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sábado, 5 de março de 2011

Benfica. Sporting. Mais que inimigos, são irmãos!

Chamo-me Sport Lisboa, do lado da mãe, e Benfica, da parte do pai. Nasci em Belém a 28 de Fevereiro de 1904, no seio de uma família humilde, na Farmácia Franco. Posso afirmar que tive uma infância feliz, com o convívio de vários companheiros pertencentes à «Associação do Bem», embora materialmente difícil, na medida em que fui obrigado a mudar de casa por diversas ocasiões. Nessa altura, mas também nos anos vindouros, eram habituais as exigências do senhorio da época. Foram dias, meses, anos e décadas a batalhar por mais um bocado de cimento, mais um pedaço de relva, com o céu estrelado a cobrir o sonho terreno. Tempos complicados, em que (muitas vezes) não tínhamos roupas para nos vestir, ou água quente para nos lavarmos. Só uma vida de trabalhos, mascarada pelo esforço de coragem de todos os que ousaram sonhar, tornaram possível que o meu nome fosse admirado e reconhecido por milhões.

Vida diferente teve o meu irmão. Nascido em 1906, da mesma mãe Lisboa, abraçada pelo Tejo, mas de outro pai, senhor ilustre e respeitado pelos seus pares, a sua infância e juventude foi muito mais generosa. Desde cedo, nunca teve de sofrer as agruras de uma existência marcada por condicionalismos materiais. Se a memória não me atraiçoa, recordo-me das elitistas partidas de ténis entre nobres convivas e, também, dos chás dançantes onde senhoras esbeltas de alta sociedade rodopiavam naqueles magníficos palacetes, ali para os lados de Alvalade. Era difícil, às gentes da terra, não ficarem deslumbradas com o brilho e charme emanado pelo meu irmão. Por isso, custa-me a entender, passados todos estes anos, o porquê de tanto ciúme e inveja. Talvez porque, com muito esforço, soube trilhar o caminho das vitórias. Sempre tive quem olhasse por mim, com paixão redobrada.

Porquê tudo isto? Ao revisitar o passado, dei-me conta que o estado de saúde do meu irmão tem piorado, de ano para ano, mas com implicações graves nas últimas semanas. Não sei se conseguirá suportar a dor que o aflige. No outro dia, ao vê-lo deitado na marquesa de família, murmurando palavras avulsas sem sentido, lembrei-me de um primo nosso, coitadinho, que vive ali para o Restelo, no limiar da pobreza, e do qual não temos notícias há um tempo. Temo que lhe possa acontecer semelhante tragédia. Como a vida é irónica. Pensar que passei dificuldades que muitos não aguentariam e hoje, passados 107 anos, sinto-me com a força e vitalidade de um jovem pronto a enfrentar os desafios do futuro. Só tenho a agradecer o apoio e carinho que sempre me dispensaram. E, a verdade é que continuam a fazê-lo. Por onde quer que passe, o meu nome é aplaudido e ovacionado por gentes independentes de qualquer credo, raça ou religião. Contudo, é quando abro as portas de minha casa que mais me sinto feliz e reconfortado. Tenho sempre onze papoilas saltitantes no meu jardim, prontas a desenhar um sorriso no rosto de uma criança ou um abraço colectivo aos seus familiares e amigos próximos. Sei que me amam, no mais puro e genuíno sentimento. Por isso também que, mesmo com esta idade centenária, essa energia e paixão que transportam nunca me deixará morrer. Eu, Sport Lisboa e Benfica, graças a todos vocês, sinto-me com força redobrada para viver. E para vencer.

quinta-feira, 3 de março de 2011

[Taça da Liga] SL Benfica 2-1 Nav... upss, Sporting CP

Nunca nos ajoelhamos. Nunca nos rendemos. Nunca desistimos. Até ao último grito. Até ao último sopro. Até ao último minuto. Benfica: o nosso destino é o de vencer!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

[Liga 2010/11] 20.ª jornada: Sporting CP 0-2 SL Benfica

Ahhh... o mediatismo do derby pode influenciar o lado mental dos jogadores. Ahhh... a equipa que está pior classificada é a que normalmente vence o rival. Ahhh... Palavras para quê? Melhores na Luz. Melhores em Alvalade. Superiores com onze no relvado. Superiores com dez (guerreiros) em toda a 2.ª parte. Já agora, faço aqui um preâmbulo e desafio Artur Soares Dias a desempenhar melhor a tarefa a que foi designado: para a próxima, expulse outra 'camisola vermelha'. Para equilibrar. Melhores na técnica e na táctica, na raça, querer e ambição. Superiores ontem, hoje e sempre. Melhores porque é (era) óbvio. Benfica é a glória, Sporting é uma memória.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

[Liga 2010/11] 5.ª jornada: SL Benfica 2-0 Sporting CP

De momento, a disponibilidade para escrever uma crónica de qualidade não abunda. Mais tarde, darei o merecido destaque ao derby de Lisboa. Para já, obviamente satisfeito, apesar do resultado enganador: poderiam ter sido três, quatro, ou até cinco a zero. Como canta o Sérgio Godinho:

E o que é que foi que ele disse?
E o que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Hoje soube-me a pouco
Passa aí mais um bocadinho
Que estou quase a ficar louco
Hoje soube-me a tanto
Hoje soube-me a tanto
Hoje soube-me a tanto
Hoje soube-me a tanto
Portanto
Hoje soube-me a pouco


P.S. Que tal a imagem (original) que encabeça este post? Em breve, terei o prazer de partilhar mais fotografias...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Timo Hildebrand reforça leões

O guarda-redes Timo Hildebrand é a mais recente contratação do Sporting. O alemão chega a Alvalade a custo zero, pois estava sem clube.

Por muito que me custe dizê-lo, parece-me que estamos perante uma boa contratação. Apesar do clube vizinho não me preocupar, em termos desportivos, só posso lamentar que o meu clube tenha 'fechado para obras' e não consiga aproveitar negócios deste nível: Timo Hildebrand é um guarda-redes experiente (31 anos, 185cm, 85kg), internacional pela selecção alemã e com provas dadas nalguns dos principais campeonatos europeus, tendo no passado defendido as 'cores' de Estugarda, Valência e Hoffeinhem.

Eu pergunto aos responsáveis do meu clube: era assim tão difícil? Sim, pode não representar uma aposta de futuro, com elevado retorno financeiro, mas para isso contamos com Oblak, certo? Olhando para a relação entre os valores suportados (vencimentos) com a qualidade individual do atleta, parece-me que o rendimento desportivo esperado implica um risco moderado. Ainda por cima, trata-se de um guarda redes alemão, 'escola' que muito aprecio.

A sério, digam-me lá: o que andaram a fazer desde que findou o campeonato 2009/10? É que os disparates têm sido tantos que começo a pensar que devem andar numa espécie de LSD Trip Experience. Alô? ACORDEM PORRA!

Adenda: nas últimas horas tenho recebido feed-back de amigos benfiquistas que me alertam para o seguinte: Hildebrand apresenta algumas insuficiências técnicas e, para todos os efeitos, trata-se de um guarda-redes dispensado por um clube modesto da Bundesliga. Tudo certo, embora existam dois aspectos que merecem ser enumerados: 1. O timing da operação. É claro que se agora o Benfica avançasse para a contratação de um novo guarda-redes, o negócio poderia não ser bem visto, porque já se tinha oferecido uma soma considerável previamente. Era o assumir do (clamoroso) erro de 'casting'. O que digo é que Hildebrand, ou qualquer outro em situação idêntica, teria sido uma solução plausível para n.º 1, desde que os contornos da opção fossem bem explicados e coerentes com a política desportiva adoptada; 2. O custo da operação. Pelos vistos, olhando para atributos ligados ao posicionamento, reflexos e saída a cruzamentos, Roberto e Hildebrand são guarda-redes de valor algo semelhante. Com uma diferença: um deles (o alemão) custou ZERO e o outro (o espanhol) implicou um esforço financeiro de 8,5 milhões (dados oficiais). Num caso, o risco é diminuto com provável retorno na vertente desportiva. No outro caso, existiu um investimento avultado partilhado com um risco superior em termos da relação qualidade individual/rendimento esperado. Penso que, desta forma, o sentido do tópico fica mais explícito.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

[Taça da Liga] Sporting CP 1-4 SL Benfica

Só agora tive oportunidade para escrever umas linhas. Desfecho: poker na casa do rival. Porque é que não fiquei admirado? O 'fosso' qualitativo é tão notório, entre as equipas lisboetas, que Jorge Jesus deu-se ao luxo de prescindir de cinco jogadores habitualmente titulares: Quim, Maxi Pereira, Aimar, Saviola e Cardozo deram lugar a Júlio César, Ruben Amorim, Carlos Martins, Éder Luís e Kardec, respectivamente. Ainda assim, como provam os resultados desta época, o nível futebolístico atinge patamares muito distintos e a diferença no resultado não foi mais acentuada porque o Benfica nem sequer fez uma exibição de elevada intensidade competitiva.

