sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

[Cap. III] Dossier Getafe Club de Fútbol

Ontem, o Getafe recebeu o Racing Santander, em partida a contar para as meias-finais da Copa del Rey, tendo vencido por 3-1 [vídeo]. Os golos foram apontados por De la Red, Javier Casquero e Manu del Moral e o resultado alcançado deixa boas perspectivas para que o adversário do Benfica atinja a final, pela segunda vez consecutiva.
Depois de termos visto, nos capítulos anteriores, o resumo da carreira em 2007/08 e a vertente táctica associada ao modelo de jogo, iremos contemplar as principais individualidades (jogadores-chave) da equipa liderada por Michael Laudrup:

Nome completo
Roberto Carlos Abbondanzieri, Pato
Posição: Guarda-redes
Camisola: 13
Informação
Nasceu em Bouquet (Santa Fé). Ágil, dotado de enormes reflexos e excelente colocação na baliza.
[Vídeo]



Nome completo
David Belenguer Reverte
Posição: Defesa central
Camisola: 4
Informação
Nasceu em Villasar (Barcelona). Defesa sóbrio, de posicionamento irreprensível e experiência importante. Sobressai pela elegância na hora de disputar e conduzir a bola.


Nome completo
Lucas Matías Licht
Posição: Defesa/Ala esquerdo
Camisola: 12
Informação
Nasceu em Brissa (Buenos Aires). Lateral de passada larga, de chegada à área contrária e com atributos de finalização. Um autêntico "carrilero" da banda esquerda.


Nome completo
Francisco Javier Casquero Paredes
Posição: Pivot defensivo
Camisola: 22
Informação
Nasceu em Talavera (Toledo). Centrocampista de grande visão de jogo, organiza o futebol do Getafe e é detentor de forte remate.
[Vídeo]


Nome completo
Rubén De la Red Gutiérrez
Posição: Médio centro/N.º 10
Camisola: 10
Informação
Nasceu em Arroyomolinos (Madrid). Médio criativo, de pendor ofensivo, dispõe de atributos técnicos que fazem a diferença.
[Vídeo]


Nome completo
Juan Ángel Albín Leites
Posição: Médio ofensivo/N.º 10
Camisola: 16
Informação
Nasceu em Salto (Uruguai). Jogador polivalente, foi internacional em todas as categorias e apresenta margem de progressão elevada. É o homem encarregue dos lances de bola parada.
[Vídeo]

Nome completo
Manuel del Moral Fernández
Posição: Ponta-de-lança
Camisola: 14
Informação
Nasceu em Jaén. Sem ser excessivamente dotado do ponto de vista técnico, compensa com muita rapidez e alguma habilidade. Tem sempre os olhos postos na baliza.
[Vídeo]

Nome completo
Ikechukwu Uche
Posição: Avançado solto
Camisola: 18
Informação
Nasceu em Aba (Nigéria). Avançado muito rápido e habilidoso, é perigosíssimo no contra-ataque e sabe aproveitar as oportunidades.
[Vídeo]


Fonte: ZeroZero e Getafe Site Oficial

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

[Cap. II] Dossier Getafe Club de Fútbol

No primeiro capítulo analisámos a carreira do Getafe em 2007/08. Foi objectivo resumir a performance das várias competições, La Liga, Uefa Cup, Copa del Rey, procurando ilustrar com dados estatísticos, assim como destacar alguns vídeos das partidas mais relevantes. No capítulo que se segue, a atenção irá incidir sobre a vertente táctica associada ao modelo de jogo.
Costuma dizer-se que uma equipa joga à imagem do seu treinador. Segue o seu conceito de futebol, definido em princípios de jogo que melhor sirvam as suas convicções pessoais. O adversário do Benfica não é excepção e o estratega tem nome dinamarquês famoso: Michael Laudrup.
Enquanto jogador, era elegantíssimo com a bola nos pés. Ficou célebre a forma como progredia no espaço central e depois soltava um passe de ruptura açúcarado. Um dos seus movimentos preferidos era meter a bola na esquerda, ou direita, ao mesmo tempo que olhava para o lado contrário. Ronaldinho Gaúcho faz questão de perpetuar a magia.
No final da carreira, Laudrup deixou no ar uma profecia: “Daqui a dez anos, não haverá mais jogadores como eu. Todos irão preferir atletas”. Anos mais tarde, como treinador, nota-se que o nível de exigência transmite-se para o relvado, a que não será alheio o facto do Getafe praticar um futebol positivo, virado para o golo. Como vimos, a escassez de empates da equipa espanhola é um sintoma desse carácter voltado para as vitórias.
Em termos meramente tácticos, o desenho habitual mostra o 4x4x2 em linha, dito clássico. Provavelmente, este será o sistema que a equipa espanhola mostrará ao público presente no Estádio da Luz, no próximo dia 6 de Março. Para ilustrar o esquema base, normalmente utilizado, nada como exemplificar através do último confronto frente ao vizinho Real Madrid:

Começemos pelo sector mais recuado. A dupla de centrais é constituída por Daniel "Cata" Díaz, argentino que veio do Boca Juniors e por David Belenguer, experiente capitão que completou 35 primaveras. No flanco direito, o romeno Cosmin Contra alterna com David Cortés; na faixa oposta, o ala Lucas Licht divide o protagonismo com o francês Signorino, ex-Nantes.
Subindo uns metros, na zona intermediária, várias opções garantem a fluidez do modelo de jogo e Laudrup não tem receio de promover a rotatividade. Ainda assim, há sempre aqueles que mais se destacam: Javier Casquero, preferencialmente ligado a tarefas de marcação e recuperação; Pablo Hernández, dono do corredor direito; De la Red, jovem talento (22 anos) na construção de jogo; Fabio Celestini, internacional suiço, ponto de equilíbrio para o colectivo; Esteban Granero (20 anos), coqueluche do clube e temível no remate.
Na frente, quando Laudrup opta pelo 4x2x3x1, o uruguaio Ángel Albín pisa terrenos típicos de um n.º 10, mas o melhor marcador do campeonato espanhol é o avançado Manuel "Manu" del Moral. Como companheiro de área, enquanto Kepa (1,85m e 83kg) é o possante ponta-de-lança para os momentos difíceis, o nigeriano Uche é o homem de todos os momentos, evidenciando-se nas transições ofensivas.
Prevendo-se que o Benfica mantenha a sua estrutura disposta no 4x2x3x1, é esperado que Laudrup opte pelo tradicional 4x4x2, semelhante, no papel, ao que venceu o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu. De qualquer modo, José António Camacho tem de preparar a eliminatória ao detalhe, pois o Getafe sabe como posicionar-se em 4x1x3x2 – Javier Casquero como pivot defensivo - e 4x2x3x1. Consoante as características do adversário e mediante as circunstâncias do próprio resultado, a equipa espanhola dispõe de maleabilidade táctica que lhe permite alterar o rumo dos acontecimentos. Para não variar, a chave está no meio-campo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

#4 Prospecção: Mickaël Chrétien

Nome completo
Mickael Bassir Chrétien
Data de nascimento
10.07.1984 (23 anos)
Nacionalidade
Marroquina
Altura: 1,79m
Peso: 67kg
Posição
Lateral direito


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
La Ligue - 19J / 0G (1.710)
CAN 2008 - 3J / 0G (270)
Apontamento: cumpriu os 90 minutos em todos os jogos que participou.

[Dados da carreira]
2006/07 Nancy 35J / 3G
2005/06 Nancy 1J / 1G

Ala direito do Nancy, titularíssimo na selecção marroquina, durante a recente edição da CAN, as suas subidas pelo flanco causaram impressão positiva. No entanto, duas derrotas com a Guiné-Conacri (2-3) e o Gana (0-2), colocaram os marroquinos no penúltimo lugar do Grupo A e levaram à sua eliminação. Nada que retire a boa imagem deixada por Mickaël Chrétien.
Se na selecção a performance colectiva ficou aquém das expetactivas, já na equipa francesa a sua regularidade exibicional tem sido fundamental para a 3.ª posição que o Nancy ocupa. No clube desde 2002/03, a presente temporada é sinónimo de registo interessante: presença em 19 partidas, cumprindo 90 minutos em todos os jogos.
Esta época, ainda, não acertou nas redes adversárias, mas o seu contributo faz-se notar no número de assistências para os seus companheiros. Caracteriza-se por ser um lateral veloz, de técnica acima da média e de pendor ofensivo. Uma das imagens de marca são as suas incursões pela ala direita, tabelando com um colega mais próximo, ou terminando com cruzamentos tensos, sabendo também movimentar-se por zonas interiores.
Sabendo que Bosingwa pode estar de partida do Dragão, Mickaël Chrétien poderia representar uma alternativa válida. Pensando no FC Porto, versão 2008/09, seria curioso juntar ao seu colega de selecção, Tarik Sektioui, numa nova faixa direita "made in" Marrocos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

[Cap. I] Dossier Getafe Club de Fútbol

Depois de Barcelona, na temporada 2005/06, Espanyol, na época 2006/07, o seguinte adversário – espanhol - do Benfica, na Europa, dá pelo nome de Getafe Club de Fútbol. Nos próximos dias, iremos conhecer melhor o actual 10.º classificado de La Liga delimitando a análise por três capítulos: no primeiro, será apresentado um resumo da carreira em 2007/08 através de dados estatísticos e vídeos mais relevantes; no segundo, a atenção irá incidir sobre a vertente táctica associada ao modelo de jogo; por fim, no terceiro, o objecto de estudo vai contemplar as principais individualidades (jogadores-chave) da equipa liderada por Michael Laudrup.

