sexta-feira, 2 de maio de 2008

[Uefa Cup 1/2] Zenit St. Petersburg 4-0 Bayern Munique

A equipa russa escreveu esta quinta-feira uma página dourada da sua história, já que deixou pelo caminho o poderoso Bayern de Munique de Ribéry, Klose, Podolsky, Toni e C.ª. Antes de comentar as incidências da partida, proponho um breve apontamento sobre o duelo inglês de Stamford Bridge. Não tive oportunidade de seguir a outra meia-final, entre Glasgow Rangers e Fiorentina.
Quanto ao Chelsea-Liverpool, sou levado a concordar com a opinião da generalidade da imprensa: o equilíbrio foi nota dominante, mas desta feita a fortuna sorriu à equipa londrina depois de, num passado recente, ter sido prejudicada pelo polémico golo fantasma, ainda Mourinho liderava os destinos dos Blues. Por falar no "Special One", esta vitória também lhe pertence. Foi o treinador português que escolheu estes jogadores e criou esta equipa. O Chelsea não ganhava o título nacional há 50 anos e era como que o Belenenses lá do sítio. Foi José Mourinho que deu expressão ao futebol dos Blues e permitiu que, agora, Avram Grant recolha os louros.
De resto, a eliminatória valeu pelos 30 minutos do prolongamento, quando as equipas se libertaram de amarras tácticas e encararam o desafio de peito aberto. Os golos foram aparecendo e o espectáculo ganhou intensidade. Provou-se que o Chelsea está em melhor forma e demonstrou maior eficácia nos momentos decisivos. Posto isto, voltemos ao assunto da crónica.
Penso que ninguém esperava uma vitória da equipa russa por números tão expressivos, mas desde os dezasseis-avos-de-final, quando ultrapassaram o Villarreal, que fiquei de olho neste Zenit St. Petersburg. Depois da equipa espanhola, seguiram-se Marselha e Bayer Leverkusen. A meu ver, o favoritismo do Bayern de Munique esfumou-se no jogo da 1.ª mão - empate a uma bola - apesar de estar bem viva a forma como a equipa alemã ultrapassou o obstáculo chamado Getafe. A goleada provou que um misto de eficácia e concentração foi mais do que suficiente para contrariar qualquer tentativa de reacção.
No início da campanha europeia, o nome mais sonante do conjunto russo seria concerteza Dick Advocaat. O treinador holândes já tinha passado por PSV Eindhoven e Glasgow Rangers, curiosamente o adversário da final. Para além dessas experiências mais relevantes, em termos de clubes, chegou a ser seleccionador do seu país (de 1993-1995 e 2002-2004), tendo liderado os destinos de Emiratos Árabes Unidos e Coreia do Sul, antes de partir para a aventura russa. Por conseguinte, há alguns meses, a estrela mais cintilante nem pisava o rectângulo de jogo.
Depois desta caminhada fantástica, as estrelas surgem, agora, no relvado. Um dos jogadores que mais se tem destacado é Andrei Arshavin. Trata-se de um n.º 10 talentoso, eleito melhor jogador russo em 2006, tendo falhado o jogo da 2.ª mão devido a castigo. De qualquer modo, a qualidade começa na baliza. Malafeev é um digno representante da escola soviética e séria opção para defender as redes da selecção russa no Euro 2008. No quarteto defensivo, à direita, Anyukov deu nas vistas pela forma como domina as transições pelo seu corredor. Daí para a frente, Fayzulin, Denisov e o argentino Dominguez, ex-River Plate, são jogadores de grande qualidade e bem referenciados junto dos grandes emblemas europeus. Para finalizar, o surpreendente Pogrebnyak, actual melhor marcador da Taça UEFA, com 11 golos.
O futebol russo encontra-se em bom momento, graças à união de dois vectores: por um lado, a crescente capacidade de investimento que engorda os orçamentos dos principais clubes; por outro lado, a formação continua a marcar pontos, mantendo-se fiel a predicados científicos de uma escola muito valorizada no passado. O Zenit St. Petersburg já supreendeu o mundo do futebol e, daqui para a frente, devemos estar ainda mais atentos ao fenómeno, incluindo a possibilidade de encarar oportunidades na prospecção.

3 comentários:

dissidentex disse...

Catenaccio: esta equipa do Zenit é para levar a sério, muito a sério especialmente porque joga à bola, coisa que grande parte das equipas europeias não faz.

Desde que passem Fevereiro, nas eliminatórias sem as perder e cheguem a Abril esta equipa é um caso sério a ganhar uma competição especialmente porque estão com pernas frescas.
Já o Faizulin, por acaso não gostei muito e pareceu-me o mais fraco do meio campo.

O lateral direito era uma excelente contratação para o Benfica se o Benfica tivesse dinheiro porque se vê claramente que é um jogador acima da média.Ou o argentino como playmaker...


Quanto ao Chelsea - Liverpool, só discordo de uma coisa.

Penso que o Liverpool foi claramente inferior nos dois jogos apesar de ter partes em ambos em que jogou mais que o Chelsea,mas escrevo isto porque o Chelsea está há 3 anos consecutivamente a lutar por todas as competições, e o Liverpool tem lá um treinador de passes de mágica que apenas os faz lutar por uma competição e mesmo assim nesta meia final perdeu claramente para um Avram grant "normal" e ainda pior o que me pareceu foi que o Liverpool não teve pernas.

Uma equipa à qual foi feita rotação de jogadores, e apenas joga uma competição para ganhar , e tinha descansado o plantel no sábado anterior não teve pernas contra um Chelsea que não faz rotação.

Benitez é uma grande fraude, na minha modesta opinião.

E as substituições foram de morrer a rir.
Isto entre outras coisas. Por exemplo o Kuyt não é jogador com classe para o Liverpool, desculpem lá...

Já para não falar do jogo directo sempre repetido, e no perfil de defesa que ele sempre assume.

O Liverpool apesar de tudo, tem orçamento para melhor que aquilo.


E quanto ao Grant, está a beneficiar totalmente do trabalho do Mourinho.

Mesmo que ganhe a final, coisa que eu duvido, quando tiver que construir do zero a equipa e já há sinais disso em alguns jogadores também se verá o que sairá dali.

E no jogo percebi que o senhor Jonh Terry teve de facto grandes responsabilidades na saída do Mourinho porque não está a jogar nada-está completamente longe do nível que já teve.

Nuno disse...

Grande Zenit! Um amigo russo disse-me, ainda o Zenit andava a jogar com o Marselha, que chegariam à final. Achei-o demasiado optimista, mas afinal tinha razão. Discordo que a equipa era desconhecida. o Tymoschuk e o Arshavin eram bem conhecidos. O segundo, aliás, já o admiro há alguns anos e só me espanta o facto de ainda não ter dado o salto para um grande europeu. Ao que tudo indica, é este ano, provavelmente para Inglaterra. Quanto ao outro jogo, o Rangers teve muita, muita sorte. A Fiorentina jogou muito à bola e merecia estar na final. Teve perto de 20 oportunidades só nesta segunda mão.

Paulo Santos disse...

Catenaccio, excelente o Zenit. Do jogo de ontem só vi o curto resumo que a Sportv ofereceu. No entanto segui com atenção os dois jogos da eliminatória anterior e fiquei impressionado com a equipa.

Quanto aos nomes, Arshavin já o conhecia da selecção russa (penso até que tem sido o capitão de equipa) e sempre o apreciei bastante.