Realmente, a superioridade encarnada foi tão esclarecedora que, aliada à menor disponibilidade por estes dias, chegam-me a faltar palavras para tecer elaboradas considerações. Deste modo, faço minhas as palavras do João Gonçalves, do blogue Red Pass, pelo que abstenho-me de justificar o injustificável. O resultado fala por sim. De qualquer modo, espaço para dois breves apontamentos.

Em relação ao Sporting, desconheço qual o 'suporte à dor' dos adeptos e simpatizantes leoninos para que seja efectivada uma revolução sob o signo do Leão. Apesar de ter uma ideia geral sobre o tema desportivo, claro que não me compete meter a 'foice em seara alheia' mas, através de conversas com amigos sportinguistas, existe a firme convicção de que algo terá de ser reformulado em matéria desportiva: (i) reestruturar a direcção da SAD?; (ii) descobrir um novo 'homem forte' para director do futebol?; (iii) pensar num treinador moderno (Villas-Boas) para o curto-prazo ou para a época 2010/11?; e, (iv) delinear o plano financeiro para o tão necessário reforço qualitativo do plantel. Os fracassos sucedem-se a um ritmo que chega a roçar o rídiculo. Comentários são bem-vindos.

Quanto à equipa do Benfica, reforço o que escrevi anteriormente: mesmo vencendo por números expressivos, desperdiçou uma bela oportunidade para escrever história. No meu entender, a exibição ficou aquém de outras noites, na medida em que houve imensos passes falhados, inúmeras perdidas de bola infantis e algum défice de agressividade na disputa de lances individuais. Chamem-lhe preciosismo ou excesso de exigência, mas abateu-se uma ligeira pontinha de frustração e ficou uma leve sensação de que o resultado podia ter sido mais desnivelado. Porém, não me interpretem mal: fiquei extremamente satisfeito com a vitória e o golo obtido por Cardozo deixou-me em delírio. Um poker em casa do adversário, ainda por cima sem meia-equipa titular, é sempre um momento bonito de ser vivido. E recordado. Porque também devemos enaltecer quando é merecido, as minhas felicitações ao treinador Jorge Jesus - pelas opções tomadas - e aos jogadores, por mais uma alegria que proporcionaram a milhões de benfiquistas.

Para terminar em beleza, aqui ficam uns vídeos simpáticos para memória futura. Recostem-se na cadeira e liguem o subwoofer...

sábado, 23 de janeiro de 2010

O adversário do Sport Lisboa e Benfica

Para Luís Freitas Lobo, "mais do que cinco continentes e sete mares, o mundo é um infinito conjunto de campos de futebol com muitas casas á volta". Trata-se de uma frase que resume bem a paixão do conhecido analista desportivo. Sem contrariar o sentido emocional da mesma, apenas acrescentaria o seguinte excerto: "(...)" onde emergem as mais variadas rivalidades clubísticas. O futebol não teria a magia e o impacto (positivo) junto da sociedade, sem o 'picante', correctamente doseado, de uma saudável competição. Será possível ficar indiferente à emoção dos sentidos perante um Boca Juniors vs River Plate? Um Celtic vs Glasgow Rangers? Um Barcelona vs Real Madrid? Um Everton vs Liverpool? Ou, ainda, um Lazio vs Roma? E, em Portugal?

Se perguntarem a um adepto do FC Porto qual o seu principal adversário, a resposta será óbvia. Se colocarem a mesma interrogação a um simpatizante do Sporting, a resposta será idêntica. Em relação à primeira questão, concordo. Basta levantar a cabeça para observar o rival que está imediatamente acima em número de campeonatos conquistados. Em relação à segunda inquisição, discordo. Por razões normais, seria preciso subir 13 degraus na escada da principal competição portuguesa para atingir o mesmo patamar curricular. Agora, para além da natural atenção 'carinhosa' dos rivais azuis e verdes, qual será, então, o principal adversário do Sport Lisboa e Benfica?

Em conversa com alguns amigos 'encarnados', as opiniões dividem-se. Por um lado, há quem olhe para a rivalidade clubística com uma visão tradicional de proximidade geográfica, respeitando uma espécie de passagem de testemunho dos mais velhos. Trata-se da rivalidade estrutural entre o Benfica e o Sporting. Por outro lado, há quem veja a rivalidade clubística com uma visão mais moderna de conflito regional, atendendo aos desafios impostos pelas últimas décadas. Como está bom de ver, refiro-me, em tom guerreiro, à rivalidade conjuntural entre o Benfica e o FC Porto. Como a nossa existência não gira à volta de sentimentos de cólera, ódio, rancor ou puro sarcasmo, há que optar por um alvo específico que garanta o 'reunir de tropas'.

Compreendo o peso da tradição e o carácter particular de um derby, mas desde há algum tempo que o clássico tem vindo a capitalizar maior importância: o Sporting não deixará de representar o papel de opositor histórico, mas o principal contendor actual dá pelo nome de FC Porto. Como em muitos outros aspectos, sou bastante pragmático. Na verdade, gosto de analisar os números, estudar os factos e, após discussão e reflexão, revelar um sentido prático sobre conceitos e situações. A verdade é só esta: o Sporting apresenta 18 títulos nacionais conquistados; o FC Porto alcançou a marca de 24 troféus 'capturados'. Claro que destes, 2/3 foram obtidos através de meios ílicitos que a justiça portuguesa fez o favor de ignorar, mas o fantástico tripulha fez questão de deixar para memória futura. Em resumo?

O Sporting mantém o seu rumo aristocrático de auto-flagelação - vidé os recentes acontecimentos verificados entre o seu director de futebol, Sá Pinto, e o seu principal goleador, Liedson. O FC Porto insiste no clima de guerrilha, estendendo os 'tentáculos do polvo' a várias esferas nacionais, quer se trate de influências nos sectores de justiça, passando por intimidações junto de orgãos de comunicação social, até culminar nos meios que justifica(ra)m os fins, ou seja, nos envolvimentos entre a mais antiga profissão do mundo e os agentes do futebol. Destas, e outras, actividades, mais ou menos respeitosas, a fronteira é cada vez mais ténue. As diferenças estreitam-se. Para terminar...

O Sporting não aborrece. O Sporting não ameaça. O Sporting provoca, apenas, duas vezes durante o ano, hora e meia de transtorno emocional, ainda que muito semelhantes ao nervoso miudinho sentido quando defrontamos o Belenenses. Cada vez mais. O Sporting não é rival directo na hegemonia do futebol português. Pelo contrário, por todas as razões e mais algumas, o FC Porto é o verdadeiro 'alvo a abater'. No entanto, enormes diferenças separam estes dois competidores directos. O FC Porto, na pessoa do seu dirigente máximo, agride, engana, ilude, insulta, ludibria e prevarica.

