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quinta-feira, 18 de março de 2010

[Europa League] Marselha 1-2 SL Benfica

Numa palavra: épico! O regresso das grandes jornadas europeias. A virtude da raça, querer e ambição. Uma noite à Benfica, numa exibição de classe, com consequente apuramento para os quartos-de-final da UEFA Europa League.

No início desta caminhada, ainda pré-fase de grupos, alertei alguns amigos que tínhamos reais aspirações a pensar na final de Hamburgo. Claro que era um desejo prematuro, uma ideia quase tresloucada, mas desde há muito tempo que algo interior me diz que esta época aguarda grandes feitos. Eu acredito. Tal como acreditava que seria possível ultrapassar este difícil obstáculo francês, após o empate 1-1 no jogo da Luz. Agora, até os responsáveis do Marselha já acreditam. Tudo é possível...

O Benfica entrou muito bem no sempre complicado ambiente do Velódrome e, desde cedo, a equipa revelou enorme personalidade ao não se deixar atemorizar, quer pelos adeptos, quer pela qualidade futebolística do adversário. Muita energia na recuperação e suficiente tranquilidade na gestão de posse de bola, foram os traços dominantes. Em largos períodos desta eliminatória, o clube português soube sempre colocar-se mais perto da grande área contrária. Nos segundos 45 minutos, esta realidade foi superiormente visível através do típico 'carrossel mágico' de passe e desmarcação. A certa altura, parecia que era o Benfica que jogava em casa, arriscando tudo em busca da qualificação.

O golo de Niang representou um duro revés, mas foi a actuação do árbitro Damir Skomina que mais me enfureceu. Cheguei a pensar que, para o digníssimo (cof cof) líder da UEFA, o irritante Michel Platini, Lyon e Bordéus nos quartos-de-final da Champions Leaugue não seria suficiente. Não... era perfeitamente perceptível que faltava a 'cereja em cima do bolo'. Infelizmente, para o lado deles, existe um certo rapaz uruguaio que não aprecia 'cerejas', preferindo a pujança revigorante de um chá mate acompanhado de remates de meia-distância. O que dizer da exibição de Maxi Pereira? É certo que o lateral direito encarnado não é um tecnicista, um virtuoso, ou um jogador que venda milhares de camisolas, mas o que podemos opinar quanto à sua atitude, entrega e profissonalismo? É, sem dúvida, um jogador à Benfica. Depois, sim: veio a 'cereja em cima do bolo', mas para as nossas cores. Afortunadamente, Jorge Jesus decide dar uma hipótese a Alan Kardec e, passados poucos minutos, o avançado brasileiro marca o 100.º golo do Benfica em jogos oficiais na época 2009/10. Foi a loucura! Vamos ver o vídeo na Benfica TV?

Posso afirma que, ainda, estou em delírio. Queria muitooooooo despachar estes franceses, sendo que a exibição e o resultado final vêm corroborar o meu legítimo desejo a novos e renovados feitos gloriosos. Eu acredito. O sonho ainda não terminou...

Foto retirado desta thread do SerBenfiquista.

domingo, 7 de março de 2010

Olympique Marselha: 11 e 18 de Março de 2010

Depois de uma retrospectiva à meia-final da Taça dos Campeões em 1990, chegou a altura de esmiúçar a equipa francesa no presente.

Plantel

No conjunto dos jogadores, há uns que se destacam dos demais: Gabriel Heinze, defesa central (lesionado durante 3 semanas); Souleymane Diawara, defesa central; Benoit Cheyrou, médio centro; Lucho González, médio centro; Hatem Ben Arfa, médio-ala/extremo; Mamadou Niang, ponta-de-lança. Sem menosprezar os restantes elementos do plantel estes são os jogadores mais experientes ou consagrados, aqueles que acrescentam um toque de qualidade extra ao futebol do Marselha. A espinha-dorsal. Para observarem a equipa, em maior detalhe, é favor clicar no próximo link.

