sábado, 18 de maio de 2013

[Europa League Final] Chelsea 2-1 Benfica: A Aventura Amesterdão

Desaparecido do blogue, mas nunca afastado do Benfica. Esta época, salvo raríssimas excepções (por exemplo, o jogo caseiro frente ao Braga por motivos de férias), não tenho perdido um jogo na Luz. Quando se proporcionou a hipótese de ir a Amesterdão, acompanhar o clube do meu coração a uma final europeia, não hesitei: tinha de estar presente num evento desta importância. Assim, esta crónica persegue dois objectivos: por um lado, partilhar com os leitores, muitos deles amigos e conhecidos, a experiência vivida; por outro lado, deixar um testemunho histórico que mais tarde possa recordar. O texto será dividido por diversos capítulos, suportado por algumas fotos que dão colorido a esta aventura. Espero que gostem!

Os preparativos

Logo na noite após o 3-1 diante do Fenerbahçe, comecei a magicar qual a melhor maneira de ir a Amesterdão. Para ser mais preciso, semanas antes andava já a pesquisar alguns cenários nos Skyscanner desta vida, tendo concluído que os preços das deslocações aéreas aumentavam de dia para dia. Como a marcação dos dias de férias prometiam algum embaraço, na sexta-feira de manhã perdi a cabeça e avancei para um charter de ida e volta no dia do jogo. A mola impulsionadora foi a seguinte: em primeiro lugar, o facto de nunca ter ido ver um jogo do Benfica ao estrangeiro e, em segundo lugar, a lembrança da final dos penaltis com o PSV (com 13 anos) e a final do golo solitário de Rijkaard (com 15 anos). Ou seja, agora com 38 anos de idade, 23 anos depois da última final, e sem saber quando será a próxima, a única certeza que tinha era que desta vez não iria falhar.


Os dias antes da viagem

Posto isto, reservei o charter e fiquei motivadíssimo para a jornada europeia que ia (íamos viver). Por pouco tempo. No sábado, após ter conhecimento da forma como os bilhetes iam ser colocados à venda, temi pelo acesso ao ingresso mais desejado. Como sou sócio com Red Pass (normal), comecei fortemente a stressar com a possibilidade de não conseguir bilhete. Sábado. Domingo. Segunda. Terça. Vários dias angustiado com o receio de que não conseguiria cumprir o sonho. Felizmente, diria que quase no sprint final, com a ajuda de amigos que impecavelmente se disponibilizaram, e preocuparam para ajudar, consegui na quarta de manhã o tão desejado voucher que permitiu, mais tarde, levantar o bilhete que a foto documenta. Aos que aturaram o meu estado de ansiedade nesses dias, e me ajudaram a tornar realidade a aventura Amesterdão, o meu muito obrigado.

15 de Maio de 2013: a partida de Lisboa

O voo estava marcado para as 08h30, com o requisito de estar no aeroporto por volta das 07h00. Nessa manhã, acordei às 05h30 e, ao contrário de outros dias, a cama mais parecia um trampolim, pelo que me levantei num impulso elástico, com uma energia fácil de entender. Já no aeroporto, e na hora marcada, tempo para uma breve troca de impressões com a pessoa da agência que nos iria acompanhar (aproveito para agradecer toda a organização e logística da operação) e para um pequeno-almoço retemperador para a viagem que se avizinhava.


15 de Maio de 2013: a chegada a Amesterdão

Inicialmente, estava previsto chegar à cidade que iria acolher milhares de benfiquistas ao meio-dia. No entanto, houve um ligeiro atraso na partida de Lisboa e só aterrei perto das 13h00. Nesta altura, também por razões de segurança, a impaciência tomou conta dos passageiros, porque estivémos retidos longos minutos até a chegada do transfer que nos levaria até à zona do Museum Square. Assim, o plano que estipulei com os meus companheiros de viagem foi o seguinte: mal estivéssemos por nossa conta, íamos rapidamente almoçar para depois percorrer algumas das zonas mais centrais e turísticas da cidade.


15 de Maio de 2013: em Amesterdão

A primeira impressão foi positiva. A cidade é, realmente, magnífica. Sente-se uma espécie de harmonia, um ritmo de boa onda, talvez pelo ar descontraído dos holandeses, que circulavam para todo o lado nas suas já famosas bicicletas. Depois, observar as ruas ordenadas na sua simplicidade, com edifícios belíssimos, não muito altos naquela zona mais central, e tudo salpicado com canais e pontes que dão um toque especial à denominada Veneza do Norte.

Após uma série de fotos em movimento, pausa para almoço num restaurante argentino perto da Rembrandt Square que serviu para reforçar calorias para o resto do dia. Tudo perfeito, a preços não muito diferentes dos praticados em Lisboa. Contudo, o relógio já marcava 15h00, sabia que tínhamos de estar de volta ao Museum Square às 18h00, para o transfer que nos iria levar ao Arena, pelo que havia que apressar o passo em direcção à Dam Square. 