Em sentido contrário, a instituição Sport Lisboa e Benfica não afronta, não investe, não ofende e não provoca. Não abusa de cânticos insultuosos. Não faz da ira e da raiva uma forma única de existência. A filosofia de vida encarnada não busca o confronto externo, antes exalta o carácter positivo daquilo que a equipa de futebol é capaz de transmitir no relvado, em perfeita comunhão com a união de uma onda vermelha centrada na admiração por um símbolo vivo. Por muito que tentem influenciar a opinião pública, de modo a camuflar a realidade, haverá sempre um tripulha qualquer disposto a repor a verdade.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

[Liga Sagres] 11.ª jornada: Sporting CP 0-0 SL Benfica

Um jogo entre os 'grandes' de Lisboa tem sempre associado um grau de emoção acrescido, mercê de uma rivalidade secular. Porém, um «derby» sem golos trava a emoção do espectáculo. Daqui por meia dúzia de anos, ninguém se vai lembrar do encontro que teve lugar no dia 28 de Novembro: este «derby» não deixa história e tem poucos episódios de interesse para recordar. Assim, à falta de motivos para festejos, de qualquer dos lados da 'batalha', sobra o lado mais racional do próprio jogo: a beleza artística de um belo quadro futebolístico deu lugar a um rigoroso embate estratégico, transformando o relvado num inflamado tabuleiro de xadrez...

Do lado do Sporting, Carlos Carvalhal teve uma abordagem inteligente. Sabendo que o Benfica é muito forte nas 'aberturas' e nas técnicas utilizadas nos 'finais', leia-se movimentos ligados à organização ofensiva, o treinador leonino apostou, e bem, nas virtudes do 'meio jogo': sem supresa, um 4x2x3x1 bem reforçado nas 'casas' centrais. Não sendo sempre possível dominar a partida, havia que controlar o apetite sanguíneo do adversário, encurtando espaços e bloqueando as 'peças' mais valiosas do Benfica. Em vários momentos do jogo, a estratégia foi bem sucedida: em primeiro lugar, o duplo pivot, constituído por Adrien Silva (mais fixo) e Miguel Veloso (com maior liberdade para iniciar a transição), funcionou como uma 'parede de peões' difícil de contrariar; em segundo lugar, à direita, Vukcevic era o 'bispo' que prometia estragos no flanco mais fraco do rival; por fim, enquanto Matías pisava terrenos do lado esquerdo, o capitão João Moutinho, ao centro, era uma espécie de 'cavalo' capaz de condicionar a primeira fase de construção centrada em Javi García.

Do lado do Benfica, 'mestre' Jorge Jesus tinha um handicap: o adversário conhecia a sua forma de actuar, mas existiam muitas dúvidas quanto à estratégia que Carlos Carvalhal iria implementar. Consequência: o Benfica, mesmo sem perder identidade, teve de reagir aos primeiros 'lances' contrários, como se jogasse do lado 'das pretas'. Deste modo, o treinador encarnado teve de abrandar a sua fidelidade a um modelo proactivo e ajustar as 'peças' do tabuleiro de uma forma mais reactiva. O sinal inicial foi dado pela troca posicional entre Pablo Aimar e a 'torre' Ramires, ajudando a proteger o 'rei' Javi García numa zona nevrálgica do tabuleiro. Neste caso, do relvado. Com alguma complexidade na 'abertura', graças a uma estratégia bem montada pelo 'mestre' contrário, o desenrolar do jogo ficou afectado por dificuldades evidentes no 'meio jogo', poucas vezes solucionadas por mudanças posicionais capazes de infligir o tão ansiado 'xeque-mate'.

Pragmaticamente, as 'pretas' seguem à frente, com 26 pontos em 11 jornadas. A responsabilidade da vitória estava do lado das 'brancas': a jogar em casa perante o seu público, procurando diminuir uma distância pontual que deve continuar a merecer preocupação. Portanto, respeitando critérios de razoabilidade (óbvios), o resultado final não trouxe motivos para festejar, mas também não justifica argumentos e opiniões a roçar a depressão colectiva. Haja bom senso, quer nas goleadas, quer nas alturas em que a vitória não aparece. Friamente, a confiança no próximo 'xeque-mate' mantém-se inalterável.

segunda-feira, 23 de março de 2009

[Taça da Liga] SL Benfica 1-1 Sporting CP (3-2 g.p.)

Um jogo de futebol são 22 jogadores, onze de cada lado, a disputarem uma bola durante noventa minutos. A diferença entre o futebol e o chamado 'futebol português' é que em Portugal a bola não é redonda, não são apenas 11 de cada lado e a modalidade não se joga num campo aberto, mas nas catacumbas de interesses dissimulados.

Por muito que os responsáveis queiram passar uma mensagem positiva, a versão 2008/09 da Taça da Liga esteve aquém do patamar de sucesso tão apregoado: o formato dos regulamentos prejudica os emblemas mais modestos e alguns (sobretudo o FC Porto) aproveitam para rodar jogadores, desprestigiando a competição; a calendarização desrespeita a realidade actual do futebol, sendo necessário encontrar o equilíbrio entre a necessidade de amelhar receitas e a vontade do público.

Lamentavelmente, os acontecimentos da final da Taça Carlsberg foram a 'cereja em cima de um bolo' mal cozinhado e pouco saboroso. Estou em crer que a competição tem direito ao seu lugar no futebol português, mas a 'receita do bolo' tem de ser melhor preparada, com 'ingredientes' de qualidade inquestionável. Gostaria imenso de destacar o papel de treinadores e jogadores, mas tal não é possível quando a decisão do troféu foi assombrada por um erro grosseiro do árbitro. Por momentos, até julguei que o meu clube jogava de camisolas azuis.

Obviamente, o Benfica não culpa da má interpretação de Lucílio Baptista. A lotaria dos penalties não repôs a justiça do marcador porque os deuses – ou teria sido Quim com três magníficas defesas – não queriam nada com o Sporting. De qualquer modo, não me deixa de causar estranheza como foi possível Derlei ter ficado em campo durante os 90 minutos, tal a forma como batia em tudo o que mexia. Também não posso pactuar com a atitude de Pedro Silva, apesar do natural sentimento de indignação do jogador – porém, se bem me lembro, Yebda não teve o mesmo comportamento quando o 'farsante' Lisandro caiu na área, naquele filme habitual do Estádio do Dragão. Deve ser a tal diferença que os sportinguistas tanto se orgulham de ostentar. Diferença, aliás, bem visível quando Filipe Soares Franco se digna a sentar ao lado de um presidente suspenso por 2 anos, em consequência das penalizações do Apito Final. No futebol português, não há santos, nem demónios, mas há uns mais anjinhos do que outros.

Bem, onde entram aqui as camisolas azuis? Muito simples: o Benfica foi beneficiado de uma má decisão do árbitro, resultando o golo do empate de um penalty 'à FC Porto'. Por outro lado, o Sporting sofreu na pele o que muitos adeptos encarnados se andam a queixar há umas boas dezenas de anos. Não posso aceitar que todo o mediatismo à volta de um penalty branquei situações bem mais graves. Na data em que estou a escrever, a maioria das pessoas só se lembra do último jogo, mas a história não é esquecida, nem as escutas apagadas.

Estou quase a terminar. Se querem saber, não é a conquista da Taça da Liga que salva a época do meu clube. Sinceramente, se me fosse dado a escolher, trocava o erro de Lucílio Baptista por todas as vezes que o Benfica foi prejudicado (e o FC Porto beneficiado) na Liga Sagres. Muito provavelmente, estaríamos na frente da classificação. Daqui para a frente, nas 8 jornadas que restam, preocupa-me imenso a 'lei da compensação' – não duvidem que, em caso de dúvida, o Benfica será estorvado e o Sporting sairá favorecido na corrida ao lugar de acesso à 'Champions League'. Infelizmente, essa tem sido prática corrente no futebol português, sendo quase impossível, como salientou Rui Santos, no 'Tempo Extra', existirem comportamentos altruístas. A realidade nacional há muito deixou de ser cinzenta, para passar a ser negra. Só nos resta esperar pelo próximo jogo.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Aos sportinguistas...