Época 2007/08





Maior vitória em casa: Getafe 2-0 Athletic, Barcelona e Real Múrcia
Maior vitória fora: Recreativo 1-3 Getafe

Maior derrota fora: Sevilha 4-1 Getafe
Maior derrota em casa: Getafe 0-3 Valladolid

Resultados Relevantes [vídeos]

24/02/2008 Real Madrid 0-1 Getafe
27/01/2008 Recreativo 1-3 Getafe
19/01/2008 Getafe 3-2 Sevilha
13/01/2008 Real Bétis 3-2 Getafe
16/12/2007 Getafe 1-3 Villarreal
10/11/2007 Getafe 2-0 Barcelona
07/10/2007 Mallorca 4-2 Getafe
25/08/2007 Sevilha 4-1 Getafe

Da leitura dos dados resulta, desde logo, uma conclusão interessante: em vinte e cinco jornadas do campeonato espanhol, o empate a zero só se verificou em duas ocasiões, ambas no Coliseum Alfonso Pérez, casa do Getafe. Os visitantes foram o Deportivo (J.ª 4) e Valência (J.ª 24).
Ainda no que a golos diz respeito, refira-se que a equipa espanhola ficou em branco por nove vezes e manteve as suas redes invioláveis em oito partidas. Se acrescentarmos o facto de só se terem registado cinco empates, pode-se afirmar, com alguma segurança, que o Getafe joga no intuito da vitória. Por vezes a aposta corre bem, noutras ocasiões nem tanto.
Muito provavelmente, poderá ser reflexo das ideias do treinador Michael Laudrup. Enquanto jogador sempre privilegiou a beleza de movimentos, assente na qualidade de passe, em detrimento de preocupações tácticas excessivamente rígidas. Mesmo sentado no banco, vestindo a camisola da liderança, julgo que o dinamarquês não perdeu a noção de bom futebol.



Carreira Europeia [vídeos]

1/16 final Getafe 3-0 AEK Atenas
1/16 final AEK Atenas 1-1 Getafe
Grupo G Getafe 2-1 Anderlecht
Grupo G Aalborg 1-2 Getafe
Grupo G Getafe 1-2 H. Tel-Aviv
Grupo G Tottenham 1-2 Getafe
Round 1 Twente 3-2 Getafe
Round 1 Getafe 1-0 Twente

O maior destaque vai direitinho para a campanha da equipa espanhola no Grupo G: três vitórias em quarto partidas, sendo que o único precalço ocorreu no Coliseum Alfonso Pérez, diante da equipa israelita.
Mesmo assim, o Getafe garantiu brilhantemente a primeira posição muito por culpa do desempenho conseguido em território inglês, frente ao poderoso Tottenham, recente vencedor da Liga Inglesa. Que sirva de aviso ao que o Benfica pode esperar: um grupo de jogadores que não se esconde nos grandes palcos. Curiosamente, 2-1 foi o único desfecho conhecido.
Do confronto com o clube de Atenas, mantém-se a virtude do golo conseguido fora de portas. Por sua vez, no encontro da 2.ª mão, o Getafe soube resolver a eliminatória a seu favor, raramente estando em causa a passagem aos 1/8 final.



Todos Jogos [vídeos]

1/4 final Mallorca 1-0 Getafe
1/4 final Getafe 1-0 Mallorca
1/8 final Levante 0-1 Getafe
1/8 final Getafe 3-0 Levante
Round 4 Getafe 4-1 Burgos
Round 4 Burgos 0-1 Getafe

Mais uma vez, fica demonstrado que esta equipa não tem uma predisposição natural para o empate. Depois de na época anterior ter alcançado a final (vitória do Sevilha), o Getafe parece caminhar, a passos largos, para repetir a proeza. O próximo obstáculo chama-se Racing de Santander, enquanto na outra meia-final o Barcelona defronta o Valência de Ronald Koeman.
Por esta altura, pode-se já concluir que o Getafe apresenta um futebol positivo. Quer na qualidade de jogo patenteada, quer na busca constante do golo que permita a vitória. À partida, o papel do treinador Michael Laudrup é sinónimo dessa ambição.
Por conseguinte, não é por acaso que o Getafe conseguiu alguns resultados que podem ser apelidados de surpreendentes: Real Madrid 0-1, Sevilha 3-2, Barcelona 2-0, Aalborg 1-2 e Tottenham 1-2. Fica provado que o adversário do Benfica pode vencer qualquer equipa, em qualquer campo. A questão está em saber que Getafe marcará presença na Luz, no próximo dia 6 de Março.

Fonte: ZeroZero

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A visão de um adepto da Académica

A respeito do post anterior, relato um episódio curioso. No final do jogo liguei ao meu Pai, procurando saber qual a sua justificação para mais uma exibição apagada. Ele seguiu a partida através da televisão e, sendo adepto da Académica, tem uma visão imparcial sobre a actualidade do futebol benfiquista. Então, a certa altura, diz-me ele: “O Benfica é um grupo de jogadores vulgares”. No caminho para casa fui a pensar naquelas palavras.
Em pouco mais de cinco minutos, procurei explicar que as más exibições eram o reflexo de: uma péssima planificação desportiva; um clima de instabilidade constante; uma excessiva exposição pública. Para piorar, as opções técnico-tácticas de José António Camacho são muito discutíveis. Inclusive, na altura, tentei encontrar razões para o injustificável e a forma encontrada para rebater a frase foi através daquele (gasto) argumento que diz que os jogadores encarnados, na sua maioria, são internacionais pelos seus países.
Depois de reflectir um bocado, tenho de dar razão ao meu Pai, mesmo sabendo que o nível de exigência a que está habituado remonta às décadas de 60 e 70. Ele teve a oportunidade de viver a melhor fase do Benfica, aprendendo a respeitar a sua história. Quem foi contemporâneo de Coluna, Eusébio e, mais tarde, Humberto Coelho e seus pares, só pode catalogar esta equipa como uma anedota. Percebo o teor das suas palavras, quando o referencial de qualidade encontra-se a anos-luz da actualidade.
Como tenho 33 anos, só posso ver as jogadas de Coluna e os golos de Eusébio através da televisão ou do You Tube. Também era muito miúdo na altura de Humberto Coelho, Pietra, João Alves, Chalana, Diamantino, entre outros e as lembranças são vagas. Assim, a minha referência comparativa resume-se à grande equipa de finais da década de 80, início de 90, onde pontificavam valores como Mozer, Ricardo Gomes, Valdo, Jonas Thern, Rui Costa, Isaías, só para citar alguns. Mais recentemente, o grupo constituído à volta de Simão dava boas perspectivas, pois o esqueleto base reunia diversos internacionais portugueses de qualidade já apreciável.
Sim, esta equipa tem jogadores vulgares. Claro que há excepções: Rui Costa mantém-se como expoente máximo, Katsouranis é titular da, ainda, selecção campeã europeia, Luisão é habitualmente convocável pelo Brasil e mais quatro ou cinco jogadores têm um passado ou um potencial que não deixam dúvidas. Agora, não sejamos ingénuos. Jogadores como Nélson, Luís Filipe e Nuno Assis não são escolhidos por Scolari. Outros como Léo, Petit e Nuno Gomes ultrapassaram os trinta e as lesões começam a ser habituais. As selecções do Uruguai e Paraguai estão longe de serem colossos mundiais. Sepsi é só titular dos sub21 da Roménia. Freddy Adu vem de um país sem tradição no futebol e o mesmo ponto de vista pode ser utilizado para Zoro e Bynia. Para uma equipa como a do Benfica, é muito pouco. Os pergaminhos do clube assim o exigem.

[bwin Liga 20.ª jornada] SL Benfica 1-1 Sp. Braga

Ontem marquei presença na Luz. Esta época tem sido situação rara. Não pela qualidade exibicional e distância pontual para o FC Porto, mas porque nem sempre a disponibilidade me permite acompanhar a equipa. A elaboração da Dissertação de Mestrado exige dedicação quase diária e os meus fins-de-semana são passados entre relatórios & contas de diversas SAD´s. De qualquer modo, o futebol preenche parte considerável das minhas 24 horas diárias e o Benfica merece redobrada atenção. Bem, mas vamos ao que interessa.
Ironicamente, o desenrolar do marcador acabou por ser idêntico à da última visita. Foi a 28 de Novembro de 2007, na recepção frente ao AC Milan e o desfecho teve o mesmo sabor amargo. Por sua vez, a estatística da bwin Liga, respeitante aos jogos em casa, apresenta cinco empates e uma derrota. São treze pontos perdidos na Luz. O FC Porto leva doze de avanço. Há que perceber o porquê de tão fraco pecúlio. Será que a única justificação está nas bolas que (não) entram?
No entender do treinador espanhol, os constantes empates são explicados pela falta de pontaria. O Benfica não vence porque não marca golos. Penso que até um rapaz de 5 anos consegue chegar a essa conclusão. Contudo, José António Camacho tem responsabilidades acrescidas e, não querendo fazer do treinador o bode expiatório da triste época 2007/08, a verdade é que insistir no 4x2x3x1, com Rui Costa na posição de n.º 10, não tem ajudado. Quantos mais empates vão ser precisos para perceber isto?
Porém, o sistema táctico não explica tudo. Como escrevi há dias, o Benfica não demonstra princípios de jogo que levem a uma ideia (próxima) de bom futebol. A prática do charuto para a frente aborrece qualquer um e chega a ser exasperante observar a não qualidade de movimentos tão básicos como recepção, passe e desmarcação, tendo por base um conceito de jogo colectivo que orgulhe a história do clube.
Para finalizar, já tenho o bilhete para a partida frente ao Getafe. Esperemos que a história da eliminatória não seja semelhante à da época anterior, quando o adversário dava pelo nome de Espanyol. Curiosamente, ambos vivem à sombra de vizinhos mais poderosos. Quando cheguei a casa, ainda fui a tempo de verificar o resultado entre Real Madrid e Getafe. E não é que 10.º classificado venceu 1-0 no Santiago Bernabéu? Não se iludam: na hora das vitórias, cada vez mais o bom futebol prevalece sobre as camisolas. Em breve, irei apresentar a análise detalhada ao jogar da equipa comandada por Michael Laudrup.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