Em passo frenético, sem destino certo, fomos descendo até Damrak, em direcção à Central Station e começámos a virar à direita, entre ruelas planas que faziam lembrar um pouco o Bairro Alto, sem subidas e descidas acentuadas, no intuito de observar a zona intitulada De Wallen (Red Light District). Ao longo do percurso, diga-se que o mar de benfiquistas impressionava: em todo o lado se viam camisolas e cachecóis vermelhos. Em cada esquina, em cada rua, uma quantidade enorme de lojas, pessoas, cafés, bicicletas, numa espécie de caos controlado, uma confusão melodiosa, entre cheiros reconhecíveis e sons familiares de Benfica, Benfica, Benfica. Era altura de uma cerveja para matar a sede.


Enquanto caminhava, comecei a avistar alguns grupos de ingleses afectos ao Chelsea, com as suas habituais large beers nas mãos, enquanto o nome de José Mourinho não era esquecido. Ainda assim, continuava a ver com os meus próprios olhos que, ao contrário do que se fazia prever, os benfiquistas tinham invadido a cidade de amesterdão.


Por ali andei um bom bocado, a fintar pessoas e bicicletas, tendo-me cruzado com caras conhecidas, como Abel Xavier e Veloso, por exemplo. Foi aqui que comecei a viver mais intensamente a partida propriamente dita, e a afastar-me do papel de turista, que estava a deambular sem destino, de máquina fotográfica em punho. Tinha chegado a hora de ir para o Arena de Amesterdão, não sem antes uma última picture de recordação.


15 de Maio de 2013: a chegada ao Arena

Em primeiro lugar, voltar a referir que a organização teve nota elevada. O transfer até ao estádio decorreu sem problemas e todos os autocarros, e eram muitos, ficaram estacionados num parque situado 10 minutos a pé do Arena. Para tal, referir também o staff de apoio local, desde forças de segurança, até ao pessoal de trânsito. Sabendo que na próxima época o Estádio da Luz vai acolher a final da Champions League, julgo que teríamos alguns ensinamentos a retirar do planeamento e execução desta logística.


Por esta altura, junto ao fun center do lado dos adeptos encarnados, umas vezes combinado, outras nem tanto, foram acontecendo encontros com vários amigos, desde o Ricardo Silveirinha, do blogue Ontem vi-te no Estádio da Luz, passando por dois colegas de trabalho, até outros companheiros sempre presentes na nossa Catedral. Troca de impressões sobre a viagem, brilhozinhos nos olhos de quem esperava uma conquista europeia, imensa ilusão pontuada por abraços e sorrisos cúmplices. O tempo foi passando e, cerca das 19h15, o Amsterdam Arena resolveu dizer Welkom in.


À entrada, a sensação de conforto, de estarmos em família, já com os cânticos a ecoar na cabeça e a palavra Benfica a ritmar o batimento cardíaco. Emoção. Identidade. Sentimento de pertença. O cérebro dava ordens para as pernas andarem, mas todos nós naquele momento éramos coração. É então que surge uma visão magnífica, mais propriamente do que se passava no Zuid H.



15 de Maio de 2013: o jogo

Dentro do Arena, a primeira impressão partilhada com um amigo foi, mais ou menos, a seguinte: "sim senhor, o estádio é bonitinho, a cobertura é uma obra de engenharia interessante blá blá blá, os dois enormes écrans de cada lado têm muita pinta, mas estas cadeiras às cores e o facto da lotação rondar os 52.000 espectadores... isto, no fundo, é um Alvalade e vamos partir isto tudo".




O jogo começa, os pulmões enchem-se de ar e a minha voz encontra eco em milhares de outras que comigo partilham a emoção de podermos vir a presenciar um feito marcante na história do clube. A entrada foi à Benfica: com dinâmica, com garra, com vontade. Foram 15 minutos espantosos. Empolgantes. Como nem sempre acontece, nunca senti os adeptos tão próximos da equipa, numa sintonia homogénea, onde novos e velhos, homens e mulheres, todos juntos, empurravam aqueles onze heróis para cima da baliza dos ingleses. Lamentavelmente, ou é o último passe que falha, ou o remate que sai defeituoso e a bola, altiva e caprichosa, rainha máxima deste jogo capaz de nos transmitir as maiores alegrias, e as maiores tristezas, não chega a entrar. Apito para o intervalo.

Enquanto descia as escadas do sector 427, mais um reencontro com uma cara conhecida, desta feita o Pedro Ferreira, da Tertúlia Benfiquista. A opinião era comum: estávamos a ser superiores em todas as frentes, os adeptos nas bancadas, os jogadores no terreno de jogo. Um exibição avassaladora, a deixar o ainda campeão europeu em título à beira de um ataque de nervos. Só a estupenda defesa de Artur a um remate do incontornável Lampard (uma espécie de Rui Costa deles) nos fez tremer um bocadinho. Despedimo-nos com um abraço e com a ilusão de que podíamos, e merecíamos, ser felizes.