O meu Avô era um sportinguista fervoroso. Há não muito tempo dediquei-lhe umas linhas, quando escrevi sobre a inaguração do Estádio Nacional. Tenho o bilhete desse dia memorável, oferecido pelo meu Avô, o qual guardo com enorme carinho. Lembro-me, ainda miúdo, vê-lo sair de casa, depois do almoço domingueiro, para ir ver o seu Sporting, clube do qual foi sócio durante muitos anos. Um dia, estava num restaurante com os meus pais e avós, ali na zona de Alvalade, quando entra uma figura desconhecida aos meus olhos: José Travassos. O meu Avô conhecia-o bem, tendo trocado cumprimentos efusivos. Perguntei quem era e, logo ali, fui brindado com uma lição sobre a reputação de antigos jogadores leoninos. Infelizmente, para o meu Avô, a minha preferência clubística voltou-se para uma cor mais sanguínea, mas sempre vi o Sporting como o grande rival do meu clube.

Os tempos passaram e hoje, depois da pior eliminatória da história europeia do futebol português, dei comigo a pensar no que o meu Avô sentiria, caso tivesse presenciado a vergonha de ontem à noite. Também não pude deixar de pensar num amigo que foi para Munique, mais para divertir-se do que propriamente para cantar por uma reviravolta impossível. Chegámos a trocar duas ou três sms’s e, numa delas, li o seguinte: "...sonhei que ganhávamos 7-1. Estive, de manhã, no Allianz Arena. É esmagador". Ora aqui está um adjectivo de cariz profético. Ainda não voltei a falar com ele, mas imagino, não sem com alguma dificuldade, os sentimentos por que passou. Como recuperar a honra, quando esta ficou perdida na noite de Munique?

É sobre o Sporting que quero falar. Sem hipocrisia. Sem ironia ou ponta de sarcasmo. Gostava que muitos sportinguistas lessem as minhas palavras como as de alguém que observa o 'fenómeno' de forma distante e objectiva. Recuemos uns anos. Até meados da década de noventa, a minha adolescência foi acompanhada pela rivalidade entre os dois 'grandes' de Lisboa. Nos anos sessenta, Eusébio desequilibrou os pratos da balança, mas o Sporting nunca deixou de conquistar troféus, mantendo-se na 'sombra' do vizinho de Benfica. Até que o FC Porto desatou a conquistar títulos, uns a seguir aos outros, como se estivesse a sprintar numa prova de 100 metros. Quando as borbulhas desapareceram, dando lugar aos bancos da Faculdade, a hegemonia do futebol português já ia percorrendo a A1, no sentido norte. Em grande velocidade: ao mesmo tempo que o Sporting esteve durante longos dezoito anos sem conquistar o campeonato nacional, o FC Porto foi coleccionando Ligas, Taças de Portugal, Supertaças. A um ritmo avassalador. A separação de poderes ganhou sotaque tripeiro, o Benfica ganhou um rival que apresentava desafios de outra estirpe e o Sporting viu-se relegado para terceiro lugar. Sim, leram bem. Contem só a totalidade dos títulos nacionais, para verificarem que há muito o FC Porto superou o Sporting. Nesse momento, a 'batalha' pela liderança do futebol português mudou de cores. Apesar de muitos sportinguistas continuarem a olhar para o rival encarnado, deviam pensar que a primeira tarefa cinge-se a apagar a 'chama do dragão'. De forma muito frontal: o vosso rival não mora na Luz; antes está sentado ao lado do vosso presidente.

Nos meus tempos de juventude, passados em imensas tertúlias com amigos dos mais variados quadrantes futebolísticos, surgiu um novo conceito nacional: o denominado 'projecto' de José Roquette. Os adeptos leoninos passaram a falar menos das incidências do relvado e introduziram, nos debates, a figura dos relatórios & contas. Orgulhosamente ‘diferentes’, a estabilidade financeira e a aposta na formação passaram a ser bandeiras de um novo discurso. O campeonato ganho por Augusto Inácio matou a 'fome' de títulos e, mais tarde, a dobradinha de Lazlo Boloni foi o culminar de um 'projecto' orientado para a sustentabilidade. Todavia, a tónica nos predicados financeiros fez desviar as atenções do objectivo principal – sucesso desportivo. O rigor e transparência das contas foi ganhando relevo, ao mesmo tempo que a impaciência dos adeptos foi subindo de tom: a tão chamada 'crise de militância'. Presentemente, dos três 'grandes', o Sporting é claramente o clube mais preparado para o futuro de curto e médio/longo prazo, quer em termos económico-financeiros, quer na vertente dedicada à formação. No entanto, qual o preço a pagar? Relembro que a conquista do último campeonato vem da longíqua época 2001/02...

Ontem, como sempre, estive atento ao programa "Trio D’Ataque". Confesso que me causa estranheza ouvir o Rui Oliveira e Costa afirmar a sua preferência por dois segundos lugares, ao invés de um primeiro e outro terceiro. Na razão das suas palavras, encontram-se, tão só, argumentos económicos motivados pela presença na milionária 'champions league'. O meu Avô nunca proferiria tal barbaridade. Não deixo de valorizar as preocupações financeiras, mas os adeptos apaixonados só pensam numa coisa: vitórias. Creio ser possível manter o interesse por essas matérias, respeitando os condicionalismos que se impõem à maioria dos clubes nacionais, embora nunca deixando de perseguir os êxitos desportivos. Se o Sporting respeita o seu passado, baseado numa história de esforço, dedicação, devoção e glória, não pode permitir que a alegria de um resultado líquido positivo se supere à emoção de um título. Após uma derrota que mancha o nome do clube na Europa e quando se vive um processo pré-eleitoral, seria boa ideia pensarem no rumo que pretendem. Amigos sportinguistas, digam o que desejam. Sinceramente. Uma liderança alicerçada num modelo de gestão vocacionado para as demonstrações financeiras? Ou, pelo contrário, uma estrutura que, sem deixar de ser pragmática e realista, defenda o símbolo do clube? Querem um candidato 'ajoelhado' às vicissitudes das garantias bancárias e dependente da vontade dos investidores? Ou anseiam por uma candidatura forte, que faça o Sporting regressar ao topo do futebol nacional? Eu sei bem o que o meu Avô desejaria. Sei, também, aquilo que muitos de vocês ambicionam: voltarem a sentarem-se, ao meu lado, na cadeira do poder, contemplando a eterna rivalidade pintada a verde e vermelho.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

[Liga Sagres 19.ª J] Sporting CP 3-2 SL Benfica

Desânimo. Resignação. Tristeza. Sentimentos comuns à generalidade dos adeptos encarnados, após o apito final no derby de Lisboa. Tal como escrevi, o Benfica não fez tudo para não perder e o Sporting fez o suficiente para ganhar. Razões - para a derrota ou para a vitória, dependendo da perspectiva - serão algumas. Na óptica benfiquista, temos duas alternativas de análise: ou optamos pela via da superficialidade, enumerando a quantidade de erros individuais verificados ou, em sentido oposto, procuramos encontrar um motivo superior, centrado na variante táctica e orientado para as questões de âmbito estratégico.

Para os sportinguistas, poderá ser fácil explicar a vitória: jogaram melhor na 2.ª parte e os jogadores da frente mostraram um elevado índice de finalização. Posso concordar. Mas, a razão de uns não implica, necessariamente, a justificação de outros. Em primeiro lugar, o Benfica perdeu porque cada jogador, envolvido na sua zona de jurisdição, raramente conseguiu suplantar-se ao seu adversário directo. Os duelos individuais tiveram influência no desfecho e o colectivo não conseguiu disfarçar essa insuficiência. Em segundo lugar, o Benfica não venceu porque Quique Flores persiste no equívoco de abordar partidas diferentes, noutros ambientes e perante desafios distintos, através de um plano estratégico demasiado rígido para as naturais ambições do clube.

