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quinta-feira, 18 de junho de 2009

A recusa de José Eduardo Moniz

José Eduardo Moniz, diretor-geral da TVI, não vai entrar na corrida eleitoral do Benfica. O patrão do canal de Queluz resolveu não aceder ao convite endereçado pelo movimento "Benfica, Vencer, Vencer" mas, na sua declaração aos jornalistas, não rejeitou a possibilidade de, no futuro, disputar a presidência do clube da Luz. Aliás, foi ao ponto de afirmar que, com mais tempo, "contaria uma estória diferente".

Confessando a "amargura e tristeza" por ver o clube passar "da glória à banalidade", Moniz garantiu ainda que não busca "objectos de ordem material" e que não precisa do Benfica "para obter projecção ou notoriedade". "Não me interessa ganhar por ganhar, para depois ser obrigado a gerir um projecto de outros, que seria o que aconteceria dados os compromissos entretanto assumidos pela Direcção em gestão", acusou.

[Vídeo] Conferência de imprensa de José Eduardo Moniz

Apesar do 'truque' das eleições antecipadas, desde o início acreditei que surgisse uma lista credível, repleta de benfiquismo e composta por indivíduos de reconhecida capacidade profissional. Inclusive, com grandes hipóteses de vencer já no dia 3 de Julho. O cenário contrário seria deitar como perdido todo o tempo depositado no 'Movimento', desiludindo uma onda vermelha cada vez maior e matando a crença e esperança de muita gente.

Esperava uma figura forte, com verdadeiro impacto e visibilidade junto da nação encarnada. Alguém que mexesse com o coração das pessoas e as fizesse ter fé numa alternativa válida, capaz de olhar pelo futuro do clube. Não sendo assim, os próximos anos serão, muito provavelmente, uma fotocópia das últimas épocas: enorme prejuízo e insucesso desportivo.

Os vieristas ganham, mas é o Benfica que perde. Trata-se, tão só, de uma constatação coerente com aquilo que tenho vindo a escrever há uma série de tempo. Nada que seja novidade, portanto. Assim, da actual estrutura encarnada, Rui Costa é a única personalidade capaz de transmitir ainda alguma motivação para a temporada 2009/10. De qualquer modo, o sentido de voto está decidido: nulo.

O que resulta disto tudo? A experiência gratificante de ter feito contactos com várias pessoas do mundo do futebol, ter conhecido imensos anónimos de blogues e sites e, o mais imporante, ter feito parte de um projecto em que sempre depositei enorme esperança.

Sim, a desilusão é profunda. Pode-se afirmar que ficou plantada a semente para uma colheita futura. Porém, os resultados práticos são pouco mais do que nulos. Desconheço, agora, qual será o percurso e posicionamento de grande parte dessas pessoas. Eu cá estarei, como sempre, a actualizar este cantinho e a sofrer pelo meu Benfica.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Apresentação: Movimento 'Benfica, Vencer, Vencer'

Como era de esperar, estive ontem presente no Hotel Sheraton e segui com atenção a apresentação pública do 'Movimento'. A sala estava muito bem recheada, com benfiquistas a mais e ar condicionado a menos. Porém, o calor que se fez sentir não deixou esmorecer o apoio.

Obviamente, marcaram presença muitas caras conhecidas: Artur Correia, José Augusto, Mozer, Veloso, Manuel Damásio, Vítor Santos, João Carvalho, Fernando Tavares, José Veiga, Carlos Colaço, Telmo Correia, entre muitas outras. Sendo certo que admiro grande parte dessas figuras, mantenho alguns anti-corpos face a uma ou outra personalidade. No entanto, convém não esquecer que o 'Movimento' é aglutinador: pretende ser de inclusão e não de exclusão. Apreciei os discursos e gostei da moldura humana. Fiquei satisfeito por verificar que há imensos benfiquistas, de vários quadrantes, que clamam por uma alternativa melhor e mais virada para o sucesso desportivo.

Quanto ao candidato, já sabia que o nome de José Eduardo Moniz poderia ser uma forte hipótese e ficaria satisfeito se essa possibilidade se tornasse real. O director-geral da TVI tem trabalho para apresentar, é extremamente competente e bom profissional. Revela habilidade para gerir projectos ambiciosos e sabe liderar um conjunto vasto de pessoas. No fundo, tem uma carreira insuspeita, não cabe no rótulo de 'abutre' ou oportunista, tem visibilidade pública assente numa boa imagem e, também, um discurso cuidado e educado. Ainda por cima é benfiquista, sofre pelo clube e gosta de futebol. Espero que dê certo.

[Vídeo] Apresentação do 'Movimento Benfica, Vencer, Vencer'

[Vídeo] Entrevistas ao 'Movimento Benfica, Vencer, Vencer'

Para terminar, faz sentido colocar a questão: qual o percurso profissional do possível candidato às eleições do Sport Lisboa e Benfica? Vamos conhecer melhor José Eduardo Moniz...

Director de televisão, José Eduardo Moniz nasceu em 1952, nos Açores. A sua ligação ao jornalismo começou aos 18 anos em Lisboa, quando estava a frequentar o primeiro ano da universidade e pediu ao irmão para lhe arranjar qualquer coisa para fazer. Acabou por ir para o Diário Popular como jornalista estagiário e ao fim de seis meses entrou para o quadro do jornal.
Em 1973, editou um livro sobre educação, a área onde trabalhava no jornal, intitulado "A Crise Incógnita na Universidade em Portugal".
Aos 25 anos, José Eduardo Moniz já era coordenador da área de educação no Diário Popular e foi nessa altura que se mudou para a RTP. Foi levado para o canal estatal de televisão por Botelho e Silva, o seu chefe de redacção no Diário Popular, que tinha assumido o cargo de director de informação na RTP. O jornalista açoriano foi convidado a exercer o cargo de chefe-adjunto do departamento de Actualidades, sector onde eram tratadas as entrevistas e as grandes reportagens. Na RTP foi ainda editor-chefe, com a responsabilidade dos telejornais e da informação não-diária, e chefe dos serviços de informação dos Açores, tendo assim regressado à sua terra natal.
Depois voltou a Lisboa e passou a apresentar telejornais após ter substituído um colega ausente. Simultaneamente, José Euardo Moniz foi chefe de departamento de noticiários e subdirector de informação.
Em 1983, devido a mudanças no poder político, passou a desempenhar um papel pouco activo na RTP, mas, em compensação, apresentou as emissões da manhã da Rádio Renascença e foi director da revista Telestar.
Em finais de 1985, regressou aos cargos de chefia na RTP, onde passou a ser director de informação, para ficar na estação televisiva até 1994. Nesse ano, saiu e fundou a produtora de televisão MMM, que realizava trabalhos para a RTP.
Quando ingressou na TVI, para onde foi desempenhar o cargo de director-geral, vendeu a sua participação na produtora MMM, de modo a libertar-se de todos os compromissos externos. O ingresso de Moniz na TVI deu-se numa altura em que este canal privado de televisão atravessava uma grande crise, nomeadamente a nível de audiências. Mas, desde o ano 2000, uma série de programas de sucesso, entre os quais se deve destacar o concurso "Big Brother" e as telenovelas de produção portuguesa, levaram a estação a ser a mais vista em Portugal. A mudança de imagem que José Eduardo Moniz operou na TVI deu assim frutos quase de imediato.