domingo, 8 de maio de 2011

Tópicos importantes para reuniões desinteressantes entre Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira

Na elaboração de uma qualquer campanha publicitária, um 'briefing' é um documento essencial. Numa reunião vocacionada para debater a política desportiva, nada como recolher um conjunto de informações cruciais para definir um plano de acções de melhorias. Aqui fica o meu contributo, do que não se deve fazer:

Avançar a conquista da Champions League como um objectivo realista. Sermos humilhados nessa mesma competição por emblemas de Israel. Enunciar pensamentos ligados ao futebol com sobranceria e falta de humildade. Discursar de forma arrogante. Adquirir porteros directamente responsáveis pela perda de pontos (em momentos decisivos) por 8,5 milhões de euros. Manter no plantel atletas da estirpe de Luís Filipe, Airton, Felipe Menezes, Alan Kardec, Weldon. Optar pela aquisição de jovens jogadores (Carole, José Luís Fernández) que não trazem valor acrescentado à equipa. Ignorar a Caixa Futebol Campus como viveiro de promessas encarnadas, identificadas com a matriz do clube, em detrimento de negócios incompreensíveis e pouco transparentes. Escolher um rumo desportivo assente numa carga salarial elevada, com inúmeros jogadores emprestados, com discutível retorno desportivo e financeiro. Contar, apenas, com um lateral direito na equipa (Maxi Pereira). Contar, somente, com um lateral esquerdo no plantel (Fábio Coentrão) sem susbtituto à altura. Vender um titular em Janeiro (David Luiz) quando o clube ainda tinha sérias aspirações na conquista de troféus importantes (não se aprendeu com a saída de Ricardo Rocha? Quantas tentativas são precisas?). Desenhar um plantel desequilibrado, constituído por vários atletas sem perfil para representar uma instituição vencedora como o Benfica. Apontar os insucessos desportivos à arbitragem, à comunicação social, ao alinhamento estelar. Apostar na excessiva rotação da equipa no campeonato nacional, levando os adeptos a presenciarem exibições medíocres (sem atitude e qualidade futebolística), com resultados que a todos envergonham. Perder na Luz com o FC Porto (1-2) quando estava em causa um recorde que datava de 1972/73. Perder na Luz com o FC Porto (1-3) numa meia-final da Taça de Portugal, com uma vantagem de dois golos. Ser eliminado pelo Sp. Braga nas meias-finais da Liga Europa, clube recém chegado à elite do futebol, sem a mínima compração em termos de experiência e prestígio.

Para já, ficamos por aqui. Uma chamada de atenção: estes tópicos não são erros desportivos; são atentados à saúde pública dos benfiquistas. Muitos dos factos aqui descritos não têm desculpa. São a cópia fiel de épocas anteriores. Finalmente, não anunciar publicamente a conquista do próximos campeonato nacional como um dado adquirido e passível de apagar a vergonha desta temporada. Os últimos dias, e semanas, jamais serão esquecidos. A única forma de apagar o descalabro vivido será reverter todas as derrotas importantes sofridas nesta temporada: (i) ganhar ao FC Porto, em pleno Dragão, de forma a comemorar em território hostil a festa do título; (ii) vencer o FC Porto, no seu estádio, numa meia-final da Taça da Liga ou da Taça de Portugal, quando as bets apontam em sentido contrário; e, (iii) alcançar as meias-finais de uma competição europeia, não claudicando perante um adversário que se tornou 'moda' no mundo do futebol em meia dúzia de anos.

Repito, será muito difícil apagar a desilusão sofrida no decorrer da época 2010/11. Da minha parte, a fasquia de exigência está muito elevada. Ponto crítico. A paciência, há muito está esgotada. Tolerância zero.

8 comentários:

Paulo disse...

Não concordo em relação ao Airton. Tem qualidade e é um bom substituto do Javi Garcia.
De resto, concordo com tudo.
Os pés têm de estar bem assentes na terra para dar passos firmes!

I Love Poker disse...

É o que sinto. Parabéns pelo texto Ricardo.

Dylan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dylan disse...

Catenaccio,

Com quem então andas a twitar com a namorada do Sálvio?!
AHAHAHAHAHAHAH! Carrega rapaz!

Sakana disse...

Sem bandeira,cínico,sem complexos, provocador,polémico,divertido.

sakanagem69@gmail.com

Catenaccio disse...