Sem menosprezar um aspecto, em detrimento de outro, prefiro deixar de lado o negativismo facilmente identificável com algumas performances individuais, centrando a minha atenção em questões de âmbito colectivo. Inicialmente, fiquei desconfiado da abordagem pensada pelo treinador espanhol. Apesar da boa exibição rubricada no 'dragão', a estratégia nunca poderia ser idêntica. Em matéria de posicionamento e dinâmica de movimentação, para não falar de muitos outros tópicos relacionados com o modelo de jogo, o Sporting proporcionava novos enigmas futebolísticos à espera de serem descodificados. Nesta medida, Quique Flores também peca na excessiva predilecção pelo contra-ataque: pressão em largura, com bloco médio-baixo constituído por duas linhas de quatro homens, um engache chamado Aimar e a profundida, em velocidade, transmitida por um hondurenho de jogo vertical. Acontece que o Benfica não é o Valência. Não sempre, mas em determinadas circunstâncias, o modelo de jogo encarnado merecia maior variedade de ingredientes. Com conta peso e medida, o cozinhado final podia ser susceptível de proporcionar um belo prato gourmet.

Desânimo. Resignação. Tristeza. Perfeitamente compreensível. Agora, não é aceitável "deitarmos a toalha ao chão". Jamais. Até porque continuo a manter a esperança de que esta Liga Sagres vai ser comemorada no dia em que recebermos o Belenenses. A toada crítica do parágrafo anterior não passa disso mesmo - uma simples constatação de que algo mais poderia ser feito, mas que não contraria a minha admiração e certeza quanto às competências técnicas de Quique Flores. Mesmo que o título não seja uma realidade, o treinador espanhol reunirá sempre a minha preferência para a época seguinte. Escusado será dizer porquê. Basta aprender com o passado. Assim, a hora não é de culpabilização de "a", "b" ou "c". O momento deve ser de total partilha de esforços, desde o presidente ao roupeiro, passando pelo jogador e terminando no adepto. União, de todos. Enquanto o objectivo principal for possível, a águia não pode parar de voar. Da minha parte, não deixarei de acreditar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Como deve o Benfica jogar em Alvalade?

No dia 1 de Dezembro de 1907, no Campo da Quinta Nova, em Carcavelos, o Sport Lisboa e o Sporting defrontaram-se para o Campeonato de Lisboa. Ninguém poderia adivinhar que seria um dia para a memória do país. Mais de um século depois, aproxima-se o derby eterno de todas as emoções.

Sporting – Benfica: de 2000/01 a 2007/08

Aproveitemos para revisitar a história recente, a partir do século em que nos encontramos.

2000/01: Sporting 3-0 Benfica (Acosta, Pedro Barbosa, Beto)
2001/02: Sporting 1-1 Benfica (Jardel; Jankauskas)
2002/03: Sporting 0-2 Benfica (Zahovic, Tiago)
2003/04: Sporting 0-1 Benfica (Geovanni)
2004/05: Sporting 2-1 Benfica (Liedson 2; Nuno Gomes)
2005/06: Sporting 2-1 Benfica (Luís Loureiro, Liedson; Simão)
2006/07: Sporting 0-2 Benfica (Ricardo Rocha, Simão)
2007/08: Sporting 1-1 Benfica (Vukcevic, Cardozo)

Numa análise simplista, facilmente se conclui que o equilíbrio é a nota dominante - nos derbys do século XXI, dois empates a uma bola intrometem-se no conjunto de três vitórias para cada lado. Se alguém quiser arriscar um prognóstico, tentem adivinhar a sequência seguinte: V-E-D-D-V-V-D-E-?

Chave do derby

Desfeitas algumas indecisões, nas escolhas técnicas dos melhores intépretes, a chave do derby está...na imaginação individual dos jogadores mais talentosos. Um dia, Cruijff teve um expressão curiosa, ao afimar que "a Itália nunca venceria a Holanda, mas a Holanda poderia perfeitamente perder com a Itália". Neste caso, para ambos os clubes envolvidos na contenda, poderia apostar na lógica seguinte: (i) para não perder bastará seguir à risca o plano táctico traçado, acrescentando-lhe doses elevadas de motivação e concentração; (ii) para vencer será necessário libertar a imaginação dos homens capazes de desequilibrar - a fantasia de Reyes, os remates de Izmailov, os passes de Aimar, a técnica de Vukcevic, a velocidade de Suazo, a mobilidade de Liedson. O colectivo pauta o equilíbrio. O indivíduo decide o derby.

O "telefone vermelho"

Tal como feito aquando da visita ao dragão, as linhas que se seguem poderiam representar a abertura de um canal de comunicação com Quique Flores. Uma espécie de "telefone vermelho". Nada a ver com a transmissão entre a Casa Branca e o Kremlin, excepção feita ao precioso objecto que serve de inspiração a esta loucura literária.

"Alô!? Quique? Daqui Catenaccio. Estou bem, obrigado. Epá, se não te importas, podes desligar a PS3? Já agora, o som de flamenco também está um bocado alto. Desculpa lá, mas o que tenho para falar contigo é importante. O Paco está por aí? Óptimo. Ele que traga o papel cavalinho e comece por desenhar um losango. Então, escuta com atenção..."

Um olhar sobre o rugido do leão

Muito bem. Comecemos pelo intervenientes que movimentam o losango. Pega nestes nomes e coloca-os nos sítios apropriados: Tiago, Abel, Carriço, Polga, Caneira, Miguel Veloso, Izmailov, Vukcevic, João Moutinho, Liedson e Hélder Postiga. À primeira vista, pode parecer um daqueles puzzles do Papagaio Sem Penas, mas vais ver que até uma criança de 4 anos sabe encaixar as peças correctamente. Já está? Claro, não era difícil. Faz o seguinte: desmonta tudo e imprime a imagem que fiz questão de digitalizar. Sabes, é que o Paulo Bento gosta de inovar algumas "nuances" geométricas – o 4x4x2 losango híbrido.

Quique, em relação à atitude mental é manter a personalidade registada no dragão. Quanto a isso, estamos conversados. Agora, não te deixes enganar com o cabelinho do Paulo Bento. Cuidado, pois o treinador leonino não procura atingir a águia com o primeiro disparo; antes guarda a pólvora para o momento em que algumas penas forem caindo no relvado. Para que tu entendas: acredito que o Sporting vai deixar o Hélder Postiga no banco e Vukcevic será o companheiro de Liedson, na frente de ataque. Faz toda a diferença, sabes?

Em primeiro lugar, creio que o meio-campo será fortalecido com um elemento mais preparado para a transição defensiva. Embora o Escribá te possa dizer o contrário, o Paulo Bento sabe que vamos alinhar com uma linha de quatro jogadores no meio-campo. Quique, repara no seguinte: com Miguel Veloso, Izmailov, Vukcevic e João Moutinho, o 4x4x2 losango acaba por assemelhar-se, em posse de bola, a um 4x1x3x2. Face à qualidade técnica dos nossos jogadores ofensivos, é previsível a inclusão de Vukcevic numa zona próxima de Liedson.
Em segundo lugar, o jogador montenegrino encontra-se numa forma excelente e seria contraproducente utilizá-lo em tarefas defensivas. Por conseguinte, a colocação do ex-proscrito de Paulo Bento em terrenos mais avançados, permite que a liberdade concedida se transforme em ocasiões de golo. Desta forma, com Izmailov na meia-esquerda, mais qualificado para suportar as eventuais de Maxi Pereira, a dupla de leste pode apoveitar a lentidão de Luisão e o espaço deixado nas costas da nossa defesa.

Só mais uma dica relacionada com os cruzamentos - cautela na forma como a equipa faz a basculação em largura, porque os cruzamentos vindos da direita, perto da grande área, costumam apontar para a entrada de um elemento ao segundo poste; ao invés, no flanco contrário, há a tendência para tentar chegar à linha de fundo, através de acção individual, solicitando depois, com um passe atrasado, a chegada de um companheiro nas imediações da grande área.

Quique, claro que haveria muito mais aspectos estratégicos para debater. Se pretenderes aprofundar alguns temas, fica sabendo que estou disponível para jantar no "La Paparrucha". Obviamente, a logística e todos os gastos suplementares ficam por tua conta.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A liderança de Paulo Bento

Raramente (para não dizer quase nunca) escrevo sobre o Sporting e, por conseguinte, sobre o treinador Paulo Bento e respectivo plantel. Em jeito de brincadeira, posso afirmar que este espaço não pretende ser veículo de informação de um clube qualquer. Para esse efeito, já temos o programa a "Liga dos Últimos". Bem, deixando a piada de parte, gostaria de emitir uma opinião o mais imparcial e objectiva possível, em face do meu distanciamento emocional ao assunto em questão.

