segunda-feira, 23 de junho de 2008

A cebola, a prostituta, o palhaço e o maestro

Pausa no Euro'2008.
Pode uma cebola, uma prostituta, um palhaço e um maestro fazerem parte do mesmo filme? A resposta é afirmativa. O Sport Lisboa e Benfica representa o elo comum entre as personagens, como se fosse o fio condutor de várias estórias que se cruzam. Estava aqui um bom tema para Quentin Tarantino. Vamos, então, conhecer os protagonistas desta épico futebolístico.

Comecemos pela cebola. Depois de uma passagem por França, no Paris SG, relança a carreira no universo da águia. Como boa cebola que se preze, fazia chorar os adversários: com as suas arrancadas, dribles e remates para golo. Os habitantes do reino vermelho satisfaziam a gula de vitórias com um belo cozinhado.
Todavia, a cebola queria ser parte activa do prato principal. Não lhe bastava representar o papel principal do refogado. O cozinheiro do reino ainda tentou combinar os ingredientes da melhor forma, mas sabe-se como o excesso de cebola pode prejudicar o paladar final.

Assim, como que por magia, a cebola decide encontrar um prato que sirva as suas pretensões pessoais. No reino do dragão, os seguidores do chefe supremo encontram-se famintos por novas iguarias que satisfaçam o apetite. Depois de meses em lume brando, a cebola ia finalmente sentir o calor de um belo tacho. Infelizmente, quando o prato está conspurcado, não bastam bons ingredientes para fazer uma boa refeição. Depois de renunciar o passado que lhe deu brilho, a cebola assume hábitos burgueses e a prostituição é o caminho escolhido para manter o nível à medida da sua ambição.

Então, onde entra o palhaço? Depois do desaparecimento da cebola, os habitantes do reino vermelho ficaram sem alimentar-se dias seguidos. Em situações mais graves, registaram-se casos de anemia. O contexto assumia proporções sérias e o representante da águia, chef conceituado, sabia que tinha de tomar medidas. Do alto da sua sabedoria, a melhor forma de preencher o vazio do estômago seria através de sorrisos ténues que dariam lugar a gargalhadas contagiantes. Nada como um palhaço para alegrar as hostes e fazer abrir o apetite para um bom naco de carne argentina. De preferência mal passada, pois o sangue alimenta o espírito dos mais inconformados.

Inteligentemente, o representante máximo sabia que os habitantes do reino apreciavam música. Em tempos, não muito remotos, o actual chef de cozinha tinha sido maestro e o palácio vermelho era palco das mais fantásticas actuações. O recital chegava a entusiasmar toda a população. Ao tomar conhecimento que o palhaço dominava pautas musicais, rapidamente foi pedido que assumisse a batuta da orquestra.
Por fim, depois da tempestade, a bonança. Os habitantes, vestidos de vermelho, juntavam-se para o repasto, em alegre cavaqueira e convívio. A comida, mesmo sem cebola, era melhor que nunca. A águia reinava majestosa. A estátua do Deus Eusébio quase dançava ao ritmo do novo maestro.

Posto isto, quero terminar com as seguintes palavras. Sabendo que as convicções fazem parte da personalidade, posso aceitar que um indíviduo vote em diferentes partidos políticos. Mesmo estando em causa contornos de coerência. Também não critico quem muda de emprego, em busca de uma melhor qualidade de vida e compreendo que, depois de um divórcio, seja perfeitamente possível voltar a amar. Em termos gerais, lido bem com a diferença. Respeito opiniões contrárias (desde que bem fundamentadas) e sou tolerante a certos hábitos, gostos e maneira de pensar distintas.

Porém, se há coisa que não suporto são os denominados “vira-casacas”, indivíduos capazes de sair de um clube para, imediatamente a seguir, mudaram-se de armas e bagagens para um rival directo. Quando soube da notícia, fiquei irritado durante uns (longos) trinta segundos. É o tempo que me leva a mudar de opinião, quando verifico a forma como uma pessoa decide tranformar-se em terminal multibanco. Sinto o mais profundo desprezo por tal criatura. Julgo inconcebível o seu comportamento. Não devo ser o único a pensar assim. O pai do Rui Costa deve achar o mesmo.

