Na elaboração de uma qualquer campanha publicitária, um 'briefing' é um documento essencial. Numa reunião vocacionada para debater a política desportiva, nada como recolher um conjunto de informações cruciais para definir um plano de acções de melhorias. Aqui fica o meu contributo, do que não se deve fazer:Avançar a conquista da Champions League como um objectivo realista. Sermos humilhados nessa mesma competição por emblemas de Israel. Enunciar pensamentos ligados ao futebol com sobranceria e falta de humildade. Discursar de forma arrogante. Adquirir porteros directamente responsáveis pela perda de pontos (em momentos decisivos) por 8,5 milhões de euros. Manter no plantel atletas da estirpe de Luís Filipe, Airton, Felipe Menezes, Alan Kardec, Weldon. Optar pela aquisição de jovens jogadores (Carole, José Luís Fernández) que não trazem valor acrescentado à equipa. Ignorar a Caixa Futebol Campus como viveiro de promessas encarnadas, identificadas com a matriz do clube, em detrimento de negócios incompreensíveis e pouco transparentes. Escolher um rumo desportivo assente numa carga salarial elevada, com inúmeros jogadores emprestados, com discutível retorno desportivo e financeiro. Contar, apenas, com um lateral direito na equipa (Maxi Pereira). Contar, somente, com um lateral esquerdo no plantel (Fábio Coentrão) sem susbtituto à altura. Vender um titular em Janeiro (David Luiz) quando o clube ainda tinha sérias aspirações na conquista de troféus importantes (não se aprendeu com a saída de Ricardo Rocha? Quantas tentativas são precisas?). Desenhar um plantel desequilibrado, constituído por vários atletas sem perfil para representar uma instituição vencedora como o Benfica. Apontar os insucessos desportivos à arbitragem, à comunicação social, ao alinhamento estelar. Apostar na excessiva rotação da equipa no campeonato nacional, levando os adeptos a presenciarem exibições medíocres (sem atitude e qualidade futebolística), com resultados que a todos envergonham. Perder na Luz com o FC Porto (1-2) quando estava em causa um recorde que datava de 1972/73. Perder na Luz com o FC Porto (1-3) numa meia-final da Taça de Portugal, com uma vantagem de dois golos. Ser eliminado pelo Sp. Braga nas meias-finais da Liga Europa, clube recém chegado à elite do futebol, sem a mínima compração em termos de experiência e prestígio.
Para já, ficamos por aqui. Uma chamada de atenção: estes tópicos não são erros desportivos; são atentados à saúde pública dos benfiquistas. Muitos dos factos aqui descritos não têm desculpa. São a cópia fiel de épocas anteriores. Finalmente, não anunciar publicamente a conquista do próximos campeonato nacional como um dado adquirido e passível de apagar a vergonha desta temporada. Os últimos dias, e semanas, jamais serão esquecidos. A única forma de apagar o descalabro vivido será reverter todas as derrotas importantes sofridas nesta temporada: (i) ganhar ao FC Porto, em pleno Dragão, de forma a comemorar em território hostil a festa do título; (ii) vencer o FC Porto, no seu estádio, numa meia-final da Taça da Liga ou da Taça de Portugal, quando as bets apontam em sentido contrário; e, (iii) alcançar as meias-finais de uma competição europeia, não claudicando perante um adversário que se tornou 'moda' no mundo do futebol em meia dúzia de anos.
Repito, será muito difícil apagar a desilusão sofrida no decorrer da época 2010/11. Da minha parte, a fasquia de exigência está muito elevada. Ponto crítico. A paciência, há muito está esgotada. Tolerância zero.