A segunda parte dava para escrever um livro. Ainda hoje não consigo expressar por palavras o que vivi, e senti, durante aqueles 45+ 3 minutos fatídicos. Julgo que daqui por 10, ou 20 anos, me hei-de lembrar do golo anulado ao Cardozo, do remate (quem mais?) de Lampard à barra, do golo de Fernando Torres, da forma selvática como festejei o penalty marcado pelo nosso 7, do golo quase em slow motion de Ivanovic e do desespero daquele lance final. Tudo isto no meio de milhares e milhares de benfiquistas unidos à espera da felicidade que não quis aparecer.




15 de Maio de 2013: o fim da viagem

Agora, sei o que sentiram os adeptos do Milan quando deixaram fugir o troféu para o Liverpool, depois de estarem a vencer por 3-0 ao intervalo. Agora, sei o que sentiram os adeptos do Bayern de Munique quando deixaram fugir a taça para o Manchester, depois de estarem a ganhar 1-0 até quase ao fim da partida. Agora, após vivenciar aquela tragédia em forma de jogo de futebol, reconheço o sentimento. A cabeça andava à roda. O coração batia incessantemente. Naqueles instantes, recordei-me de outras finais perdidas, como um flash de amargura e tristeza. Lembrei-me de outros amigos ali presentes, e de tantos outros que não tiveram oportunidade de estar no Arena, e pensei no que estariam a sentir naquele preciso momento. Olhei em volta e vi Benfica. E, mesmo no infortúnio daqueles minutos finais, senti que todos, dirigentes, técnicos, jogadores e adeptos, estávamos mais unidos do que nunca. Como se milhares de personalidades, experiências e identidades convergissem numa só. Viveu-se a mística encarnada. Quem lá esteve, sabe bem do que falo. Foi isso que me deu força e discernimento para confortar quem estava próximo. Porque senti esse espírito intangível que explodiu da energia de toda aquela gente que ama o mesmo clube que eu. Uma espécie de energia cósmica que me sossegou a alma. No fim, orgulho. Repito: orgulho em defender este emblema. O meu benfiquismo saíu reforçado.


Para terminar, uma analogia que serve de conclusão. Se pensarmos o clube, a equipa, como um edifício, diria que o Benfica atingiu um patamar (andar) bastante alto, embora ainda não tenha chegado ao topo (telhado). Estamos, talvez, a três ou quatro lances de escada do céu.

Isto porque, e há que tentar ser justo e verdadeiro com a realidade, faltam alguns detalhes que precisam de ser limados: acertar o posicionamento institucional no panorama nacional (relacionamento com os orgãos que regem o nosso futebol e com os dirigentes, treinadores e jogadores de outros clubes); promover uma comunicação interna e externa mais assertiva e complementar à ideal global para o futebol; planear com mais pormenor a construção do plantel na pré-época desportiva, de forma a colmatar posições carenciadas e dotar o grupo de maior homegeneidade qualitativa; e, por fim, para além de um modelo de jogo assente num futebol explosivo e esteticamente aliciante, treinar e implementar alternativas estratégicas de maior controlo táctico/emocional que tornem o colectivo mais preparado para enfrentar os mais variados desafios.

Porém, e usando também de um sentido de justiça, há que afirmar peremptoriamente que ainda há não muito tempo o Benfica vivia pouco acima do rés-do-chão. Alguns anos atrás, olhava-se para a conjuntura do momento e havia a perfeita noção que muitos lances de escada tinham de ser percorridos. Ao contrário de outras agremiações desportivas vizinhas que, praticamente, vivem numa cave baforenta, sem a luz do sol que os ilumine, nós podemos dizer que ultrapássamos muitos obstáculos, subimos muitos andares e estamos numa posição em que competimos com os melhores. Há que aproveitar este capital futebolístico, que foi sendo lentamente conquistado, e não pretender alterar as fundações (mudar de treinador; modificar substancialmente o plantel) que demoraram anos a ser construídas. Cada vez mais, aproximamo-nos do telhado. Não provoquemos, agora, uma queda acentuada de vários lances de escada. Um dia, tocaremos o céu.

Este, foi o meu testemunho. Viva o Benfica! Viva o BENFICA! VIVA O BENFICA!

3 comentários:

I Love Poker disse...

Ricardo, adorei a tua crónica.
Fizeste-me recordar os momentos e emoções que passámos juntos nesse dia. Para mim, ainda que marcado por uma derrota, foi dos dias que mais tive orgulho de ser benfiquista em toda a minha vida. Acho que nem os 6-3, que por coincidência ou talvez não, também os vivi contigo em alvalade, me deram tanto Benfica de uma vez só. As 24 horas entre 15/16-05-2013 ficarão para sempre gravadas na minha vida, não como horas de tristeza, mas como horas de um grande orgulho por pertencer aquela que é também a minha familia... A Familia Benfiquista. Um grande abraço.

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