Estatísticas

Os números não explicam tudo. Ainda assim, fornecem informação susceptível de ser analisada e rapidamente assimilada. Sendo certo que podia adicionar uma série de dados, fico-me por aqueles que mostram a capacidade ofensiva da equipa francesa: golos e assistências por minutos:

Jogador - Minutos jogados - Golos - Assistências - Média (minutos)
Mamadou Niang - 1.723 - 14 - 3 - 101.4
Bakari Kone - 749 - 2 - 4 - 124.8
Lucho Gonzalez - 1275 - 4 - 4 - 159.4
Brandao - 1606 - 6 - 2 - 200.8
Benoit Cheyrou - 1946 - 5 - 3 - 243.3
Hatem Ben Arfa - 990 - 1 - 3 - 247.5
Fabrice Abriel - 1534 - 1 - 5 - 255.7
Mathieu Valbuena - 877 - 2 - 0 - 438.5
Souleymane Diawara - 2160 - 3 - 1 - 540.0
Charles Kabore - 656 - 0 - 1 - 656.0

Sistema preferencial

Confesso que não conheço muitas das particularidades inerentes ao modelo de jogo do Marselha. Para começar esta secção, sugiro a leitura de um artigo de Luís Freitas Lobo, intitulado 'tempo dos renascimentos'. O treinador, Didier Deschamps, utiliza o 4x3x3 como sistema preferencial, aliás bem vincado na eliminatória frente ao Copenhaga.

Na Dinamarca, resultado de 1-3, a equipa jogou com o seguinte onze titular: Mandanda (GR), Bonnart (DD), Mbia (DC), Diawara (DC) e Taiwo (DE); Cissé (n.º 6), Cheyrou (ME) e Lucho (MD); na frente, Valbuena (AD), Koné (AE) e Niang (PL). Graficamente, o desenho táctico pode ser visto aqui.

Em França, igualmente desfecho de 3-1, o Marselha mudou algumas 'pedras', sem alterar a estrutura táctica base: Mandanda (GR), Bonnart (DD), Hilton (DC), Diawara (DC) e Taiwo (DE); Cheyrou (n.º 6), Kaboré (ME) e Abriel (MD); no ataque, Koné (AD), Ben Arfa (AE) e Morientes (PL). Comparativamente à 1.ª mão mantiveram-se, apenas, 6 jogadores. Mais uma vez, o esquema táctico pode ser identificado aqui.

Alternativa táctica

Curiosamente, julgo que no próximo dia 11 de Março, data do jogo no Estádio da Luz, a equipa francesa irá posicionar-se num sistema semelhante ao 4x4x2 losango, com a particularidade de poder ser facilmente transformado em 4x3x3. Passo a explicar: em determinadas partidas, consoante o advesário e o grau de dificuldade que apresenta, o treinador molda a equipa num esquema de 4x4x2, onde Lucho é o vértice ofensivo, correndo em tarefas de recuperação e sendo o primeiro a pressionar alto. Não creio que Deschamps venha a Lisboa jogar só com 3 homens no meio-campo, sabendo como as questões de superioridade numérica podem ser decisivas nessa zona do terreno. Basta pensar que, por exemplo, Cissé pode 'cair' em cima de Aimar, enquanto 'El Comandante' pode pressionar a saída de bola feita por Javi García. Em losango, o futebol do Marselha pode 'encaixar' nas peças encarnadas, de forma a manietar a posse e circulação de bola do Benfica. Nesta situação, dar-se-ão imensos duelos individuais e a inspiração e qualidade técnica de cada jogador poderá fazer a diferença. Quanto à particularidade que referi anteriormente, ela prende-se com um nome: Mathieu Valbuena. O médio francês actua preferencialmente numa ala, em 4x3x3, mas também pode ser o homem que tapa o lado direito, enquanto Cheyrou, no flanco esquerdo, fecha terrenos mais interiores. Um pouco à semelhança do que acontece com Di María, que oferece maior profundidade, e Ramires, que presta maior apoio à zona central. Assim, com Ben Arfa, ou Koné, e Niang, junto aos centrais contrários, o francês Valbuena pode ser a chave para alguma maleabilidade táctica entre o 4x3x3 e o 4x4x2 losango.