Pretendo tocar no aspecto relativo à liderança protagonizada por Paulo Bento, até porque já tenho discutido o tema com diversos amigos sportinguistas. Numa frase, a minha opinião resume-se ao seguinte: nos vários episódios registados com alguns jogadores leoninos (Vukcevic, Yannick e Miguel Veloso, por exemplo) estou do lado de Paulo Bento e, na generalidade, dou razão aos seus argumentos. Em conclusão, se a situação em causa estivesse relacionada com o clube da minha preferência, estaria de acordo com o treinador. Passo a explicar.

Em casos de (in)disciplina, salvo raras excepções, dou razão a quem dirige o grupo de trabalho. Por norma, o jogador age de acordo com os seus interesses, muitas vezes influenciado pelo seu empresário, enquanto o treinador procura seguir o interesse colectivo. No caso concreto de Miguel Veloso - alvo da minha apreciação - penso que não há motivos para duvidar da certeza deste argumento. Não sendo a favor de uma disciplina militarizada, acusação feita à liderança de Paulo Bento, julgo que algumas individualidades levam ao extremo o conceito de 'olhar para o seu umbigo'.

Posso ser suspeito, porque não tenho a melhor impressão de muitos (não) profissionais que habitam os nossos relvados. Por regra, sou a favor dos códigos de conduta interna e acredito que o treinador tem de ser inflexível face ao que comummente se designa por amuos, birras e teimosias. A meu ver, o treinador não pode ser brando, frouxo e vacilante. Penso que deixei passar a ideia principal. Palmas, por isso, a Paulo Bento.

Para finalizar, causa-me estranheza que um jogador como Miguel Veloso, filho de António Veloso, excelente profissional com uma carreira digna de registo, não tenha seguido os ensinamentos e o exemplo do seu progenitor. Porventura, o 'menino' Miguel terá saído à Mãe. Aliás, a imagem também não deixa margem para dúvidas.

sábado, 25 de outubro de 2008

Qual o 'ADN' de um 'grande'?

Um livre directo de Olexandr Aliyev ainda na primeira parte deu ao FC Dynamo Kyiv um triunfo por 1-0 no Estádio do Dragão e complicou as contas do apuramento para o FC Porto, que dominou por completo a partida da terceira jornada do Grupo G da UEFA Champions League.
O Sporting deu um passo importante no apuramento para os oitavos-de-final, ao derrotar o FC Shakhtar Donetsk, por 1-0, em partida da terceira jornada do Grupo C da UEFA Champions League, realizada esta quarta-feira na Ucrânia.
O Benfica iniciou a participação no Grupo B da Taça UEFA com empate a um golo no terreno do Hertha BSC Berlin, em partida da primeira jornada da fase de grupos da prova, disputada no Olympiastadion.
Golos da autoria de Luis Aguiar, Renteria e Alan permitiram ao Sporting de Braga bater em casa o Portsmouth, por 3-0, com a equipa "arsenalista" a protagonizar um arranque perfeito no Grupo E da Taça UEFA.

A pergunta: o que têm a ver os jogos das competições europeias com a imagem de Moreira, aquando da marcação de penalties na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, frente ao Penafiel? Resposta: aparentemente, nada. Contudo, a razão por trás da questão inicial é a seguinte: o que faz realmente uma equipa ser 'grande'? Como se constrói um 'grande'?

Fiquei a pensar neste assunto, ao observar a performance do Benfica na Taça de Portugal e ao analisar o desempenho das equipas portuguesas nas provas da UEFA. Como explicar que o FC Porto tenha ganho o estranho hábito de coleccionar desilusões? Como traduzir os resultados do Sporting de Braga em face da realidade do futebol português?

Obviamente que um, dois ou três resultados, mais ou menos favoráveis, não alteram a concepção que o público tem de um 'grande'. Até porque o sentimento que temos de uma determinada equipa é influenciada por uma disciplina ligada ao deporto-rei: a estatística histórica. Não são as derrotas mais recentes do FC Porto que apagam o passado ou fazem temer o futuro. Na maioria dos casos, ser considerado um 'grande' é como pagar impostos ou morrer. É uma certeza. Que ultrapassa décadas e conhece gerações.

Em termos nacionais, pode-se aceitar esta versão como verdadeira. Basta pensar que um clube como o Benfica já nasceu com a identidade de um 'grande'. Mas, e em termos internacionais? Nesse caso, as dúvidas aumentam, pois o cenário é mais volátil. A exibição dos encarnados em Berlim, comfirma esta teoria.
Mesmo sabendo-se que foi feito um enorme esforço financeiro na construção do plantel benfiquista, aliado à aposta nas virtudes de novas competências técnicas, a verdade é que a actual equipa desconfia da sua condição. Como adepto, acredito que os jogadores acreditem no treinador, assim como Quique Flores acredita no profissionalismo do director desportivo e este, por sua vez, acredita no rigor das pessoas da direcção. Como se fosse um círculo de vitórias.
Porém, acreditar não é suficiente. Torna-se fundamental passar do mundo das emoções (do sonho) para o universo das certezas (da realidade). O Benfica quer voltar a ser um 'grande' europeu. Mas, falta-lhe ainda confiança e segurança no seu futebol para assegurar essa condição.

Continuemos o raciocínio. O jogo de Berlim foi idêntico ao de Matosinhos. O mesmo desenrolar no marcador e o mesmo resultado final. Ora, a lógica aconselha que, no campo de batalha, o mais preparado não regatei esforços em utilizar as suas armas. Daí, seja difícil de conceber que um 'grande' não faça jus à sua superioridade. Não deve temer o confronto directo e não deve recuar perante as adversidades. Quando tal acontece, não é tanto pelo facto de amedrontar-se com os skills do oponente, mas antes por desconfiar das suas próprias capacidades. Antes do Benfica vencer a equipa adversária, tem de ultrapassar os seus próprios medos, conhecer as suas forças e fraquezas. Porque um 'grande' alimenta-se de vitórias.

Para terminar, no âmbito da UEFA Champions League, gostaria de citar o nome de três equipas que têm tido um comportamento muito acima do esperado: CFR Cluj, Anorthosis e BATE Borisov. Em primeiro lugar, os romenos, deram seguimento à surpreendente vitória no terreno da AS Roma com um empate, em casa, ante o Chelsea FC. Somam 4 pontos conquistados e encontram-se no 2.º lugar. Em segundo lugar, o Anorthosis Famagusta, clube cipriota, entrou na competição com um surpreendente empate no terreno do Werder Bremen, no primeiro jogo do Grupo B, tendo posteriormente vencido o Panathinaikos perante os seus adeptos. A derrota seguinte pela margem mínima, com o Inter de Milão, não impede que o Anorthosis siga na 2.ª posição. Por fim, o praticamente desconhecido BATE Borisov, da Bielorússia, já conseguiu subtrair pontos aos favoritos, mercê dos empates alcançados com a Juventus e o Zenit.

Dá que pensar. Para já, todos sofrem do handicap de não terem nascido em berço de ouro. Carecem do chamado 'peso' da história, de um registo passado que represente uma imagem de marca vitoriosa. No entanto, será que algum dia estes clubes podem vir a ser considerados como 'grandes'? Num futuro próximo ou longíquo? Até onde podem chegar os 'outsiders'? São as questões que ficam, à disposição da opinião dos leitores.

domingo, 28 de setembro de 2008

[Liga Sagres 4.ª J] SL Benfica 2-0 Sporting CP

Já tinha saudades de escrever uma crónica, mas a disponibilidade para me sentar em frente ao computador não tem abundado. Também já tinha saudades de um jogo assim: boa moldura humana, óptima atitude dos jogadores, magnífica visão táctica do treinador e...um resultado que nos deixa de sorriso aberto até ao próximo embate. Vamos à análise do derby.