AHAHAHAHAHAHAHA!!!

Ricardo disse...

Este texto devia, na minha humilde opinião, ser utilizado como "o" manifesto da nação benfiquista que sentiu a desilusão que esta época representou e por isso não perdoa as humilhações que nos foram infligidas, que vão perdurar para sempre como chagas na nossa auto-estima enquanto benfiquistas. O texto toca em todos os pontos que eu considero fulcrais para justificar o insucesso do Benfica esta época e, tal como tu, acho que são a cópia fiel de épocas anteriores. Um clube enorme como o Benfica não pode sustentar a sua grandeza num título nacional, conquistado superiormente, mas que não deixa de ser "somente" o trigésimo segundo título da história. O nosso excesso na alegria, no orgulho e muitas vezes na bazófia é perfeitamente justificável porque só desta forma sabemos viver o Benfica. Mas aquilo que me atormenta é saber que as pessoas que comandam o leme do nosso barco, por mais boa vontade que tenham, não possuem a grandeza e a nobreza de carácter que lhes permita comandar uma instituição desta envergadura. As pontuais vitórias que tivemos nos últimos 10 anos,ou seja, durante o mandato de LFV, serviram apenas para retocar o nosso opulento museu, mas por outro lado serviram para engordar o ego (e também o bolso)de pequenas criaturas que vampirizam a grandeza do Benfica. Vieira foi o homem que pegou num clube moribundo e restituiu-lhe a saúde e dignidade. Soube utilizar de forma sagaz o poder da marca Benfica e criou os alicerces para o clube se levantar em todo o seu esplendor. Este é o capítulo pelo qual eu agradeço a LFV, pela competência e abnegação demonstradas para reerguer um colosso. No resto, já deu provas de que não tem o perfil para comandar um clube que mais do que as vitórias impreteríveis em cada jogo, exige uma grandeza moral e de carácter, que ele e os que o rodeiam simplesmente não possuem. Esta direcção quebrou o lema sagrado "...nunca encontrou rival neste nosso Portugal.". Eles diminuem o Benfica, de cada vez que agem como o rival que os próprios criaram, colocando-se ao mesmo nível de um clube regional que cresceu de uma forma diametralmente oposta ao clube que estes representam. Desde a antecipação das eleições, de fazer inveja a Hugo Chávez,passando pelas tricas em que os diferentes papagaios que representam o nosso clube se envolvem com os suspeitos do costume até ao simples apagar de um interruptor, tudo isto são episódios que vão delapidando o enorme prestígio e grandeza que imperam no Benfica. Jorge Jesus, independentemente da carência de humildade e carácter que ostenta, é um ótimo treinador que apenas precisa de uma direcção forte que lhe dite de forma clara e objectva as directrizes a seguir e que não lhe conceda uma influência maior do que aquela que vai para além das quatro linhas. Simplesmente, porque o jesus não sabe( porque não é benfiquista), nem tem capacidade para entender(por mais que se esforce)a honra e o nível de exigência que representa a posição que ocupa. As apostas em filipe menezes e kardec e a marginalização de nuno gomes ou miguel vitor dizem muito sobre o tão "apaxonado" projecto do jasus.

Ricardo disse...

Custa-me dizer isto, mas não ficaria desiludido se Rui Costa viesse a renunciar ao cargo que ocupa por discordar das opções tomadas pela direcção. Ele é a única pessoa com algum peso (pelos vistos será muito pouco...) na estrutura do Benfica que sabe aquilo que nós queremos e sonhamos. Porque ele quer o mesmo que nós. Mas acredito que, pelo facto de o Rui gostar tanto do Benfica como nós, não queira perturbar ainda mais o já tão perturbado actual Benfica. Estou farto de escrever para aqui e não consegui dizer nem metade do que disseste no teu lúcido e clarividente texto...Antes de terminar quero só dizer que discordo, assim como o paulo, apenas num ponto: ainda acredito que o Airton poderá ser uma boa alternativa ao Javi, apesar da época medíocre com que nos presenciou esta época...E já agora, se me permites, vou utilizar as tuas últimas palavras no texto, para finalizar esta mensagem: Ponto crítico. A paciência há muito está esgotada. TOLERÂNCIA ZERO!

Parabéns!