11 comentários:

Constantino disse...

Como ja escrevi noutros blogs (começa a ser vicio) nestas situações fico contente. De marmanjos que so andam a chuchar do SLB já ando eu farto. Se o SLB não é a primeira escolha dele,tem que ir embora, seja para onde for. Não há insubstituiveis e infelizmente este nosso plantel é cada vez mais constituido por substituiveis, a começar no presidente. Agora que sejam os tripeiros a lidar com este rapaz, bastante fiel a quem lhe paga um ordenado bem chorudo. E, se bem que era bom jogador, 7 milhoes por 70% do passe era algo que eu criticava se fosse o SLB a pagar.
De qualquer forma, o reinado do Rui Costa não esta a começar nada bem, antes pelo contrario, é que não se vêm diferenças nenhumas em relação ao passado. Talvez os iludidos tenham que dar o braço a torcer antes do que eu pensava

FS disse...

É verdade Constantino. A situação actual, que o Rui Costa enfrenta, faz lembrar Toni, quando na presidência de Manuel Damásio andou a tentar contratar jogadores brasileiros com resultados péssimos porque tinham-no mandado às compras com um saco de bombons.
Sem dinheiro não há palhaços e no final da próxima época as responsabilidades vão cair sobre o Rui e o presidente... segue para bingo.

dissidentex disse...

Catennacio:
se é verdade que o jogador queria ganhar 150.000 euros por mês é muito bem NÃO contratado.

Se custava 7 milhões de euros é muito bem NÃO contratado.

Mais ainda depois de andar a arrastar negociações durante 4 meses.

Não vale o dinheiro nem vale a pena.

Mais ainda sob o ponto de vista da total falta de carácter do jogador.

O porto que o ature e que fiquem contentes por venderem a conversa de que "roubaram o jogador ao Benfica" quando o Jogador nem do Benfica era.

E estou com o primeiro comentário: de tipos que se aproveitam do Benfica para mamarem à conta já chega.


Há muitos bons jogadores da casa que querem ficar no Benfica.

Tiagojcs disse...

Concordo plenamente com o que escreveu o Constantino. O uruguaio andou armado em parvo a enganar tudo e todos quando já se sabia que ele estava apenas a aguardar a decisao da Uefa em relação à Liga dos campeões .Rui Costa deveria ter sido mais perspicaz e ter rompido logo com as negociações publicamente a partir do momento que esse senhor nao respondia

http://catedraldapalavra.blogspot.com/

Paulo Santos disse...

"Então, onde entra o palhaço? Depois do desaparecimento da cebola, os habitantes do reino vermelho ficaram sem alimentar-se dias seguidos. Em situações mais graves, registaram-se casos de anemia. O contexto assumia proporções sérias e o representante da águia, chef conceituado, sabia que tinha de tomar medidas. Do alto da sua sabedoria, a melhor forma de preencher o vazio do estômago seria através de sorrisos ténues que dariam lugar a gargalhadas contagiantes. Nada como um palhaço para alegrar as hostes e fazer abrir o apetite para um bom naco de carne argentina. De preferência mal passada, pois o sangue alimenta o espírito dos mais inconformados.

Inteligentemente, o representante máximo sabia que os habitantes do reino apreciavam música. Em tempos, não muito remotos, o actual chef de cozinha tinha sido maestro e o palácio vermelho era palco das mais fantásticas actuações. O recital chegava a entusiasmar toda a população. Ao tomar conhecimento que o palhaço dominava pautas musicais, rapidamente foi pedido que assumisse a batuta da orquestra.
Por fim, depois da tempestade, a bonança. Os habitantes, vestidos de vermelho, juntavam-se para o repasto, em alegre cavaqueira e convívio. A comida, mesmo sem cebola, era melhor que nunca. A águia reinava majestosa. A estátua do Deus Eusébio quase dançava ao ritmo do novo maestro."

