, Moreira mantém-se e a dúvida prende-se com a hipótese Renan (goleiro brasileiro) ou o regresso do wonderkid Oblak.
Defesa
Na lateral direita problema resolvido, pois Maxi Pereira terá, finalmente, um backup à altura: Daniel Wass, vindo do Brondby. Na esquerda, com a prevísivel saída de Fábio Coentrão para o Real Madrid, os responsáveis encarnados precisam (urgentemente) de escolher um titular que dê garantias. O argentino Ansaldi, do Rubin Kazan poderia ser a solução. No centro, maiores indefinições. Se Luisão não oferece discussão, já Sidnei, mediante uma proposta monetária vantajosa, poderia rumar a outras paragens. Jardel é um substituto de qualidade. Roderick poderá ganhar maturidade noutro emblema da primeira liga, abrindo possibilidade ao regresso de Miguel Vítor. Por fim, envolvido na operação Fábio Coentrão, o também argentino Ezequiel Garay seria, porventura, o parceiro ideal para o capitão Luisão.
Meio-Campo
No vértice mais recuado, o espanhol Javi García deve-se manter como líder da zona intemediária mais defensiva. Por sua vez, aposto no empréstimo de Airton e na gradual afirmação do ex-academista Nuno Coelho. Em relação ao trio da frente, notórias incertezas. Em princípio, Pablo Aimar (com muita pena minha) irá pisar outros relvados. Quanto ao seu compatriota, Toto Salvio, não é expectável que o Benfica gaste mihões na sua aquisição, a menos que o guarda-redes Roberto seja incluído no negócio. Deste modo, Nolito, Nico Gaitán, Urreta (regresso) e Miguel Rosa (emprestado ao Belenenses) poderiam ser os médios ala encarregues de dar largura, e profundidade, aos corredores encarnados. Numa posição mais interior, Amorim, à direita, e Matic, à esquerda, são jogadores com características tácticas muito úteis ao serviço das transições. Também os portugueses Carlos Martins e David Simão (emprestado ao Paços de Ferreira) podem assumir tarefas, mais ou menos, interiores na organização e transporte de bola. Para terminar, será esperado que Gaitán assuma a batuta de n.º 10, com o brasileiro Bruno César a espreitar uma oportunidade.
Ataque
No último terço de terreno, imensas decisões a terem que ser alvo de análise cuidada. Mantorras vê a sua carreira terminar. Em relação a Nuno Gomes, persiste a incerteza quanto à sua continuidade. Já os brasileiros Weldon, e Kardec, irão envergar outras cores, este último por empréstimo (preferencialmente a uma equipa do primeiro escalão). Já sobre Cardozo, é natural que, mais cedo ou mais tarde, Vieira aceite a proposta do Dínamo de Kiev (entre 15-20 milhões de euros). Sendo assim, e assumindo que Saviola também terá o mesmo destino que o seu amigo Aimar, apenas sobra Jara da época anterior. Portanto, o retorno financeiro proveniente do paraguaio Tacuara, poderia servir para um investimento num ponta-de-lança consagrado. Lisandro? É uma hipótese entre tantas outras (Leandro Damião?). Depois, sobram Mora (uma incógnita) e Nélson Oliveira (no meu entender, ainda não preparado para ser opção válida no plantel encarnado). Em conclusão: uma frente ofensiva manifestamente modesta, a necessitar de alternativas assentes numa prospecção mais cuidadosa.