Lista de convocados para o Euro’2008
Guarda-redes
Ricardo (Betis)
Quim (Benfica)
Rui Patrício (Sporting)
Defesas
Bosingwa (FC Porto/Chelsea)
Paulo Ferreira (Chelsea)
Miguel (Valencia)
Ricardo Carvalho (Chelsea)
Pepe (Real Madrid)
Bruno Alves (FC Porto)
Fernando Meira (Estugarda)
Jorge Ribeiro (Boavista/Benfica)
Médios
Deco (Barcelona)
Petit (Benfica)
Raul Meireles (FC Porto)
Miguel Veloso (Sporting)
João Moutinho (Sporting)
Avançados
Nuno Gomes (Benfica)
Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Simão (Atlético Madrid)
Nani (Manchester United)
Hélder Postiga (Panathinaikos)
Hugo Almeida (Werder Bremen)
Quaresma (FC Porto)
Os maiores destaques vão para as ausências de Maniche, Makukula e Caneira e para as chamadas de Rui Patrício e Jorge Ribeiro. Salvo questão de um ou outro nome, a lista de convocados não oferece grandes supresas. Sabe-se como o selecionador nem sempre privilegia o conceito de desempenho desportivo, assente em predicados de forma física (táctica) e de rendimento efectivo. Os critérios de Luiz Felipe Scolari apontam para uma ideia de grupo, em que a performance individual fica subjacente ao espírito de união e de identificação com os desígnios colectivos. Os critérios de escolha são passíveis de serem questionados mas, até ao momento, os resultados do passado têm-lhe dado razão. Deste modo, e porque tornar-se-ia fastidioso discutir motivos individuais, ligados a cada convocatória, prefiro responder através da evidência do quadro que se segue:
Em primeiro lugar, os números provam que as ausências de Maniche, Makukula e Caneira só podem ter origem em questões de ordem técnica. Não creio que Luiz Felipe Scolari tenha prescindido dos atletas pelo simples facto de terem realizado uma época aquém das expectativas. Se assim fosse, que diríamos acerca da confiança depositada em jogadores como Miguel, Petit, Deco, Nuno Gomes e Hélder Postiga, que tiveram desempenhos discretos ao longo da temporada?
Em segundo lugar, os minutos de utilização provam uma elevada heterogeneidade entre os vinte e três seleccionáveis. Por outras palavras, para além do natural trabalho de índole táctico, o estágio vai exigir redobrada atenção na harmonização de aspectos como a condição física e o ritmo de jogo. Enquanto para alguns atletas a época 2008/09 foi desgastante a todos os níveis -físico e, também, mental - para muitos outros, esta foi marcada por lesões, mais ou menos demoradas, ou pela perda da condição de titular no respectivo clube. No primeiro lote incluem-se jogadores como Bruno Alves, Miguel Veloso, João Moutinho, Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma (acima dos 3.000 minutos de utilização, exceptuando o guarda-redes Quim). No segundo grupo, podem-se incluir os nomes de Paulo Ferreira, Pepe e Simão, com prestações mais irregulares, para além daqueles que referi como tendo uma temporada abaixo do que seria de esperar.
Por sua vez, coloco um exercício sempre interessante e polémico: tentar "adivinhar" qual será o onze escolhido por Luiz Felipe Scolari.
Tendo em conta que o 4x2x3x1 continuará a ser a plataforma táctica utilizada e sabendo que o seleccionador já alertou para uma menor experiência deste conjunto de jogadores, acredito que na partida inaugural, frente à Turquia, o onze titular não andará longe de: Ricardo, Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira; Petit, Raul Meireles e Deco; Simão, Cristiano Ronaldo e Nuno Gomes.
Finalmente, apresento alguns cenários para reflexão e discussão.
Sabendo que Pepe e Ricardo Carvalho actuam na posição de central direito, e prevendo que sejam os escolhidos para o eixo defensivo, qual deles deverá jogar como destro? Como se perspectiva a colocação de Bosingwa à direita, e Paulo Ferreira à esquerda, tentaria aproveitar vantagens posicionais através das conhecidas "sociedades": Bosingwa e Pepe (FC Porto 2006/07); Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira (Chelsea).
No caso de Petit e Deco apresentarem uma menor rotação no ritmo de intensidade competitiva, a dupla leonina composta por Miguel Veloso e João Moutinho terá de estar preparada para suprir essa eventual indisponibilidade física. Contudo, não é de descartar uma provável nuance estratégica, anteriormente testada: a colocação de Fernando Meira como pivot defensivo de um sistema desenhado em 4x3x3.
Sendo Cristiano Ronaldo intocável, é de prever que, ao longo da competição e dependendo de factores exibicionais ou circunstâncias especiais, os lugares de Simão e Nuno Gomes sejam ocupados, respectivamente, por Nani, Ricardo Quaresma e Hugo Almeida.
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