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domingo, 8 de junho de 2008

[Euro'2008] Grupo A: Portugal 2-0 Turquia

Posse de bola determinante
Portugal dominou o jogo, o que é visível pela percentagem de posse de bola. Ao intervalo tinha 63 por cento e até marcar o primeiro golo o jogo foi praticamente de sentido único. A equipa de Luiz Filpe Scolari também foi mais disciplinada, cometendo apenas dez faltas, quatro delas depois do golo inaugural, contra 23 da Turquia - um indicador da qualidade, bem como da quantidade da sua posse de bola.


Ocasiões de golo
Ambos os golos surgiram de jogadores inesperados, que nunca tinham marcado por Portugal. E ambos foram resultado de uma forma de jogar mais aberta e ofensiva, em vez da contenção. A Turquia não criou uma única oportunidade de golo flagrante e só ameaçou a baliza lusa ocasionalmente, através de cruzamentos e pontapés de canto. Em oposição, Portugal fez oito remates à baliza, dois dos quais ao poste - por intermédio de Cristiano Ronaldo e Nuno Gomes - e um outro que embateu na barra da baliza, da autoria do capitão português (Nuno Gomes), num remate de cabeça.


Pontuação (de 1 a 10 ) e análise Catenaccio:

Ricardo (6,5)
Não teve muito trabalho, mas esteve concentrado e atento aos cruzamentos. Exige-se maior cuidado a jogar com os pés.
Bosingwa (7,5)
Procurou envolver-se ofensivamente, mas sem descurar o espaço de jurisdição. Raramente foi ultrapassado em duelos individuais.
Pepe (9) (melhor em campo)
Excelente exibição. Atrás, não deu qualquer hipótese aos seus adversários directos e, à frente, na marcação de pontapés de canto, esteve em foco. Mereceu o golo que marcou.
Ricardo Carvalho (7)
Esteve mais discreto que o colega de sector, mas soube comandar a defesa com acerto. Revelou atenção nas dobras.
Paulo Ferreira (7)
Sabia-se que não iria usufruir de muita liberdade para subir no terreno, mas teve a virtude de não complicar. Vale pelo posicionamento e rigor táctico.
Petit (7,5)
A desconfiança sobre a sua condição física foi plenamente esquecida. Sem ter sido brilhante, foi importante na manutenção de equilíbrios colectivos.
João Moutinho (8,5)
O maior elogio que se lhe pode fazer é que encheu o campo, quer no auxílio transmitido na transição defensiva, quer na condução de bola e na criação de linhas de apoio e de passe. Uma formiguinha de trabalho.
Deco (8)
Fez jus às suas qualidades, nomeadamente ao pautar o ritmo de jogo e coordenar os lances ofensivos. Muito bem no passe longo, a solicitar a entrada dos extremos.
Simão (7)
Não teve jogadas de génio a que já nos habituou, mas esteve perto de marcar na marcação de um livre directo. Não se escondeu e soube jogar para o interesse da equipa.
Cristiano Ronaldo (7)
Do "puto maravilha" espera-se sempre algo grandioso. Não realizou uma exibição de encher o olho, até porque esteve sempre muito rodeado por vários adversários. Ainda assim, graças à sua presença condicionou, de que maneira, a artilharia turca.
Nuno Gomes (7,5)
Podem acusá-lo de, mais uma vez, ter demonstrado insuficiências na finalização. De qualquer modo, esteve muito interventivo e pode queixar-se de falta de sorte naqueles remates que embaterem no poste e na barra. Delicioso o pormenor da tabelinha com Pepe.
Nani (6)
Procurou mostrar serviço mas, por uma razão ou por outra, não esteve feliz no último passe.
Raul Meireles (6,5)
Entrou para dar segurar a bola e oferecer maior vivacidade e frescura ao meio-campo. Conseguiu desempenhar esse papel e, ainda, teve tempo para confirmar a vitória.
Fernando Meira (-)
Entrou já na parte final, como forma de assegurar a magra vantagem. Mal teve tempo para tocar na bola mas, logo a seguir, Portugal fechou a contagem.

terça-feira, 8 de abril de 2008

[Futebol turco] Fenerbahçe

A situação económica e social do país é deprimente. Vencida a batalha da política orçamental, sobra o défice de valores éticos e princípios morais. Não sendo excepção, o futebol é reflexo da sociedade e, pelos milhões que movimenta, exponencia a ilegalidade e corrupção. Mas, começo a ficar cansado do tema relacionado com apitos. Chega a causar ligeira depressão ter que lidar com evidências douradas e finais, sabendo que as consequências, para os prevaricadores do "sistema", são praticamente nulas. Assim, chegou a hora de voltarmos a pisar a relva. Sentir a paixão do futebol. Proponho uma viagem até à Turquia.

