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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Só um pequeno aparte...

Sabe-se que este espaço dedica mais tempo ao que se passa dentro do relvado, do que fora dele. Mas, é quase impossível fugir ao assunto que marca o dia. Permitam-me um pequeno aparte.
Surpreendentemente, ou talvez não, o treinador Artur Jorge emitiu a seguinte declaração: O treinador Artur Jorge, que levou o FC Porto à conquista da Taça dos Campeões Europeus em 1987, afirmou hoje que não tem "a menor dúvida" de que o castigo aplicado pela UEFA aos dragões se deveu à "pressão de terceiros".
"As pessoas que estiveram por detrás destas coisas todas devem estar agora muito contentes. Este processo é claro, só não vê quem não quiser", adiantou Artur Jorge em declarações à Agência Lusa.
O técnico português admitiu que não esperava este desfecho, mas mostrou-se confiante na reposição da justiça através do recurso apresentado pelo FC Porto.


Mesmo estando já com a cabeça no 4x2x3x1, ou 4x4x2, da selecção nacional e subjacente estratégia para o jogo com a Turquia, não consigo deixar de exprimir o meu desagrado perante tal alarvidade. Na opinião desta espécie de treinador, a noção de gravidade está associada a quem não pactua com actos (provados) de corrupção desportiva e faz eco institucional desse facto. Em nenhuma parte do seu discurso responsabiliza aqueles que fazem parte da direcção azul e branca. É a desculpabilização no seu esplendor.
Vindo do treinador preterido da selecção do Irão, nada me espanta. Este indivíduo, de suposta superioridade moral, limita-se a espalhar veneno por onde passa, não merecendo um pingo de credibilidade. Lamento profundamente que tenha, em tempos, vestido uma certa camisola com uma águia ao peito. Depois do bonito serviço que realizou no Benfica, ao qual Manuel Damásio não escapa incólume, trata-se de persona non grata. Nem José Mourinho, ao melhor estilo italiano, diria melhor.
Para que não fiquem a pensar que é só má vontade pessoal, leiam este livrinho de José Marinho: Pela Mística Dentro. Figuras ímpares como Mozer, ou Toni, tiraram-lhe o retrato perfeito: a de um ressabiado sem escrúpulos. Não fui eu que pintei o quadro. Só me lembrei de colocar a moldura.