A primeira parte foi equilibrada, com um ou outro susto para cada lado, mas a intensidade competitiva ganhava maior expressão na luta de meio-campo. O ritmo da partida, quase sempre alto, acabava por disfarçar muitas cautelas defensivas na ocupação de espaços: o Sporting, com a linha mais recuada, espreitava o jogo directo para as costas dos jovens centrais encarnados; o Benfica, no sistema clássico, procurava equilibrar face à superioridade numérica do losango, evidenciando dificuldades na zona de construção. Os quarenta e cinco minutos terminavam com um empate que se aceitava.

Olho táctico

Tinha alertado que nos confrontos de maior exigência, a solução poderia passar pela inclusão de um jogador como Ruben Amorim, normalmente colocado à direita, pois oferecia perspectivas mais sólidas ao futebol encarnado. Não foi por essa "nuance" estratégica que o resultado pendeu para os da casa, mas talvez tenha sido por aí que Quique não perdeu. Penso que aprendeu a lição ao não optar pela inclusão de dois médios ala puros, correndo o risco da equipa partir-se no 4x2x4. Em termos de desenho táctico, atente-se na imagem seguinte:

Na segunda metade, o treinador do Benfica soube mexer nas peças e mudar a face do jogo. A entrada de Katsouranis, primeiro, e Pablo Aimar, mais tarde, foram decisivas para a equipa da casa soltar-se e começar a ganhar metros de relvado. Estranhamente, ou talvez não, o Sporting tem-se mostrado pouco atrevido nos jogos forasteiros e a linha atacante foi ficando orfã de um losango mais preocupado para tarefas de marcação. Os golos surgiram para o lado que mais procurou fazer pela vida, para a equipa que mais vibrou e jogou de forma apaixonada. Penso que essa atitude e vontade de vencer foi visível, numa perfeita comunhão entre adeptos, treinador e jogadores. Houve sangue, suor e lágrimas, numa exibição com chama e garra. À Benfica.

Olho táctico

Pode-se dizer que o Benfica ganhou a dois tempos. Primeiro, aquando da entrada do grego. Katsouranis soube posicionar-se a preceito, libertando Yebda (que jogador!) para aquele box-to-box constante. Assim, Quique Flores conseguiu que a equipa pressionasse mais à frente e as transições ofensivas começaram a ganhar outra dinâmica. Segundo, aquando da troca entre Nuno Gomes e Pablo Aimar. O argentino teve pormenores deliciosos, com intervenção directa no lance que fez a águia voar em direcção à vitória. A inteligência do camisola 10 na ocupação de espaços entre linhas fez virar o sentido do jogo e, aos poucos, o leão não teve capacidade para tapar todas as brechas que se iam abrindo. Para exemplificar as alterações posicionais, observe-se a imagem seguinte:

Para terminar da melhor forma, fiquemos com os momentos principais do derby lisboeta: os vídeos respeitantes aos golos apontados por Reyes e Sidnei.


segunda-feira, 2 de junho de 2008

Cronologia de uma contratação

30 de Abril 2008
Pinto da Costa: «Gostava que viesse o João Moutinho»
Líder elogia capitão do Sporting como jogador "à Porto"


26 de Maio 2008
Soares Franco: «João Moutinho é jogador à Sporting»
Em causa as declarações de Pinto da Costa


1 de Junho 2008
Postiga: «Oportunidade única para relançar carreira»
Avançado é reforço oficial do Sporting


A vinda de Hélder Postiga, do Dragão para Alvalade, não representa facto inédito. Para os mais esquecidos, relembro alguns jogadores que envergaram as duas cores: Inácio, Jaime Pacheco, Sousa, Futre, Morato, entre outros. A imagem seguinte retrata as trocas entre leões e dragões desde a década de 70.

Para além deste apontamento, o meu verdadeiro intuito é o de comunicar um exercício de pura adivinhação. É minha convicção pessoal que as trocas de jersey não vão ficar por aqui, apesar de não dispôr de qualquer informação confidencial (inside trading). Contudo, a possibilidade do FC Porto avançar para a contratação de João Moutinho é um cenário que tem invadido o meu pensamento. Não sei explicar, mas sinto qualquer coisa no ar. Pode ser reflexo das frases que têm vindo a público. Pode ser um feeling, sem grande significado. De qualquer modo, ficaria atento ao provável ressurgimento da chama do dragão...
Já agora, na vossa opinião, quem julgam que retirou mais vantagens do negócio envolvendo Hélder Postiga? O FC Porto? O Sporting? Ambos?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Descubram as diferenças

«O Benfica é o clube do meu coração. Sempre foi e sempre será. Foi lá que me formei como homem e como jogador. Conquistei títulos e tive a oportunidade de dar o salto para o maior campeonato de Mundo. Devo muita coisa ao Benfica e se um dia houver a possibilidade de voltar vou encará-la como uma grande possibilidade», afirmou Ricardo Rocha em entrevista à TSF.

Caneira prefere voltar ao Sporting, clube que o formou, a rumar à Luz para representar o Benfica, onde já esteve na temporada de 2001/02. Esta é, de acordo com o que apurámos, a posição do jogador do Valencia, que está, apesar disso, receptivo a estudar qualquer proposta concreta que lhe apareça durante o defeso.

Caso Luisão abandone mesmo a Luz, ainda restam dúvidas sobre qual o alvo para onde o director desportivo deve apontar baterias? O que pretendemos efectivamente? Jogadores que sintam orgulho e vontade em vestir a camisola encarnada? Ou jogadores que dão prioridade aos leões, colocando o Benfica como segunda escolha? A ser realmente verdade o que vem escrito na imprensa desportiva, a especulação à volta da possível contratação de um central morre logo à nascença. Nesta, como em outras situações, a minha inflexibilidade é registo do qual não prescindo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

[Taça de Portugal 1/2] Sporting CP 5-3 SL Benfica

Como começar a crónica de um derby que mais pareceu uma partida de matraquilhos? O que escrever numa altura destas? Quem está habituado aos meus comentários conhece, concerteza, a minha visão sobre o dia-a-dia encarnado. Repetir, pela milionésima vez, as mesmas críticas e argumentos é uma perda de tempo. Inclusive, tentei apontar soluções, quando escrutinei questões como a política desportiva e a estrutura organizacional, mas penso que chegou a hora de substituir as palavras por actos de mudança sérios.
Vamos debater as incidências da partida. A estratégia de colocar Di María como avançado solto, acompanhado por Nuno Gomes, resultou muito bem. Sabendo que o Sporting ia procurar ter o domínio do jogo, era natural que sobrasse espaço nas costas da defesa leonina. Esse hiato de relvado foi bem aproveitado pela m(a)estria de Rui Costa, aliado à irreverência de Rodríguez e, lá está, graças à mobilidade e velocidade do argentino.
Ao intervalo, o resultado era justo. Porventura, até poderia ter números mais expressivos, mas abstenho-me de opiniões sobre a arbitragem. Depois da vergonha (não me ocorre outra expressão) da derrota 0-3 com a Académica, os jogadores davam mostras de querer reagir à adversidade de uma época feita de equívocos. Pura ilusão.
A dada altura, recebi um telefonema do meu amigo Jorge Diogo, sportinguista presente no estádio. As suas palavras eram de total resignação. Chegou a dizer-me que o Di María era um belíssimo jogador, inúmeras vezes mal aproveitado. Nem o mais acérrimo sócio leonino acreditaria na reviravolta.
Na segunda parte, tudo diferente. O Benfica demasiado recuado, a defender em cima da área, perdendo o domínio e controlo do jogo. Algumas pedras nucleares foram mostrando défice físico e a intensidade posta nos duelos individuais começou a pender para os homens vestidos de verde. Adivinhava-se um golo, a qualquer momento. Após o 1-2, sentia-se que os jogadores do Benfica estavam mais expostos ao erro individual e jogavam sem confiança. Sem mentalidade. Os percalços da temporada tiveram o condão de desestabilizar o balneário e a questão anímica torna-se elemento crucial. De qualquer modo, creio que o problema vai para além do que se passa no relvado: é extra-futebolístico. Cada um dos sócios e adeptos encarnados que retire as devidas ilações.
Ironicamente, o Sporting teve uma atitude a fazer os velhos tempos do Benfica: mesmo diante das maiores contariedades, nunca desistiu e soube reagir com enorme atitude e eficácia. Pouco há a dizer sobre a justiça do resultado. Quanto aos números do marcador, por muito que custe, temos de encarar a realidade dos factos e, nesse sentido, relembrar as maiores goleadas do Sporting ao Benfica:

