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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

[Uefa Cup 1/16] Nuremberga 2-2 SL Benfica

Desespero. Para não variar, mais uma exibição (colectiva) a roçar o medíocre. A melhor equipa dos últimos 10 anos - na opinião de um iluminado - ofereceu 90 minutos de ansiedade e sofrimento. Salvou-se o resultado, ao cair do pano. A carreira europeia prossegue, mas até quando? Esperemos que Getafe não faça lembrar...Espanyol.
Sobre o jogo propriamente dito, começo por destacar o evidente: é verdade que existem erros individuais clamorosos e as opções, técnicas e tácticas, do treinador também não ajudam. Porém, será que explica tudo?
Sobre o primeiro tema, como comentar o desempenho de Luís Filipe? Quem foi o responsável pela sua contratação? É que contemplar a política desportiva da SAD é um exercício de masoquismo. Para os menos atentos, relembro que o ex-bracarense envolveu um investimento de 500 mil euros...quando João Pereira, mesmo não sendo um lateral do outro mundo, tem sido o melhor de Braga. Bem, se até Fernando Santos dispensou o jogador, aquando da passagem pelos vizinhos de Alvalade...
Obviamente, não fica por aqui. Por acaso Maxi Pereira é melhor do que Bruno Aguiar, jovem das escolas encarnadas? Então se referir o brasileiro Geovanni, estraga logo qualquer tentativa de comparação. Conclusão: nem sequer estou a ser exigente, mas a delapidação do plantel nas últimas épocas acarreta as suas consequências.
Sobre o tema Camacho, muito poderia ser escrito. Chega a ser incompreensível a forma como o treinador prepara a equipa: salir a ganar ou salir a jugar? Mais do que o sistema táctico, não existe uma clara ideia sobre o modelo. Como se diz, em linguagem popular, o Benfica não tem fio de jogo.
Sendo possível dar dinâmica ao 4x2x3x1, torna-se necessário definir tarefas certas entre os pivots defensivos e mecanizar movimentos que dêem identidade ao colectivo. Lamentavelmente, o onze do Benfica não sabe como e quando deve efectuar a pressão, apresenta dificuldades de posicionamente nos momentos de transição e, para piorar, alguns jogadores encontram-se nos lugares errados. Um dos exemplos, já debatido, diz respeito à posição do maestro.
Outra situação problemática prende-se com o fornecimento de bolas para Makukula. A opção por dois pivots defensivos, a presença de alas como Maxi Pereira e Nuno Assis, incapazes de dar profundidade, e Rui Costa numa zona que não favorece as suas características actuais, acaba por apagar qualquer n.º 9. Aliás, estar ali Makukula ou Ibrahimovic seria (quase, quase) igual.
Bem, mas será que o ónus da culpa vai inteiramente para Camacho? Não creio. Com Fernando Santos era igual ou pior. Até com Trapattoni existia contestação à qualidade exibicional. A opinião pública gosta de encontrar bodes expiatórios. Por vezes, entre jogadores. Quase sempre, entre treinadores. Só o máximo responsável pelo clube fica afastado do tom crítico. Eu prefiro analisar a conjuntura actual de uma forma mais global. A minha esperança é só uma: eleições em 2009.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

[Uefa Cup 1/16] SL Benfica 1-0 Nuremberga

Em dia de S. Valentim, não foi desta que a equipa do Benfica conseguiu criar um ambiente de enamoramento com os adeptos. O resultado abre boas perspectivas para a partida da 2.ª mão, a realizar no Frankenstadion a 21 deste mês. Porém, a exibição colectiva dos encarnados esteve longe de ser feliz.
José António Camacho acabou por fazer a vontade à plateia: dois avançados no onze titular - Ariza Makukula (autor do golo) e Óscar Cardozo - num desenho táctico próximo do 4x4x2 clássico. Dando razão às convicções iniciais do treinador, a coexistência das duas torres vermelhas veio condicionar a fluidez de jogo a meio-campo. A dupla raramente funcionou, sendo um dos motivos para uma performance global aquém do nível que se espera e exige. Neste momento, importa debater o seguinte: será praticável adoptar o 4x4x2 como esquema preferencial, em detrimento do 4x2x3x1?
A resposta está no timing de implementação. Mudar o sistema táctico, a meio da época, implica riscos acrescidos no modelo de jogo. Não julgo ser incompatível a presença de dois avançados com características muito semelhantes, mas há que trabalhar mecanismos de entrosamento. Só através do treino, será possível aos jogadores assimilarem novos movimentos na forma de atacar, de forma a conciliar o raio de acção dos avançados. Façamos, de seguida, uma analogia com o xadrez.
Não há dúvida que as duas torres - Ariza Makukula, 190cm e Óscar Cardozo, 193cm - bem apoiados pela dinâmica da zona intermediária, podem ser devastadores em certas circunstâncias. Curiosamente, tal como no tabuleiro de 64 casas, estas torres encarnadas não apresentam argumentos para realizar diagonais e acabaram por chocar contra uma muralha de peões alemães.
Para contrariar esta menor vocação de mobilidade (que falta faz um jogador como Miccoli), espera-se que os bispos - Nuno Assis, à direita e Cristián Rodríguez, à esquerda - sejam os elementos desequibradores, realizando diagonais, da faixa para o centro e vice-versa. As entradas posteriores de Di María e Freddy Adu perseguem o mesmo objectivo, apenas variando nos meios utilizados: incremento de profundidade nas alas, privilegiando jogadas de 1x1 e nunca descurando a potencialidade de uma transição ofensiva rápida.
Continuemos a seguir a linguagem xadrezística. Quando o adversário coloca a maioria das peças à frente do rei - leia-se baliza - posicionando-se atrás da linha da bola, resta uma solução desestabilizadora: fazer bom uso da imprevisibilidade de movimentos de um cavalo. Na partida de ontem à noite, mais do que um cavalo, foi graças a um cavaleiro de 35 anos, criativo e inteligente, que o bloco defensivo abriu uma brecha para o remate de Makukula.
No futebol, tal como no xadrez, fica a lição: duas torres podem ser muito úteis, mas por vezes é um cavalo que dá xeque-mate. Termino com esse momento mágico de Rui Costa.