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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

E o próximo treinador do FC Porto é...

Hipótese a ter em conta? Senão reparem neste prometedor cartão de visita: Pedro Emanuel foi jogador, capitão, (dragão de ouro?), treinador de juniores B Sub-17 e treinador adjunto do FC Porto. Uma folha de serviços assinalável, em prol de uma instituição centenária...

Observem, agora, com atenção redobrada, ou óculos 3D, o sistema táctico preferencial de um homem conhecido pelo seu acentuado desvio ocular:

football formations

Maravilha! Não podia ser mais perfeito: um 4x3x3 que se assemelha às formações tácticas ultimamente presentes no Dragão. Memorizem: nem seriam precisas elaboradas modificações no powerpoint, bastava alterar o nome dos jogadores.

A sério, sigam o meu raciocício: o central Abdoulaye não é uma espécie de Rolando, o Adrien uma cópia fiel de João Moutinho, o Danilo um tecnicista do tipo Belluschi e o Sissoko um Hulk em potência? Vá lá, mais tarde ou mais cedo, sabemos que o estágio em Coimbra vai terminar...

sábado, 12 de abril de 2008

[bwin Liga 26.ª jornada] SL Benfica 0-3 Académica

Cheguei do Estádio da Luz, comi uma peça de fruta e, como não poderia deixar de ser, sentei-me em frente ao computador, a ler as mais diversas reacções à "catástrofe" desta noite.
Começo por afirmar que o momento mais triste não foi protagonizado por Miguel Pedro, Berger ou Luís Aguiar. Faltavam cerca de 10 minutos para o final quando vejo uma miúda, que deveria ter entre os 10 a 12 anos, levada pela mão de um Pai inconsolável. Quando passaram perto de mim, ouço a seguinte frase: "Pai, eu não disse que preferia ter ido ao McDonald's"?
Depois da exibição bem conseguida no Bessa, os adeptos compareceram em número bastante considerável. Na blogosfera identificada com o ideal encarnado, foram vários os pedidos para uma comparência em massa, quase como um chamamento à esperança que resta(va) até ao fim da temporada. Mais uma vez o público correspondeu. Mais uma vez saímos defraudados. Desanimados. Envergonhados.
A "Briosa" não vencia os encarnados como visitante desde a época 1953/54 mas igualou a pior derrota caseira de sempre das águias em jogos do campeonato nacional. Nem o mais faccioso adepto de capa e batina esperaria tal resultado. A realidade não podia ser mais irónica e cruel.
Quando relembro a desconfiança respeitante a Edcarlos, fico perplexo como aos 4 minutos Luisão consegue fazer o impensável: falha colossal num atraso de bola e o avançado da Académica a entrar na área encarnada e a abrir o marcador. Após o "filme de terror" realizado por Luisão, a restante sequência protagonizada pelo "girafa" e pelo seu colega Nélson, foi como se nas bancadas estivéssemos a assistir a uma trágico-comédia. Será que Luís Filipe, Edcarlos e Maxi Pereira fariam melhor? Quando a dúvida se coloca é porque o "filme" já acabou há muito e ficámos estáticos a olhar para um "pano negro".
Chegou a hora de uma intervenção mais pessoal. Depois do terceiro golo, pensei que havia ameça de bomba ou tinham raptado a águia Vitória. Vi um mar de gente a abandonar o Estádio mas, como sempre, fiquei até ao fim. Chamem-me masoquista. É certo que nos últimos 20 minutos já não falava com ninguém. Limitava-me a tapar as mãos, com frio, e a olhar para o relvado com aquele semblante de quem já viveu situações semelhantes, num passado não muito distante. O jogo teve 90+4 minutos, porque se tivesse prolongamento poderia ter vindo para casa com uma derrota de mão cheia.
Hoje, a "Catedral" estava repleta de famílias e crianças, talvez pelo facto dos menores de 18 anos não terem de pagar bilhete. Perto de mim, estavam novos e velhos, homens e mulheres. Eu tenho trinta e três anos, sou sócio há dezassete e hoje senti-me como um elemento de uma geração à parte. Por um lado, é visível o desencantamento no olhar daqueles que têm quarenta, cinquenta ou mais anos. Agitam-se nas bancadas. Barafustam. Mas, acabam por não resistir ao desgosto e terminam derrotados. Perderam a esperança. Por outro lado, é notória a resignação na cara daqueles que ainda lutam com o borbulhar da adolescência. Agitam-se nas bancadas, mas sem a paixão dos mais velhos. Barafustam, mas falta-lhes o espírito de vitórias e a presença da história. Entende-se o fenómeno quando olhamos para as estatísticas: um adepto do FC Porto com dezoito anos, já viu o seu clube campeão em doze ocasiões. Assim, compreende-se quem prefira ir ao McDonald's.
Não querendo generalizar, até porque o sentimento não escolhe idades, julgo que pertenço a uma geração que está no limiar de dois mundos. Da glória e do fracasso. Pertenço ao tempo em que o Benfica partilhava o domínio nacional com o FC Porto e dividia campeonatos. Pertenço a um tempo de dirigentes ainda competentes, de treinadores qualificados, de jogadores de classe. Porém, também fui observando o lado escuro da decadência, da quebra de hegemonia desportiva e do declínio financeiro. Não vivi o período dourado das conquistas europeias, mas senti as noites "infernais" do antigo Estádio da Luz. Talvez esteja na fronteira: já sou velho para saber decifrar o peso da história, mas ainda sou novo para não perder a esperança.
Esta noite, ao terminar o jogo, apeteceu-me um regresso ao passado. Lembrei-me de como há dez ou quinze anos atrás, este resultado teria consequências completamente diferentes. Desde logo, jogadores e dirigentes sentiriam a fúria de valentes milhares de adeptos que não arredariam pé tão cedo. Violência nunca, mas um clamor colectivo na hora certa faz milagres.
O futuro não se conquista com falinhas mansas, mas sim com o legítimo direito à indignação. Lembram-se do FC Porto antes de José Mourinho? Recordam-se dos cânticos utilizados? Essas frases de "joguem à bola, palhaços joguem à bola" e "são uma vergonha, vocês são uma vergonha", serviram, como gritos de união no balneário de um FC Porto que venceu a Taça Uefa e a Liga dos Campeões, nos anos seguintes.
Sou a favor de apoio incondicional durante 90 minutos, mas não consigo tolerar, de ânimo leve, exibições como a desta noite. Não há desculpas. Os jogadores mereceram todos os assobios e impropérios no final da partida e, se calhar, ainda ficou aquém. Neste sentido, durante toda a época desportiva, as claques fazem o seu trabalho fantástico de apoio e paixão por uma causa, mas são acéfalas e cegas na hora em que se devia abanar o status quo. Aquela ladainha no final do jogo é irritante. A atitude correcta, no momento certo não é uma forma de criticar o Benfica. É uma forma de ajudar a torná-lo mais forte, como forma de agitar mentalidades e promover a mudança.
Durante a semana, após a bela exibição no Bessa e, principalmente, derivado de acontecimentos ligados à arbitragem e aos casos de corrupção, desejei que o Estádio da Luz apresentasse uma moldura humana que fosse o espelho fiel da união e força benfiquista. Pela blogosfera pedia-se que o patamar dos 50.000 fosse ultrapassado. Os adeptos sempre responderam. A equipa é que nunca soube receber esse apoio. Não ganhámos ao FC Porto. Nem ao Sporting. Tampouco ao Braga. Nem ao Nacional. Idem para o V. Guimarães. Nem sequer ao Getafe. Na bwin Liga, perdemos dezoito pontos em casa. Hoje foi a gota de água. A paciência esgotou-se.
No próximo jogo, frente ao Belenenses, o meu pedido é diferente. Não vão ao Estádio. Fiquem em casa, a ver pela televisão ou escolham outro programa mais interessante, desde que não seja o McDonald's. A sério, não vão. Esqueçam a fasquia dos 50.000 ou prenúncios de casa cheia. O ideal mesmo seria uma lotação a rondar os níveis de Leiria. Vamos tentar contribuir para o fenómeno das bancadas vazias, como sinal de protesto. Talvez os jogadores não sintam a pressão da nossa presença.
Depois, frente ao V. Setúbal, esqueçam estas últimas linhas. Na despedida, o Rui Costa merece um estádio com 65.000 almas a cantar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A visão de um adepto da Académica

