sábado, 15 de março de 2008

#1 Ao Raio-X: Vitória de Guimarães

Renascimento da cidade berço


Direcção estável. Equipa técnica competente. Plantel formado por jogadores de qualidade. Massa associativa fiel e apaixonada. Uma cidade que ama, incondicionalmente, o seu clube.


História de prestígio

Na cidade que viu nascer Portugal, o Estádio D. Afonso Henriques liga as memórias da história com o orgulho do presente. Reduto de vimaranenses, afonsinos ou conquistadores, palco do Vitória Sport Clube, também conhecido como Vitória de Guimarães, ali mora o monumento de um futuro que se espera brilhante.
Determinado em prosseguir essa história e acrescentar-lhe novos capítulos de sucesso, o Vitória Sport Clube procura hoje um projecto de renovada ambição, tendo como principal suporte a fidelidade e apoio dos seus muitos associados e adeptos. Conseguirá a cidade de Guimarães voltar a fazer história?

O conquistador do séc. XXI

Para escrever o currículo desportivo de Manuel Cajuda seriam precisas páginas e páginas de papel A4. São 25 anos de carreira e 430 jogos na divisão principal do futebol português, feito que engrandece o percurso de um homem que ousa disputar os lugares de inspiração olímpica.
Por trás de uma máscara exibicionista, esconde-se um treinador competente capaz de aliar teorias do futebol moderno a uma vivência prática de muitos anos. De postura algo polémica e discurso desafiante, o seu modelo de jogo assenta num 4x2x3x1, mas em determinadas circunstâncias existe a sabedoria táctica para procurar esquemas alternativos.
Depois de uma passagem elogiada em Braga, rival minhoto do V. Guimarães, o desafio actual será elevar a fasquia de um clube que deseja intrometer-se na zona das medalhas. A tarefa não se afigura fácil, mas a esperança vive no espírito de conquista de Manuel Cajuda, como se levasse nas mãos a espada do rei fundador.

Artistas do futebol espectáculo

Se o Estádio D. Afonso Henriques fosse uma sala de cinema, o relvado representaria um ecrã panorâmico 16x9 e aos jogadores estaria destinado o protagonismo de um belo filme de futebol.
Aliás, mais importante do que a táctica, vista de forma estática, merece destaque a qualidade técnica de algumas individualidades. Manuel Cajuda soube conciliar a ordem com a mobilidade e improviso dos maiores talentos, respeitando a imagem de um clube habituado à prática de bom futebol.
Como seria de esperar, o "sucesso de bilheteira" tem mais hipóteses de ser atingido quando na presença de óptimos executantes. No sector mais recuado, Geromel distingue-se pela forma como pisa o tapete verde e passeia a sua classe com a bola nos pés. Adivinha-se uma carreira promissora.
Na zona intermediária, graças à liderança de Flávio Meireles, outros talentos encontram espaço para soltar o seu futebol: João Alves, Desmarets e Fajardo, jogador dinâmico e talhado para desequilibrar em qualquer metro quadrado de terreno.
No ataque, o melhor marcador dá pelo nome de Miljan Mrdakovic. Em seu auxílio, referência positiva para Alan e menção honrosa para o argelino Ghilas, vindo do Cannes, uma das supresas da bwin Liga.

O pentágono reforçado por dois quadrados

Quando Manuel Cajuda afirma que o V. Guimarães não tem modelo de jogo, poder-se-ia pensar que o menor enfoque nas questões tácticas revela algum tipo de desconhecimento ou preconceito. Todo o contrário. O diagnóstico desse discurso humorístico aponta para uma forma irónica de gerir "mind games", como se houvesse um especial prazer em provocar momentos de ilusão.
A verdade é que o treinador algarvio aprecia jogos de estratégia e manuseia habilmente diversos conceitos de geometria. A sua forma de jogar assenta, preferencialmente, no 4x2x3x1 como esquema habitual:

A disposição dos jogadores segue predicados posicionais, obedecendo a uma ideia de esqueleto central como forma de garantir equilíbrio entre os vários sectores. Porém, na prática, são as diferentes dinâmicas individuais e colectivas que dão colorido e movimento ao modelo.
No V. Guimarães, é normalmente o trio da zona de construção que oferece essa imprevisibilidade. A imagem seguinte representa o exemplo dessa metamorfose:

Precisamente uma das razões do sucesso deste V. Guimarães prende-se com a facilidade dos jogadores dominarem grande parte dos princípios de jogo associados ao sistema principal, abrindo a possibilidade da equipa aceitar "nuances" estratégicas ou enraizar novas variantes tácticas.
O esquema seguinte ilustra um claro exemplo dessa maleabilidade táctica, pois a polivalência e versatilidade dos centrocampistas permite construir a figura geométrica do losango:

Consolidação como 4.º grande

Para além dos normais candidatos ao título, apenas Belenenses, em 1945/46 e Boavista, na época 2000/01, conseguiram alcançar o troféu mais apetecido. Juntamente com Académica, Sp. Braga e V. Setúbal, por exemplo, o V. Guimarães faz parte daqueles clubes que entusiasmaram gerações de adeptos e marcaram um período de maior fulgor na história.
Na presente temporada, o Vitória Sport Clube tem dado passos certos no caminho da visibilidade, mas as derrotas recentes na bwin Liga, frente a Benfica e Nacional, vieram quebrar o sonho da champions league. Para suplantar o degrau da maturidade, falta controlar melhor a ansiedade e saber lidar com a pressão. Só assim será possível transformar o sonho de crescimento em realidade.

4 comentários:

Vimaranes disse...

Já tinha tido oportunidade de ler na revista. É de facto uma análise justa (modéstia à parte) e que naturalmente soube muito bem ler. Os meus parabéns.

www.Vitoria1922.com disse...

Muito boa analise ;)

parabens :D

www.Vitoria1922.com disse...

de nada, o Blog tem analises muitos boas :D

ps: o blog onde comentou encontra-se fora de actualização, passa-mos para o site www.vitoria1922.com

obrigado desde ja

Miguel disse...

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