Bom exercício de escrita, no entanto esta parte do texto é de uma injustiça tremenda...

Paulo Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Santos disse...

Ainda bem que a cebola foi refogar para outro lado. É uma cebola inflaccionada, muito inflaccionada e o Benfica já teve a sua dose de refogados duvidosos no passado, não precisa de mais...

Fiquei muito satisfeito com a notícia. O Benfica não tem que se pautar por guerrilhas idiotas e potencialmente danosas para o futuro do clube. Isso que fique para os outros.

Jogadores com o perfil pessoal, profissional e futebolístico (porque não vale 1/3 do que vai auferir e do que custou)do "cebola" não merecem sequer pronunciar a palavra Benfica.

Sempre pensei que o Benfica não é apenas um mero clube de futebol ou uma sociedade anónima desportiva. É ou deveria ser muito mais que isso. E esta não contratação vai ao encontro desta minha perspectiva. Esta notícia é gratificante para quem gosta do Benfica e sobretudo de futebol, do verdadeiro e não daquele que a pouco e pouco se vai transformando numa actividade suja, sem valores, sem princípios e regida pela mediocridade

Catenaccio disse...

Depois deste exercício de escrita - como lhe chamou o Paulo Santos - que fique bem claro o seguinte: considero o Rodríguez um bom jogador, manifestamente acima da média no plantel de 2006/2007. Agora, a sua saída (ainda por cima desta forma), não me retira o sono.

Depois do episódio João Pinto fiquei vacinado face a estas novelas.

Também acredito que o Benfica conta no seu plantel com jogadores que podem desempenhar papel idêntico (Di María, Fábio Coentrão, Freddy Adu?, André Carvalhas?) e, porventura, com maior potencial para brilhar.

Sinceramente, a supresa durou breves minutos e nem deu tempo de transformar-se em desilusão. A atitude do jogador só fez crescer a minha admiração por Homens como Léo e Miccoli, por exemplo. O "cebola" esteve um ano no Benfica e, como ele, passaram muitos que não entram sequer nos livros.

Paulo Santos,

Que parte achas injusta? Já sabes que dei largas à imaginação e preferi fantasiar um bocado. É que já começo a ficar cansado de observar como a imprensa desportiva anda em pulgas para apontar derrotas a Rui Costa.

Assino por baixo em relação ao teu último parágrafo.

Cumprimentos a todos e...continuem a comentar!

Paulo Santos disse...

Posso ter interpretado mal, mas parece-me que aquela parte contém uma ironia grande relativamente a Rui Costa...

É que no resto, totalmente de acordo, anda muita gente a querer ver derrotas de Rui Costa. Há quem já diga que este caso do "cebola" já é a primeira derrota...é preciso ter muita má fé...

Se formos ouvir as declarações passadas de Rui Costa acerca da contratação de Rodriguez, facilmente percebemos que não há aqui derrota nenhuma. Rui Costa sempre enfatizou a parte da vontade do atleta em representar o clube...

Enfim...os cães ladram e a caravana passa. Pode ser que nos próximos dias apareçam novidades que calem muita boca suja que por aí anda...


Abraço

Catenaccio disse...

Paulo,

Não há qualquer ironia, nem crítica mais subtil. No fundo, aquela parte do texto servia para descrever a passagem de testemunho de um maestro (Rui Costa), para um "palhaço", como é conhecido Pablo Aimar. Com o tempo, o palhaço podia assumir a batuta e o papel de novo maestro.

Vem no seguimento do suposto bilhete (noticiado pela imprensa) enviado por Rui Costa ao argentino em que dizia que a camisola 10 estava à sua espera.

Remata disse...

Nada que já não se esperasse, muito embora Rui Costa não quisesse borrar já o seu mui belo quadro de director.

Saiu porque não se revia neste projecto do Benfica, porque sentia que merecia ganhar mais e merecia, sobretudo, estar nos grandes palcos...

Vocês do Benfica é que não se habituam com o facto do FC Porto ser um clube muito mais interessante para qualquer jogador...