L.F.Vieira, J.Marinho e J.Veiga

Ponto prévio: não conheço, de forma pessoal, qualquer dos visados no título do post. Este afastamento presencial das figuras citadas implica que a minha opinião será imparcial e o mais objectiva possível. Obviamente, não disponho de todos os dados e os inputs são adquiridos através da generalidade da imprensa desportiva. Neste sentido, tentarei ser justo nas minhas apreciações, mas tudo o que for escrito a seguir depende, tão só, da visão de um sócio do Benfica há dezassete anos.
Há dias, nas minhas deambulações pela blogosfera, deparei-me com alguns textos de José Marinho, no Eterno Benfica. O ex-jornalista da Sport TV, co-autor do livro de José Veiga "Como tornar o Benfica campeão", surpreende pela sua aparição na internet, mas são as suas crónicas que levantam discussão. Até ao momento, destacam-se as seguintes: O Ciclo Preparatório, Salir a jogar e A fuga de Miccoli. É precisamento este último registo, com cerca de cinquenta comentários, que merece uma reflexão mais profunda.
Os leitores mais fiéis, visitantes do antigo endereço, reconhecem a minha postura crítica e tornar-se-ia fastidioso enunciar todos os episódios ocorridos entre duas figuras que marcaram o passado recente do Benfica. De qualquer modo, não querendo que o texto fique demasiado exaustivo, gostaria de me posicionar face ao antagonismo latente entre Luís Filipe Vieira e José Veiga.
Sobre o actual presidente, resumiria da seguinte forma: por um lado, devolveu à Instituição um ambiente de credibilidade e rigor, fruto de um trabalho empenhado de saneamento financeiro; por outro lado, o seu discurso populista revela dificuldades de comunicação e uma inaptidão para lidar com a política desportiva do clube.
Quanto ao ex-dirigente encarnado, formulo o seguinte ponto de vista: por um lado, foi elemento crucial na temporada 2004/05, pois o seu profissionalismo e blindagem do balneário foram factores decisivos para a conquista do título nacional, onze depois; por outro lado, em certos negócios relativos a entradas/saídas de jogadores, nunca foi clara a sua posição enquanto ex-empresário, aliado a uma desconfiança que pairava sobre as suas ligações anteriores ao FC Porto.
Voltemos a José Marinho. Concordo, na generalidade, com o teor das palavras escolhidas. Estranho a escolha do veículo utilizado para fazer passar a mensagem. Já vão perceber.
Há tempos, interpelei um conhecido analista de futebol e questionei o facto de ele não fomentar a troca acesa de opiniões. Como penso que o seu know-how traria uma outra forma de encarar o futebol, seria interessante promover o debate e criar laços entre quem escreve e quem lê. A resposta foi contrária às minhas pretensões, pois no seu entender a blogosfera é um espaço crescente para o insulto gratuito e a maioria sofre de clubite aguda.
Este episódio faz-me pensar no propósito de José Marinho, jornalista de um orgão de informação e autor de várias publicações, vir expor-se para a blogosfera em nome da liberdade individual de opinião. Retorquir a comentários anónimos ainda me causa mais impressão. Valerá a pena esta descida aos meandros da internet, onde em cada benfiquista há uma sentença? Qual a finalidade desta auscultação junto das massas? Fica a questão.
O tema resvala para algo que se começa a desenhar: probabilidade de um cenário repartido para as eleições de 2009. Há muitos sinais que o indicam. Por aquilo que me é dado a observar, quer através da imprensa desportiva, quer com base em diversos estados de espírito visíveis na blogosfera, o universo benfiquista ameaça dividir-se entre aqueles que apoiam Luís Filipe Vieira e aqueles que esperam uma alternativa credível. Num dos cenários, à espreita, pode estar José Veiga. Será que a campanha já teve início?
Não duvido da bondade de intenções de José Marinho. Tal como afirmei, partilho da sua visão. A argumentação é plausível e o conteúdo, pelo menos no que diz respeito à identificação dos problemas, tem fundamento. Discordo, porém, da excessiva colagem ao ex-director desportivo. A mudança só faz sentido quando não existem falsas intenções. A prioridade são benfiquistas de créditos firmados nas mais variadas áreas de jurisdição de um clube de futebol, acima de quaisquer suspeitas.
Por conseguinte, duvido que José Veiga encaixe nesta categoria. Julgo-o um homem perigoso no sentido em que o seu percurso deixa um rasto de dúvidas. Ninguém sabe o que lhe vai na cabeça. Será a ânsia de poder? A busca de notoriedade? A procura de influência, no mundo do futebol, que facilite a execução de negócios? Será a verdadeira paixão benfiquista? O que move este homem? Como estabelecer um traço de confiança?
Para terminar, conclui-se que a liderança do Sport Lisboa e Benfica assemelha-se a um duelo típico de um western. De um lado, Luís Filipe Vieira e sus muchachos. Do outro lado, o cowboy José Veiga, sozinho ou acompanhado.
Qual o papel efectivo de José Marinho, no meio disto tudo? É ele que carrega os revólveres e faz a contagem dos passos? Quem ficará para limpar o sangue? Da minha parte, fiquem a saber que não me incluo em nenhum lado da barricada. Westers nunca foi mesmo o meu género preferido...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

[Uefa Cup 1/16] Nuremberga 2-2 SL Benfica

Desespero. Para não variar, mais uma exibição (colectiva) a roçar o medíocre. A melhor equipa dos últimos 10 anos - na opinião de um iluminado - ofereceu 90 minutos de ansiedade e sofrimento. Salvou-se o resultado, ao cair do pano. A carreira europeia prossegue, mas até quando? Esperemos que Getafe não faça lembrar...Espanyol.
Sobre o jogo propriamente dito, começo por destacar o evidente: é verdade que existem erros individuais clamorosos e as opções, técnicas e tácticas, do treinador também não ajudam. Porém, será que explica tudo?
Sobre o primeiro tema, como comentar o desempenho de Luís Filipe? Quem foi o responsável pela sua contratação? É que contemplar a política desportiva da SAD é um exercício de masoquismo. Para os menos atentos, relembro que o ex-bracarense envolveu um investimento de 500 mil euros...quando João Pereira, mesmo não sendo um lateral do outro mundo, tem sido o melhor de Braga. Bem, se até Fernando Santos dispensou o jogador, aquando da passagem pelos vizinhos de Alvalade...
Obviamente, não fica por aqui. Por acaso Maxi Pereira é melhor do que Bruno Aguiar, jovem das escolas encarnadas? Então se referir o brasileiro Geovanni, estraga logo qualquer tentativa de comparação. Conclusão: nem sequer estou a ser exigente, mas a delapidação do plantel nas últimas épocas acarreta as suas consequências.
Sobre o tema Camacho, muito poderia ser escrito. Chega a ser incompreensível a forma como o treinador prepara a equipa: salir a ganar ou salir a jugar? Mais do que o sistema táctico, não existe uma clara ideia sobre o modelo. Como se diz, em linguagem popular, o Benfica não tem fio de jogo.
Sendo possível dar dinâmica ao 4x2x3x1, torna-se necessário definir tarefas certas entre os pivots defensivos e mecanizar movimentos que dêem identidade ao colectivo. Lamentavelmente, o onze do Benfica não sabe como e quando deve efectuar a pressão, apresenta dificuldades de posicionamente nos momentos de transição e, para piorar, alguns jogadores encontram-se nos lugares errados. Um dos exemplos, já debatido, diz respeito à posição do maestro.
Outra situação problemática prende-se com o fornecimento de bolas para Makukula. A opção por dois pivots defensivos, a presença de alas como Maxi Pereira e Nuno Assis, incapazes de dar profundidade, e Rui Costa numa zona que não favorece as suas características actuais, acaba por apagar qualquer n.º 9. Aliás, estar ali Makukula ou Ibrahimovic seria (quase, quase) igual.
Bem, mas será que o ónus da culpa vai inteiramente para Camacho? Não creio. Com Fernando Santos era igual ou pior. Até com Trapattoni existia contestação à qualidade exibicional. A opinião pública gosta de encontrar bodes expiatórios. Por vezes, entre jogadores. Quase sempre, entre treinadores. Só o máximo responsável pelo clube fica afastado do tom crítico. Eu prefiro analisar a conjuntura actual de uma forma mais global. A minha esperança é só uma: eleições em 2009.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Como jogou o FC Porto em Gelsenkirchen

Facto: o FC Porto perdeu pela margem mínima. Apontamento prático: a eliminatória não está perdida, mas o resultado forasteiro dificulta a tarefa para o Dragão. Conclusão: ao contrário do registo interno (esqueçamos a derrota com o Nacional), a competição europeia prova que o FC Porto não é invencível. Razões para a derrota? Na minha opinião, um dos principais motivos prende-se com a abordagem ao jogo por parte de Jesualdo Ferreira. A saber:
1 - Não estando em causa o desempenho individual de João Paulo, soa estranho entregar a titularidade a um jogador sem ritmo de jogo. A liga intercalar não é justificação. Ainda por cima, o ex-leiriense tem rotina como central e jogou adaptado à direita, primeiro, e à esquerda, depois. Juntamente com Fucile, mais defesa do que lateral, o FC Porto raramente teve profundidade pelas faixas;
2 - A troca posicional entre Lucho González e Raúl Meireles não trouxe benefícios ao equilíbrio do colectivo. Sabe-se que o português costuma actuar na meia-esquerda, enquanto El Comandante pisa terrenos típicos de um interior direito. Por conseguinte, basta observar a imagem para perceber que o lado direito estava mais protegido com as presenças de Lisandro López, Raúl Meireles e João Paulo. Já do lado esquerdo, corredor por onde surgiu o golo e os principais lances de perigo, quem defendia?
3 - A escolha de Ernesto Farías em detrimento do marroquino Tarik? Como previa, o trio da frente revelou menor mobilidade, até porque El Tecla fixa-se mais na área ficando à mercê da marcação dos centrais contrários. Em consequência directa, Lisandro López foi obrigado a desgaste redobrado por outras zonas do campo e o lado direito esteve sempre demasiado desamparado.

