sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

[Uefa Cup Grupo B] SL Benfica 0-1 Metalist

Em cada português, há um treinador de bancada. Se multiplicarmos pelo número normalmente atribuído aos adeptos e simpatizantes do Benfica, teremos cerca de seis milhões de visões sobre o universo encarnado. Em variadíssimas ocasiões, quando debato o tema com algum amigo, é raro chegarmos a alguma conclusão. Na maior parte das vezes, parece que estamos a conversar sobre clubes diferentes, pois tudo é pretexto para dividir opiniões: presidente, treinador, jogadores, adeptos, entre muitos outros aspectos. As possibilidades são (quase) infinitas, incluindo mais variáveis do que este board game com que ando entretido. Só quando a palavra Benfica surge à baila é que damos conta daquilo que nos liga: a paixão pelo mesmo emblema.

Mais difícil do que encontrar uma alma gémea, é encontrar um benfiquista com uma linha de pensamento idêntica. Não é de espantar. Sigam o raciocínio. Há aqueles que presenciaram a época gloriosa, quando o Benfica venceu duas taças dos clubes campeões europeus e há os outros que nunca viram o clube ganhar um troféu europeu. Há os benfiquistas que não perdem um jogo no Estádio da Luz, os que não perdem um jogo pela televisão e os restantes que só sabem o resultado da partida no dia seguinte de manhã. Existem os sócios e os meros adeptos simpatizantes. Não fica por aqui. Há quem reconheça o trabalho desenvolvido por Luís Filipe Vieira, enquanto outras vozes mantêm o tom crítico. Há quem aponte enorme competência a Quique Flores e quem seja mais modesto nos elogios. Há quem aprecie o jogador “x” e quem admire mais o atleta “y”. Há quem acredite no 4x4x2 clássico e quem julgue ser um disparate continuar a apostar nesse desenho táctico. Estamos quase a terminar. Há, ainda, aqueles que projectam a memória do passado para elevar os níveis de exigência e, em sentido inverso, outros são mais moderados e pacientes. Há quem diga que o Benfica deve apostar mais na formação e quem afirme que tal não é estritamente necessário para alcançar o êxito. Há quem fique chocado com o facto do actual plantel contar com poucos portugueses e quem aceite tal realidade como uma inevitabilidade da globalização. Quando as vitórias são constantes, é muito saboroso observar a 'onda vermelha' agigantar-se. Agora, quando os resultados apontam para um cenário de desilusão...a confusão instala-se.

Qual a moral da estória? Basicamente, nenhuma. Estas palavras servem o único pretexto de nos fazer reflectir. De uma coisa tenho a certeza: no meu entender, a chave do sucesso passa, necessariamente, por perceber a identidade do clube, estudar a sua história e captar a verdadeira mística que o envolve. Será o melhor caminho para atingir o que realmente nos une: a descoberta de um Benfica glorioso.

Sem comentários: