sexta-feira, 20 de junho de 2008

[Euro'2008] 1/4: Portugal 2-3 Alemanha

Ponto prévio: desta vez, não irei classificar o desempenho individual dos jogadores de Portugal. Segui o jogo numa marisqueira, à conversa entre amigos, no meio de caracóis, saladinhas de polvo e outras iguarias, bem acompanhadas por cerveja fresquinha. Depois, a própria emotividade da partida desaconselha apreciações quantitativas e prefiro centrar a minha atenção em questões colectivas ou de âmbito mais alargado. Posto isto, olhemos para o onze titular de Portugal:

Como jogou Portugal?

Tal como tinha escrito, na antevisão da eliminatória, não se registaram surpresas nas opções de Scolari. No papel, João Moutinho (depois Raul Meireles) juntava-se a Petit, deixando a responsabilidade de construção para Deco. No entanto, a maior chamada de atenção vai para a colocação de Simão na direita, em detrimento de Cristiano Ronaldo. Tal como previa, a selecção nacional mostrou algum receio face às investidas de Philipp Lahm e à preponderância ofensiva do flanco esquerdo alemão. Olhemos, agora, para a "Mannschaft":

Como jogou a Alemanha?

Também a Alemanha demonstrou o devido respeito pela selecção portuguesa. Face à indisponibilidade de Torsten Frings, Joaquim Low teve a sagacidade táctica de preencher o meio-campo defensivo com as entradas de Simon Rolfes (Bayer Leverkusen) e Thomas Hitzlsperger (Estugarda), libertando Michael Ballack para terrenos mais ofensivos. Deste modo, quer em 4x1x4x1, quer no esquema 4x2x3x1, a selecção germânica jogou com os sectores mais unidos, impedindo que Portugal aproveitasse espaço entre-linhas. Inteligentemente, descontando o frenesim dos últimos minutos, a Alemanha soube dominar as transições e colocar muitas dificuldades ao futebol mais técnico dos nossos jogadores.

Quais os motivos da derrota?

Em grande medida, uma das razões já foi apresentada: a Alemanha ocupou melhor os espaços, montou um meio-campo solidário atento à perda de bola e soube retirar vantagem de uma maior agressividade nos duelos individuais. A selecção germânica estudou os pontos fracos do adversário e conseguiu explorar dificuldades evidenciadas por Portugal na organização defensiva.
Contudo, não há como fugir do factor mais decisivo: os lances de bola parada. Nestas situações específicas, a opção tem recaído sobre uma marcação individualizada, quando o ideal seria defender à zona ou, porventura, de forma mista. Relembro que o golo sofrido com a Rep. Checa nasceu da marcação de um pontapé de canto e a derrota na final do Euro’2004, frente à Grécia, resulta de lance semelhante. Para agravar, o guarda-redes Ricardo pouco (ou nada) tem evoluído, quando se exige maior destreza nas saídas a cruzamentos. Lamentavelmente, não aprendemos com os erros do passado.

Scolari: seleccionador, treinador ou psicólogo?

Como não poderia deixar de ser, o "sargentão" tem de ser responsabilizado pelas escolhas técnicas, opções tácticas e consequente afastamento da selecção portuguesa. O desempenho global ficou aquém das expectativas, até pelo que tínhamos conseguido em edições anteriores. Pessoalmente, a eliminação não me decepciona porque não tinha grande ilusão em relação à vitória final. Ao contrário do folclore proporcionado pela comunicação social, sempre mantive alguma prudência sobre a real valia desta equipa.
Sobre Scolari, digo o seguinte: é meio treinador. Muito capacitado na construção de um espírito colectivo, baseado em valores de união e solidariedade. Aliás, para o bem e para o mal, as suas opções técnicas acabam por reflectir este predicado. Na função de seleccionador, o futuro treinador do Chelsea nem sempre escolhe os que estão em melhor forma (física, técnica), mas aqueles que lhe oferecem maior confiança e predisposição para "viver" em grupo. A juntar a isto, sabe retirar o melhor partido da parte psicológica, gerindo muito bem a vertente mental e motivacional dos seus atletas.
Porém, tal como afirmei, Scolari é meio treinador. No seu discurso, abdica dos aspectos estratégicos e não privilegia o lado táctico do jogo. Como tem sido constatado, ao longo destes anos, raramente trabalha um plano B alternativo e demonstra fraca maleabilidade estratégica para lidar com a adversidade. No meu entender, a razão subjuga-se à emoção. Em demasia. É certo que uma equipa pode ser um estado de ânimo. Mas, ainda acredito que o futebol é um jogo e, como tal, deve ser estudado ao detalhe. É isso que faz a diferença.

Fonte: Imagens retiradas da "Marca" online.

3 comentários:

dissidentex disse...

Catennacio: és muito boa pessoa.

É só isso que explica que digas que Scolari é meio treinador.

Pessoalmente considero-o um vendedor de peixe. Estragado.

"Isto" aconteceu porque este senhor não trabalha, nem trabalhou a equipa.

Treinos com 12000 pessoas a assistir?!

Jogadores a correr no treino acenando para as bancadas?!

Enfim, o conjunto de toupeiras que anda aí à solta glorifica o homem como se antes dele não se jogasse futebol cá...

O que é mais engraçado é que o sacaninha destruiu tudo para quem vier a seguir e o próximo a pegar vai mesmo ter que fazer uma renovação da equipa, mas em competição e quero ver o que sai daqui.

Depois se falhar começa omito do sebastianismo à volta do Sr Scolari.

Que vai dar uma barraca no Chelsea mas sacar 15 milhões de euros á conta de Portugal.

Somos de facto burros por andarmos a servir de trampolim para estes oportunistas do estilo do Sr Scolari.

E continua-se sem aprender...

Catenaccio disse...

Olá dissidentex,

Obviamente, não posso deixar de concordar com este excerto:

...Depois se falhar começa o mito do sebastianismo à volta do Sr. Scolari.

Será que o próximo trampolim está destinado para o Zico?

Esta frase também é deliciosa:

...Pessoalmente considero-o um vendedor de peixe. Estragado.

Nunca lhe dei crédito enquanto treinador. Pelas razões apresentadas no texto.
É certo que o resultados foram melhores do que no passado e as expectativas subiram. Contudo, nunca fui muito adepto da figura e da bandeira na janela.
O Euro'2004 acabou por ser a excepção à regra e foi vivido intensamente. Porém, logo ali (racionalmente) vi que não foi só a Grécia a ter alguma sorte. Também houve "milagres" do nosso lado.

Abraço.

dissidentex disse...

""Contudo, nunca fui muito adepto da figura e da bandeira na janela.""

Eu, esta história da bandeira e não querendo meter demasiado política nisto, mas existe uma história (histórica) muito desagradável à volta das bandeiras às janelas.

Quando a Áustria foi anexada em 1938, uma das coisas que os nazis exigiram na localidade onde se ia assinar a anexação e ia lá o Hitler, uma das coisas que os nazis pediram (deram a ordem) foi a de que os austríacos que concordavam com a anexação afixassem uma bandeira nazi à janela.

Quem não concordasse arriscava-se...

Aqui, esta conversa das bandeiras parecia a mesma coisa....

Depois é o folclore a conversa de chacha de "Scolari uniu a selecção"

Isso faz ganhar jogos? Ora porra...

Nem é preciso ser genial para ver as asneiras dele.

Ontem partiu o jogo aos 70 minutos e mandou-os jogar futebol directo.E não meteu o Hugo Almeida? Não meteu peso e força?

O que é isto?!

E depois tacticamente, o homem nunca experimentou nada!
Nada de nada!

Acho que por 250.000 euros mês exige-se que pelo menos um 442 diamante um vez por ano, não?


Euro 2004 e milagres:

""Também houve "milagres" do nosso lado.""

Eu vi a Inglaterra nesse campeonato e na minha modesta opinião com um treinador a sério Portugal tinha-os goleado.
Com este gajo foi-se a penalties e com aquele dramalhão todo.

Merda para isto.

Mais engraçado: fui a um blog do Chelsea e os tipos estão "convencidos" que o homem é um grande técnico.

Isto é inacreditável...mas o que é que se passa?! com esta gente?!?!?!