Palavras finais. Já não é a primeira vez que Jesualdo Ferreira procede a alterações face a adversários mais poderosos. Em certas ocasiões, passa da estrutura habitual do 4x3x3 (Quaresma, Lisandro e Tarik) para um esquema híbrido (Quaresma, Farías e Lisandro), piorando quando a decisão vai no sentido do 4x4x2 losango. Ontem, não foi tanto pelo sistema táctico, mas sim pelas escolhas técnicas que acabaram por influenciar diversas dinâmicas posicionais.
Percebe-se agora a resistência de vários adeptos tripeiros em relação ao seu treinador. Jesualdo Ferreira amedronta-se perante grandes palcos e equipas de outro gabarito. Típico de outros tempos, a fazer lembrar hábitos dos anos 80, o Professor mexe no modelo de jogo em função do adversário.
Cumpridos quase dois anos ao serviço do Dragão, adivinha-se o fim de um ciclo. A verdade é que o salto para a dimensão internacional só parece ao alcance de um homem como José Mourinho. Jesualdo Ferreira tem 90 minutos para provar o contrário.

Como deve jogar o FC Porto em Gelsenkirchen?

A esta hora, Jesualdo Ferreira já deve estar munido de todas as informações acerca do Schalke 04. Alex e Ricardo Costa, do Wolfsburgo, Diego e Hugo Almeida, do Werder Bremen, deram uma ajuda preciosa ao identificar alguns dos pontos fortes da equipa alemã: rapidez nas transições ofensivas, automatismos nas acções atacantes, dupla de avançados de enorme qualidade e um público incansável no apoio.
No papel, Mirko Slomka, treinador do Schalke 04, costuma desenhar um 4x4x2 não orientado para o "kick and rush", mas ainda assim com um figurino ligeiramente britânico na abordagem física do jogo. Contudo, por altura da fase de grupos, nas partidas caseiras frente a adversários mais poderosos como Chelsea e Valência, os "Azuis Reais" mudaram a estrutura para um 4x2x3x1 mais consistente a nível do meio-campo. Como deve, então, jogar o FC Porto?
Na minha opinião, qualquer tentativa de aproximação ao 4x4x2 losango será um erro. Uma das razões prende-se com a inexistência de um quarto médio de valia inquestionável. O outro motivo vai de encontro a um princípio bem conhecido: uma equipa não deve adaptar-se ao esquema adversário, em detrimento dos mecanismos de jogo treinados ao longo de uma época. Deste modo, ao FC Porto será mais favorável manter o 4x3x3, tal como a imagem ilustra.
Sabendo que as principais forças da equipa alemã encontram-se identificadas na capacidade ofensiva de Rafinha, na solidez e simplicidade de processos da zona intermediária e na ameça que constituem as movimentações de Asamoah e Kurany, a única dúvida de Jesualdo Ferreira poderia estar na escolha entre Farías e Tarik.
A meu ver, penso que o marroquino parte em vantagem, pois juntamente com Quaresma, à esquerda e Lisandro, ao centro, a equipa ganha outra agressividade e mobilidade no último terço de terreno. O argentino Farías oferece-se mais à marcação dos centrais e, por outro lado, transforma o 4x3x3 num sistema híbrido, em virtude das constantes diagonais, de fora para dentro, protagonizadas por Lisandro.
Depois, como logo à noite Bosingwa não vai marcar presença no palco de Gelsenkirchen e Lucho não pode estar em todo o lado, a faixa direita ficaria mais deserta no panorama ofensivo e mais exposta às iniciativas contrárias no momento da transição defensiva.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

#3 Prospecção: João Ribeiro

Nome completo
João da Rocha Ribeiro
Data de nascimento
13.08.1987 (20 anos)
Nacionalidade
Portuguesa
Altura: 1,76m
Peso: 75kg
Posição
Médio-ala direito/esquerdo


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
bwin Liga - 17J / 2G (1.323)
Carlsberg Cup - 1J / 0G (56)

[Dados da carreira]
2006/07 Naval 12J / 0G
2005/06 FC Porto B
2004/05 FC Porto B / Juniores A

Num passado, mais ou menos, recente craques como Figo, Simão, Ricardo Quaresma e Cristiano Ronaldo tiveram o selo da afamada escola leonina. Ultimamente, a criação de talentos que nascem nos flancos começa a ser imagem de marca da formação do FC Porto: Hélder Barbosa, Ivanildo, Vieirinha e...João Ribeiro.
Na Figueira da Foz, o jovem extremo tem dado nas vistas. Sendo destro por natureza, o pé esquerdo acompanha bem no drible e estamos perante um médio-ala com capacidade para ir à linha cruzar em qualquer das faixas. É certo que, fruto da sua juventude, tem de limar a transição defensiva e definir melhor o último passe. De qualquer modo, notam-se sinais claros de qualidade.
O carimbo da formação do FC Porto é, por conseguinte, visível no seu futebol: a forma inteligente de procurar espaços vazios, a técnica na recepção de bola e a maneira como depois, não receiando os duelos individuais, progride para cima do adversário.
Ainda em fase de aprendizagem, a adquirir maturidade competitiva, não deixem de observá-lo numa próxima partida da Naval. Por vezes, quando a finta improvisada sai certinha, esquecemo-nos da camisola que leva vestida. Como se o futebol de João Ribeiro tivesse tiques a lembrar Ricardo Quaresma.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

#2 Prospecção: Djalma

Nome completo
Djalma Braume Manuel Abel Campos
Data de nascimento
30.05.1987 (20 anos)
Nacionalidade
Portuguesa
Altura: 1,75m
Peso: 76kg
Posição
Médio-ala esquerdo


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
bwin Liga - 10J / 2G (59)
Carlsberg Cup - 1J / 0G (64)
Taça de Portugal - 1J / 0G (44)

Djalma transporta consigo os genes do futebol. É natural, pois o seu apelido deve soar familiar: Abel Campos foi um antigo jogador do SL Benfica nas épocas 1988/89 e 1989/90. Actuava como médio-ala/extremo direito e pontificava ao lado de grandes nomes como Chalana, Diamantino, Jonas Thern, Valdo, entre outros. Natural de Luanda, Abel Campos é pai do actual atacante do Marítimo.
Também nascido em Angola, mas com nacionalidade portuguesa, Djalma apresenta características muito semelhantes ao seu progenitor: aceleração, agilidade e velocidade são os seus trunfos. A diferença está no lado escolhido para progredir com a bola: o pai Abel Campos oferecia profundidade ao flanco direito, enquanto Djalma procura o seu espaço no lado canhoto.
Depois de uma passagem de crescimento por Loures, passando por uma experiência na II Divisão B, na época 2005/06, ao serviço do Marítimo B, surge a oportunidade de Djalma mostrar o seu futebol. O desafio pode ser vencido, pois potencial existe. A começar pelos genes.

Palavras do Atleta:
"Parto com o objectivo de lutar para conquistar o meu espaço. Acho que estou preparado para atingir a minha afirmação no Marítimo esta temporada".

[Uefa Cup 1/16] SL Benfica 1-0 Nuremberga

Em dia de S. Valentim, não foi desta que a equipa do Benfica conseguiu criar um ambiente de enamoramento com os adeptos. O resultado abre boas perspectivas para a partida da 2.ª mão, a realizar no Frankenstadion a 21 deste mês. Porém, a exibição colectiva dos encarnados esteve longe de ser feliz.
José António Camacho acabou por fazer a vontade à plateia: dois avançados no onze titular - Ariza Makukula (autor do golo) e Óscar Cardozo - num desenho táctico próximo do 4x4x2 clássico. Dando razão às convicções iniciais do treinador, a coexistência das duas torres vermelhas veio condicionar a fluidez de jogo a meio-campo. A dupla raramente funcionou, sendo um dos motivos para uma performance global aquém do nível que se espera e exige. Neste momento, importa debater o seguinte: será praticável adoptar o 4x4x2 como esquema preferencial, em detrimento do 4x2x3x1?
A resposta está no timing de implementação. Mudar o sistema táctico, a meio da época, implica riscos acrescidos no modelo de jogo. Não julgo ser incompatível a presença de dois avançados com características muito semelhantes, mas há que trabalhar mecanismos de entrosamento. Só através do treino, será possível aos jogadores assimilarem novos movimentos na forma de atacar, de forma a conciliar o raio de acção dos avançados. Façamos, de seguida, uma analogia com o xadrez.
Não há dúvida que as duas torres - Ariza Makukula, 190cm e Óscar Cardozo, 193cm - bem apoiados pela dinâmica da zona intermediária, podem ser devastadores em certas circunstâncias. Curiosamente, tal como no tabuleiro de 64 casas, estas torres encarnadas não apresentam argumentos para realizar diagonais e acabaram por chocar contra uma muralha de peões alemães.
Para contrariar esta menor vocação de mobilidade (que falta faz um jogador como Miccoli), espera-se que os bispos - Nuno Assis, à direita e Cristián Rodríguez, à esquerda - sejam os elementos desequibradores, realizando diagonais, da faixa para o centro e vice-versa. As entradas posteriores de Di María e Freddy Adu perseguem o mesmo objectivo, apenas variando nos meios utilizados: incremento de profundidade nas alas, privilegiando jogadas de 1x1 e nunca descurando a potencialidade de uma transição ofensiva rápida.
Continuemos a seguir a linguagem xadrezística. Quando o adversário coloca a maioria das peças à frente do rei - leia-se baliza - posicionando-se atrás da linha da bola, resta uma solução desestabilizadora: fazer bom uso da imprevisibilidade de movimentos de um cavalo. Na partida de ontem à noite, mais do que um cavalo, foi graças a um cavaleiro de 35 anos, criativo e inteligente, que o bloco defensivo abriu uma brecha para o remate de Makukula.
No futebol, tal como no xadrez, fica a lição: duas torres podem ser muito úteis, mas por vezes é um cavalo que dá xeque-mate. Termino com esse momento mágico de Rui Costa.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

#1 Prospecção: Orphée Demel

Nome completo
Boti Goa Tyrolien Orphée Demel
Data de nascimento
03.03.1989 (18 anos)
Nacionalidade
Costa-marfinense
Altura: -
Peso: -
Posição
Avançado centro


[Resumo 2007/08] Competição - Jogos / Golos (Minutos)
Nacional Juniores A - 12J / 12G (1.080)

Entrega. Velocidade. Impulsão excelente. Fisicamente forte. Estas são algumas das características do jovem avançado costa-marfinense. Chegou esta época aos juniores do Benfica e apresenta um cartão de visita interessante: 12 golos em tantas partidas realizadas.
Depois de na temporada anterior ter sido o chinês Yu Dabao a dar nas vistas, a formação do clube encarnado dá mostras de estar mais atenta ao potencial do futebol africano. A acompanhar o goleador, tomem nota dos seguintes nomes: Lassana Camará, médio (Guiné-Bissau); Ishmael Yartey, médio (Gana); Daud Machude, médio (Moçambique); e Ugo Akuchie, avançado (Nigéria).
Será que na Luz mora o novo Drogba?

SL Benfica 6-0 Nuremberga, 1962

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Il ritorno di Catenaccio

As palavras seguintes transmitem duas perspectivas: para uns, o significado vai no sentido de uma apresentação; para outros, revela um regresso. As próximas linhas representam uma novidade para os primeiros e uma recordação para os segundos.
Chamo-me Ricardo Cunha, faço 33 anos no próximo dia 15 de Fevereiro e sou natural de Lisboa. Ligação com o mundo do futebol? Quase nenhuma. Porventura o facto de me encontrar a elaborar uma Dissertação de Mestrado sobre as implicações do normativo contabilístico internacional nas Sociedades Anónimas Desportivas.
Nunca fui jogador de futebol federado e tampouco acalento pretensões de vir a tornar-me treinador. Apenas sinto a cultural paixão pelo desporto rei aliada ao gosto pela escrita. Foi assim que em Novembro de 2004, suportado pelo link http://www.catennac1o.blogspot.com, nasceu o blogue Catenaccio. Façamos uma breve retrospectiva dessa altura.
A criação do blogue, do qual fui único fundador e autor, levou-me a aceitar novos desafios, no espaço virtual e não só. Para todos aqueles de memória mais fresca não constituirá novidade, mas para os novos leitores merece a pena enunciar a minha participação no saudoso Terceiro Anel e a minha posterior colaboração com a Revista Futebolista.
A primeira participação terminou com o fim de um ciclo, mas os editores regulares do Terceiro Anel continuam a exprimir as suas opiniões na blogosfera: João Gonçalves, Encarnado e Branco, Pedro Varela, Pontapé na Lógica, Nuno Almeida, Salésias, Bruno Ribeiro, Olho de Dragão e Rui Malheiro, Playmaker.
Quanto ao outro projecto, mantém-se activo através de uma colaboração regular e periódica. Podem comprovar isso mesmo na próxima edição de Fevereiro, onde escrevo sobre o Vitória Sport Clube na secção "Ao Raio X".
Então, qual a razão para criar um novo espaço? Infelizmente, como alguns dos fiéis leitores sabem, tive um problema técnico com o antigo endereço. Perdi todo o histórico de posts, mas não perdi a vontade de continuar a escrever. Agradeço o auxílio de alguns colegas da blogosfera que desde o início mostraram-se solícitos para ajudar. Não vale a pena enunciar nomes. Vocês sabem quem são.
O regresso do Catenaccio ainda se encontra em fase de construção. De qualquer modo, do lado direito, já podem observar algumas das categorias habituais que marcaram a imagem do blogue antigo. Para começar, encontram-se já disponíveis as diversas crónicas que fui escrevendo na Revista Futebolista, desde Novembro de 2006.
Por fim, gostaria de terminar com uma mensagem dirigida aos que ainda não me conhecem: fica a certeza de que não represento nenhuma corrente de opinião, colectiva ou individual e tudo o que for aqui escrito será um espelho das minhas convicções pessoais. Foi um pressuposto base em Novembro de 2004 e será assim no futuro.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

#3 Táctica: Dezembro 2007

4x3x2x1: Christmas Tree Formation


A revolução de Carlo Ancelotti


Ao longo dos anos, o futebol europeu foi palco de diferentes tendências tácticas: na antiguidade dos anos 30 e 40, Chapman implementou o famoso WM (3x2x2x3); na década de 50, Brasil e Hungria inspiraram o 4x2x4; na década seguinte, o defensivismo imposto pelo Catenaccio marcou uma época; nos anos 70, surgiu o conceito de futebol total, protagonizado pela selecção laranja; no período relativo às décadas de 80 e 90, acrescentaram-se variantes ao 4x4x2 e 4x3x3, aprofundando aspectos como a zona pressionante.

Desafiar a história

Actualmente, o futebol dito moderno assenta sobre desdobramentos tácticos interessantes, como seja a variante reproduzida pelo 4x2x3x1, mas no início do séc. XXI a inovação táctica não conheceu evoluções significativas ou regressos ao passado dignos de registo. Quer isto dizer que o limite do pensamento e desenvolvimento táctico já foi ultrapassado? A resposta é negativa. No tabuleiro verde, que representa o relvado, há sempre espaço para mais uma novidade. No Calcio mora um sistema único e original nos seus pressupostos posicionais, preconizado superiormente por Carlo Ancelotti, treinador do AC Milan. Minhas senhoras e meus senhores, o actual campeão europeu apresenta a formação Christmas Tree:

Virtudes do misterioso 4x3x2x1

Não se conhece a origem do termo, mas pela observação da imagem facilmente se conclui o porquê de se chamar Christmas Tree à disposição táctica centrada no 4x3x2x1. Para além da curiosa associação com a época natalícia, aproveita-se o facto da equipa italiana visitar o Estádio da Luz, em jogo a contar para a Champions League, para informar os leitores sobre breves vicissitudes do modelo de jogo. Comecemos pelas opções técnicas à disposição de Carlo Ancelotti (substitutos naturais entre parêntesis):

GR – Dida (Kalac)
Defesa direito – Oddo (Cafu)
Defesa esquerdo – Jankulovsky (Favalli)
Central direito – Nesta (Bonera)
Central esquerdo – Maldini (Kaladze)
Pivot defensivo – Pirlo (Emerson)
Interior direito – Gattuso (Brochi)
Interior esquerdo - Ambrosini (Serginho)
N.º 10 esquerdo – Seedorf (Gourcuff)
N.º 10 direito - Kaká (Alexandre Pato, a partir de Janeiro)
Avançado – Inzaghi (Gilardino/Ronaldo)

Quanto às dinâmicas criadas e impostas pela matéria-prima existente, há características colectivas que se destacam, as quais imprimem um cunho de identidade ao actual campeão europeu.
Para começar, quando em posse de bola a verticalidade é oferecida pelas subidas dos laterais, pois espera-se que tanto Oddo, à direita, como Jankulovsky, mais liberto, à esquerda, transmitam profundidade nas faixas.
Percorrendo metros próximas da zona intermediária, deparamo-nos com a classe mundial de Pirlo. Apesar de no terreno o regista italiano ocupar a posição de n.º 6, não estamos perante um trinco tradicional. Pelo contrário, as tarefas de maior pressão e marcação ficam a cargo do batalhador Gattuso e do capitão Ambrosini. Se quisermos utilizar uma metáfora, poder-se-ia dizer que é Pirlo quem decide o timing certo para ligar/desligar as luzes da árvore de Natal, pois é a sua visão de jogo que ilumina a equipa.
Interessante, também, verificar como é possível conciliar dois talentos que vestem a camisola n.º 10: Kaká, à direita, mais explosivo com bola e temível nos lances de 1x1, enquanto Seedorf, à esquerda, mais inteligente na forma como gere o ritmo de jogo, à espera do momento certo para efectuar um passe de ruptura. Por fim, no topo da Christmas Tree, quase no limite do fora de jogo, brilha a estrela Inzaghi, implacável ponta-de-lança na hora de finalizar.

Transposição para a realidade nacional

Como já foi referido, o sistema táctico 4x3x2x1 representa um conceito original que teve maior visibilidade no AC Milan, mas o fenómeno da aprendizagem (não gostaria de chamar processo de imitação) pode, mais dia menos dia, invadir os relvados portugueses. Como seria, então, no caso particular dos três grandes?
No caso do FC Porto (fig. 1) seria, provavelmente, um desperdício não aproveitar o virtuosismo técnico de Quaresma e Tarik nos corredores laterais, mas possibilitaria maior consistência no sector central. Por sua vez, conhecendo a preferência de Camacho pela utilização de um único ponta-de-lança e face às características dos centrocampistas, seria mais plausível a implementação do 4x3x2x1 (fig. 2) no Benfica. Para terminar, do outro lado da 2.ª circular (fig. 3) Paulo Bento poderia, também, recorrer a este desenho táctico, nem que fosse como o tão propalado plano B, graças à garantia de eficácia proporcionada por Liedson.




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#2 Táctica: Novembro 2007

Selecção Nacional

Prós & Contras da táctica portuguesa


Selecção nacional: clube de topo?

Qualquer que seja a selecção nacional, espera-se que o grupo de jogadores escolhidos seja representativo do melhor que a nação tem para oferecer. Portugal não foge à regra e as escolhas técnicas - sempre polémicas - procuram envolver parâmetros como a forma física ou o simples talento futebolístico de cada atleta. Objectivo prioritário: a constituição de um conjunto de eleição.
Contudo, a experiência portuguesa e a história recente mundial demonstram que nem sempre um lote de óptimos jogadores personifica uma boa equipa. Uma das razões para esse desfasamento prende-se com o menor tempo disponível do seleccionador para promover mecanismos de entrosamento e incutir princípios de jogo adaptados às características dos jogadores.
Nesta medida, torna-se notório que treinar um clube não tem nada que ver com o ritmo próprio de treinar uma selecção. No primeiro cenário, o treinador tem contacto diário com os atletas e as suas ideias sobre o jogo são assimiladas de uma forma mais gradual e consistente. No caso da selecção nacional, o treinador funciona mais como um coleccionador de identidades, tendo em conta as diversas posições do terreno. Por outras palavras, o seleccionador é obrigado a saltar etapas estratégicas como forma de impor o seu estilo futebolístico, assente num desenho táctico que melhor se adapte ao tal conjunto de eleição nacional.

Selecção nacional: escolhas técnicas

Antes de entramos directamente no tema relacionado com as diversas formas do esquema táctico nacional, há que enunciar uma regra base que vem nos livros: qualquer equipa deverá ter, no mínimo, dois jogadores por posição. E, quais são os escolhidos preferenciais do actual seleccionador nacional? Atente-se nos principais nomes que constituem o núcleo duro de Scolari:

Guarda-redes: Ricardo (Bétis); Quim (SL Benfica)
Defesa direito: Bosingwa (FC Porto); Miguel (Valência)
Defesa central: Ricardo Carvalho (Chelsea); Jorge Andrade (Juventus); Fernando Meira (Estugarda); Bruno Alves (FC Porto)
Defesa esquerdo: Paulo Ferreira (Chelsea); Antunes (AS Roma)
Médio defensivo: Petit (SL Benfica); Raúl Meireles (FC Porto)
Médio de transição: Maniche (Atl. Madrid); João Moutinho (Sporting CP)
N.º 10: Deco (Barcelona); Tiago (Juventus)
Médio ala/Extremo: Cristiano Ronaldo (Manchester United); Simão (Atl. Madrid); Ricardo Quaresma (FC Porto)
Avançado/Ponta-de-lança: Nuno Gomes (SL Benfica); Hélder Postiga (FC Porto); Hugo Almeida (Werder Bremen); João Tomás (Sp. Braga)

Na maioria das convocatórias, estes jogadores correspondem ao lote de eleição nacional e, porventura, serão aqueles em quem os portugueses depositam maiores esperanças para o Euro 2008. Eventualmente, pode-se pensar noutras alternativas com valor para integrar a selecção nacional:

Guarda-redes: Nuno (FC Porto)
Defesa direito/esquerdo/central: Caneira (Valência)
Defesa direito: Abel (Sporting CP)
Defesa central: Tonel (Sporting CP); Ricardo Rocha (Tottenham)
Médio defensivo: Miguel Veloso (Sporting CP)
Médio de transição: Manuel Fernandes
Médio ala/Extremo/N.º 10: Nani
Avançado/Ponta-de-lança: Ariza Makukula (Marítimo)

Enquadramento táctico: sistema habitual 4x2x3x1

O desenho de jogo centrado num trio criativo, suportado pelo duplo pivot defensivo e tendo um avançado centro como referência, vem dos tempos de Humberto Coelho. Após o Euro 1996, disputado em Inglaterra, António Oliveira e Luiz Felipe Scolari têm mantido a mesma orientação táctica, com ligeiras alterações circunstanciais.

Actualmente, parece ser o sistema que melhor serve os interesses da selecção, quer pela matéria-prima disponível, quer pelas características dos futebolistas portugueses. Conhece-se a dificuldade de preencher o lugar de ponta-de-lança e as faixas defensivas não apresentam elevada concorrência, excepção feita ao lado direito. Deste modo, uma das principais pechas da equipa nacional prende-se com a inexistência de um lateral esquerdo verdadeiramente canhoto, existindo a esperança que Antunes possa crescer no futebol transalpino. Por sua vez, a posição de homem mais avançado tem ficado orfã desde a saída de Pauleta e aguarda-se, com expectativa, a evolução de Hugo Almeida no Werder Bremen.
Ainda assim, os mecanismos colectivos mostram-se mais solidários no 4x2x3x1 por ser o enquadramento táctico treinado há mais tempo e aquele onde os jogadores se sentem mais à-vontade. Por conseguinte, a descoberta de pontos de entrosamento será mais natural e as ideias do seleccionador mais facilmente assimiladas, favorecendo o talento individual de craques como Simão, Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma, verdadeiras pérolas do futebol fantástico.

Nuance estratégica: sistema renovado 4x3x3

Em Portugal, Benfica e FC Porto concebem o seu modelo de jogo no 4x3x3 mas, de forma ligeiramente distinta. Enquanto Camacho é adepto do 4x2x31 como variante do sistema tradicional, Jesualdo Ferreira prefere o 4x3x3 puro, com a utilização de um único pivot defensivo e onde os médios ala desempenham, mais amiúde, o papel de extremos. Também na selecção, consoante o adversário e o resultado no marcador, Scolari pode imprimir uma nuance estratégica que tem reflexo numa maior preponderância de médios de transição e no aproveitamento dos extremos como forma de oferecer profundidade ao jogo colectivo.

A imagem pretende revelar outras opções para a zona intermediária, lembrando um episódio verificado no Euro 2004, disputado em Portugal. Na altura, vivia-se a época dourada de José Mourinho no FC Porto onde pontificavam nomes como Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Maniche, Deco, entre outros. A partida inaugural, frente à Grécia, não correu de feição às cores portuguesas e o seleccionador viu-se obrigado a operar uma revolução cirúrgica em lugares-chave, apostando nalguns atletas que tinham experimentado o sucesso europeu.
Cerca de quatro anos volvidos, o Sporting dá mostras de ser o clube que mais valores tem conseguido inserir na equipa principal e diversas correntes de opinião acreditam que a espinha-dorsal da selecção do futuro devia ter a marca da Academia de Alcochete. Sendo certo que jogadores como Tonel, Miguel Veloso e João Moutinho são presenças, mais ou menos, assíduas nas convocatórias, outros como Abel e Yannick Djaló podem, também, ter a sua oportunidade. Tal como em 2004, reunir vários atletas do mesmo clube pode significar uma vantagem extra pelo facto da maioria revelar melhor entrosamento e conhecimento dos momentos da transição, graças ao trabalho diário desenvolvido no seu clube de origem.

Exigência de um plano B: sistema alternativo 4x4x2

É sabido que a selecção portuguesa tem o costume de bater-se, bravamente, com selecções de topo mundial mas, estranhamente, tem o péssimo hábito de fraquejar diante de adversários teoricamente mais fracos. Quando o oponente é de respeito, é normal existirem mais espaços para circular a bola o que funciona lindamente para jogadas de contra-ataque e serve as características dos jogadores portugueses. Ao contrário, frente a selecções menos cotadas, que actuam num bloco médio-baixo com vários jogadores atrás da linha da bola, existe maior dificuldade para criar lances de perigo e oportunidades de golo. A resposta pode estar na implementação de um sistema alternativo, mais ofensivo, que contemple a presença de dois avançados. Vejamos, então, qual a possibilidade de sucesso de um plano B centrado no 4x4x2.

Mesmo tendo consciência que a principal força de Portugal reside na qualidade dos centrocampistas e no talento individual dos médios ala ou extremos, em determinadas circunstâncias exige-se a presença de dois homens mais avançados, nomeadamente nos jogos em casa, onde o favoritismo é maior, ou quando o resultado no marcador seja adverso.
Este plano B para situações difíceis assemelha-se ao desenho planificado por Rafa Benítez no Liverpool, com duas linhas de quatro elementos ao melhor estilo britânico. Ao invés do 4x4x2 losango, preconizado por Paulo Bento, este esquema mantém a virtude do 4x2x3x1 ao assumir a presença de mágicos como Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma. A diferença está na saída de um jogador do triângulo central, pela entrada de mais um avançado, de maior mobilidade ou com maior presença na área.
Por sua vez, face às escolhas constantes do seleccionador, a sociedade ofensiva seria, naturalmente, constituída pelos seguintes jogadores: Nuno Gomes, Hélder Postiga, Hugo Almeida, João Tomás e...Ariza Makukula. Destaca-se o avançado do Marítimo por diversas razões: experiência internacional adquirida no Sevilha, excelente início de campeonato (4 Golos/6 Jogos) e impressionante envergadura física (190 cm/85 kg). Natural da República Democrática do Congo, este ainda jovem ponta-de-lança (26 anos) marcou presença nos escalões inferiores da selecção nacional e, pelas suas características ímpares no futebol português, representa uma opção que não deve ser descurada.
Em resumo, quando a bola teima em não entrar nas redes adversárias e exige-se um futebol mais directo e menos elaborado do ponto de vista técnico, há que perspectivar novas hipóteses tácticas e o 4x4x2 pode ser uma solução de recurso interessante. Para que o desenho no papel tenha expressão no relvado, nada como optar por dois avançados de características distintas que melhor compreendam o objectivo da complementaridade. Assim, entre Hugo Almeida, João Tomás e, quem sabe, Ariza Makukula, um deles desempenharia a função de ser o homem de referência, capaz de prender os centrais adversários e abrir espaços de penetração para os restantes companheiros, enquanto Nuno Gomes e/ou Hélder Postiga teriam liberdade de movimentos para percorrer toda a frente de ataque.

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#1 Táctica: Julho 2007

Ordem para comprar

O admirável mundo do mercado de transferências de FC Porto, Sporting e Benfica


Revolução ou renovação

Quando estiver a ler estas linhas, já um dos três grandes portugueses pode ter garantido o concurso daquele craque que faz as delícias dos adeptos. As novidades sucedem-se a um ritmo quase diário e até ao início da competição há sempre mais espaço para uma cara nova. O tema repete-se todos os anos: FC Porto, Sporting e Benfica procuram fortalecer o seu plantel, tornando-se complicado gerir as naturais debilidades orçamentais com a vontade de sócios e simpatizantes. Cada um dos clubes mais representativos do nosso futebol é um caso particular e as elevadas expectativas levam, muitas vezes, a falar-se de revolução ou renovação. À partida, o FC Porto parte com a vantagem da performance anterior e espera-se uma evolução na continuidade. No Sporting, tudo leva a crer que o rumo da aposta na formação é para manter. Já o Benfica encontra-se quase obrigado a fazer melhor do que o 3.º lugar da época anterior, sendo aquele que pode apresentar maior número de entradas e saídas.

A importância dos jogadores-chave

Em linguagem financeira, as Sociedades Anónimas Desportivas consideram as principais figuras de proa como os activos mais valiosos do clube. Paralelamente, o mesmo princípio é utilizado pelos adeptos que preferem, porém, tratar os craques por jogadores-chave.
Portugal não foge à regra: cada uma das equipas que luta pelo título reúne três ou quatro elementos fundamentais que servem de base à espinha-dorsal do colectivo. Alguns desses jogadores confundem-se com a bandeira do clube, sendo a sua permanência para a época vital para a obtenção de títulos. No FC Porto, podemos incluir os nomes de Pepe, Lucho Gonzalez, Anderson e Ricardo Quaresma. Já no Sporting, facilmente se reconhece o papel do guarda-redes Ricardo, o talento de Miguel Veloso e João Moutinho e a classe de Liedson. Por fim, também o Benfica reúne jogadores considerados primordiais para futuras vitórias, como seja o caso de Luisão, Petit, Simão e Miccoli.
Ficar sem os direitos desportivos de um jogador-chave pode representar um bom negócio para o equilíbrio das contas, mas será sempre uma perda difícil de colmatar em termos desportivos.

Definição de um gabinete de prospecção

Cada vez mais, no futebol dito moderno, a competitividade dentro das quatro linhas exige igual sentido profissional quando se trata de descobrir a última pérola. Nos dias de hoje, não basta enviar olheiros para territórios longíquos ou observar meia dúzia de vídeos. A contratação de uma futura estrela implica um trabalho estruturado no tempo, de forma a traçar o perfil técnico, psicológico e físico do jogador que se pretende adquirir.
Em Portugal, mesmo nos grandes, ainda há hábitos antigos que custam a ser ultrapassados e FC Porto, Sporting e Benfica só teriam a ganhar com a criação de um gabinete de prospecção sério e rigoroso. Já se sabe que comprar bom e barato pode revelar-se tarefa difícil de atingir, mas torna-se crucial referenciar vários jogadores por posição, divididos em idades, custo e características.

Atletas a dispensar

Direcção e equipa técnica convergem no mesmo sentido: invariavelmente o plantel necessita de retoques e os ajustamentos passam pela dispensa (ou venda) de jogadores que demoram a adaptar-se ou, pura e simplesmente, ficaram aquém das expectativas.
No campeão, alguns nomes podem figurar da lista de empréstimos: o argentino Lucas Mareque teve poucas oportunidades e tarda em afirmar-se, os jovens André Castro e Vierinha podem ganhar maturidade noutro emblema e, por fim, ainda subsistem dúvidas quanto à continuidade de Alan, Wason Rentería e Bruno Moraes.
Para os lado de Alcochete, Paulo Bento mostra ter convicções fortes e ideias bem definidas: apesar de Ronny ter tido algumas aparições interessantes, foi o defesa menos utilizado. No entanto, é no miolo que as mudanças são mais drásticas, com a saída de Custódio para o Dínamo de Moscovo, a não renovação contratual com Carlos Martins e a fraca aposta em Farnerud e Paredes. Por fim, não se tratando propriamente de dispensa (os jogadores estavam emprestados), facilmente se depreende que Bueño e Alecsandro devem abandonar Alvalade.
Sobra o Benfica e a indefinição não destoa dos seus principais adversários. Desde logo, a partir da baliza, pois Quim foi sempre a primeira escolha de Fernando Santos. Daí para a frente, muitas decisões dependem da vinda de mais um reforço, mas há jogadores com menor margem de manobra, como seja o caso de João Coimbra (adquirir ritmo competitivo), Marco Ferreira (carta fora do baralho?), Manú e Paulo Jorge, só para citar alguns.

Reforços em função do modelo de jogo

Costuma-se dizer que quando se contrata um treinador, contrata-se o seu modelo de jogo. Nos três grandes, grande parte do trabalho já vem da temporada passada e a permanência de Jesualdo Ferreira, Paulo Bento e Fernando Santos garante, à partida, maior aprumo na hora de identificar as principais lacunas da equipa. Muito provavelmente, Sporting e Benfica devem manter a base do seu jogo no 4x4x2, enquanto o FC Porto, desde que mantendo Quaresma, alternará o 4x3x3 com o já citado losango
Deste modo, qualquer um dos treinadores tentará suprir a saída de um elemento valioso, por outro jogador de valor semelhante e equilibrar o plantel para fazer face às várias competições que se avizinham.
Em resumo, a questão dos reforços estará sempre dependente da manutenção, ou não, das principais estrelas. De qualquer forma, há espaço para efectuar alguns retoques, mais que não seja por elementos que prestem rotação à equipa. Vejamos como o mercado pode protagonizar um papel de extrema importância.

Contratações a nível interno

Embora a opção por atletas de clubes nacionais possa revelar um sintoma de menor disponibilidade financeira, não significa que não tenha correspondência nos resultados. Por vezes, o mercado nacional apresenta vantagens que não são de descurar. Por um lado, existe maior facilidade em cativar elementos de emblemas mais modestos e os grandes podem sempre retribuir através de empréstimos ou simples troca de jogadores; por outro lado, a experiência nas competições nacionais elimina o fantasma de eventuais problemas de adaptação, ainda que a dimensão possa representar um obstáculo na mudança.
Um dos bons exemplos desta política de contratações vem do acyual campeão, que tem tradição nesta matéria. Assim, não é de espantar que o lateral esquerdo Lino, proveniente da Académica, seja uma das caras novas, como forma de compensar o menor acerto de Lucas Mareque e a adaptação, ao lugar, de Jorge Fucile.
De seguida, oferecemos alguns exemplos de possíveis contratações a nível interno. Tratam-se de jogadores interessantes, com alguma margem de progressão e potencial para triunfar nos grandes do nosso futebol:

Fernando (U. Leiria)
Idade = 28 anos
Altura = 191 cm
Peso = 89 kg
Valor (aprox.) = 350.000 €
Descrição: guarda-redes equilibrado
Alvo: FC Porto (Vítor Baía abre vaga na baliza) e Benfica (mantém-se dúvida sobre o futuro de Moreira e Moretto)

Mangualde (P. Ferreira)
Idade = 25 anos
Altura = 170 cm
Peso = 69 kg
Valor (aprox.) = 350.000 €
Descrição: lateral direito determinado
Alvo: Sporting (Abel necessita de concorrente directo)

Paulo Jorge (Sp. Braga)
Idade = 26 anos
Altura = 185 cm
Peso = 84 kg
Valor (aprox.) = 1.250.000 €
Descrição: defesa central com capacidade de liderança
Alvo: Benfica (preparar substituição futura de Luisão)

Nivaldo (Belenenses)
Idade = 26 anos
Altura = 187 cm
Peso = 75 kg
Valor (aprox.) = 650.000 €
Descrição: defesa central com bom jogo aéreo
Alvo: FC Porto (eventualidade de Pepe ser transferido)

Antunes (P. Ferreira)
Idade = 20 anos
Altura = 175 cm
Peso = 69 kg
Valor (aprox.) = 400.000 €
Descrição: lateral esquerdo com forte pontapé
Alvo: Sporting (Ronny demora a impor-se e Tello decidiu-se pelo Besiktas)

Ricardo Chaves (Sp. Braga)
Idade = 29 anos
Altura = 180 cm
Peso = 75 kg
Valor (aprox.) = 1.000.000 €
Descrição: médio defensivo trabalhador
Alvo: Sporting (saída de Custódio abre vaga a outro pivot defensivo)

Kazmierczack (Boavista)
Idade = 25 anos
Altura = 191 cm
Peso = 80 kg
Valor (aprox.) = 1.500.000 €
Descrição: médio centro poderoso fisicamente
Alvo: FC Porto (meio-campo necessita de músculo)

José Pedro (Belenenses)
Idade = 28 anos
Altura = 186 cm
Peso = 77 kg
Valor (aprox.) = 1.750.000 €
Descrição: médio centrol criativo
Alvo: Benfica (Rui Costa tem de passar testemunho)

Nei (Naval)
Idade = 27 anos
Altura = 187 cm
Peso = 75 kg
Valor (aprox.) = 1.350.000 €
Descrição: ponta-de-lança oportuno
Alvo: Sporting (poderia ser o companheiro ideal para Liedson)

Roland Linz (Boavista)
Idade = 25 anos
Altura = 185 cm
Peso = 73 kg
Valor (aprox.) = 2.500.000 €
Descrição: ponta-de-lança de remate fácil
Alvo: FC Porto (dupla com Adriano seria temível)

Dady (Belenenses)
Idade = 25 anos
Altura = 191 cm
Peso = 84 kg
Valor (aprox.) = 2.000.000 €
Descrição: ponta-de-lança com virtudes no cabeceamento
Alvo: Benfica (Fernando Santos procura um goleador)

A lista poderia ser mais extensa e outros nomes poderiam ser apontados: Marco (guarda-redes, Belenenses), Lino (lateral esquerdo, Académica – confirmado pelo FC Porto), Bruno Amaro (médio centro, Nacional), Ruben Amorim (médio centro, Belenenses), Tiago Gomes (médio centro, Est. Amadora), Filipe Teixeira (médio ofensivo, Académica), Marcinho (médio ofensivo, Marítimo), Slusarski (ponta-de-lança, U. Leiria).

Investimento em figuras de top: parcerias financeiras

A alternativa orientada para o mercado externo implica alguns riscos acrescidos. Desde logo, em termos puramente monetários, pois é sobejamente conhecida a diminuta capacidade negocial dos principais clubes portugueses. Por sua vez, nem sempre a integração do atleta é pacífica e o jogador demora a assimilar princípios do modelo de jogo e adaptar-se à filosofia do clube.
Na visão dos sócios e simpatizantes dos três grandes, as possíveis contrariedades que foram referidas não fazem qualquer sentido. Nesta fase, o ideal seria que FC Porto, Sporting e Benfica já tivessem apresentado craques como Ronaldinho, Kaká e Drogba, só para citar alguns, mas a realidade é completamente diferente. Lamentavelmente, as grandes figuras mundiais pisam relvados em Espanha, Itália, Inglaterra e trata-se de uma ilusão sequer pensar que Portugal pode competir ao nível do topo da pirâmide. O primeiro nível de mercado implica investimentos avultados e torna-se missão impossível esgrimir forças com orçamentos de equipas como Chelsea, Real Madrid e AC Milan, por exemplo.
A solução passa pela obtenção de parcerias financeiras, onde a aquisição de determinado passe seja realizada, de forma conjunta, com um fundo de investimento. Outra hipótese, muitas vezes perseguida, diz respeito à negociação, com colossos europeus, de jogadores em final de carreira, acima dos trinta anos, em situação de empréstimo.
De tempos a tempos, um dos grandes consegue surpreender com a apresentação de um jogador de reconhecida qualidade, normalmente internacional pelo seu País. Também nesta situação, o factor moda marca presença. Nos finais da década de 80 e inícios de 90, era comum a vinda de jogadores de leste, alguns deles com características técnicas apreciáveis. Depois, a moda estendeu-se ao mercado brasileiro, quer devido às margens de custo, quer devido à relação histórica entre os dois Países. Nos dias que correm, preferencialmente em Inglaterra, França e Alemanha, os jogadores africanos têm ganho o seu espaço e, talvez, a vinda de Marco Zoro, natural da Costa do Marfim, para o Benfica, seja o primeiro passo no sentido de olhar para o mercado africano com outros olhos.
Em suma, os três grandes têm de contornar a menor disponibilidade financeira através da criação de um gabinete profissional que realize uma prospecção bem orientada, com a existência de um conjunto de olheiros de categoria inatacável. A história recente demonstra que FC Porto, Sporting e Benfica não devem ultrapassar o limite máximo (por jogador) de 10 milhões de euros. Actualmente, existe maior consciencialização por parte dos dirigentes e a saúde financeira obriga a alguma contenção. Ainda assim, apresenta-se um conjunto de jogadores que preenchem os requisitos desse patamar orçamental:

Joris Mathijsen (Hamburgo)
Idade = 27 anos
Altura = 182 cm
Peso = 72 kg
Valor (aprox.) = 10.000.000 €
Descrição: defesa central resistente

Fernando Cavenaghi (Bordéus)
Idade = 23 anos
Altura = 181 cm
Peso = 78 kg
Valor (aprox.) = 10.000.000 €
Descrição: ponta-de-lança muito oportuno

Stiliyan Petrov (Aston Villa)
Idade = 27 anos
Altura = 180 cm
Peso = 74 kg
Valor (aprox.) = 9.500.000 €
Descrição: médio centro tecnicista

Cristiano Lucarelli (Livorno)
Idade = 31 anos
Altura = 188 cm
Peso = 85 kg
Valor (aprox.) = 9.000.000 €
Descrição: ponta-de-lança poderoso

Christian Poulsen (Sevilha)
Idade = 27 anos
Altura = 182 cm
Peso = 76 kg
Valor (aprox.) = 9.000.000 €
Descrição: médio defensivo de grande cultura táctica

Victor Obinna (Chievo)
Idade = 20 anos
Altura = 182 cm
Peso = 80 kg
Valor (aprox.) = 8.500.000 €
Descrição: avançado explosivo

Luca Castellazzi (Sampdória)
Idade = 31 anos
Altura = 191 cm
Peso = 86 kg
Valor (aprox.) = 3.000.000 €
Descrição: guarda-redes experiente

Mariano Pernía (Atlético Madrid)
Idade = 30 anos
Altura = 177 cm
Peso = 81 kg
Valor (aprox.) = 6.500.000 €
Descrição: lateral esquerdo de forte remate

Sidi Keita (Lens)
Idade = 22 anos
Altura = 177 cm
Peso = 73 kg
Valor (aprox.) = 5.000.000 €
Descrição: médio centro enérgico

Kim Kallstrom (Lyon)
Idade = 24 anos
Altura = 181 cm
Peso = 79 kg
Valor (aprox.) = 7.500.000 €
Descrição: médio ofensivo talentoso

Formação e política desportiva

Antes de mais, o planeamento da política desportiva deve obedecer a critérios orçamentais rigorosos e ajustados à realidade financeira do clube, sem perder de vista objectivos ligados ao que se passa dentro das quatro linhas.
Existem várias abordagens sobre como operacionalizar uma política desportiva coerente com os valores do clube e diferentes estratégias podem atingir resultados de sucesso. Veja-se o caso do mais recente campeão europeu: o onze titular do AC Milan é constituído, maioritariamente, por jogadores italianos, sendo grande parte da chamada prata da casa. Basta observar a contínua aposta do clube em veteranos como Paolo Maldini, para verificar que a política desportiva milanesa não menospreza os bilhetes de identidade.
Em Portugal, de forma contrária, temos o exemplo flagrante da política seguida pelo Sporting. É sobejamente conhecida a capacidade do clube leonino para formar jogadores de elevada qualidade e se, no passado, reconhecem-se os nomes de Figo, Quaresma, Simão, Cristiano Ronaldo, no presente a Academia de Alcochete continua a produzir talentos como João Moutinho, Miguel Veloso e Bruno Pereirinha. Dos três grandes, o Sporting é, sem dúvida, aquele que orienta a sua política desportiva para uma das suas vertentes mais importantes: a formação.
Vejamos algumas jovens promessas que podem ter a sua oportunidade e que se encontram na rampa de lançamento para a próxima época:

FC Porto

Bura (18 anos)
Altura = 190 cm
Peso = 82 kg
Descrição: defesa central
Pontos fortes: envergadura física

André Castro (19 anos)
Altura = 179 cm
Peso = 75 kg
Descrição: médio defensivo
Pontos fortes: certeza no passe

Vieirinha (21 anos)
Altura = 171 cm
Peso = 66 kg
Descrição: médio ala
Pontos fortes: drible e aceleração
Marcelo Santiago (19 anos)
Altura = 182 cm
Peso = 65 kg
Descrição: ponta-de-lança
Pontos fortes: força e capacidade de impulsão

Sporting

Daniel Carriço (18 anos)
Altura = 180 cm
Peso = 75 kg
Descrição: defesa central
Pontos fortes: marcação

Tiago Pinto (19 anos)
Altura = 176 cm
Peso = 65 kg
Descrição: lateral esquerdo
Pontos fortes: apetência ofensiva

Bruno Pereirinha (19 anos)
Altura = 173 cm
Peso = 68 kg
Descrição: médio
Pontos fortes: versatilidade posicional

Adrien Silva (19 anos)
Altura = 178 cm
Peso = 75 kg
Descrição: médio centro
Pontos fortes: técnica e inteligência

Fábio Paim (19 anos)
Altura = 180 cm
Peso = 75 kg
Descrição: médio ala
Pontos fortes: drible e jogadas de 1x1

Yannick Pupo (19 anos)
Altura = 175 cm
Peso = 72 kg
Descrição: médio ofensivo
Pontos fortes: marcação de bolas paradas

Benfica

Pedro Correia (20 anos)
Altura = 175 cm
Peso = 64 kg
Descrição: lateral direito
Pontos fortes: capacidade de desarme

João Coimbra (21 anos)
Altura = 183 cm
Peso = 82 kg
Descrição: médio
Pontos fortes: concentração competitiva

Kaz Patafta (18 anos)
Altura = 172 cm
Peso = 71 kg
Descrição: médio ofensivo
Pontos fortes: visão de jogo

Yu Dabao (19 anos)
Altura = 185 cm
Peso = 78 kg
Descrição: ponta-de-lança
Pontos fortes: colocação de remate

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