A respeito do post anterior, relato um episódio curioso. No final do jogo liguei ao meu Pai, procurando saber qual a sua justificação para mais uma exibição apagada. Ele seguiu a partida através da televisão e, sendo adepto da Académica, tem uma visão imparcial sobre a actualidade do futebol benfiquista. Então, a certa altura, diz-me ele: “O Benfica é um grupo de jogadores vulgares”. No caminho para casa fui a pensar naquelas palavras.
Em pouco mais de cinco minutos, procurei explicar que as más exibições eram o reflexo de: uma péssima planificação desportiva; um clima de instabilidade constante; uma excessiva exposição pública. Para piorar, as opções técnico-tácticas de José António Camacho são muito discutíveis. Inclusive, na altura, tentei encontrar razões para o injustificável e a forma encontrada para rebater a frase foi através daquele (gasto) argumento que diz que os jogadores encarnados, na sua maioria, são internacionais pelos seus países.
Depois de reflectir um bocado, tenho de dar razão ao meu Pai, mesmo sabendo que o nível de exigência a que está habituado remonta às décadas de 60 e 70. Ele teve a oportunidade de viver a melhor fase do Benfica, aprendendo a respeitar a sua história. Quem foi contemporâneo de Coluna, Eusébio e, mais tarde, Humberto Coelho e seus pares, só pode catalogar esta equipa como uma anedota. Percebo o teor das suas palavras, quando o referencial de qualidade encontra-se a anos-luz da actualidade.
Como tenho 33 anos, só posso ver as jogadas de Coluna e os golos de Eusébio através da televisão ou do You Tube. Também era muito miúdo na altura de Humberto Coelho, Pietra, João Alves, Chalana, Diamantino, entre outros e as lembranças são vagas. Assim, a minha referência comparativa resume-se à grande equipa de finais da década de 80, início de 90, onde pontificavam valores como Mozer, Ricardo Gomes, Valdo, Jonas Thern, Rui Costa, Isaías, só para citar alguns. Mais recentemente, o grupo constituído à volta de Simão dava boas perspectivas, pois o esqueleto base reunia diversos internacionais portugueses de qualidade já apreciável.
Sim, esta equipa tem jogadores vulgares. Claro que há excepções: Rui Costa mantém-se como expoente máximo, Katsouranis é titular da, ainda, selecção campeã europeia, Luisão é habitualmente convocável pelo Brasil e mais quatro ou cinco jogadores têm um passado ou um potencial que não deixam dúvidas. Agora, não sejamos ingénuos. Jogadores como Nélson, Luís Filipe e Nuno Assis não são escolhidos por Scolari. Outros como Léo, Petit e Nuno Gomes ultrapassaram os trinta e as lesões começam a ser habituais. As selecções do Uruguai e Paraguai estão longe de serem colossos mundiais. Sepsi é só titular dos sub21 da Roménia. Freddy Adu vem de um país sem tradição no futebol e o mesmo ponto de vista pode ser utilizado para Zoro e Bynia. Para uma equipa como a do Benfica, é muito pouco. Os pergaminhos do clube assim o exigem.