Um dia, gostaria de visitar a Turquia. Gastronomia, história e diversidade cultural são alguns dos factores que fazem deste país um destino a considerar. Começaria por uns dias de lazer pela grandeza de Capadócia, usufruiria do descanso e beleza das praias de Antalya e terminaria em Istambul, onde o Ocidente se cruza com o Oriente.

O turismo não ficaria por aqui. Há mais locais obrigatórios. Vejam se estes nomes são familiares: Sukru Saracoglu, Ali Sami Yen e Inonu. São, respectivamente, os estádios de Fenerbahçe, Galatasaray e Besiktas. O futebol turco fascina-me.

Pela televisão, acompanhamos os espectáculos da liga inglesa, espanhola e italiana. São as ligas de top, onde pontificam os melhores jogadores. O campeonato turco pode não preencher requisitos de notoriedade e a qualidade do futebol praticado pertence à 2.ª divisão europeia. Porém, que dizer do ambiente vivido nos estádios? Quando o FC Porto defrontou o Besiktas, ainda na fase de grupos, Quaresma ofereceu a camisola a um adepto turco. Foi a merecida homenagem a um público especial.

Nesta temporada, há um clube que se destaca: Fenerbahçe. Na Champions League, quase parece um corpo estranho, misturado entre Barcelona, Roma, Schalke 04 e os colossos da Premier League. A realidade é que o Fenerbahçe está nos 1/4 de final da competição e, a semana passada, até venceram o Chelsea por 2-1. Segui a partida pela televisão e, aquando do segundo golo, marcado por Deivid (conhecem?), nos instantes finais, senti um arrepio na espinha, ao ver tamanha devoção e enorme paixão. Chega a ser quase irracional, aqueles sentimentos que se vivem nas bancadas. Assustador. Mas, ao mesmo tempo, magnífico aos olhos dos apaixonados do futebol, nomeadamente a quem está (esteve) habituado a ambientes vividos num 3.º anel repleto de emoção. Diferentes realidades, em "infernos" semelhantes.

Não pude deixar de reparar num jogador: Deivid. O brasileiro teve uma passagem discreta pelo Sporting, mas na Turquia parece ter reencontrado o faro goleador. Frente ao Chelsea, infeliz no autogolo, redimiu-se com um extraordinário remate a 30 metros da baliza. Já revi o lance, vezes sem conta - disponibilizo o vídeo no final do post - mas é sempre maravilhoso observar a relação entre o golo de Deivid (causa) e a loucura sentida nas bancadas do Sukru Saracoglu (efeito).

Suponho que muitos sportinguistas fiquem admirados com este jogador que já fez dupla com Liedson. Que tal analisarmos alguns dados pessoais do brasileiro? Descubra as diferenças:

Sporting CP [Dados da carreira] Competição - Jogos / Golos (Minutos)

[2006/07]
Pré-Época 4J / 1G (-)
bwin Liga 1J / 2G (31)
[2005/06]
Pré-Época 2J / 1G (-)
bwin Liga 25J / 6G (1.639)
Taça de Portugal 2J / 1G (180)
Taça Uefa 2J / 1G (-)
Liga dos Campeões 2J / 0G (124)

Fenerbahçe [Dados da carreira] Competição - Jogos / Golos (Minutos)

[2007/08]
Türkiye 1. Süper Lig (-)J / 9G (-)
Liga dos Campeões 8J / 5G (717)

Vindo do Santos, na temporada 2005/06, a concorrência era apertada: Doula, Sá Pinto, Silva e Wender. Ainda assim, na competição nacional, esteve presente em 25 jogos e acertou nas redes em 6 ocasiões. Curiosamente, na época seguinte, Deivid despediu-se de Alvalade com um bis frente ao Boavista, rumando depois ao futebol turco. Da parte dos adeptos leoninos, dá que pensar na sociedade que poderia desempenhar com Liedson. Actualmente, Deivid tem sido decisivo na campanha europeia do Fenerbahçe o que leva a supor que o custo do seu passe aumenta na mesma proporção com que acerta nas redes adversárias. Vamos terminar. Esqueçam os apitos, liguem os altifalantes e voltem a sentir a emoção do futebol.