5-0
18.10.1936
Campeonato de Lisboa
Campo das Amoreiras

5-0
14.12.1941
Campeonato de Lisboa
Campo Grande

6-1
16.02.1947
Campeonato Nacional
Campo do Lumiar

5-1
14.11.1948
Campeonato Nacional
Estádio do Jamor

7-1
14.12.1986
Campeonato Nacional
Estádio José de Alvalade

Temos de assumir, de uma vez por todas, que para os lados da Luz existem problemas graves a serem resolvidos. Estamos perante uma verdadeira crise desportiva que ameaça dinamitar toda uma instituição, longe do seu passado glorioso. Na minha perspectiva, é urgente tomar medidas, pois os paliativos já não curam a doença.
Saliento a presença de nove mil benfiquistas em Alvalade e demonstro o meu apreço pelo apoio incondicional que sempre têm demonstrado. Nos melhores e piores momentos, sabem marcar posição de forma apaixonada. Aproveito, também, para felicitar aqueles treze adeptos que, durante a semana, se dirigiram ao Seixal em busca de explicações. Proponho que numa próxima ocasião os nove mil se juntem aos treze. Estamos à espera de quê? De mais um vexame nacional, agora no Estádio do Dragão? Chega de palavras vãs e passemos a actos que defendam o bom nome do nosso clube.
A este propósito, termino com uma mensagem de um sócio benfiquista que todos conhecem: António Ramos, o "Barbas", sócio n.º 6.111. Vale o que vale, mas pode (e deve) ser encarado como um sinal.

Barbas lança apelo: «Basta!»
CARTA ABERTA AOS SÓCIOS ENCARNADOS

"(...) Bem sei que a equipa do Benfica ficou aquém das expectativas, está com um plantel desequilibrado, carente de mais qualidade, mas penso que chegou a hora de todos os benfiquistas dizerem “basta”!

(...) Basta de sermos a única equipa que arrasta os sócios e simpatizantes aos estádios deste País, permitindo aos clubes as suas maiores receitas da época, ou seja o seu Euromilhões, e depois os seus dirigentes lançam autênticas passadeiras vermelhas aos dirigentes do FC Porto!

Por tudo isto e por muito mais que o espaço certamente me permitiria, venho lançar um desafio a todos os benfiquistas, aqueles que são verdadeiros sócios e não apenas aos notáveis, para um almoço/convívio a ter lugar no final da época, onde discutiremos todos estes assuntos – os mesmos serão debatidos e encontraremos as soluções dos procedimentos que os sócios e adeptos benfiquistas deverão adoptar para mostrar ao Mundo a força do Benfica!"

António Ramos, "O Barbas" Sócio n.º 6.111 do SLB

quarta-feira, 2 de abril de 2008

[bwin Liga] Lugar de acesso directo à Champions League

Após o término da 24.ª jornada, os Vitórias - Futebol e Sport Clube - continuam a manter acesa a chama da esperança no lugar que dá acesso directo à Champions League. A classificação actual ilustra esse desejo: Sl Benfica e V. Guimarães, 44 pontos; V. Setúbal e Sporting, 41 pontos.
Na 2.ª circular mora a desconfiança, enquanto em Setúbal e Guimarães reside o apoio e paixão incondicional de uma cidade que deseja colocar o seu nome na história do futebol português. Faltam seis finais para Carlos Carvalhal e Manuel Cajuda verem o sonho realizado.
De seguida, irei analisar o calendário de cada uma das equipas mencionadas, apresentando prognósticos à la Totobola e reflectindo sobre hipóteses pontuais e cenários, mais ou menos, optimistas. De referir que os graus de dificuldade foram definidos de acordo com a qualidade do adversário, o local (casa ou fora) do encontro e o lugar na tabela classificativa.

O momento conturbado vivido pelo Boavista não implica que a deslocação ao Bessa seja isenta de dificuldades. Contudo, o teste mais exigente fica para os lados do Dragão. Apesar do resultado ser passível de tripla, um ponto conquistado pode ser considerado como um mal menor. De qualquer modo, para o bem ou para o mal, pode estar na Luz a decisão, sendo fundamental a vitória frente a Belenenses e V. Setúbal.

Previsão pontual: entre 16 e 11 pontos conquistados

Se o Benfica visita o Bessa, o V. Guimarães também não pode esperar noventa minutos fáceis na Mata Real, pois o Paços de Ferreira ainda procura os pontos que garantam a manutenção. A recepção ao Boavista apresenta, igualmente, um grau de dificuldade médio, mas são as duas partidas seguintes que podem definir a performance de Manuel Cajuda. Caso a decisão fique para a última jornada, o Est. Amadora não parece ter argumentos para contrariar o favoritismo de vimaranenses.

Previsão pontual: entre 14 e 9 pontos conquistados

O V. Setúbal tem-se revelado, a par do outro Vitória, uma das maiores revelações da temporada 2007/08. No entanto, convém lembrar que o vencedor da Carlsberg Cup ainda tem pretensões na Taça de Portugal e, como tal, a principal dúvida reside no esforço final que será exigido a uma equipa já de si explorada até ao limite. Os confrontos com FC Porto e Belenenses representam dificuldade elevada, mas o desfecho pode estar marcado para o Estádio da Luz, precisamente na última jornada.

Previsão pontual: entre 12 e 7 pontos conquistados

Teoricamente, é notório que o Sporting apresenta o calendário mais favorável. Porém, na presente época, os comandados de Paulo Bento não têm primado pela regularidade. A deslocação à Mata Real não costuma trazer boas recordações e, de visita a Alvalade, Sp. Braga, Marítimo e Boavista podem ter pretensões de atingir um lugar de acesso à Taça Uefa.

Previsão pontual: entre 16 e 11 pontos conquistados

O futebol é fértil em surpresas. Nada garante que os históricos vizinhos da 2.ª circular consigam o sprint final. Os Vitórias também já provaram que têm uma palavra a dizer. Na época anterior, o título resolveu-se na última jornada. Na presente temporada, o cenário pode ser idêntico para definir qual deste quarteto conseguirá o lugar de acesso directo à Champions League. Aposto numa batalha feita minuto a minuto.

[Classificação final] pontos totais/pontos conquistados

SL Benfica - 57 / 13
V. Guimarães - 56 / 12
Sporting CP - 55 / 14
V. Setúbal - 51 / 10

sábado, 8 de março de 2008

Economia e finanças do futebol

Actualidade
Resultados Desportivos - Será uma questão de activos?
Analisando a relação entre a política de investimento do Sporting Clube de Portugal no reforço do plantel e os resultados desportivos, verifica-se que, o caminho delineado pela direcção da SAD suporta duas opções estratégicas: por um lado, rigorosa contenção da massa salarial dos elementos que compõem a equipa de futebol; por outro lado, apurada restrição orçamental no reforço qualitativo do plantel leonino. {Ler mais»}

Há dias, analisando os relatórios & contas dos três grandes portugueses, escrevi sobre a relação que se coloca entre a política de investimento no reforço do plantel e os resultados desportivos.
O tema citado acaba por destacar tópicos com cabimento no conceito do site "Futebol Finance", tendo ficado combinado o compromisso de uma participação que se pretende regular e periódica. Julgo tratar-se do estreitar de uma colaboração, com início neste espaço, mas que vem no seguimento do meu especial interesse por assuntos do "Sport Business", visto a minha dissertação de mestrado incidir no estudo dos Activos Intangíveis das Sociedades Anónimas Desportivas.
Para terminar, é minha intenção despertar o interesse pela economia e finanças do futebol, contribuindo para uma maior visibilidade, quer dos meus textos, como do site "Futebol Finance", o qual sugiro visita atenta.