Antevisão

Face à indisponibilidade física do argentino Heinze (boa notícia para o nosso lado), e pelo que escrevi anteriormente, penso que equipa que subirá ao relvado da Luz não andará muito longe do seguinte: na baliza, o inevitável Mandanda; no quarteto defensivo, Bonnart, à direita, Taiwo, à esquerda, Diawara e Mbia ou Hilton, ao centro; no meio-campo, Cissé será o pivot defensivo, Lucho actuará uns metros à frente, como vértice avançado, Cheyrou apoiará a construção do lado esquerdo e, finalmente, Valbuena será o 'camaleão' táctico, na tal alternância de sistema que referi; por fim, na frente, Koné ou Ben Arfa terão a companhia do goleador Niang.

O Benfica terá que ter atenção redobrada com a velocidade e virtuosismo da dupla da frente, quer seja Koné/Niang ou Ben Arfa/Niang, assim como cautelas acrescidas nos apoios que possam surgir de Valbuena, Lucho e Taiwo, lateral muito ofensivo. Na verdade, o Marselha consegue criar oportunidades de golo com alguma facilidade, graças à multiplicidade de combinações atacantes entre as várias opções ofensivas disponíveis.

Em sentido contrário, o Benfica também poderá aproveitar alguns pontos fracos do adversário, nomeadamente: (i) a fragilidade patenteada por Bonnart nos duelos 1v1; (ii) a inoperância demonstrada por Diawara, quando pressionado na saída de bola; (iii) o espaço que fica nas costas de Taiwo, quando se envolve demasiado nas jogadas ofensivas; e, (iv) a indisponibilidade física de Heinze que enfraquece o sector mais recuado, em termos de experiência e eficácia nos lances de bola parada.

Em suma, creio que o Benfica terá muitas hipóteses de tornar ocasiões de golo em remates com sucesso, aproveitando erros ou deslizes adversários. Contudo, do outro lado, estará uma equipa capaz de provocar embaraços à defesa encarnada, pelo que os 90 minutos vão exigir a máxima concentração e inspiração. Um resultado final de 2-0 já me deixaria muito satisfeito, mas um simples 1-0 também não me travaria a convicção e esperança em seguir para os quartos-de-final.

terça-feira, 2 de março de 2010

Olympique Marselha: 4 e 18 de Abril de 1990

No ano de 1990, o Benfica viveu das suas mais bonitas jornadas europeias: a mão que fez explodir a Luz e arrasou corações franceses. Já lá vão quase 20 anos e ninguém se esquece daquele momento. O angolano Vata, que havia entrado aos 53 minutos para o lugar do brasileiro Lima, fez com a mão o golo que colocou o Benfica na sétima e última final da principal prova da UEFA.
Cerca de duas semanas antes, no dia 4 de Abril, o Benfica tinha visitado o Velódrome sofrendo um dos maiores 'sufocos' futebolísticos da história, mas a noite mágica que todos recordam com saudade teve lugar a 18 de Abril desse ano. O 'Inferno da Luz' gritou tão alto que os Deuses ouviram a esperança pintada em tons de vermelho. Escreveu-se história. Viveu-se... Benfica!

Marselha 2-1 SL Benfica
Estádio Velódrome, 4 de Abril de 1990


SL Benfica, em 4x4x2: Silvino, José Carlos, Aldair, Ricardo Gomes, Veloso, Hernâni, Vítor Paneira, Jonas Thern, Lima, Valdo e Magnusson.

