Sobre o jogo propriamente dito, começo por destacar o evidente: é verdade que existem erros individuais clamorosos e as opções, técnicas e tácticas, do treinador também não ajudam. Porém, será que explica tudo?
Sobre o primeiro tema, como comentar o desempenho de Luís Filipe? Quem foi o responsável pela sua contratação? É que contemplar a política desportiva da SAD é um exercício de masoquismo. Para os menos atentos, relembro que o ex-bracarense envolveu um investimento de 500 mil euros...quando João Pereira, mesmo não sendo um lateral do outro mundo, tem sido o melhor de Braga. Bem, se até Fernando Santos dispensou o jogador, aquando da passagem pelos vizinhos de Alvalade...
Obviamente, não fica por aqui. Por acaso Maxi Pereira é melhor do que Bruno Aguiar, jovem das escolas encarnadas? Então se referir o brasileiro Geovanni, estraga logo qualquer tentativa de comparação. Conclusão: nem sequer estou a ser exigente, mas a delapidação do plantel nas últimas épocas acarreta as suas consequências.
Sobre o tema Camacho, muito poderia ser escrito. Chega a ser incompreensível a forma como o treinador prepara a equipa: salir a ganar ou salir a jugar? Mais do que o sistema táctico, não existe uma clara ideia sobre o modelo. Como se diz, em linguagem popular, o Benfica não tem fio de jogo.
Sendo possível dar dinâmica ao 4x2x3x1, torna-se necessário definir tarefas certas entre os pivots defensivos e mecanizar movimentos que dêem identidade ao colectivo. Lamentavelmente, o onze do Benfica não sabe como e quando deve efectuar a pressão, apresenta dificuldades de posicionamente nos momentos de transição e, para piorar, alguns jogadores encontram-se nos lugares errados. Um dos exemplos, já debatido, diz respeito à posição do maestro.
Outra situação problemática prende-se com o fornecimento de bolas para Makukula. A opção por dois pivots defensivos, a presença de alas como Maxi Pereira e Nuno Assis, incapazes de dar profundidade, e Rui Costa numa zona que não favorece as suas características actuais, acaba por apagar qualquer n.º 9. Aliás, estar ali Makukula ou Ibrahimovic seria (quase, quase) igual.
Bem, mas será que o ónus da culpa vai inteiramente para Camacho? Não creio. Com Fernando Santos era igual ou pior. Até com Trapattoni existia contestação à qualidade exibicional. A opinião pública gosta de encontrar bodes expiatórios. Por vezes, entre jogadores. Quase sempre, entre treinadores. Só o máximo responsável pelo clube fica afastado do tom crítico. Eu prefiro analisar a conjuntura actual de uma forma mais global. A minha esperança é só uma: eleições em 2009.