Momentos do jogo:

10 min – golo (Lima)
12 min – golo (Sauzée)
44 min – golo (Papin)
61 min – substituição: entrou Pacheco, para o lugar de Lima
70 min – substituição: entrou Diamantino, para o lugar de Hernâni

Comentário:

Foi em 1990 que recebi, dos meus pais, uma das prendas de Natal que jamais esquecerei: o cartão de sócio do Sport Lisboa e Benfica. Tinha 15 anos. Já passaram uns anos valentes, mas esta partida ficou-me na memória até hoje. Não é que recorde todas as incidências da partida, mas há dois apontamentos impossíveis de esquecer: (i) o golo do brasileiro Lima, avançado de penteado sui generis; e, (ii) o autêntico massacre sofrido nos segundos 45 minutos do jogo. Sim... massacre, sufoco, avalanche de futebol ofensivo da equipa francesa, onde pontificavam nome como o inglês Chris Waddle, o uruguaio Enzo Francescoli e o francês Jean-Pierre Papin. Estes eram os mais temíveis, mas haviam outros nomes de respeito: o lateral direito Amoros, o lateral esquerdo Di Meco, o central Mozer - que tinha saído do Benfica no ano anterior - e os médios Philippe Vercruysse, Franck Sauzée, entre outros. Mas, o trio da frente é que nos fazia olhar para a televisão em desespero: na altura, apanhar pela frente os extremos Waddle e Francescoli era como, nos dias de hoje, defrontar uma equipa com Messi e Cristiano Ronaldo. A questão que se coloca é: como foi possível SÓ termos perdido por 2-1? Podiam ter sido quatro. Podiam ter sido cinco. Perdoem-me a analogia, mas podia ter sido Vigo. Vai um resumo da 1.ª mão disputada em Marselha? Então, deliciem-se com o vídeo.

SL Benfica 1-0 Marselha
Estádio da Luz, 18 de Abril de 1990


SL Benfica, em 4x4x2: Silvino, José Carlos, Aldair, Samuel, Veloso, Hernâni, Vítor Paneira, Jonas Thern, Lima, Valdo e Magnusson.

Momentos do jogo:

52 min – substituição: entrou Pacheco, para o lugar de Jonas Thern
52 min – substituição: entrou Vata, para o lugar de Lima
83 min – golo (Vata)

Comentário:

Como escrevi, na altura apenas contava com 15 anos (só em 1992, quando tinha 17 anos, é que comecei a frequentar mais assiduamente as bancadas da antiga Luz, curiosamente quando nasceu um conhecido grupo de sócios benfiquistas) pelo que, infelizmente, não marquei presença naquela fantástica noite europeia. Resumindo: não tinha a companhia de um irmão mais velho, o meu pai é adepto da Briosa e o meu grupo de amigos ainda não estava totalmente formado. Uma pena. Também já não me recordo se vi o jogo na televisão ou se segui as incidências da partida na rádio. Sim, porque antigamente não existia Benfica TV, Sport TV, internet, streams e demais derivados. Os jogos na televisão escasseavam e era através da rádio que sofríamos intensamente. Naquela noite, foram 83 minutos de sofrimento à espera do milagre que acabou por aparecer. Inesquecível. Mesmo não tendo vivido o vulcão encarnado in loco, fui contemporâneo de um episódio emocionante da história do clube. Em 18 de Abril de 1990 não foi possível marcar presença no inferno da Luz mas, passados perto de 20 anos, no próximo dia 11 de Março de 2010, direi presente. Chega de conversa: vamos relembrar a célebre mão de Vata?

Fonte: O bilhete relativo ao jogo decisivo foi descoberto através de um motor de pesquisa conhecido que dispensa apresentações. Os resumos das partidas, com os momentos mais importantes, foram encontrados via o magnífico blogue Memória Gloriosa. Termino com um desafio: a todos os leitores que presenciaram o êxtase vivido ao minuto 83, no velhinho Estádio da Luz, queiram partilhar a experiência de momento tão especial.